Pesquisadores vão investigar depósitos de metais na Elevação do Rio
Grande e em planícies abissais ao largo da Ilha da Madeira, no Atlântico
Norte.[Imagem: Elevação do Rio Grande/CPRM]
Profundezas do mar grande
A formação rochosa submarina conhecida como Elevação do Rio Grande, uma
cordilheira de 3 mil km2 no fundo do oceano Atlântico, a 1,5 mil
quilômetros de distância da costa brasileira, guarda um verdadeiro
tesouro em minerais e elementos químicos cada vez mais escassos na
superfície terrestre.
Para desbravar essa fronteira ainda
desconhecida, pesquisadores brasileiros e britânicos reuniram-se no
projeto Marine E-tech, um esforço multidisciplinar para estudo a
formação dos depósitos de metais em águas profundas.
Além da
Elevação do Rio Grande, na qual os pesquisadores brasileiros se
concentrarão, a iniciativa contará com pesquisas em planícies abissais
ao largo da Ilha da Madeira, no Atlântico Norte.
Metais biogênicos
"O Brasil possui 8.500 km de costa com uma série de
recursos naturais disponíveis e ainda depende muito de terras raras
para desenvolver suas tecnologias. A Elevação do Rio Grande é uma
potencial fonte de recursos, mas sobre a qual ainda se sabe muito pouco
nas ciências oceanográficas e na mineração, o que inviabiliza o
entendimento de suas potencialidades e da sustentabilidade da sua
exploração. As pesquisas serão conduzidas para encontrar soluções nesse
sentido", destacou o professor Frederico Brandini, do Instituto
Oceanográfico da USP.
As perguntas são básicas: como esses depósitos e nódulos minerais se originaram, como se formam e como são mantidos.
"É preciso determinar se a origem desses nódulos é biogênica ou o
resultado de reações químicas que induzem a precipitações metálicas.
Bactérias litotróficas usam energia da oxirredução de elementos químicos
para precipitar esses metais", exemplificou Brandini.
Amostra de nódulo polimetálico rico em metais de grande interesse tecnológico. [Imagem: CPRM]
Tesouros submersos
O
trabalho na Elevação do Rio Grande também tentará elucidar quais
composições minerais estão presentes nos nódulos polimetálicos, rochas
de diversos tamanhos que apresentam altas concentrações de diferentes
metais.
"Esses nódulos têm em média 10 centímetros e determinadas
regiões dos oceanos estão repletas deles, a maior parte de ferro e
manganês, mas com outros elementos químicos incorporados e relativamente
fáceis de serem extraídos. Porém, todo esse potencial mineral está a
mais de mil metros de profundidade, podendo chegar a até 5 mil metros, o que exige amplo conhecimento científico e tecnologias muito específicas", explicou Brandini.
Entre esses metais e minerais estão alguns necessários ao
desenvolvimento de tecnologias para produção de energia mais limpa e
eficiente, como os elementos de terras raras, que podem ser utilizados
em baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas e painéis solares,
entre outras aplicações. Há ainda os elementos chamados e-tech, como o
telúrio, o cobalto e o selênio.
"Alguns desses elementos são
altamente concentrados em depósitos no fundo do mar, que constituem o
recurso marinho de metal mais importante para exploração e
aproveitamentos futuros. Por exemplo, os maiores níveis de
enriquecimento de telúrio são encontrados nas profundezas dos oceanos,
em crostas de ferro manganês em montanhas submarinas", disse Paul Lutsy,
do Serviço Geológico Britânico (BGS).
Telúrio é um componente
essencial na produção de células solares, mas o elemento está presente
em apenas 0,0000001% da superfície terrestre, o que o torna três vezes
mais escasso do que o ouro.
Pedras vivas
Contudo, e apesar do potencial econômico e tecnológico, não há parceiros
industriais ou mineradores unidos no esforço de pesquisa, que estará
assim primariamente preocupado com os aspectos ambientais.
"Trata-se de estudos oceanográficos para que seja desvendada a
história desses nódulos, que crescem e que são organismos com
propriedades únicas, como se fossem pedras vivas, com composição química
muito particular e sobre os quais ainda pairam perguntas científicas
não respondidas. Para isso é preciso um esforço multidisciplinar, caso
deste projeto, envolvendo pesquisadores de biologia, geologia, física,
além da expertise em tecnologia e da metodologia dos grupos
internacionais a ele associados," conclui o pesquisador.
Amostra de nódulo polimetálico rico em metais de grande interesse tecnológico. [Imagem: CPRM]
Fonte: http://a-nova-realidade.blogspot.pt/2015/12/a-destruicao-dos-oceanos-esta-por-vir.html