quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

MicroRNAs – O que são e como podem ser utilizados para combater doenças

microRNAs – o que são e como podem ser utilizados para combater doenças
Anteriormente, analisámos brevemente o papel de RNA mensageiro na conversão de DNA em proteína.

Nos seres humanos, as proteínas são sintetizadas a partir de sequências de DNA codificante. Mas o nosso DNA também contém sequências que não codificam proteínas. Então, qual é o papel destas moléculas de DNA não codificante?

Cerca de 80% do genoma humano é constituído por DNA (ou, em português, ADN: ácido desoxirribonucleico) não codificante. Assim sendo, apenas 20% do nosso DNA é transcrito em RNA (ou, em português, ARN: ácido ribonucleico) mensageiro. Apenas 20% é utilizado para sintetizar proteínas. Então, para que servirá o restante? Será esta grande parte de DNA e RNA inútil?

Atualmente, existe uma série de elementos não codificantes já identificados. Podemos dividi-los em duas categorias principais, que diferem entre si em tamanho. As mais pequenas, sncRNA (RNA pequeno não-codificante) e as maiores, lncRNA (RNA longo não-codificante).
Vamos focar-nos nos sncRNA. Dentro desta categoria encontramos várias moléculas de RNA capazes de interferir com o processo de transferência de informação genética. Sendo, assim, possível silenciar determinados genes.

É o caso dos microRNAs (miRNAs ou miRs).

Este tipo de RNA foi descoberto relativamente há pouco tempo. Estávamos no ano de 1993, quando um grupo de investigadores liderado por Ambros descobriu o lin-4, em nematodes. Este miRNA provou ter um papel crucial no desenvolvimento deste organismo, ao bloquear a síntese de proteínas envolvidas neste processo.

O lin-4 encontra-se conservado na espécie humana. Desde a sua descoberta, mais de 2000 miRNAs foram descobertos em humanos. E, pensa-se que ao todo regulam um terço dos genes contidos no genoma humano.

O que são ao certo estes miRNAs?

Como o nome indica são moléculas constituídas por sequências de nucleótidos muito curtas. Normalmente, são formadas por cerca de 22 nucleótidos. O DNA que temos na maior parte das nossas células contém cerca de 6 mil milhões de pares de nucleótidos!

Mas, apesar do seu tamanho, os miRNAs podem ter um grande impacto na regulação genética.
E como funcionam?

Os miRNAs apresentam complementaridade com outras sequências de nucleótidos. Um dos principais mecanismos de ação dos miRNAs consiste na ligação a moléculas de mRNA, que resulta na inibição destas. Podendo impedir que estas sejam utilizadas pela célula ou até causando a sua eliminação.

Assim, a informação contida num gene é silenciada. Podemos pensar nos miRNAs como intercetores da mensagem genética. Estes impedem que o mensageiro (mRNA) entregue a mensagem ao destinatário.

A ligação entre o miRNA e o mRNA não precisa de ser perfeita para existir interação. Existem alguns nucleótidos do miRNA que não têm correspondentes no mRNA, formado uma espécie de ponte.

É esta característica que confere aos miRNA uma grande abrangência. Aumentando o número de mRNA aos quais um miRNA se pode ligar. Assim, um miRNA pode silenciar vários genes.
Que aplicações podem ter na medicina?

Os miRNAs participam em diversas vias de sinalização de processos biológicos. Podem estar envolvidos na diferenciação celular, em respostas imunitárias, na secreção de insulina, no metabolismo celular ou ainda, no envelhecimento.

Dado este papel abrangente, têm-se estudado modos de utilização destas moléculas no diagnóstico e tratamento de doenças. Uma das alternativas, consiste na administração de medicamentos com inibidores de miRNAs. Existe atualmente um medicamento em ensaios clínicos baseado neste princípio – o Miravirsen. Este contém inibidores do miR-122 para combater o vírus da hepatite C.

Outro método consiste na administração de mímicos de miRNAs. Por exemplo, o MRX34, que também se encontra em ensaios clínicos, contém mímicos do miR-34a para combater tumores sólidos.

Embora à primeira vista possa parecer um contrassenso, tanto a estimulação como a inibição de miRNAs específicos podem ser benéficos. Tudo depende da via celular onde cada miRNA se enquadra e do mecanismo de ação dele.

Os miRNAs podem também ser encontrados em circulação. Os nossos fluidos biológicos, como o sangue, contêm miRNAs.

Em determinadas doenças, como diabetes ou cancro, verifica-se que existem miRNAs específicos presentes no sangue expressos diferencialmente. Ou seja, os níveis de determinados miRNAs no sangue de um paciente são diferentes dos de uma pessoa normal.

E, portanto, podem aqui surgir também como uma ferramenta complementar para a deteção prematura de doenças graves.

Fonte: https://pplware.sapo.pt/ciencia/micrornas-combater-doencas/




NASA revela descobertas da Sonda Solar Parker

NASA revela descobertas da Sonda Solar Parker
A ambiciosa espaçonave – uma maravilha técnica por si só – foi lançada no ano passado e passará um total de sete anos orbitando nossa estrela enquanto se aventurava dentro de meros 6,16 milhões de quilômetros de sua superfície.

O nome da sonda é uma homenagem ao astrofísico solar americano, Eugene Parker, que originalmente previu a existência do vento solar, algo que na época era considerado ‘maluco’ por seus colegas.

Agora, a NASA revelou a primeira das descobertas da sonda e parece que já forneceu dados que poderiam ajudar a resolver alguns dos mistérios mais duradouros do Sol.

Stuart Bale, da Universidade da Califórnia, disse:

Os três primeiros encontros da sonda solar que tivemos até agora foram espetaculares. Podemos ver a estrutura magnética da coroa, que nos diz que o vento solar está emergindo de pequenos orifícios coronais; vemos atividade impulsiva, jatos grandes ou alternativos, que acreditamos estarem relacionados à origem do vento solar. E também estamos surpresos com a ferocidade do ambiente com poeira.

Uma das coisas que a sonda pretendia investigar é o fato de que, contra-intuitivamente, a temperatura é realmente muito mais quente na atmosfera do Sol do que em sua superfície.

As descobertas mostraram que isso pode ocorrer porque as partículas do vento solar são liberadas em jatos explosivos, e não em um fluxo constante.

Os dados também revelaram que a área próxima ao Sol é muito mais nebulosa do que o esperado, provavelmente devido ao fato dos cometas e outros objetos serem vaporizados e se transformarem em uma névoa poeirenta ao se aproximarem dele.

Fonte: https://www.ovnihoje.com/2019/12/05/nasa-revela-descobertas-da-sonda-solar-parker/

Astrónomos têm novo método de identificar mundos semelhantes à Terra com atmosferas

Astrônomos têm uma nova maneira de identificar mundos semelhantes à Terra com atmosferas
Impressão artística de um exoplaneta orbitando uma estrela anã vermelha. (Foto: L. Hustak e J. Olmsted (STScI) 


Um novo método pode dizer aos cientistas se um exoplaneta rochoso – o tipo de exoplaneta mais semelhante ao da Terra – tem uma atmosfera.

Na última década, os astrônomos descobriram muitos exoplanetas rochosos aparentemente similares à Terra, orbitando na “zona habitável”, a região ao redor de uma estrela com temperaturas amenas que podem permitir que a água exista como líquido na superfície de um planeta. Mas, diferentemente da Terra, muitos desses planetas ficam perto de estrelas pequenas, frias e ativas, classificadas como anãs M, cuja radiação e ventos estelares podem aniquilar qualquer chance desses planetas formarem atmosferas. Se esses exoplanetas rochosos podem ou não se sustentar em uma atmosfera é agora uma questão importante no campo de pesquisa.

Eliza Kempton, professora assistente da Universidade de Maryland nos EUA, disse ao Gizmodo:

Nunca caracterizamos as atmosferas de um planeta rochoso além das do nosso sistema solar. Este é o primeiro grande salto para a caracterização de planetas rochosos na zona habitável”.

Os pesquisadores propõem a observação de exoplanetas rochosos conhecidos antes de eles passarem atrás da estrela mãe, comparando a quantidade de luz com a luz vista apenas pela estrela.

Os cálculos da distância entre a estrela e o planeta indicam a quantidade de radiação que o planeta recebe, e a diferença entre a luz que os astrônomos veem antes e depois do eclipse diz a quantidade de luz que o planeta irradiou novamente durante o dia. Se o planeta irradia novamente toda a luz, provavelmente não possui atmosfera. Mas se alguma luz desapareceu, é evidência de que uma atmosfera redistribuiu parte da energia para a parte de trás do planeta ou a dispersou.

Os pesquisadores publicaram seus métodos e a teoria por trás deles em quatro artigos no Astrophysical Journal (1,2,3,4).

Outros tentaram encontrar atmosferas em exoplanetas antes; no ano passado, uma equipe liderada pela cientista Laura Kreidberg determinou que o exoplaneta LHS 3844b não possuía atmosfera olhando a luz emitida ao completar uma órbita em torno de sua estrela. Mas a equipe por trás do novo método queria acelerar a pesquisa. O telescópio espacial James Webb, capaz de contar aos astrônomos mais sobre exoplanetas do que nunca, provavelmente será lançado em 2021, e os astrônomos certamente competirão agressivamente por seu precioso tempo de observação. Portanto, essa equipe de pesquisadores se concentrou em desenvolver um método de pesquisa que pudesse fornecer uma resposta simples de sim ou não para dezenas de exoplanetas em uma única observação.

O método não vai nos dizer o que está na atmosfera, como por exemplo se foi ou não alterada pela presença de vida ou se é parecida com a nossa atmosfera, disse Lisa Kaltenegger, diretora do Instituto Carl Sagan na Universidade de Cornell, que não participou do estudo, ao Gizmodo em um e-mail. Mas ainda é útil, ela disse.

Este método pode ser usado para priorizar quais planetas observar com mais detalhes.

Existem outros limites para o método, disse Kempton. Planetas rochosos na zona habitável podem conter substâncias alteradas pela água, como argila, cujo comportamento de refletir a luz leva os pesquisadores a pensar que há uma atmosfera. Os astrônomos não usarão essa estratégia para pesquisar os planetas da zona habitável, aqueles com água que esperamos ter sinais de vida. Em vez disso, eles se concentrarão nos planetas mais próximos de suas estrelas.

Mas tudo bem – os pesquisadores estão dando um passo de cada vez.

Kempton disse:

O que queremos fazer com o [James Webb Space Telescope] é começar com um alvo mais fácil. Os planetas um pouco mais quentes do que os habitáveis ​​serão mais fáceis de caracterizar, levarão menos tempo do telescópio e obterão resultados mais confiáveis.

Os astrônomos querem saber se esses exoplanetas rochosos que orbitam essas pequenas e frias anãs M têm atmosferas. Se eles têm atmosferas, é uma razão para continuar olhando para os planetas da zona habitável.

O telescópio espacial James Webb pode ter a oportunidade única de identificar rapidamente quais exoplanetas têm atmosfera. Vamos apenas esperar que ele seja lançado a tempo.

Fonte: https://www.ovnihoje.com/2019/12/05/astronomos-tem-uma-nova-maneira-de-identificar-mundos-semelhantes-a-terra-com-atmosferas/


quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Novo sistema obtém energia solar quando o sol não está a brilhar

Imagem de energia so sol que pode ser armazenada como energia molecular
Um grupo de investigadores da Universidade de Houston apresentou um dispositivo que armazena energia do sol para uso durante a noite. A energia solar é uma alternativa para o futuro, mas os investigadores enfrentam o desafio de superar as suas limitações. Nesse sentido, foram desenvolvidos vários projetos para armazenar energia solar para uso quando o sol não está a brilhar.
O segredo para uma captação 24 horas por dia estará no combinar de várias tecnologias já conhecidas no mercado.

Usar Energia Solar sem que o sol esteja a raiar

Esta não é a primeira vez que se fala num dispositivo que armazena energia solar para uso quando o sol não está a brilhar. Superar as limitações da energia fotovoltaica como a energia limpa do futuro é um dos maiores desafios. Contudo, os investigadores não mostram estar dispostos a poupar tempo nem dinheiro para o fazer.
Por detrás deste dispositivo está um grupo de investigadores da Universidade de Houston. Na base está um dispositivo híbrido que capta a energia solar de forma eficiente. Ao mesmo tempo, este produto armazena essa energia para uso posterior.
O objetivo deste projeto é desenvolver uma nova opção de usar a energia solar ao longo do dia. Isto é, que as horas limitadas de luz, os dias sem sol sejam um impedimento.
Luz do sol 24 horas, sete dias por semana 

O trabalho desenvolvido pelos engenheiros da Universidade de Houston combina armazenamento de energia molecular e armazenamento de calor latente para produzir um dispositivo integrado de recolha e armazenamento para possível operação 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Assim, os autores do estudo afirmam que uma eficiência de 73% é alcançada em operações de pequena escala e de até 90% quando aplicada em operações de grande escala. Também afirmam que 80% da energia é recuperada à noite.
Parte do sucesso deste novo dispositivo reside na utilização de um material de armazenamento molecular, um composto orgânico que, de acordo com os investigadores, demonstra alta energia específica e excecional libertação de calor, mantendo-se estável durante longos períodos de armazenamento.
O segredo estará na energia com armazenamento molecular 

Os responsáveis do projeto, em declarações ao World Energy Trade, explicaram que esta alta eficiência se deve, em parte, à capacidade do dispositivo de captar todo o espectro da luz solar, com a possibilidade do seu uso imediato e a conversão do excesso em armazenamento de energia molecular.
T. Randall Lee, professor de química, explica que o dispositivo oferece maior eficiência de várias maneiras:
  • a energia solar é armazenada em forma molecular em vez de calor, que se dissipa ao longo do tempo;
  • o sistema integrado também reduz perdas térmicas, uma vez que não é necessário transportar a energia armazenada através de condutas.
Também é importante notar que o dispositivo desenvolvido pela Universidade de Houston permite que a energia armazenada produza energia térmica a uma temperatura mais elevada durante a noite do que durante o dia, o que aumenta a quantidade de energia disponível mesmo quando o sol não brilha.

Fonte: https://pplware.sapo.pt/ciencia/novo-sistema-obtem-energia-solar-quando-o-sol-nao-esta-a-brilhar/

Portugal entre os 20 países com maior impacto de eventos climáticos extremos em 20 anos

A análise a 181 países, entre 1999 e 2018, coloca Portugal nos 20 países que mais sofreram com os impactos dos eventos climáticos extremos. Neste grupo estão também França (15.º) e Alemanha (17.º).

Portugal é o 19.º país mais afetado por eventos climáticos extremos entre 1999 e 2018, segundo o relatório Global Climate Risk Index 2020, elaborado pelo think thank ambiental Germanwatch, e divulgado esta quarta-feira na conferência do clima da Organização das Nações Unidas – COP25, em Madrid.

No período de 20 anos, em Portugal, morreram 11 pessoas por cada 100 mil habitantes (cerca de mil mortes em todo o país), por causa dos eventos registados, e registou-se uma perda de 41 milhões de dólares (cerca de 37 milhões de euros), refere o relatório. Globalmente, e considerando os dados de 181 países, registaram-se 12 mil eventos climáticos extremos, 495 mil mortes e perdas no valor de 3,54 mil biliões de dólares (cerca de 3,19 mil biliões de euros).

Puerto Rico, Myanmar, Haiti, Filipinas e Paquistão são os países que mais sofreram com os eventos extremos nos últimos 20 anos. O ranking baseia-se em valores médios, mas os autores do relatório conseguem distinguir claramente dois grupos: os que sofreram catástrofes excecionais e aqueles que são continuamente atingidos por eventos extremos.

Uma terceira categoria tem surgido nos últimos anos: os que são os mais afetados a longo prazo e os mais afetados no respetivo ano, como o Haiti, Filipinas e Paquistão. Muitos destes países ainda estão a sofrer os impactos de um evento extremo quando são atingidos por uma nova catástrofe.

Entre os 30 países que mais sofreram com os eventos climáticos extremos nos últimos 20 anos estão outros países europeus, como França (15.º), Alemanha (17.º), Itália (26.º), Espanha (29.º) e Rússia (30.º), em parte devido à vaga de calor de 2003 que matou 70 mil pessoas no continente. Isto torna claro que os países desenvolvidos também podem ser afetados por eventos extremos.

“Os países com maiores rendimentos estão a sentir os impactos do clima de forma mais clara do que nunca. A mitigação eficaz das alterações climáticas é, portanto, do interesse de todos os países do mundo”, escrevem os autores do relatório.

A grande diferença, em relação aos países mais pobres, é que as perdas económicas nos países desenvolvidos são relativamente baixas quando comparadas com o poder económico desses países. Os países mais pobres, além de mais vulneráveis, têm uma menor capacidade para a reconstrução e recuperação.

O índice focou-se nos eventos climáticos extremos, como vagas de calor, cheias e secas, mas não conseguiu considerar os processos importantes de demoraram a estabelecer-se como a subida do nível do mar, o degelo dos glaciares, o aquecimento dos mares e a acidificação dos oceanos, alertam os autores do relatório.

Os autores destacam também que não é possível dizer que cada um dos eventos extremos é causado pelas alterações climáticas causadas pelo homem, mas não têm dúvidas em afirmar que as alterações climáticas aumentam a probabilidade de ocorrência e a intensidade desses eventos extremos.

“Na Europa, por exemplo, os períodos de calor extremo são agora até 100 vezes mais prováveis do que há um século atrás”, escrevem os autores do relatório.

Apesar de terem considerado 181 países na avaliação a 20 anos, a equipa da Germanwatch admite que há países em risco que não foram incluídos por falta de dados de longo prazo, como os pequenos Estados-ilha. Além disso, os impactos considerados no índice dizem respeito às perdas diretas e às mortes e não conseguem contabilizar os impactos indiretos, como os resultantes da seca e da escassez de alimentos. A falta de dados sobre o impacto das vagas de calor, nomeadamente em África, também pode fazer com que os países africanos estejam sub-representados.
Japão, Filipinas e Alemanha entre os mais afetados de 2018

O relatório Global Climate Risk Index 2020 também avalia quais os países que mais sofreram com eventos climáticos extremos durante 2018. Só o Japão foi alvo de “três eventos climáticos extremos excecionalmente fortes”, que o colocou no topo da lista, incluindo duas ondas de calor, a principal causa de danos no ano passado.

Primeiro, em julho, as chuvas torrenciais no Japão mataram mais de 200 pessoas, destruíram mais de 5.000 casas, obrigaram à retirada de 2,3 milhões de pessoas e provocaram perdas de sete mil milhões de dólares (cerca de 6,3 mil milhões de euros). Depois, as duas vagas de calor mataram 138 mortes e obrigaram à hospitalização de mais de 70 mil pessoas.

As Filipinas foram atingidas, em setembro, pelo tufão Mangkhut, o mais forte em todo o mundo no ano passado. Os ventos chegaram aos 270 quilómetros por hora em terra e 250 mil pessoas foram afetadas.

A Alemanha, em terceiro lugar no ranking, o Japão e a Índia (5.º) enfrentaram longos períodos de calor. Só na Alemanha morreram 1.234 pessoas. Foi o segundo ano mais quente no país desde que há registo.

Com países ricos e, sobretudo, países de rendimento médio e baixo a sofrerem os impactos dos eventos extremos, “a cimeira do clima precisa de abordar a falta de financiamento adicional para ajudar as pessoas e os países mais pobres a lidar com perdas e danos [por causa destes eventos]”, alerta Laura Schaefer, da Germanwatch. “A COP25 precisa decidir sobre as etapas necessárias para gerar recursos financeiros fiáveis para atender a essas necessidades.”

Fonte: https://observador.pt/2019/12/04/portugal-entre-os-20-paises-com-maior-impacto-de-eventos-climaticos-extremos-em-20-anos/

Sismo de magnitude 6 na costa norte do Chile

Um sismo de magnitude 6 na escala de Richter foi esta terça-feira registado na costa norte do Chile. Não há relatos de danos.

Um sismo de magnitude 6,0 na escala de Richter foi hoje registado na costa norte do Chile, sem relatos de danos.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que regista a atividade sísmica mundial, o terramoto ocorreu às 3h46 locais (6h46 em Lisboa) com epicentro a 37 quilómetros oeste-sudoeste da cidade de Arica e a uma profundidade de 32 quilómetros.

Em 2010, o Chile foi atingido por um forte sismo, de magnitude 8,8 na escala de Richter, que causou um tsunami responsável por mais de 500 mortes.

Fonte: https://observador.pt/2019/12/03/sismo-de-magnitude-6-na-costa-norte-do-chile/


Dois “pavões” cósmicos mostram história violenta das Nuvens de Magalhães

Foram descobertas duas nuvens de gás em forma de pavão na Grande Nuvem de Magalhães (GNM) por observações com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array).
Uma equipa de astrónomos descobriu várias estrelas bebés massivas nas complexas nuvens filamentares, o que está bem de acordo com simulações de computador de colisões gigantescas de nuvens de gás. Os investigadores interpretam isto como significando que os filamentos e as estrelas jovens são evidências reveladoras de interações violentas entre a Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães (PNM) há 200 milhões de anos atrás.
Os astrónomos sabem que as estrelas são formadas no colapso de nuvens no espaço. No entanto, os processos de formação das estrelas gigantes, 10 vezes ou mais massivas que o Sol, não são bem compreendidos porque é difícil empacotar uma quantidade tão grande de material numa pequena região.
Alguns cientistas sugerem que as interações entre galáxias fornecem um ambiente perfeito para a formação estelar massiva. Devido à gravidade colossal, as nuvens nas galáxias são agitadas, esticadas e colidem frequentemente umas com as outras.
Como resultado, uma enorme quantidade de gás é comprimida numa área invulgarmente pequena, o que pode formar as sementes de estrelas massivas.
Uma equipa de investigação usou o ALMA para estudar a estrutura do gás denso em N159, uma movimentada região de formação estelar na GNM. Graças à alta resolução do ALMA, a equipa obteve um mapa muito detalhado das nuvens em duas sub-regiões, N159E – Nebulosa Papillon e N159W Sul.
Curiosamente, as estruturas das nuvens nas duas regiões parecem muito semelhantes: filamentos de gás em forma de leque que se estendem para norte com pivôs nos pontos mais a sul. As observações do ALMA também encontraram várias estrelas bebés massivas nas duas regiões.
“Não é natural que em duas regiões separadas por 150 anos-luz, sejam formadas nuvens com formas semelhantes e que as idades das estrelas bebés sejam semelhantes,” diz Kazuki Tokuda, investigador da Universidade da Prefeitura de Osaka e do Observatório Astronómico Nacional do Japão.
Deve haver uma causa comum para estas características. A interação entre a GNM e a PNM é um bom candidato”, acrescenta. O artigo científico foi publicado recentemente no The Astrophysical Journal.
Em 2017, Yasuo Fukui, professor da Universidade de Nagoya e a sua equipa revelaram o movimento do hidrogénio gasoso na GNM e descobriram que um componente gasoso logo ao lado de N159 tinha uma velocidade diferente do resto das nuvens. Eles sugeriram a hipótese de que o surto de formação estelar foi provocado por um fluxo massivo de gás da PNM para a GNM, e que este fluxo teve origem num encontro próximo entre as duas galáxias há 200 milhões de anos atrás.
O par de nuvens em forma de pavão nas duas regiões reveladas pelo ALMA encaixa muito bem nesta hipótese. As simulações de computador mostram que muitas estruturas filamentares são formadas num curto espaço de tempo após uma colisão de duas nuvens, o que também apoia esta ideia.
Pela primeira vez, descobrimos em grande detalhe a ligação entre a formação estelar massiva e as interações galácticas,” diz Fukui, autor principal de um dos artigos científicos. “Este é um passo importante para entender o processo de formação de grandes enxames estelares nos quais as interações entre galáxias têm um grande impacto.”

Fonte: https://zap.aeiou.pt/dois-pavoes-cosmicos-293760

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Cientistas mais perto do que nunca de sinal da alvorada cósmica !

Utilizando o radiotelescópio MWA (Murchison Widefield Array), investigadores deram um novo e significativo passo em direção à deteção de um sinal do período da história cósmica em que as primeiras estrelas iluminaram o Universo.
Há cerca de 12 mil milhões de anos, o Universo emergiu de uma grande idade das trevas cósmica quando as primeiras estrelas e galáxias se iluminaram. Com uma nova análise de dados recolhidos pelo radiotelescópio MWA, os cientistas estão agora mais perto do que nunca de detetar a assinatura ultrafraca desse momento decisivo na história cósmica.
Num artigo disponibilizado no site de pré-impressão ArXiv e a ser publicado brevemente na The Astrophysical Journal, os cientistas apresentam a primeira análise de dados de uma nova configuração do MWA desenhada especificamente para procurar o sinal do hidrogénio neutro, o gás que dominou o Universo durante a idade das trevas cósmica.
A análise estabelece um novo limite – o limite mais baixo até agora – para a força do sinal do hidrogénio neutro.
“Podemos dizer com confiança que se o sinal do hidrogénio neutro fosse mais forte do que o limite que estabelecemos no artigo, então o telescópio o teria detetado”, disse Jonathan Pober, professor assistente de física da Universidade Brown e autor correspondente do novo artigo científico. “Estas descobertas podem ajudar-nos a restringir ainda mais o momento em que a idade das trevas cósmica terminou e as primeiras estrelas surgiram.”
A investigação foi liderada por Wenyang Li, que realizou o trabalho como aluno de doutoramento na Universidade Brown. Li e Pober colaboraram com um grupo internacional de investigadores que trabalhavam com o MWA.
Apesar da sua importância na história cósmica, pouco se sabe sobre o período em que as primeiras estrelas se formaram, conhecido como Época da Reionização.
Os primeiros átomos que se formaram após o Big Bang foram iões de hidrogénio com carga positiva – átomos cujos eletrões foram arrancados pela energia do Universo jovem. À medida que o Universo arrefecia e se expandia, os átomos de hidrogénio reuniram-se com os seus eletrões para formar hidrogénio neutro.
Isso era tudo o que havia no Universo até há cerca de 12 mil milhões de anos, quando os átomos começaram a agrupar-se para formar estrelas e galáxias. A luz desses objetos reionizou o hidrogénio neutro, fazendo com que desaparecesse amplamente do espaço interestelar.
O objetivo de projetos como o que está a decorrer no MWA é localizar o sinal do hidrogénio neutro da idade das trevas e medir como mudou à medida que a Época da Reionização se desenrolava.
Isto poderá revelar informações novas e críticas sobre as primeiras estrelas – os blocos de construção do Universo que vemos hoje. Mas observar qualquer vislumbre deste sinal com 12 mil milhões de anos é uma tarefa difícil que requer instrumentos com sensibilidade requintada.
Quando começou a operar em 2013, o MWA totalizava 2048 antenas de rádio dispostas no interior remoto da Austrália Ocidental. As antenas são agrupadas em 128 “blocos”, cujos sinais são combinados por um supercomputador chamado “Correlator”. Em 2016, o número de blocos duplicou para 256 e a sua configuração na paisagem foi alterada para melhorar a sua sensibilidade ao sinal do hidrogénio neutro. Este novo artigo é a primeira análise de dados da matriz expandida.
O hidrogénio neutro emite radiação no comprimento de onda dos 21 centímetros. À medida que o Universo se expandia nos últimos 12 mil milhões de anos, o sinal da Época da Reionização foi esticado até cerca de 2 metros e é isso que os astrónomos do MWA estão à procura. O problema é que existem inúmeras outras fontes que emitem no mesmo comprimento de onda – fontes criadas pelo Homem, como televisão digital, bem como fontes naturais da Via Láctea e de milhões de outras galáxias.
“Todas estas outras fontes são muitas ordens de magnitude mais fortes do que o sinal que estamos a tentar detetar,” disse Pober. “Mesmo um sinal de rádio FM refletido por um avião que coincidentemente passa por cima do telescópio é suficiente para contaminar os dados.”
Para detetar o sinal, os investigadores usam uma infinidade de técnicas de processamento para eliminar estes contaminantes. Ao mesmo tempo, têm que ter em conta as respostas de frequência únicas do próprio telescópio.
“Se observarmos diferentes frequências de rádio ou comprimentos de onda, o telescópio comportar-se-á de maneira um pouco diferente,” disse Pober. “A correção da resposta do telescópio é absolutamente crítica para a separação dos contaminantes astrofísicos e do sinal de interesse.”
Estas técnicas de análise combinadas com a capacidade expandida do próprio telescópio resultaram num novo limite superior da força do sinal da Época da Reionização. É a segunda análise consecutiva do melhor limite até ao momento a ser divulgada pelo MWA e aumenta a esperança de que a experiência um dia detete o sinal elusivo da Época da Reionização.
“Esta análise demonstra que a atualização da fase dois teve muitos dos efeitos desejados e que as novas técnicas de análise melhorarão as análises futuras,” disse Pober. “O facto do MWA ter publicado os dois melhores limites consecutivos do sinal dá força à ideia de que esta experiência e a sua abordagem prometem muito.”

Fonte: https://zap.aeiou.pt/perto-sinal-da-alvorada-cosmica-294373

Variações na rigidez das rochas explicam tsunamis devastadores

A variação na rigidez das rochas, um parâmetro nunca inferido em detalhe até agora, é o principal fator para explicar algumas características observadas em grandes tsunamis.
Uma equipa de cientistas do Instituto de Ciências Marinhas do CSIC, em Espanha, publicou recentemente um artigo científico na Nature que explica que a variação na rigidez das rochas deve ser um fator explorado e incorporado na estimativa de risco associado a terramotos e tsunamis.
De acordo com os cientistas, citados pelo Europa Press, as variações de rigidez permitem a resolução de paradoxos inexplicáveis, como a discrepância entre o movimento sísmico moderado registado na superfície e a grande amplitude de tsunamis que deram origem a vários terremotos históricos.
Em comunicado, Valentí Sallarès, autor principal do trabalho, revelou que esta investigação mostra que as diferenças entre o comportamento de terramotos profundos e rasos “não se devem a variações locais no mecanismo físico que os produz, mas a mudanças sistemática na rigidez das rochas que fraturam e se deformam durante a rutura sísmica”.
Os terramotos rasos propagam-se mais lentamente, duram mais tempo, têm maior escorregamento na falha e causam uma maior deformação no fundo do oceano em comparação com os terramotos profundos de igual magnitude. No entanto, geram vibrações sísmicas menos pronunciadas na superfície.
É por este grande motivo que os cientistas admitem que, muitas vezes, que o risco destes terramotos é subestimado, especialmente a sua capacidade de gerar tsunamis.
(dr) CSIC

Movimento sísmico

Os autores do artigo científico analisaram imagens sísmicas do subsolo e combinaram-nas com modelos tomográficos, de modo a inferir as propriedades das rochas em diferentes profundidades e em diferentes zonas de subducção em todo o mundo.
Os resultados mostram que a rigidez das rochas que repousam sobre a falha entre placas aumenta sistematicamente com a profundidade, seguindo uma tendência universal e bem definida.
Esta tendência explica as diferenças entre terramotos superficiais e profundos, permitindo, por sua vez, prever com precisão a velocidade de propagação e a duração da rutura sísmica, a quantidade de derrapagem na falha, as alterações na amplitude das vibrações sísmicas geradas ou as diferenças de magnitude.
Este é o primeiro modelo que permite prever certas características do terramoto com base na profundidade do seu hipocentro, que, segundo Sallarès, é “a chave para poder estimar com precisão seu potencial tsunamigénico”.

Fonte: https://zap.aeiou.pt/rigidez-rochas-tsunamis-devastadores-294120

Placas tectónicas podem ter sido criadas por impactos massivos de asteróides

As placas tectónicas surgiram quando a Terra era bombardeada por impactos colossais. Cientistas investigaram se estes fenómenos tinham alguma relação, e tudo indica que sim.
A Terra evoluiu de uma massa derretida para um corpo planetário rochoso e esta continua a ser uma das maiores questões da Ciência. De acordo com uma nova investigação, publicada recentemente na Geology, cientistas da Universidade Macquarie, do Southwest Research Institute e da Harvard University, sugerem que essa transição pode ter sido desencadeada por intenso bombardeamento extraterrestre.
Simulações de computador e comparações com estudos anteriores revelaram que, há cerca de 4,6 mil milhões de anos, os impactos de destruição da Terra continuaram a moldar o planeta durante centenas de milhões de anos, aponta o Sci-News.
Apesar de esses eventos terem diminuído com o tempo,o cráton Kaapvaal, na África do Sul, e o cráton de Pilbara, na Austrália, sugerem que a Terra experimentou um período de intenso bombardeamento, há cerca de 3,2 mil milhões de anos, ao mesmo tempo em que aparecem as primeiras indicações de movimento das placas tectónicas.
Os cientistas sugerem que colossais as colisões de corpos extraterrestres engatilharam a transição terrestre do seu estado quente e primitivo para o mundo que conhecemoshoje: com a litosfera (crosta e manto superior) fragmentada em placas.
“Costumamos pensar na Terra como um sistema isolado, onde só importam os processos internos”, disse o co-autor do artigo científico Craig O’Neill, em comunicado. “No entanto, estamos a sentir, cada vez mais, que o efeito da dinâmica do Sistema Solar influencia o comportamento da Terra.
O’Neill e a sua equipa estudaram certas camadas sedimentares localizadas em solos australianos e sul-africanos e descobriram que, há 3,2 mil milhões de anos de anos, a Terra foi “castigada” com muitos impactos.
Depois de terem criado várias simulações,foram capazes de perceber a tectónica global: ao contrário das primeiras centenas de milhões de anos de vida da Terra (formada há 4,6 mil milhões de anos), em que as colisões de corpos com 300 quilómetros de diâmetro eram frequentes, no Arqueano diminuíram um pouco.
Nesta altura, os corpos que impactavam com a Terra não passavam dos 100 quilómetros de diâmetro (30 km maior do que o asteróide que matou os dinossauros). Contudo, importava saber se estes eventos, ainda que menores, eram o suficiente para fragmentar a litosfera.
Para isso, os investigadores usaram técnicas para estimar a quantidade de impactos no Mesoarqueano e criaram simulações para modelar os efeitos dessas colisões na temperatura do manto. E os resultados apontam o sim como resposta.
Estes corpos celestes quilométricos que impactavam com p nosso planeta podem ter criado as placas tectónicas. Como nem a litosfera nem o manto eram homogéneos, os impactos acentuaram ainda mais essas diferenças de flutuabilidade no manto – e assim terão surgido as placas tectónicas.

Fonte: https://zap.aeiou.pt/placas-tectonicas-impactos-massivos-294062

O manto e a crosta travam uma batalha ardente

O núcleo quente e pegajoso da Terra e a sua cama externa fria e dura são responsáveis ​​pelo movimento das placas tectónicas. Agora, novas pesquisas revelam um equilíbrio intrigante de poder: o manto a escorrer cria supercontinentes, enquanto que a crosta os separa.
Uma equipa de cientistas criou um novo modelo de computador da Terra, com a crosta e o manto a serem considerados um sistema contínuo.
Com o tempo, cerca de 60% do movimento tectónico na superfície do nosso planeta virtual foi impulsionado por forças bastante rasas – nas primeiras 100 milhas da superfície. A convecção profunda e agitada do manto foi responsável pelo resto.
O manto tornou-se particularmente importante quando os continentes foram unidos para formar supercontinentes, enquanto que as forças rasas dominaram quando os supercontinentes se separaram no modelo.
Esta “Terra virtual” é o primeiro modelo de computador que “vê” a crosta e o manto como um sistema dinâmico e interconectado, escreveram os investigadores num artigo publicado no final de outubro na Science Advances.
Até agora, os cientistas faziam modelos de convecção movida a calor no manto que correspondiam às observações do manto real, mas não imitavam a crosta. Os modelos das placas tectónicas na crosta podiam prever observações reais do movimento das placas, mas não combinavam com as observações do manto. Ou seja, algo estava a falhar na maneira como os modelos combinavam ambos os sistemas.
“Os modelos de convecção eram bons para o manto, mas não as placas, e as placas tectónicas eram boas para as placas, mas não o manto”, resumiu Nicolas Coltice, professor da escola Ecole Normale Supérieure, parte da Universidade PSL, em Paris. “E toda a história por trás da evolução do sistema é o feedback entre os dois.”

Crosta e manto: uma relação sem fim

 

A crosta e o manto fazem parte do mesmo sistema e estão inevitavelmente ligados.Esta premissa levanta uma questão: se forças na superfície – como a subducção de um pedaço de crosta sob outro – ou forças profundas no manto estão a impulsionar o movimento das placas que compõem a crosta.
Nicolas Coltice, e a sua equipa responderam à questão e descobriram que a pergunta está mal colocada, dado que as duas camadas estão tão entrelaçadas e ambas contribuem.
Coltice disse ao Live Science que a equipa tem vindo a trabalhar em modelos de computador que podem representar as interações crosta-manto de maneira realista.
No início dos anos 2000, alguns cientistas desenvolveram modelos de movimento acionado pelo calor (convecção) no manto, que naturalmente deram origem a algo que parecia superfície tectónica de placas. Mas esses modelos eram muito trabalhosos e não recebiam muito trabalho de acompanhamento.
A equipa trabalha já há oito anos na sua nova versão dos modelos, e só a execução da simulação demorou 9 meses. Assim, o primeiro passo dos investigadores foi criar uma “Terra virtual”, o mais realista possível.
No entanto, o modelo não é o reflexo eprfeito da Terra. O programa, por exemplo, não acompanha as deformações das rochas mais antigas, ou seja, no modelo, as rochas que se deformaram antes não são propensas a deformarem-se mais facilmente no futuro.
Ainda assim, o modelo é real, tanto quanto possível. Além de mostrar que as forças do manto dominam os continentes quando estes se juntam, os cientistas descobriram que as colunas quentes de magma, chamadas plumas do manto, não são a principal razão pela qual os continentes se separam.
As zonas de subducção são os motores do colapso continental – as plumas do manto entram em cena mais tarde. As plumas ascendentes pré-existentes podem atingir rochas superficiais que foram enfraquecidas pelas forças criadas nas zonas de subducção. Nesses pontos mais fracos juntam-se, tornando mais provável que o supercontinente se desloque.
O próximo passo, adiantou Coltice, é unir o modelo e o mundo real com observações. No futuro, o modelo pode ser usado para explorar tudo, desde os principais eventos do vulcanismo, os limites das placas se formam e até de que forma o manto se move em relação à rotação da Terra.

Fonte: https://zap.aeiou.pt/manto-crosta-travam-batalha-293877

Cientistas desenvolvem vidro flexível

O vidro é um material forte, apesar de quebradiço. Mas consegue imaginar o seu potencial se não partisse? De acordo com uma equipa de cientistas da Universidade de Jena, na Alemanha, esta hipótese não está fora de questão.
O vidro é um material inorgânico que, normalmente, é transparente ou translúcido, além de ser duro, quebradiço e impermeável aos elementos naturais. A mínima fissura faz com que o vidro se quebre em mil pedaços.
Lothar Wondraczek, investigador da Universidade de Jena, na Alemanha, publicou recentemente um estudo na revista Science no qual descreve a história dos cientistas que tentam superar a fragilidade deste material.
“Os cientistas têm procurado maneiras de tornar o vidro menos quebradiço. O vidro dobrável significaria beber por copos que sobrevivem a uma queda ou telas de smartphones que não quebram. Neste novo esforço, os investigadores afirmam ter dado um passo em direção a este objetivo”, escreveu.
A composição primária do vidro é a sílica (SiO2) – sob condições adequadas, o silício combina com o oxigénio e a sílica é produzida. A sílica, cuja principal fonte é a areia. derrete a cerca de 1600 °C, e quando é aquecida a alta temperatura, transforma-se em vidro, quase como por magia.
Neste novo esforço dos cientistas da universidade alemã, a equipa usou óxido de alumínio cristalino em vez de areia para fazer pequenas amostras de vidro. Para o fazer, dispararam intensas rajadas de luz laser contra uma amostra para transformá-la em plasma roxo e mantiveram o material a arrefecer,.
Segundo o Tech Explorist, o material resultante foram folhas com 60 nanómetros de espessura e dois micrometros de largura. O material era transparente e extremamente quebradiço, tal como o vidro comum.
Durante a experiência, os cientistas provaram que o vidro poderia ser dobrado ou esticado. Além disso, observaram ainda o vidro dobrável através de um microscópio eletrónico e criaram simulações em computador do material para entender melhor as suas propriedades.
O modelo revelou que o vidro tinha uma rede de átomos muito compacta e sem defeitos, tornando-a flexível. Além disso, os átomos foram capazes de trocar de lugar quando foram expostos à pressão.
No entanto, apesar do grande avanço, é necessária muita mais pesquises que este vidro dobrável possa ser comercializado. Os cientistas advertem que não está claro que o processo pode ser usado para serem feitas chapas de vidro maiores, ou mesmo se é passível de fabricação.

Fonte: https://zap.aeiou.pt/cientistas-desenvolvem-vidro-flexivel-293868

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Interferências misteriosas nos polos da Terra estão a ser investigadas

Interferências misteriosas nos polos da Terra estão sendo investigadas
Vento solar fluindo em torno da magnetosfera da Terra, canalizado nos pólos. Crédito: NASA

Algo incomum está interferindo com a tecnologia nos pólos da Terra e os cientistas agora estão determinados a descobrir o que está por trás desse fenômeno misterioso.

Por que os dispositivos que usam conexões de rádio ou satélite estão funcionando mal acima dos pólos norte e sul?

A NASA quer lançar três missões para investigar a cúspide polar norte, um funil no espaço que pode dar uma pista para explicar o fenômeno estranho.

As três missões fazem parte da Grand Challenge Initiative – Cusp, uma série de nove missões de foguetes que exploram a cúspide polar.

A cada segundo, 1,5 milhão de toneladas de material solar são lançados do Sol para o espaço, viajando a centenas de quilômetros por segundo. Conhecido como vento solar, esse fluxo incessante de plasma ou gás eletrificado atinge a Terra há mais de 4 bilhões de anos. Graças ao campo magnético do nosso planeta, ele é desviado para longe. Mas vá para o norte, e você encontrará a exceção.

Mark Conde, físico espacial da Universidade do Alasca, em Fairbanks, disse:

A maior parte da Terra está protegida do vento solar. Porém, bem perto dos pólos, no setor do meio-dia, nosso campo magnético se torna um funil onde o vento solar pode chegar até a atmosfera.
Seriam as cúspides polares ou algo mais os responsáveis pelo fenômeno?

Esses funis, conhecidos como cúspides polares, podem causar alguns problemas. O influxo de vento solar perturba a atmosfera, interrompendo satélites e sinais de rádio e GPS.

A cúspide polar do norte também apresenta uma atmosfera densa, e isso pode ser um problema real para nossa espaçonave.

Conde, o principal investigador da missão Cusp Region Experiment-2, ou CREX-2, informou:

Uma pequena massa extra a 320 quilômetros de distância pode parecer um grande problema. Mas a mudança de pressão associada a esse aumento da densidade de massa, se ocorresse no nível do solo, causaria um furacão contínuo mais forte do que qualquer coisa vista nos registros meteorológicos.

Essa massa adicional cria problemas para as naves que voam através dela, como os muitos satélites que seguem uma órbita polar. Passar pela densa região pode agitar suas trajetórias, tornando mais arriscados os encontros próximos com outras naves espaciais ou detritos orbitais.

Uma pequena mudança de algumas centenas de metros pode fazer a diferença entre ter que fazer uma manobra evasiva ou não.

O físico espacial norueguês Jøran Moen, que lidera a Cusp Irregularities-5, pretendia medir a turbulência e distingui-la das ondas elétricas.

Ele disse:

A turbulência é uma das questões ainda mais difíceis da física clássica. Nós realmente não sabemos o que é, porque ainda não temos medições diretas

Moen compara a turbulência aos turbilhões que se formam quando os rios correm ao redor das rochas. Quando a atmosfera fica turbulenta, os sinais de GPS e comunicação que passam por ela podem ficar distorcidos, enviando sinais não confiáveis ​​aos aviões e navios que dependem deles.

Fonte: https://www.ovnihoje.com/2019/12/01/interferencias-misteriosas-nos-polos-da-terra-estao-sendo-investigadas/

Entra em operação primeiro radiotelescópio no lado afastado da Lua

Modelo de expansão do big Bang. A Era das Trevas pode ser vista logo após o momento zero da expansão.
Modelo de expansão do big Bang. A Era das Trevas pode ser vista logo após o momento zero da expansão.

Pela primeira vez na história, os cientistas estão recebendo dados astronômicos coletados a partir do lado oculto da Lua, um local próximo, mas protegido contras as interferências eletromagnéticas produzidas na Terra. O objetivo será estudar as emissões produzidas há bilhões de anos, no início da história da Universo.

O novo radio-observatório está situado no espaço, a bordo do satélite retransmissor Queqiao. O artefato foi utilizado pela agência espacial chinesa para enviar à Terra os dados da missão Chang’e-4, que pousou no lado afastado da Lua em 3 de janeiro de 2019.

Com o fim da missão Chang’e-4, o satélite passou a retransmitir os dados do experimento sino-holandês NCLE (Netherlands-China Low Frequency Explorer), um arranjo de três antenas monopolo de cinco metros de comprimento instaladas no corpo do satélite, capaz de receber sinais no comprimento de onda de 21 centímetros, que corresponde às emissões originadas no período conhecido como "Era das Trevas, no início da história cósmica do Universo.

Era das trevas Pós Big Bang

A Era das Trevas durou entre 377 mil e 1 milhão de anos após o momento zero do Big Bang e de acordo com o conhecimento atual, antecedeu a formação das primeiras estrelas do Universo. Naquela ocasião, não havia fontes de luz e os únicos fótons (radiação eletromagnética) existentes no universo primitivo era aqueles liberados nos primórdios do Big Bang, hoje chamados de fundo cósmico de micro-ondas, além de emissões de rádio no comprimento de 21 cm, emitidas pelos átomos de hidrogênio.
Localização da orbita do satélite Queqiao, um local privilegiado situado atrás do corpo lunar, que age como bloqueio contra as emissões provenientes do Sol e da Terra.
Localização da orbita do satélite Queqiao, um local privilegiado situado atrás do corpo lunar, que age como bloqueio contra as emissões provenientes do Sol e da Terra.

A Lua é um Escudo

Uma das principais vantagens em operar um radiotelescópio na orbita da face oculta da Lua é a de justamente usar o corpo da Lua como escudo protetor das ondas eletromagnéticas geradas na Terra. A Lua age como um bloqueador eletromagnético que impede que as emissões mascarem os tênues sinais, o que permite um aumento substancial da sensibilidade de recepção. Além disso, a Lua também bloqueia as emissões no comprimento de onda de 21 cm provenientes do Sol, que poderiam ofuscar a radiação de fundo que o satélite irá estudar.

Fonte: https://www.apolo11.com/noticias.php?t=Entra_em_operacao_primeiro_radiotelescopio_no_lado_afastado_da_Lua&id=20191202-112828

ESA - Missão Hera estudará o desvio de asteroides do impacto com a Terra !

A missão Hera testará se a deflexão pode salvar a humanidade de um asteroide nocivo. Durante a missão de 320 milhões de dólares, a ESA e a NASA enviarão um par de naves espaciais para um sistema de asteroide duplo chamado Didymos.
A NASA primeiro colidirá a sua sonda DART no asteroide menor (Didymoon) a uma velocidade de cerca de 21 mil km/h. Este evento será registado por um cubesat italiano chamado LICIACube. Posteriormente, chegará a missão Hera, para mapear a cratera de impacto e medir a massa do asteroide.
Esta nave Hera carregará dois CubeSats que podem voar extremamente perto da superfície do asteroide antes de pousar. As naves espaciais, do tamanho de uma mala, irão agir como drones, captando dados vitais sobre a cratera de impacto e fornecendo dados aos cientistas, incluindo a massa do asteroide que os ajudará a deduzir a sua composição.
O objetivo, segundo a ESA, é “transformar a deflexão de asteroides numa técnica de defesa planetária bem conhecida”.
 

NASA e ESA juntas para criar escudo defletor

 

Como Didymoon orbita o seu companheiro maior (como uma espécie de satélite natural), os cientistas devem poder medir o efeito do DART na sua trajetória, mesmo que seja muito pequeno. O asteroide menor é do tamanho do Coliseu em Roma, portanto poderia destruir uma cidade inteira se colidisse com a Terra.
 

Nunca o homem desviou um asteroide

 

Apesar de tudo bem delineado, trata-se de uma missão bastante complicada. Isto porque os asteroides ainda são relativamente pequenos e nenhuma nave espacial já voou para estes minúsculos corpos espaciais antes.
Embora uma colisão de asteroides seja um evento bastante improvável, na verdade, é evitável, ao contrário de um terramoto ou explosão vulcânica.
Nós realmente precisamos seguir cuidadosamente [cerca de 2.000 objetos próximos à Terra] para não participar da coleção de dinossauros maravilhosos aqui em Berlim.
Referiu Holger Sierks, pesquisador do Instituto Max Planck, ao Space.com no início deste mês.
Asteroides exigem medidas desafiantes

 

A Missão Hera da ESA irá a um lugar muito estranho. Voará até um asteroide de 780 metros que tem a sua própria lua, uma outra rocha de 160 metros, que orbita a 1,2 km de distância.
Dito assim pode não ter o impacto desejado devido a uma questão de escala. Contudo, se comprarmos o par de asteroides Didymos ao lado da Torre Eiffel, a compreensão será outra.
Portanto, vamos ter de esperara até 2022 para assistir à sonda DART a colidir com o asteroide menor para mudar a sua órbita. Posteriormente, em 2026 será a vez da Hera chegar a Didymoon, o que deverá melhorar a compreensão desta experiência espacial em larga escala.
 

Nave espacial Hera terá a bordo dois pequenos satélites em forma de cubo

 

Conforme foi referido em cima, os CubeSats são dois pequenos satélites, em forma de mala, que irão estudar as características físicas do asteroide. Nesse sentido, teremos outro dado novo, isto porque Didymoon será o corpo natural mais pequeno alguma vez estudado por uma missão espacial. Além disso, este será também o primeiro objeto no espaço cuja órbita será mudada pelo homem.
A comparação dos asteroides com os monumentos das cidades europeias foi uma forma de celebrar a aprovação da missão.
Fonte: https://pplware.sapo.pt/ciencia/simulacao-da-esa-mostra-as-cidades-europeias-atingidas-por-asteroides/

domingo, 1 de dezembro de 2019

A velocidade do vento está a aumentar na Terra !

A velocidade do vento está a aumentar na Terra! Será uma má notícia?O mundo está a ficar mais ventoso, de acordo com um novo estudo publicado na revista Nature Climate Change. Os responsáveis pelo estudo analisaram décadas de dados climáticos. Como conclusão, determinaram que a velocidade global do vento aumentou dramaticamente nos últimos 10 anos.
Apesar de não ser uma boa notícia, tem a parte boa para os parques eólicos que têm beneficiado de tal aumento de velocidade.
Um aumento da velocidade do vento significa turbinas eólicas mais rápidas e mais produtivas. Princeton, Timothy Searchinger, um dos autores do estudo, revelou que a tendência é que a velocidade do vento continue a aumentar. Apesar de parecer algo mau, tem múltiplos efeitos positivos… especialmente nas energias “verdes”.
O estudo também desmentiu o “mito” de que a velocidade do vento global estava a diminuir a partir de 1980 devido aos próprios seres humanos. O aumento de construções e também, em alguns locais, a vegetação, foram motivo de preocupação para o sistema climático global. “Este estudo mostrou que não é esse o caso”, revelou Princeton.

Mas quais os efeitos da força do vento nos parques eólicos?

 

Contas feitas, com o aumento da velocidade do vento, as turbinas eólicas geraram em média cerca de 17% mais eletricidade em 2017 comparativamente a 2010. Como principal causa deste aumento de velocidades estão as oscilações do oceano que, segundo o investigador se devem a:
… diferentes padrões de pressão, temperatura e ventos, em diferentes partes dos oceanos
Os investigadores tiveram acesso e analisaram os mais diferentes tipos de dados, como, por exemplo,  altura e elevação.
Os humanos podem capitalizar tal condição climatérica. Para tal, as turbinas podem ser projetadas de outra forma para aproveitarem e produzirem o máximo de energia.

Fonte: https://pplware.sapo.pt/ciencia/vento-terra-eolicas/

Pele artificial magnética poderá trazer “super poderes” aos humanos !

Imagem de uma Pele artificial magnética que poderá trazer "super poderes" aos humanos
Uma pele magnética que seja segura e confortável de usar pode abrir a porta para uma vasta gama de aplicações sem fios e controladas remotamente. Quem nunca libertou o Jedi do seu interior e usou “a força” para abrir portas automáticas no centro comercial? Calma, guarde o sabre de luz, vamos falar numa tecnologia que lhe dará “super poderes”.
Foi desenvolvida uma nova pele magnética que pode controlar remotamente interruptores e teclados com o aceno de uma mão ou o piscar de um olho.

Pele artificial que dá “super poderes”

 

A pele artificial é vestível, flexível, leve e magnetizada, tornando-a útil numa variedade de aplicações sem a necessidade de uma ligação com fio para outros dispositivos.
As peles eletrónicas artificiais normalmente requerem uma fonte de alimentação e armazenamento de dados ou uma rede de comunicação. Contudo, isso envolve baterias, fios, chips eletrónicos e antenas e torna as peles inconvenientes ao desgaste. A nossa pele magnética não requer nada disso. Até onde sabemos, é o primeiro do género.
Explicou o engenheiro eletrotécnico Jurgen Kosel, que liderou o projeto.
A película é feita com uma matriz de polímero ultraflexível e biocompatível, preenchida com micropartículas magnetizadas.
A pele pode ser personalizada em qualquer forma e cor, tornando-a impercetível e até elegante. Além disso, o processo de fabrico é barato e simples. Qualquer um pode começar o seu próprio projeto de pele artificial após alguns minutos de treino se tiver as ferramentas e materiais.
Pele magnética que se veste para controlar dispositivos remotamente

A equipa testou a pele magnética para monitorizar os movimentos oculares. Assim, esta película foi colada a uma pálpebra com um sensor magnético multieixo localizado próximo. O movimento dos olhos alterou o campo magnético detetado pelo sensor, quando a pálpebra foi aberta ou fechada.
O sensor pode ser incorporado em armações de óculos ou numa máscara para dormir. Além disso, pode igualmente ser aplicado como uma tatuagem eletrónica na testa. Tem o potencial de ser usado como uma interface humano-computador para pessoas com paralisia ou para jogos; para analisar padrões de sono; ou para monitorizar condições oculares, como queda das pálpebras ou alerta do motorista.
Posteriormente, a equipa também prendeu a pele à ponta de um dedo de uma luva de látex e colocou um sensor dentro de um interruptor de luz. Quando a pele magnética se aproxima do sensor – uma distância que pode ser modificada – a luz acende ou apaga. Esta aplicação pode ser especialmente relevante em laboratórios e práticas médicas, onde a contaminação é uma preocupação.
Kosel e a sua equipa estão agora a ampliar a aplicação para que esta tecnologia possa ser usada numa cadeira de rodas controlada por gestos. Além disso, esta tecnologia, que funciona como uma interface humano-computador sem contacto, poderia ser usada em dispositivos biomédicos não invasivos.

Fonte: https://pplware.sapo.pt/ciencia/pele-artificial-magnetica-podera-trazer-super-poderes-aos-humanos/

NASA simula o movimento das nuvens marcianas

Um grupo de cientistas do Centro de Investigação Ames (ARC) da NASA, localizado no estado norte-americano da Califórnia, simulou o movimento das nuvens em Marte recorrendo a supercomputadores.
As imagens foram publicadas na passada segunda-feira no YouTube, informou a agência espacial norte-americana em comunicado. Na simulação criada pelos cientistas do ARC é possível ver como é que as nuvens de água gelada se formam para dispersarem depois consoante as estações que o Planeta Vermelho atravessa.
Na época do ano retratada na imagem acima, quando é verão no hemisfério norte de Marte, as nuvens formam-se lentamente durante a noite perto do Equador, tornando-se mais espessar logo antes do sol nascer.
A NASA observa ainda que neste cenário as nuvens dispersam rapidamente à medida que o dia aquece e voltam a formar-se ao anoitecer. É ainda possível ver na mesma imagem vários picos de Tharsis Montes, uma cadeia de vulcões que sobressaem através das nuvens, refere a agência espacial na mesma nota.

Apesar de as nuvens marcianas serem mais finas do que as terrestres, explica a NASA, estas representam um papel importante no clima de Marte, especialmente na intensidade dos seus sistemas eólicos, isto é, estas nuvens ajudam a controlar o movimento da água em torno do planeta.
As instalações de super-computação avançadas da NASA utilizadas nesta investigação fornecem aos cientistas que investigam Marte ferramentas necessárias para estudar em detalhe a atmosfera marciana, bem como as suas escalas de tempo.
A investigação pode ainda ser útil para planear futuras missões a Marte, ajudando-nos ainda a melhor compreender o nosso Sistema Solar e a evolução dos planetas.

Fonte: https://zap.aeiou.pt/nasa-capta-movimento-nuvens-marcianas-293643

Segundo a NASA intrigante fenômeno cria nuvens de poeira em Marte

Intrigante fenômeno cria nuvens de poeira em Marte, segundo a NASA
A nuvem branca-amarelada na parte inferior central desta imagem é uma ‘torre de poeira’ de Marte – uma nuvem concentrada de poeira que pode ser elevada dezenas de quilômetros acima da superfície. As colunas brancas-azuladas são nuvens de vapor de água. Esta imagem foi tirada em 30 de novembro de 2010 pelo Mars Reconnaissance Orbiter da NASA.Créditos: NASA / JPL-Caltech / MSSS
Tempestades de poeira em Marte são comuns. Mas, a cada década, algo imprevisível acontece: uma série de tempestades descontroladas ocorre, cobrindo todo o planeta em uma névoa poeirenta.

No ano passado, uma constelação de naves espaciais da NASA teve uma visão detalhada do ciclo de vida da tempestade de poeira global de 2018 que encerrou a missão do jipe-sonda Opportunity. E embora os cientistas ainda estejam intrigados com os dados, dois artigos lançaram recentemente uma nova luz sobre um fenômeno observado dentro da tempestade: torres de poeira ou nuvens concentradas de poeira que se aquecem à luz do Sol e se elevam no ar. Os cientistas pensam que o vapor de água preso ma poeira pode estar servindo como um elevador para o espaço, onde a radiação solar quebra suas moléculas. Isso pode ajudar a explicar como a água de Marte desapareceu ao longo de bilhões de anos.

As torres de poeira são nuvens enormes e agitadas que são mais densas e escalam muito mais alto do que a poeira de fundo normal na fina atmosfera marciana. Embora elas também ocorram em condições normais, as torres parecem se formar em maior número durante as tempestades globais.

Uma torre começa na superfície do planeta como uma área de poeira rapidamente levantada, tão larga quanto o estado de Rhode Island (EUA). Quando uma torre atinge uma altura de 80 quilômetros, como pode ser visto durante a tempestade de poeira global de 2018, ela pode ser tão larga quanto o estado de Nevada. À medida que a torre decai, ela pode formar uma camada de poeira a 56 quilômetros acima da superfície, que pode ser mais larga que os Estados Unidos continentais.

As descobertas recentes em torres de poeira são cortesia do Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) da NASA, liderado pelo Laboratório de Propulsão a Jato da agência em Pasadena, Califórnia. Embora as tempestades globais de poeira cubram a superfície do planeta, o MRO pode usar seu instrumento Mars Climate Sounder com detecção de calor para espiar através da névoa. O instrumento foi projetado especificamente para medir os níveis de poeira. Seus dados, juntamente com imagens de uma câmera a bordo do orbital chamado Mars Context Imager (MARCI), permitiram aos cientistas detectar inúmeras torres de poeira inchadas.
Como Marte perdeu sua água?

As torres de poeira aparecem ao longo do ano marciano, mas a MRO observou algo diferente durante a tempestade de poeira global de 2018.

O principal autor do artigo, Nicholas Heavens, da Hampton University, em Hampton, Virgínia (EUA), disse:

Normalmente, a poeira cai em um dia ou mais. Mas durante uma tempestade global, as torres de poeira são renovadas continuamente por semanas’.

Em alguns casos, várias torres foram vistas por até três semanas e meia.

A taxa de atividade da poeira surpreendeu Heavens e outros cientistas. Mas especialmente intrigante é a possibilidade das torres de poeira agirem como ‘elevadores espaciais’ para outros materiais, transportando-os pela atmosfera. Quando a poeira do ar se aquece, ela cria correntes de ar que carregam gases, incluindo a pequena quantidade de vapor de água, às vezes visto como nuvens finas em Marte.

Um artigo anterior liderado por Heavens mostrou que, durante uma tempestade global de poeira em Marte em 2007, as moléculas de água foram lançadas na atmosfera superior, onde a radiação solar poderia decompô-las em partículas que escapam para o espaço. Isso pode ser uma pista de como o Planeta Vermelho perdeu seus lagos e rios por bilhões de anos, tornando-se o deserto gelado que é hoje.

Os cientistas não podem dizer com certeza o que causa tempestades globais de poeira. Eles estudaram menos de uma dúzia até agora.

Cientista do Mars Climate Sounder, David Kass, do JPL, disse:

Tempestades globais de poeira são mesmo incomuns. Realmente não temos nada parecido com isso na Terra, onde o clima do planeta inteiro muda por vários meses.

Com tempo e mais dados, a equipe de MRO espera entender melhor as torres de poeira criadas nas tempestades globais e que papel elas podem desempenhar na remoção de água da atmosfera do Planeta Vermelho.

Fonte: https://www.ovnihoje.com/2019/12/01/intrigante-fenomeno-cria-nuvens-de-poeira-em-marte-segundo-a-nasa/

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