terça-feira, 5 de outubro de 2021

Bactérias podem ajudar na produção de materiais de construção mais sustentáveis !

Uma equipa de especialistas da Universidade de Bath está a investigar de que forma as propriedades naturais das bactérias podem ajudar no desenvolvimento de um novo tipo de placa de gesso que não prejudica o meio ambiente.


Os investigadores estão a trabalhar com a empresa Adaptavate, que fabrica materiais de construção sustentáveis.

A placa de gesso biodegradável da empresa, Breathaboard, usa resíduos compostáveis ​​em vez de gesso, sendo que é ainda mais leve e tem melhor isolamento térmico e acústico em comparação com a placa de gesso tradicional.

No âmbito da investigação, os microbiologistas do Departamento de Biologia e Bioquímica da University of Bath e os especialistas do Departamento de Arquitetura e Engenharia Civil receberam financiamento do National Biofilms Innovation Center (NBIC) para um projeto piloto de seis meses que tem como objetivo otimizar as propriedades do protótipo de placa de gesso usando a sua tecnologia de construção baseada em bactérias (BBCT).

Se o projeto for bem-sucedido, a placa de gesso pode ser ampliada e desenvolvida posteriormente.

Susanne Gebhard, professora do Departamento de Biologia e Bioquímica da Universidade e do Milner Center for Evolution, explicou que “os biofilmes são formados quando as bactérias se unem para revestir uma superfície, em oposição ao crescimento de aglomerados em forma de pontos em uma placa de Petri”.

A especialista sublinha que “este é um projeto empolgante, que irá mostrar se é possível explorar as habilidades naturais de formação de biofilme das bactérias para funcionar como um tipo de cola que pode ajudar a melhorar as propriedades dos materiais de construção biodegradáveis”.

Jeff Ive, diretor técnico da Adaptavate, reforça ainda que “o gesso é o terceiro material de construção mais usado e é responsável por 3% das emissões de carbono do Reino Unido”, como tal, substitui-lo seria uma mais valia para o meio ambiente.

“É extraído ou produzido a partir de resíduos de centrais de carvão e está a tornar-se cada vez mais caro para produzir”, acrescentou, citada pelo SciTechDaily.

Agora, “o Breathaboard é uma alternativa sustentável de baixo carbono às placas de gesso e pode fazer uma diferença real nas emissões de carbono da indústria da construção”, reforça o empresário.

https://zap.aeiou.pt/bacterias-materiais-construcao-435730

 

“Mushballs” no interior de Urano e Neptuno podem resolver um mistério atmosférico !

Urano e Neptuno podem esconder mushballs – pedras de granizo, que contêm água e amoníaco – no seu interior, que podem explicar por que há tão pouco amoníaco no alto da atmosfera dos gigantes do gelo.


Todos os planetas gigantes do nosso Sistema Solar deviam ter a mesma quantidade de amoníaco. No entanto, em comparação com Júpiter e Saturno, Urano e Neptuno têm muito pouco.

Segundo o New Scientist, observações recentes da Juno, da NASA, mostraram que o amoníaco de Júpiter está enterrado muito mais profundamente no interior do planeta do que seria de esperar. Tristan Guillot, do Observatório de Nice, sugere que o mesmo pode acontecer em Urano e Neptuno, graças a mushballs.

Estas partículas podem transportar o amoníaco e a água até às profundezas da atmosfera do planeta. “A termodinâmica diz-nos que a formação de mushballs deveria ser mais eficiente em Urano e Neptuno”, explicou Guillot, na apresentação da sua investigação no Europlanet Science Congress, a 16 de setembro.

Como tanto Urano como Neptuno são mais frios do que Júpiter, é provável que as bolas de amoníaco líquido e água formem uma casca de gelo e se tornem viscosas. Segundo a equipa, podem cair como granizo na atmosfera, onde se escondem debaixo de uma espessa camada de nuvens.

Como podem acabar a centenas ou até milhares de quilómetros abaixo das nuvens, não é possível detetá-las a partir do solo.

“Precisamos mesmo de lá ir, e não apenas por causa das mushballs. Urano e Neptuno são um elo especialmente crítico para nos ajudar a compreender a diversidade de atmosferas que podem surgir em gigantes de gelo e exoplanetas gigantes para além do nosso Sistema Solar”, rematou Tristan Guillot.

https://zap.aeiou.pt/mushballs-urano-e-neptuno-434817

 

A ciência responde por que razão algumas pessoas são menos resistentes à covid-19 !

Uma equipa de investigadores respondeu, parcialmente, à grande questão sobre a covid-19: Por que razão algumas pessoas são menos resistentes à doença?


Num novo estudo, publicado na revista Science, o grupo destaca a importância do Sistema Interferon e o papel que este desempenha no combate ao vírus SARS-CoV-2.

Com o desenrolar da pandemia, começou a ficar evidente que algumas pessoas que são infetadas com covid-19 apresentam sintomas muito mais graves da doença do que outras.

Por outro lado, ao longo do último ano e meio, foi-se percebendo que alguns doentes que estavam infetados tinham nenhum sintoma da doença, por isso, neste novo estudo, os especialistas tinham como objetivo perceber por que algumas pessoas tinha sintomas tão graves e acabavam até por morrer.

Assim, a equipa conduziu uma extensa triagem de expressão genética estimulada por interferon para duas enzimas envolvidas no alerta do sistema imunológico para uma infeção. Os interferons são proteínas sinalizadoras que alertam o corpo quando entidades invasivas, como bactérias e vírus, são detetadas.

A pesquisa levou os investigadores até ao OAS1, uma enzima que reage à sinalização do interferon, solicitando uma resposta imunológica quando o vírus SARS-CoV-2 é detetado.

Segundo o MedicalXpress, pesquisas anteriores mostraram que o OAS1 se liga às membranas usando um grupo prenil como parte do processo de sinalização. Esses estudos indicaram ainda que essa sinalização pode inibir a replicação do vírus SARS-CoV-2.

Observando o seu valor na proteção das pessoas contra a covid-19, os investigadores analisaram os transcriptomas de 500 pacientes com a doença que tinham tido uma ampla gama de sintomas.

Assim, descobriam que os doentes que não tinham OAS1 prenilado passaram por um quadro de sintomas muito mais graves.

No entanto, os especialistas não conseguiram perceber por que razão algumas pessoas nascem sem a enzima, mas o trabalho da equipa pode ajudar a descobrir novos tipos de vacinas contra a covid-19, tal como outros tipos de infeções.

https://zap.aeiou.pt/por-que-pessoas-menos-resistentes-covid-435165

 

O segredo para a saúde mental das crianças pode estar na fruta e nos vegetais !

Um novo estudo descobriu que crianças que comem mais fruta e vegetais têm uma melhor saúde mental. O pequeno-almoço e o almoço podem fazer a diferença.


Cerca de 10 a 20% dos adolescentes em todo o mundo sofrem de um problema de saúde mental, como ansiedade ou depressão, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

Também foi demonstrado que metade de todas as condições de saúde mental começam aos 14 anos. Dada a importância da adolescência na vida de uma pessoa, é extremamente importante encontrar maneiras de proteger ou melhorar o bem-estar mental de crianças e jovens.

Já sabemos como uma boa nutrição e dieta alimentar são valiosas para a saúde física — é por isso que os especialistas recomendam que comamos cinco porções de fruta e vegetais por dia.

Mais recentemente, estudos também sugerem que a nutrição pode influenciar a saúde mental. Um novo estudo descobriu que ter uma dieta mais nutritiva, rica em fruta e vegetais, e ter um pequeno-almoço e hábitos de almoço mais saudáveis foram associados a um melhor bem-estar mental nas crianças.

Os resultados foram publicados na revista científica BMJ Nutrition, Prevention & Health.

Os cientistas usaram dados sobre o bem-estar mental e diferentes coisas que o impactam — como estatuto socioeconómico e idade — de crianças em mais de 50 escolas em Norfolk, em Inglaterra. Isto permitiu investigar o impacto do consumo de fruta e verduras, e das escolhas alimentares, no bem-estar mental nesta faixa etária.

Os investigadores analisaram 1.253 alunos do ensino primário com idades entre 8 e os 11 anos e 7.570 alunos do ensino médio e secundário com idades entre 12 e 18 anos. Usando questionários diferentes para os dois grupos, avaliaram o seu bem-estar mental, pedindo-lhes que dissessem quantas vezes tiveram os sentimentos descritos em afirmações como “Tenho-me sentido bem comigo mesmo” ou “Tenho-me sentido amado”.

As pontuações de cada afirmação foram somadas para dar uma pontuação total. Quanto maior for a pontuação total, maior seria o bem-estar mental da criança.

Também perguntaram aos alunos sobre a sua idade, sexo, saúde, situação de vida e experiências adversas, juntamente com perguntas sobre que tipos de alimentos eles costumavam comer.

No grupo de alunos do ensino médio e secundário, o maior consumo de fruta e vegetais foi associado a maiores pontuações de bem-estar mental — cerca de 8% mais alto para aqueles que comiam cinco porções diárias em comparação com aqueles que não comiam nenhuma.

Os cientistas também descobriram que a pontuação de bem-estar variou dependendo do tipo de pequeno-almoço ou almoço que os participantes tiveram. Em comparação com crianças do ensino médio e secundário, que tomaram um pequeno-almoço convencional (como cereais, torradas), aqueles que não tomaram pequeno-almoço tiveram uma pontuação de bem-estar mental quase 6% menor.

Aqueles que consumiram apenas uma bebida energética no pequeno-almoço tiveram uma pontuação de bem-estar mental quase 7% menor.

As pontuações foram igualmente baixas para aqueles que não almoçaram em comparação com aqueles que o fizeram. Estas associações também foram semelhantes em crianças do ensino primário.

https://zap.aeiou.pt/saude-mental-criancas-fruta-vegetais-435107

 

Viver eternamente ? Afinal, não há limite teórico para a vida humana !

Um novo estudo aponta que os humanos podem provavelmente viver até aos 130 anos, mas tecnicamente não há um limite máximo para a duração da vida humana.


Viver para sempre pode, afinal, não ser só coisa só de filme, músicas dos Oasis ou de vampiros. De acordo com um novo estudo publicado em Setembro na Royal Society Open Science Journal, não há um limite teórico máximo para a vida humana.

Já há muito que a comunidade científica debate qual é o limite máximo que os humanos podem viver, com alguns a apontar para os 150 anos e outros e dizer que não há uma idade máxima teórica.

A nova investigação aponta que os humanos podem provavelmente viver até pelo menos aos 130 anos, mas extrapolando as conclusões, podemos assumir que “não há um limite para a duração da vida humana, escreve a AFP.

Apesar disto, as probabilidades de se chegar a uma idade tão avançada continuam muito baixas. Os resultados são semelhantes a outras análises estatísticas aos mais idosos, “mas este estudo fortalece essas conclusões e fá-las mais precisas porque há agora mais dados disponíveis”, afirma Anthony Davidson, professor de estatística e líder do estudo.

O estudo analisou também dados sobre supercentenários – pessoas com 110 ou mais anos – e semi-supercentenários, que têm 105 ou mais anos. Apesar do risco de morte geralmente aumentar com a idade, as conclusões mostram que esse risco eventualmente torna-se plano e fica constante entre aproximadamente 50-50.

“Além dos 110 anos, uma pessoa pode encarar viver mais um ano quase como lançar uma moeda ao ar. Se for cara, então vive-se até ao próximo aniversário, e se não for, então vai-se morrer a certa altura no próximo ano”, explica Anthony Davison.

O primeiro banco de dados que a equipa estudou são os recém publicados materiais da Base de Dados Internacional na Longevidade, que abrange mais de 1100 supercentenários de 13 países. Já o segundo é de cada pessoa em Itália que tinha pelo menos 105 anos entre Janeiro de 2009 e Dezembro de 2015.

Foi necessário fazer uma generalização a partir dos dados usados, mas Davison refere que “qualquer estudo da idade avançada extrema, seja estatístico ou biológico, vai exigir a extrapolação”.

Apesar de teoricamente podermos viver até mais de 130 anos, a probabilidade de cada um de nós chegar a essa idade continua muito, muito pequena, já que a análise se baseou apenas em pessoas que já alcançaram o feito raro de viver bem além dos 100 anos.

Mesmo para as pessoas com 110 anos, a probabilidade de se viver mais 20 anos é de “uma num milhão”, segundo Davison. No entanto, o investigador acredita que as probabilidades vão aumentar ao longo do século, com mais pessoas a chegar aos 130 anos.

Até agora, a pessoa que viveu mais tempo foi uma francesa chamada Jeanne Calmente, que morreu em 1997 aos 122 anos. Actualmente, a pessoa mais velha ainda viva é a japonesa Kane Tanaka, com 118 anos.

https://zap.aeiou.pt/viver-eternamente-afinal-limite-teorico-vida-humana-435435

 

domingo, 3 de outubro de 2021

A maior erupção subaquática já registada originou um novo vulcão !

Um grande evento sísmico, que começou em maio de 2018 e foi sentido em todo o mundo, deu à luz um novo vulcão subaquático.


Na costa leste de Mayotte, região ultramarina francesa no Oceano Índico, uma nova proeminência gigantesca eleva-se a 820 metros do fundo do mar – algo que não existia antes de um terramoto ter abalado esta ilha em maio de 2018.

“Esta é a maior erupção submarina ativa alguma vez documentada”, escreveu uma equipa de cientistas no seu estudo publicado, no final de agosto, na revista científica Nature Geoscience.

Tal como explica o site Science Alert, os investigadores começaram a monitorizar a região em fevereiro de 2019. Para isso, usaram um sonar para mapear uma área de 8600 quilómetros quadrados do fundo do mar, colocaram também uma rede de sismómetros, de até 3,5 quilómetros de profundidade, e combinaram isto com dados sísmicos vindos de Mayotte.

Entre 25 de fevereiro e 6 de maio de 2019, esta rede detetou 17 mil eventos sísmicos, de uma profundidade de cerca de 20 a 50 quilómetros abaixo do fundo do oceano – uma descoberta muito incomum, uma vez que a maioria dos terramotos são muito mais superficiais. Assim como outros 84 eventos invulgares, que foram detetados em frequências muito baixas.

Na posse destes dados, os cientistas conseguiram reconstruir como a formação do novo vulcão pode ter ocorrido. Tudo começou, de acordo com as suas descobertas, com um reservatório de magma nas profundezas da astenosfera, zona superior do manto terrestre menos rígida que se encontra abaixo da litosfera.

Abaixo do novo vulcão, processos tectónicos podem ter causado danos à litosfera, resultando em diques que drenaram magma de um reservatório para cima através da crosta, produzindo enxames de terramotos durante o processo.

Eventualmente, este material conseguiu chegar ao fundo do mar, onde entrou em erupção, produzindo cinco quilómetros cúbicos de lava e construindo o novo vulcão subaquático.

Em maio de 2019, o volume extrudado do novo edifício vulcânico era entre 30 e mil vezes maior do que o estimado para outras erupções submarinas, tornando-se assim a erupção vulcânica submarina mais significativa já registada até hoje.

“Desde a descoberta deste novo edifício vulcânico, foi estabelecido um observatório para monitorizar a atividade em tempo real e continuamos a acompanhar a evolução da erupção”, disse ainda a mesma equipa.

https://zap.aeiou.pt/maior-erupcao-subaquatica-originou-novo-vulcao-435360

 

As anãs brancas tornam-se magnéticas com a idade !

Pelo menos uma em cada quatro anãs brancas termina a sua vida como uma estrela magnética. Os campos magnéticos são, por isso, um componente essencial da física das anãs brancas. 


Novas informações sobre o magnetismo de estrelas degeneradas, de uma análise recente de uma amostra de volume limitado de anãs brancas, forneceram a melhor evidência obtida até agora de como a frequência do magnetismo nas anãs brancas se correlaciona com a idade.

Isto pode ajudar a explicar a origem e evolução dos campos magnéticos nas anãs brancas.

Mais de 90% das estrelas na nossa galáxia terminam as suas vidas como anãs brancas. Embora muitas tenham um campo magnético, ainda não se sabe quando aparece à superfície, se evolui durante a fase de arrefecimento de uma anã branca e, principalmente, quais são os mecanismos que o geram.

As observações astronómicas estão frequentemente sujeitas a fortes vieses. Dado que as anãs brancas são estrelas moribundas, tornam-se mais frias e, portanto, cada vez mais fracas ao longo do tempo. Como consequência, as observações tendem a favorecer o estudo das anãs brancas mais brilhantes, que são mais quentes e mais jovens.

Existe também um efeito mais subtil e contraintuitivo. Devido ao seu estatuto degenerado, as anãs brancas mais massivas são mais pequenas do que as menos massivas (imagine uma série de esferas onde as mais pequenas são as mais pesadas). Dado que as anãs brancas mais pequenas também são mais ténues, as observações tendem a favorecer também as estrelas menos massivas.

Em resumo, as observações de alvos selecionados de acordo com o seu brilho (por exemplo, observar todas as anãs brancas mais brilhantes do que uma certa magnitude) tendem a concentrar-se em estrelas jovens e menos massivas, negligenciando totalmente as anãs brancas mais antigas.

Outro problema é que a maioria das observações de anãs brancas são feitas com técnicas espectroscópicas sensíveis apenas aos campos magnéticos mais fortes, falhando assim em identificar uma fração substancial de anãs brancas magnéticas.

A sensibilidade da espectropolarimetria aos campos magnéticos pode ser mais de duas ordens de magnitude maior do que a da espectroscopia. A espectropolarimetria demonstrou que os campos fracos, que escapam à deteção por meio de técnicas espectroscópicas, são bastante comuns nas anãs brancas.

Para realizar um levantamento espectropolarimétrico completo, astrónomos do Observatório Armagh e da Universidade de Western Ontario selecionaram todas as anãs brancas do catálogo Gaia num volume até 20 parsecs do Sol. Cerca de dois-terços desta amostra, ou aproximadamente 100 anãs brancas, ainda não tinham sido observadas antes e, portanto, não havia dados disponíveis na literatura.

A equipa observou-as usando o espectrógrafo e polarímetro ISIS acoplado ao Telescópio William Herschel, juntamente com instrumentos semelhantes noutros telescópios.

Os cientistas descobriram que os campos magnéticos são raros no início da vida de uma anã branca, quando a estrela deixa de produzir energia no seu interior e inicia a sua fase de arrefecimento. Portanto, um campo magnético não parece ser característico de uma anã branca desde o seu “nascimento”.

Na maioria das vezes, ou é produzido ou trazido para a superfície estelar durante a fase de arrefecimento da anã branca.

Também descobriram que os campos magnéticos das anãs brancas não mostram sinais óbvios de decaimento Ohmico, novamente uma indicação de que estes campos são gerados durante a fase de arrefecimento, ou pelo menos continuam a emergir à superfície estelar conforme a anã branca envelhece.

Esta imagem é totalmente diferente do que é observado, por exemplo em estrelas magnéticas Ap e Bp da sequência principal superior, onde se verifica que não apenas os campos magnéticos estão presentes assim que a estrela atinge a sequência principal de idade zero, mas também que a intensidade do campo diminui rapidamente com o tempo.

O magnetismo nas anãs brancas, portanto, parece ser um fenómeno totalmente diferente do magnetismo das estrelas Ap e Bp.

Não só a frequência do campo magnético aumenta com a idade da anã branca, mas sabe-se que a frequência está correlacionada com a massa estelar, e que os campos aparecem com mais frequência depois do núcleo de carbono-oxigénio da estrela começar a cristalizar.

Um mecanismo de dínamo pode explicar os campos mais fracos entre aqueles observados nas anãs brancas, e trabalhos recentes sugerem que o mesmo mecanismo poderia ser capaz de produzir campos mais fortes do que o originalmente previsto.

Para efeitos de comparação, a força do campo magnético da Terra, produzido por um mecanismo de dínamo, é de cerca de um gauss. Um mecanismo de dínamo pode explicar campos de até 0,1 milhões gauss, mas nas anãs brancas foram observados campos com até várias centenas de milhões gauss.

Além disso, um mecanismo de dínamo precisa de rotação rápida, mas isto não é geralmente observado nas anãs brancas. São necessárias mais investigações teóricas e observacionais para resolver esta questão.

https://zap.aeiou.pt/anas-brancas-tornam-se-magneticas-434839

 

Lava do vulcão aumentou costa de La Palma em quase 20 hectares, e partículas já chegaram aos Açores !

A lava expelida pelo vulcão Cumbre Vieja desde o início da sua erupção cobre 709 hectares, incluindo a superfície que foi recuperada ao mar desde a noite do dia 28 de setembro.


A lava que caiu para o mar a partir do vulcão de La Palma, nas Canárias, cobre uma superfície de mais de 20 hectares, de acordo com uma estimativa feita pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Com base numa imagem do sistema de satélites europeus Copernicus feita na quarta-feira, a lava expelida pelo vulcão desde o início da sua erupção, a 19 de setembro, cobre 709 hectares, incluindo a superfície que foi recuperada ao mar desde a noite do dia 28 de setembro, e atingiu 1.005 edifícios, dos quais 870 foram destruídos.

O número de quilómetros de estradas afetadas também aumentou para 30,2 km, dos quais 27,7 km foram destruídos pelo fluxo de lava.

O vulcão emitiu 80 milhões de metros cúbicos de material desde que começou a sua erupção, avançou o presidente da região espanhola das Ilhas Canárias, Ángel Víctor Torres.

O fluxo de lava que emerge dos dois novos centros emissores do vulcão Cumbre Vieja procura juntar-se ao fluxo de lava original à medida que avança em direção ao mar.

O diretor técnico do Plano de Prevenção de Riscos Vulcânicos espanhol, Miguel Ángel Morcuende, e a diretora do Instituto Nacional Geográfico nas Ilhas Canárias, María José Blanco, explicaram que estes dois centros emissores, que abriram nas primeiras horas da manhã, estão a cerca de 15 metros de distância e a 600 metros do cone principal.

Com estas duas novas saídas, existem agora quatro focos de lava que emitem no vulcão em La Palma, que, segundo Morcuende, mantém uma atividade “intensa”.

O técnico explicou que os dois fluxos de lava estão a avançar ao longo de uma topografia favorável e procuram juntar-se ao primeiro fluxo que surgiu durante a erupção, atravessou a estrada LP-211 e continua a sua evolução para níveis mais baixos.

Por outro lado, depois da chegada do fluxo de lava ao mar, a Unidade de Emergência Militar (UME) detetou picos ocasionais em certas áreas em que a qualidade do ar excede os níveis exigidos, o que não significa que, de momento, haja um risco para a saúde da população, segundo o tenente-general Luis Manuel Martínez Meijide.

O vulcão Cumbre Vieja está ativo e a expelir lava desde há quase duas semanas e apesar desta situação não houve mortos ou feridos a lamentar entre os 85.000 habitantes da ilha, mas os danos são enormes, segundo as autoridades regionais.

Algumas das partículas emitidas pelo vulcão terão chegado aos Açores, provocando uma “redução significativa da visibilidade horizontal”, avança o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). “De acordo com os resultados das previsões do serviço de monitorização atmosférica do programa Copernicus (CAMS), algumas dessas partículas terão chegado ao arquipélago dos Açores sob a forma de aerossol sulfato”, lê-se na nota de imprensa.

O IPMA realça que o aerossol sulfato “resulta da reação em fase líquida do dióxido de enxofre com a água”, formando “pequenas partículas líquidas”. Essas partículas, que podem ser “transportadas pelo vento”, possuem “propriedades óticas que contribuem para uma maior dispersão da luz e, consequentemente, provocam uma redução da visibilidade”.

“Desde o passado dia 29, as observações do IPMA confirmam uma redução significativa da visibilidade horizontal por estas partículas nos grupos central e oriental dos Açores, que deverão encontrar-se principalmente numa camada abaixo dos 800 metros de altitude”, assinala o comunicado.

O IPMA refere ainda que a “elevada humidade” registada nos Açores terá “aumentado o tamanho das partículas”.

O instituto disse estar a estudar a possibilidade de uma reação química provocada pelo vulcão de La Palma estar a criar uma “neblina” em torno de algumas ilhas dos Açores, possibilidade confirmada agora.

https://zap.aeiou.pt/lava-do-vulcao-aumentou-costa-435787

 

Terra pode ter um planeta-irmão à espreita - É do tamanho de Marte, e pode ser o Planeta 9 !

Os oito planetas que conhecemos não são os únicos sobreviventes da formação do nosso Sistema Solar. A Terra pode mesmo ter outro planeta-irmão do tamanho de Marte à espreita, numa “terceira zona” do Sistema Solar.


Para lá de Neptuno, pode haver um planeta do tamanho de Marte à espreita no meio da escuridão, na misteriosa terceira zona do Sistema Solar.

A Astronomia separa os planetas que conhecemos em três grupos: o primeiro, com planetas que orbitam o Sol dentro da cintura de asteróides que separa Marte e Júpiter; o segundo, o sistema solar exterior e também o reino dos gigantes de gás Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno; e um terceiro grupo, um reino de planetas anões como Plutão, Sedna, Eris, e até mesmo cometas.

No entanto, esta classificação está errada. Pelo menos segundo os investigadores deste estudo, cujo artigo científico foi recentemente publicado na Annual Review of Astronomy and Astrophysics.

Para compreender como surgiu o Sistema Solar, os cientistas valeram-se de simulações por computador para ver se certas condições ou eventos iniciais podem evoluir para um Sistema Solar como o nosso, detalha o Interesting Engineering.

Vários modelos que se assemelham com o nosso Sistema Solar começam com pelo menos um planeta extra numa posição “desconcertante”, o que sugere que o Sistema Solar exterior costumava abrigar um ou mais planetas rochosos, aproximadamente do tamanho da Terra ou de Marte, para além dos colossais gigantes de gás e gelo.

Ao longo do tempo, a interação destes planetas rochosos com os enormes campos de gravidade dos gigantes de gás poderá tê-los empurrado para uma órbita distante – ou até mesmo para uma trajetória de saída, muito longe do resto da vizinhança.

“É provável que um planeta Marte tenha estado lá inicialmente”, disse o cientista planetário David Nesvorny, do Southwest Research Institute, em declarações ao Inverse. “A questão é se sobreviveu ou se temos alguma prova da sua existência.”

Metade das simulações revelou que todos os planetas à escala de Marte no Sistema Solar exterior foram ejetados para o espaço interestelar, enquanto a outra metade aponta que um planeta foi deixado numa órbita semelhante à da população isolada dos objetos do Cinturão de Kuiper.

Se este planeta existir, poderá ser o tão famoso Planeta 9.

A modelagem pode ser uma mais-valia para ajudar os cientistas a localizar este planeta do tamanho de Marte, mas a prova incontestável será encontrá-lo.

https://zap.aeiou.pt/se-o-planeta-9-tamanho-de-marte-435119

 

Os ventos da Grande Mancha Vermelha de Júpiter estão a acelerar !

Cientistas descobriram que os ventos no anel externo da Grande Mancha Vermelha de Júpiter estão a acelerar lentamente.


A Grande Mancha Vermelha é uma tempestade de grandes dimensões na atmosfera de Júpiter e uma das características mais distintivas deste planeta. O telescópio Hubble estuda-a há vários anos e, graças a ele, já se percebeu que está a encolher misteriosamente. Mas agora, conta o site Live Science, foram descobertas grandes mudanças na velocidade dos seus ventos.

Recorde-se que Júpiter demora 12 anos terrestres para dar a volta ao Sol. Entre 2009 e 2020, o Hubble descobriu que a velocidade do vento no anel externo da Grande Mancha Vermelha aumentou em até 8%.

Embora a velocidade do vento variasse dependendo de quando o telescópio espacial estava a olhar para a tempestade, rastreou aumentos de longo prazo na velocidade de rotação do anel externo.

Atualmente, a tradicional velocidade do vento no anel externo desta mancha facilmente excede os 100 metros por segundo (360 quilómetros por hora), enquanto há uma década costumava andar na casa dos 90 metros por segundo (324 km/h).

Os investigadores estão a tentar perceber por que razão este aumento está a acontecer, já que o Hubble não consegue penetrar nas profundezas da tempestade.

“Quando vi os resultados pela primeira vez, questionei-me se faziam sentido. Nunca ninguém tinha visto isto antes”, disse, em comunicado, Michael Wong, cientista planetário da Universidade da Califórnia e o autor principal da pesquisa.

“Qualquer coisa abaixo do topo das nuvens é invisível nos dados. Mas é um dado interessante que nos pode ajudar a entender o que está a alimentar a Grande Mancha Vermelha e como está a manter a energia”, acrescentou.

https://zap.aeiou.pt/ventos-grande-mancha-vermelha-jupiter-acelerar-435142

Vacina em adesivo promete resposta imunológica superior ao método tradicional !

Um equipa de cientistas desenvolveu uma vacina em adesivo com micro-agulhas que promete uma resposta imunológica muito superior do que a que é oferecida pelas vacinas tradicionais.


Apesar de os adesivos com micro-agulhas estarem em desenvolvimento há vários anos, os fabricantes têm mostrado dificuldades na produção em massa. Por outro lado, adaptar o adesivo aos diferentes tipos de vacinas também pode ser um desafio.

Contudo, um novo estudo mostra agora que é possível superar estes problemas que foram condicionando o desenvolvimento do adesivo. Os avanços deram-se através de uma técnica de impressão 3D avançada denominada produção de interface líquida contínua (CLIP).

O método usa luz ultravioleta e uma resina especial para criar os adesivos que são consistentes em tamanho, forma e espaçamento de agulha, independentemente da quantidade em que são produzidos.

“A nossa abordagem permite-nos imprimir diretamente as micro-agulhas em 3D, o que nos dá margem para fazer as melhores micro-agulhas do ponto de vista de desempenho e custo”, refere o microbiologista Shaomin Tian, ​​da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill.

A facilidade e a velocidade com que estes adesivos de micro-agulha podem ser desenvolvidos pode levá-los a um uso muito mais amplo, referem os investigadores em comunicado.

Por outro lado, escreve o Science Alert, evitam totalmente as agulhas convencionais, e podem ser auto-administrados, ou seja, não há a necessidade de marcar uma consulta antecipadamente com um técnico que possa fazer a inoculação.

O método de administração carateriza-se por ser mais simples, uma vez que as agulhas presentes no adesivo só precisam de penetrar abaixo da camada superficial da pele (transdérmica) para serem eficientes.

O estudo refere ainda que o líquido é inoculado diretamente nas proximidades das células imunológicas da pele, o que é perfeito para vacinas. Com um sistema de entrega mais eficiente, é possível que as dosagens possam ser reduzidas.

Em testes de laboratório em ratos, os especialistas perceberam que o adesivo criou uma resposta de células T e anticorpos específicos cerca de 50 vezes maior do que uma injeção subcutânea tradicional aplicada sob a superfície da pele.

“Demonstramos que a aplicação de micro-agulhas impressas em 3D resultou em maior retenção de carga na pele, ativação de células imunes e respostas imunes mais potentes, em comparação com as técnicas de vacinação tradicionais”, explicam os investigadores no estudo.

A equipa afirma que o projeto pode ser adaptado para o uso de vacinas contra a gripe, sarampo, hepatite e até mesmo de covid-19.

Outra vantagem é o facto de não haver necessidade de manutenção especial ou refrigeração no transporte, o que pode ajudar a aumentar as taxas de vacinação. Os adesivos podem ainda usar melhorias recentes para combinar vários medicamentos no mesmo adesivo.

Embora os adesivos ainda não tenham sido testados em humanos, espera-se que quando isso acontecer sejam observados os mesmos benefícios que foram analisados nos testes em ratos.

Agora, os investigadores estão a tentar perceber de que forma o seu adesivo de vacina de micro-agulha pode ser adaptado às vacinas contra a covid-19, especialmente nas de mRNA – como é o caso da Moderna e da Pfizer.

https://zap.aeiou.pt/vacina-adesivo-reposta-imunologica-434849

 

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Merck anuncia comprimido contra a covid-19 - Eficaz no combate a variantes !

A farmacêutica anunciou um medicamento que mostrou ser eficaz no combate às novas variantes de covid-19, que têm causado grande preocupação a muitos países.


Chama-se molnupiravir e é um medicamento antiviral oral experimental contra a covid-19 da Merck & Co.

De acordo com a TSF, deverá ser eficaz no tratamento das variantes já conhecidas do SARS-CoV-2, incluindo a Delta, mais transmissível e atualmente dominante em vários países. O anúncio foi feito pela própria farmacêutica, num comunicado divulgado na quarta-feira.

Tendo em conta que o molnupiravir não tem como alvo a proteína espícula do vírus, que difere entre variantes, o medicamento deve ser igualmente eficaz no tratamento da doença, independentemente da evolução do vírus, garantiu Jay Grobler, diretor executivo do departamento de doenças infecciosas e vacinas da Merck.

A Merck avançou ainda que os dados mostram que o fármaco é mais eficaz quando administrado no início do curso da infeção.

A empresa norte-americana, refere a TSF, testou o antiviral em amostras recolhidas nos primeiros ensaios clínicos do medicamento.

A variante Delta não estava em grande circulação na altura, mas o molnupiravir foi, entretanto, testado em amostras de laboratório da variante responsável pelo mais recente aumento de hospitalizações e mortes por covid-19, nos Estados Unidos.

De recordar que em 2021, a farmacêutica tinha já anunciado que um ensaio preliminar revelou que após cinco dias de tratamento com molnupiravir, nenhum dos pacientes que recebeu várias doses de fármaco testou positivo.

A Merck está atualmente a conduzir dois ensaios de Fase III do antiviral, um para o tratamento de covid-19 e outro para a prevenção da doença.

https://zap.aeiou.pt/comprimido-contra-a-covid-19-435317

 

Pode ter sido encontrado o primeiro planeta que orbita três estrelas ao mesmo tempo !

Já se conheciam planetas que fazem órbita a duas estrelas simultaneamente, mas encontrar planetas circumtriplos – que orbitam três – tem sido difícil, apesar das estimativas de que o fenómeno até é comum.


Chama-se GW Ori e é um sistema de estrelas a 1300 anos-luz da Terra, na constelação Orion. Está rodeado por um enorme disco de poeira e de gás, uma característica comum em sistemas de estrelas recentes que estão a formar planetas.

Mas o GW Ori não é um sistema qualquer. Em vez de apenas uma estrela, conta com três, e o seu disco de poeira divide-se em dois, com o anel exterior inclinado no ângulo de 38 graus, escreve o The New York Times.

Há várias hipóteses para o que se pode estar a passar. Uma delas é de que a divisão no disco pode resultar de um ou mais planetas que se formaram no sistema, o que tornaria este o primeiro planeta a ser descoberto que orbita três estrelas ao mesmo tempo, também conhecido como um planeta circumtriplo.

Um planeta gasoso tão grande como Júpiter deve ser a resposta para esse espaço na nuvem de poeira, segundo os investigadores que modelaram o GW Ori. Apesar do planeta não poder ser visto, os astrónomos acreditam que pode estar a criar a sua órbita, o que explica a divisão na poeira.

Um estudo publicado em Setembro na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society contraria uma outra tese que argumenta que o torque gravitacional das estrelas é que criou o espaço no círculo de poeira, dizendo que não há turbulência suficiente no disco para que esta explicação se aplique.

A investigadora Alison Young, da Universidade de Leicester, tem argumentado que foram as estrelas a causar a separação no sistema, afirma que observações do telescópio ALMA e do Telescópio Muito Grande no Chile podem finalmente acabar com o debate. “Vamos poder procurar provas directas de um planeta no disco”, disse.

Se alguma forma de vida pudesse existir num planeta gigante gasoso como aquele que estará a orbitar no GW Ori, na verdade não conseguiria ver três “sóis” no céu – viria apenas um par de estrelas mais próximas tão perto um da outra que pareceriam apenas uma única fonte de luz.

No sistema GG Tau A, localizado a cerca de 450 anos-luz da Terra, há também potencial para existir um planeta que orbite três estrelas, mas os cientistas revelam que a separação entre o gás e a poeira no GW Ori torna este segundo exemplo mais convincente.

Se a hipótese se confirmar, o sistema reforçaria a ideia de que a formação de planetas é comum. Vários mundos já conhecidos fazem órbita a duas estrelas – conhecidos como planetas circumbinários -, mas os planetas que andam à volta de três estrelas são mais difíceis de encontrar, apesar das estimativas de que pelo menos um décimo de todas as estrelas se aglomerem em sistemas de três ou mais.

Muitos cientistas também não fecham a porta à possibilidade de virem a ser encontrados planetas que façam órbita a mais estrelas, como quatro, cinco ou até seis, ao mesmo tempo.

https://zap.aeiou.pt/planeta-orbita-tres-estrelas-encontrado-primeiro-435156

 

Reconstrução digital revela o rosto de três múmias egípcias !

Os rostos de três homens que viveram no antigo Egito, há mais de dois mil anos, foram trazidos de volta à vida através de reconstruções digitais.


Uma equipa de investigadores da Parabon NanoLabs, uma empresa norte-americana de tecnologia de ADN, utilizou dados genéticos de três múmias para criar modelos 3D dos seus rostos, através de um processo chamado fenótipo forense de ADN – que utiliza a análise genética para prever a forma das características faciais e outros aspetos da aparência física de uma pessoa.

As múmias, encontradas em Abusir el-Meleq, uma antiga cidade egípcia a sul do Cairo, foram enterradas entre 1380 a.C. e 425 d.C. e o seu ADN foi sequenciado por cientistas do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana em Tübingen, na Alemanha, em 2017.

Agora, os três homens foram retratados com 25 anos, com base em dados de ADN extraídos dos seus restos mumificados.

De acordo com um comunicado da Parabon NanoLabs, “esta é a primeira vez que a fenotipagem de ADN humano com esta idade é realizada”.

Os cientistas utilizaram um método de fenotipagem chamado Snapshot para prever a ascendência, cor da pele e características faciais.

Segundo a análise genética, os três homens tinham pele castanha clara, olhos e cabelo escuros e, no geral, a sua composição genética era mais próxima da dos indivíduos modernos no Mediterrâneo ou no Médio Oriente do que da dos egípcios modernos.

Os investigadores criaram então redes 3D com as características faciais das múmias e usaram mapas de calor para realçar as diferenças entre os três indivíduos.

Trabalhar com ADN humano antigo pode ser um desafio porque se encontra, frequentemente, degradado e misturado com ADN bacteriano, disse Ellen Greytak, diretora de bioinformática da Parabon.

“Entre estes dois fatores, a quantidade de ADN humano disponível para sequenciar pode ser muito pequena”, disse Greytak, em declarações ao Live Science.

Contudo, tendo em conta que a grande maioria do ADN é partilhada entre todos os humanos, os cientistas não precisam de todo o genoma para obter uma imagem física de uma pessoa. Pelo contrário, precisam apenas de analisar certos pontos específicos do genoma que diferem entre as pessoas, conhecidos como polimorfismos de nucleótidos únicos (SNPs). Muitos destes SNPs codificam as diferenças físicas entre indivíduos, explicou ainda.

O problema é que, por vezes, o ADN antigo não fornece SNPs suficientes para identificar uma determinada característica, disse Janet Cady, cientista de bioinformática da Parabon.

https://zap.aeiou.pt/reconstrucao-digital-revela-o-rosto-de-tres-mumias-egipcias-434803

 

Cristais do tempo - Afinal, a física clássica ajuda a compreender nova fase da matéria

Investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, descobriram que uma nova fase da matéria, que se pensava ser apenas compreensível utilizando a física quântica, pode ser estudada com métodos clássicos muito mais simples. 


Até agora, os cientistas pensavam que as propriedades dos DTC pré-térmicos dependiam da física quântica – as estranhas leis que governam as partículas à escala subatómica. No entanto, descobriram que uma abordagem mais simples, baseada na física clássica, pode ser utilizada para compreender estes misteriosos fenómenos.

Os cristais do tempo foram previstos em 2012, refutados, e confirmados em 2016. Compreendê-los é importante para o controlo de sistemas que podem ser aplicados em simulações de redes quânticas.

Este tipo de cristal quebra a simetria de translação do espaço – porque a sua estrutura não é a mesma em todo o espaço – e também a simetria de translação temporal – porque, quando são periodicamente “sacudidos”, a sua estrutura muda a cada “empurrão”.

Por outras palavras, os cristais normais têm átomos dispostos numa estrutura fixa, com padrões que podem ser repetidos no espaço, mas sem se moverem muito. Por isso, não se repetem no tempo. Ora, nos DTC, os átomos oscilam, girando primeiro numa direção e depois noutra.

Os DTC pré-térmicos são sistemas relativamente simples que não aquecem rapidamente como seria de esperar. Em vez disso, exibem um comportamento cristalizado durante muito tempo: quanto mais rapidamente são “abanados”, mais tempo sobrevivem. No entanto, pensava-se que se baseavam em fenómenos quânticos.

Agora, noticia o EurekAlert, Andrea Pizzi e a sua equipa descobriram que não é preciso abordagens quânticas muito complicadas para compreender os DTC, apesar de serem um pouco “bizarros”.

Esta notícia foi acolhida com entusiasmo no meio científico, uma vez que os investigadores podem agora simular estes fenómenos de uma forma muito mais abrangente, pela física clássica.

Podem, por exemplo, simular este estado da matéria em cenários mais relevantes, como em duas ou três dimensões.

Utilizando uma simulação por computador, os investigadores estudaram spinings interativos sob a ação de um campo magnético periódico utilizando a clássica dinâmica hamiltoniana.

A dinâmica resultante mostrou de forma clara as propriedades dos DTC pré-térmicos: durante muito tempo, a magnetização do sistema oscila com um período maior do que o da tração.

Com este novo método, os cientistas podem “olhar para sistemas maiores”, reagiu Pizzi, que espera que a sua investigação estabeleça a mecânica hamiltoniana (reformulação da mecânica clássica elaborada em 1833) como uma “abordagem adequada para simulações em grande escala de sistemas complexos de muitos corpos e abra novos caminhos no estudo de fenómenos de não-equilíbrio, dos quais os DTC são apenas um exemplo”.

https://zap.aeiou.pt/uma-nova-fase-da-materia-434845

 

“Empreendimento histórico” - Rolls-Royce anuncia que até 2030 todos os carros da marca serão elétricos !

A Rolls-Royce anunciou na quarta-feira que vai deixar de vender veículos movidos a gasolina até 2030. Daí em diante, a marca britânica irá passar a ser totalmente elétrica.

A empresa quer entrar no mercado dos carros elétricos, adaptando-se assim à realidade de um mercado que mostra grandes preocupações com a sustentabilidade, sobretudo no que diz respeito à emissão zero de carbono no meio ambiente.

Numa publicação no LinkedIn, Torsten Müller-Ötvös, CEO da marca britânica, lançou o tema ao convocar os seus seguidores para o anúncio de um “empreendimento histórico”.

“Fiz uma promessa pública de que levaríamos o primeiro Rolls-Royce totalmente elétrico ao mercado na década atual. Agora a nossa empresa está a embarcar num empreendimento histórico para criar o primeiro carro luxuoso deste tipo. Irá acontecer mais cedo do que muitos pensavam ser possível”, adiantou.

Em comunicado, a marca anunciou ainda o nome do primeiro Rolls-Royce elétrico: o Spectre, que irá estar à venda em 2023. Porém, os testes do novo carro nas estradas públicas irão começar brevemente.

“Com este novo produto, estabelecemos as nossas credenciais para a eletrificação completa de todo o nosso portefólio de produtos até 2030″, referiu Torsten Muller-Otvos.

Uma profecia que se confirma

Charles Rolls profetizou um futuro elétrico para os automóveis, destaca o comunicado.

Em abril de 1900, o fundador da marca experimentou um carro elétrico chamado de Columbia e considerou esta alternativa como a ideal.

Rolls referiu que “o automóvel elétrico é esplendidamente silencioso e limpo. Não há nenhum odor ou vibração e será muito pertinente quando as estações de recarga forem uma realidade. Mas não acredito que sejam operacionais neste momento – pelo menos nos próximos anos”.

https://zap.aeiou.pt/rolls-royce-carros-serao-eletricos-435128

 

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...