domingo, 7 de novembro de 2021

Cientistas detetam sinais de água na galáxia mais massiva do universo primitivo !


Uma equipa liderada por Sreevani Jarugula, astrónomo da University of Illinois, analisou a galáxia SPT0311-58 com o telescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA).

Os cientistas conseguiram detetar água e monóxido de carbono em abundância na galáxia, o que sugere que o universo molecular estava num processo de desenvolvimento e fortalecimento no período após as estrelas primordiais formarem elementos.

Além de este ser o estudo mais detalhado do gás molecular presente numa galáxia do universo primordial, esta foi a deteção mais distante de água numa galáxia que forma estrelas regularmente, refere a equipa em comunicado.

Localizada a 12,8 mil milhões de anos-luz da Terra, a SPT0311-58 foi observada pela primeira vez pelos cientistas do ALMA em 2017, enquanto estava na Época da Reionização, ocorrida num momento em que o universo tinha apenas 780 milhões de anos – ou seja, 5% da idade que tem atualmente.

Na altura, as primeiras estrelas e galáxias estavam a ser formadas, tanto que a SPT0311-58 é, na verdade, uma galáxia formada por duas, e os cientistas acreditam que estas estão num processo de fusão.

Os processos de formação estelar destas galáxias estão a consumir o gás que seria o combustível para dar origem a novas estrelas e, em algum momento, isso poderá transformar a dupla em duas grandes galáxias elípticas e massivas, escreve o Canaltech.

Graças às observações do gás molecular conduzidas pelo ALMA, foi possível detetar as moléculas de monóxido de carbono e água, formadas por elementos de primeira geração. “Esta galáxia é a mais massiva conhecida atualmente”, explicou Jarugula.

Como tem mais gás e poeira do que outras galáxias do universo, esta galáxia proporciona algumas oportunidades interessantes para a observação da quantidade de moléculas presentes, além de ajudar os astrónomos a entender como esses elementos necessários para o surgimento da vida afetaram o desenvolvimento do universo primordial.

Por exemplo, considerando a água, depois do hidrogénio e monóxido de carbono moleculares, este elemento é a terceira molécula mais abundante no universo, e as emissões vindas das moléculas de água podem ser observadas pelos cientistas.

Isso porque a poeira absorve a radiação ultravioleta das estrelas da galáxia, que depois é emitida como fotões de luz infravermelha. “Isto causa agitação nas moléculas de água, criando as emissões que os cientistas conseguem observar — neste caso, isso ajudou-nos a detetar as emissões de água nessa galáxia massiva”, referiu o autor. “Essa correlação pode ser usada para desenvolver a água como um vestígio da formação estelar, que pode depois ser aplicada a galáxias numa escala cosmológica”.

Assim, o estudo mostrou até onde a água pode existir no universo, levantando ainda novas questões relacionadas com a quantidade de gás e poeira que podem ter sido unidos para formar estrelas e galáxias numa etapa tão inicial do universo.

“Para responder a isso, são necessários novos estudos de galáxias formadoras de estrelas e outras semelhantes para conseguirmos um melhor entendimento da formação estrutural e evolução do universo primordial”, concluiu o estudo.

https://zap.aeiou.pt/sinais-de-agua-galaxia-mais-massiva-442656


GreenAnt usa o “Batman” do reino animal para travar a desflorestação !


A GreenAnt está a mudar o mercado de compensação de carbono e a travar a desflorestação, tudo graças à ajuda de uma formiga com “superpoderes”.

O aquecimento global é, como o próprio nome indica, um problema a nível mundial. É com base neste princípio que o mercado de compensação de carbono funciona: não importa onde a redução das emissões de gases com efeito de estufa é feita; o importante é que seja feita.

Por muito que se reduzam as emissões de dióxido de carbono, há uma percentagem que é inevitável. Como tal, é possível compensar estas emissões graças a um mercado que promove o intercâmbio entre quem gera créditos de carbono por reduzir emissões e quem precisa de compensar as suas emissões residuais. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada de gás carbónico.

O problema é que, muitas vezes, o mercado de compensação de carbono é altamente suscetível a um fenómeno conhecido como greenwashing, em que empresas “maquilham” os seus produtos para dar a ideia que são ecológicas, quando, na realidade, não o são.

É aqui que entra a GreenAnt, empresa fundada por Mario Edoardo Simmaco, com quem o ZAP esteve à conversa na Web Summit, em Lisboa.

Na GreenAnt, em vez de vender a quantidade de carbono que uma árvore sequestra na forma de um certificado, a capacidade da árvore de sequestrar carbono é alugada através de um token desenvolvido com a tecnologia blockchain.

Desta forma, a GreenAnt consegue monitorizar a capacidade de sequestração de carbono de cada árvore. Esta tecnologia é usada para transformar a árvore numa criptomoeda. Assim, um utilizador compra a criptomoeda GreenAnt, que equivale a uma árvore, e cuja capacidade de retenção de carbono pode ser consultada a qualquer hora, explica Mario.

“Os investidores estão basicamente a alugar uma árvore e, durante a sua vida útil, a árvore criará constantemente mais e mais compensações de CO2. Portanto, compra uma árvore NFT e, mais tarde, vai obter mais e mais moedas porque a árvore está a crescer e sequestra mais carbono”, explicou Chiara Schulte, a gestora de compensação de carbono da empresa.

“Estamos a tentar evitar a desflorestação e promover a reflorestação. Estamos a fazê-lo através da agricultura”, acrescentou Chiara.

A solução encontrada está numa formiga muito especial, conhecida como formiga verde (Oecophylla smaragdina). Esta espécie é principalmente encontrada na África Oriental, Austrália e Sudeste Asiático.

“Estas formigas têm superpoderes. São como o Batman”, atirou Mario com um sorriso nos lábios.

Na Tailândia, a formiga verde já é mais do que conhecida. É considerada uma autêntica iguaria, podendo custar três vezes mais do que carne. É também uma fonte sustentável e barata de proteína, tanto para humanos como para animais. Além disso, a formiga verde pode ser usada como uma alternativa a pesticidas, que são caros e em alguns casos nocivos para a saúde.

A GreenAnt ensina os agricultores a usarem estas formigas e ajudam-nos na plantação das árvores. É um cenário lucrativo para os pequenos agricultores, que ganham o know-how, ficam com as colheitas das árvores e ainda com as formigas que podem ser vendidas nos mercados locais.

“O que precisamos do agricultor em troca são dados diários sobre o estado de saúde das árvores e o estado de saúde dos funcionários para mostrar às pessoas que estão a comprar as árvores. Estamos a tentar dar aos nossos investidores ou pessoas que compram esta árvore NFT todos os dados acessíveis para termos credibilidade. Podemos garantir ao nosso investidor que a árvore em que está a investir ainda está viva”, explicou Chiara ao ZAP.

https://zap.aeiou.pt/greenant-batman-travar-desflorestacao-442994


Comer sozinho faz mal ao coração e não é pela sensação de abandono !


Estudos anteriores já tinham chegado à conclusão que, com o passar da idade, as mulheres ficam mais vulneráveis a doenças cardiovasculares (DCV). Agora, uma nova pesquisa mostra um novo fator que pode elevar este risco: fazer refeições sozinhas.

O estudo sugere que comer cozinho pode contribuir para um maior risco de doenças cardíacas em mulheres mais velhas. Os resultados foram publicados na Menopause, a revista da The North American Menopause Society (NAMS).

Com o objetivo de reduzir a incidência de DCV, tem havido uma crescente consciencialização sobre hábitos alimentares saudáveis. Contudo, a importância de ter um companheiro de alimentação tem sido amplamente negligenciada em pesquisas anteriores.

Várias mudanças na sociedade têm feito com que as pessoas passem mais tempo sozinhas e acabem por fazer as suas refeições sem companhia. Uma das causas deste isolamento deveu-se em grande parte à pandemia de covid-19 e à consequente normalização da utilização das plataformas de serviço de entrega de comida, escreve o MedicalXpress.

Com mais pessoas a comer sozinhas, a equipa de especialistas revelou várias preocupações com a saúde das pessoas. Um estudo anterior mostrou que comer sozinho com mais frequência está associado a um risco maior de obesidade abdominal e pressão arterial elevada. Isto porque quando comem sozinhas, as pessoas tendem a comer mais rápido, o que geralmente leva a aumentos no índice de massa corporal, pressão arterial e níveis de lipídios no sangue – os quais podem aumentar o risco de síndrome metabólica e DCV.

Por outro lado, comer sozinho também pode afetar a saúde mental, tendo já sido relatado como um fator de risco para a depressão – que também está relacionado a um risco de DCV.

Neste estudo, os investigadores fizeram uma pesquisa que envolveu quase 600 mulheres que se encontram na menopausa e têm mais de 65 anos. O objetivo foi comparar comportamentos de saúde e estado nutricional entre mulheres mais velhas que comem sozinhas e outras que, por norma, fazem as suas refeições acompanhadas.

Com base nos resultados do estudo, os especialistas concluíram que as mulheres mais velhas que comiam sozinhas tinham um conhecimento nutricional e ingestão mais pobres. Estas mulheres revelaram ter uma menor ingestão de energia, carboidratos, fibra alimentar, sódio e potássio do que aquelas que comiam com outras pessoas.

Além disso, o estudo mostra que as mulheres idosas que comem sozinhas têm 2,58 vezes mais probabilidade de ter angina, um tipo de dor no peito causada pela redução do fluxo sanguíneo para o coração e um sintoma de doença arterial coronariana.

“Este estudo mostra que as mulheres mais velhas que comem sozinhas têm maior probabilidade de ter doenças cardíacas sintomáticas. Também é mais provável que sejam viúvas e que tenham uma alimentação pobre. Estes resultados não são surpreendentes, dado que o estatuto socioeconómico mais baixo e o isolamento social contribuem para reduzir a qualidade de vida, aumentar as taxas de depressão e piorar a saúde”, rematou Stephanie Faubion, diretora médica da NAMS.

https://zap.aeiou.pt/comer-sozinho-faz-mal-ao-coracao-442376

 

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

As explosões do estranho cometa 29P estão a deixar os cientistas intrigados !


Um dos cometas mais estranhos do Sistema Solar está a protagonizar algumas explosões brilhantes e imprevisíveis desde o final de setembro e os cientistas não sabem explicar porquê.

Segundo o site Space.com, o cometa 29P tem mais de 60 quilómetros de diâmetro, é um dos poucos conhecidos como Centauros, ou seja, faz parte do grupo de corpos menores do Sistema Solar que orbitam entre Júpiter e Neptuno, e ilumina-se periodicamente através de erupções poderosas que o tornam o segundo corpo mais ativo depois da lua de Júpiter, Io.

Mas por que razão está a entrar em erupção? Ninguém sabe e, por isso, surgiu uma campanha de observação internacional, que abrange desde astrónomos amadores a profissionais até ao famoso telescópio espacial Hubble, para tentar desvendar o mistério.

“Esta poderá ser a primeira vez que apanhamos o resultado de uma explosão tão grande”, disse ao mesmo site John Noonan, um estudante de Astronomia da Universidade do Arizona e um dos investigadores envolvido na ajuda que o Hubble vai dar.

“Nas vezes anteriores em que o Hubble olhou para o cometa 29P, tratou-se de uma explosão menor. O que está a acontecer agora é algo sem precedentes, pelo menos nos últimos 40 anos”, acrescentou.

De acordo com o mesmo site, os astrónomos esperam que o telescópio espacial veterano seja capaz de distinguir pedaços dos destroços libertados durante as explosões e de rastrear esses objetos à medida que se afastam do núcleo do cometa. E se os astrónomos puderem seguir esses fragmentos, estarão a assistir ao nascimento de um cometa completamente novo, disse Noonan.

“Se existirem fragmentos que estão a ser separados dele nessas grandes explosões, como a que aconteceu no final de setembro, esses fragmentos podem também tornar-se cometas da família de Júpiter“, explicou.

“Se houver um processo a acontecer na região Centauro que possa fragmentar objetos do Cinturão de Kuiper que são Centauros durante este breve período das suas vidas dinâmicas, e dar-nos esses cometas da família de Júpiter de 100 a 200 metros, isso seria fascinante”, considerou.

https://zap.aeiou.pt/explosoes-cometa-29p-cientistas-intrigados-442415

 

Pela primeira vez, Japão concedeu um Certificado de Segurança a um carro voador !

O Ministério da Terra, Infraestruturas, Transporte e Turismo do Japão concedeu à SkyDrive um certificado de segurança para o seu carro voador.

A SkyDrive, uma startup sediada em Tóquio e que criou recentemente um novo conceito de carro voador elétrico, revelou que recebeu um certificado de segurança do Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo do Japão para seu novo veículo.

O anúncio foi avançado pela empresa através de um comunicado à imprensa.

Segundo o Interesting Engineering, o certificado garante que o design, a estrutura, a resistência e o desempenho do veículo atendem aos requisitos de segurança e ambientais exigidos pelo Governo japonês.

A empresa, que está satisfeita por ter obtido o certificado, vai continuar a trabalhar em parceria com o Governo e o Ministério da Terra, Infraestruturas, Transporte e Turismo do Japão para concluir o desenvolvimento de um carro voador totalmente seguro e confiável.

Esta é a primeira vez que o Governo japonês concede este certificado a um carro voador.

O SD-03 da SkyDrive tem oito hélices – duas na extremidade de um braço em cada esquina – e atinge uma velocidade máxima de 48 km/h para viagens de até 10 minutos.

A empresa quer utilizar o veículo num serviço de táxis voadores, num projeto que deverá iniciar até 2025.

https://zap.aeiou.pt/certificado-de-seguranca-a-carro-voador-442547

 

COP26 - Mais de 40 países comprometem-se com fim do uso do carvão !


Mais de 40 países comprometeram-se, esta quarta-feira, na cimeira do clima COP26, que está a decorrer em Glasgow, na Escócia, a eliminar gradualmente o uso do carvão como fonte de produção de energia.

De acordo com o jornal The Guardian, alguns dos principais países consumidores de carvão, como o Canadá, a Polónia, a Coreia do Sul, a Ucrânia, a Indonésia e Vietname, comprometeram-se a descontinuar o uso de carvão como fonte de produção de energia. As maiores economias mundiais traçaram o ano de 2030 como meta, enquanto os países menos desenvolvidos se ficaram por 2040.

Porém, alguns dos principais países dependentes do carvão, como os Estados Unidos, a China, a Índia e a Austrália, ficaram de fora deste acordo.

O acordo intermediado pelo Reino Unido para parar de financiar o uso do carvão inclui o compromisso não só de dezenas de países, mas também de mais de 100 instituições financeiras e outras organizações.

“O dia de hoje é um marco nos nossos esforços globais para enfrentar as alterações climáticas, com nações de todos os cantos do mundo unidas em Glasgow para declarar que o carvão não terá um papel na nossa futura produção de energia. Os compromissos ambiciosos de hoje feitos pelos nossos parceiros internacionais demonstram que o fim do carvão está próximo“, disse Kwasi Kwarteng, ministro da Energia britânico, citado pelo mesmo jornal.

Segundo o jornal Público, o responsável pela delegação da Grenpeace, Juan Pablo Osornio, considerou que este compromisso “ainda fica muito aquém das ambições para o fim do uso de combustíveis fósseis”.

“Apesar das manchetes otimistas, as letras pequenas [do acordo] dão aos países uma grande margem para decidirem o seu próprio ritmo no fim do uso do carvão”, disse ainda.

O carvão como fonte de produção de energia ainda representa mais de metade das emissões carbónicas provocadas pelo uso de combustíveis fósseis.

Neste terceiro dia da cimeira, escreve o semanário Expresso, saiu também o compromisso do setor privado, entre 450 empresas de 45 países, de investir 130 biliões de dólares, cerca de 112 biliões de euros, para descarbonizar a economia mundial.

https://zap.aeiou.pt/mais-40-paises-comprometem-fim-uso-carvao-442649

 

Reino Unido aprova primeiro comprimido contra a covid-19 - Chama-se Molnupiravir !


O Reino Unido tornou-se esta quinta-feira o primeiro país do mundo a emitir uma autorização de uso condicional de um comprimido antiviral contra a covid-19 desenvolvido pela empresa farmacêutica Merck, que estará disponível para os maiores de 18 anos.

Embora não se saiba com precisão quando é que o fármaco estará acessível ao público, o medicamento — designado molnupiravir — demonstrou eficácia assinalável nos estudos efetuados. Segundo os resultados preliminares anunciados pela companhia no mês passado e que carecem ainda de revisão por cientistas externos, a toma do medicamento reduziu para metade hospitalizações e óbitos entre doentes numa fase precoce dos sintomas de covid-19.

O molnupiravir destina-se a ser tomado duas vezes por dia durante cinco dias por pessoas que estejam em casa com covid-19 ligeira a moderada e que tenham pelo menos um fator de risco de poder desenvolver doença grave.

Por enquanto, a Merck não avançou detalhes sobre potenciais efeitos secundários, assegurando apenas que a sua ocorrência foi similar entre as pessoas que receberam o medicamento e as que receberam placebos. 

“Hoje é um dia histórico, pois o Reino Unido é o primeiro país do mundo a aprovar um antiviral que pode ser tomado em casa para a covid-19. Estamos a trabalhar em ritmo acelerado em todo o governo e com o NHS [Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido] para estabelecer planos para a distribuição de molnupiravir aos doentes através de um estudo nacional o mais rapidamente possível”, disse o secretário britânico da Saúde, Sajid Javid, em comunicado.

O fármaco aguarda ainda a avaliação dos reguladores de Estados Unidos – Food and Drug Administration (FDA) — e da União Europeia — Agência Europeia do Medicamento (EMA). No entanto, uma decisão sobre a sua eventual autorização em solo americano pode acontecer ainda no final deste mês, quando um painel de peritos independentes se reunir para examinar a segurança e eficácia do molnupiravir.

A companhia farmacêutica, que desenvolveu o tratamento em parceria com o laboratório Ridgeback Biotherapeutic, anunciou também que os fornecimentos iniciais serão limitados, uma vez que grande parte da capacidade de produção até ao final deste ano – estimada em 10 milhões de esquemas terapêuticos – já foi adquirida por diversos governos a nível mundial.

Inicialmente concebido como uma potencial terapia da gripe e com financiamento do governo americano, este medicamento foi reorientado em 2020 por investigadores da Universidade Emory, no estado da Geórgia, para um possível tratamento da covid-19, sendo então licenciado para desenvolvimento por Ridgeback Biotherapeutic e Merck.

A ação do molnupiravir visa uma enzima que o SARS-CoV-2 usa para se reproduzir, inserindo erros no seu código genético que retardam a capacidade de se espalhar e tomar conta de células humanas. Essa atividade genética levou peritos independentes a questionar se o fármaco poderia eventualmente causar mutações conducentes a defeitos de nascença ou tumores, mas a Merck frisou que o fármaco é seguro quando utilizado segundo as instruções.

A farmacêutica anunciou ainda na última semana a sua permissão para que outros fabricantes possam produzir o seu comprimido, numa tentativa de ajudar milhões de pessoas em países mais pobres e com pouco acesso às vacinas.

O Medicines Patent Pool, um grupo apoiado pelas Nações Unidas, revelou que a Merck não vai receber royalties por este acordo enquanto a covid-19 for considerada uma emergência global pela Organização Mundial da Saúde.

De acordo com os especialistas, um comprimido antiviral que reduz sintomas e acelera a recuperação pode revelar-se essencial no combate à pandemia, ao aliviar a sobrecarga dos hospitais e ajudar a travar surtos em países mais pobres e com sistemas de saúde frágeis.

https://zap.aeiou.pt/primeiro-comprimido-contra-covid-19-442628

 

Novo teste promete detetar sinais de Alzheimer em cinco minutos !


Investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, criaram um teste de rastreio para detetar sinais de demência precoce.

Após milhões de anos de evolução, o nosso cérebro herdou uma forte capacidade de reagir quando avistamos animais. Agora, cientistas ligados à Universidade de Cambridge, em Inglaterra, estão a usar esse instinto para detetar sinais de demência.

O Alzheimer é a forma mais comum de demência — que se caracteriza pela deterioração de funções cognitivas, como a memória e o aprendizado — e está por trás de 60 a 70% dos casos de demência que atingem 55 milhões de pessoas no planeta, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em 2050, de acordo com estimativas da OMS, este número deverá chegar a 139 milhões, escreve a BBC.

Criada por investigadores de Cambridge, a empresa Cognetivity Neurosciences desenvolveu um teste digital com duração de cinco minutos, baseado em inteligência artificial, que deteta sinais do declínio cognitivo a partir de imagens de animais mostradas num tablet.

Algumas fotos são menos óbvias do que outras e o objetivo do teste passa por confirmar se cada imagem corresponde a um animal, ou não. Depois, o aplicativo mostra uma pontuação, que pode ser um alerta do declínio cognitivo.

Os fundadores da Cognetivity, Sina Habibi e Seyed-Mahdi Khaligh-Razavi, contam no site da empresa que estavam a lidar com casos de demência na família quando começaram a procurar soluções para o seu diagnóstico porque os seus parentes “foram diagnosticados tarde demais para conter as consequências devastadoras da doença”.

Apesar de o teste não fazer um diagnóstico, tem a função de rastreio, o que significa que dá indícios de um possível problema, que deve então ser investigado por um especialista.

A Cognetivity obteve permissão da agência norte-americana, Food and Drug Administration (FDA), para comercializar o teste e também já obteve autorização do Reino Unido.

O valor de mercado da empresa pode chegar a 11,4 mil milhões de dólares até 2026.

Em entrevista à BBC News Brasil, Sina Habibi afirmou que a empresa está “ativamente à procura de parcerias” para entrar no mercado brasileiro.

Os investigadores defendem que o teste, chamado Integrated Cognitive Assessment (ICA), se diferencia de outros porque os testes de rastreio de demência são normalmente feitos com papel e caneta — é pedido aos pacientes que desenhem, deem nomes a objetos ilustrados e decifrem códigos de desenhos e números.

Além disso, tem potencial “global” por ser independente de idiomas, ultrapassando as barreiras linguísticas ou de diferentes níveis de educação, e por poder ser usado digitalmente por qualquer pessoa — não precisa de ser supervisionado por um médico.

“O ICA pode, certamente, ser usado para rastrear o comprometimento em pessoas que têm alguma preocupação sobre a sua cognição. Precisamos de incentivar o controlo de pessoas com fatores de risco (como casos na família), e o teste pode ser uma ferramenta valiosa para esse fim”, disse Habibi.

A equipa de investigadores envolvidos no projeto têm publicado, desde 2013, estudos sobre o método desenvolvido e os seus resultados em revistas científicas como a Scientific Reports e a BMC Neurology Journal.

No estudo mais recente, publicado em julho na Frontiers in Psychiatry, o método foi testado em 230 pessoas — 95 consideradas saudáveis e 135 que tinham Alzheimer ou declínio cognitivo suave.

Os resultados do ICA mostraram-se semelhantes aos de outros testes já comummente usados para verificar o declínio cognitivo, como a Avaliação Cognitiva de Montreal (MoCA, na sigla em inglês) e o Exame Cognitivo de Addenbrooke (ACE). Mas, de acordo com o artigo, a capacidade de detecção do ICA não depende do nível educacional.

Em 2019, um estudo publicado na Scientific Reports comparou o ICA com mais cinco testes cognitivos padrão e mostrou também a sua vantagem relativamente aos níveis de escolaridade.

“O teste ICA beneficia de milhões de anos de evolução humana — e da forte reação do cérebro humano aos estímulos de animais. Observadores humanos são muito bons em reconhecer se imagens rapidamente expostas, em flashes, contêm um animal”, diz um trecho do artigo científico.

Ainda que já esteja a ser comercializado em alguns países, o teste continua sob estudo. Atualmente, está a ser usado em centros de pesquisa do sistema público de saúde britânico, o National Health Service (NHS).

Para que o teste possa ser utilizado em locais com poucos recursos, Sina Habibi, da Cognetivity, afirmou que a empresa está a desenvolvee uma versão em formato de site, para pessoas e unidades de saúde que não tenham acesso a um tablet.

https://zap.aeiou.pt/teste-deteta-sinais-alzheimer-5-minutos-442307

 

Cientistas descobriram uma característica inesperada da Grande Mancha Vermelha de Júpiter !


A Grande Mancha Vermelha de Júpiter pode estender-se ainda mais fundo na atmosfera do planeta, ou seja, é ainda mais profunda do que os cientistas pensavam.

A Grande Mancha Vermelha é uma tempestade de grandes dimensões na atmosfera de Júpiter e uma das suas características mais distintivas. A Juno, uma sonda espacial da NASA que está em órbita do planeta, passou por ela duas vezes em 2019 e, agora, os dados desses voos estão a fornecer novos detalhes deste anticiclone.

Segundo os cientistas da agência espacial norte-americana, parece que a Grande Mancha Vermelha se estende de 200 a 500 quilómetros, ou seja, muito abaixo das nuvens de Júpiter.

“Acho que a maioria da comunidade científica pensava que a Grande Mancha Vermelha tinha pouca profundidade. Havia quem pensasse que parava nas primeiras camadas da atmosfera e quem pensasse que talvez fosse até ao centro do planeta. Na verdade, foi surpreendente vê-la ir tão fundo”, disse, numa conferência de imprensa na passada quinta-feira, Marzia Parisi, investigadora do Jet Propulsion Laboratory da NASA, citada pelo site Business Insider.

Mesmo assim, a altura deste vórtice não é nada quando comparada com a sua largura: cerca de 16 mil quilómetros de diâmetro, ou seja, 1,3 vezes a largura do nosso planeta Terra.

“É uma espécie de uma panqueca porque é muito larga na parte superior, mas é também uma panqueca muito mais espessa do que o que tínhamos antecipado”, disse, no mesmo briefing, Scott Bolton, investigador que coordena a equipa Juno no Southwest Research Institute e um dos autores do estudo publicado, a 28 de outubro, na revista científica Science.

Misteriosamente, as correntes de ar que cercam a Grande Mancha Vermelha estendem-se de forma ainda mais profunda: cerca de três mil quilómetros abaixo da superfície das nuvens do planeta. Porém, os investigadores não sabem ao certo por que motivo. “Obviamente, existe alguma coisa a 500 quilómetros que está a limitar a circulação da Grande Mancha Vermelha”, disse Parisi.

A Grande Mancha Vermelha está constantemente a mudar. Além de já se ter percebido que está a encolher, no início deste mês uma equipa de investigadores também mostrou que os seus ventos estão a acelerar lentamente.

https://zap.aeiou.pt/caracteristica-inesperada-grande-mancha-vermelha-442050

 

Orbital Reef - A próxima missão de Bezos é uma estação espacial comercial !

A Blue Origin e a Sierra Space querem construir a sua própria estação espacial comercial. Com o nome Orbital Reef, será um porto seguro para investigadores, clientes e visitantes internacionais.

A Blue Origin está a cooperar com a Sierra Space no desenvolvimento de uma estação espacial comercial.

A Orbital Reef, um autêntico parque empresarial de uso misto no Espaço, estará aberta a uma grande variedade de clientes internacionais.

“Durante mais de 60 anos, a NASA e outras agências espaciais desenvolveram voos espaciais orbitais e habitações espaciais, preparando-nos para negócios comerciais a arrancar já nesta década”, começou por dizer Brent Sherwood, vice-presidente dos Programas Avançados de Desenvolvimento da Blue Origin, citado pelo New Atlas

“Vamos expandir o acesso, baixar o custo e fornecer todos os serviços e comodidades necessárias para normalizar o voo espacial”, sublinhou.

O objetivo é “fazer crescer um ecossistema empresarial vibrante em baixa órbita terrestre, produzindo novas descobertas, novos produtos, novos divertimentos e uma consciência global”.

Com capacidade para albergar dez pessoas, a estação terá áreas distintas de lazer, habitação e de trabalho científico, além de várias portas, módulos e nichos destinados a servir diferentes tipos de utilizadores.

Na lista de potenciais clientes estão agências espaciais, órgãos de comunicação social, agências de viagens, empresários, investidores ou tecnológicas.

Os detalhes do satélite ainda não foram revelados, mas sabe-se que os módulos do núcleo de grande diâmetro e o sistema de lançamento New Glenn que os colocará em órbita serão construídos pela Blue Origin.

Já a Sierra Space vai fornecer um módulo de Grande Ambiente Flexível Integrado (LIFE), um módulo de nó e um avião espacial Dream Chaser para transportar a tripulação, mantimentos e cargas úteis de e para a Terra.

A empresa de Jeff Bezos não revelou quanto irá custar esta iniciativa, mas garante que está preparada para oferecer soluções completas para quem queira usar a estação, com transporte, aluguer de espaço, assistência tecnológica para o hardware e serviços robotizados.

Além da Blue Origin e da Sierra Space, o projeto da Orbital Reef conta ainda com a colaboração de outros nomes como a Boeing, a Redwire Space, a Genesis Engineering Solutions e a Universidade do Arizona.

https://zap.aeiou.pt/orbital-reef-a-estacao-espacial-comercial-441717


Quase todos os genes humanos estão ligados ao cancro — E isso pode ser uma dificuldade na procura de curas !


Investigador português da Universidade de Liverpool considera que deve existir uma separação entre os genes que podem ser de forma circunstancial relacionados com a doença cancerígena e os que estão efetivamente ligados ao seu aparecimento.

Uma análise detalhada à investigação científica revelou que quase nove em dez genes humanos foram mencionados em pelo menos um estudo relacionado com cancro num passado recente — sendo provável que aqueles que ainda não foram mencionados venham ainda a ser. Isto torna a procura por tratamentos muito difícil, já que faz com que seja difícil encontrar um gene que seja a verdadeira causa genética da doença — tal como outras causas para outros problemas de saúde.

Esta conclusão foi possível através de uma pesquisa que compilou os resultados do PubMed, um motor de busca que consegue catalogar dezenas de milhões de artigos académicos sobre as ciências da vida e biomédica, às vezes com mais de 50 anos.

“O cancro é o tópico mais estudado nas ciências biomédicas e biológicas”, explica o especialista em microbiologista João Pedro Martins, um português que atualmente desenvolve investigação na Universidade de Liverpool. “No entanto, a grande quantidade de dados reunidos mostram que há muita mais informação sobre os genes associados ao cancro do que os genes associados a outra qualquer doença ou processo.” 

Atualmente, cerca de quatro milhões das mais de 30 milhões de publicações mencionam a palavra “cancro”. Se compararmos com os números atribuídos à palavra “enfarte“, com cerca de 350 mil artigos associados, é possível ter noção da dimensão do fenómeno e da preponderância que a doença tem na investigação científica .

Um número tão elevado de publicações científicas sobre uma doença é naturalmente positivo para os avanços na área e na procura por uma solução para a doença, no entanto, também representa uma dificuldade acrescida no que respeita às suas ligações genéticas. Por outras palavras, um retrato tão real e autêntico dos genes que estão efetivamente ligados ao aparecimento de cancro pode facilmente diluir-se no sem número de genes com os quais pode ser estabelecida uma relação circunstancial ou por outros motivos.

Muitas das investigações não apontam, por exemplo, uma associação causal entre um género em particular e o cancro, mas sugerem que os genes foram estudados num contexto de investigação da doença cancerígena. De acordo com o Science Alert, isto pode originar dilemas (e até erros) entre os cientistas sobre o que devem estudar de seguida.

“O estudo de quase todos os genes humanos pode ser justificado pela literatura existente que explica a sua potencial relevância para o cancro”, explica João Pedro de Magalhães. “Perceber o porquê de estas incorreções acontecerem e corrigi-las é uma tarefa de extrema importância para aumentar o valor do conhecimento que resulta da investigação e, simultaneamente, as previsões que são feitas.”

Neste momento, é um dado quase adquirido e consumado entre os cientistas que uma em cada duas pessoas serão diagnosticadas com cancro ao longo da sua vida, contudo, não há sinais que todos os esforços académicos direcionados para esta área esteja a ter algum sucesso — mesmo que, no âmbito da saúde, seja a que mais recursos e atenção mereça. Há mesmo quem aponte que o cancro é a área da biomédica em que mais fácil é desenvolver investigação, dado o número de informação e recursos laboratoriais disponíveis. No que respeita às verbas, estas também ultrapassam também as destinadas às outras áreas de pesquisa, apesar de serem aplicadas de forma heterogénea entre os diferentes tipos de cancro.

De acordo com o investigador português, se neste momento existe um gene humano que ainda não foi relacionado com o cancro é porque esse gene ainda não foi estudado o suficiente — sendo apenas uma questão de tempo até a ciência lá chegar.

Apesar de, como referido anteriormente, a investigação científica ser primordial na descoberta de novos tratamentos e até da possível cura para o cancro, os investigadores devem ter noção que um número tão elevado de artigos académicos a relacionar a doença com a genética pode enviesar o seu trabalho erradamente. “Num mundo científico em que tudo e todos os genes podem ser associados com o cancro, o desafio é determinar quais são os determinantes no aparecimento do cancro e quais são os mais promissores a configurarem alvos terapêuticos“, explicou João Pedro de Magalhães.

https://zap.aeiou.pt/quase-todos-os-genes-humanos-estao-ligados-ao-cancro-e-isso-pode-ser-uma-dificuldade-na-procura-de-curas-442058


quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Nipah - Pode o vírus causar a próxima pandemia ?


Poderá o vírus Nipah ser uma possível ameaça de pandemia semelhante ao SARS-CoV-2, o coronavírus causador da covid-19? Embora haja um ligeiro risco, a probabilidade é reduzida.

As consequências graves e devastadoras da pandemia de coronavírus foram, sem dúvida, agravadas por uma falta substancial de preparação para a pandemia, com exceção do Leste e Sudeste Asiático, que criaram defesas após a sua experiência com a SARS em 2003. Portanto, é crucial que os governos comecem a desenvolver estratégias para nos proteger se outros vírus mortais surgirem.

Um recente surto do vírus Nipah na Índia levantou a questão de saber se devemos começar a considerá-lo uma ameaça futura e procurar construir o nosso arsenal de defesas agora.

O rápido desenvolvimento de vacinas contra o novo coronavírus, SARS-CoV-2, proporcionou uma saída para esta pandemia. Portanto, se vacinas para outros vírus potencialmente perigosos pudessem ser desenvolvidas e armazenadas, elas poderiam ser lançadas assim que qualquer novo surto fosse detetado. Estaríamos assim um passo à frente e uma pandemia poderia ser evitada.

Esta abordagem é louvável — mas assume que os vírus com potencial pandémico podem ser identificados com antecedência, o que não é fácil de fazer. E também corre o risco de que uma mentalidade “não se preocupe, há uma vacina” possa fazer com que métodos preventivos mais simples sejam negligenciados.

O vírus Nipah foi identificado pela primeira vez na Malásia em 1998. Casos como a morte recente de um menino em Kerala, na Índia, levantaram preocupações de que pudesse sofrer mutação e aumentar a sua eficiência de transmissão, levando a uma ampla circulação.

Esse cenário é assustador, pois o vírus atualmente tem uma taxa de letalidade de mais de 50% e não há vacina ou tratamento testado e comprovado.

Mas antes de podermos investir recursos no desenvolvimento de vacinas contra o Nipah, precisamos de avaliar se é uma ameaça de pandemia realista. E mesmo que seja, existem outros vírus por aí, por isso devemos entender onde é que deve ser classificado na lista de prioridades.
Avaliar o risco de pandemia de Nipah

Para avaliar o risco, precisamos de observar como é que o vírus se transmite e se replica.

Nipah é um paramixovírus. Está relacionado com um vírus humano, o vírus da parainfluenza humana, um dos poucos vírus que causam a constipação. O seu hospedeiro natural é o morcego, e as grandes e pequenas raposas voadoras que se distribuem pelo sul e sudeste da Ásia. Todos os casos de infeção humana com o vírus Nipah até ao momento foram devido ao contacto direto ou indireto com morcegos infetados.

A infeção em morcegos passa despercebida. O vírus é excretado na urina, o que garante a transferência dentro e entre as colónias.

Frutas ou sumo de frutas contaminadas pela urina de morcego são a principal via de transmissão do vírus para as pessoas.

Um estudo em Bangladesh, onde surtos regulares do vírus Nipah ocorrem entre o seu povo, sugere que a densidade populacional de morcegos, a prevalência do vírus e as pessoas que bebem seiva de tamareira são os principais fatores que explicam o padrão de transmissão. Os morcegos contaminam a seiva enquanto ela é extraída da tamareira e depois é consumida localmente.

Esta é uma descoberta importante. Como vimos com o SARS-CoV-2, os vírus de melhor transmissão evoluem enquanto o vírus está a circular entre os seus hospedeiros humanos, não animais. Portanto, manter o número de infeções em pessoas ao mínimo não apenas minimiza a taxa de mortalidade do próprio Nipah, mas também reduz a probabilidade de adaptação do vírus. Pare a transmissão e interromperá a ameaça de pandemia.

Nos casos de infeção humana, até agora, a disseminação foi limitada apenas a contactos próximos do indivíduo infetado, como membros da família ou, se a pessoa estiver hospitalizada, funcionários do hospital.

A transmissão geral não ocorre, principalmente porque as proteínas que o vírus Nipah usa para entrar nas células, os recetores, estão concentradas no cérebro e nos tecidos nervosos centrais.

A infeção por Nipah leva à morte por encefalite aguda na maioria dos casos, uma vez que o vírus replica-se melhor nos tecidos, onde é fácil para o vírus entrar nas células.

É claro que um indivíduo muito doente terá vírus em todo o lado, mas como no ébola, o vírus não é transmitido de forma eficiente pela via respiratória e requer toque ou transferência de fluidos corporais. O contacto muito próximo é necessário para infetar outra pessoa.

A probabilidade de o vírus mudar para se replicar no trato respiratório superior, de onde certamente seria mais transmissível, é pequena e, embora não exclua o potencial pandémico, diminui significativamente a sua probabilidade.

É caso para inventar uma vacina contra o Nipah, mas mais para uso de emergência em pessoas em contacto com um caso primário do que para uma campanha de vacinação em geral.

https://zap.aeiou.pt/nipah-pode-o-virus-causar-a-proxima-pandemia-441136


 

Usando a quimica para encontrar oceanos ocultos em mundos distantes !


Um novo estudo mostra como as substâncias químicas na atmosfera de um exoplaneta podem, em alguns casos, revelar se a temperatura à sua superfície é demasiado alta para água líquida.

No nosso Sistema Solar, os planetas ou são pequenos e rochosos (como a Terra) ou grandes e gasosos (como Neptuno). Mas, em torno de outras estrelas, os astrónomos encontraram planetas que se situam no meio – mundos ligeiramente maiores do que a Terra, mas mais pequenos do que Neptuno. Estes planetas podem ter superfícies rochosas ou oceanos de água líquida, mas a maioria provavelmente terá atmosferas muitas vezes mais espessas que a da Terra e opacas.

No novo estudo, aceite na revista The Astrophysical Journal Letters, investigadores mostram como a química dessas atmosferas pode revelar pistas sobre o que está por baixo – especificamente, que planetas são quentes demais para suportar oceanos de água líquida. Visto que a água líquida é um ingrediente necessário para a vida como a conhecemos, esta técnica pode ajudar os cientistas a restringir a sua busca por exoplanetas potencialmente habitáveis, ou planetas para lá do Sistema Solar. Já foram confirmados mais de 4500 exoplanetas na nossa Galáxia, com mais de 7700 candidatos ainda à espera de confirmação, mas os cientistas estimam que existam centenas de milhares de milhões.

Alguns telescópios espaciais equipados com espectrómetros podem revelar a composição química da atmosfera de um exoplaneta. Um perfil químico da Terra não seria capaz de revelar fotos de, digamos, vacas ou humanos à superfície do planeta, mas mostraria dióxido de carbono e metano produzidos por mamíferos e oxigénio produzido por árvores. Nenhum destes elementos químicos, por si só, seria um sinal de vida, mas em combinação apontariam para a possibilidade de que o nosso planeta seria habitado.

O novo artigo científico mostra que elementos químicos podem apontar para oceanos ocultos em exoplanetas entre 1,7 e 3,5 vezes o diâmetro da Terra. Dado que Neptuno tem aproximadamente 4 vezes o diâmetro da Terra, estes planetas são às vezes chamados “sub-Neptunos”. 
Uma espessa atmosfera num sub-Neptuno reteria o calor à superfície e aumentaria a temperatura. Se a atmosfera atingir um certo limite – normalmente cerca de 770º C – passará por um processo chamado equilíbrio termoquímico que muda o seu perfil químico. Depois do equilíbrio termoquímico ocorrer – e assumindo que a atmosfera do planeta é composta principalmente de hidrogénio, o que é típico para exoplanetas gasosos – o carbono e o azoto estarão predominantemente na forma de metano e amónia.

Estas substâncias químicas estariam em grande parte em falta numa atmosfera mais fria e fina, onde o equilíbrio termoquímico não ocorreu. Nesse caso, as formas dominantes de carbono e azoto seriam o dióxido de carbono e moléculas com dois átomos de azoto.

De acordo com o estudo, um oceano de água líquida sob a atmosfera deixaria sinais adicionais, incluindo a ausência quase total de amónia, que seria dissolvida no oceano. O gás amónia é altamente solúvel em água, dependendo do pH do oceano (o seu nível de acidez). Os investigadores descobriram que, ao longo de uma ampla gama de níveis plausíveis de pH oceânico, a atmosfera deveria estar virtualmente livre de amónia quando há um enorme oceano por baixo.

Além disso, haveria mais dióxido de carbono do que monóxido de carbono na atmosfera; em contraste, após o equilíbrio termoquímico, deveria haver mais monóxido de carbono do que dióxido de carbono, a haver quantidades detetáveis de qualquer um destes compostos.

“Se virmos as assinaturas do equilíbrio termodinâmico, vamos concluir que o planeta é demasiado quente para ser habitável,” disse Renyu Hu, investigador no JPL da NASA, que liderou o estudo. “E vice-versa, se não virmos a assinatura do equilíbrio termoquímico e virmos também as assinaturas do gás dissolvido num oceano de água líquida, vamos considerá-las como um forte indício de habitabilidade.”

O Telescópio Espacial James Webb da NASA, com lançamento previsto para o dia 18 de dezembro, vai transportar um espectrómetro capaz de estudar as atmosferas exoplanetárias. Cientistas como Hu estão a trabalhar para prever que tipos de perfis químicos o Webb conseguirá ver nestas atmosferas e o que podem revelar sobre estes mundos distantes. O observatório tem capacidade para identificar sinais de equilíbrio termoquímico nas atmosferas dos sub-Neptunos – por outras palavras, sinais de um oceano escondido – conforme identificado no artigo científico.

À medida que o Webb descobrir novos planetas ou fizer estudos mais aprofundados de planetas conhecidos, esta informação poderá ajudar os cientistas a decidir quais são dignos de observações adicionais, especialmente se os cientistas querem ter como alvo planetas que possam abrigar vida.

“Não temos evidências observacionais diretas que digam quais as características físicas comuns dos sub-Neptunos,” disse Hu. “Muitos deles podem ter atmosferas massivas de hidrogénio, mas alguns ainda podem ser ‘planetas oceânicos’. Espero que este artigo científico motive muitas mais observações para, num futuro próximo, as descobrir.”

https://zap.aeiou.pt/como-encontrar-oceanos-ocultos-em-mundos-distantes-usa-se-a-quimica-442099




Um pequeno telescópio poderia resolver alguns mistérios do Universo melhor do que os gigantes !


Um pequeno telescópio no Espaço, para lá de Saturno, pode resolver mistérios do Universo que alguns dos maiores telescópios não conseguem desvendar.

Dezenas de telescópios no Espaço operam perto da Terra e fornecem imagens incríveis do Universo. Mas imagine-se um telescópio distante no Sistema Solar exterior, 10 ou mesmo 100 vezes mais longe do Sol do que a Terra. A capacidade de olhar para trás no nosso Sistema Solar ou vislumbrar a escuridão do cosmos distante tornaria isso uma ferramenta científica excecionalmente poderosa.

A força científica de um telescópio distante da Terra viria principalmente da sua localização, não do seu tamanho. Planos para um telescópio no Sistema Solar externo colocariam-no em algum lugar além da órbita de Saturno, a mais de mil milhões de quilómetros da Terra.

Só precisaríamos de enviar um telescópio muito pequeno para obter alguns insights astrofísicos verdadeiramente únicos. Tal telescópio poderia ser construído para pesar menos de nove quilos e poderia ser carregado em praticamente qualquer missão a Saturno ou até mais longe.

Embora pequeno e simples em comparação com telescópios como Hubble ou James Webb, tal instrumento a operar longe da luz brilhante do Sol poderia fazer medições que são difíceis ou totalmente impossíveis de um ponto de vista próximo à Terra.

Infelizmente para os astrónomos, tirar uma selfie do Sistema Solar é um desafio. Mas ser capaz de ver o Sistema Solar de um ponto de vista externo revelaria muitas informações, em particular sobre a forma, distribuição e composição da nuvem de poeira que envolve o sol.

Imagine-se um poste de luz numa noite de nevoeiro — estando longe do poste, as névoas são visíveis de uma forma que alguém parado sob a luz da rua nunca poderia ver.

Durante anos, os astrofísicos conseguiram obter imagens e estudar os discos de poeira nos sistemas solares em torno de outras estrelas da Via Láctea. Mas essas estrelas estão muito distantes e há limites para o que os astrónomos podem aprender sobre elas.

Usando observações voltadas para o sol, os astrónomos puderam comparar a forma, as características e a composição dessas nuvens de poeira distantes com dados detalhados do próprio Sistema Solar da Terra. Esses dados preencheriam lacunas no conhecimento sobre as nuvens de poeira solar e permitiriam entender a história da produção, migração e destruição da poeira noutros sistemas solares para os quais não há esperança de viajar.
Escuridão profunda do Espaço

Outro benefício de colocar um telescópio longe do sol é a falta de luz refletida. O disco de poeira no plano dos planetas reflete a luz do Sol de volta à Terra. Isso cria uma névoa que é entre 100 e 1.000 vezes mais brilhante do que a luz de outras galáxias e obscurece a visão do cosmos próximo à Terra. Enviar um telescópio para fora dessa nuvem de poeira colocaria-o numa região muito mais escura do Espaço, tornando mais fácil medir a luz vinda de fora do Sistema Solar.

Uma vez lá, o telescópio pode medir o brilho da luz ambiente do Universo numa ampla gama de comprimentos de onda. Isso poderia fornecer informações sobre como a matéria se condensou nas primeiras estrelas e galáxias. Também permitiria aos investigadores testar modelos do Universo, comparando a soma prevista de luz de todas as galáxias com uma medição precisa. Discrepâncias podem apontar para problemas com modelos de formação de estruturas no Universo ou talvez para uma nova física exótica.

Finalmente, aumentar a distância de um telescópio do Sol também permitiria aos astrónomos fazer ciência única que tira proveito de um efeito chamado lente gravitacional, em que um objeto maciço distorce o caminho que a luz toma à medida que passa por um objeto.

Um uso das lentes gravitacionais é procurar e pesar planetas invasores. Uma vez que planetas invasores não emitem luz por conta própria, os astrofísicos podem observar o seu efeito na luz das estrelas de fundo. Para diferenciar entre a distância do objeto de lente e a sua massa, são necessárias observações de um segundo local longe da Terra.

Mas talvez o uso mais interessante de um telescópio no Sistema Solar exterior seja o potencial de usar o campo gravitacional do próprio sol como uma lente gigante. Este tipo de medição pode permitir aos astrofísicos mapear planetas noutros sistemas estelares. Talvez um dia sejamos capazes de ver continentes num planeta parecido com a Terra ao redor de uma estrela distante.

https://zap.aeiou.pt/um-pequeno-telescopio-poderia-resolver-alguns-misterios-do-universo-melhor-do-que-os-gigantes-442061


O mesmo cheiro e o mesmo sabor. Cientistas produzem café em laboratório – E o resultado foi um sucesso !

Um grupo de cientistas produziu células de café num biorreator, com recurso à agricultura celular. Desta forma, a equipa garante que a produção de café pode tornar-se mais sustentável.

A experiência foi realizada com sucesso. De acordo com o Centro de Pesquisa Técnica VTT da Finlândia, onde a pesquisa foi realizada, os primeiros lotes deste café inovador têm o mesmo cheiro e o mesmo sabor que o café convencional.

Segundo relatam os investigadores, numa altura em vão surgindo cada vez mais desafios de sustentabilidade relacionados à cafeicultura tradicional, há uma necessidade urgente de adotar formas alternativas de produção de café. Devido à elevada procura por este produto, é urgente uma extensão das áreas agrícolas para que seja possível produzir grãos de café suficientes. Contudo, esta necessidade pode levar a um aumento radical da desflorestação, principalmente em áreas sensíveis da floresta tropical.

Agora, e com vista a pôr fim a estes problemas, a VTT está a desenvolver a produção de café através de células vegetais no seu laboratório na Finlândia.

“Este projeto tem sido parte do nosso esforço para desenvolver a produção biotecnológica de alimentos básicos do dia-a-dia, tradicionalmente produzidos pela agricultura. Para isso, usamos muitos hospedeiros diferentes, como micróbios, mas também células vegetais”, afirma Heiko Rischer, líder da equipa de pesquisa, em comunicado.

O trabalho começou por recorrer a culturas de células de café, estabelecendo respetivas linhas em laboratório e transferindo-as para biorreatores para começar a produzir biomassa. Após as análises de biomassa, foi desenvolvido um processo de torrefação e o novo café foi finalmente avaliado pelo painel sensorial treinado da VTT. Todo o procedimento exigiu contribuições de vários especialistas das áreas de biotecnologia vegetal, química e ciência alimentar.

“Em termos de cheiro e sabor, o nosso painel percebeu que o perfil da bebida tinha semelhanças com o café normal. No entanto, a preparação do café é uma arte e envolve otimização iterativa sob a supervisão de especialistas”, refere Rischer.

Atualmente, todo o café produzido em laboratório representa apenas um alimento experimental, pois exigiria a aprovação regulamentar da FDA para ser comercializado e vendido a consumidores nos Estados Unidos. Na Europa, o café cultivado em laboratório deverá primeiro ser aprovado como um novo alimento antes de ser colocado no mercado.

“A experiência de beber o primeiro copo foi empolgante. Estimo que demore apenas quatro anos para aumentar a produção e ter a aprovação. A cultura de células vegetais requer conhecimentos específicos na hora de dimensionar e otimizar o processo. O pós-processamento e a formulação do produto, junto com a aprovação e a introdução no mercado, são etapas adicionais no caminho para um produto comercial. Dito isso, agora mostramos que o café cultivado em laboratório pode ser uma realidade”, diz Rischer.

O projeto, escreve o Cienciaplus, está de acordo com os objetivos de pesquisa estratégica da VTT para resolver os maiores desafios do mundo. A agricultura celular é um dos caminhos para uma produção de alimentos mais sustentável.

https://zap.aeiou.pt/cafe-em-laboratorio-foi-sucesso-441101

Cientistas mediram a atmosfera de um planeta a 340 anos-luz de distância !

Impressão de artista de um "Júpiter quente".
Uma equipa internacional de cientistas, usando o Observatório Gemini no Chile, é a primeira a medir diretamente a quantidade de água e monóxido de carbono na atmosfera de um exoplaneta a cerca de 340 anos-luz de distância.

A equipa foi liderada pelo professor assistente Michael Line, da Escola de Exploração da Terra e do Espaço da Universidade do Estado do Arizona, e os resultados foram publicados recentemente na revista Nature.

Existem milhares de planetas conhecidos para lá do nosso Sistema Solar. Os cientistas usam telescópios espaciais e terrestres para examinar como estes exoplanetas se formam e como são diferentes dos planetas do nosso próprio Sistema Solar.

Para este estudo, Line e a sua equipa focaram-se no planeta “WASP-77Ab”, um tipo de exoplaneta chamado “Júpiter quente” porque é semelhante ao planeta Júpiter no nosso Sistema Solar, mas com uma temperatura acima dos 1000º C.

Depois, concentraram-se em medir a composição da sua atmosfera para determinar quais os elementos presentes, em comparação com a estrela que orbita.

“Por causa dos seus tamanhos e temperaturas, os Júpiteres quentes são laboratórios excelentes para medir gases atmosféricos e testar as nossas teorias de formação planetária,” disse Line, citado em comunicado da Universidade do Arizona.

Embora ainda não possamos enviar naves a planetas para lá do nosso Sistema Solar, os cientistas podem estudar a luz destes exoplanetas com telescópios. Os telescópios que usam para estudar esta luz podem estar no espaço, como o Telescópio Espacial Hubble, ou no solo, como os telescópios do Observatório Gemini.

Line e a sua equipa estiveram amplamente envolvidos na medição das composições atmosféricas de exoplanetas com o Hubble, mas obter estas medições foi um desafio. Não só existe forte competição por tempo de telescópio, como os instrumentos do Hubble apenas medem água (ou oxigénio) e a equipa precisava também de recolher medições do monóxido de carbono (ou carbono).

Foi aqui que a equipa se virou para o telescópio Gemini South.

“Precisávamos de tentar algo diferente para responder às nossas perguntas,” disse Line. “E a nossa análise das capacidades do Gemini South indicava que poderíamos obter medições atmosféricas ultraprecisas.”

O Gemini South é um telescópio com 8,1 metros de abertura localizado numa montanha dos Andes chilenos chamada Cerro Pachón, onde o ar muito seco e a cobertura insignificante de nuvens o tornam um local privilegiado para o telescópio. É operado pelo NOIRLab (National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory) da NSF (National Science Foundation).

Usando o Gemini South com um instrumento chamado IGRINS (Immersion GRating INfrared Spectrometer), a equipa observou o brilho térmico do exoplaneta enquanto orbitava a sua estrela hospedeira. A partir deste instrumento, recolheram informações sobre a presença e as quantidades relativas de diferentes gases na sua atmosfera.

Tal como os satélites meteorológicos e climáticos que são usados para medir a quantidade de vapor de água e dióxido de carbono na atmosfera da Terra, os cientistas podem usar espectrómetros e telescópios, como o IGRINS no Gemini South, para medir as quantidades de diferentes gases noutros planetas.

“Tentar descobrir a composição das atmosferas exoplanetárias é como tentar resolver um crime com impressões digitais,” explicou Line. “Uma impressão digital borrada realmente não restringe muito, mas uma impressão digital boa e limpa fornece um identificador exclusivo de quem cometeu o crime.”

Enquanto o Telescópio Espacial Hubble forneceu à equipa talvez uma ou duas impressões digitais difusas, o IGRINS no Gemini South deu à equipa um conjunto completo de impressões digitais perfeitamente claras.

E com medições claras de água e monóxido de carbono na atmosfera de WASP-77Ab, a equipa foi então capaz de estimar as quantidades relativas de oxigénio e carbono na atmosfera do exoplaneta.

“Estes valores estavam em linha com as nossas expetativas e são quase iguais aos da estrela-mãe,” salientou Line.

A obtenção de abundâncias ultraprecisas de gás em atmosferas exoplanetárias não somente é uma conquista técnica importante, especialmente com um telescópio no solo, como também pode ajudar os cientistas a procurar vida noutros planetas.

“Este trabalho representa uma demonstração pioneira de como iremos, em última análise, medir bioassinaturas como oxigénio e metano em mundos potencialmente habitáveis num futuro não muito distante,” disse Line.

O que Line e a equipa esperam fazer a seguir é repetir esta análise para muitos mais planetas e construir uma “amostra” de medições atmosféricas com pelo menos mais 15 planetas.

“Estamos agora no ponto em que podemos obter precisões de abundâncias de gás comparáveis às dos planetas no nosso próprio Sistema Solar. Medir a abundância de carbono e oxigénio (e outros elementos) nas atmosferas de uma amostra maior de exoplanetas fornece o contexto muito necessário para a compreensão das origens e da evolução dos nossos próprios gigantes gasosos como Júpiter e Saturno,” disse Line.

Os astrónomos também aguardam ansiosamente o que os futuros telescópios serão capazes de oferecer.

“Se podemos fazer isto com a tecnologia de hoje, pensemos no que seremos capazes de fazer com telescópios de próxima geração como o GMT (Giant Magellan Telescope),” disse Line.

“É uma possibilidade real, podermos usar este mesmo método até ao final desta década para ‘farejar’ assinaturas potenciais de vida, que também contêm carbono e oxigénio, em planetas rochosos semelhantes à Terra para lá do nosso próprio Sistema Solar.”

https://zap.aeiou.pt/cientistas-mediram-a-atmosfera-de-um-planeta-a-340-anos-luz-de-distancia-441759


Depois de terem caído em desgraça, os quasicristais podem tornar-se comercialmente viáveis !

Tomografia de raios-X mostra dois quase-cristais quando começam a fundir-se durante o arrefecimento.
Uma classe de materiais que iria revolucionar tudo – desde células solares a frigideiras – caiu em desgraça há 20 anos. Agora, pode estar preparada para a ressurreição comercial.

A indústria abandonou os quasicristais “porque estão cheios de defeitos”, revelou Ashwin Shahani, professor na Universidade do Michigan, citado pelo Europa Press. “Esperamos trazer os quasicristais de volta ao mainstream.”

Este novo estudo sustenta que há uma forma de tornar os quasicristais muito maiores, sem as falhas que atormentavam os fabricantes e que levaram a que a estrutura fosse descartada.

Além das imperfeições morfológicas, esta classe de materiais era extremamente instável. Com esta nova descoberta, “esperamos trazer estes materiais de volta ao mercado para que possam ser usados em grande escala”.

Os cristais “curam-se” a si mesmos

Os quasicristais, que têm uma estrutura ordenada mas não os padrões repetitivos dos cristais comuns, podem ser feitos com uma variedade de propriedades: muito duras ou muito escorregadias, que absorvem calor e luz de formas invulgares, que exibem propriedades elétricas exóticas, entre muitas outras possibilidades.

Os fabricantes que começaram a comercializar o material descobriram pequenas fissuras entre os cristais, chamadas limites dos grãos, que estimulam a corrosão e torna os quasicristais suscetíveis a falhar.

Agora, as novas descobertas mostram que, sob certas condições, pequenos quasicristais podem colidir e fundir-se, formando um único grande cristal sem qualquer imperfeição.

“Parece que os cristais se curam a si mesmos após a colisão, transformando um tipo de defeito noutro tipo que eventualmente desaparece completamente”, disse Shahani. “Isto é notável, dado que os quasicristais carecem de periodicidade.”

Os cristais começam como sólidos, medindo uma fração de milímetro, suspensos numa mistura fundida de alumínio, cobalto e níquel. À medida que a mistura arrefece, os minúsculos cristais colidem e fundem-se, transformando-se num quasicristal sem defeitos estruturais.

Apesar desta nova abordagem, a comercialização da tecnologia deve demorar alguns anos.

Ainda assim, é de realçar que esta descoberta abre a porta à fabricação dos quasicristais em escala industrial, com aplicações no desenvolvimento de materiais como isolantes elétricos mais eficientes e aços inoxidáveis mais resistentes.

https://zap.aeiou.pt/quasicristais-comercialmente-viaveis-441471


Mais de 100 países prometem reduzir emissões de metano em 30% até 2030 !

Presidente dos EUA, Joe Biden, fala durante o evento Global Methane Pledge na COP26
No segundo dia, a COP26 conseguiu dois importantes compromissos internacionais. Além de um acordo global para travar a desflorestação, traçaram o objetivo de reduzir em 30% as emissões de metano.

Mais de 100 países, entre eles Portugal. mas também os Estados Unidos e a União Europeia como entidade, comprometeram-se esta terça-feira a reduzir as emissões de metano em 30% até 2030, em comparação com 2020.

A decisão foi anunciada em Glasgow, no Reino Unido, onde decorre até dia 12 a 26.ª cimeira das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP26).

O metano é um gás com poderoso efeito de estufa, muito superior ao mais ‘mediático’ dióxido de carbono, e, segundo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, um dos que podem ser reduzidos mais rapidamente.

“Reduzi-lo abrandaria imediatamente o aquecimento global”, disse Ursula von der Leyen, lembrando que o metano é responsável por cerca de 30% do aquecimento do planeta desde a revolução industrial.

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, salientou também que o metano é “um dos gases com efeito de estufa mais poderosos”, salientando depois que os países signatários do compromisso representam 70% do PIB mundial.

“Hoje, os Estados Unidos, a União Europeia, e parceiros, lançaram formalmente o Global Methane Pledge (Compromisso Global do Metano), uma iniciativa para reduzir as emissões globais de metano e manter possível o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 graus celsius (acima dos valores médios da era pré-industrial). Um total de mais de 100 países, representando 70% da economia global e quase metade das emissões antropogénicas de metano, subscreveram agora o compromisso”, lê-se num comunicado do Governo norte-americano.

Os Estados Unidos e a União Europeia já tinham anunciado em setembro que estavam a trabalhar no acordo, ao qual se juntaram 103 países, entre eles, além de Portugal, o Brasil, o Canadá, a França, a Alemanha, a Indonésia, o México, a Nova Zelândia, a Arábia Saudita ou o Reino Unido, entre outros.

Na nota, os Estados Unidos salientam que os países signatários não só se comprometem em reduzir as emissões de metano como a avançar para a utilização de melhores metodologias de inventário disponíveis para quantificar emissões de metano.

Os Estados Unidos e a União Europeia “também se orgulham de anunciar uma expansão significativa do apoio financeiro e técnico para apoiar a implementação do compromisso. Filantropos globais comprometeram-se com 328 milhões de dólares em financiamento para apoiar o aumento da escala deste tipo de estratégias de mitigação do metano em todo o mundo. O Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, o Banco Europeu de Investimento, e o Fundo Verde para o Clima comprometeram-se a apoiar o acordo através de assistência técnica e financiamento de projetos. A Agência Internacional de Energia servirá também como parceiro de implementação”, diz-se no comunicado.

De acordo com o documento a concretização do Compromisso Global de Metano reduzirá em pelo menos 0,2 graus Celsius o aquecimento global até 2050, “proporcionando uma base fundamental para os esforços globais de mitigação das alterações climáticas”.

Além disso, segundo a Avaliação Global do Metano da Coligação Clima e Ar Limpo (CCAC) e do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), conseguir os objetivos até 2030 do compromisso hoje divulgado evitaria mais de 200.000 mortes prematuras, centenas de milhares de idas a urgências hospitalares relacionadas com a asma, e mais de 20 milhões de toneladas de perdas de colheitas por ano até 2030.

O metano (CH4), emitido pela agricultura e pecuária, combustíveis fósseis e resíduos, é o segundo gás com efeito de estufa mais importante ligado à atividade humana depois do dióxido de carbono (CO2). Ainda que pouco falado, tem um efeito de aquecimento cerca de 29 vezes superior ao CO2 durante um período de 100 anos, e cerca de 82 vezes durante um período de 20 anos.

Especialistas saúdam acordo

Especialistas na área do ambiente saudaram o compromisso assumido na cimeira das Nações Unidas sobre alterações climáticas, encarando-o como sendo muito positivo na luta contra o aquecimento global.

“Cortar as emissões de metano é essencial para se conseguir manter o aquecimento global nas metas pretendidas”, disse Helen Mountford do World Resources Institute.

“Uma ação rápida e forte na redução da emissão de metano iriá trazer inúmeros benefícios para todo o mundo, desde limitar o aquecimento global como melhorar a saúde pública e a qualidade da comida”, acrescentou.

Também para Maria Pastukhova, especialista em energia da organização E3G, um grupo de reflexão europeu, independente, sobre alterações climáticas, o acordo é encorajador.

“O Acordo, feito por países que emitem metade do metano do mundo, é um passo positivo e há muito esperado, pondo em evidência a segunda maior causa do aquecimento global causada pela humanidade. O verdadeiro trabalho começa agora. Antes da COP27, o compromisso tem de conseguir a adesão dos três maiores emissores, China, Rússia, e Índia, apoiados por mecanismos transparentes de governação e monitorização”, afirmou.

China, Rússia, e Índia não se juntaram aos 103 países que assinaram o Compromisso Global para o Metano.

Maria Pastukhova alertou que a indústria do gás, petróleo e carvão devem intensificar esforços para reduzir drasticamente as emissões relacionadas com a energia, mostrando resultados tangíveis nos próximos anos.

A especialista também salientou que a redução das emissões de metano não pode substituir “a necessidade de um esforço global contínuo para reduzir a procura de combustíveis fosseis”, se o mundo quiser alcançar a meta de não deixar que as temperaturas globais subam além de 1,5 graus Celsius em relação à época pré-industrial.

https://zap.aeiou.pt/reduzir-emissoes-de-metano-em-30-442130

 

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Há um estranho buraco negro na Via Láctea com o disco de acreção deformado !

Buraco negro com o disco de acreção deformado
MAXI J1820+070 contém um grande buraco negro, com pelo menos 8 vezes a massa do nosso Sol, com uma enorme deformação no disco de acreção.

Uma equipa internacional de astrónomos encontrou grandes variações no brilho da luz observada perto de um dos buracos negros mais próximos da nossa galáxia, a 9.600 anos-luz da Terra.

O fenómeno é causado por uma enorme deformação no disco de acreção.

De acordo com o Phys, MAXI J1820+070 entrou em “erupção”, uma explosão descoberta em 2018 pelo telescópio de raios-X japonês a bordo da Estação Espacial Internacional (EEI).

O objeto espacial é um sistema duplo composto por uma estrela de baixa massa, semelhante ao nosso Sol, e um objeto mais compacto, como um buraco negro.

MAXI J1820+070 é um dos três fenómenos transientes de raios-X mais brilhantes já observados, sendo uma consequência tanto da sua proximidade à Terra como do facto de estar fora do plano obscurecido da Via Láctea.

“O material da estrela normal é puxado pelo objeto compacto para o seu disco de acreção circundante de gás, movendo-se em espiral. Algumas explosões maciças ocorrem quando o material no disco se torna quente e instável ao se acumular no buraco negro, libertando grandes quantidades de energia antes de atravessar o horizonte de eventos”, explica Phil Charles, investigador da Universidade de Southampton.

“Este processo é caótico e altamente irregular, variando na escala de tempo de milissegundos a meses”, acrescentou.

A equipa simulou o sistema e mostrou que uma enorme emissão de raios-X é libertada de uma área muito perto do buraco negro, irradiando a matéria circundante, especialmente o disco de acreção.

O disco é aquecido até uma temperatura de cerca de 9.726 graus Celsius, que é observada como a luz visível emitida.

O portal relata que, três meses após a explosão, a curva de luz ótica mostrou oscilações significativas durante, aproximadamente, 17 horas. Mesmo assim, o componente de raios-X permaneceu estável, o que significa que não teve efeito na curva ótica.

Os cientistas atribuem este fenómeno ao facto de a radiação de raios-X causar uma forte deformação do disco de acreção. Além disso, a área do disco expandiu, causando o aumento do seu brilho.

https://zap.aeiou.pt/buraco-negro-disco-acrecao-deformado-441108


Antártida enfrentou incêndios florestais há 75 milhões de anos !


Um novo estudo mostra que violentos incêndios devastaram a Antártida há 75 milhões de anos, quando os dinossauros ainda andavam pela Terra.

No final do Cretáceo, um dos períodos mais quentes da Terra, a Ilha James Ross, na Antártida, era a casa de uma floresta temperada de coníferas, fetos, angiospermas e dinossauros. Mas nem tudo era cor-de-rosa. Vestígios de carvão agora analisados por cientistas mostram que vários incêndios ocorreram neste lugar, conta o site Live Science.

“Esta descoberta amplia o conhecimento sobre a ocorrência de incêndios florestais durante o Cretáceo, mostrando que tais episódios eram mais comuns do que se imaginava”, disse Flaviana Jorge de Lima, paleobióloga da Universidade Federal de Pernambuco e autora principal do estudo publicado, a 20 de outubro, na revista científica Polar Research.

A descoberta marca a primeira evidência de um “paleo-incêndio” na Ilha James Ross, uma parte da Península Antártica que agora se encontra abaixo da América do Sul. Mas também soma mais evidências de que os incêndios espontâneos eram comuns na Antártida durante o Campaniano.

Em 2014, recorda o mesmo site, um outro estudo publicado na revista Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, já tinha documentado a primeira evidência de incêndios florestais da idade dos dinossauros na Antártida Ocidental.

Para esta nova investigação, a equipa de cientistas analisou fósseis recolhidos durante uma expedição à parte nordeste da Ilha James Ross, entre 2015 e 2016, que continham fragmentos de plantas que se pareciam com resíduos de carvão.

Os fragmentos de carvão eram pequenos (para se perceber, os maiores tinham um tamanho de 19 por 38 milímetros), mas as imagens feitas com recurso a um microscópio eletrónico de varrimento revelaram a sua identidade. Estes fósseis serão gimnospérmicas queimadas, provavelmente de uma família botânica de árvores coníferas chamada Araucariaceae, descobriram.

“A Antártida teve um intensa atividade vulcânica causada pela tectónica durante o Cretáceo, como sugerido pela presença de restos fósseis em estratos relacionados com a queda de cinzas. É plausível que a atividade vulcânica tenha gerado o ‘paleo-incêndio’ que criou o carvão aqui relatado”, escreveram os investigadores no seu estudo.

https://zap.aeiou.pt/antartida-enfrentou-incendios-florestais-ha-75-milhoes-de-anos-440546


Asteróide passou a rasar a Terra sem ser detetado !


O corpo celeste, identificado como 2021 UA1, sobrevoou a Antártica no dia 24 de outubro a uma velocidade de 57 mil quilómetros por hora, a uma distância 125 vezes menor do que a da Terra à Lua.

Um pequeno asteróide, com dois metros de diâmetro, passou a apenas 3.047 quilómetros da superfície de nosso planeta no dia 24 de outubro, sem ser detetado pelos astrónomos.

À escala astronómica, esta distância é um “fio de cabelo”, 125 vezes menor do que a distância da Terra à Lua, 384.400 km. Uma simulação por computador mostra como o corpo celeste passou “a rasar” pela Terra.

Segundo o Catalina Sky Survey, o corpo celeste, identificado como 2021 UA1, sobrevoou a Antártica a uma velocidade de 57 mil quilómetros por hora.
 
De acordo com os especialistas, um asteróide deste tamanho não representa risco, já que quando se aproxima da Terra incinera-se e desintegra-se ao entrar em contacto com a atmosfera terrestre, sem afetar a superfície do planeta.

O facto mais preocupante, no entanto, é que o asteróide passou pela Terra sem ser detetado, tendo sido identificado apenas após a sua passagem.

O corpo celeste aproximou-se da Terra durante o dia, numa rota que passou por trás do Sol, pelo que era indetetável antes de se ter aproximado, explica o astrónomo Tony Dunn no seu perfil no Twitter.

Este é o terceiro asteróide que nas últimas semanas passou próximo da Terra, depois do 2020 HQ e do 2020 VT4 — ambos demasiado pequenos para representar uma ameaça à segurança, e cuja aproximação, em ambos os casos, tinha sido detetada.

Em setembro, um asteróide potencialmente mais perigoso passou pela Terra a uma distância de apenas 366.000 quilómetros — o que significa que, por breves momentos, esteve mais próximo do nosso planeta do que a Lua. O 2010 RJ53, com 774 metros de diâmetro, tinha mais do dobro da altura da Torre Eiffel.

https://zap.aeiou.pt/asteroide-passou-a-rasar-a-terra-sem-ser-detetado-441757


A NASA quer discutir o que faremos se os extraterrestres existirem mesmo !


Até agora, todos as denúncias de avistamentos de seres extraterrestres nunca foram comprovadas. Mas a agência espacial norte-americana (NASA) quer estabelecer parâmetros para avistamentos e melhorar a sua comunicação com o público para dar respostas a estas mesmas denúncias.

Apesar de, até aos dias de hoje, não haver confirmação sobre a existência de vida extraterrestre, tal possibilidade é encarada cada vez com mais seriedade pelos astrónomos, que começam a preparar-se — e a preparar-nos — para o que virá depois. Num comentário científico emitido pelo chefe da agência espacial norte-americana, James Green, os cientistas defendem a a necessidade de se estabelecer um cenário em que a vida deixará de ser a única conhecida.

“A nossa geração pode realisticamente ser a que descobrirá evidências de vida fora da terra. A este potencial privilégio está associada uma responsabilidade“, diz.

De acordo com os cientistas, a descoberta da aliens dificilmente acontecerá de forma infalível —ou seja, num cenário de um sim ou não certeiros e inquestionáveis. Na realidade, é provável que a descoberta de vida extraterrestre seja um processo extenso e evolutivo de investigação científica e descoberta. Para eles, quanto mais cedo este fenómeno for compreendido, melhor.

“A história inclui inúmeras denúncias que relatavam avistamentos de deteção de vida extraterrestre que mais tarde se provaram incorretos ou ambíguos quando considerados exclusivamente em termos binários”, explicaram os membros da NASA, citados pelo site Science Alert.

“Se, em vez disso, reformulássemos a procura pela a vida extraterrestre como um esforço progressivo, transmitiríamos o valor das observações que são contextuais ou sugestivas mas não definitivas e enfáticas. Elas remetem para falsos inícios ou fins mortos, os quais também são uma parte integrante de um processo científico saudável.”

Mas, para uma tarefa com um grau de complexidade tão elevado e revestida de tantos níveis de avaliação, é necessária uma escala progressiva para medir e traçar novas descobertas — algo em linha com a a escala do nível de prontidão tecnológica (TRL) que a própria NASA utiliza para acompanhar o progresso dos instrumentos espaciais de voo, desde o conceito até à implementação em missões reais.

No que respeita à deteção de astrobiológica de vida, a NASA acredita que podemos utilizar uma analogia: a escala de confiança da deteção de vida (CoLD), na sigla em inglês. Nela, os níveis mais baixos centram-se na identificação inicial de potenciais bioassinaturas, ao passo que os níveis mais elevados ficam reservados para identificações ou medições mais específicas e certas dos sujeitos.

Uma escala com nuances semelhantes ajudaria a compartimentar todos as bioassinaturas recolhidas num contexto standard, o que ajudaria a comunidade científica a interpretar todas as descobertas que os cientistas reportem.

“Implementar as melhores práticas de comunicação acerca da deteção de vida pode servir para estabelecer expectativas razoáveis nas fases mais iniciais de um processo altamente desafiante. Simultaneamente, também acabaria por acrescentar valor aos passos que se seguissem e melhorar a confiança do público em relação ao processo — nomeadamente nos referidos falsos inícios e dos fins mortos que são uma parte inesperada e potencialmente produtiva do processo científico”, pode ler-se na comunicação.

“O que quer que seja o resultado, o que interessa é que ele aconteça. Em fazê-lo, só nos tornaremos mais eficazes na comunicação de resultados do nosso trabalho, e nas descobertas associadas a este.”

https://zap.aeiou.pt/extraterrestres-existirem-nasa-discutir-faremos-depois-441150


Os últimos sete anos foram provavelmente os mais quentes já registados !


Os sete anos entre 2015 e 2021 foram provavelmente os mais quentes já registados, anunciou este domingo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), num relatório que alerta que o clima está a entrar em “território desconhecido”.

Este relatório anual sobre o estado do clima “tem por base os dados científicos mais recentes que mostram que o planeta está a mudar diante dos nossos olhos”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, citado no texto.

“Das profundezas dos oceanos ao topo das montanhas, da fusão dos glaciares aos incessantes eventos climáticos extremos, ecossistemas e comunidades em todo o mundo estão a ser destruídos“, acrescenta o relatório.

O texto, elaborado a partir de observações no solo e de satélites de serviços meteorológicos de todo o mundo, foi divulgado no início da Conferência sobre as Mudanças Climáticas da ONU, COP26, este domingo.

A cidade escocesa de Glasgow acolhe a conferência, na qual a comunidade internacional deverá intensificar a luta para limitar o aquecimento global e mantê-lo, idealmente, num máximo de +1,5ºC por ano.

A COP26 “deve ser um ponto de inflexão para as pessoas e para o planeta”, defendeu Guterres.

O relatório é baseado nos registos históricos das temperaturas no planeta e, em particular, usa o período de 1850 a 1910, que os especialistas climáticos da ONU (IPCC) usam como base para comparar com os dias de hoje.

A humanidade está a emitir atualmente muito mais do que o dobro das emissões de gases de efeito estufa em comparação com a referida época.

No entanto, estes registos históricos não levam em consideração fenómenos meteorológicos anteriores, que são registados graças à paleontologia climática.
Tom alarmante

O tom do relatório da OMM é alarmante, relacionando secas, incêndios florestais e grandes inundações em diferentes regiões do planeta com a atividade humana.

“O ano de 2021 é menos quente do que os últimos anos devido à influência de um episódio moderado de La Niña ocorrido no início do ano. O La Niña tem um efeito de arrefecimento temporário sobre a temperatura média global e afeta as condições meteorológicas e climáticas. A marca do La Niña foi claramente observada no Pacífico tropical“, realça o texto.

No entanto, a temperatura média dos últimos 20 anos ultrapassou a barreira simbólica de +1°C pela primeira vez.

“As persistentes precipitações superiores à média registadas durante o primeiro semestre do ano em algumas partes do norte da América do Sul, especialmente no norte da Bacia do Amazonas, ocasionaram inundações graves e de longa duração na região“, acrescenta o texto.

E, ao mesmo tempo, “pelo segundo ano consecutivo, ocorreram grandes secas que devastaram grande parte da região subtropical da América do Sul. As precipitações ficaram abaixo da média na maior parte do sul do Brasil, Paraguai, Uruguai e norte da Argentina”.

Os especialistas reconhecem que usaram um sistema de “atribuição rápida”, ou seja, o estudo de eventos naturais extremos logo após sua ocorrência, para determinar até que ponto eles são responsabilidade da atividade humana.

“O IPCC observou que houve um aumento de chuvas fortes no Leste Asiático, mas há um baixo nível de confiança em relação à influência humana”, reconhece o texto.

https://zap.aeiou.pt/os-ultimos-sete-anos-foram-provavelmente-os-mais-quentes-ja-registados-441752

 

Adeus, insónias - Sleeping Bus Tour é a primeira excursão para quem quer dormir no autocarro !

Um homem no interior de um veículo a dormir
O Sleeping Bus Tour foi especialmente concebido para ajudar os passageiros a adormecer. Os turistas com saudades de viajar ou privação de sono são os alvos da iniciativa.

Em circunstâncias normais, adormecer durante uma viagem paga é um desperdício de dinheiro. Por mais estranho que pareça, o Sleeping Bus Tour nasceu com esse mesmo propósito.

“Quando estávamos a fazer um brainstorming sobre novas escursões, vi uma publicação de um amigo meu nas redes sociais que dizia que estava stressado com o trabalho, que não conseguia dormir à noite”, contou Kenneth Kong, diretor de marketing e desenvolvimento de negócios da Ulu Travel, a empresa por detrás deste novo conceito.

O que mais o intrigou foi o facto de saber que o amigo adormecia rápido e dormia tranquilamente quando viajava de autocarro. “Aquele post inspirou-nos a criar esta viagem que permite aos passageiros dormir no autocarro”, disse, em declarações à Associated Press.

A viagem de autocarro tem uma duração de cinco horas e leva os passageiros num itinerário de 83 quilómetros a bordo de um autocarro normal de dois andares.

O Sleeping Bus Tour não só é a primeira iniciativa deste género, como também a rota de autocarro mais longa de Hong Kong.

Segundo o Travel and Leisure, a experiência começa num restaurante, onde é servido um “menu ocidental de 2 pratos”, ou o que a empresa descreve como um “Food Coma Lunch”.

Depois de acomodados no autocarro, dá-se início à viagem, que inclui algumas paragens para fotografias e pausas para os passageiros irem casa de banho.

Os bilhetes para o Sleeping Bus Tour estão divididos em quatro categorias, desde o “Zero-decibel Sleeping Cabin” até à “VIP Panorama Cabin”. Os preços variam entre 15 e 100 euros por pessoa.

https://zap.aeiou.pt/adeus-insonias-sleeping-bus-tour-441142

 

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