terça-feira, 28 de setembro de 2021

MIT desenvolve mão robótica insuflável que devolve o tato aos amputados !

Apesar de haver membros biónicos altamente articulados, concebidos para detetar os sinais musculares residuais e imitar roboticamente os seus movimentos pretendidos, a destreza de alta tecnologia tem um custo muito alto.

Recentemente, engenheiros do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e da Universidade Jiao Tong, na China, desenvolveram uma neuroprótese macia, leve e de baixo custo.

De acordo com o comunicado do MIT, o novo dispositivo é também surpreendentemente durável, recuperando rapidamente após ter sido atingido com um martelo ou atropelado por um automóvel.

Com apenas meio quilo, os componentes da mão inteligente totalizam um custo de cerca de 500 dólares (aproximadamente, 426 euros) – uma pequena parte do peso e do custo do material associado a membros inteligentes mais rígidos.

A mão insuflável é feita de um elastómero chamado EcoFlex que poderá dotar os amputados de alguma sensibilidade outrora perdida graças ao sistema de feedback tátil.

“Isto ainda não é um produto, mas o desempenho já é semelhante ou superior às neuropróteses existentes, o que nos entusiasma. Há um enorme potencial para tornar esta prótese macia de muito baixo custo acessível a famílias de baixos rendimentos que sofreram de amputação”, reagiu Xuanhe Zhao, professor de engenharia mecânica e de engenharia civil e ambiental no MIT.

Ao contrário de outras, esta neuroprótese não utiliza motores elétricos. Em vez disso, conta com um sistema pneumático que incha e dobra os dedos em forma de balão.

Desta forma, a mão consegue assumir várias posições e pegas, permitindo ao amputado executar ações como acariciar um gato ou pegar num gelado. Para percecionar o que o utilizador pretende gesticular, utiliza um software que descodifica a eletromiografia que o cérebro emite para um dos membros.

Durante os testes, dois voluntários demoraram cerca de 15 minutos a perceber o funcionamento da neuroprótese.

Depois disso, foram convidados a realizar um conjunto de testes para demonstrar a força e destreza manual, com tarefas que incluíam virar páginas, escrever com uma caneta, levantar bolas pesadas e apanhar objetos frágeis, como morangos e pão.

Os voluntários repetiram os mesmos testes utilizando uma mão biónica mais rígida e comercialmente disponível. A equipa descobriu que a nova prótese insuflável era tão boa – ou até melhor -, em comparação com a sua contraparte rígida.

https://zap.aeiou.pt/mit-mao-robotica-insuflavel-432396

 

Novo Centro de Cancro do Pâncreas em Lisboa é único no mundo e tem a bênção dos Reis de Espanha !

Centro de Cancro do Pâncreas Botton-Champalimaud

Inaugurado, ontem, o novo Centro de Cancro do Pâncreas Botton-Champalimaud que resulta de uma parceria entre a Fundação Champalimaud e o casal espanhol Maurizio e Charlotte Botton. Os Reis de Espanha marcaram presença na cerimónia.

É uma unidade única no mundo que vai dedicar-se à investigação científica e ao tratamento do cancro do pâncreas, um dos mais letais e que ameaça tornar-se na segunda causa de morte por cancro na Europa e nos EUA.

O centro tem capacidade para operar 10 doentes por dia, com três salas de cirurgia equipadas com tecnologia avançada, 25 quartos de internamento e 15 de cuidados intensivos, como explica à Lusa o vice-presidente da Fundação Champalimaud, João Silveira Botelho.

A Fundação já tinha iniciado um programa de cancro do pâncreas, mas, em conjunto com a família Botton (que contribuiu com 50 milhões de euros), decidiu levar este programa “a um outro nível”, com o primeiro centro do género no mundo exclusivamente dedicado a esta doença.

“Cada vez há maior número de casos” de cancro do pâncreas que “é dos mais letais e, portanto, dos mais difíceis e aquele onde ainda é preciso descobrir muito para podermos ter resultados satisfatórios na cura e na sobrevida“, constata João Silveira Botelho, sublinhando que o progresso em tratamento e cura desta doença nos últimos 50 anos “foi marginal”.

“Nós temos a esperança e temos o propósito de podermos contribuir de uma forma decisiva para inverter este estado de coisas”, acrescenta.

O “triângulo” perfeito

A unidade vai “fazer um triângulo entre a investigação, a [prática] clínica e o doente”, como sublinha o vice-presidente da Fundação Champalimaud.

“O doente é uma peça essencial neste centro, queremos que seja um parceiro nisto. Por isso, tivemos também aqui uma preocupação, quer do ponto de vista da arquitectura, quer do ponto de vista da comodidade. Queremos que ele tenha a resistência, até do ponto de vista psicológico, para lidar com uma doença destas”, frisa João Silveira Botelho.

Na área da investigação, o Centro de Cancro do Pâncreas Botton-Champalimaud vai ter cerca de 200 investigadores e dois laboratórios, um de ciência básica e outro de manipulação celular.

Terapia celular em parceria com o NIH dos EUA

“Vamos ter neste novo centro cerca de 120 investigadores básicos e 80 investigadores clínicos e dois tipos de laboratórios: um de ciência básica e um laboratório clínico de manipulação celular, mais avançado, tendo em vista a retirada de células dos pacientes, a sua transformação e reinserção no próprio paciente [imunoterapia]”, explica ainda João Silveira Botelho.

De acordo com o responsável, são estas células que “funcionarão como medicamento para o tratamento do cancro do pâncreas”.

“Estes ensaios faremos em colaboração com o National Institute of Health (NIH), nos Estados Unidos, que começou já a desenvolver também este tipo de terapia celular e, portanto, temos uma correlação muito próxima com eles no sentido de utilizarmos os mesmos tipos de protocolo”, sublinha João Silveira Botelho, notando que será “quase uma terapia celular conjunta”.

Desenvolver tratamentos inovadores

O centro dará atenção especial ao estudo do perfil imunológico dos tumores do pâncreas e ao desenvolvimento de tratamentos inovadores nesta área e pretende, segundo a Fundação, “investir especialmente no desenvolvimento de ensaios clínicos com novos medicamentos de imunoterapia e em vacinas anti-tumorais personalizadas”.

No total, em diversas modalidades, o centro clínico da Fundação Champalimaud, em Algés (Lisboa), trata cerca de 900 doentes/dia.

Quanto ao cancro do pâncreas, um dos mais letais e que em 80% dos casos é diagnosticado já numa fase avançada, recebe actualmente cerca de 140 doentes/ano, uma capacidade que agora é aumentada com o novo centro dedicado em exclusivo à doença.

A Fundação trata por ano cerca de 15 a 20 doentes que são enviados directamente pelo Serviço Nacional de Saúde. Os restantes têm outros sub-sistemas de saúde ou seguros de saúde.

Além disso, segundo explica o vice-presidente da instituição, há doentes do serviço público seguidos, por exemplo, em hospitais como o do Barreiro, Setúbal, Évora ou Garcia de Orta (Almada), que acabam por fazer alguns exames de diagnóstico na Fundação, designadamente nas áreas da imagiologia e medicina nuclear, na sequência de concursos públicos a que a entidade concorre.

https://zap.aeiou.pt/centro-cancro-pancreas-lisboa-433530

 

Em 2018, cientistas de Wuhan terão planeado infetar morcegos com coronavírus !

Em 2018, um grupo de cientistas da cidade chinesa de Wuhan, onde foi registado o primeiro caso de covid-19, estaria a planear infetar, com coronavírus modificados, morcegos que vivem em cavernas.


Os cientistas terão pedido 14 milhões de dólares para realizar um projeto cerca de 18 meses antes do anúncio oficial do surto da covid-19, noticia o jornal The Telegraph, que cita vários documentos.

De acordo com o jornal, os cientistas de Wuhan estariam a planear implementar os coronavírus modificados transmitidos pelo ar em habitats de morcegos na China, para que estes criassem imunidade e fosse possível protegê-los de doenças que podem ser transmitidas aos humanos.

Os investigadores queriam, indicam os documentos, introduzir através da pele dos animais “nano partículas que contêm novas proteínas S quiméricas” de coronavírus em cavernas da província chinesa de Yunnan. Além disso, os cientistas queriam criar vírus quiméricos geneticamente modificados para infetar mais facilmente os humanos.

Embora os especialistas quisessem realizar eventos educativos para informar a população do seu trabalho, foi-lhes recusado o financiamento solicitado com o argumento de que a experiência “poderia pôr em perigo os residentes locais”, refere o site.

Anteriormente, a China negou várias vezes a teoria do surgimento da covid-19 no laboratório de Wuhan.

Em março, a Organização Mundial da Saúde publicou a versão completa do relatório elaborado pela equipa internacional, que refere que a versão de vazamento do vírus do laboratório chinês é “pouco provável”.

A OMS sugere que o vírus SARS-CoV-2 que o vírus provavelmente foi transmitido de morcegos para humanos através de outro animal.

https://zap.aeiou.pt/cientistas-wuhan-infetar-morcegos-433608

 

domingo, 26 de setembro de 2021

Cientistas imprimiram, pela primeira vez, células cerebrais vivas em 3D !


Uma equipa de cientistas usou uma nova técnica laser e conseguiu imprimir em 3D células cerebrais vivas.

A maioria dos neurónios sobreviveram durante mais de dois dias após terem sido impressos em 3D, o que significa que podem ser ferramentas viáveis para a investigação pré-clínica, sugere o novo estudo, publicado no fim de julho, na revista Micromachines.

Embora a capacidade de imprimir neurónios vivos nos possa fazer pensar em transplantes para tratar lesões cerebrais ou doenças neurodegenerativas, os cientistas explicam, em comunicado, que esse não é o objetivo.

“Em geral, as pessoas tiram conclusões precipitadas quando se fala de bioimpressão”, disse Hamid Orimi, estudante de pós-graduação da Universidade Concordia, no Canadá, e coautor do estudo.

“[As pessoas] pensam que agora podemos imprimir coisas como órgãos humanos para transplantes. Embora esse seja um objetivo a longo prazo, estamos muito longe de o conseguir. Mas há muitas formas de utilizar esta tecnologia”, continuou, citado pela Futurism.

Mesmo que o objetivo não seja imprimir células em 3D para transplantar neurónios, a equipa espera que as células cerebrais impressas ajudem na investigação médica. O objetivo, disse Orimi, é substituir modelos animais por novos testes farmacêuticos, eventualmente imprimindo e experimentando em neurónios humanos.

Isso não só reduziria o número de animais mortos em nome da ciência, como também poderia tornar a investigação pré-clínica mais precisa — testar medicamentos experimentais em tecidos humanos impressos em laboratório daria aos médicos uma melhor ideia de como esses medicamentos funcionam em humanos, uma vez que os tratamentos não funcionam da mesma forma em diferentes espécies.

https://zap.aeiou.pt/imprimiram-celulas-cerebrais-vivas-3d-433406

 

É agora possível os robôs mexerem-se sozinhos, graças a novos polímeros de alta energia !


Através do uso de novos polímeros que armazenam mais energia e são depois aquecidos, investigadores da Universidade de Stanford conseguiram colocar manequins a mexer os braços sozinhos.

Era ver robots a mexer os braços sozinhos, pelo menos até agora. De acordo com um novo estudo da Universidade de Stanford publicado na ACS Publications, uma equipa de investigadores desenvolveu um polímero com memória de forma que permite aos robôs mexer os braços sozinhos quando os polímeros são aquecidos.

Os polímeros com memória de forma alternam entre o seu estado normal, quando as moléculas são flexíveis e desordenadas, e o seu estado deformado, quando as moléculas se ligam depois de serem esticadas. Quando estão no estado esticado e deformado, o polímero pode reverter ao seu estado normal com a aplicação de calor e luz.

No entanto, polímeros com memória de forma tradicionais não armazenam quantidades de energia significantes enquanto são esticadas, o que significa que não vão libertar muita energia enquanto voltam ao estado normal, o que limita a sua utilização em tarefas que envolvam levantar ou mover objectos, escreve a New Scientist.

Os novos polímeros podem agora levantar objectos com até 5000 vezes o seu peso, esticar-se cinco vezes mais do que o seu comprimento inicial e armazenar quase seis vezes mais energia do que versões anteriores, o que equivale a 17.9 joules.

Quando esticados, criam-se ligações de hidrogénio entre as correntes do novo material, o que permite que este mantenha a sua forma estendida. Quando aquecidos a 70ºC, estas ligações quebram-se o material volta à sua forma condensada.

Estes novos polímeros mais elásticos foram criados através da incorporação de uma espinha dorsal de polipropileno glicol.

“Pode ser usado para levantar pesos ou para ajudar a dar um empurrão aditional para alguém que tenha dificuldades em andar“, afirma Zhenan Bao, engenheira química e líder da equipa que fez o estudo.

A equipa experimentou também criar um músculo artificial ao ligar o polímero ainda não esticado ao braço superior e de baixo de um manequim de madeira. O material foi depois aquecido para poder contrair, o que fez o manequim dobrar o braço sozinho.

O uso de polímeros é também vantajoso por ser barato – cada um custa apenas 11 dólares, cerca de 9.40 euros.

https://zap.aeiou.pt/e-agora-possivel-os-robos-mexerem-se-sozinhos-gracas-a-novos-polimeros-de-alta-energia-432857

 

Cavidade gigante no espaço lança nova luz sobre a formação estelar

Astrónomos que analisaram mapas 3D das formas e tamanhos de nuvens moleculares próximas descobriram uma cavidade gigantesca no espaço.


O vazio em forma de esfera, descrito na revista The Astrophysical Journal Letters, abrange cerca de 150 parsecs – quase 500 anos-luz – e está localizado no céu entre as constelações de Perseu e Touro.

A equipa de investigação, sediada no Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian (CfA), pensa que a cavidade foi formada por supernovas antigas que explodiram há cerca de 10 milhões de anos.

A misteriosa cavidade é cercada pelas nuvens moleculares de Perseu e Touro – regiões no espaço onde as estrelas se formam.

“Centenas de estrelas estão a formar-se ou já existem na superfície desta bolha gigante,” diz Shmuel Bialy, investigador de pós-doutorado do ITC (Institute for Theory and Computation) que liderou o estudo.

“Temos duas teorias – ou uma supernova explodiu no centro desta bolha e empurrou o gás para fora, formando o que agora chamamos de “Superconcha de Perseu-Touro”, ou uma série de supernovas, ocorrendo ao longo de milhões de anos, criou-a com o passar do tempo.”

A descoberta sugere que as nuvens moleculares de Perseu e de Touro não são estruturas independentes no espaço. Ao invés, formaram-se juntas a partir da mesma onda de choque de supernova.

“Isto demonstra que quando uma estrela morre, a sua supernova gera uma cadeia de eventos que pode levar ao nascimento de novas estrelas“, explica Bialy.

Em busca de berçários estelares

O mapa 3D da bolha e das nuvens em redor foi criado usando novos dados do Gaia, um observatório espacial lançado pela ESA (a Agência Espacial Europeia).

As descrições de exatamente como os mapas 3D das nuvens moleculares de Perseu, de Touro e outras nuvens próximas foram analisadas aparecem num estudo separado publicado na revista The Astrophysical Journal.

Ambos os estudos utilizam uma reconstrução de poeira criada por investigadores do Instituto Max Planck para Astrofísica, na Alemanha.

Os mapas representam as primeiras nuvens moleculares mapeadas em 3D. Imagens anteriores das nuvens foram restringidas a duas dimensões.

“Há décadas que conseguimos ver estas nuvens, mas nunca soubemos a sua verdadeira forma, profundidade ou espessura. Também não tínhamos a certeza de quão longe as nuvens estavam,” diz Catherine Zucker, investigadora pós-doutorada no CfA que liderou o estudo publicado na The Astrophysical Journal. “Sabemos agora onde estão com apenas 1% de incerteza, o que nos permite discernir este vazio entre elas.”

Porquê mapear nuvens?

“Existem muitas teorias diferentes sobre como o gás se reorganiza para formar estrelas,” explica Zucker. “Os astrónomos testaram, no passado, estas ideias teóricas usando simulações, mas esta é a primeira vez que podemos usar visualizações 3D reais – não simuladas – para comparar a teoria com a observação e avaliar quais as teorias que funcionam melhor”.

O Universo na ponta dos dedos

A nova investigação assinala a primeira vez que revistas científicas da Sociedade Astronómica Americana publicam visualizações astronómicas em realidade aumentada. Os cientistas e o público podem interagir com a visualização da cavidade e das suas nuvens moleculares circundantes simplesmente digitalizando um código QR no seu smartphone.

“Podemos literalmente fazer o Universo flutuar sobre a mesa da cozinha,” diz Alyssa Goodman, professora em Harvard e astrónoma do CfA, coautora de ambos estudos e fundadora do Glue, o software de visualização de dados usado para criar os mapas das nuvens moleculares.

Goodman chama às novas publicações exemplos do “papel do futuro” e considera-as passos importantes em direção à interatividade e reprodutibilidade da ciência, com as quais a Sociedade Astronómica Americana se comprometeu em 2015 como parte do seu esforço para modernizar as publicações.

Nós precisamos de registos de descobertas científicas mais ricos,” diz Goodman. “E os artigos académicos atuais podiam ser muito melhores. Todos os dados nestes artigos estão disponíveis online – no Dataverse de Harvard – para que qualquer um possa basear-se nos nossos resultados”.

Goodman prevê futuros artigos científicos em que áudio, vídeo e recursos virtuais aprimorados sejam incluídos regularmente, permitindo que todos os leitores compreendam mais facilmente a investigação apresentada. “São visualizações em 3D como estas que podem ajudar os cientistas e o público a entender o que está a acontecer no espaço e os poderosos efeitos das supernovas”.

https://zap.aeiou.pt/cavidade-gigante-espaco-433882

 

Marte sobreviveu a super-erupções que libertaram “oceanos” de poeira e gases tóxicos !

A região de Arabia Terra, situada no norte de Marte, já foi palco de erupções suficientemente potentes para libertar “oceanos” de poeira e gases tóxicos no ar. 

A NASA confirmou, recentemente, que uma região do norte do Planeta Vermelho, chamada Arabia Terra, sofreu milhares de “super-erupções” durante 500 milhões de anos. Segundo o comunicado da agência espacial norte-americana, estes antigos sítios vulcânicos foram palco das maiores erupções conhecidas pela ciência moderna.

Apesar de as “super-erupções” terem terminado há cerca de 4 mil milhões de anos, as evidências científicas indicam que Marte foi um planeta inequivocamente ativo no passado.

O Interesting Engineering explica que, enquanto analisavam a composição mineral e a topografia de Arábia Terra, os cientistas descobriram provas de milhares de erupções tão catastróficas que chegaram a ser mais violentas do que qualquer erupção planetária conhecida.

Estes eventos atiraram para o ar “oceanos” inteiros de poeira e gases tóxicos – como dióxido de carbono, vapor de água e dióxido de enxofre – alterando o clima do planeta durante décadas.

“Cada uma destas erupções teria tido um impacto climático significativo – talvez o gás libertado tivesse tornado a atmosfera mais espessa ou bloqueado a luz do Sol e tornado a atmosfera mais fria“, disse o geólogo Patrick Whelley, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA. “Os modelistas do clima marciano terão algum trabalho para tentar compreender o impacto dos vulcões.”

Antes deste trabalho, o consenso científico indicava que as depressões da região tinham sido causadas por impactos de asteroides, mas este novo estudo mostra que a área foi literalmente “escavada” pelo material libertado pelos vulcões, que criou as sete caldeiras vulcânicas de Arábia Terra.

As descobertas foram publicadas num artigo científico na Geophysical Research Letters em julho. A confirmação da NASA surgiu este mês para solidificar a compreensão do passado antigo de Marte.

https://zap.aeiou.pt/marte-sobreviveu-a-super-erupcoes-432609

 

Descoberto antídoto contra agentes nervosos tipo Sarin e Novichok !

Uma equipa do Laboratório Nacional Lawrence Livermore (LLNL), nos Estados Unidos, desenvolveu um antídoto que neutraliza a exposição ao envenenamento por agente nervoso.


O estudo, que foi publicado na revista Scientific Reports, foi o resultado de um processo criado em colaboração entre a Diretoria de Segurança Global do LLNL e o Instituto de Pesquisa Médica de Defesa Química do Exército dos EUA (USAMRICD).

Os agentes nervosos de armas químicas como Sarin ou Novichok normalmente funcionam através do bloqueio da transmissão de mensagens do sistema nervoso central (SNC), composto do cérebro e da medula espinhal, para o sistema nervoso periférico (SNP), que controla muitos processos fulcrais, como é o caso da respiração, clarifica o estudo.

A proteção natural do cérebro – a barreira hematoencefálica (BBB) ​​- tem sido um grande obstáculo para o desenvolvimento de antídotos de agentes nervosos eficazes, que historicamente só protegem contra danos ao SNP, pois não podem cruzar a BBB.

Após os compostos mais promissores serem identificados, através do uso de um método que envolveu modelagem computacional e química medicinal, os melhores candidatos foram avaliados em vários ensaios bioquímicos, resultando na descoberta do LLNL-02.

Descobriu-se que o LLNL-02 protege o SNC e o SNP contra os efeitos do agente nervoso Sarin. O LLNL-02 é o primeiro antídoto desse tipo, pois atravessa o BBB para conferir proteção ao cérebro, escreve o SciTechDaily.

“O processo foi extremamente desafiante. A maioria dos compostos sintetizados, após avaliação bioquímica, foram encontrados para cruzar os modelos BBB, mas não eram eficazes, ou vice-versa” referiu Carlos Valdez, líder do projeto.

Depois de dois anos de testes laboratoriais e computacionais, o LLNL-02 demonstrou ser atóxico para linhagens de células humanas em ensaios bioquímicos conduzidos no USAMRICD. A próxima etapa foi avaliar o LLNL-02 num modelo animal – e funcionou.

A pesquisa continua a incidir sobre a eficácia do LLNL-02 contra VX e agentes mais recentes como os Novichoks, usados ​​nas tentativas de assassinato de Sergei Skripal, em 2018, no Reino Unido, e de Alexei Navalny, em 2020.

“Estas pessoas tiveram a sorte de serem levadas rapidamente para o hospital, e mantidas vivas até que os seus corpos pudessem lidar adequadamente com o agente”, referiu Valdez.

“Os resultados mostram que a coleção única de instalações e talentos científicos do LLNL está a ultrapassar os limites do que seria possível”, destaca Audrey Williams, diretor do Centro de Ciência Forense do LLNL.

O especialista frisa que o “LLNL-02 é um composto promissor e versátil construído por um processo único que demonstra um caminho a seguir para proteger as vítimas de bioterrorismo e armas químicas”.

https://zap.aeiou.pt/antidoto-agente-nervoso-433414

 

As crianças têm dez vezes mais micro-plásticos nas fezes do que os adultos !

Uma equipa de cientistas da Universidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, usou espectrometria de massa para medir os níveis de micro-plásticos compostos de policarbonato (PC) e de polietileno tereftalato (PET) presentes nas fezes crianças e adultos.


Os cientistas, escreve o Wired, identificaram pelo menos um tipo de micro-plástico em todas as amostras. Porém, as concentrações de micro-plásticos de PET eram dez vezes superiores nas fezes de crianças do que nas de adultos. Em relação à quantidade de resíduos de PC, nenhuma diferença significativa foi notada entre os dois grupos.

Os investigadores acreditam que estes resultados se devam ao facto das crianças serem expostas a maiores quantidades de micro-plásticos pois colocam nas suas bocas biberões, brinquedos e chupetas. “Sabe-se que crianças de um ano de idade costumam mastigar produtos e roupas de plástico”, escreveram os especialistas no estudo, que foi publicado no jornal ACS Publiations.

O novo estudo cita ainda pesquisas anteriores que indicam que as fórmulas infantis feitas  para alimentar os bebés em tenra idade podem libertar milhões de micro-plásticos. “Muitos alimentos processados ​​são embalados em recipientes de plástico, que constituem outra fonte de exposição a crianças”, referem os cientistas.

Ainda não se sabe ao certo qual é o impacto dos micro-plásticos na saúde humana, embora várias pesquisas apontem que as menores partes desses resíduos podem atravessar as membranas celulares e entrar na circulação sanguínea.

https://zap.aeiou.pt/criancas-micro-plasticos-fezes-434009

 

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

A ciência já pode ter resposta para o que causou um enorme buraco na camada do ozono em 2020 !

O grande buraco que se abriu na camada do ozono no ano passado pode ter sido desencadeado por temperaturas recordes, durante o inverno, no oceano Pacífico Norte, indicam novas análises.


O enorme buraco, que se formou sobre o Ártico, acabou por se fechar no início da primavera, mas há a possibilidade de se voltar a formar com mais frequência no futuro.

Através da colocação de dados de satélite numa série de simulações, os investigadores descobriram que as altas temperaturas da superfície do mar no Pacífico Norte têm o poder de diminuir a temperatura dos ventos de oeste do Ártico.

Esses ventos fortes sopram do inverno para a primavera e, de acordo com os modelos atmosféricos, se arrefecerem durante um longo período de tempo, podem desencadear a formação de nuvens polares. No Polo Norte e no Polo Sul, as nuvens na estratosfera são um ingrediente chave no processo de destruição da camada de ozono.

Yongyun Hu, cientista da Universidade de Pequim, na China, refere que os “resultados sugerem que é provável que ocorra uma perda severa de ozono num futuro próximo, desde que as anomalias da temperatura da superfície do mar no Pacífico Norte ou outros processos dinâmicos sejam suficientemente fortes”.

De acordo com o estudo, publicado na revista Advances in Atmospheric Sciences, as ondas planetárias que fluem entre o oceano e a atmosfera no hemisfério norte são muito mais fortes do que no hemisfério sul, o que significa que os seus ventos de inverno são geralmente muito quentes para que as nuvens polares se formem na estratosfera.

Contudo, quando a superfície do Pacífico Norte fica mais quente do que o normal, estudos anteriores indicam que algumas ondas planetárias podem ficar mais fracas, reduzindo a temperatura do vórtice estratosférico.

É este fenómeno que os cientistas pensam ter ocorrido na primavera de 2020. Quando um buraco começou a formar-se na camada de ozono do Ártico naquela primavera, os investigadores notaram um enfraquecimento associado de uma onda planetária chamada “número de onda-1”.

Segundo os investigadores, uma redução na força do número de onda-1 é, provavelmente, o principal fator que levou aos ventos excecionalmente frios que sopraram sobre o Ártico entre fevereiro e abril de 2020. Sem esse enfraquecimento da onda, o buraco nunca se teria formado.

“A formação do registo de perda de ozono do Ártico na primavera de 2020 indica que as substâncias que destroem o ozono ainda são suficientes para causar a destruição severa do ozono na primavera na estratosfera do Ártico”, explicou Hu.

“Os resultados sugerem que é provável que ocorra uma perda severa de ozono num futuro próximo, desde que as anomalias da temperatura da superfície do mar no Pacífico Norte ou outros processos dinâmicos sejam suficientemente fortes”, acrescenta ainda.

Para já, os especialistas não conseguem garantir se os picos específicos nas temperaturas dos oceanos se devem à variabilidade natural ou são resultado do aquecimento global causado pelo homem.

Porém, escreve o Science Alert, como os oceanos do Planeta absorvem cada vez mais calor com as mudanças climáticas, é possível que a camada do ozono do Ártico esteja destinada a mais buracos.

https://zap.aeiou.pt/enorme-buraco-ozono-2020-433388

 

Marte pode ser demasiado pequeno para ser habitável !

Marte pode ser demasiado pequeno para ser habitável. Uma equipa de investigadores sugere que a sua dimensão reduzida não lhe permite reter muita água.


Um novo estudo sugere que o pequeno tamanho de Marte pode ser a razão fundamental pela qual o planeta vermelho não consegue reter grandes quantidades de água como fazia no início da sua história.

De momento, Marte não tem água líquida na sua superfície. No entanto, estudos anteriores mostraram que Marte já foi um planeta rico em água. Os rovers da NASA até regressaram com imagens de paisagens marcianas marcadas por vales de rios e canais de inundação.

Os investigadores descobriram agora muitas explicações possíveis para explicar o porquê de não haver água líquida no planeta vermelho, incluindo um enfraquecimento do campo magnético de Marte que poderia ter causado a perda de uma espessa atmosfera.

“O destino de Marte foi decidido desde o início. É provável que haja um limite nos requisitos de tamanho dos planetas rochosos para reter água suficiente para permitir a habitabilidade e placas tectónicas, com uma massa superior à de Marte”, explicou o autor principal do estudo, Kun Wang, citado pelo Tech Explorist.

Wang e a sua equipa usaram isótopos estáveis ​​de potássio (K) para estimar a presença, distribuição e abundância de elementos voláteis em diferentes corpos planetários.

Este é um método relativamente novo, realça o comunicado da Europa Press. Noutros estudos, cientistas já usaram um método de rastreamento de potássio para estudar a formação da Lua.

A equipa de investigadores mediu as composições de isótopos de potássio de 20 meteoritos marcianos e descobriu que Marte perdeu mais potássio e outros voláteis do que a Terra durante a sua formação, mas reteve mais do que a Lua ou o asteróide 4-Vesta — dois corpos muito mais pequenos e mais secos do que a Terra e Marte.

“A razão para abundâncias muito menores de elementos voláteis e dos seus compostos em planetas diferenciados do que em meteoritos primitivos indiferenciados tem sido uma questão persistente. A descoberta da correlação das composições isotópicas K com a gravidade do planeta é uma nova descoberta com importantes implicações quantitativas para quando e como os planetas diferenciados receberam e perderam os seus voláteis”, salientou a coautora Katharina Lodders.

“Medindo os isótopos de elementos moderadamente voláteis, como o potássio, podemos inferir o grau de esgotamento volátil de planetas em massa e fazer comparações entre os diferentes corpos do sistema solar”, acrescentou.

Embora alguns modelos estimem que nos seus primórdios, Marte poderá ter tido mais água do que a Terra, Kun Wang não acredita que esse seja o caso.

https://zap.aeiou.pt/marte-demasiado-pequeno-ser-habitavel-433416

 

Estudo traz uma nova esperança ao tratamento do cancro dos ovários !

Novo estudo traz uma nova luz para a luta contra o cancro dos ovários. Combinação de medicamentos conseguiu reduzir o tamanho do tumor.


De acordo com o estudo, entre 25 pacientes que receberam uma combinação experimental de medicamentos para o cancro do ovário seroso, quase metade obteve uma redução significativa no tamanho do tumor.

Os resultados do estudo foram apresentados na European Society for Medical Oncology Progress, realizada na semana passada.

Embora o estudo tenha sido muito restrito, os resultados são animadores porque todos os pacientes que participaram já tinham tentado outro tipo de tratamentos sem sucesso.

Segundo o IFL Science, a quimioterapia e os tratamentos hormonais para o cancro dos ovários têm baixas taxas de sucesso em comparação com outros tipos de cancro — este cancro tira cerca de 160.000 vidas por ano.

Na primeira fase do estudo, os participantes receberam uma combinação dos medicamentos VS-6766 e defactinibe.

Foi observada uma redução significativa do tumor em quase metade dos pacientes — embora as estimativas de frequência de eficácia sejam aproximadas. Em média, os pacientes passaram 23 meses sem que os tumores evoluíssem.

Em breve será possível tirar novas conclusões, já que o estudo vai avançar para a segunda fase de testes que irá envolver 100 participantes.

O objetivo é analisar detalhadamente quão comuns são os benefícios, sendo que esta fase deverá começar em dezembro deste ano e terminar em 2025. O estudo irá comparar a combinação dos dois medicamentos com VS-6766 sozinho.

“Se as descobertas forem confirmadas em estudos maiores, irão representar um avanço significativo no tratamento do cancro do ovário seroso”, referiu a líder da equipa Susana Banerjee, em comunicado.

A especialista destaca: “Temos muita esperança de que este se possa tornar o padrão de tratamento para mulheres com cancro do ovário seroso de baixo grau”.

De recordar que os ensaios de primeira fase testam principalmente a segurança do tratamento, e não a eficácia, portanto, observar esses benefícios substanciais também acabou por ser uma surpresa agradável.

O cancro do ovário seroso de baixo grau não é a forma mais comum de cancro dos ovários, mas tende a aparecer mais cedo do que os outros tipos e é particularmente difícil de tratar.

Apenas cerca de uma em cada oito pacientes com cancro do ovário seroso de baixo grau respondem à quimioterapia.

O estudo também frisa que o uso de medicamentos é mais útil se os médicos souberem de antemão quais são pacientes que têm maior probabilidade de responder a estes.

https://zap.aeiou.pt/nova-esperanca-cancro-ovarios-433142

 

Terapia para bebés pode reduzir a probabilidade de diagnóstico de autismo

Um novo estudo sugere que terapia personalizada pode ajudar algumas crianças a desenvolver competências sociais antes da idade escolar, evitando assim o diagnóstico de autismo.

Uma equipa de médicos internacional demonstrou que uma nova terapia dirigida a bebés pode reduzir o comportamento autista e a probabilidade de as crianças serem diagnosticadas com autismo antes de atingirem a idade escolar, escreve o The Guardian.

De acordo com o estudo, publicado esta segunda-feira na JAMA Network, os bebés que apresentavam sinais precoces de potencial autismo potencial — tais como evitar o contacto visual e não responderem ao seu nome — e que receberam terapia demonstraram um terço da probabilidade de serem diagnosticados com autismo aos três anos de idade, em comparação com aqueles que apresentavam sinais, mas que não receberam terapia.

Os resultados sugerem que uma intervenção no primeiro ano de vida, quando existe uma suspeita de autismo, pode impulsionar o desenvolvimento social das crianças, com efeitos benéficos a longo prazo para as suas vidas.

“Esta é a primeira evidência mundial de que uma intervenção preventiva pode reduzir os comportamentos de autismo e a probabilidade de um diagnóstico posterior”, disse Jonathan Green, professor na Universidade de Manchester.

“Pensamos que esta é uma descoberta marcante porque sugere que uma intervenção num momento precoce pode ter este efeito substancial”, continuou, referindo ainda que o estudo pode mudar a forma como os serviços prestam apoio a um grande número de crianças em todo o mundo.

A equipa internacional de investigação, liderada por Andrew Whitehouse da Universidade da Austrália Ocidental, em Perth, avaliou 104 crianças com idades compreendidas entre os nove e os 14 meses que apresentavam sinais precoces de autismo.

Enquanto uma metade foi escolhida aleatoriamente para ter cuidados de rotina, a outra recebeu dez sessões de terapia ao longo de cinco meses. Todas as crianças foram reavaliadas para comportamentos de autismo aos 18, 24 e 36 meses de idade.

Os pais foram então filmados a brincar com os filhos e, depois, um terapeuta reviu as filmagens com os pais e ajudou-os a compreender as diferentes formas como o seu filho estava a tentar comunicar. O objetivo era reforçar a ligação para ajudar o bebé a desenvolver as suas capacidades de comunicação social.

As sessões de terapia, defendem os investigadores, reduziram alguns sintomas de autismo e a mudança permaneceu até as crianças fazerem três anos. Nessa altura, quando cada uma das crianças voltou a ser avaliada, um quinto dos que receberam cuidados padrão receberam um diagnóstico de autismo, enquanto apenas 6,7% dos que receberam terapia tiveram o mesmo diagnóstico.

Além de terem sentido diferença nas interações sociais, as crianças também viram melhorias noutros sintomas, tais como movimentos repetitivos e reações invulgares aos sentidos, tais como o olfato e o paladar. No entanto, é necessário acompanhamento para perceber se a terapia apenas atrasa o diagnóstico ou se o impede em algumas crianças.

Os investigadores sublinham que a terapia não é uma cura para o autismo. Mas os resultados sugerem que uma terapia à medida pode, pelo menos, ajudar algumas crianças a desenvolver as suas capacidades sociais antes de atingirem a idade escolar.

“Até à data, nenhuma terapia mostrou efeitos tão positivos no desenvolvimento que tenha influenciado os resultados do diagnóstico da criança”, disse Whitehouse.

Um dos problemas levantados pelo estudo é que algumas crianças, que melhoram com a terapia e não são formalmente diagnosticadas com autismo, podem continuar a precisar de cuidados especializados, mas já não se qualificam.

https://zap.aeiou.pt/terapia-para-bebes-pode-reduzir-a-probabilidade-de-diagnostico-de-autismo-433079

 

Gotas quadradas e redes líquidas - Cientistas criaram o que se pensava ser impossível !

Numa experiência inesperada, uma equipa de cientistas criou gotículas quadradas e redes líquidas – algo que, de acordo com a ciência, não seria possível.


Quando duas substâncias se unem acabam por se estabelecer num estado estável denominado equilíbrio termodinâmico. Isto acontece, por exemplo, quando se mistura óleo na água e leite com café.

Porém, os investigadores da Universidade Aalto, na Finlândia, queriam perceber se este tipo de estado podia ser alterado, através do controlo do resultado.

“As coisas em equilíbrio tendem a ser muito chatas”, referiu o professor Jaakko Timonen, um dos autores do estudo publicado na revista Science Advances.

“É fascinante analisar sistemas fora do equilíbrio e ver se as estruturas que não estão em equilíbrio podem ser controladas. A própria vida biológica é um bom exemplo de comportamento verdadeiramente complexo num grupo de moléculas que estão fora do equilíbrio termodinâmico”, destaca.

Durante a pesquisa, escreve o Cienciaplus, a equipa usou combinações de óleos com diferentes constantes dielétricas e condutividades. Uma das experiências passou por submeter os líquidos a um campo elétrico.

“Quando ativamos um campo elétrico na mistura, a carga elétrica acumula-se na interface entre os óleos. Esta densidade de carga corta a interface do equilíbrio termodinâmico e transforma-o em formações diferentes”, disse Nikos Kyriakopoulos, um dos autores do estudo.

Além de serem interrompidos pelo campo elétrico, os líquidos ficaram presos numa folha fina, quase bidimensional. Essa combinação fez com que os óleos se transformassem em várias gotas e padrões completamente inesperados.

As gotículas da experiência transformaram-se em quadrados e hexágonos com lados retos, o que é quase impossível na natureza, onde pequenas bolhas e gotículas tendem a formar esferas.

Os dois líquidos também poderiam ser transformados em redes inter-conectadas — padrões de rede que ocorrem regularmente em materiais sólidos, mas não são conhecidos em misturas de líquidos.

“Todas estas formas são causadas e sustentadas pelo facto de o movimento das cargas elétricas, que se acumulam na interface, as impedir de entrar em colapso e voltar ao equilíbrio”, refere Geet Raju, autor do estudo.

Uma das conclusões do estudo é que é possível criar estruturas temporárias com tamanho controlado e bem definido que podem ser ligadas e desligadas com tensão.

Por outro lado, percebeu-se que é a capacidade de criar populações interativas de microfilamentos e microgotículas que, em algum nível elementar, imitam a dinâmica e o comportamento coletivo de microrganismos, como bactérias e microalgas, que se propelem usando mecanismos totalmente diferentes.

https://zap.aeiou.pt/gotas-quadradas-redes-liquidas-433095

 

Os modelos matemáticos da covid-19 provam que a música pode ser tão infeciosa como uma doença !

O uso de modelos matemáticos para antecipar o nível de sucesso de uma música pode começar a ser usado por artistas e editoras para melhorar o desempenho dos novos lançamentos musicais. 


Se é verdade que a pandemia da covid-19 que atualmente vivemos trouxe aspetos terríveis para a humanidade, como um número histórico de mortes, também não deixa de o ser que muitas novidades positivas foram adicionadas ao quotidiano dos cidadãos.

Um grupo de matemáticos da McMaster University, em Ontario, no Canadá, decidiu levar esta máxima mais longe e aplicar os modelos matemáticos usados para estudar a disseminação das doenças infeciosas, tais como os coronavírus, à propagação das músicas — de forma a perceber até que ponto estas podem tornar-se virais.

Para dar seguimento ao estudo, Dora Rosati e a sua equipa usaram uma base de dados com cerca de 1,4 mil milhões de perfis registados no serviço de streaming de música MixRadio, atualmente extinto. O foco da sua atenção foram as mil músicas mais descarregadas no Reino Unido entre 2007 e 2014, às quais aplicaram um modelo standard para estudar doenças epidémicas, o modelo SIR, de forma a depreenderem as tendências de difusão destas mesmas músicas.

Os resultados da pesquisa, publicados na Proceedings of the Royal Society A: Mathematical and Pshysical Sciences, indicam que as previsões dos investigadores estavam mesmo corretas, com o modelo a descrever as tendências relativas ao download de músicas tão bem como o faz para a propagação de doenças infeciosas pela população.

“Os resultados sugerem que muitos dos processos sociais que orientam a propagação de uma doença, ou sistemas análogos, também podem orientar a difusão de músicas. Mais especificamente, apoia a ideia de que tanto a música como as doenças infeciosas dependem das ligações sociais para se espalharem através da população”, descreveu a investigadora responsável.

“Com uma doença, se existir um contacto com alguém que esteja doente, há uma possibilidade de sermos infetados. Com as músicas, parece-nos ser muito similar. A grande diferença, com as músicas, é que esse contacto não precisa de ser físico — poderá ser, por exemplo, através de um story de Instagram que um amigo possa partilhar, que um indivíduo ouve e depois vai procurar“, afirmou Rosati.

Thomas Rawson, especialista em modelos de doenças no Imperial College London que não esteve envolvido no estudo, corroborou a tese ao The Guardian. “É algo que faz todo o sentido quando se considera que o passa a palavra é algo muito parecido com uma doença, espalha-se através das pessoas. A principal diferença é que existem mais maneiras de a música se espalhar.”

A equipa de Dora Rosati também calculou o R0 — o número de reproduções básicas que parte do princípio de que nenhum membro da população tem imunidade contra a doença quer por via da infeção ou da vacina — consoante os diferentes géneros musicais.

Apesar do indicador variar consideravelmente entre géneros, a equipa descobriu que dance e metal obtinham o R0 médio mais baixo, ao passo que a música pop era mais transmissível, sem, contudo, conseguir chegar aos números do rock e do hip-hop. A eletrónica, por sua vez, tem o R0 mais elevado de todo o estudo 3,430.

Ainda assim, isto não significa que as músicas eletrónicas sejam mais descarregadas — pode apenas ser um sinal que estas se difundem mais rapidamente pelas franjas da população mais suscetíveis.

“As doenças estão limitadas nas formas como se podem propagar, visto que ser necessária interação física. A razão pela qual podemos ver R0’s muito elevados para músicas é que a propagação pode ser feita através da publicação de um tweet, uma ação que pode infetar uma centena de pessoas. É possível “espalhar” uma canção muito mais rapidamente do que uma doença infeciosa”, explicou a investigadora. “Provavelmente, há muitas pessoas que já estão imunes a determinados géneros, como a eletrónica, devido aos seus gostos.”

Rosati avança ainda com outra explicação possível. “Talvez o que os números nos estão a dizer é que os fãs de eletrónica sejam mais apaixonados pelas suas músicas favoritas… Ou talvez as redes sociais dos fãs de eletrónica estejam mais fortemente conectadas.”

“Para géneros como pop e rock, eu acho que a rádio pode tê-los servido bem quando este era o principal método de transmissão. As maiores mudanças são mais prováveis de acontecer em géneros mais de nichos que não seriam transmitidos nas rádios ou em artistas que não eram tão reconhecidos. Acho que teriam mais hipóteses de se propagarem na atual situação de streaming e plataformas de redes sociais”, explicou a investigadora.

Se a popularidade de uma canção acontece pelos mesmos meios de contágio de uma doença, isto poderá abrir portas a novas formas de antever se um lançamento musical vai ser bem sucedido, podendo, por exemplo, um artista ou uma editora melhorar as suas hipóteses de alcançar sucesso.

“Da mesma forma que podemos agora usar modelos matemáticos da propagação de doenças para aprender coisas como o tempo médio em que um indivíduo está infetado, o tamanho final de uma epidemia ou quanto mais tempo uma epidemia pode durar, talvez possamos usar os mesmos modelos para aprender coisas como quanto tempo, em média, um indivíduo ouve uma determinada canção, quantas pessoas, no total, a vão descarregar, ou por quanto tempo pode uma música ser popular”, concluiu Rosati.

https://zap.aeiou.pt/modelos-matematicos-musica-viral-433420

 

A prova que precisava: Sim, as máscaras protegem contra a covid-19 !

As máscaras funcionam? Se sim, será melhor utilizar uma N95, uma máscara cirúrgica ou uma máscara de pano?


No último ano e meio, os investigadores produziram muitas evidências laboratoriais sobre a eficácia das máscaras. Para muitas pessoas, é compreensível que seja difícil acompanhar o que funciona e o que não funciona.

Recentemente, um ensaio clínico testou a eficácia do uso de máscaras. O estudo ainda não foi revisto por pares, mas foi bem recebido pela comunidade médica. O que os investigadores descobriram fornece evidências que confirmam estudos anteriores: o uso de máscaras, especialmente máscaras cirúrgicas, previne a covid-19.

Durante a pandemia do coronavírus, o foco tem sido as máscaras como forma de evitar que pessoas infetadas contaminem o ar ao seu redor. Evidências laboratoriais recentes sustentam esta ideia.

Em abril de 2020, cientistas mostraram que as pessoas infetadas com um coronavírus — mas não com o SARS-CoV-2 — exalaram menos RNA do coronavírus no ar ao seu redor se usassem uma máscara. Uma série de estudos laboratoriais adicionais também corroboraram a eficácia das máscaras.

No mundo real, muitos epidemiologistas examinaram o impacto das máscaras e das políticas de uso de máscara para ver se ajudam a retardar a disseminação da covid-19.

Um estudo observacional publicado no final de 2020 analisou dados demográficos, testes, confinamentos e uso de máscara em 196 países. Os investigadores descobriram que, depois de controlar outros fatores, os países com normas culturais ou políticas que apoiavam o uso de máscara viram a mortalidade per capita por coronavírus aumentar apenas 16% durante os surtos, em comparação com um aumento semanal de 62% em países sem normas de uso de máscara.

Estudos laboratoriais, observacionais e de modelagem têm sustentado consistentemente o valor de muitos tipos de máscaras. Mas essas abordagens não são tão fortes quanto os ensaios clínicos aleatórios em grande escala entre o público em geral, que comparam grupos após a intervenção ter sido implementada em alguns grupos selecionados aleatoriamente e não implementada em grupos de comparação.

De novembro de 2020 a abril de 2021, uma equipa de investigadores em estreita colaboração com parceiros do governo de Bangladesh e da organização sem fins lucrativos Innovations for Poverty Action, conduziu um estudo aleatório em grande escala no Bangladesh.

Os objetivos eram aprender as melhores maneiras de aumentar o uso de máscara sem que fosse obrigatório, compreender o efeito do uso da máscara na covid-19 e comparar as máscaras de tecido e as máscaras cirúrgicas.

O estudo envolveu 341.126 adultos em 600 aldeias na zona rural de Bangladesh. Em 300 aldeias não foi promovido o uso de máscara e as pessoas continuaram a usar máscara, ou não, como antes. Em 200 aldeias, o uso de máscara cirúrgica foi promovido e em 100 aldeias foi promovido o uso de máscara de pano.

Ao longo de oito semanas, a equipa distribuiu máscaras gratuitas, forneceu informações sobre os riscos da covid-19 e o valor do uso de máscara. Também trabalharam com líderes comunitários e religiosos para promover o uso de máscara e contrataram funcionários para andar pela aldeia e pedir educadamente às pessoas para usarem máscara.

A equipa à paisana registou se as pessoas usavam máscaras adequadamente sobre a boca e o nariz, de maneira inadequada ou não usavam de todo.

Máscaras reduziram infeções de covid-19

O uso de máscara mais do que triplicou, de 13% no grupo que não recebeu máscaras para 42% no grupo que recebeu. Curiosamente, o distanciamento social também aumentou 5% nas aldeias onde promoveram o uso de máscara.

Nas 300 aldeias onde foi distribuído qualquer tipo de máscara, foi observada uma redução de 9% na incidência da covid-19 em comparação com as aldeias onde não foi promovido o uso de máscara. Devido ao pequeno número de aldeias onde foi promovido o uso de máscara de pano, os cientistas não foram capazes de dizer se as máscaras de pano ou cirúrgicas eram melhores na redução da propagação da covid-19.

O estudo contou com uma amostra grande o suficiente para determinar que nas aldeias onde foram distribuídas máscaras cirúrgicas, a incidência de covid-19 caiu 12%. Nessas aldeias, a covid-19 caiu 35% em pessoas com 60 anos ou mais e 23% em pessoas com 50-60 anos. Ao observar sintomas semelhantes aos da covid-19, os cientistas descobriram ainda que as máscaras cirúrgicas e de pano resultaram numa redução de 12%.

Este estudo fornece fortes evidências de que as máscaras cirúrgicas reduzem a covid-19, especialmente em adultos mais velhos que enfrentam taxas mais altas de morte e invalidez se forem infetados.

https://zap.aeiou.pt/mascaras-protegem-contra-covid-19-433387

 

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Encontrada parte da matéria perdida do Universo !

As galáxias podem receber e trocar matéria com o seu ambiente externo graças aos ventos galácticos criados por explosões estelares. 


Devido ao instrumento MUSE do VLT (Very Large Telescope) do ESO, uma equipa internacional liderada pelo lado francês do CNRS e pela UCBL (Université Claude Bernard Lyon 1), mapeou pela primeira vez um vento galáctico.

Esta observação única, que está detalhada num estudo publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society dia 16 de setembro, ajudou a revelar onde parte da matéria perdida do Universo está localizada e a observar a formação de uma nebulosa em torno de uma galáxia.

As galáxias são como ilhas de estrelas no Universo, e possuem matéria comum ou bariónica, que consiste em elementos da tabela periódica, bem como matéria escura, cuja composição permanece desconhecida.

Um dos maiores problemas para entender a formação das galáxias é que falta aproximadamente 80% dos bariões que constituem a matéria normal das galáxias. De acordo com os modelos, foram expulsos das galáxias para o espaço intergaláctico pelos ventos galácticos criados por explosões estelares.

A equipa de investigação usou com sucesso o instrumento MUSE para gerar um mapa detalhado do vento galáctico que conduz as trocas entre uma jovem galáxia em formação e uma nebulosa (uma nuvem de gás e poeira interestelar).

A equipa optou por observar a galáxia Gal1 devido à proximidade de um quasar, que serviu de “farol” para os cientistas, guiando-os em direção à área de estudo. Eles também planearam observar uma nebulosa em torno desta galáxia, embora o sucesso desta observação fosse inicialmente incerto, já que a luminosidade da nebulosa era desconhecida.

O perfeito posicionamento da galáxia e do quasar, bem como a descoberta das trocas gasosas pelos ventos galácticos, possibilitaram a construção de um mapa único. Isto permitiu a primeira observação de uma nebulosa em formação que está simultaneamente a emitir e a absorver magnésio – alguns dos bariões ausentes do Universo – com a galáxia Gal1.

Este tipo de nebulosa de matéria normal é conhecido no Universo próximo, mas a sua existência para galáxias jovens em formação era apenas suposta.

Assim, os cientistas descobriram alguns dos bariões ausentes do Universo, confirmando assim que 80-90% da matéria normal está localizada fora das galáxias, uma observação que ajudará a expandir os modelos para a evolução das galáxias.

https://zap.aeiou.pt/parte-materia-perdida-do-universo-433015

 

Etna volta a entrar em erupção ! É a segunda vez em menos de um mês !

O vulcão Etna, em Itália, voltou a entrar erupção, espalhando rapidamente uma nuvem de fumo na parte oriental da ilha italiana da Sicília.


O vulcão mais ativo da Europa entrou em erupção esta terça-feira. Segundo o Observador, as cinzas e o fluxo de lava chegaram a localidades vizinhas.

Os primeiros tremores vulcânicos foram detetados pela 1h (hora de Lisboa). Durante a madrugada, o Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia italiano (INGV) emitiu um comunicado no qual dá conta de que os valores registados sofreram um aumento significativo pela 1h40.

Por volta das 5h, a cratera sudeste – a que tem vindo a registar mais atividade – começou a expelir material vulcânico, formando uma coluna de cinzas e fumo que chegou a atingir os nove metros de altura.

O diário adianta que o material foi transportado até às localidades de Fornazzo, Giarre, Riposto e Mascali, na encosta do vulcão.

https://twitter.com/darioscp/status/1440225846644461571

Nos 40 minutos que se seguiram, a atividade vulcânica acentuou-se: os tremores vulcânicos atingiram os valores máximos pelas 6h45.

Duas horas depois, num novo comunicado, o INGV anunciou que o fluxo de lava tinha parado, mantendo-se apenas alguma atividade no interior da cratera.

A 30 de agosto, o Etna expeliu fluxos de lava e causou a queda de cinzas em algumas aldeias na encosta, sendo esta a segunda vez que o vulcão entra em erupção em menos de um mês.

Esta notícia surge depois de o Cumbre Vieja, na ilha de La Palma, nas Canárias, ter entrado em atividade no domingo. Seis mil pessoas tiveram de ser retiradas de suas casas e os responsáveis locais falam em estragos que podem atingir os 400 milhões de euros.

Além disso, o vulcão tem agora uma nova boca eruptiva, o que obrigou a evacuar mais habitações.

https://zap.aeiou.pt/etna-volta-a-entrar-em-erupcao-433048

 

Lava do vulcão de La Palma está a escorrer em direção ao mar aumentando o risco de gases tóxicos !

O vulcão Cumbre Vieja na ilha de La Palma, nas Canárias, que entrou em erupção no domingo, tem uma nova boca eruptiva, o que obrigou a evacuar mais habitações, informaram as autoridades.


De acordo como Plano Especial de Emergências Devido a Risco Vulcânico das Canárias (Pevolca), a nova boca surgiu durante a noite de segunda-feira, após um novo sismo de magnitude 4,1 na escala de Richter registado às 21h32.

A abertura ocorreu a cerca de 900 metros da principal, tendo sido solicitada a retirada da população de Tacande, na zona de El Paso, onde vivem 704 pessoas, de acordo com a agência de notícias Efe.

A evacuação de Tacande, que ocorreu entre a noite de segunda e esta terça de manhã, eleva para seis mil o total de pessoas retiradas de suas casas devido à erupção do vulcão. La Palma tem cerca de 80 mil habitantes, refere a Reuters.

Mariano H. Zapata, presidente do cabildo de La Palma, adiantou à Cadena SER que “desapareceram” mais de 150 edifícios, muitos deles de habitação

A lava continua a escorrer em direção ao mar. José Antonio Conde, capitão em Santa Cruz de Tenerife, disse à TVE que não existe previsão “exata” de quando a lava chegará ao mar. “Estamos a trabalhar de forma preventiva”, afirmou.

A foz do magma no oceano é um fenómeno que preocupa as autoridades, pois a sua reação com a água salgada provoca nuvens tóxicas.

Por isso, o dispositivo da Proteção Civil será intensificado pois esta reação “pode gerar explosões e emissão de gases nocivos”, segundo o Pevolca.

Os cientistas estimavam que a lava iria chegar à costa por volta das oito horas da tarde desta segunda-feira (hora local). No entanto, a desaceleração no avanço dos rios magmáticos impediu que essa previsão se cumprisse.

Como noticia o El País, quando a língua de lava, que se encontra acerca de mil graus de temperatura, atingir o mar, que tem uma temperatura média de 20 graus, vai ocorrer uma explosão de vapor de água que vai originar uma densa nuvem branca.

No total, existem quatro perigos principais associados ao fluxo de lava para o oceano, segundo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos: o colapso repentino do terreno costeiro e dos penhascos, as explosões desencadeadas por esse colapso, as ondas de água fervente que geram no meio ambiente e, por fim, a coluna de vapor tóxico com ácido clorídrico e pequenas partículas de cristais vulcânicos, escreve o jornal espanhol.

A diretora do grupo de Geociências Barcelona do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), a vulcanóloga Joan Martín, disse à agência Efe que a erupção vulcânica pode durar, no máximo, alguns meses.

Até ao momento, não existem relatos de feridos ou vítimas mortais.

https://zap.aeiou.pt/lava-do-vulcao-de-la-palma-escorrer-mar-432990

 

Há uma rua no Texas onde todas as casas foram impressas em 3D !

Esta é a primeira comunidade de casas impressas em 3D nos EUA que está pronta a receber habitantes. A construção torna as habitações mais resistentes ao fogo e a inundações.


Chama-se East 17th Street e fica no estado norte-americano do Texas. Tem tudo para parecer uma rua normal, mas tem um detalhe especial: todas as suas casas foram impressas em 3D.

As casas foram criadas pelo escritório de arquitectura Logan com a tecnologia de impressão 3D da ICON, que usou o seu sistema de construção Vulcan – neste processo, robôs de impressão 3D criam camadas de cimento em cima de superfícies estriadas, o que torna as casas muito resistentes a fenómenos meteorológicos extremos.

A impressão das casas foi em Março de 2021 e demorou apenas cinco a sete dias e a tecnologia ajuda agora a criar “casas mais seguras, mais resilientes que são desenhadas para suportar incêndios, inundações, vento e outros desastres naturais melhor que casas construídas de forma convencional”, afirma a ICON num comunicado.

Duas das habitações têm dois quartos enquanto as duas restantes têm quatro. As casas variam entre 83 e 185 metros quadrados. Todas as casas têm alpendres de frente cobertos, lugares de estacionamento cobertos e janelas grandes que deixam entrar muita luz solar.

Estas são as primeiras casas impressas em 3D nos EUA que estão prontas a acolher habitantes, segundo a ICON, mas há ainda outras comunidades de casas impressas em 3D nos planos no país.

A Mighty Buildings, que é especializada na criação destas casas anunciou que está a planear criar uma comunidade na Califórnia no valor de 15 milhões de dólares. Em 2018, esta indústria tinha um valor de mercado de 8 mil milhões de dólares, mas as previsões apontam para que esse valor chegue a 51 mil milhões em 2026.

Em Itália, foi também já impressa em 3D uma casa Bolonha, que é um exemplo pioneiro de construção de moradias sustentáveis e que quase atinge uma pegada de carbono zero. A habitação foi construída com matérias-primas locais e incorpora isolamento térmico, ventilação e colheita de água numa única estrutura.

https://zap.aeiou.pt/rua-texas-todas-casas-impressas-3d-432835

 

Sem que seja preciso falar, novo teste pode diagnosticar demência precocemente

Num novo estudo, investigadores relataram grande precisão a identificar pessoas com a doença de Alzheimer através de um novo teste em que o paciente nem precisa de falar.


O nosso sistema de memória visual tem uma capacidade fenomenal. Percorra a galeria de imagens no seu telemóvel ou avance rapidamente num filme assistido anteriormente e observe como as imagens apresentadas brevemente acionam memórias com pouco ou nenhum esforço da sua parte.

Uma equipa de investigadores aproveitou este sistema de memória visual passiva para desenvolver um teste que um dia pode ser usado para diagnosticar a doença de Alzheimer.

A pessoa que está a ser testada recebe uma touca de eletroencefalografia (EEG) para registar a sua atividade cerebral e é-lhe mostrada uma série de imagens de objetos do quotidiano num ecrã de computador.

Depois, assistem a um fluxo de imagens diferentes, intercaladas periodicamente com uma das imagens que viram inicialmente. As imagens são apresentadas no ecrã a uma taxa de três imagens por segundo (3 Hz).

As fotos que foram mostradas pela primeira vez aparecem a cada cinco imagens. Se a pessoa se lembra da imagem, a leitura do EEG mostra uma resposta neural distinta, e outra cinco imagens depois, e assim por diante.

Ao observar os sinais de EEG para atividade nesta frequência específica (0,6 Hz), os investigadores conseguem medir a força da resposta da memória de uma pessoa a imagens vistas anteriormente.

A beleza deste teste é que mede a memória de forma passiva e objetiva — as pessoas não respondem e nem precisam de entender a tarefa, simplesmente veem uma série de fotos enquanto usam uma touca de EEG.

A tarefa demora apenas dois minutos. E, por ser passiva, é ideal para ser usada com pessoas com deficiência cognitiva que não conseguem seguir instruções de tarefas complexas.

No momento em que uma pessoa é diagnosticada com doença de Alzheimer — que é a forma mais comum de demência — geralmente já tem a doença por até 20 anos. O diagnóstico claramente não está a acontecer cedo o suficiente.

A doença de Alzheimer é diagnosticada usando uma combinação de relatos de declínio de memória do paciente e da sua família ou cuidadores, muitas vezes envolvendo testes administrados numa clínica. Esses testes não são ideais porque a ansiedade do paciente pode interferir no resultado. Além disso, exigem que a pessoa seja capaz de falar e escrever, o que os torna ineficazes para algumas pessoas.

Os investigadores esperam que este novo teste, chamado Fastball,forneça uma nova ferramenta que contorne esses preconceitos e dê aos médicos e cientistas uma nova forma de quantificar as mudanças que ocorrem na memória como consequência da doença.

O estudo, publicado na revista Brain, mostra que pessoas com doença de Alzheimer apresentam uma resposta de memória significativamente reduzida em comparação com adultos mais velhos saudáveis.

Usando as respostas de apenas uma tarefa Fastball — única, passiva e com duração de dois minutos — os investigadores conseguiram discriminar 20 pacientes com doença de Alzheimer de 20 adultos mais velhos saudáveis com uma precisão de 86%. Essa precisão aumenta para 92% quando se focaram num subconjunto de elétrodos em áreas de processamento visual.

Os investigadores também estão a conduzir um estudo de longo prazo usando esta nova tecnologia em pessoas com deficiência cognitiva leve. Análises iniciais — que ainda não foram publicadas — sugerem que o Fastball pode detetar o comprometimento de memória precoce.

E espera-se que esta medida passiva e objetiva de memória seja capaz de prever quais dessas pessoas desenvolverão mais tarde a doença de Alzheimer. Os resultados devem ser  publicados no final de 2022.

https://zap.aeiou.pt/novo-teste-diagnosticar-demencia-433076

 

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...