segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Sismo de 4,9 em La Palma e novo colapso do cone do Cumbre Vieja !

A ilha espanhola de La Palma registou hoje um sismo de 4,8 de magnitude, no dia em que o vulcão voltou a sofrer um colapso no cone principal, causando grandes derrames de lava.


O sismo foi o de maior magnitude desde a erupção do vulcão, há mais de um mês. De acordo com o Instituto Geográfico Nacional de Espanha, foi registado às 16:34 locais em Villa de Mazo, a 38 quilómetros de profundidade, e foi sentido não só pela população em toda a ilha mas também em várias cidades do norte de Tenerife.

O vulcão Cumbre Vieja, num dos complexos vulcânicos mais ativos nas ilhas Canárias, entrou em erupção em 19 de setembro. O maior sismo registado desde o início da erupção tinha sido de 4,5 na escala de Richter, e tinha ocorrido a 17 de outubro.

La Palma tem sido afetada diariamente com vários tremores de terra, por causa da atividade do vulcão, que hoje, ao 34o dia de erupção, sofre um novo colapso no cone principal, causando significativos derrames de lava.

O flanco norte do vulcão desabou a 9 de outubro, levando então também à emissão de fluxos de lava em várias direções, uma das quais causou preocupação por ter deslocado uma grande massa de lava, que “geraram uma tremenda destruição no seu caminho”.

O presidente do arquipélago das Canárias, Ángel Víctor Torres, afirmou que “não se espera para já o fim da erupção”. “Ainda temos pela frente várias semanas de emergência”, disse citado pela agência EFE.

O primeiro-ministro, Pedro Sánchez, esteve novamente em La Palma para reiterar o compromisso do governo espanhol de ajudar a reconstruir o que ficar afetado pelo vulcão.

Até hoje, a lava expelida pelo vulcão,  já cobriu 889 hectares de terreno e destruiu 2.129 edifícios.

O Cumbre Vieja de La Palma é um dos complexos vulcânicos mais ativos das ilhas Canárias, sendo o responsável por duas das três últimas erupções nas ilhas, o vulcão San Juan (1949) e o Teneguía (1971).

Alta sismicidade em La Palma

A madrugada de hoje foi de alta sismicidade na ilha espanhola de La Palma, onde o Instituto Geográfico Nacional (IGN) local detetou 79 tremores de terra. O maior, de magnitude 4,1, foi registado em Fuencaliente, a 13 quilómetros de profundidade, tendo sido sentido em praticamente toda a ilha.

Dos 709 sismos contabilizados desde a meia-noite, 11 foram sentidos e 28 tiveram uma magnitude de 3 ou superior. A diferença em relação aos dias anteriores é a profundidade de praticamente todos os sismos, intermédia, entre os 10 e os 15 quilómetros.

Apenas quatro ocorreram a maiores profundidades: 21, 28 e dois a 36 quilómetros. A maioria foi localizada em Fuencaliente e Mazo, à exceção de dois, registados em El Passo e Tazacorte.

De acordo com a mais recente medição do sistema europeu de satélites Copernicus, às 08:14 em Espanha (07:14 em Portugal), a lava do vulcão cobriu 14 hectares no intervalo de 12 horas, o que eleva para 891,1 hectares a superfície total arrasada.

Segundo a imagem publicada pelo Copernicus nas redes sociais, a nova superfície coberta pela lava localiza-se na parte traseira do cone do vulcão que colapsou e afetou o bairro de La Laguna, o que é atribuído à massa de magma que tem jorrado da cratera desde as primeiras horas de sábado. A lava também destruiu nas últimas horas mais 14 edifícios na ilha, elevando o total para 2.143.

La Palma tem sido afetada diariamente com vários tremores de terra, por causa da atividade do vulcão, que no sábado, ao 34 dia de erupção, sofreu um novo colapso no cone principal, causando significativos derrames de lava.

Ainda no sábado, o presidente do arquipélago das Canárias, Ángel Víctor Torres, afirmou que não se espera, para já, o fim da erupção. “Ainda temos pela frente várias semanas de emergência”, disse Torres citado pela agência EFE.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, esteve também sábado novamente em La Palma para reiterar o compromisso do Governo de Madrid de ajudar a reconstruir o que ficar afetado pelo vulcão.

https://zap.aeiou.pt/sismo-la-palma-colapso-cone-cumbre-vieja-440012

 

Até 2030, o plástico irá emitir mais gases de efeito de estufa do que o carvão !

Um novo relatório mostra que, até 2030, os plásticos irão emitir mais gases de efeito de estufa do que o carvão, caso a indústria norte-americana mantenha os planos futuros.


O aumento contínuo da produção de plástico ameaça apagar o modesto progresso feito contra as mudanças climáticas que resultou na redução da dependência do carvão nos últimos anos, referem os autores. O relatório indica ainda que as pessoas mais afetadas por esta poluição serão as de cor e as que vivem em situação de pobreza extrema.

Elaborado pela Beyond Plastics, o relatório tem como objetivo alertar para o perigo dos plásticos, refere o site Gizmodo.

De acordo com os autores do documento, a pegada total de emissões da indústria de plásticos nos Estados Unidos em 2020 – que inclui produção, uso e descarte – é agora estimada em pelo menos 232 milhões de toneladas de dióxido de carbono.

A continuar a este ritmo, os especialistas estimam que em 2030, a pegada irá exceder a produção total de carvão nos EUA.

“O relatório documenta a contribuição do setor de plástico para as emissões de gases de efeito estufa nos Estados Unidos, que agora está prestes a superar as das centrais movidas a carvão”, refere Judith Enck, ex-administradora regional da Agência de Proteção Ambiental, que também deu o seu contributo para o relatório.

Por outro lado, o documento também acusa a indústria de subestimar as emissões que bombeia, pois, na grande maioria das vezes não inclui as emissões lançadas durante a fabricação ou transporte de matérias-primas usadas para produzir plástico. Assim, os autores alertam que mesmo os números apresentados no relatório podem ser uma subestimação do verdadeiro contributo climático do plástico.

“As agências federais ainda não registam muitas das contribuições porque os regulamentos atuais não exigem que a indústria os relate”, pode ler-se no relatório.

Uma pesquisa anterior estimou que 65% das centrais a carvão no país já foram encerradas. Mas, embora o carvão possa estar em declínio, o esperado salto na produção de plásticos pode anular esses benefícios, alertam os autores.

https://zap.aeiou.pt/plastico-emitir-mais-gases-carvao-439806

 

É um cenário de filme de ficção científica – Mas será possível a Lua colidir contra a Terra ?

Está sempre aparentemente calma no céu, mas será que a Lua pode algum dia vir a chocar com a Terra? Há simulações que ajudam a ter uma ideia do que aconteceria neste cenário.


Um novo filme de ficção científica que vai chegar às salas de cinema no início de 2022 retrata um cenário onde a Lua vai colidir com a Terra. Moonfall promete muitas imagens de uma Lua avermelhada a aproximar-se cada vez mais do nosso planeta enquanto a sua força gravitacional suga os oceanos.

Mas será que este cenário é só coisa de filme? O modelo básico de como o planeta interage com o satélite determina que a força gravitacional puxa a Terra e a Lua em direcção uma da outra, mas esta força depende da massa de ambos os objectos e tem uma magnitude inversamente proporcional ao quadrado da distância entre os centros dos dois corpos.

A hipótese imediata é achar que esta força gravitacional seria o que levaria à colisão entre a Terra e a Lua, mas o satélite está em órbita numa direcção perpendicular à força de gravidade, o que faz com que a sua rota se curve e ande à volta do planeta em vez de ir contra ele, escreve o Wired.

Caso a força puxe o objecto numa direcção perpendicular ao seu impulso, esse objecto vai mover-se num círculo com a força a apontar para o centro. É por causa disto que a Lua faz uma órbita ao redor da Terra – há uma força lateral a puxá-la devido à sua interacção gravitacional com o planeta.

Esta força mútua faz com que a Terra também tenha uma órbita circular, mas a massa 81 vezes superior do nosso planeta faz com que a influência da Lua se faça sentir pouco e que a nossa órbita seja muito mais pequena.

O Wired criou depois um modelo no Python que simula o que aconteceria se alguma outra força misteriosa empurrasse a Lua. A simulação começa por usar uma força gravitacional que é 50 vezes mais forte do que a da Terra durante apenas uma hora e acompanha o que acontece nos oito meses seguintes. Mesmo depois de todo esse tempo, a Lua não colidiu com a Terra, entrando apenas numa órbita elíptica e não circular.

A revista cria depois uma nova experiência: uma força também de uma hora, mas em vez de ser na direcção da Terra, empurra o satélite na direcção oposta à do movimento da Lua. Neste caso, a Lua não pára totalmente de andar à volta da Terra, mas fá-lo tão devagar que parece mais uma rocha a cair em direcção ao planeta e que quase colide.

Uma eventual colisão não é o único problema que uma mudança na força gravitacional causaria. Tal como mostra o trailer de Moonfall, há também a possibilidade da Lua começar a sugar os oceanos da superfície do planeta. A revista tentou também prever este caso.

Também no Python, calculou-se qual das forças seria mais forte – a do centro gravitacional da Terra ou a da Lua – num quilo de água, estando o planeta e o satélite parados. As contas mostram uma que a força da Terra é bastante superior à do nosso satélite, pelo que o nosso planeta ganharia esta guerra pela água.

E se a Terra e a Lua não estivesse parados, mas sim numa órbita muito próxima e a moverem-se à volta de um centro de massa comum? Isso significaria que a água dos oceanos também se estaria a mexer.

Neste cenário, a órbita demoraria 2.3 horas e não 28 dias. As contas mostram que uma força de 3.55 Newtons estaria a puxar a água para a Lua, no entanto, este valor é inferior aos 5.48 Newtons que manteria os oceanos na Terra.

O que aconteceria era uma versão extrema das marés, mas o planeta não seria afectado de forma uniforme, já que a distância da Lua varia dependendo das partes do planeta. Estas marés extremas acabariam por ser muito más, não só para os oceanos, mas também para as montanhas e edifícios que poderiam ser partidos pela força.

Apesar de ser um cenário interessante para explorar no grande ecrã, é melhor que uma eventual aproximação ou colisão da Lua se fique mesmo só pelos filmes.

https://zap.aeiou.pt/sera-possivel-a-lua-colidir-contra-a-terra-439237

 

 

Implante cerebral permite que paciente totalmente cega consiga ver formas e letras !

Os cientistas da Universidade Miguel Hernández de Elche (UMH), em Espanha, fizeram com que uma mulher completamente cega conseguisse ver formas simples e letras, através da colocação de um implante no seu córtex visual.

Os investigadores estimularam grupos específicos de neurónios, o que resultou na criação de imagens no campo de visão da paciente espanhola.

Num novo estudo, os especialistas descrevem de que forma inseriram o implante no cérebro da voluntária de 57 anos que estava totalmente cega há 16 anos.

Os 96 eletrodos do dispositivo foram colocados estrategicamente para permitir a ativação do “mapa retinotópico” da paciente, que consiste em neurónios que são dispostos para corresponder a pontos no campo visual, escreve o IFL Science.

A estimulação destes neurónios produziu formas básicas conhecidas como fosfenos, que são constituídas por pontos brancos ou linhas de luz. Estas formas são frequentemente vistas depois de esfregarmos os olhos ou olharmos para uma luz brilhante.

Segundo os autores do estudo, a paciente passou por dois meses de treino diário até conseguir distinguir os fosfenos espontâneos dos que são gerados pelo implante.

Com o passar do tempo, a mulher tornou-se mais eficaz na identificação das formas produzidas pelo dispositivo e foi capaz de distinguir formas distintas. Por exemplo, ao estimular neurónios específicos no seu mapa retinotópico, os investigadores foram capazes de criar fosfenos que se pareciam com letras.

Desta forma, a paciente foi capaz de detetar as letras I, L, C, V e O com 70% de precisão. No entanto, os autores do estudo afirmam que “embora várias combinações de eletrodos evocassem perceções que se assemelhavam a letras, não foi possível a perceção de todas as letras do alfabeto”.

Durante a experiência, os investigadores criaram ainda um jogo no qual a paciente tinha que determinar se uma animação mostrava Maggie Simpson a mover-se para a esquerda ou para a direita, enquanto o eletrodo estimulava os neurónios apropriados para revelar a direção do movimento.

Já no final da experiência, que durou seis meses, os investigadores equiparam a paciente com uma câmara que convertia as entradas visuais em sinais que eram enviados aos eletrodos.

Com o uso deste dispositivo, a mulher conseguiu distinguir uma série de barras pretas e brancas impressas e identificou um quadrado branco que aparecia em locais aleatórios de uma tela preta.

Eduardo Fernández, autor principal do estudo, explicou em comunicado que “estes resultados são muito encorajadores, pois demonstram segurança e eficácia, e podem ajudar a realizar um sonho antigo de muitos cientistas, que é a transferência de informações do mundo externo para o visual córtex de indivíduos cegos”.

Apesar dos avanços, o especialista sublinha que ainda há muito trabalho a ser feito antes da tecnologia poder ser usada para ajudar a restaurar a visão de pessoas cegas.

“Devemos estar cientes de que ainda há uma série de questões importantes sem resposta, e que muitos problemas precisam de ser resolvidos antes que uma prótese visual possa ser considerada uma terapia clínica viável”, rematou.

https://zap.aeiou.pt/implante-cerebral-mulher-cega-consegue-ver-439524

Podia ser ficção científica, mas não é. Injetar algas no sangue dos sapos pode ajudá-los a respirar !

 Algas vivas sensíveis à luz (um tipo de cianobactérias chamado Synechocystis) injetadas num girino

Os sapos adotam várias técnicas de respiração ao longo da sua vida. Agora, uma equipa de cientistas alemães desenvolveu um novo método que permite que os girinos “respirem” graças à introdução de algas na sua corrente sanguínea.

Um dos vários intuitos da circulação sanguínea é a oxigenação das células do corpo, mas quando a circulação é interrompida, é muito difícil voltar a atingir os níveis saudáveis para as células – especialmente as do sistema nervoso.

Recentemente, uma equipa de cientistas injetou algas no sangue de girinos para oxigenar os cérebros dos animais. Surpreendentemente, alguns neurónios “ressuscitaram”.

“Para muitas pessoas, parece ficção científica, mas é apenas a combinação certa de esquemas biológicos e princípios biológicos”, reagiu Hans Straka, da udwig-Maximilians-University Munich, citado pelo SciTechDaily.

O investigador estava a estudar o consumo de oxigénio em cérebros e girinos de rãs africanas (Xenopus laevis) quando uma banal conversa de almoço com um botânico lhe deu a brilhante ideia de combinar fisiologia vegetal com neurociência: aproveitar o poder da fotossíntese para fornecer oxigénio às células nervosas.

Se na natureza, as algas vivem harmoniosamente em esponjas, corais e anémonas, fornecendo-lhes oxigénio e até nutrientes, porque não em vertebrados como os sapos?0

Para explorar a ideia, a equipa injetou algas verdes (Chlamydomonas renhardtii) e cianobactérias (Synechocystis) no coração de girinos. A cada batimento cardíaco, as algas viajaram através dos vasos sanguíneos até ao cérebro, tornando o girino translúcido verde brilhante.

Segundo o portal, ambas as espécies de algas bombearam oxigénio para as células próximas.

Após a distribuição das algas no cérebro, os investigadores isolaram a cabeça do girino e colocaram-no num banho de bolhas de oxigénio com nutrientes essenciais que preservariam o funcionamento das células, permitindo à equipa monitorizar a atividade neural e os níveis de oxigénio.

À medida que os investigadores esgotavam o oxigénio do banho, os nervos deixavam de disparar e ficavam em silêncio. Mas não durou muito tempo: a iluminação do girino reiniciou a atividade neural em apenas 15 a 20 minutos.

Depois de “ressuscitados”, os nervos funcionaram tão bem ou até melhor do que antes do esgotamento do oxigénio, o que prova que este método é, além de rápido, eficiente.

Quanto à extrapolação dos resultados, a equipa aconselha alguma cautela. Ainda assim, não há dúvidas de que a experiência revela o enorme potencial desta técnica.

Os cientistas acreditam que a descoberta pode vir a ajudar em investigações com animais, aumentando o tempo de vida útil dos tecidos nervosos. Pesquisas com organóides e tecidos isolados também podem vir a ser beneficiadas, uma vez que estes materiais são desprovidos de oxigenação vinda de um sistema circulatório, o que dificulta o cultivo de células.

Num futuro mais longínquo, as algas podem vir a fornecer novos tratamentos para doenças relacionadas com a falta de oxigénio nos tecidos, como o enfarte do miocárdio.

https://zap.aeiou.pt/injetar-algas-no-sangue-dos-sapos-439518

 

As misteriosas auroras de Úrano foram finalmente detalhadas ao pormenor pelos cientistas

Auroras de Úrano (em movimento)

Auroras de Úrano foram captadas pela primeira vez em 2011 através do telescópio Hubble Space, mas as suas origens representam ainda mistérios que os cientistas não conseguem esclarecer.

Pela primeira vez, os cientistas conseguiram moldar a totalidade do globo de Úrano na parte de infravermelhos do espectro de luz. Com a novidade, espera-se conseguir, finalmente, desvendar as dúvidas em torno das misteriosas auroras do planeta, mas também do seu campo magnético. Numa atitude algo invulgar, a equipa transmitiu todo o processo ao longo de três dias via streaming, o que permitiu a cientistas ou meros curiosos de astronomia de todo o mundo assistir.

Para chegarem a bom porto, os cientistas, pertencentes à Universidade de Leicester, no Reino Unido, utilizaram um telescópio da NASA instalado na base do Hawai, o qual permitiu observar o gigante gelado que orbita o sol 19 vezes mais longe que a Terra. Por falar em Terra, as auroras de de Úrano são despoletadas pelo vento solar, o fluxo de partículas carregadas que emanam também da estrela-mãe, com o campo magnético do planeta. No entanto, o facto de o planeta ter características tão específicas e distintas das da Terra faz com que as suas autoras se comportam de forma muito diferente em relação às famosas auroras boreais.

Por exemplo, o eixo em torno do qual Úrano gira é quase perpendicular ao sol. Isto significa que o planeta roda essencialmente em torno do sol do seu lado com os seus polos virados para a estrela de forma quase direta durante um quarto do ano do planeta, que dura 84 anos terrestres. Para além disso, os polos magnéticos de Úrano não estão alinhados com os seus polos geográficos — tal como na Terra, Júpiter ou Saturno — mas estão inclinados em 60 graus para longe destes. Como resultado, as auroras de Úrano não iluminam o céu acima dos polos geográficos do planeta, mas em lugares muito estranhos e até improváveis.

“A aurora do norte estende-se desde o hemisfério norte em direção ao equador, e até chega ao hemisfério sol. Se quiserem mapear a aurora, não podemos olhar apenas para o topo do planeta. Temos de olhar para toda a sua superfície“, explicou Emma Thomas, aluna do doutoramento em Astronomia da Universidade de Leicester que liderou a investigação.

Para passar para imagens a totalidade da superfície de Úrano, os cientistas tiveram que repartir as suas observações em três janelas de oito horas ao longo de três dias. Tiveram também de coordenar as observações as observações com o período de rotação de Úrano. A partir do momento em que os dados foram combinados, o grupo ficou diante do mapa mais detalho da superfície de Úrano alguma vez elaborado na parte de infravermelhos do espectro.

“Nós queremos perceber onde estão as partes mais brilhantes de Úrano”, afirmou Thomas à Live Science. “Este planeta, por si só será iluminado com o brilho do dia. Qualquer coisa que esteja acima desse nível será porque ou é causado processos internos termais ou auroras. Através da medição da densidade das partículas acima de Úrano, seremos capazes de dizer qual das hipóteses em causa está correta.”

Anteriormente, superfície de Úrano só tinha sido transferida para mapa na parte ultravioleta do espectro graças à missão Voyager 2 da Nasa que, em 1986, passou nas proximidades do planeta e captou imagens aproximadas do seu estranho solo e do ambiente em seu redor. Em 2011, o telescópio Hubble Space detetou pela primeira vez umas auroras luzentes por cima da superfície de Úrano, as quais cobriam superfíceis áreas maiores que a Terra. No entanto, até aos dias de hoje os cientistas continuam a saber pouco sobre este fenómeno e as causas que o originam, esclarece Thomas.

“Ainda não entendemos totalmente a magnetosfera de Úrano e a sua interação com o vento solar”, aponta Thomas. A magnetosfera é uma região em torno do planeta dominada pelo seu campo magnético. “Através do mapeamento das auroras, conseguiremos ter uma compreensão melhor da interação do vento solar com a magnetosfera e, a partir daí, alcançar uma noção mais clara de como as linhas magnéticas são orientadas.”

Ainda assim, os cientistas sabem que os campos magnéticos de Úrano se comportam de uma forma estranha, com as linhas magnéticas a desconectar-se e a reconectar-se durante um próprio dia, aponta um estudo de 2007.

As auroras, por sua vez, não variam apenas consoante a hora do dia, mas também a época do ano, dependendo do lado do planeta que está atualmente iluminado pelo sol e qual dos lados está submerso na escuridão. No entanto, o facto de Úrano demorar o equivalente a 84 anos na Terra a completar uma volta ao sol, os cientistas estão lentamente a construir teorias a propósito destas mudanças.

https://zap.aeiou.pt/as-misteriosas-auroras-de-urano-foram-finalmente-detalhadas-ao-pormenor-pelos-cientistas-439331

 

sábado, 23 de outubro de 2021

Dois planetas envolveram-se num choque tão violento que um deles perdeu a atmosfera !

Uma impressão artística de um impacto gigantesco no sistema estelar HD 17255

Uma equipa de astrónomos encontrou provas de uma gigantesca colisão entre dois planetas num sistema planetário jovem, localizado a 95 anos-luz da Terra.

A poeira à volta da jovem estrela HD 172555, de 23 milhões de anos, é o resultado de um impacto planetário tão violento que faz com que um dos corpos envolvidos perdesse a sua atmosfera – pelo menos parcialmente.

Quando uma estrela se forma a partir de uma massa de poeira e gás, numa nuvem molecular, um vasto disco de material forma-se à sua volta, alimentando a estrela em crescimento. Segundo o Science Alert, o disco passa por uma transformação, possivelmente antes de a estrela ter terminado de crescer.

No interior, vários corpos, cada vez maiores, colidem e fundem-se entre si. O disco ganha, assim, massa suficiente para que um núcleo diferenciado se estabeleça ao centro e, finalmente, se transforme num planeta.

Porém, nem todos os jovens planetas sobrevivem a estes duros impactos.

Estas colisões são um evento muito comum durante a formação de um sistema planetário e é provável que desempenham um importante papel no crescimento dos planetas, assim como na arquitetura final do sistema.

No caso da estrela HD 172555, a poeira que gira à sua volta tem uma quantidade incomum de sílica e monóxido de silício sólido, além de grãos de poeira muito mais pequenos do que a média.

Quando a equipa observou em detalhe, descobriu que há bastante monóxido de carbono a orbitar a estrela a uma distância muito próxima de dez unidades astronómicas. Acontece que, a essa distância, o gás deveria ter sido decomposto pela radiação estelar, pelo que é necessária uma explicação para tal ainda não ter acontecido.

A hipótese mais provável seria a ocorrência de um impacto gigantesco.

Os astrónomos conseguiram então reproduzir o acontecimento: há pelo menos 200 mil anos – um fenómeno suficientemente recente para que o monóxido de carbono não tivesse tido tempo de ser decomposto –, um planeta rochoso do tamanho da Terra foi arrasado por um corpo mais pequeno, a uma velocidade de dez quilómetros por segundo .

O impacto, descrito num artigo científico publicado na Nature, teria sido tão violento que teria explodido, pelo menos, parte da atmosfera rochosa do planeta. Desta forma, estaria explicada a existência do monóxido de carbono e a poeira rica em sílica.

https://zap.aeiou.pt/dois-planetas-um-perdeu-a-atmosfera-439495

 

Investigadores de Harvard utilizam corantes para armazenar dados !


Na era digital, quase tudo é possível. Uma equipa de químicos de Harvard desenvolveu um novo sistema que utiliza misturas de sete corantes fluorescentes disponíveis comercialmente para armazenar ficheiros de dados.

É comum pensarmos no armazenamento digital como algo permanente, mas a maioria dos dados que guardamos num disco rígido, pen drive ou CD-ROM provavelmente não irá sobreviver mais do que 20 a 40 anos.

Com esse obstáculo em mente, investigadores de Harvard criaram uma alternativa de armazenamento de dados a longo prazo, utilizando corantes fluorescentes.

Em laboratório, os cientistas usaram uma impressora a jato para depositar pequenas gotas de corante fluorescente numa superfície epóxi, à qual se ligam quimicamente. Cada ponto é composto por uma mistura de até sete cores de corantes diferentes que, por sua vez, servem como bits para caracteres binários do American Standard Code for Information Interchange (ACSII).

Segundo o New Atlas, cada bit ou é um 0 ou um 1, dependendo se um corante específico está ausente ou presente, respetivamente.

O portal explica que quando os investigadores usam um microscópio de fluorescência para analisar os diferentes comprimentos de onda da luz emitida por esses pontos, ficam a saber quais as cores presentes em cada um deles e, consequentemente, o caracter que representa.

O sistema tem uma taxa de leitura de 469 bits por segundo – que é, alegadamente, um método de armazenamento mais rápido do que qualquer outro de informação molecular – e pode armazenar 1.407.542 bits numa superfície de 7,2 x 7,2 mm.

Além disso, os dados do corante podem ser lidos 1.000 vezes sem uma perda significativa na intensidade da fluorescência.

Os cientistas estimam também que os dados armazenados desta forma podem permanecer legíveis durante milhares de anos. Além disso, não seriam suscetíveis a danos causados pela água, não poderiam ser pirateados remotamente, não estariam sujeitos aos limites de tamanho dos sistemas de armazenamento existentes e o armazenamento não exigiria qualquer energia.

A equipa codificou a primeira secção de um famoso artigo de investigação do cientista inglês Michael Faraday, juntamente com uma imagem JPEG. Os investigadores chegaram à conclusão de que a informação poderia ser lida posteriormente com uma taxa de precisão de 99,6%.

https://zap.aeiou.pt/corantes-para-armazenar-dados-439084

 

A humanidade sobreviveu a cinco apocalipses - E está preparada para mais !

Nos últimos meses, a atenção mediática tem recaído sobre temas como pandemias, vulcões, sismos e outras catástrofes a que, não sendo novidades, a humanidade tem vindo a sobreviver de forma quase inexplicável.

"Triunfo da Morte", quadro de Pieter Brughel des ÄlterenPandemias, vulcões, sismos, cheias ou deslizamentos de terras. Em comum têm o facto de representarem autênticas situações de catástrofe para os indivíduos que vivem nas zonas mais atingidas e de serem amplamente divulgadas pela comunicação social pelas consequências que originam.

No entanto, a verdade é que há séculos que o planeta lida com elas e há séculos que a humanidade tem conseguido sobreviver — apesar de em algumas episódios a população mundial ter sofrido quebras significativas, como aconteceu com a gripe espanhola, por exemplo.

À Discover Magazine, Jake Frederick, professor de história na Universidade de Lawrence com especial interesse em catástrofes e respetivas consequências, afirmou que este tipo de “desastres são quase uma parte da história humana“. “O planeta está adaptado para lidar com estas coisas. Apenas se tornam desastres quando começam a ter um impacto negativo na vida dos seres humanos.”

Porém, nota o especialista, o facto de tantas espécies terem sobrevivido a estes eventos tornou-as “especialistas” em lidar com eles. Segundo Frederick, os humanos, por exemplo, são incrivelmente adaptáveis. “Podemos pô-los em qualquer ambiente e eles vão simplesmente suportar as condições com que são confrontados“, apontou.

Erupção do Toba

Entre algumas das catástrofes mais temidas estão os vulcões — na ordem do dia devido à erupção do Cumbre Vieja, na ilha de La Palma. A dimensão da sua erupção não é comparável, contudo, com a do Monte Toba, um super vulcão que terá acontecido há 74 mil anos no que corresponde atualmente à Indonésia.

Aquela que se acredita ter sido a maior erupção de um vulcão na história, resultou na emissão de toneladas de poeiras para o ar, as quais cobrirem os territórios da Indonésia, Índia e Oceano Índico. A erupção atingiu  o nível 8 do Índice de Explosividade Vulcânica, com as ondas de choque a espalharem-se por todo o mundo.

A propagação das cinzas pela atmosfera teve também consequências ao nível da luz solar que era recebida e, consequentemente, nas temperaturas mundiais que terão descido entre 3 a 5 graus fahrenheit — com todo o impacto que isto teve na fauna e flora.

Alguns estudos científicos recentes sugerem que apenas 3 mil a 10 mil indivíduos sobreviveram às alterações climáticas tão extremas como as que resultaram da erupção do Monte Toba, apesar de estes números serem contestados por outras investigações científicas.

O ano que não teve verão

Na mesma linha, a erupção de um outro supervulcão, no monte Tambora, na ilha indonesa de Sumbawa, também terá deixado o mundo do avesso face à libertação de cinzas, fumo e gases tóxicos pela atmosfera e por todo o território circundante.

Os relatos que nos chegam — o evento aconteceu em abril de 1815 — indicam que este terá originado a morte de 10 mil habitantes da ilha de forma imediata, apesar de as consequências se terem expandido por geografias muito mais vastas.

À semelhança do vulcão do Monte Toba, também este esteve na origem de uma queda das temperaturas na ordem dos 5 graus e mesmo após um ano depois da erupção tanto a América do Norte como a Euroásia registavam condições climáticas extremas.

O ano de 1816 ficou mesmo conhecido como o ano que não teve verão e estima-se que entre 100 mil e 200 mil pessoas tenham morrido por motivos de fome ou doenças relacionadas com a erupção. O supervulcão Tambora continua em atividade até aos dias de hoje, apesar de esta ser muito mais controlada.

As idades do gelo

Para além dos vulcões, outra das catástrofes com graves consequências ao nível da vida humana tem que ver com as alterações atribuídas às idades do gelo, as quais eram tão severas (temperaturas extremamente baixas) que representavam um ameaça à sobrevivência das espécies. Estes períodos prolongados de tempo eram influenciados por variações na energia solar, mas também pela órbita do nosso planeta.

É aqui que podemos localizar o início de muitos dos glaciares que perduraram durante milhares ou milhões de anos — uma clara oposição ao que estamos a viver atualmente.

Os climatólogos estimam que o planeta tenha estado submetido, há cerca de 20 mil anos, a temperaturas tão baixas que resultaram camadas de gelo que se estendiam pelos dois hemisférios.

Mais uma vez, as temperaturas também foram fortemente afetadas, com descidas na ordem dos 10 graus. Tal como sugere a Discover Magazine, estas condições eram extremamente difíceis e tornavam a sobrevivência de qualquer espécie um autêntico desafios. Entre as que conseguiram resistir está o Homo sapiens.

A “Morte Negra”

No leque de doenças que já ameaçaram dizimar a humanidade, consta a peste bubónica, a qual terá tido início milhares de anos após o fim da Idade do Gelo, já que as condições mais amenas terão permitido, entre outras coisas, a conexão entre as pessoas.

Na origem da peste bubónica — com início estimado em 541 d.C —, esteve a bactéria Yersinia pestis, a qual quase dizimou toda a espécie humana, apontam os investigadores. A doença começou a espalhar-se pela Eurásia e pela África, provocando a morte a cerca de 50 milhões de pessoas num único ano.

Em 1347, a doença fez uma nova aparição. Os principais sintomas que lhe estão associados são mal-estar, alucinações, diarreia, bolhas, tosse e inchaços negros — estes últimos apareciam junto das ancas e axílas dos doentes, um sinal de que a morte estaria próxima.

Nesta fase, a doença provocou quase 200 milhões de mortes na Eurásia e em África  quase metade da população humana da altura.

Pandemias globais

No entanto, o planeta, desde que a globalização se iniciou, foi palco de outras pandemias, já que o contacto humano facilita a propagação das mesmas.

Os descobrimentos, por exemplo, permitiram a expansão de vírus europeus por territórios como a Ásia e a América onde viviam indivíduos isolados que não haviam tido contacto com estes vírus anteriormente.

Entre as doenças transmitidas constam a varíola, a cólera, o sarampo e a febre tifose — com os seus impactos a fazerem-se sentir de imediato nas populações indígenas. Estima-se que no espaço de tempo compreendido entre 100 e 150 anos cerca de 90% da população indígena do mundo tenha morrido por este motivo.

As mortes aconteceram em níveis tão altos e dramáticos que o CO2 e a temperatura da Terra decresceram de forma clara, agravando o período de temperaturas baixas já referido a propósito da Idade do Gelo.

Apesar de muitas destas catástrofes ainda poderem acontecer nos dias de hoje, os especialistas acreditam que a ciência nos está a proteger de muitas das consequências possíveis.

Seja através de medicamentos, vacinas, previsões sísmicas ou eruptivas, o ser humano está mais protegido do que alguma vez esteve, não existindo, à exceção da emergência climática, motivos para receios ou pânicos relacionados com a possível extinção humana.

Mas, pelo sim pelo não, talvez não seja boa ideia viver para os lados da Indonésia.

https://zap.aeiou.pt/humanidade-sobreviveu-apocalipses-439024

 

Descoberta revolucionária - Os Vikings chegaram à América há precisamente 1.000 anos !

Novas evidências arqueológicas permitiram aos cientistas redefinir a linha do tempo para a presença Viking na América do Norte.


O primeiro assentamento permanente de Vikings na América do Norte – conhecido como L’Anse aux Meadows – atormentou os arqueólogos ao longo de mais de 60 anos.

Agora, os cientistas conseguiram perceber em que altura este povo esteve sediado nesta região: foi há precisamente 1.000 anos, em 1021 d.C.

Para chegar a estas conclusões, os arqueólogos usaram um método de datação relativamente recente. “A precisão é espantosa”, refere Rachel Wood à Science, cientista de radiocarbono da Australian National University que não esteve envolvida no novo estudo.

Há algum tempo que se sabia que os Vikings se tinham estabelecido na América do Norte, mais precisamente em L’Anse aux Meadows, em Newfoundland, no Canadá, muito antes de Cristóvão Colombo lá chegar. No entanto, foram necessários vários anos para se chegar a uma data em concreto.

No novo estudo, os especialistas, liderados pelo cientista Michael Dee, da Universidade de Groningen, explicam o método usado para descobrir a data da presença dos Vikings, referindo que fizeram uso de uma coleção de pedaços de madeira que foram escavados em L’Anse aux Meadows nas décadas de 1960 e 1970.

Com base em marcas de corte na madeira, os arqueólogos sabem que estes foram cortados por machados de metal, o que sugere que os Vikings, e não os povos indígenas da América do Norte, foram os responsáveis pelo trabalho.

Ao longo de várias décadas, os pedaços de madeira foram mantidos num frigorífico pela co-autora do estudo, Birgitta Wallace, uma arqueóloga da Parks Canada que passou a sua carreira a investigar este assunto.

Esta data oferece uma conjuntura segura para a cronologia Viking. Mais importante do que isso, atua como um novo ponto de referência para o conhecimento europeu das Américas”, pode ler-se no estudo.

https://zap.aeiou.pt/vikings-presentes-america-norte-439485

 

Novo tratamento pode oferecer proteção de até 18 meses contra covid-19 grave !

Um novo tratamento desenvolvido pela AstraZeneca pode oferecer uma proteção de até 18 meses contra a forma de doença mais grave da covid-19.


Em breve, um novo tratamento poderá ajudar a proteger as pessoas do desenvolvimento de covid-19 grave. A AstraZeneca acaba de divulgar os resultados de um ensaio clínico de fase 3 — o estágio final de testes antes de um medicamento ser autorizado — que sugere que o seu novo tratamento, AZD7442, é eficaz na redução de doença grave ou morte em pacientes não hospitalizados.

O tratamento contém anticorpos, que geralmente são produzidos naturalmente em resposta a uma infeção por covid-19 ou vacinação. Os anticorpos funcionam reconhecendo partes específicas do SARS-CoV-2 e atacam-nos diretamente ou ligam-se a eles para impedir o funcionamento do vírus e sinalizá-lo para destruição por outras partes do sistema imunitário.

Depois de terem feito o seu trabalho de limpar o vírus, os anticorpos permanecem no corpo por um período de tempo, fazendo parte da nossa memória imunitária. Se o que procuram for encontrado novamente, podem entrar em ação.

O novo tratamento, AZD7442, usa anticorpos especiais chamados anticorpos monoclonais. Estes são anticorpos produzidos em laboratório que imitam as defesas naturais do corpo.

O desenvolvimento artificial de anticorpos para combater doenças não é uma técnica nova. Esta tecnologia já é usada no tratamento de diversas doenças, incluindo leucemia, cancro da mama e lúpus. Na realidade, esta nem é a primeira vez que a técnica é usada para a covid-19.

O primeiro tratamento com anticorpos monoclonais covid-19 foi aprovado no Reino Unido em agosto de 2021.

Como é que o tratamento da AstraZeneca funciona?

O AZD7442 é um cocktail de dois anticorpos monoclonais — tixagevimabe e cilgavimabe — projetado para reduzir a gravidade de uma infeção por SARS-CoV-2 e, assim, evitar que as pessoas fiquem gravemente doentes.

Ambos os anticorpos ligam-se a diferentes partes aos peplómeros do vírus, que cobrem a sua superfície externa e são o que o vírus usa para infetar as células. Acredita-se que a junção a estas proteínas é o que dá ao medicamento o seu efeito, pois isso impede que o vírus seja capaz de entrar nas células e reproduzir-se.

Os dois anticorpos monoclonais no cocktail são baseados em anticorpos obtidos de pacientes que sobreviveram à covid-19. Cientistas da AstraZeneca recolheram amostras de sangue de pacientes e isolaram células do sistema imunitário chamadas células B, que são as fábricas de anticorpos do corpo humano.

De seguida, cultivaram mais dessas células B em laboratório e usaram-nas para fazer grandes quantidades dos dois anticorpos, que identificaram como tendo como alvo específico o peplómero do coronavírus.

Mas a principal diferença entre este e outros tratamentos baseados em anticorpos é que no AZD7442, os anticorpos foram modificados para que permaneçam no corpo por mais tempo.

Estudos usando anticorpos modificados de forma semelhante contra outro vírus respiratório — vírus sincicial respiratório — mostraram que essa abordagem oferece proteção a longo prazo, com os anticorpos modificados tendo o triplo da durabilidade dos anticorpos convencionais.

Espera-se que uma única dose de AZD7442 possa oferecer proteção de 12 a 18 meses contra covid-19 grave, embora tenhamos que esperar para ver exatamente quanto tempo dura a proteção.

https://zap.aeiou.pt/tratamento-oferecer-protecao-18-meses-439318

 

Experiência revela novo estado da matéria !

Cientistas encontraram a primeira evidência experimental de um efeito quadruplicador na condensação de eletrões e o mecanismo pelo qual este estado da matéria ocorre.


Segundo o SciTechDaily, o princípio central da supercondutividade determina que os eletrões formam pares. Mas podem também condensar-se em quartetos? Um novo estudo sugere que sim e já há provas experimentais deste efeito.

Egor Babaev, do KTH Royal Institute of Technology, e a sua equipa apresentaram provas de que o fermião quadruplica numa série de medições experimentais sobre o material à base de ferro Ba1-xKxFe2As2. Estes resultados surgem quase 20 anos depois de Babaev ter previsto pela primeira vez este tipo de fenómeno, e oito anos depois de ter publicado um artigo que previa o que poderia acontecer no material.

O emparelhamento eletrónico permite o estado quântico de supercondutividade, um estado de resistência zero utilizado em scanners de ressonância magnética e computação quântica. Ocorre dentro de um material e é o resultado de dois eletrões ligados um ao outro.

Os chamados pares Cooper são “opostos que atraem”. Normalmente, dois eletrões, que são partículas subatómicas carregadas negativamente, repelir-se-iam fortemente um ao outro. Contudo, a baixas temperaturas num cristal, ligam-se livremente em pares, dando origem a uma robusta ordem de longo alcance.

As correntes dos pares de eletrões já não estão dispersas e um condutor pode perder toda a resistência elétrica, tornando-se um novo estado da matéria: um supercondutor.

Só nos últimos anos é que a ideia teórica dos condensados de quatro fermiões se tornou amplamente aceite. Para que ocorra um estado de quatro fermiões, tem de haver algo que previna a condensação dos pares e impeça o seu fluxo não controlado, ao mesmo tempo que permite a condensação de compostos de quatro eletrões.

A teoria Bardeen-Cooper-Schrieffer não permitiu tal comportamento. Mas quando Vadim Grinenko, colaborador de Babaev na Technische Universtät Dresden, encontrou os primeiros sinais de uma condensação quádrupla de fermiões, desafiou o entendimento científico.

Depois de três anos intensos de investigação em laboratórios, os cientistas chegaram à conclusão de que a chave entre as observações feitas é que os condensados fermiónicos quádruplos quebram espontaneamente a simetria de inversão do tempo.

Na Física, a simetria de inversão do tempo é uma operação matemática de substituição da expressão do tempo pela sua negativa em fórmulas ou equações, de modo a descreverem um acontecimento em que o tempo corre para trás ou em que todos os movimentos são invertidos.

Se se inverter a direção do tempo, as leis fundamentais da Física mantêm-se. O mesmo se aplica para supercondutores: se a seta do tempo for invertida, um supercondutor ainda estaria no mesmo estado supercondutor.

No entanto, no caso de um condensado de quatro fermiões, a inversão do tempo coloca-o num estado diferente. Para compreender este estado, serão necessários muitos anos de investigação.

https://zap.aeiou.pt/um-novo-estado-da-materia-439291

 

Planetas que saem às suas estrelas não degeneram !

Há muito tempo que se assume um elo composicional entre os planetas e as suas respetivas estrelas hospedeiras. Agora, pela primeira vez, uma equipa de cientistas forneceu evidências empíricas para apoiar este pressuposto – e ao mesmo tempo contradizê-lo.

Ilustração de formação planetária em torno de uma estrela parecida com o Sol, com os blocos de construção dos planetas - rochas e moléculas de ferro - no plano da frente.

As estrelas e os planetas formam-se a partir do mesmo gás e poeira. No curso do processo de formação, parte do material condensa-se e forma planetas rochosos, o resto ou é acumulado pela estrela ou torna-se parte dos planetas gasosos.

A presunção de uma ligação entre a composição das estrelas e dos seus planetas é, portanto, razoável e confirmada, por exemplo, no Sistema Solar pela maioria dos planetas rochosos (Mercúrio sendo a exceção). No entanto, as suposições, especialmente em astrofísica, nem sempre se provam verdadeiras.

Um estudo liderado pelo Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) em Portugal, que também envolve investigadores do NCCR PlanetS da Universidade de Berna e da Universidade de Zurique, publicado na Science, fornece a primeira evidência empírica para apoiar esta suposição – e ao mesmo tempo contradizê-la.

Estrela condensada vs. planeta rochoso

Para determinar se as composições das estrelas e dos seus planetas estão relacionadas, a equipa comparou medições muito precisas de ambos. Para as estrelas, foi medida a luz emitida, que transporta a impressão digital espectroscópica característica da sua composição. Já a composição dos planetas rochosos foi determinada indiretamente: a sua densidade e composição foram derivadas da medição da sua massa e raio.

Só recentemente é que um número suficiente de planetas foi medido com a precisão necessária para que investigações significativas deste tipo fossem possíveis.

“Mas dado que as estrelas e os planetas rochosos têm naturezas bastante diferentes, a comparação da sua composição não é simples“, como Christoph Mordasini, coautor do estudo, professor de astrofísica da Universidade de Berna e membro do NCCR PlanetS explica.

“Ao invés, comparámos a composição dos planetas com uma versão teórica e menos quente da sua estrela. Ao passo que a maior parte do material estelar – principalmente hidrogénio e hélio – permanece como gás quando arrefece, uma pequena fração condensa-se, composta por material rochoso como ferro e silicato,” explica Mordasini.

Na Universidade de Berna, o “Modelo de Berna para a Formação e Evolução Planetária” tem sido desenvolvido continuamente desde 2003.

Christoph Mordasini diz: “as informações sobre os múltiplos processos envolvidos na formação e evolução dos planetas são integradas no modelo.” Usando este modelo de Berna, os investigadores foram capazes de calcular a composição desse material formador de rocha da estrela mais fria.

“Em seguida, fizemos uma comparação com os planetas rochosos”, diz Mordasini.

Indícios de habitabilidade planetária

“Os nossos resultados mostram que as nossas suposições sobre as composições de estrelas e planetas não estavam fundamentalmente erradas: a composição dos planetas rochosos está, de facto, intimamente ligada à composição da sua estrela hospedeira. Apesar disso, a relação não é tão simples quanto esperávamos”, afirma Vardan Adibekyan, autor principal do estudo e investigador no IA.

O que os cientistas esperavam era que a abundância destes elementos estabelecesse um possível limite superior. “No entanto, para alguns dos planetas, a abundância de ferro no planeta é ainda maior do que na estrela”, afirma Caroline Dorn, coautora do estudo e membro do NCCR PlanetS, bem como da Universidade de Zurique.

“Isto pode ser devido a impactos gigantescos nestes planetas que ejetam alguns dos materiais externos, mais leves, enquanto o núcleo denso de ferro permanece”, diz a investigadora. Os resultados podem, portanto, dar aos cientistas pistas sobre a história dos planetas.

“Os resultados deste estudo também são muito úteis para restringir as composições planetárias assumidas com base na densidade calculada a partir de medições da massa e do raio”, explica Christoph Mordasini.

“Uma vez que mais do que uma composição pode corresponder a uma determinada densidade, os resultados do nosso estudo dizem-nos que podemos restringir as potenciais composições, com base na composição da estrela hospedeira”, salienta.

E dado que a composição exata de um planeta influencia, por exemplo, quanto material radioativo contém ou quão forte é o seu campo magnético, podemos determinar se o planeta é favorável à vida ou não.

https://zap.aeiou.pt/planetas-saem-estrelas-nao-degeneram-439332

 

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Já há um medicamento para tratar a covid-19 em casa e vários países assinaram acordos de compra !

Países asiáticos já estão na luta pelo novo comprimido antiviral, cujo uso ainda nem sequer foi autorizado, contra a covid-19.


Países da região asiática estão já a fazer encomendas da mais recente arma contra a covid-19: um comprimido antiviral que ainda nem sequer está autorizado para uso, escreve a CNN.

O Molnupiravir — produzido pela empresa farmacêutica americana Merck — está a ser anunciado como um potencial game changer, especialmente para aqueles que não podem ser vacinados.

A Merck está neste momento à espera da autorização de uso de emergência do regulador norte-americano Food and Drug Administration (FDA) para o medicamento que, se se for aprovado, será o primeiro tratamento oral contra a covid-19.

Na região Ásia-Pacífico, há já pelo menos oito países (incluindo Nova Zelândia, Austrália e Coreia do Sul) que assinaram acordos ou estão em conversações para adquirir o medicamento, segundo a empresa Airfinity.

Especialistas dizem que, embora o medicamento pareça promissor, estão preocupados que algumas pessoas o utilizem como alternativa às vacinas, que continuam a oferecer uma maior proteção contra o SARS-CoV-2.

Além disso, advertem que a corrida da Ásia ao novo tratamento poderá provocar uma repetição do que aconteceu com a distribuição das vacinas, quando os países mais ricos foram acusados de acumular doses, deixando os países de baixos rendimentos com falta destas.

“[Molnupiravir] tem o potencial para mudar um pouco o jogo”, disse Rachel Cohen, diretora executiva da Iniciativa de Medicamentos para Doenças Negligenciadas, uma organização sem fins lucrativos.

“Temos de garantir que não repetimos a história — que não caímos nos mesmos padrões ou repetimos os mesmos erros que aconteceram com as vacinas contra a covid”, continuou.

Afinal, o que é o Molnupiravir?

O novo medicamento é visto como um passo na direção certa para controlar a pandemia de covid-19, tendo em conta que pode tratar pacientes infetados com o coronavírus, sem que estes precisem de ser hospitalizados.

Assim que o paciente seja diagnosticado, pode iniciar o tratamento com Molnupiravir, que envolve a toma de quatro cápsulas de 200 miligramas, duas vezes por dia, durante cinco dias — num total de 40 comprimidos.

Ao contrário das vacinas, que provocam uma resposta imunológica para prevenir a infeção, o Molnupiravir prejudica a replicação do vírus, explicou Sanjaya Senanayake, médico de doenças infecciosas e professor associado de medicina na Faculdade de Medicina da Universidade Nacional Australiana.

“De certa forma, faz com que o vírus produza ‘bebés’ que não são saudáveis”, disse.

Os resultados da Fase 3 dos ensaios clínicos, que contaram com a participação de mais de 700 pacientes não vacinados, mostram que o medicamento poderia reduzir o risco de hospitalização ou morte em aproximadamente 50%, em comparação com os pacientes que tomaram um placebo.

Todos os participantes receberam Molnupiravir ou um placebo cinco dias após o início dos sintomas e, no prazo de 29 dias, nenhum dos que tomaram o medicamento morreu, em comparação com oito dos que receberam o placebo.

Os dados finais do ensaio ainda não foram divulgados e ainda não foram revistos por pares. Mas são são encorajadores e o Molnupiravir pode ter um “impacto profundo no controlo da pandemia”, disse, em comunicado, Wendy Holman, diretora executiva da Ridgeback Biotherapeutics.

“Os tratamentos antivirais que podem ser tomados em casa para manter as pessoas infetadas com covid-19 fora do hospital são muito necessários”, continuou.

Especialistas concordam que o fármaco é promissor. Em vez de os pacientes esperarem para perceber se ficam com sintomas graves, o vírus poderia ser tratado logo após o seu diagnóstico, disse Cohen, da Iniciativa de Medicamentos para Doenças Negligenciadas.

E, ao contrário de outros tratamentos para a covid-19, o Molnupiravir poderia ser tomado em casa, libertando recursos hospitalares para doentes mais graves.

Assim, “conseguir um comprimido é muito mais simples”, disse Senanayake, considerando o novo medicamento um game changer.

Mas qual é o impacto do Molnupiravir relativamente às vacinas?

Segundo peritos ouvidos pela CNN, as vacinas continuam a ser a melhor proteção, até porque reduzem o risco de uma pessoa ser infetada com covid-19.

Mas mesmo na região Ásia-Pacífico, onde as taxas de vacinação melhoraram após um início lento, milhões de pessoas continuam a não ser inoculadas porque não se qualificam, ou porque não conseguem aceder às vacinas. Daí a importância do novo medicamento.

“Há muitas pessoas que não podem ser vacinadas”, disse Nial Wheate, professor associado da Escola de Farmácia da Universidade de Sidney.

“Este medicamento será uma solução de primeira linha para aquelas pessoas que acabam por adoecer”, continuou.

No entanto, Wheate e outros especialistas estão preocupados com o facto de o novo tratamento poder dificultar a tarefa de convencer as pessoas a serem vacinadas, agravando a hesitação vacinal verificada em vários países, incluindo a Austrália.

A investigação mostra que as pessoas preferem engolir medicamentos em vez de serem injetados, disse Wheate.

“Se me tivesse dito há um ano e meio que as pessoas recusariam uma vacina para uma doença que está a exterminar o planeta, eu teria pensado que é louco”, acrescentou.

“Há sempre espaço para as pessoas pensarem que este medicamento será uma solução muito melhor do que ser vacinado”, concluiu.

Senanayake compara a abordagem à covid-19 com a da gripe sazonal: existe uma vacina contra a gripe, mas também existem medicamentos antivirais para tratar aqueles que ficam doentes.

No entanto, o Molnupiravir não diminui a urgência em aumentar o acesso equitativo às vacinas, alertou Cohen.

“A equidade da vacinação é o maior desafio. Mas nunca se combate uma doença infecciosa com apenas um conjunto de ferramentas. Precisamos do arsenal completo das tecnologias da saúde”, acrescentou.

De acordo com dados da Airfinity, dez países ou territórios já estão em negociações ou assinaram acordos para a compra do medicamento — e oito deles são da região Ásia-Pacífico.

Segundo a CNN, alguns desses países podem estar a tentar evitar erros do passado, como quando a entrega lenta de encomendas fez com que o lançamento das vacinas se atrasasse.

“Penso que só queremos ter a certeza de que estamos à frente quando se trata destes novos desenvolvimentos”, disse Senanayake.

“Há alguns países de rendimento médio que penso que estão apenas a tentar não cair na mesma armadilha em que foram deixados quando os países de rendimento elevado acumularam todas as vacinas”, acrescentou Cohen.

Ainda não é claro quanto é que cada um destes países pagará pelos comprimidos, mas os Estados Unidos concordaram em pagar 1,2 mil milhões de dólares por 1,7 milhões de lotes, caso o Molnupiravir seja aprovado. Isto significa que o governo pagará cerca de 700 dólares (cerca de 600 euros) por lote, cuja produção custa apenas 18 dólares (cerca de 15,5 euros), segundo uma análise dos investigadores Melissa Barber e Dzintars Gotham baseada num cálculo do custo das matérias-primas.

https://zap.aeiou.pt/medicamento-covid-19-casa-comprar-438825

 

“Tombo planetário.” - Estudo sugere que a Terra se inclinou em relação ao eixo de rotação há 84 milhões de anos !

O tema tem sido controverso, mas uma equipa de cientistas garante agora ter mais provas de que a Terra se inclina de vez em quando. Segundo os cientistas, foi o que aconteceu há 84 milhões de anos.

Ilustração do planeta Terra

Os planetas movem-se muito lentamente graças à tectónica das placas, mas a deriva continental só empurra as placas tectónicas umas contra as outras. Nas últimas décadas, os cientistas têm debatido a hipótese de a camada externa e sólida da Terra poder oscilar, ou até inclinar, em relação ao eixo de rotação – mas o debate em torno de uma “verdadeira deslocação polar” é controverso.

Recentemente, escreve o Phys, uma equipa de cientistas liderada por Joe Kirschvink, do Instituto de Ciências da Terra-Vida (ELSI) no Japão, e Ross Mitchell, do Instituto de Geologia e Geofísica de Pequim, oferece alguns detalhes mais convincentes de que esse “tombo planetário” pode mesmo ter acontecido no passado.

O nosso planeta é uma bola estratificada com um núcleo interno de metal sólido e um núcleo externo de metal líquido, além de um manto sólido e de uma crosta predominante na superfície. Todos estes elementos giram como um pião ao longo do dia.

Além disso, à medida que se formam, muitas rochas “registam” a direção do campo magnético local. Exemplo disso são os minúsculos cristais de magnetite mineral produzidos por algumas bactérias, que se alinham como minúsculas agulhas de uma bússola, e ficam presos nos sedimentos quando a rocha se solidifica.

Este magnetismo “fóssil” pode ser usado para rastrear a direção do eixo de rotação em relação à crosta.

“Imagine olhar para a Terra a partir do Espaço: a verdadeira deslocação polar pareceria como se a Terra estivesse a inclinar-se de lado, mas o que está a acontecer é que toda a casca rochosa do planeta – o manto sólido e a crosta – estão a girar em torno do núcleo exterior líquido”, explicou Kirschvink.

É verdade que os cientistas conseguem medir a deslocação polar com elevado grau de precisão usando satélites, mas os geólogos ainda debatem se as grandes rotações do manto e da crosta ocorreram mesmo no passado do nosso planeta.

Recentemente, depois de analisarem rochas das montanhas da Itália central, os investigadores descobriram que os dados indicavam uma inclinação do planeta de aproximadamente 12˚ há 84 milhões de anos, durante o Cretáceo Superior.

Sarah Slotznick, geobióloga no Dartmouth College, explicou que “estas rochas sedimentares italianas revelam-se especiais e muito fiáveis porque os minerais magnéticos são, na realidade, fósseis de bactérias que formaram cadeias de magnetite mineral”.

A equipa também descobriu que a Terra parece ter-se corrigido a si mesma: depois de “tombar” para o lado, o nosso planeta inverteu a direção girando para trás e fazendo uma digressão total de quase 25˚ em arco em cerca de cinco milhões de anos.

https://zap.aeiou.pt/terra-inclinou-relacao-ao-eixo-rotacao-439070

 

Inédito na medicina - Rim de porco foi transplantado com sucesso num humano !

Pela primeira vez na história, uma equipa médica conseguiu transplantar um rim de porco geneticamente modificado num humano. Foi uma experiência num paciente em morte cerebral, mas que abre portas à utilização de rins de porco em doentes com falência renal crítica.


A experiência decorreu no Centro Médico Langone Health da Universidade de Nova Iorque, nos EUA, e envolveu um paciente em estado de morte cerebral que tinha disfunção nos rins.

A família do paciente consentiu o procedimento antes de serem desligados os equipamentos de suporte de vida que mantinham o seu corpo a funcionar.

Assim, os cientistas transplantaram o rim de porco no paciente no exterior do seu corpo, para permitir a observação durante um período de 54 horas.

Antes disso, os cientistas alteraram os genes do porco, nos tecidos do rim, para eliminar a molécula conhecida por despoletar a quase imediata rejeição do órgão por parte do corpo humano.

E essa modificação genética surtiu efeito, uma vez que o sistema imunitário do paciente não rejeitou o rim de porco.

O órgão esteve “colado” aos vasos sanguíneos do paciente durante três dias e os testes realizados às funções dos rins “pareceram bastante normais”, explica o cirurgião Robert Montgomery que liderou a investigação em declarações à Reuters.

O órgão produziu “a quantidade de urina esperada” num rim humano transplantado, salienta ainda Montgomery, realçando que não houve quaisquer sinais de rejeição.

“O nível anormal de creatinina do receptor – um indicador de função renal deficiente – voltou ao normal após o transplante“, explicou ainda Montgomery à Reuters.

Estes resultados são promissores na área dos transplantes renais, sobretudo devido à escassez de órgãos humanos para este efeito.

“Para muitas pessoas [com disfunção renal], a taxa de mortalidade é tão alta como para alguns cancros, e não pensamos duas vezes quanto a usar novos medicamentos e a fazer novos testes [em pacientes com cancro] quando lhes pode dar mais alguns meses de vida”, aponta Montgomery à Reuters.

As questões éticas associadas a esta investigação levaram a equipa de investigadores a falar com especialistas legais e religiosos.

A Food and Drug Administration (FDA) e a agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA também tiveram que autorizar as alterações genéticas no animal em Dezembro de 2020.

Mas, passados esses constrangimentos, a investigação inovadora abre caminho para que, dentro de dois anos, possam ser feitos transplantes de rins de porco em doentes com falência renal crítica, como notam os investigadores.

https://zap.aeiou.pt/rim-porco-transplantado-humano-439242

 

Sismo de magnitude 4,8 na escala de Richter abala La Palma - É o maior desde o início da erupção !

Esta terça-feira à noite, um terramoto de magnitude 4,8 na Escala de Richter abalou La Palma. É o maior sismo até ao momento, desde o início da erupção do vulcão Cumbre Vieja.

Imagem

Segundo o El País, o sismo aconteceu por volta das 22h48 (hora das Canárias), e teve o seu epicentro em Villa de Mazo, a uma profundidade de 39 quilómetros.

O terramoto, de magnitude 4,8 na Escala de Richter, foi sentido não só em toda a ilha, como também em várias cidades do norte de Tenerife. O diário espanhol salienta que, desde a noite de ontem, a ilha sofreu mais de duas dezenas de terramotos.

O sismo desta terça-feira acontece exatamente um mês depois de o Cumbre Vieja ter entrado em erupção, no dia 19 de setembro. Nos últimos dias, registaram-se terramotos na área com magnitude semelhante, mas nunca tão elevada. O último, de magnitude 4,6, ocorreu no sábado.

O vulcão espanhol já foi responsável pela destruição de quase dois mil edifícios e as línguas de lava já engoliram mais de 760 hectares da ilha espanhola.

https://zap.aeiou.pt/sismo-de-magnitude-4-8-la-palma-439177

 

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