terça-feira, 5 de maio de 2020

Hubble apanhou a fragmentação do cometa ATLAS


Imagens do Cometa ATLAS, pelo Hubble, obtidas nos dias 20 e 23 de abril

O Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA forneceu aos astrónomos a visão mais nítida até ao momento do colapso do Cometa C/2019 Y4 (ATLAS). O telescópio resolveu aproximadamente 30 fragmentos do frágil cometa no dia 20 de abril e 25 pedaços no dia 23 de abril.
O cometa foi descoberto pela primeira vez em dezembro de 2019 pelo sistema robótico de levantamento ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System) no Hawaii, EUA. Aumentou rapidamente de brilho até meados de março, e alguns astrónomos previram inicialmente que talvez ficasse visível a olho nu em maio para se tornar um dos cometas mais espetaculares vistos nas últimas duas décadas.
No entanto, o cometa começou abruptamente a ficar mais fraco, levando os astrónomos a especular que o núcleo de gelo podia estar a fragmentar-se, ou até a desintegrar-se. A fragmentação do ATLAS foi confirmada pelo astrónomo amador José de Queiroz, que fotografou cerca de três fragmentos do cometa no dia 11 de abril.
As novas observações da fragmentação do cometa, pelo Telescópio Espacial Hubble, obtidas nos dias 20 e 23 de abril, revelam que os pedaços estão todos envoltos numa cada de poeira cometária, varrida pela luz do Sol. Estas imagens fornecem mais evidências de que a fragmentação dos cometas é provavelmente comum e pode até ser o mecanismo dominante pelo qual os núcleos sólidos e gelados dos cometas morrem.
A sua aparência muda substancialmente entre os dois dias, tanto que é bastante difícil ligar os pontos,” disse David Jewitt da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), líder de uma das equipas que fotografou o cometa condenado com o Hubble.
“Não sei se isto é porque as peças individuais piscam quando refletem a luz do Sol, agindo como luzes cintilantes numa árvore de Natal, ou porque fragmentos diferentes aparecem em dias diferentes.”
Isto é realmente emocionante – tanto porque estes eventos são incríveis de observar e porque não acontecem com muita frequência. A maioria dos cometas que se fragmentam são demasiado fracos para ver. Eventos a esta escala só acontecem duas vezes por década,” disse o líder da segunda equipa de observação do Hubble, Quanzhi Ye, da Universidade de Maryland.
Tendo em conta que a fragmentação cometária ocorre de forma rápida e imprevisível, as observações fiáveis são raras. Portanto, os astrónomos permanecem bastante incertos sobre a causa da fragmentação. Uma sugestão é que o núcleo original se quebre em pedaços por causa da ação dos jatos que expelem gelos via sublimação.
Dado que este fluxo provavelmente não está disperso uniformemente pelo cometa, agudiza a fragmentação. “Uma análise mais aprofundada dos dados do Hubble pode mostrar se este mecanismo é ou não responsável,” disse Jewitt. “Independentemente disso, é maravilhoso o Hubble observar este cometa moribundo.”
As imagens nítidas do Hubble podem fornecer novas pistas sobre a separação. O telescópio distinguiu peças distintas tão pequenas quanto uma casa. Antes da fragmentação, todo o núcleo não podia ter mais do que o comprimento de dois campos de futebol.
O cometa ATLAS, em desintegração, está atualmente localizado dentro da órbita de Marte, a uma distância de mais ou menos 145 milhões de quilómetros da Terra quando as últimas observações do Hubble foram feitas. O cometa fará a sua maior aproximação à Terra no dia 23 de maio a uma distância de aproximadamente 115 milhões de quilómetros e, oito dias depois, passará pelo Sol a 37 milhões de quilómetros de distância.

https://zap.aeiou.pt/hubble-apanhou-fragmentacao-do-cometa-atlas-322444

Israel anuncia descoberta de anticorpo que “neutraliza” o coronavírus em pessoas doentes !

O Instituto de Israel para a Investigação Biotecnológica, do Ministério da Defesa, anunciou esta terça-feira ter desenvolvido um anticorpo para o coronavírus estando a preparar a patente para depois contactar farmacêuticas com o objetivo de uma produção em escala comercial.
Num comunicado, o instituto referiu que o centro de investigação assegura que o anticorpo que foi desenvolvido ataca e neutraliza o vírus nas pessoas doentes. “De acordo com os investigadores do instituto, encabeçados pelo professor Shmuel Shapiro, a fase de desenvolvimento do anticorpo foi finalizada”, apontou a nota, citada pela agência Lusa.
O ministro da Defesa de Israel, Naftali Benet, visitou o laboratório do instituto em Nezz Ziona, sul de Telavive, onde tomou conhecimento da investigação referindo que o “anticorpo ataca o vírus de forma monoclonal” qualificando o trabalho desenvolvido como “uma grande conquista”.
“Estou orgulhoso do pessoal do Instituto de Biotecnologia por este grande avanço. A criatividade e o pensamento judaico atingiram este grande resultado”, expressou o ministro através do mesmo comunicado, que não indica se foram realizados ensaios em humanos.
Altos cargos do setor da defesa e da segurança israelitas disseram, entretanto, à estação estatal Kan que a descoberta é a “primeira deste tipo a nível mundial”.
De acordo com a publicação digital Times of Israel, no mundo há cerca de uma centena de equipas de investigação à procura de uma vacina para o vírus SARS-Cov-2 que provocou a pandemia sendo que cerca de uma dezena estão neste momento em fase de teste em seres humanos.
Muitos especialistas avisaram em março que o processo após o desenvolvimento de uma vacina em laboratório pode demorar pelo menos 18 meses.
O Instituto para a Investigação e Biotecnologia de Israel dedica-se, entre outros campos, a investigar armas químicas procurando antídotos contra novas substâncias. Em março, o Haaretz publicou que o instituto tinha conseguido avançar nas investigações sobre a vacina tendo na altura o Ministério da Defesa desmentido a informação da publicação israelita.
A nível global, segundo um balanço da agência AFP, a pandemia já provocou mais de 250 mil mortos e infetou mais de 3,5 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

https://zap.aeiou.pt/israel-anticorpo-neutraliza-coronavirus-pessoas-doentes-322698

Nitrogénio fixo dentro do meteorito apoia antiga habitabilidade de Marte !

Pela primeira vez na história, compostos orgânicos contendo nitrogênio foram encontrados dentro de um meteorito de Marte.

Nitrogênio fixo dentro do meteorito apoia antiga habitabilidade de Marte
Este meteorito conhecido contém uma riqueza de pistas quanto a vida em Marte. Crédito de imagem: NASA
Descoberto em Allan Hills, na Antártica, há mais de 35 anos, o meteorito – conhecido como ALH84001 – data de 4 bilhões de anos, quando Marte era muito diferente de como é hoje.
Você provavelmente já ouviu falar desse meteorito em particular antes – nos anos 90, uma equipe de cientistas afirmou ter identificado bactérias fossilizadas microscópicas contidas nele.
A descoberta se tornou manchete no mundo todo e, embora tenha sido subestimada, a pesquisa teve um papel fundamental no avanço do campo da astrobiologia.
Agora, mais de 20 anos depois, os cientistas que analisaram o meteorito descobriram evidências de nitrogênio fixo – uma forte indicação de que Marte pode ter sido o lar dos ingredientes da vida.
Atsuko Kobayashi, do Instituto de Tecnologia de Tóquio, informou:
No início da história do sistema solar, Marte provavelmente foi inundado com quantidades significativas de matéria orgânica, por exemplo, meteoritos ricos em carbono, cometas e partículas de poeira.
Alguns deles podem ter se dissolvido na salmoura e presos dentro dos carbonatos.
Embora ainda não esteja claro como esses compostos orgânicos podem ter surgido, sua presença representa algumas das evidências científicas mais fortes já encontradas da habitabilidade passada do Planeta Vermelho.
Os autores do estudo escreveram:
Qualquer que seja a origem, a presença de nitrogênio orgânico e reduzido em Marte no período Noachiano inicial/médio indica a importância do ciclo do nitrogênio marciano.

https://www.ovnihoje.com/2020/05/05/nitrogenio-fixo-dentro-do-meteorito-apoia-antiga-habitabilidade-de-marte/

A ciência ainda debate se há vida fora da Terra

O 100º aniversário do ‘Grande Debate’ da astronomia suscita pensamentos sobre a busca pela vida no universo.

A ciência ainda debate se há vida fora da Terra
Credito: C. Scharf (2020)
Em 26 de abril de 1920, em uma amostra de relações públicas astutas, o Museu Smithsonian de História Natural em Washington, DC sediou um debate entre os astrônomos Harlow Shapley e Heber Curtis. O tópico era a questão de saber se as ‘nebulosas espirais’ eram na verdade galáxias distantes (implicando um universo muito mais expansivo do que se imaginava anteriormente) ou simplesmente uma parte de nossa própria Via Láctea (implicando que esse reino galáctico era, de fato, o Universo).
Independentemente do valor imediato dessa discussão um tanto artificial, ela ajudou a divulgar a publicação de obras de Shapley e Curtis e, de certa forma, tornou-se um modelo para trazer mais a natureza do método científico (e argumento) aos olhos do público.
De fato, em 1995, o formato foi ressuscitado, novamente no Smithsonian, para a primeira de uma nova geração de debates públicos. Aquele abordou a natureza então desconhecida das explosões de raios gama. Tive a sorte de estar sentado na platéia, tendo chegado recentemente aos EUA como pós-doutorado na NASA e fiquei impressionado com a pompa e a diversão de tudo isso.
Agora, 100 anos após o primeiro debate, o professor Robert Nemiroff e o Astronomy Picture of the Day (APOD) reuniram outro debate. Desta vez, a questão é como se espera obter a primeira evidência [científica] de vida extraterrestre e, em vez de ter apenas dois debatedores, o pessoal do APOD pediu a todo um grupo de astrônomos e astrobiólogos que pesassem. Você pode ver todas as opiniões fantásticas aqui. Pela minha parte, fiz um pequeno vídeo de 5 minutos, incorporado abaixo.
A essência da minha opinião sobre a questão é que também devemos perguntar se reconheceremos a vida alienígena quando a virmos. Para tentar descompactar um pouco, vim com o seguinte diagrama:
A ciência ainda debate se há vida fora da Terra
Believable= crível, verossímil Informative= informativo (Crédito: C. Scharf, 2020)
A ideia básica é que sempre existe uma tensão entre a ‘credibilidade’ dos dados ou uma medida relacionada à vida em outros lugares e quão informativos são esses dados ou medidas. Por exemplo, se eu desenterrar um organismo contorcido em Marte que seria extremamente crível como evidência para a vida em outros lugares, no entanto, é sem dúvida tão informativo quanto outras evidências. Talvez o organismo contorcido seja realmente o mesmo material que a vida na Terra (devido à troca de materiais entre planetas), ou simplesmente reforça o quão ‘especial’ é o nosso sistema solar.
Por outro lado, se eu detectar um sinal estranhamente estruturado transmitido por outra civilização, isso pode aumentar nossa credulidade ou capacidade de interpretar (menos crível), mas seria surpreendentemente informativo se real (eles vivem, pensam, constroem!).
Você pode julgar por si mesmo assistindo ao vídeo:
Quanto à minha opinião sobre a questão do debate – meu palpite é que as bioassinaturas são o que obteremos primeiro, mas talvez não encontremos uma prova contundente. Em vez disso, podemos acumular evidências de que ‘algo está acontecendo’ em diferentes ambientes, um sinal de que a vida é ‘geral’, mesmo que os detalhes permaneçam ilusórios…

https://www.ovnihoje.com/2020/05/05/a-ciencia-ainda-debate-se-ha-vida-fora-da-terra/

segunda-feira, 4 de maio de 2020

O distanciamento social é o “maior desafio” da Humanidade

O grande número de pessoas que vivem atualmente em quarentena, devido à pandemia de covid-19, representa um desafio sem precedentes para a Humanidade.
Uma equipa de neurocientistas e filósofos europeus garante que viver em isolamento representa uma ameaça sem precedentes e até agora desconhecida, que atropela o instinto humano básico de conexão. Por esse motivo, os especialistas defendem um maior reconhecimento por parte dos líderes mundiais.
No artigo científico, que será publicado na edição de maio da Current Biology, os especialistas argumentam que viver em quarentena e, consequentemente, separar as pessoas umas das outras, contradiz o desejo dos humanos de se unirem quando atravessam tempos difíceis.
“As condições perigosas tornam-nos mais – e não menos – sociais“, explicou Olivia Deroy, filósofa e neurocientista da Ludwigs-Maximilians Universitaet de Munique, em comunicado. “Lidar com esta contradição é o maior desafio que enfrentamos agora.”
De acordo com o Futurity, com este estudo a equipa não está a sugerir que as medidas de restrição sejam levantadas de modo a permitir que as pessoas se reúnam, uma vez que seria muito perigoso do ponto de vista da saúde pública.
Ainda assim, os investigadores defendem um melhor acesso às ferramentas que permitem que as pessoas se “reúnam” em tempos de pandemia, nomeadamente um melhor acesso à Internet de alta velocidade ou plataformas específicas que as pessoas possam usar para socializar.
“Quando as pessoas têm medo, procuram segurança em grupo”, explicou Guillaume Dezecache, psicólogo da Université Clermont Auvergne. “Mas, na situação atual, este impulso aumenta o risco de infeção. Este é o enigma evolutivo básico que descrevemos.”

https://zap.aeiou.pt/distanciamento-social-maior-desafio-321700

Criado desinfetante capaz de manter superfícies livres de vírus “durante meses”


Coronavírus: SARS-CoV-2, o vírus que causa a Covid-19, visto ao microscópio electrónico

Cientistas da Universidade de Hong Kong desenvolveram um revestimento antiviral protetor que, segundo estes especialistas, pode manter superfícies livres de vírus, como o que causa a covid-19, e bactérias durante três meses.
Os cientistas acreditam que este revestimento desinfetante, batizado de MAP-1, pode oferecer uma proteção “significativa” contra o vírus que provoca a covid-19 (SARS-CoV-2), bem como outras bactérias e vírus, conta a Reuters.
A agência noticiosa frisa que este produto não foi desenvolvido por causa da pandemia de covid-19, estando antes a ser desenvolvido há de dez anos. Contudo, importa frisar, este produto não foi ainda testado para o vírus que causa a covid-19.
Após testes clínicos bem sucedidos, o MAP-1 estará disponível para venda comercial em Hong Kong já a partir do próximo mês de maio. Estes mesmo produto, detalha o portal Futurism, foi já utilizado para revestir habitações de pessoas com rendimentos baixos na cidade, visando evitar futuras infeções de covid-19.
“Sinto que [este produto] fortaleceu a nossa proteção contra o vírus“, disse um dos moradores à agência, comentando a iniciativa.
Os investigadores disseram que várias escolas, centros comerciais e instalações desportivas na cidade já adotaram o uso do produto.
Contudo, o produto em causa é caro. Um revestimento numa escola custa 20.000 dólares de Hong Kong (2.380 euros) a 50 mil dólares da mesma moeda (5.900) euros, dependendo da área pulverizada. Devido ao seu preço, o MAP-1 deverá ser utilizado em escolas, hospitais, empresas e grandes superfícies, ficando afastado do uso doméstico.
A empresa pretende, no futuro, criar versões para uso domiciliário, devendo estes produtos, de 50 a 200 ml, custar entre 70 a 250 dólares de Hong Kong (8 a 30 euros).
Para já, o MAP-1 pode ser uma ferramenta útil para desinfetar grandes áreas.

https://zap.aeiou.pt/criado-desinfetante-capaz-manter-superficies-livres-virus-meses-321858

SpaceX e Blue Origin farão parte do Programa Artemis, da NASA

A NASA anunciou que SpaceX, Blue Origin e Dynetics foram selecionadas para empreender o Programa Artemis, projeto ambicioso da agência espacial que planejar levar astronautas para a Lua até o ano de 2024. Dessa forma, as três gigantes da exploração espacial estarão com a responsabilidade de desenvolver os veículos de pouso lunar para encaminhar os planos da missão.
Segundo relatado pela NASA, as companhias deverão fabricar um sistema seguro de aterrissagem humana que atinjam os padrões de sustentabilidade e permissão para longas estadias. Jim Bridenstine, administrador da agência, também relatou que buscará, dessa forma, incluir a participação de mulheres nas missões, marcando o "incrível momento em que a primeira mulher colocará seus pés em solo lunar".
Dando início ao que promete ser a competição mais importante e relevante para os propósitos da exploração lunar, as três companhias estarão disputando um prêmio de US$ 967 milhões por 10 meses de contrato através do programa de parcerias NextSTEP-2 , podendo entregar seus projetos até fevereiro de 2021, quando finalmente a NASA irá escolher se irá dar continuidade ao Programa Artemis com as três empresas ou com duas delas.

(Fonte: NASA/Reprodução)
(Fonte: NASA/Reprodução)

"Com esses contratos, os Estados Unidos estão avançando com o passo final necessário para pousar astronautas na Lua até 2024", esclareceu Jim Bridenstine. "Esta é a primeira vez desde a era Apollo que a NASA tem financiamento direto para um sistema de pouso, e agora temos empresas contratadas para fazer o trabalho para o programa Artemis".
Segundo informado em comunicado oficial da agência, a Blue Origin, de Jeff Bezos, irá receber US$ 579 milhões para liderar um time com seus parceiros Lockheed Martin, Northrop Grumman e Draper, com o propósito de construir um sistema de três estágios que inclui um veículo de descida, um de subida e outro de transferência.
Já a Dynetics, de Dave King, contará com a injeção de US$ 253 milhões para construir um sistema de dois estágios consistindo em um de subida e outro de descida, criando o Dynetics Human Landing System (DHLS), que servirá de suporte para as manobras do ULA Vulcan.
A SpaceX, de Elon Musk, continuará focada no desenvolvimento da Starship, que já vem sendo trabalhada para integrar o poderoso foguete Falcon Super Heavy para ajudar nas missões de colonização e coleta de solo marciano.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114353-spacex-e-blue-origin-farao-parte-do-programa-artemis-da-nasa.htm

Cientistas encontram vestígios de vida em meteorito de Marte

Um estudo científico publicado na revista Nature na semana passada (24) lançou novas luzes sobre a compreensão da origem de material orgânico no planeta Marte. A análise de um meteorito marciano revelou moléculas contendo nitrogênio datado de 4 bilhões de anos, o que pode revelar a existência de vida no Planeta Vermelho.
A pesquisa foi conduzida por cientistas japoneses, como Atsuko Kobayashi do Earth-Life Science Institute (Elsi) e Mizuno Koike do Institute of Space and Astronautical Science. O objeto de estudo foi um meteorito marciano encontrado na Antártida em 1984 e batizado com o nome Allan Hills 84001 (ALH84001).
Esse objeto fazia parte da superfície de Marte no passado, mas foi arremessado ao espaço pela queda de um grande meteoro na superfície do planeta há cerca de 15 milhões de anos, vindo a cair posteriormente em nosso planeta. 
Os cientistas americanos que localizaram a rocha defendiam a existência de vida naquele planeta com base na presença de glóbulos carbonáticos (característicos de águas subterrâneas) e moléculas orgânicas. A comunidade científica da época rejeitou as evidências, considerando-as não convincentes e contaminadas com materiais terrestres.

O que há de novo no meteorito

Fonte: NASA/Reprodução
Fonte: NASA/Reprodução
Nos novos estudos realizados, os pesquisadores analisaram o meteorito literalmente sob uma nova ótica. Foram utilizadas técnicas analíticas moderníssimas e altamente precisas, como um novo tipo de espectroscopia por raios X capaz de detectar nitrogênio na superfície do meteorito e continuar traçando o ametal até os minerais carbonáticos.
"Nossa maior descoberta" — explica Kobayashi — "é que existem moléculas orgânicas contendo nitrogênio preso no interior das finas camadas de carbonato. E sabemos, de outros estudos, que os carbonatos se formaram há cerca de quatro bilhões de anos. Portanto, essas moléculas orgânicas devem ter essa idade".
A detecção desse nitrogênio indica que, no princípio, Marte apresentava um ambiente menos rico em oxigênio como previam os especialistas americanos. A química do nitrogênio agora estudada indica a atmosfera do planeta não tinha muito oxigênio quando aquelas moléculas foram formadas, e esta é uma informação nova, destaca Kobayashi.
Ele acredita que, devido a essas características, e também ao fato de que o Planeta Vermelho era mais úmido, o início de Marte deve ter sido parecido com o que a Terra é hoje, o que inclui a possibilidade de existência de formas de vida.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114354-cientistas-encontram-vestigios-de-vida-em-meteorito-de-marte.htm

domingo, 3 de maio de 2020

Podem ter existido galáxias giratórias em abundância nos primórdios do Universo


Galáxia NGC 2273

Novos resultados de um ambicioso levantamento do céu, de nome ALPINE, revelam que galáxias giratórias, em forma de disco, podem ter existido em grandes números mais cedo no Universo do que se pensava anteriormente.
O programa ALPINE, “ALMA Large Program to Investigate C+ at Early Times,” usa dados obtidos a partir de 70 horas de observações do céu com o observatório ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) no Chile, em combinação com dados de observações anteriores de uma série de outros telescópios, incluindo o Observatório W.M. Keck no Hawaii e os telescópios espaciais Hubble e Spitzer da NASA. Especificamente, o levantamento analisou uma zona do céu que contém dúzias de galáxias remotas.
Esta é o primeiro estudo em múltiplos comprimentos de onda, que vai do ultravioleta ao rádio, de galáxias distantes que existiram entre mil milhões de 1,5 mil milhões de anos após o Big Bang,” diz Andreas Faisst, cientista do IPAC, um centro de astronomia do Caltech e investigador principal do programa ALPINE, que inclui cientistas de todo o mundo.
Uma das principais funções do ALPINE é usar o ALMA para observar a assinatura de um ião conhecido como C+, que é uma forma de carbono com carga positiva. Quando a radiação ultravioleta das estrelas recém-nascidas atinge nuvens de poeira, cria átomos de C+.
Ao medir a assinatura deste átomo, ou “linha de emissão”, nas galáxias, os astrónomos podem ver como giram; dado que o gás contém C+ nas galáxias que giram na nossa direção, a sua assinatura de luz muda para comprimentos de onda mais azuis e, à medida que gira para longe de nós, a sua luz desvia-se para comprimentos de onda mais vermelhos. Isto é parecido ao som da sirene de um carro da polícia que se aproxima de nós e depois quando se afasta.
A equipa do ALPINE obteve medições de C+ em 118 galáxias remotas para criar um catálogo não apenas das suas velocidades de rotação, mas também de outras características, como a densidade do gás e o número de estrelas formadas.
O levantamento revelou galáxias giratórias e destroçadas que estavam no processo de fusão, além de galáxias aparentemente perfeitamente suaves em forma de espiral.
Cerca de 15% das galáxias observadas tinham uma rotação macia e ordenada, o que é esperado para as galáxias espirais. No entanto, realçam os autores, as galáxias podem não ser espirais, mas discos giratórios com aglomerados de material. Observações futuras com a próxima geração de telescópios espaciais vão identificar a estrutura detalhada destas galáxias.
“Estamos a encontrar galáxias giratórias bem ordenadas neste estágio muito precoce e bastante turbulento do nosso Universo,” diz Faisst. “Isto significa que devem ter-se formado por um processo de recolha de gás e ainda não colidiram com outras galáxias, como muitas galáxias já o fizeram.”
Ao combinar os dados do ALMA com as medições de outros telescópios, incluindo o Spitzer, agora aposentado, que ajudou especificamente a medir as massas das galáxias, os cientistas estão mais aptos a estudar como estas galáxias jovens evoluem ao longo do tempo.
Como é que as galáxias crescem tão depressa? Quais são os processos internos que permitem com que cresçam tão rapidamente? Estas são perguntas que o ALPINE está a ajudar a responder,” diz Faisst. “E com o lançamento do Telescópio Espacial James Webb da NASA, vamos poder fazer observações de acompanhamento destas galáxias para aprender ainda mais.”

https://zap.aeiou.pt/podem-ter-existido-galaxias-giratorias-abundancia-nos-primordios-do-universo-321646

Já há data e hora para o primeiro voo tripulado da Space X

A agência espacial norte-americana (NASA) anunciou recentemente a data e a hora do primeiro lançamento tripulado com a nave Crew Dragon, da empresa SpaceX, rumo à Estação Espacial Internacional (EEI).
A empresa do multimilonário Elon Musk, que se estreará desta feita nos voos tripulados, levará os astronautas da NASA Robert Behnken e Douglas Hurley até à EEI a 27 de maio por volta das 21h23, no fuso horário de Lisboa.
O lançamento será feito feito com foguete Falcon 9, também da Space X, a partir do complexo de Lançamento 39A no Centro Espacial Kennedy, no estado norte-americano da Florida, detalha o portal New Atlas.
Este será um voo certamente histórico: a Space X fará o seu primeiro voo tripulado, ao passo que a NASA marcará o fim do contrato dos Estados Unidos com a Rússia para fazer o transporte dos seus astronautas até à estação orbital.
Desde 2011, recorda o portal CanalTech, a NASA depende da agência espacial russa (Roscosmos) para realizar voos tripulados a bordo dos foguetes Soyuz, pagando cerca de 90 milhões de dólares por cada lugar a bordo. Por norma, leva dois astronautas.
Os lançamentos da Space X são mais em conta: custam 60 milhões de dólares por lugar. São 30 milhões que separam os serviços da empresa de Musk da Roscosmos. A Space X consegue fazer preços muito mais baixos porque trabalha com foguetões 80% reutilizáveis.
Recentemente, a Roscosmos anunciou que os seus voos ficarão 30% mais barato, numa tentativa de “concorrer” em pé de igualdade com a empresa privada norte-americana.
Apesar do voo histórico, o lançamento não contará com público no complexo de lançamento ao contrário do que é habitual. A NASA disse recentemente que os aficionados devem seguir o evento a partir das suas casas por causa da pandemia de covid-19.

https://zap.aeiou.pt/ja-ha-data-hora-primeiro-voo-tripulado-da-space-x-321680

Cientistas descobrem um novo tipo de célula no corpo da mulher


Imagem de glândulas mamárias

Cientistas descobriram um novo tipo de macrófago essencial para a saúde do tecido mamário e que pode estar intimamente ligado ao cancro da mama.
De acordo com o jornal ABC, cientistas da Universidade de Melbourne, na Austrália, descobriram uma célula imune especializada em manter saudável o tecido do ducto mamário, no qual o leite é produzido e transportado.
Graças às imagens 3D, os investigadores puderam observar como estes macrófagos procuram ameaças nesses ductos e trabalham para mantê-los saudáveis e limpos, fagocitando (por outras palavras, absorvendo) as células produtoras de leite mortas depois do fim da lactação.
Os autores do estudo, publicado na revista científica Nature Cell Biology, estão convencidos de que compreender o funcionamento destas células é essencial para encontrar novas formas de tratar o cancro da mama, pois esses ductos são a origem de muitos deles.
“À medida que o cancro cresce, estes macrófagos multiplicam-se. Suspeitamos que estes reduzem a resposta imune do organismo, o que poderia ter implicações perigosas para o crescimento e desenvolvimento do cancro nestes locais que, por si só, já têm tendência a gerá-lo”, explica Caleb Dawson, um dos autores da pesquisa.
Agora, a equipa irá trabalhar para descobrir como bloquear a atividade destes macrófagos, uma vez que acreditam que isto poderia ser uma terapia contra o cancro da mama.

https://zap.aeiou.pt/novo-tipo-celula-corpo-mulher-321664

Nanocorpos podem ser capazes de neutralizar covid-19

Seres vivos do tamanho de um nanômetro produzidos em laboratório podem ser o mais novo caminho para encontrar um tratamento para neutralizar a covid-19. Uma série de pesquisas estão sendo desenvolvidas para encontrar vacinas ou tratamento contra o coronavírus.
Para encurtar o caminho, os cientistas procuram testar a efetividade de alguns medicamentos e técnicas já utilizados, como transfusão de plasma, no combate à infecção pelo novo coronavírus. Uma dessas técnicas é a utilização de nanocorpos para a produção de anticorpos contra o vírus Sars-Cov-2.
Uma pesquisa liderada pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), em Botucatu, vai permitir que dois grandes laboratórios brasileiros que fornecem produtos para o Sistema Único de Saúde (SUS) comecem a produzir uma terapia inovadora contra o novo coronavírus.
O estudo é realizado em parceria com o Instituto Biológico de São Paulo, Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Instituto Vital Brazil, Fundação Ezequiel Dias e empresas farmacêuticas brasileiras e americanas.

Por que usar nanocorpos?


(Fonte: Unesp/Divulgação)
(Fonte: Unesp/Divulgação)

Os nanocorpos são partículas defensivas microscópicas do tamanho uma bilionésima parte de um metro. Animais, como camelos e lhamas, produzem essas partículas para reconhecer e neutralizar toxinas em seu organismo.
O tamanho e a alta similaridade com os anticorpos de seres humanos faz com que estes organismos minúsculos sejam perfeitos para produzir respostas imunológicas em pessoas. Uma tecnologia já existente permite que humanos tenham uma resposta imunológica contra venenos e é possível que a mesma técnica seja utilizada para neutralizar o novo coronavírus.
A partir da produção de anticorpos de baixa massa molecular em camelídeos, é possível replicar a estrutura em laboratório para sua produção em larga escala, de forma rápida e segura.

Como será desenvolvida a pesquisa


(Fonte: Pixabay)
(Fonte: Pixabay)

Rui Seabra Ferreira Junior, coordenador da equipe da Unesp, afirma que "a realização deste projeto translacional de pesquisa, desenvolvimento e inovação permitirá a produção de anticorpos candidatos para a imediata realização de ensaios clínicos durante a pandemia de covid-19, tanto para tratamento quanto para profilaxia".
O desenvolvimento da pesquisa será rápida e será concluído em dois anos. O projeto deve passar ainda por um período de ensaios pré-clínicos para preparar os protótipos no primeiro ano e por ensaios clínicos de segurança e para ajustar a dose em um segundo ano.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114345-nanocorpos-podem-ser-capazes-de-neutralizar-covid-19.htm

O que havia antes do Big Bang ?

“No princípio, Deus criou os céus e a terra. A terra estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. E Deus disse: Faça-se a luz! E a luz foi feita.” Esse trecho bíblico do Livro de Gênesis instiga muita gente a perguntar o que existia antes de Deus criar a luz e, na sequência, os dias e as noites, o céu e a terra, os animais e vegetais e, por fim, o homem. O que havia antes?
Se formos hereges o bastante para fazer um paralelo entre Deus e o Universo, a resposta (ao menos, uma parte dela e mais científica) pode estar no artigo dos físicos Robert Brandenberger e Ziwei Wang, ambos da Universidade McGill, no Canadá, publicado em janeiro no repositório de artigos arXiv.
A teoria do Big Bang é tão popular que dá nome até a uma série de TV. Segundo ela, o Universo inteiro estava condensado em uma singularidade do tamanho de uma bola de tênis, há 13,8 milhões de anos e a quatrilhões de graus. Em minutos, a bola explodiu, formando matéria e antimatéria, dia e noite, a humanidade, as estrelas e o cosmos como o conhecemos.

Evidências, só do nascimento

“Os astrônomos fizeram de tudo, desde observar a radiação eletromagnética restante do jovem Universo até medir a abundância dos elementos mais leves, e descobriram que tudo se alinha com o que o Big Bang prevê. Tanto quanto podemos dizer, esse é um retrato preciso do nosso Universo primitivo”, diz o astrofísico Paul Sutter em um artigo para o site Space.
Esse teria sido o nascimento do Universo. Quanto à morte, os cientistas divergem. Entre as teorias, a do Big Crunch (ou o Grande Colapso) diz que o Universo começaria a encolher por conta da atração gravitacional entre seus corpos, concentrando toda a energia de 10 trilhões de bilhões de estrelas e colapsando em um único ponto – uma bola de tênis densa e quente, pronta para explodir. Isso lembra alguma coisa?
Big Bang e Big Crunch, unidas, formam uma terceira teoria, a do Big Bounce, ou o Grande Salto. Com a explosão (de novo) do Universo, o ciclo se repetiria, e a matéria escura seguiria em seu papel de espalhar energia e matéria pelo Universo para que, aqui e talvez ali, a vida surgisse. É a teoria de um ciclo cósmico, que foi deixada de lado por falta de evidências ou novas ideias – até o artigo de Brandenberger e Wang.

O Big Bounce seria o recomeço cíclico do nosso Universo.
O Big Bounce seria o recomeço cíclico do nosso Universo

Se a física e a cosmologia conseguiram retroceder até quando o Universo tinha 380 mil anos de idade, falta saber o que havia entre esse momento e marco zero – os primeiros momentos do cosmos. Não existe (ainda) uma física que os explique. O trabalho dos dois pesquisadores mostra que a teoria do Big Bounce não está errada – os cientistas é que ainda não têm as ferramentas certas para estruturá-la corretamente.
“Robert Brandenberger e Ziwei Wang descobriram que, para explicar o momento do Grande Salto, é possível alinhar tudo para obter o resultado apropriado e observacionalmente testado. Mas, para testar esse modelo, teremos que esperar uma nova geração de experimentos de cosmologia,” diz Paul Sutter em seu artigo.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114348-o-que-havia-antes-do-big-bang.htm

Veja como será o primeiro voo extraterrestre da História em Marte

No final deste ano, a NASA pretende lançar mais uma missão a Marte para realizar novos estudos – e, desta vez, as coisas vão ficar ainda mais interessantes. Isso porque o Ingenuity vai fazer o primeiro voo da História em um planeta extraterrestre. Não sabe quem é ele? É um robô helicóptero projetado para superar os limites do nosso mundo.
Rovers como o Curiosity exigem um alto grau de engenharia aplicada, afinal, as forças físicas como conhecemos são totalmente diferentes por lá. Imagine, então, como seria voar em condições estranhas. É isso o que pode acontecer. 
Para tornar o projeto realidade, o centro tecnológico Jet Propulsion Laboratory se dedicou à tarefa de construir a máquina – e você pode conferir uma simulação do funcionamento clicando no vídeo abaixo. Ele mostra de maneira aproximada como vai ser no local de destino da viagem em 18 de fevereiro de 2021 (previsão de chegada).
Apesar de parecer um drone comum, trata-se de uma tecnologia inovadora desenvolvida apenas para que a agência possa testar máquinas futuras. Não contará com outros instrumentos além de sua elegante presença funcional. 
Mesmo com um tamanho modesto, devido à natureza da atmosfera marciana, qualquer pequeno voo de 90 segundos a cinco metros será uma vitória, considerando que essa altura, por lá, equivale ao que seriam cerca de 30 km terrestres. A viagem de um avião comercial, só para comparar, acontece a uma altitude de 11 km.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114350-veja-como-sera-o-primeiro-voo-extraterrestre-da-historia-em-marte.htm

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Placas tectónicas podem ter começado a mover-se mais cedo do que se pensava


Vista do Craton de Pilbara a partir de um satélite
Nos dias que correm, pensa-se que as placas tectónicas começaram a mover-se há cerca de 2,8 mil milhões de anos. No entanto, ainda há quem não concorde com esta teoria e, agora, algumas das rochas mais antigas do planeta sugerem que podemos estar mais de 400 milhões de anos fora do alvo.
De acordo com o site Science Alert, investigadores da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, analisaram o magnetismo de rochas antigas da Austrália e afirmam que as placas tectónicas se moveram há pelo menos 3,2 mil milhões de anos.
Estamos a falar de uma porção do Craton de Pilbara (conhecido como Honeyeater Basalt), uma das fatias mais antigas da crosta antiga da Terra e que contém fósseis de alguns dos primeiros organismos do planeta.
Os dados da equipa revelam uma deriva latitudinal de 2,5 centímetros por ano. Ou, como escrevem no seu artigo, publicado na revista científica Science Advances, “uma velocidade comparável à das placas modernas”.
“É muito comparável às velocidades de movimento das placas que podemos ver a acontecer na Terra moderna”, declara o cientista de Harvard e um dos autores da pesquisa, Alec Brenner.
“É também o exemplo mais antigo que conhecemos no qual um pedaço da crosta terrestre flutuou longas distâncias sobre a superfície”, acrescenta.
Segundo o mesmo site, embora esteja claro que estas rochas experimentaram algum tipo de movimento horizontal, não se sabe ainda se essa mudança aconteceu devido a efeitos locais, à rotação do Craton de Pilbara como um todo, ou até à combinação de ambos.
Certo é que algo grande aconteceu e, se se trata de um movimento tectónico generalizado, isso poderá ter importantes repercussões para a formação de habitats e da vida na Terra. E isto também se poderia aplicar a outros planetas.
“Atualmente, a Terra é o único corpo planetário conhecido que estabeleceu tectónica de placas de qualquer tipo. Esperamos que isto nos dê uma ideia de como é fácil para as placas tectónicas acontecerem noutros mundos, especialmente considerando todas as ligações entre placas tectónicas, a evolução da vida e a estabilização do clima”, explica Brenner.

https://zap.aeiou.pt/placas-tectonicas-mais-cedo-pensava-321412

Avalanches de gelo gigantes podem ter criado as misteriosas espirais no Pólo Norte de Marte

Avalanches de gelo gigantes podem ter destruído quilómetros de crateras polares de Marte a velocidades de até 80 metros por segundo. Esses fenómenos podem resolver um mistério sobre características estranhas do Planeta Vermelho.
Marte está cheio de características bizarras desde “dunas extraterrestres” a carbonatos de superfície. Há muito tempo que os investigadores observam características lineares estranhas que viajavam pelas laterais de duas crateras de impacto na região polar norte do planeta.
De acordo com um novo estudo que será publicado em julho na revista científica Planetary and Space Science, essas formações em espiral são o que resta de avalanches de gelo monumentais que ocorreram há cerca de um milhão de anos.
Os cientistas já tinham argumentado anteriormente que essas formas lineares pareciam morenas ou moreias: estruturas lineares montanhosas formadas por glaciares de movimento lento, que empurram sujidade e rochas à frente do seu avanço. Nas regiões polares de Marte, os glaciares são feitas de dióxido de carbono, mas os seus efeitos geológicos são os mesmos.
O novo estudo argumenta que grandes torres de gelo d’água, chamadas maciços, localizadas ao longo da encosta das crateras, desabaram, resultando em avalanches épicas. As cristas parecidas com a morena eram formadas pela acumulação de detritos empurrados para o fundo das crateras pelo colapso de maciços.
Sergey Krasilnikov, da Russian Academy of Sciences, e os colegas simularam estes surtos hipotéticos usando dados colhidos pela NASA e realizando cálculos independentes. Juntos, esses métodos apoiaram um cenário em que a “acumulação excessiva de gelo d’água nas encostas” atingiu “uma condição instável crítica”, resultando em avalanches de gelo e na formação das cristas.
Os maciços formam-se através da acumulação constante de geada. Eventualmente, o peso e a pressão ficaram tão intensos que os maciços desabaram, libertando o seu conteúdo para o fundo da cratera.
O maior dos dois colapsos envolveu cerca de 2,42 quilómetros quadrados de gelo, enquanto o menor envolveu 1,1 quilómetros quadrados. O maciço maior tinha cerca de 150 metros de altura e o menor 100 metros de altura.
A queda de gelo e detritos teria viajado a uma estimativa de 80 metros por segundo. Como a gravidade é mais baixa em Marte, os destroços espalham-se por um território amplo, atingindo cerca de 15 quilómetros do ponto de partida no colapso maior e 12 quilómetros no menor. Durante o maior colapso do maciço, a avalanche abrangeu uma área total de 104 quilómetros quadrados.
“É uma boa explicação alternativa”, disse Mike Sori, cientista planetário da Universidade do Arizona que não participou da nova pesquisa, em declarações à EOS, jornal da American Geophysical Union.

https://zap.aeiou.pt/avalanches-gelo-gigantes-espirais-polo-norte-marte-321626

Fósseis de sapos sugerem que a Antártida já teve um clima quente

Fósseis dos primeiros anfíbios modernos conhecidos na Antártida dão mais evidências de que esta tinha um clima quente e temperado antes da sua separação do supercontinente Gonduana.
De acordo com a agência Europa Press, a equipa de cientistas do Museu Sueco de História Natural descobriu estes fósseis (um osso da anca e um crânio) durante as expedições na Seymour Island, na Península Antártica, entre 2011 e 2013.
Os espécimes têm aproximadamente 40 milhões de anos, sendo do período Eoceno, e pertencem à família de anfíbios Calyptocephalellidae. Até ao momento, não tinham sido encontrados vestígios de anfíbios de sangue frio ou répteis de famílias que ainda existem na Antártida.
Segundo a agência espanhola, evidências anteriores sugerem que as camadas de gelo se formaram na Península Antártica antes da rutura do supercontinente Gonduana nos continentes do atual hemisfério sul.
Esta descoberta sugere que as condições climáticas da Península Antártica durante o final do Eoceno podem ter sido comparáveis ao atual clima húmido e temperado das florestas da América do Sul, onde se encontram as cinco espécies vivas da Calyptocephalellidae.
Os resultados do estudo, publicado na revista científica Scientific Reports, indicam que estas florestas sul-americanas podem ser o análogo moderno do clima antártico pouco antes da separação do supercontinente, e podem agora abrigar espécies originalmente encontradas em toda a Península Antártica.

https://zap.aeiou.pt/fosseis-sapos-antartida-clima-quente-321614

Cientistas desvendam aumento do nível do oceano há 14 mil anos

Não é segredo que o aquecimento global é um dos maiores responsáveis por uma série de mudanças no planeta – e que o evento, desta vez, está sendo acelerado pela ação humana. O que você talvez não saiba é que, há cerca de 14.650 anos, a Terra enfrentou o aumento de 12 metros do nível do mar em menos de quatro séculos. Agora, cientistas podem ter descoberto o porquê de isso ter ocorrido.
Conhecido como “pulso de derretimento 1A”, o acontecimento, tido como um mistério até então, foi, aparentemente, resultado do derretimento de calotas polares, sendo que um dos maiores desafios para pesquisadores era descobrir, justamente, a origem dessa água toda. Jo Brendryen, da Universidade de Bergen, na Noruega, e sua equipe se dedicaram aos estudos e chegaram a uma conclusão: tudo veio do manto de gelo da Eurásia.


Extensões de gelo identificadas há milhares de anos.
Extensões de gelo identificadas há milhares de anos.

Uma das grandes dificuldades da pesquisa é que a datação realizada por meio do teste de carbono 14, quando aplicado a oceanos, é que, uma vez que os resultados se baseiam na variação causada pela ação da atmosfera sobre o elemento e em como ele foi afetado e acumulado em amostras recolhidas, o fundo do mar pode “enganar” as mensurações, já que as moléculas presentes nesses locais isolados parecem muito mais velhas por estarem “imunes” aos fatores citados. Além disso, correntes oceânicas também são alteradas constantemente, “embaralhando” supostas certezas.
Por isso, os pesquisadores, para não ficarem perdidos em regiões abissais do conhecimento, partiram de um consenso científico para começarem suas análises: durante o último período glacial, uma camada de gelo se estendeu pela Escandinávia e pelo Mar de Barents.
Pixabay

Pegadinha do malandro

Acha que isso ajudou? Bem, sim e não. Uma vez que a datação de carbono indicava que o derretimento desse manto ocorreu antes do “pulso de derretimento 1A”, não havia como descobrir o que exatamente ocorreu. O fato de que os elementos de amostras pareciam “mais jovens”, entretanto, já dava boas pistas de que a fórmula da juventude era apenas um engano proporcionado pelo fundo do mar. Aí, era preciso achar um jeito de contornar a questão. Foi então que Jo Brendryen e seu time se voltaram a uma caverna na China.
Como a circulação de água nesses ambientes é maior, depositando constantemente sedimentos nas rochas, foi possível verificar a ação dos séculos ao mesmo tempo que características temporais foram preservadas. Logo, não seria necessário “prever” qualquer atraso no teste de carbono, o que proporcionaria uma análise mais assertiva.


Finalmente, a linha de eventos foi reconstruída e a conclusão foi de que, em vez de uma quantidade massiva de água ter surgido do nada, o que ocorreu foi, na verdade, o desaparecimento de muito gelo há mais de 14,6 mil anos – que, derretido, aumentou 12 metros do nível dos oceanos, adicionando cinco ou seis metros em um século posterior.

Perguntas respondidas, perguntas feitas

Descobrir exatamente como ocorreu o movimento no mundo todo é realmente um desafio, uma vez que o nível do oceano não aumenta de maneira distribuída ao redor do globo. Essa diferença ocorre por conta atração gravitacional da massa de água diferente em estado sólido ou líquido. O que se constata, a partir disso, é que alguns locais sofreram, inclusive, uma redução da presença do mar.
Enquanto conseguimos algumas respostas, outras dúvidas surgem. Por exemplo, como as informações das correntes oceânicas da época e seus impactos sobre os mantos glaciais podem dar pistas sobre nossa situação atual? Cada camada de gelo é diferente e os detalhes locais são importantes, mas supõe-se, a partir dos dados coletados, que um colapso igualmente rápido na Antártica seria o pior cenário possível.
O que podemos fazer para contornar as possíveis consequências de um novo derretimento? Cenas dos próximos capítulos.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114330-cientistas-desvendam-aumento-do-nivel-do-oceano-ha-14-mil-anos.htm

Estudo indica que luz solar destrói coronavírus

Um novo estudo realizado por cientistas norte-americanos do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos sugere uma análise interessante sobre o ciclo de vida do Sars-CoV-2 e o efeito que fatores ambientais podem ter em relação a ele. Segundo os pesquisadores, a emissão direta de radiação ultravioleta pode destruir o vírus mais rapidamente, tendo impacto direto em sua evolução e adaptação.
Liderado por William Bryan, orientador do departamento, o estudo foi anunciado nesta quinta-feira (30), mas ainda aguarda aprovação e comprovação metodológica para se tornar público. Apesar disso, o cientista reforça a importância do potencial dos raios solares especialmente durante o verão, quando são mais intensos e presentes, capazes de matar o vírus na superfície ou no ar.

(Fonte: Independent/Reprodução)
(Fonte: Independent/Reprodução)

Outro ponto interessante apresentado pelo pesquisador foi o efeito da umidade, que resultou em conclusões semelhantes em relação à tratativa performada pela questão da radiação. "Vimos um efeito semelhante tanto com temperatura quanto com umidade, em que o aumento da temperatura e da umidade ou de ambos é geralmente menos favorável ao vírus", esclareceu.
Apesar de a pesquisa ser teoricamente aplicável, já que as propriedades esterilizantes da radiação ao impedir a replicação genética do vírus já são conhecidas pela comunidade científica, o coronavírus vem se mostrando letal em diversos países com altas temperaturas em boa parte do ano, como Singapura e Malásia, assim como na catástrofe que levou aos países europeus, que vinham sofrendo com as maiores médias de temperatura da história e caracterizando o inverno mais quente já registrado.

(Fonte: Newstimes/Reprodução)
(Fonte: Newstimes/Reprodução)

Com poucos fundamentos apresentados sobre a abordagem e a metodologia do estudo, muitas questões ainda ficam em aberto sobre a real influência dos fatores climáticos no novo coronavírus, especialmente dos níveis de radiação necessários para conseguir efetivamente destruir o vírus.
Dessa forma, os cientistas permanecem em alerta sobre os cuidados necessários no combate à covid-19, pois qualquer atitude científica a ser tomada terá impacto direto em toda a vida existente, sendo algo que deve ser tratado com cautela e paciência a partir da análise de resultados concretos. "Seria irresponsável dizer que nós sentimos que o verão irá matar totalmente o vírus", concluiu Bryan, adicionando que a redução dos casos não significa que a doença será completamente erradicada, sendo necessário continuar respeitando as ordens de restrição e isolamento social.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114341-estudo-indica-que-luz-solar-destroi-coronavirus.htm

Criado produto elimina coronavírus de roupas e superfícies

Um produto capaz de eliminar o vírus Sars-CoV-2 de roupas e superfícies é o mais novo aliado no combate à covid-19. Intitulada Protec-20, a substância tem eficácia de até 99,999% contra vírus envelopados, como é o caso do novo coronavírus, e não envelopados.
Produzido com tecnologia de nanopartícula de prata pela empresa catarinense TNS, o composto é capaz de eliminar o vírus presente nos jalecos dos profissionais de saúde, em máscaras, lençóis e quaisquer outros tipos de superfícies nos hospitais, que são propagadoras em potencial do agente infeccioso.
Aplicado diretamente na fiação ou no tingimento da roupa, o Protec-20 proporciona a inativação do vírus causador da covid-19. Além disso, a nanopartícula auxilia na inibição e replicação de bactérias que podem atuar como hospedeiras para o Sars-CoV-2. A substância permanece no tecido por no mínimo 20 lavagens, mas, dependendo do processo de aplicação, pode aguentar até 70 lavagens.

O produto pode ser aplicado em diferentes tipos de materiais.
O produto pode ser aplicado em diferentes materiais.

De acordo com o diretor-geral da TNS, Gabriel Nunes, a nanopartícula não é comercializada diretamente ao público, já que se trata de um produto concentrado aplicado durante processos industriais de fabricação. No tingimento, por exemplo, usa-se 0,15% da substância na solução total para realizar o procedimento.

Aplicação em outros materiais

A indústria têxtil é o público-alvo do Protec-20, representando cerca de 40% das vendas, mas outros segmentos têm utilizado a novidade, como fabricantes de máscaras, filtros de ar, polímeros, tintas, cortinas, aventais médicos, entre outros. Segundo Nunes, uma empresa que fabrica sacos para embalar cadáveres também já adquiriu a fórmula.
E não é só no Brasil que a nanopartícula tem sido utilizada. Amostras de Protec-20 já foram enviadas para clientes da empresa na Colômbia, no Chile e na Austrália.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114351-produto-criado-em-sc-elimina-coronavirus-de-roupas-e-superficies.htm

Coronavírus infecta os neurónios antes dos pulmões !

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) anunciaram que o novo coronavírus (o SARS-CoV-2) tem a capacidade de infectar neurônios humanos. A constatação, fruto de experimentos feitos com cultura de células, levantou a questão sobre a atuação do vírus no sistema nervoso central.
A técnica utilizada na confirmação do estudo foi a PCR em tempo real, a mesma do teste RT-PCR utilizado na detecção de vírus através de reação em cadeia da polimerase. A pesquisa está sendo feita através de um projeto aprovado pela FAPESP que visou criar uma força-tarefa na Unicamp sob a rubrica "Suprimentos de Rápida Implementação contra Covid-19". 
O professor do Instituto de Biologia Daniel Martins de Souza, que está coordenando a equipe de pesquisadores, explicou que a presença do coronavírus no cérebro foi confirmada através da detecção, nos neurônios analisados, da proteína ACE-2, sigla em inglês para a enzima conversora de angiotensina 2. 

Manifestações neurológicas da covid-19

A ACE2 é um tipo de proteína existente na membrana das células que promove uma diminuição da pressão arterial e promove a vasodilatação, formando um ambiente ideal para a invasão de vários tipos de coronavírus (inclusive o causador da covid-19). Segundo os pesquisadores, os vírus chegam aos sistema nervosos pela via intranasal.
Isso significa que, mesmo antes de chegar aos pulmões, os vírus penetram os filetes nervosos que inervam as mucosas olfatória e respiratória. Dentro dessas fibras nervosas, os vírus são transmitidos de neurônio a neurônio através das sinapses.
Rapidamente a carga viral chega ao cérebro e logo ocupa as regiões-chaves do controle cardiorrespiratório que monitoram e comandam o funcionamento dos músculos e vasos sanguíneos que mantêm o equilíbrio das funções cardíaca e pulmonar. Isso pode explicar uma das grandes questões da covid-19: por que é tão veloz a falência respiratória dos pacientes vulneráveis?
Conforme o neurologista Li Li Min, coordenador de Educação e Difusão do Conhecimento  do Instituto de Pesquisa sobre Neurociências e Neurotecnologia (Brainn), estima-se em até 30% o número de infectados pelo novo coronavírus com algum tipo de sintoma neurológico. 
Para ilustrar estas manifestações, o referido pesquisador fez um vídeio (mostrado acima) em que detalhe o que já se sabe sobre a fisiologia da covid-19 e alguns dos sintomas neurológicos característicos, como perda de olfato e paladar, confusão mental, derrame e dor muscular sem relação com lesões.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114339-coronavirus-infecta-os-neuronios-humanos-antes-dos-pulmoes.htm

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