Resultados preliminares de um estudo publicado na revista científica The Lancet indicam que a vacina russa contra a covid-19 realmente funciona e que gera uma resposta imune forte e duradoura.
O imunizante foi registrado pela Rússia no mês passado e gerou dúvidas na comunidade científica
por, até então, nunca ter aparecido em publicações detalhando seu
funcionamento ou procedimentos de testes. Agora, os resultados estão
começando a ser divulgados de maneira transparente, trazendo confiança
para o composto.
O governo do estado do Paraná já assinou um convênio com a Rússia para produção da vacina, conhecida como “Sputnik V”, aqui no Brasil e pretende iniciar os testes na população do estado em até um mês.
O registro da vacina russa será feito em até 10 dias junto à Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), segundo o governo do Paraná.
Sem efeitos colaterais
No artigo publicado na Lancet, os cientistas explicam que não foram
encontrados efeitos colaterais adversos nos pacientes que participaram
das fases 1 e 2 da testagem em até 42 dias depois da imunização.
Além disso, 100% das pessoas vacinadas desenvolveram uma resposta
imune forte em até 21 dias. Isso quer dizer, entretanto, que é
necessário manter o distanciamento social e cuidados contra a infecção
por, pelo menos, 3 semanas após receber a dose do imunizante.
É importante destacar que esse estudo é considerando preliminar por
ainda não ter feito testes em larga escala com a dita vacina, conhecidos
como fase 3. Pelo menos outras 7 vacinas diferentes já estão nessa fase
ao redor do mundo.
Duradoura
Além de estimular a produção de anticorpos contra o novo coronavírus,
a vacina russa ainda é capaz de provocar uma resposta das células T do
organismo humano, segundo o estudo. Essas células são responsáveis por
destruir outras células que já estejam infectadas pelo vírus. Isso está
ligado à eficácia duradora da vacina contra o patógeno, mas não há como
prever por quanto tempo uma dose pode manter o paciente imune.
Para a fase 3 de testagem, o governo Russo pretende convocar 40 mil
voluntários para tomarem a vacina. O governo do Paraná ainda não
comentou quantas pessoas serão imunizadas nos testes com a Sputnik V
aqui no Brasil.
Quando os astrónomos procuram sinais de vida no Universo,
tendem a procurar coisas específicas com base no que se sabe: um planeta
como a Terra, em órbita em torno de uma estrela e a uma distância que
permita água de superfície líquida. No entanto, é possível que haja
outras formas de vida completamente diferentes do que imaginamos.
De acordo com o ScienceAlert,
assim como existem extremófilos na Terra – organismos vivem em
ambientes extremos e aparentemente inóspitos -, também pode haver extremófilos no Universo. Por exemplo, expécies que podem formar-se, evoluir e prosperar no interior das estrelas.
De acordo com uma investigação dos físicos Luis Anchordoqui e Eugene Chudnovsky, da The City University of New York, isto é – hipoteticamente, pelo menos – possível.
Tudo depende de como se define a vida. Se os critérios-chave são a
capacidade de codificar informações e a capacidade desses portadores de
informação se auto-replicarem mais rapidamente do que se desintegram, as
hipotéticas partículas monopólos enfiadas em cordas
cósmicas – colares cósmicos – poderiam formar a base da vida dentro das
estrelas – tal como ADN e ARN formam a base da vida na Terra.
“As informações armazenadas no ARN (ou ADN) codificam o mecanismo de auto-replicação”, disse Chudnovsky, em declarações ao ScienceAlert.
“O seu surgimento deve ter sido precedido pela formação massiva de
sequências aleatórias de ARN até que se formasse uma sequência capaz de
autorreplicação. Acreditamos que um processo semelhante ocorreria com
colares numa estrela, levando a um processo estacionário de
autorreplicação”.
Acredita-se que cordas e monopólos tenham surgido no início do
Universo, quando arrefeceu após o Big Bang, e a sopa de partículas de
plasma de quark-gluões que o preenchia sofreu uma transição de fase de
quebra de simetria e condensou-se em matéria.
Embora ainda não tenhamos detetado cordas cósmicas (objetos lineares
unidimensionais) ou monopólos (partículas elementares com apenas um pólo
magnético), muito se refletiu sobre como se poderiam comportar. Em
1988, Chudnovsky e o seu colega, o físico teórico Alexander Vilenkin,
da Universidade Tufts, previram que cordas cósmicas poderiam ser
capturadas por estrelas. Lá, a turbulência esticaria a corda até formar
uma rede de cordas.
De acordo com o novo estudo, colares cósmicos podem formar-se numa
sequência de transições de fase de quebra de simetria. No primeiro
estágio, surgem monopólos. Na segunda, cordas. Isso pode produzir uma
configuração estável de um cordão monopólo e duas cordas que, por sua
vez, podem conectar-se e formar tridimensionais.
Um colar unidimensional dificilmente carregaria informações. Porém, estruturas mais complexas conseguiriam – e poderiam sobreviver tempo sufiente para replicar-se, alimentando-se da energia de fusão gerada pela estrela.
“Comparado ao tempo de vida de uma estrela, o seu tempo de vida é uma
faísca instantânea de luz no escuro. O importante é que essa faísca
consegue produzir mais faíscas antes que desapareça, proporcionando
assim uma longa vida útil da espécie”, escreveram os investigadores.
“A complexidade que evolui através de mutações e seleção natural
aumenta com o número de gerações passadas. Consequentemente, se as vidas
de espécies nucleares autorreplicantes forem tão curtas como as vidas
de muitos objetos nucleares compostos instáveis, podem evoluir rapidamente para uma enorme complexidade.”
Segundo Chudnovsky, poderia ser possível que a tal forma de vida pudesse desenvolver inteligência.
Os cientististas não precisam de conhecer a sua aparência para
encontrar esta forma de vida. Como os organismos usariam parte da
energia da sua estrela hospedeira para sobreviver e se propagar, estrelas que parecem arrefecer mais rapidamente
do que os modelos estelares podem explicar podem hospedar o que os
investigadores chamam de “vida nuclear”. Várias dessas estrelas já foram
observadas e o seu arrefecimento ligeiramente acelerado ainda é um
mistério.
Estrelas que escurecem erraticamente sem explicação também podem ser um bom lugar para procurar.
“Como estariam a evoluir muito rápido, poderiam encontrar uma forma
de explorar o cosmos além da sua estrela”, disse Chudnovsky. “Poderiam
estabelecer comunicação e viajar entre as estrelas“.
Os cientistas planeam continuar a sua linha de investigação, desenvolvendo simulações de colares cósmicos em estrelas.
Os planetas do nosso Sistema Solar são muito distintos. Além
da temperatura, estes mundos variam no tipo de movimento que executam, o
que significa que a duração de um ano em cada um deles é muito
diferente.
Em tempos de pandemia, há quem ache que 2020 está a demorar muito
tempo para terminar. No entanto, em Saturno, um ano chega ao fim depois
de 29 anos terrestres, o que significa que quem tem 28 anos de idade na
Terra, ainda não teria completado um único aniversário se tivesse
nascido neste planeta.
A pensar nestas diferenças, o museu virtual Exploratorium desenvolveu uma calculadora que revela a sua idade noutros planetas do Sistema Solar.
Segundo o Mirror,
o conceito segundo o qual esta calculadora se rege é simples: um ano
equivale ao tempo que se demora a dar uma volta completa à volta do Sol.
No caso da Terra, um ano equipa a 365 dias. No entanto, dependendo da
distância entre um planeta e o astro, o movimentode translação pode demorar uma vida inteira.
Plutão, por exemplo demora 248 anos terrestres a completar este processo. Já em Mercúrio, um ano tem apenas 88 dias.
A duração dos anos em cada planeta do Sistema Solar está relacionada com a gravidade. A força gravitacional do Sol é sentida com mais intensidade nos planetas mais próximos que, por sua vez, giram mais rápido.
A massa do planeta também é um fator a ter em
consideração, já que quanto mais pesado, mais forte será a atração. Além
disso, quando duplicamos a sua massa, duplicamos também a gravidade.
Já quando duplicamos a distância, a força da gravidade não cai para
metade, mas para um quarto: um planeta três vezes mais distante do Sol é
atraído de forma nove vezes mais fraca, e assim sucessivamente. A força diminui o quadrado da distância.
No caso de Plutão, o facto de ser pequeno e de estar muito longe do Sol contribui para que a sua translação seja muito lenta.
A temperatura média global na última idade do gelo, há 20.000
anos, era de cerca de 7,7º C. Embora possa não parecer, esta é uma
grande diferença de temperatura.
Uma equipa de investigadores precisou a temperatura da última idade do gelo há 20.000 anos, conhecida como o Último Máximo Glacial.
Durante este período, enorme glaciares cobriam cerca de metade da
América do Norte, Europa, América do Sul e várias partes da Ásia.
“Temos muitos dados sobre este período porque ele foi estudado
durante muito tempo”, diz Jessica Tierney, professora na Universidade do
Arizona e autora principal do artigo publicado, na semana passada, na revista científica Nature. “Mas uma questão para a qual a ciência há muito deseja respostas é simples: quão fria era a idade do gelo?”
Tierney e a sua equipa ultimaram que a temperatura média durante este período de tempo era 6º C mais fria do que hoje – cerca de 7,7º C. Durante o século XX, a temperatura média a nível mundial era de 14º C, salienta a Futurity.
Embora possa não parecer uma diferença astronómica, esta é, de facto, uma grande oscilação.
“Na América do Norte e na Europa, a maior parte do norte estava coberta de gelo e extremamente fria. Mesmo no Arizona, houve um grande arrefecimento”,
diz Tierney. “Mas o maior arrefecimento ocorreu em altas latitudes,
como o Ártico, onde era cerca de 14º C mais frio do que hoje”.
Estas descobertas permitem que os cientistas percebam melhor a
relação entre os níveis crescentes de dióxido de carbono na atmosfera e a
temperatura média global.
Os investigadores determinaram que a cada duplicação do carbono atmosférico, a temperatura média deve aumentar 3,4º C.
Mapa
com diferenças de temperatura em comparação com os tempos
pré-industriais. Azul escuro traduz-se em temperaturas mais baixas.
“Os modelos climáticos preveem que as latitudes altas vão ficar
quentes mais rápido do que as latitudes baixas”, explica Tierney.
“Quando olhamos para as projeções futuras, fica realmente quente no Ártico.
Isto é conhecido como amplificação polar. Da mesma forma, durante o
Último Máximo Glacial, encontramos o padrão inverso. Latitudes mais
altas são apenas mais sensíveis às mudanças climáticas e permanecerão
assim no futuro”.
Agora, Tierney pretende conhecer a temperatura média global durante períodos quentes do passado da Terra.
“Se pudermos reconstruir climas quentes do passado, então podemos
começar a responder a perguntas importantes sobre como a Terra reage a
níveis realmente altos de dióxido de carbono e melhorar a nossa
compreensão do que as mudanças climáticas futuras podem acarretar”,
explicou a especialista.
Parte do meteorito Sahara 97096, um raro condrito de entstita
Estudo de um tipo de meteorito apoia aqueles que pensam que a
água da Terra estava presente desde a sua formação, ou perto dela, em
vez de chegar mais tarde do Sistema Solar exterior.
De acordo com o site IFLScience, uma equipa de cientistas estudou a composição química de 13condritos de entstita,
um tipo de meteorito feito de material do Sistema Solar interno, tão
semelhante quanto provavelmente encontraremos na composição inicial da
Terra.
No estudo, publicado, a 28 de agosto, na revista científica Science, os investigadores relataram que estes condritos têm hidrogénio suficiente para perfazer 0,08-0,54 do seu peso em água.
Segundo o mesmo site, como sabemos que havia bastante oxigénio na Terra primitiva, isso sugere que era possível haver água.
Embora as percentagens possam parecer pequenas, os cálculos dos autores
mostram que a Terra primitiva poderia ter tido água suficiente para
encher as bacias oceânicas atuais três vezes.
“Material contendo hidrogénio estava presente no Sistema Solar
interno na época da formação do planeta rochoso, embora as temperaturas
fossem muito altas para que a água condensasse”, afirma, em comunicado, Laurette Piani, investigador do Centre de Recherches Petrographiques et Geochimiques (CRPG), em França.
Dado o esforço necessário para encontrar e estudar meteoritos,
poderíamos esperar que a composição de hidrogénio dos condritos de
entstita já tivesse sido observada há muito tempo. Porém, estes
representam apenas 2% dos meteoritos conhecidos, portanto, as
oportunidades de estudá-los são escassas.
E, segundo o IFLScience, mesmo aqueles que existem, muitas vezes experimentaram interações que os tornam indicadores menos confiáveis
da composição original da Terra. Os condritos carbonáceos são muito
mais comuns, mas têm proporções isotópicas menos semelhantes às da Terra
e acredita-se que se tenham formado para além de Júpiter.
Quando a água foi previamente observada em condritos de entstita, foi
atribuída a interações com a atmosfera da Terra, uma explicação que
este novo estudo rejeita com base na análise isotópica.
“Se os condritos de entstita fossem efetivamente os blocos de
construção do nosso planeta – como fortemente sugerido pelas suas
composições isotópicas semelhantes –, este resultado sugere que esses
tipos de condritos forneceram água suficiente para a Terra para explicar
a origem da água no nosso planeta, o que é incrível” disse o co-autor
do estudo, Lionel Vacher, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.
Impressão de artista de uma anã branca a retirar gás da sua estrela
Uma equipa de cientistas descobriu uma estrela anã branca que
precisa de apenas 29,6 segundos para completar uma rotação completa ao
redor de si mesma.
Uma equipa de astrónomos descobriu uma anã branca que completa a sua rotação em apenas 29,6 segundos. Até agora, o período de rotação mais curto já identificado entre estrelas deste tipo era de 33 segundos.
A estrela, uma vizinha cósmica que se localiza a 850 anos-luz do Sol, é a protagonista do mais recente estudo, publicado na The Astrophysical Journal Letters.
Batizada de CTCV J2056-3014, a estrela foi encontrada graças a
observações em raios-X realizadas pelo telescópio espacial XMM-Newton,
da Agência Espacial Europeia (ESA), e na luz que é visível aos nossos
olhos pelo telescópio Zeiss, do Observatório do Pico dos Dias (OPD).
De acordo com o Space, CTCV J2056-3014 é um sistema binário
composto por duas estrelas que orbitam a uma distância equivalente
àquela entre a Terra e a Lua. A variação do brilho do sistema, tanto em
raios-X quanto na luz visível, chamou a atenção dos astrónomos. Esta
variação está associada ao tempo de rotação da anã branca.
“O estudo de CTCV J2056-3014 tem implicações científicas importantes
sobre a interação entre a matéria e os campos magnéticos, que é de
grande interesse na Física. Neste sistema, a interação dá-se com matéria a cair sobre uma estrela magnetizada e em rotação elevada”, explicou Raimundo Lopes, líder da investigação.
A equipa defende que esta descoberta abre horizontes para um melhor
entendimento sobre a estrutura e a evolução estelar, assim como sobre a
origem de campos magnéticos em estrelas evoluídas.
“Este estudo é também um belo exemplo de sinergia entre instrumentos
de grande porte, como o satélite XMM-Newton, e telescópios pequenos,
como o Zeiss do Observatório do Pico dos Dias”, acrescentou Albert
Bruch, do Laboratório Nacional de Astrofísica.
Uma nova análise dos dois principais grupos de micróbios que
vivem abaixo da superfície da Terra acaba de revelar que o seu caminho
evolutivo é muito mais curioso do que imaginávamos.
Nos primeiros dois mil milhões de anos, não havia oxigénio na
atmosfera da Terra. Depois de o ar se ter modificado, nem todas as
formas de vida se conseguiram adaptar e muitos micróbios recuaram para
as partes menos oxigenadas do planeta.
Patescibacteria e DPANN são dois grupos ubíquos destes micróbios de subsuperfície – bactérias e arqueas, respetivamente – que parecem ter genomas muito simples. Segundo o Science Alert,
muitos cientistas suspeitam de que, sem a capacidade de respirar
oxigénio, estes micróbios necessitam de interações complexas com outros
organismos.
Uma nova investigação, cujo artigo científico foi recentemente publicado na Frontiers in Microbiology,
indica que, em vez de terem uma dependência simbiótica de outros grupos
principais de organismos, a maioria das Patescibacteria e DPANN vivem
como células completamente livres.
“Estes micróbios são exemplos especiais e emocionantes da evolução
inicial da vida”, disse Ramunas Stepanauskas, cientista no Bigelow
Laboratory for Ocean Sciences, nos Estados Unidos. Estes microrganismos
“podem ser remanescentes de antigas formas de vida que se esconderam e prosperaram na subsuperfície da Terra durante milhares de milhões de anos.”
Esta investigação analisou cerca de 5.000 células microbianas
individuais de 46 locais de todo mundo, incluindo um vulcão de lama no
fundo do Mar Mediterrâneo, fontes hidrotermais no Pacífico e minas de
ouro na África do Sul.
As observações genómicas e biofísicas de uma única célula não apoiam a
visão predominante de que Patescibacteria e DPANN são dominados por
simbiontes “O seu potencial de codificação divergente, genomas e
tamanhos de células pequenos podem ser resultado de um metabolismo energético primitivo ancestral que depende exclusivamente da fermentação”, escreveram os autores do artigo.
A fermentação é uma opção metabólica, mas este processo costuma ser
menos eficiente do que a respiração. A fermentação produz apenas 2 ATP
por glicose em comparação com os 38 ATP por glicose pela respiração
aeróbica. Isto significa que este tipo de metabolismo coloca os
organismos na via metabólica lenta.
Com base neste novo estudo, estes dois grupos não contêm nenhum traço
do que é conhecido como cadeia de transporte de eletrões, um processo
metabólico que produz energia despejando eletrões no oxigénio. Os seus
truques de sobrevivência relativamente simples e potencialmente antigos
não precisam deste processo.
Os dois grupos também não mostraram evidências de respiração e as
amostras estavam por conta própria. Além da fermentação, estes grupos
microbianos têm poucas – ou nenhuma – outra maneira de produzir energia.
“Patescibacteria e DPANN são antigas formas de vida que podem nunca ter aprendido a respirar“, disse Stepanauskas.
Ilustração artística mostra uma fusão hierárquica de buracos negros que pode ter levado a este evento.
Astrônomos detectaram a fusão mais massiva de dois buracos negros
através das ondas gravitacionais mais antigas e distantes que já
atingiram a Terra.
Essa colisão criou o primeiro buraco negro de massa intermediária já descoberto, e ele tem uma massa 142 vezes maior que a do nosso sol.
O ‘estouro’ de energia criado por esta fusão de buraco negro liberado por ondas gravitacionais, ou ondulações no continuum espaço-tempo,
igualou a energia de oito sóis. E essas ondulações levaram 7 bilhões de
anos para viajar pelo espaço e chegar até nós na Terra.
Este buraco negro recém-descoberto tem o que é chamado de massa
“intermediária” porque sua massa é entre 100 e 1.000 vezes a do Sol. É
mais do que a massa estelar (a massa das estrelas) e menos do que a dos
buracos negros supermassivos.
O sinal que os astrônomos traçaram por meio de ondas gravitacionais
provavelmente aconteceu no momento em que os dois buracos negros se
juntaram.
As ondas gravitacionais foram rastreadas na Terra em 21 de maio de
2019, pelos detectores duplos do Observatório de Ondas Gravitacionais do
Interferômetro a Laser da National Science Foundation nos Estados Unidos, bem como pelo detector de ondas gravitacionais de Virgo, na Itália.
Dois estudos publicados na quarta-feira, um sobre o evento das ondas gravitacionais na revista Physical Review Letters e outro detalhando as implicações do evento no Astrophysical Journal Letters.
“Um dos grandes mistérios da astrofísica é como se formam os buracos
negros supermassivos?” disse Christopher Berry, revisor do Conselho
Editorial do LIGO Science Collaboration para o artigo de descoberta, em um comunicado.
“Eles são os milhões de elefantes com massa solar na sala”, disse
Berry, que também é professor de pesquisa no Centro de Exploração e
Pesquisa Interdisciplinar em Astrofísica da Universidade Northwestern.
“Eles crescem de buracos negros de massa estelar, que nascem quando
uma estrela colapsa, ou nascem de um meio desconhecido? Há muito tempo
procuramos por um buraco negro de massa intermediária para preencher a
lacuna entre a massa estelar e os buracos negros supermassivos. A
procura acabou. Agora, temos provas de que existem buracos negros de
massa intermediária”, disse ele.
O evento de onda gravitacional durou apenas cerca de um décimo de
segundo. As ondas se originaram de 7 bilhões de anos-luz de distância – a
fonte mais distante delas até agora.
Com esta detecção, o LIGO observou o inesperado e levou a outro avanço.
“As observações de ondas gravitacionais são revolucionárias”, disse
Berry. “Com essas descobertas de ondas gravitacionais, não demorará
muito até que tenhamos dados suficientes para descobrir os segredos de
como os buracos negros nascem e crescem.”
O evento de onda gravitacional foi denominado GW190521. E os quatro
pequenos balanços captados pelos detectores representam um estrondo
literal que viajou pelo espaço para nos alcançar na Terra 7 bilhões de
anos depois. Isso difere do sinal captado durante a primeira detecção de
ondas gravitacionais do LIGO em 2015.
Por que esse buraco negro é diferente
Existem duas categorias principais de buracos negros.
Buracos negros de massa estelar se formam quando estrelas massivas
morrem e variam de algumas vezes a massa do Sol até dezenas de vezes sua
massa. E buracos negros supermassivos, como os encontrados no centro de
galáxias como o nosso, podem ter centenas, milhares ou até bilhões de
vezes a massa do nosso Sol.
Então, há este novo buraco negro intermediário, que está entre os
dois. Foi formado por dois buracos negros massivos que provavelmente
foram criados por estrelas em colapso. Dos dois buracos negros que se
fundiram, o mais pesado tinha 85 massas solares e o outro buraco negro
tinha cerca de 66 massas solares.
As estrelas entram em colapso sob seu próprio peso quando seus
núcleos evoluem e não têm mais pressão suficiente para suportar as
camadas externas da estrela. O resultado pode criar um buraco negro.
Mas uma estrela que entra em colapso não deveria ser capaz de
produzir um buraco negro entre 65 a 120 massas solares, que é chamado de
gap de massa de instabilidade de par. Isso ocorre porque as estrelas
mais massivas são obliteradas pela supernova que vem junto com seu
colapso.
O maior dos dois buracos negros nesta fusão, com 85 massas solares, é
o primeiro buraco negro detectado nesta faixa. Mas como isso se formou?
“Há muitas idéias sobre como contornar isso – fundir duas estrelas,
incorporar o buraco negro em um disco grosso de material que ele pode
engolir ou buracos negros primordiais criados na sequência do Big Bang”,
disse Berry. “A ideia que eu realmente gosto é uma fusão hierárquica
onde temos um buraco negro formado a partir da fusão anterior de dois
buracos negros menores.”
A possibilidade da fusão hierárquica, onde cada buraco negro nesta
fusão provavelmente se formou a partir da fusão de dois buracos negros
menores, é incluída pelos pesquisadores no segundo estudo.
“Depois de tantas observações de ondas gravitacionais desde a
primeira detecção em 2015, é empolgante que o universo ainda esteja
lançando coisas novas em nós, e este buraco negro de 85 massas solares é
bastante complicado”, disse Chase Kimball, co-autor do segundo estudo,
membro da LIGO Scientific Collaboration e estudante de pós-doutorado em astronomia da Northwestern, em um comunicado…
“Estamos realmente no início da astronomia de ondas gravitacionais”,
disse Kimball. “É difícil escolher um momento melhor para se tornar
astrofísico.”
Um novo estudo realizado por cientistas do Instituto Cooperativo de
Pesquisa em Ciências Ambientais (CIRES, na sigla em inglês), da
Universidade do Colorado (cidade de Boulder, EUA), confirmou que os
níveis de ozônio aumentaram na troposfera, de 1994 a 2016, em toda a região do hemisfério norte.
Estudo usou aeronaves comerciais
Ao contrário da camada de ozônio
– presente em altitudes muito superiores, na atmosfera terrestre –, que
protege nosso planeta contra os efeitos nocivos dos raios ultravioletas
do sol, o ozônio presente na troposfera – camada mais baixa da
atmosfera – atua aumentando o efeito estufa, que causa problemas de
saúde e contribui para radicais mudanças climáticas.
Os cientistas já haviam tentando medir a concentração de ozônio na
troposfera anteriormente, mas os dados coletados pelos satélites eram
divergentes, e não puderam ser usados para determinar se o gás aumentou
ou diminuiu.
Alto nível de ozônio na troposfera causa efeito estufa
Por isso, os cientistas resolveram realizar um novo estudo com o uso
das aeronaves comerciais do In-Service Aircraft for the Global Observing
System (Sistema de Observação Global baseado em Aeronaves, ou IAGOS, na
sigla em inglês) da Europa. O novo estudo se baseia em uma abordagem
única de coleta de dados, que começou em 1994, e usa o mesmo instrumento
para medir a concentração de ozônio em todo o mundo.
Para essa pesquisa, o IAGOS forneceu dados coletados entre 1994 e
2016, de 11 pontos diferentes no hemisfério norte. Durante esse período,
foram coletados 34.600 perfis do gás, ou cerca de quatro por dia.
Os cientistas perceberam que o ozônio se manteve baixo entre os anos
de 1994 e 2004, mas subiram para “níveis muito altos” entre 2011 e 2016.
Em um âmbito geral, os níveis do gás aumentaram 5% a cada década.
Poluição causada por humanos
De acordo com a equipe, a principal causa para o aumento do ozônio na
troposfera é a maior concentração de nitrogênio (NOx), poluente em
grande parte gerado por atividades humanas, como fábricas e veículos
motorizados.
Os anticorpos que o corpo humano produz para combater o novo
coronavírus duram pelo menos quatro meses depois do diagnóstico e não
desaparecem rapidamente, ao contrário do que apontavam alguns estudos
iniciais, segundo uma descoberta científica.
Um relato, divulgado na terça-feira, de testes a mais de 30 mil
pessoas na Islândia, é o trabalho mais extenso já feito sobre a resposta
do sistema imunitário ao novo coronavírus e constitui uma boa notícia
para os esforços de desenvolver uma vacina, informou esta quarta-feira a agência Lusa.
Se uma vacina puder estimular a produção de anticorpos duradouros,
como as infeções naturais fazem, vai dar esperança que “a imunidade para
este imprevisível e muito contagioso vírus possa não ser efémera”,
escreveram peritos independentes da Universidade de Harvard e dos
Institutos de Saúde dos Estados Unidos, em comentário publicado com o estudo na New England Journal of Medicine.
Um dos grandes mistérios da pandemia é saber se ter tido o coronavírus ajuda a proteger contra futuras infeções
e por quanto tempo. Alguns estudos, com uma dimensão mais reduzida,
sugerem que os anticorpos desaparecem rapidamente e que algumas pessoas,
com poucos ou nenhuns sintomas, podem não produzir muitos.
O novo estudo foi feito pela empresa deCODE Genetics, baseada em
Reiquiavique, uma subsidiária da biotecnológica norte-americana Amgen,
com uma forte presença hospitalar, universitária e nos agentes de saúde
na Islândia.
Uma equipa internacional de cientistas descobriu um material ferroelétrico bidimensional com apenas dois átomos de espessura.
Os materiais bidimensionais são membranas ultrafinas que prometem
novas aplicações optoeletrónicas, térmicas e mecânicas, incluindo
dispositivos ultrafinos de armazenamento de dados. Já os materiais
ferroelétricos são os que possuem um momento dipolar intrínseco, uma
medida da separação das cargas positivas e negativas, que podem ser
trocadas por um campo elétrico.
“Uma única molécula de água também tem um momento de dipolo
intrínseco de eletrões, mas o movimento térmico de moléculas de água
individuais em condições normais (por exemplo, numa garrafa de água)
impede a criação de um momento de dipolo intrínseco em distâncias
macroscópicas”, explicou Salvador Barraza-López, em comunicado.
De acordo com o Europa Press, o novo material descoberto pela equipa trata-se de uma monocamada de seleneto de estanho e
é apenas o terceiro ferroelétrico bidimensional pertencente à família
química dos monocalcogenetos do grupo IV cultivado experimentalmente até
agora.
O artigo científico com a descoberta foi publicado na Nano Letters.
Com a ajuda de um microscópio de tunelamento, os cientistas alteraram
o momento dipolar dos eletrões das monocamadas de seleneto de estanho
cultivadas num substrato de grafite. Os cálculos feitos por Brandon
Miller indicaram um crescimento altamente orientado do material no substrato.
Esta experiência ajuda a corroborar as previsões teóricas
que fundamentam este comportamento físico: estes materiais
ferroelétricos semicondutores passam por transições de fase induzidas
pela temperatura, nas quais o dipolo elétrico intrínseco é desligado.
Além disso, também abrigam efeitos óticos não lineares que podem ser
úteis para aplicações optoeletrónicas ultracompactas.
Chegar muito perto de um buraco negro supermassivo pode ser
fatal para as estrelas. Uma equipa de investigadores descobriu o que
acontece quando um buraco negro devora uma estrela.
Quando uma estrela se aproxima demasiado de um buraco negro,
experimenta um evento de perturbação de marés e são laceradas antes de
entrarem em espiral no buraco negro. A eficiência com que esse material
se organiza em torno do buraco negro tem sido motivo de controvérsia nos
últimos anos.
Se o material de um evento de perturbação de marés formar um disco de
acreção ao redor de um buraco negro, espera-se que poderosas emissões
de raios X o acompanhem. No entanto, os cientistas não observaram essas
emissões nos últimos anos, levando-os a supor que, afinal, não houve
formação de disco.
Agora, uma equipa de investigadores encontrou evidências indiretas do disco que sugerem que algo está a impedir os raios X de chegar até nós.
“Na teoria clássica, o evento de perturbação de marés é alimentado
por um disco de acreção, produzindo raios X da região interna onde o gás
quente espirala no buraco negro”, disse Tiara Hung, investigadora da UC Santa Cruz, em comunicado.
“Mas para a maioria dos eventos de perturbação de marés, não vemos
raios-X – brilham principalmente nos comprimentos de onda ultravioleta e
ótico – por isso foi sugerido que, em vez de um disco, estamos a ver emissões da colisão de fluxos de detritos estelares.”
O referencial teórico foi desenvolvido nos últimos anos. Simulações sugerem que, dependendo de como o disco está inclinado
em relação à nossa linha de visão, isso permitirá que certos tipos de
emissões ocorram. Em certas orientações, os raios X serão detetáveis.
Noutras, as observações verão uma emissão de pico duplo.
Esta descoberta fornece suporte para a teoria de pico duplo.
As novas observações cruciais vêm do evento de perturbação de marés AT 2018hyz.
O evento foi detetado pela primeira vez em novembro de 2018 mas, em 1
de janeiro de 2019, a equipa obteve o espectro de luz para o evento
usando o Telescópio Shane no Observatório Lick.
“O meu queixo caiu e soube imediatamente que isto seria interessante”, disse o co-autor do estudo Ryan Foley.
“O que se destacou foi a linha de hidrogénio – a emissão do gás
hidrogénio – que tinha um perfil de pico duplo diferente de qualquer
outro evento de perturbação de marés que tínhamos visto.”
“Acho que tivémos sorte com este”, acrescentou Enrico Ramirez-Ruiz.
“As nossas simulações mostram que o que observámos é muito sensível à
inclinação. Há uma orientação preferencial para ver esses recursos de
pico duplo e uma orientação diferente para ver as emissões de raios-X”.
O perfil de pico duplo é uma marca registada do gás hidrogénio em rotação. As emissões peculiares devem-se ao efeito doppler.
Assim como a sirene de uma ambulância, os comprimentos de onda da luz
são deslocados de uma forma ou de outra se o corpo emissor estiver a vir
na nossa direção ou a afastar-se de nós.
Num disco giratório, alguns gases afastam-se e outros aproximam-se em
direção à Terra. As emissões de hidrogénio são então transformadas num
recurso de pico duplo.
Este estudo foi publicado em março na revista científica The Astrophysical Journal.
Descendente de escravos, Loretta Pleasant nasceu em 1 de agosto de
1920 em uma fazenda de tabaco em Roanoke, interior do estado da
Virgínia, nos Estados Unidos. Não se sabe o motivo de ela ter mudado o
nome para Henrietta Lacks, tampouco quando isso aconteceu. Em meados de
1924, ela perdeu a mãe durante o parto de seu décimo irmão e se mudou
com o pai para Clover, na Carolina do Sul, onde foi criada pelo avô com o
primo David Lacks.
A convivência fez com que eles se casassem em 10 de abril de 1941.
Incentivados por um primo mais novo, eles se mudaram para o norte do
país, para a cidade de Maryland, para que David pudesse trabalhar na
siderúrgica Sparrows Point, que estava crescendo bastante devido às
demandas por metais que a Segunda Guerra Mundial
exigia. Não demorou muito para que a família fosse morar na comunidade
Turner Station, em Baltimore, onde havia a maior concentração de
metalúrgicos afro-americanos da região.
Em 19 de setembro de 1950, Henrietta deu à luz ao quinto filho no
Johns Hopkins Hospital, o único que atendia a pessoas negras na época.
Durante o parto, ela sentiu uma pressão interna horrível mesmo depois de
a criança ter nascido, porém os médicos investigaram e não encontraram
nada; nem mesmo exames feitos 6 semanas depois detectaram algo.
A salvadora desconhecida
(Fonte: Lincoln School Providence/Reprodução)
Em fevereiro de 1951, Henrietta deu entrada no mesmo hospital com um quadro de hemorragia grave
no útero e a sensação de que havia um "nó" dentro dela. Após análise,
os médicos detectaram um caroço do tamanho de uma azeitona no colo do
útero da mulher. Mais tarde, uma biópsia apontou que ela tinha um tumor
cervical.
Ela foi submetida à braquiterapia, que consiste em uma radioterapia
interna através de fontes de radiação colocadas diretamente no local
afetado pelo tumor, muito diferente do procedimento de External Beam
Radiotherapy (EBRT) e da quimioterapia. Depois disso, o oncologista
George Otto Gey retirou duas amostras do colo do útero de Henrietta para
análise sem o consentimento dela, em uma prática de exploração comum
para época, principalmente entre pobres e negros.
Em 8 de agosto de 1951, Henrietta foi internada durante uma das
sessões de braquiterapia devido a dores abdominais intensas sem nem
imaginar que jamais sairia do hospital. Em setembro, o quadro piorou
tanto que ela acabou morrendo em 4 de outubro de 1951. No entanto, as
células cancerígenas continuaram a se multiplicar fora do corpo da
mulher em uma taxa extraordinária.
A usurpação de Henrietta
George Otto Gey. (Fonte: Anfrix/Reprodução)
Em anos de estudos, Gey nunca tinha visto células humanas viverem por
um longo período fora do corpo. Até então, as partículas cultivadas em
laboratório sobreviviam por apenas alguns dias, o que inviabilizava
diversos estudos, mas o material de Henrietta Lacks podia ser dividido
várias vezes sem que morresse, por isso ficou conhecido como "células
imortais" e foi nomeado de HeLa, um acrônimo com as iniciais do nome da
mulher. O oncologista
conseguiu criar uma linhagem celular a partir das amostras isolando uma
célula e dividindo-a repetidamente, conseguindo usá-la para vários
experimentos sem que ela morresse.
A linhagem celular HeLa serviu para o desenvolvimento de medicamentos e vacinas contra a poliomielite e para tratar doença de Parkinson e leucemia; atualmente, é usada para analisar o comportamento da covid-19. Sete décadas depois, as células HeLa vivem mais do que o dobro do tempo fora do corpo de Henrietta do que dentro.
(Fonte: History/Reprodução)
Mesmo depois da morte, amostras foram coletadas do cadáver de
Henrietta por Mary Kubicek, assistente laboratorial de Gey. A vítima
nunca voltou para casa, e a família demorou tempo demais para saber o
que havia acontecido com ela. Para os filhos, a mãe simplesmente
desapareceu, mas na verdade ela estava sendo enterrada em uma sepultura
não identificada em Lackstown, no Condado de Halifax, na Virgínia.
No livro A Vida Imortal de Henrietta Lacks, publicado em
2010, a escritora Rebecca Skloot descreve os danos que a violação da
privacidade genética causou à família. Abandonada pelo pai, Deborah foi
estuprada por um parente até a vida adulta; Joe acabou na prisão por não
conseguir controlar a raiva de não saber onde a mãe foi parar; aos 15
anos, outra filha de Henrietta morreu de epilepsia após ser
institucionalizada em uma área psiquiátrica na qual nunca pôde receber
visitas.
Abusos e novo curso
(Fonte: British Society for Immunology/Reprodução)
As células revolucionárias de Henrietta se tornaram a base de uma
indústria multibilionária com mais de 17 mil patentes envolvendo células
HeLa, gerando lucros de bilhares de dólares. Muitos foram beneficiados,
menos a família da paciente. Henrietta sequer teve o nome contemplado,
pois os pesquisadores da época acreditavam que ter o registro de uma
pessoa afro-americana vinculado com um avanço descomunal na medicina
moderna poderia empobrecer a sua grandiosidade.
Os Lacks só souberam o destino de Henrietta em 1973, quando
cientistas do Johns Hopkins Hospital os procuraram para colher amostras
de sangue e estudar os descendentes das células HeLa. Mais uma vez sem o
consentimento dos envolvidos, em 1985 a imprensa divulgou registros
médicos da família para o mundo.
Contudo, a quebra de privacidade genética não parou por aí. Em 2013, o
Laboratório Europeu de Biologia Molecular de Heidelberg, na Alemanha,
publicou o genoma HeLa sem a liberação dos parentes, expondo informações
genéticas privadas sobre a linhagem de seus descendentes.
Com mais esse escândalo no histórico, no mesmo ano, o Instituto
Nacional de Saúde dos EUA concedeu a dois membros da família Lacks o
controle de como os dados do genoma das células seriam usados dali em
diante, criando o grupo HeLa Genome Data Access, que revisa pesquisas
que pedem acesso a informações da sequência HeLa.
Além de todos os avanços científicos, o caso de Henrietta Lacks foi
crucial para desenvolver o debate e implementar leis acerca do
consentimento informado de pacientes para a extração e o uso de células
em pesquisas científicas.
As plataformas de gelo da Antártida
podem desaparecer de um momento para outro. Essa é a conclusão de um
novo estudo publicado na última quarta-feira (26) na revista Nature.
Segundo os pesquisadores, cerca de 50% a 70% das gigantescas
plataformas que mantêm as geleiras da Antártida em seu lugar podem
rachar e derreter em ondas de degelo.
De acordo com a pesquisa, o aquecimento da amosfera
do planeta ameaça acelerar o recuo da camada de gelo do inóspito
continente, aumentando o derretimento da superfície e facilitando o
surgimento das chamadas "hidrofraturas", onde a água derretida flui para
dentro, causando mais rupturas que irão acelerar o colapso total da
plataforma.
Esse fenômeno pode determinar o desaparecimento das plataformas de
gelo da Antártida em um tempo surpreendentemente rápido, às vezes em
questão de horas ou até em minutos, dependendo da forma pela qual a água
derretida irrompe através das rachaduras em sua superfície.
Avaliação dos cientistas
Formação de fraturas nas plataformas de gelo (Fonte: Shutterstock)
A avaliação dos cientistas é de que pelo menos metade dessas massas
de gelo flutuantes da Antártida são vulneráveis a esse processo e podem
estar com seus dias contados. Com o seu colapso, as geleiras correm o risco de fluir rapidamente para a água, encolhendo o continente e acelerando a elevação do nível do mar.
O autor principal da pesquisa, Ching-Yao Lai, pesquisador de
pós-doutorado no Departamento de Geologia Marinha e Geofísica do
Observatório Terrestre Lamont-Doherty da Universidade de Columbia em
Nova Iorque, destaca que "onde o derretimento acontece também é importante".
Ele explica que algumas plataformas de gelo, por flutuar em águas
abertas, não diminuem a velocidade do deslizamento das geleiras em
direção ao mar simplesmente porque não há uma massa de terra para elas
se apoiarem.
Mas aquelas confinadas em baías e golfos constituem barreiras físicas
contra a qual as geleiras se movem lentamente. É sobre essas
estruturas, chamadas de "plataformas de de reforço" que Lai e seus
colegas concentraram sua pesquisa, buscando fixar quais delas têm maior
probabilidade de desmoronar.
Infelizmente, os algoritmos criados para reconhecer fraturas apontaram grandes riscos naquelas plataformas de reforço.
Nesta terça-feira (1º), pouco depois das 13h, um asteroide do tamanho
de um Boeing 747 — avião utilizado para transporte de passageiros e de
carga chamado com frequência de Jumbo — atingiu o ponto de sua
trajetória mais próximo da Terra, a uma distância de aproximadamente um
terço daqui para a Lua, não representando ameaça alguma para nós.
Batizado de 2011 ES4, a órbita do corpo celeste não é exatamente conhecida pela NASA,
a qual "chutou" que ele poderia passar a apenas 73 mil quilômetros do
planeta água. Entretanto, para alívio dos mais ansiosos, não chegou mais
perto do que 121 mil quilômetros.
A agência foi enfática em uma postagem no Twitter
publicada na última sexta-feira (28/08): "O asteroide vai atingir a
Terra? Não! Sua distância é considerada próxima em escala astronômica,
mas não oferece perigo."
Só passou para dar um "Oi!"
Medindo de 22 a 49 metros, o objeto viaja a uma velocidade de 29.376
quilômetros por hora e foi descoberto por astrônomos por meio do
observatório Mount Lemmon Survey, na Universidade do Arizona, em 2 de
março de 2011 — menos de 2 semanas antes da primeira visita dele aos
nossos arredores registrada.
Naquele ano, foi possível observá-lo por apenas 4 dias antes que sua
visualização se tornasse fraca demais, o que o manteve "escondido" de
nossos radares até hoje e explica a falta de certeza quanto à sua
trajetória.
De qualquer forma, esse não é o primeiro nem será o último a
demonstrar sua habilidade de se esgueirar sem ser detectado, pois
recentemente já tivemos alguns exemplares, como o 2020 QG — cuja presença só foi percebida depois de sua "saída à francesa".
Uma colaboração internacional de astrónomos descobriu três
pares de de buracos negros supermassivos em fusão no universo “local”.
Os três sistemas estão a libertar tanta energia que foram classificados
como quasares, ofuscando facilmente as suas galáxias hospedeiras.
Buracos negros supermassivos localizam-se no centro de quase todas as
galáxias, o que significa que, quando as galáxias se fundem, acabam por
criar buracos negros supermassivos em rota de colisão entre si. A forma
como essa interação se desenvolve ainda não é clara.
Encontrar exemplos de buracos negros duplos é difícil – e
encontrá-los como quasares é raro. Graças a esses três pares de buracos
negros supermassivos em fusão, agora, os investigadores podem estimar o
quão raro é.
A fração de quasares duplos é cerca de 0,3% de todos os quasares e isso não parece mudar muito com o tempo.
A equipa de cientistas começou com uma amostra de 34.476 quasares conhecidos e terminou com três, um dos quais já era conhecido pelos astrónomos.
“Honestamente, não começámos a procurar quasares duplos. Estávamos a
examinar imagens desses quasares luminosos para determinar em que tipo
de galáxias preferiam residir, quando começámos a ver casos com duas
fontes óticas nos seus centros onde esperávamos apenas uma ”, disse John Silverman, do Instituto Kavli para o Física e Matemática do Universo e investigador principal, em comunicado.
Dada a estimativa, a equipa ainda vai observar muito quasares duplos.
Estudá-los ajudará aos cientistas a descobrir muito mais sobre a
evolução das galáxias. “Apesar da sua raridade, representam um estágio importante na evolução das galáxias,
onde o gigante central é despertado, ganhando massa e potencialmente
impactando o crescimento da sua galáxia hospedeira”, disse Shenli Tang, estudante na Universidade de Tóquio.
As fusões de galáxias são um fenómeno comum na longa história do Universo. A nossa própria galáxia dividiu-se e absorveu várias galáxias mais pequenas,
mas é um processo lento e longo. As galáxias aproximam-se lentamente
umas das outras, perturbam as formas umas das outras e, eventualmente,
unem-se num único novo objeto.
Um estudo, em larga escala, de 24 mil sonhos mostra que estes
momentos durante o sono são uma continuação do que acontece na nossa
vida quotidiana.
Um dos sistemas mais conhecidos para interpretar sonhos é o Hall e Van de Castle,
que codifica os sonhos em termos das personagens que aparecem neles, as
suas interações e os efeitos que essas mesmas interações têm
posteriormente nas personagens, entre muitos outros conceitos.
No entanto, um problema deste sistema é que pode ser bastante lento e
demorado, razão pela qual os cientistas da área continuam à procura de
soluções que envolvam algoritmos para poder automatizar o processo.
De acordo com o site Science Alert, uma equipa de investigadores descobriu uma nova forma de o fazer, e ainda para mais em grande escala, tendo analisado um conjunto de 24 mil sonhos de um banco de dados público chamado DreamBank.
“Desenvolvemos uma ferramenta que automaticamente pontua relatórios
de sonhos, operacionalizando a escala de análise de sonhos amplamente
usada pelo Hall e Van de Castle”, explica a equipa no estudo publicado, a 26 de agosto, na revista científica Royal Society Open Science.
“Validámos a eficácia da ferramenta em relatórios de sonhos anotados à mão e testámos o que os cientistas do sono chamam de ‘hipótese de continuidade’ nesta escala sem precedentes”, continuam.
Segundo o mesmo site, esta ferramenta simplifica o sistema Hall e Van
de Castle, analisando o texto dos relatos dos sonhos e focando-se nas
personagens, nas interações sociais e nas palavras emocionais.
“Estas três dimensões são consideradas as mais
importantes para ajudar na interpretação dos sonhos (…), pois definem a
espinha dorsal do enredo de um sonho: quem estava presente, quais
as ações realizadas e quais as emoções expressadas.”
Quando a equipa comparou a sua ferramenta de processamento de linguagem com as notas feitas à mão, os resultados corresponderam cerca de três quartos das vezes.
Este não é o resultado perfeito, mas já é um sinal promissor que sugere
que desenvolvimentos tecnológicos como este podem levar a novos tipos
de avanços na pesquisa dos sonhos.
Os cientistas também encontraram nos seus dados evidências para apoiar a ‘hipótese da continuidade’ – a noção de que os sonhos são uma continuação do que acontece na nossa vida quotidiana.
É possível explorar algumas das suas análises, baseadas nos sonhos de pessoas reais, neste site oficial, que replica os dados do projeto.
Um estudo analisou 63 pessoas que controlaram a infeção VIH
sem o recurso a drogas. As conclusões ditam que pode haver possibilidade
do tratamento da doença, ser feito sem recurso a tratamentos agressivos
para o corpo humano. A descoberta sugere que estes doentes podem ter
alcançado uma “cura funcional”.
A pesquisa, apresentada num artigo publicado no dia 26 de agosto na revista Nature, descreve um novo mecanismo pelo qual o corpo pode eliminar o VIH.
O estudo trás a esperança de que um pequeno número de pessoas
infetadas, que fizeram terapia anti-retroviral por muitos anos possam
suprimir o vírus, e parar de tomar os medicamentos.
Steve Deeks, especialista em VIH da Universidade da
Califórnia, e um dos autores do estudo, garante que esta descoberta
“sugere que o próprio tratamento pode curar as pessoas”.
Loreen Willenberg, de 66 anos, já é famosa entre os investigadores. O seu corpo conseguiu livrar-se do vírus,
após viver décadas com a infeção. Apenas outras duas pessoas – Timothy
Brown e Adam Castillejo – foram declaradas curadas do VIH. Contudo, os dois homens foram submetidos a rigorosos transplantes de medula óssea, que os deixaram com os sistemas imunológicos resistentes ao vírus.
Apesar disso, e segundo o The New York Times, os transplantes podem não ser uma boa opção pois são muito arriscados para a maioria das pessoas infetadas com VIH. Daí a importância de ser descoberto um novo método que não obrigue os doentes a passarem por este processo.
Sharon Lewin, diretor do Instituto Peter Doherty
para Infeção e Imunidade em Melbourne, considera esta descoberta
incrível, mas o verdadeiro desafio “é conseguir analisar se este novo
método é eficaz nos vários doentes que vivem com SIDA”.
A investigadora Rowena Johnston (que não fez parte do estudo) com Loreen Willenberg (dir.)
“Controladores de Elite”
Os participantes da pesquisa foram chamados “controladores de elite”, pois apenas 1% das pessoas com VIH pode manter o vírus sob controle sem medicamentos anti-retrovirais.
Em alguns pacientes, o sistema imunológico, ao longo do tempo,
absorve as células nas quais o vírus ocupou o genoma. Mas a análise a
estes participantes mostrou que os genes virais podem ser isolados em certas regiões “bloqueadas” do genoma, onde a reprodução não pode ocorrer – explicou Xu Yu, autora principal do estudo.
Os investigadores acreditam que é possível que algumas pessoas que
fazem a terapia antirretroviral durante muitos anos, também possam
chegar ao mesmo resultado, especialmente se receberem tratamentos que
podem estimular o sistema imunológico.
Willenberg já participava deste tipo de estudos há mais de 15 anos. Agora, a Xu Yu e os seus colegas analisaram 1,5 mil milhões de células sanguíneas da ex-portadora do vírus, e não encontraram nenhum vestígio de VIH.
Lewin acredita que o caso desta paciente “pode ser considerado uma cura, mas por um caminho muito diferente”.
“Controladores excecionais”
Outros 11 infetados incluídos no estudo, foram batizados pelos investigadores de “controladores excecionais”.
Estes pacientes têm o vírus apenas numa parte do genoma, que é contudo tão densa e remota que a maquinaria da célula humana não consegue replicá-lo.
A equipa de cientistas descobriu que algumas pessoas que conseguem
eliminar o vírus não têm anticorpos detetáveis ou células imunológicas
que respondem rapidamente ao VIH. Porém o seu sistema imunológico carrega uma memória do vírus.
As poderosas Células T – constituintes importantes do sistema
imunológico – eliminam células em que os genes virais se instalaram. As
que permaneceram infetadas, correspondem a células que se situavam em regiões remotas do genoma, onde o vírus VIH não conseguia reproduzir-se.
Depois de os investigadores terem concluído o estudo, foram
analisadas mais 40 amostras de “controladores de elite”, e encontrados
mais alguns casos que poderiam ser qualificados como curas. Yu garante
que “acreditamos que hajam muitos casos destes por aí”.
Agora, a equipa está a reunir doentes que tomaram medicamentos antirretrovirais durante 20 anos ou mais, e que podem ter conseguido eliminar o vírus para partes remotas dos seus genomas.
Os medicamentos anti-retrovirais poderem ter efeitos colaterais severos, incluindo doenças cardíacas e danos a órgãos, sobretudo quando são tomados por muitos anos. Uma cura funcional, a ser confirmada por pesquisas futuras, transformaria a vida dos pacientes com VIH.
Yu sonha com esta cura para os doentes, pois desta forma “podem interromper o tratamento antirretroviral e ficar curados, assim teriam uma vida muito mais saudável”.
A tendência universal de desviarmos o olhar quando somos
apanhados em flagrante a observar outra pessoa pode dar pistas sobre a
forma como o nosso cérebro obtém significado ao olhar nos olhos de
alguém.
Uma equipa de cientistas descobriu que as pessoas tendem a seguir
instintivamente o olhar de outra, mas há uma exceção na situação
socialmente embaraçosa na qual um indivíduo é apanhado a olhar fixamente
para os olhos de uma pessoa: um observador externo não segue
reflexivamente o olhar.
De acordo com o Futurity,
os investigadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos,
concluíram que o cérebro diz automaticamente ao observador que não há
nenhum significado no local para onde a parte embaraçada dedicou a sua
atenção.
No fundo, “o cérebro é muito mais inteligente do que pensávamos“, sintetizou Brian Scholl, professor de psicologia da Universidade de Yale e autor do artigo científico, publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences. “O cérebro não lê apenas o que as pessoas estão a observar. Ele lê a mente.”
A equipa realizou várias experiências e demonstrou que o cérebro nem
sempre vira os olhos para o foco do olhar de outra pessoa – só o faz
quando avalia que o olhar é “socialmente significativo“.
Os movimentos dos olhos e da cabeça depois de uma pessoa “ser
apanhada durante a deflexão do olhar não orientam automaticamente a
atenção dos outros – presumivelmente porque o cérebro pode assumir que
esses olhares não são direcionados para nada em particular”, explicou
Scholl.
“Isso prova que o cérebro é especializado em não entender os olhos dos outros, mas sim em perceber a mente por trás dos olhos.”