sábado, 5 de setembro de 2020

Vacina russa é forte e tem ação duradoura contra covid-19 !

Vacina russa é forte e tem ação duradoura contra covid-19, diz estudo -  TecMundoImagem de Vacina russa é forte e tem ação duradoura contra covid-19, diz estudo no megacuriosoImagem de Vacina russa é forte e tem ação duradoura contra covid-19, diz estudo no megacuriosoResultados preliminares de um estudo publicado na revista científica The Lancet indicam que a vacina russa contra a covid-19 realmente funciona e que gera uma resposta imune forte e duradoura.
O imunizante foi registrado pela Rússia no mês passado e gerou dúvidas na comunidade científica por, até então, nunca ter aparecido em publicações detalhando seu funcionamento ou procedimentos de testes. Agora, os resultados estão começando a ser divulgados de maneira transparente, trazendo confiança para o composto.
O governo do estado do Paraná já assinou um convênio com a Rússia para produção da vacina, conhecida como “Sputnik V”, aqui no Brasil e pretende iniciar os testes na população do estado em até um mês. O registro da vacina russa será feito em até 10 dias junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), segundo o governo do Paraná.

Sem efeitos colaterais

No artigo publicado na Lancet, os cientistas explicam que não foram encontrados efeitos colaterais adversos nos pacientes que participaram das fases 1 e 2 da testagem em até 42 dias depois da imunização.
Além disso, 100% das pessoas vacinadas desenvolveram uma resposta imune forte em até 21 dias. Isso quer dizer, entretanto, que é necessário manter o distanciamento social e cuidados contra a infecção por, pelo menos, 3 semanas após receber a dose do imunizante.
É importante destacar que esse estudo é considerando preliminar por ainda não ter feito testes em larga escala com a dita vacina, conhecidos como fase 3. Pelo menos outras 7 vacinas diferentes já estão nessa fase ao redor do mundo.

Duradoura

Além de estimular a produção de anticorpos contra o novo coronavírus, a vacina russa ainda é capaz de provocar uma resposta das células T do organismo humano, segundo o estudo. Essas células são responsáveis por destruir outras células que já estejam infectadas pelo vírus. Isso está ligado à eficácia duradora da vacina contra o patógeno, mas não há como prever por quanto tempo uma dose pode manter o paciente imune.
Para a fase 3 de testagem, o governo Russo pretende convocar 40 mil voluntários para tomarem a vacina. O governo do Paraná ainda não comentou quantas pessoas serão imunizadas nos testes com a Sputnik V aqui no Brasil.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/115941-vacina-russa-e-forte-e-tem-acao-duradoura-contra-covid-19-diz-estudo.htm

Uma estranha forma de vida pode florescer no interior das estrelas

Quando os astrónomos procuram sinais de vida no Universo, tendem a procurar coisas específicas com base no que se sabe: um planeta como a Terra, em órbita em torno de uma estrela e a uma distância que permita água de superfície líquida. No entanto, é possível que haja outras formas de vida completamente diferentes do que imaginamos.
De acordo com o ScienceAlert, assim como existem extremófilos na Terra – organismos vivem em ambientes extremos e aparentemente inóspitos -, também pode haver extremófilos no Universo. Por exemplo, expécies que podem formar-se, evoluir e prosperar no interior das estrelas.
De acordo com uma investigação dos físicos Luis Anchordoqui e Eugene Chudnovsky, da The City University of New York, isto é – hipoteticamente, pelo menos – possível.
Tudo depende de como se define a vida. Se os critérios-chave são a capacidade de codificar informações e a capacidade desses portadores de informação se auto-replicarem mais rapidamente do que se desintegram, as hipotéticas partículas monopólos enfiadas em cordas cósmicas – colares cósmicos – poderiam formar a base da vida dentro das estrelas –  tal como ADN e ARN formam a base da vida na Terra.
“As informações armazenadas no ARN (ou ADN) codificam o mecanismo de auto-replicação”, disse Chudnovsky, em declarações ao ScienceAlert. “O seu surgimento deve ter sido precedido pela formação massiva de sequências aleatórias de ARN até que se formasse uma sequência capaz de autorreplicação. Acreditamos que um processo semelhante ocorreria com colares numa estrela, levando a um processo estacionário de autorreplicação”.
Acredita-se que cordas e monopólos tenham surgido no início do Universo, quando arrefeceu após o Big Bang, e a sopa de partículas de plasma de quark-gluões que o preenchia sofreu uma transição de fase de quebra de simetria e condensou-se em matéria.
Embora ainda não tenhamos detetado cordas cósmicas (objetos lineares unidimensionais) ou monopólos (partículas elementares com apenas um pólo magnético), muito se refletiu sobre como se poderiam comportar. Em 1988, Chudnovsky e o seu colega, o físico teórico Alexander Vilenkin, da Universidade Tufts, previram que cordas cósmicas poderiam ser capturadas por estrelas. Lá, a turbulência esticaria a corda até formar uma rede de cordas.
De acordo com o novo estudo, colares cósmicos podem formar-se numa sequência de transições de fase de quebra de simetria. No primeiro estágio, surgem monopólos. Na segunda, cordas. Isso pode produzir uma configuração estável de um cordão monopólo e duas cordas que, por sua vez, podem conectar-se e formar tridimensionais.
Um colar unidimensional dificilmente carregaria informações. Porém, estruturas mais complexas conseguiriam – e poderiam sobreviver tempo sufiente para replicar-se, alimentando-se da energia de fusão gerada pela estrela.
“Comparado ao tempo de vida de uma estrela, o seu tempo de vida é uma faísca instantânea de luz no escuro. O importante é que essa faísca consegue produzir mais faíscas antes que desapareça, proporcionando assim uma longa vida útil da espécie”, escreveram os investigadores.
“A complexidade que evolui através de mutações e seleção natural aumenta com o número de gerações passadas. Consequentemente, se as vidas de espécies nucleares autorreplicantes forem tão curtas como as vidas de muitos objetos nucleares compostos instáveis, podem evoluir rapidamente para uma enorme complexidade.”
Segundo Chudnovsky, poderia ser possível que a tal forma de vida pudesse desenvolver inteligência.
Os cientististas não precisam de conhecer a sua aparência para encontrar esta forma de vida. Como os organismos usariam parte da energia da sua estrela hospedeira para sobreviver e se propagar, estrelas que parecem arrefecer mais rapidamente do que os modelos estelares podem explicar podem hospedar o que os investigadores chamam de “vida nuclear”. Várias dessas estrelas já foram observadas e o seu arrefecimento ligeiramente acelerado ainda é um mistério.
Estrelas que escurecem erraticamente sem explicação também podem ser um bom lugar para procurar.
“Como estariam a evoluir muito rápido, poderiam encontrar uma forma de explorar o cosmos além da sua estrela”, disse Chudnovsky. “Poderiam estabelecer comunicação e viajar entre as estrelas“.
Os cientistas planeam continuar a sua linha de investigação, desenvolvendo simulações de colares cósmicos em estrelas.

https://zap.aeiou.pt/estranha-forma-vida-profundezas-estrelas-343869

Há uma calculadora que lhe diz que idade teria noutros planetas

Os planetas do nosso Sistema Solar são muito distintos. Além da temperatura, estes mundos variam no tipo de movimento que executam, o que significa que a duração de um ano em cada um deles é muito diferente.
Em tempos de pandemia, há quem ache que 2020 está a demorar muito tempo para terminar. No entanto, em Saturno, um ano chega ao fim depois de 29 anos terrestres, o que significa que quem tem 28 anos de idade na Terra, ainda não teria completado um único aniversário se tivesse nascido neste planeta.
A pensar nestas diferenças, o museu virtual Exploratorium desenvolveu uma calculadora que revela a sua idade noutros planetas do Sistema Solar.
Segundo o Mirror, o conceito segundo o qual esta calculadora se rege é simples: um ano equivale ao tempo que se demora a dar uma volta completa à volta do Sol. No caso da Terra, um ano equipa a 365 dias. No entanto, dependendo da distância entre um planeta e o astro, o movimento de translação pode demorar uma vida inteira.
Plutão, por exemplo demora 248 anos terrestres a completar este processo. Já em Mercúrio, um ano tem apenas 88 dias.
A duração dos anos em cada planeta do Sistema Solar está relacionada com a gravidade. A força gravitacional do Sol é sentida com mais intensidade nos planetas mais próximos que, por sua vez, giram mais rápido.
A massa do planeta também é um fator a ter em consideração, já que quanto mais pesado, mais forte será a atração. Além disso, quando duplicamos a sua massa, duplicamos também a gravidade.
Já quando duplicamos a distância, a força da gravidade não cai para metade, mas para um quarto: um planeta três vezes mais distante do Sol é atraído de forma nove vezes mais fraca, e assim sucessivamente. A força diminui o quadrado da distância.
No caso de Plutão, o facto de ser pequeno e de estar muito longe do Sol contribui para que a sua translação seja muito lenta.

https://zap.aeiou.pt/calculadora-idade-noutros-planetas-343957

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Cientistas revelam quão fria foi a última idade do gelo

A temperatura média global na última idade do gelo, há 20.000 anos, era de cerca de 7,7º C. Embora possa não parecer, esta é uma grande diferença de temperatura.
Uma equipa de investigadores precisou a temperatura da última idade do gelo há 20.000 anos, conhecida como o Último Máximo Glacial. Durante este período, enorme glaciares cobriam cerca de metade da América do Norte, Europa, América do Sul e várias partes da Ásia.
“Temos muitos dados sobre este período porque ele foi estudado durante muito tempo”, diz Jessica Tierney, professora na Universidade do Arizona e autora principal do artigo publicado, na semana passada, na revista científica Nature. “Mas uma questão para a qual a ciência há muito deseja respostas é simples: quão fria era a idade do gelo?”
Tierney e a sua equipa ultimaram que a temperatura média durante este período de tempo era 6º C mais fria do que hoje – cerca de 7,7º C. Durante o século XX, a temperatura média a nível mundial era de 14º C, salienta a Futurity.
Embora possa não parecer uma diferença astronómica, esta é, de facto, uma grande oscilação.
“Na América do Norte e na Europa, a maior parte do norte estava coberta de gelo e extremamente fria. Mesmo no Arizona, houve um grande arrefecimento”, diz Tierney. “Mas o maior arrefecimento ocorreu em altas latitudes, como o Ártico, onde era cerca de 14º C mais frio do que hoje”.
Estas descobertas permitem que os cientistas percebam melhor a relação entre os níveis crescentes de dióxido de carbono na atmosfera e a temperatura média global.
Os investigadores determinaram que a cada duplicação do carbono atmosférico, a temperatura média deve aumentar 3,4º C.

         Mapa com diferenças de temperatura em comparação com os tempos pré-industriais. Azul escuro traduz-se em temperaturas mais baixas.

“Os modelos climáticos preveem que as latitudes altas vão ficar quentes mais rápido do que as latitudes baixas”, explica Tierney. “Quando olhamos para as projeções futuras, fica realmente quente no Ártico. Isto é conhecido como amplificação polar. Da mesma forma, durante o Último Máximo Glacial, encontramos o padrão inverso. Latitudes mais altas são apenas mais sensíveis às mudanças climáticas e permanecerão assim no futuro”.
Agora, Tierney pretende conhecer a temperatura média global durante períodos quentes do passado da Terra.
“Se pudermos reconstruir climas quentes do passado, então podemos começar a responder a perguntas importantes sobre como a Terra reage a níveis realmente altos de dióxido de carbono e melhorar a nossa compreensão do que as mudanças climáticas futuras podem acarretar”, explicou a especialista.

https://zap.aeiou.pt/cientistas-quao-fria-ultima-idade-gelo-343693

Meteoritos sugerem que a Terra pode ser húmida desde a sua formação


Parte do meteorito Sahara 97096, um raro condrito de entstita

Estudo de um tipo de meteorito apoia aqueles que pensam que a água da Terra estava presente desde a sua formação, ou perto dela, em vez de chegar mais tarde do Sistema Solar exterior.
De acordo com o site IFLScience, uma equipa de cientistas estudou a composição química de 13 condritos de entstita, um tipo de meteorito feito de material do Sistema Solar interno, tão semelhante quanto provavelmente encontraremos na composição inicial da Terra.
No estudo, publicado, a 28 de agosto, na revista científica Science, os investigadores relataram que estes condritos têm hidrogénio suficiente para perfazer 0,08-0,54 do seu peso em água.
Segundo o mesmo site, como sabemos que havia bastante oxigénio na Terra primitiva, isso sugere que era possível haver água. Embora as percentagens possam parecer pequenas, os cálculos dos autores mostram que a Terra primitiva poderia ter tido água suficiente para encher as bacias oceânicas atuais três vezes.
“Material contendo hidrogénio estava presente no Sistema Solar interno na época da formação do planeta rochoso, embora as temperaturas fossem muito altas para que a água condensasse”, afirma, em comunicado, Laurette Piani, investigador do Centre de Recherches Petrographiques et Geochimiques (CRPG), em França.
Dado o esforço necessário para encontrar e estudar meteoritos, poderíamos esperar que a composição de hidrogénio dos condritos de entstita já tivesse sido observada há muito tempo. Porém, estes representam apenas 2% dos meteoritos conhecidos, portanto, as oportunidades de estudá-los são escassas.
E, segundo o IFLScience, mesmo aqueles que existem, muitas vezes experimentaram interações que os tornam indicadores menos confiáveis da composição original da Terra. Os condritos carbonáceos são muito mais comuns, mas têm proporções isotópicas menos semelhantes às da Terra e acredita-se que se tenham formado para além de Júpiter.
Quando a água foi previamente observada em condritos de entstita, foi atribuída a interações com a atmosfera da Terra, uma explicação que este novo estudo rejeita com base na análise isotópica.
“Se os condritos de entstita fossem efetivamente os blocos de construção do nosso planeta – como fortemente sugerido pelas suas composições isotópicas semelhantes –, este resultado sugere que esses tipos de condritos forneceram água suficiente para a Terra para explicar a origem da água no nosso planeta, o que é incrível” disse o co-autor do estudo, Lionel Vacher, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.

https://zap.aeiou.pt/terra-pode-ser-humida-desde-formacao-343743

Astrónomos descobrem a anã branca mais veloz já observada


Impressão de artista de uma anã branca a retirar gás da sua estrela

Uma equipa de cientistas descobriu uma estrela anã branca que precisa de apenas 29,6 segundos para completar uma rotação completa ao redor de si mesma.
Uma equipa de astrónomos descobriu uma anã branca que completa a sua rotação em apenas 29,6 segundos. Até agora, o período de rotação mais curto já identificado entre estrelas deste tipo era de 33 segundos.
A estrela, uma vizinha cósmica que se localiza a 850 anos-luz do Sol, é a protagonista do mais recente estudo, publicado na The Astrophysical Journal Letters.
Batizada de CTCV J2056-3014, a estrela foi encontrada graças a observações em raios-X realizadas pelo telescópio espacial XMM-Newton, da Agência Espacial Europeia (ESA), e na luz que é visível aos nossos olhos pelo telescópio Zeiss, do Observatório do Pico dos Dias (OPD).
De acordo com o Space, CTCV J2056-3014 é um sistema binário composto por duas estrelas que orbitam a uma distância equivalente àquela entre a Terra e a Lua. A variação do brilho do sistema, tanto em raios-X quanto na luz visível, chamou a atenção dos astrónomos. Esta variação está associada ao tempo de rotação da anã branca.
“O estudo de CTCV J2056-3014 tem implicações científicas importantes sobre a interação entre a matéria e os campos magnéticos, que é de grande interesse na Física. Neste sistema, a interação dá-se com matéria a cair sobre uma estrela magnetizada e em rotação elevada”, explicou Raimundo Lopes, líder da investigação.
A equipa defende que esta descoberta abre horizontes para um melhor entendimento sobre a estrutura e a evolução estelar, assim como sobre a origem de campos magnéticos em estrelas evoluídas.
“Este estudo é também um belo exemplo de sinergia entre instrumentos de grande porte, como o satélite XMM-Newton, e telescópios pequenos, como o Zeiss do Observatório do Pico dos Dias”, acrescentou Albert Bruch, do Laboratório Nacional de Astrofísica.

https://zap.aeiou.pt/ana-branca-mais-veloz-343742

Micróbios que vivem abaixo da superfície da Terra podem ser remanescentes de antigas formas de vida

Uma nova análise dos dois principais grupos de micróbios que vivem abaixo da superfície da Terra acaba de revelar que o seu caminho evolutivo é muito mais curioso do que imaginávamos.
Nos primeiros dois mil milhões de anos, não havia oxigénio na atmosfera da Terra. Depois de o ar se ter modificado, nem todas as formas de vida se conseguiram adaptar e muitos micróbios recuaram para as partes menos oxigenadas do planeta.
Patescibacteria e DPANN são dois grupos ubíquos destes micróbios de subsuperfície – bactérias e arqueas, respetivamente – que parecem ter genomas muito simples. Segundo o Science Alert, muitos cientistas suspeitam de que, sem a capacidade de respirar oxigénio, estes micróbios necessitam de interações complexas com outros organismos.
Uma nova investigação, cujo artigo científico foi recentemente publicado na Frontiers in Microbiology, indica que, em vez de terem uma dependência simbiótica de outros grupos principais de organismos, a maioria das Patescibacteria e DPANN vivem como células completamente livres.
“Estes micróbios são exemplos especiais e emocionantes da evolução inicial da vida”, disse Ramunas Stepanauskas, cientista no Bigelow Laboratory for Ocean Sciences, nos Estados Unidos. Estes microrganismos “podem ser remanescentes de antigas formas de vida que se esconderam e prosperaram na subsuperfície da Terra durante milhares de milhões de anos.”
Esta investigação analisou cerca de 5.000 células microbianas individuais de 46 locais de todo mundo, incluindo um vulcão de lama no fundo do Mar Mediterrâneo, fontes hidrotermais no Pacífico e minas de ouro na África do Sul.
As observações genómicas e biofísicas de uma única célula não apoiam a visão predominante de que Patescibacteria e DPANN são dominados por simbiontes “O seu potencial de codificação divergente, genomas e tamanhos de células pequenos podem ser resultado de um metabolismo energético primitivo ancestral que depende exclusivamente da fermentação”, escreveram os autores do artigo.
A fermentação é uma opção metabólica, mas este processo costuma ser menos eficiente do que a respiração. A fermentação produz apenas 2 ATP por glicose em comparação com os 38 ATP por glicose pela respiração aeróbica. Isto significa que este tipo de metabolismo coloca os organismos na via metabólica lenta.
Com base neste novo estudo, estes dois grupos não contêm nenhum traço do que é conhecido como cadeia de transporte de eletrões, um processo metabólico que produz energia despejando eletrões no oxigénio. Os seus truques de sobrevivência relativamente simples e potencialmente antigos não precisam deste processo.
Os dois grupos também não mostraram evidências de respiração e as amostras estavam por conta própria. Além da fermentação, estes grupos microbianos têm poucas – ou nenhuma – outra maneira de produzir energia. “Patescibacteria e DPANN são antigas formas de vida que podem nunca ter aprendido a respirar“, disse Stepanauskas.

https://zap.aeiou.pt/microbios-antigas-formas-vida-343682

Novo tipo de buraco negro detectado em colisão massiva

Novo tipo de buraco negro detectado em colisão massiva
Ilustração artística mostra uma fusão hierárquica de buracos negros que pode ter levado a este evento.
Astrônomos detectaram a fusão mais massiva de dois buracos negros através das ondas gravitacionais mais antigas e distantes que já atingiram a Terra.
Essa colisão criou o primeiro buraco negro de massa intermediária já descoberto, e ele tem uma massa 142 vezes maior que a do nosso sol.
O ‘estouro’ de energia criado por esta fusão de buraco negro liberado por ondas gravitacionais, ou ondulações no continuum espaço-tempo, igualou a energia de oito sóis. E essas ondulações levaram 7 bilhões de anos para viajar pelo espaço e chegar até nós na Terra.
Este buraco negro recém-descoberto tem o que é chamado de massa “intermediária” porque sua massa é entre 100 e 1.000 vezes a do Sol. É mais do que a massa estelar (a massa das estrelas) e menos do que a dos buracos negros supermassivos.
O sinal que os astrônomos traçaram por meio de ondas gravitacionais provavelmente aconteceu no momento em que os dois buracos negros se juntaram.
As ondas gravitacionais foram rastreadas na Terra em 21 de maio de 2019, pelos detectores duplos do Observatório de Ondas Gravitacionais do Interferômetro a Laser da National Science Foundation nos Estados Unidos, bem como pelo detector de ondas gravitacionais de Virgo, na Itália.
Dois estudos publicados na quarta-feira, um sobre o evento das ondas gravitacionais na revista Physical Review Letters e outro detalhando as implicações do evento no Astrophysical Journal Letters.
“Um dos grandes mistérios da astrofísica é como se formam os buracos negros supermassivos?” disse Christopher Berry, revisor do Conselho Editorial do LIGO Science Collaboration para o artigo de descoberta, em um comunicado.
“Eles são os milhões de elefantes com massa solar na sala”, disse Berry, que também é professor de pesquisa no Centro de Exploração e Pesquisa Interdisciplinar em Astrofísica da Universidade Northwestern.
“Eles crescem de buracos negros de massa estelar, que nascem quando uma estrela colapsa, ou nascem de um meio desconhecido? Há muito tempo procuramos por um buraco negro de massa intermediária para preencher a lacuna entre a massa estelar e os buracos negros supermassivos. A procura acabou. Agora, temos provas de que existem buracos negros de massa intermediária”, disse ele.
O evento de onda gravitacional durou apenas cerca de um décimo de segundo. As ondas se originaram de 7 bilhões de anos-luz de distância – a fonte mais distante delas até agora.
Com esta detecção, o LIGO observou o inesperado e levou a outro avanço.
“As observações de ondas gravitacionais são revolucionárias”, disse Berry. “Com essas descobertas de ondas gravitacionais, não demorará muito até que tenhamos dados suficientes para descobrir os segredos de como os buracos negros nascem e crescem.”
O evento de onda gravitacional foi denominado GW190521. E os quatro pequenos balanços captados pelos detectores representam um estrondo literal que viajou pelo espaço para nos alcançar na Terra 7 bilhões de anos depois. Isso difere do sinal captado durante a primeira detecção de ondas gravitacionais do LIGO em 2015.

Por que esse buraco negro é diferente

Existem duas categorias principais de buracos negros.
Buracos negros de massa estelar se formam quando estrelas massivas morrem e variam de algumas vezes a massa do Sol até dezenas de vezes sua massa. E buracos negros supermassivos, como os encontrados no centro de galáxias como o nosso, podem ter centenas, milhares ou até bilhões de vezes a massa do nosso Sol.
Então, há este novo buraco negro intermediário, que está entre os dois. Foi formado por dois buracos negros massivos que provavelmente foram criados por estrelas em colapso. Dos dois buracos negros que se fundiram, o mais pesado tinha 85 massas solares e o outro buraco negro tinha cerca de 66 massas solares.
As estrelas entram em colapso sob seu próprio peso quando seus núcleos evoluem e não têm mais pressão suficiente para suportar as camadas externas da estrela. O resultado pode criar um buraco negro.
Mas uma estrela que entra em colapso não deveria ser capaz de produzir um buraco negro entre 65 a 120 massas solares, que é chamado de gap de massa de instabilidade de par. Isso ocorre porque as estrelas mais massivas são obliteradas pela supernova que vem junto com seu colapso.
O maior dos dois buracos negros nesta fusão, com 85 massas solares, é o primeiro buraco negro detectado nesta faixa. Mas como isso se formou?
“Há muitas idéias sobre como contornar isso – fundir duas estrelas, incorporar o buraco negro em um disco grosso de material que ele pode engolir ou buracos negros primordiais criados na sequência do Big Bang”, disse Berry. “A ideia que eu realmente gosto é uma fusão hierárquica onde temos um buraco negro formado a partir da fusão anterior de dois buracos negros menores.”
A possibilidade da fusão hierárquica, onde cada buraco negro nesta fusão provavelmente se formou a partir da fusão de dois buracos negros menores, é incluída pelos pesquisadores no segundo estudo.
“Depois de tantas observações de ondas gravitacionais desde a primeira detecção em 2015, é empolgante que o universo ainda esteja lançando coisas novas em nós, e este buraco negro de 85 massas solares é bastante complicado”, disse Chase Kimball, co-autor do segundo estudo, membro da LIGO Scientific Collaboration e estudante de pós-doutorado em astronomia da Northwestern, em um comunicado…
“Estamos realmente no início da astronomia de ondas gravitacionais”, disse Kimball. “É difícil escolher um momento melhor para se tornar astrofísico.”

https://www.ovnihoje.com/2020/09/03/novo-tipo-de-buraco-negro-detectado-em-colisao-massiva/

Níveis de ozôno subiram nos últimos 20 anos

Um novo estudo realizado por cientistas do Instituto Cooperativo de Pesquisa em Ciências Ambientais (CIRES, na sigla em inglês), da Universidade do Colorado (cidade de Boulder, EUA), confirmou que os níveis de ozônio aumentaram na troposfera, de 1994 a 2016, em toda a região do hemisfério norte.

Estudo usou aeronaves comerciais

Ao contrário da camada de ozônio – presente em altitudes muito superiores, na atmosfera terrestre –, que protege nosso planeta contra os efeitos nocivos dos raios ultravioletas do sol, o ozônio presente na troposfera – camada mais baixa da atmosfera – atua aumentando o efeito estufa, que causa problemas de saúde e contribui para radicais mudanças climáticas.
Os cientistas já haviam tentando medir a concentração de ozônio na troposfera anteriormente, mas os dados coletados pelos satélites eram divergentes, e não puderam ser usados para determinar se o gás aumentou ou diminuiu.

Alto nível de ozônio na troposfera causa efeito estufa.
Alto nível de ozônio na troposfera causa efeito estufa

Por isso, os cientistas resolveram realizar um novo estudo com o uso das aeronaves comerciais do In-Service Aircraft for the Global Observing System (Sistema de Observação Global baseado em Aeronaves, ou IAGOS, na sigla em inglês) da Europa. O novo estudo se baseia em uma abordagem única de coleta de dados, que começou em 1994, e usa o mesmo instrumento para medir a concentração de ozônio em todo o mundo.
Para essa pesquisa, o IAGOS forneceu dados coletados entre 1994 e 2016, de 11 pontos diferentes no hemisfério norte. Durante esse período, foram coletados 34.600 perfis do gás, ou cerca de quatro por dia.
Os cientistas perceberam que o ozônio se manteve baixo entre os anos de 1994 e 2004, mas subiram para “níveis muito altos” entre 2011 e 2016. Em um âmbito geral, os níveis do gás aumentaram 5% a cada década.

Poluição causada por humanos

De acordo com a equipe, a principal causa para o aumento do ozônio na troposfera é a maior concentração de nitrogênio (NOx), poluente em grande parte gerado por atividades humanas, como fábricas e veículos motorizados.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/115885-niveis-de-ozonio-subiram-nos-ultimos-20-anos-segundo-estudo.htm

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

COVID 19 - Anticorpos duram pelo menos 4 meses depois do diagnóstico

Os anticorpos que o corpo humano produz para combater o novo coronavírus duram pelo menos quatro meses depois do diagnóstico e não desaparecem rapidamente, ao contrário do que apontavam alguns estudos iniciais, segundo uma descoberta científica.
Um relato, divulgado na terça-feira, de testes a mais de 30 mil pessoas na Islândia, é o trabalho mais extenso já feito sobre a resposta do sistema imunitário ao novo coronavírus e constitui uma boa notícia para os esforços de desenvolver uma vacina, informou esta quarta-feira a agência Lusa.
Se uma vacina puder estimular a produção de anticorpos duradouros, como as infeções naturais fazem, vai dar esperança que “a imunidade para este imprevisível e muito contagioso vírus possa não ser efémera”, escreveram peritos independentes da Universidade de Harvard e dos Institutos de Saúde dos Estados Unidos, em comentário publicado com o estudo na New England Journal of Medicine.
Um dos grandes mistérios da pandemia é saber se ter tido o coronavírus ajuda a proteger contra futuras infeções e por quanto tempo. Alguns estudos, com uma dimensão mais reduzida, sugerem que os anticorpos desaparecem rapidamente e que algumas pessoas, com poucos ou nenhuns sintomas, podem não produzir muitos.
O novo estudo foi feito pela empresa deCODE Genetics, baseada em Reiquiavique, uma subsidiária da biotecnológica norte-americana Amgen, com uma forte presença hospitalar, universitária e nos agentes de saúde na Islândia.

https://zap.aeiou.pt/anticorpos-duram-4-meses-diagnostico-estudo-344135

Físicos descobrem novo material bidimensional

Uma equipa internacional de cientistas descobriu um material ferroelétrico bidimensional com apenas dois átomos de espessura.
Os materiais bidimensionais são membranas ultrafinas que prometem novas aplicações optoeletrónicas, térmicas e mecânicas, incluindo dispositivos ultrafinos de armazenamento de dados. Já os materiais ferroelétricos são os que possuem um momento dipolar intrínseco, uma medida da separação das cargas positivas e negativas, que podem ser trocadas por um campo elétrico.
“Uma única molécula de água também tem um momento de dipolo intrínseco de eletrões, mas o movimento térmico de moléculas de água individuais em condições normais (por exemplo, numa garrafa de água) impede a criação de um momento de dipolo intrínseco em distâncias macroscópicas”, explicou Salvador Barraza-López, em comunicado.
De acordo com o Europa Press, o novo material descoberto pela equipa trata-se de uma monocamada de seleneto de estanho e é apenas o terceiro ferroelétrico bidimensional pertencente à família química dos monocalcogenetos do grupo IV cultivado experimentalmente até agora.
O artigo científico com a descoberta foi publicado na Nano Letters.
Com a ajuda de um microscópio de tunelamento, os cientistas alteraram o momento dipolar dos eletrões das monocamadas de seleneto de estanho cultivadas num substrato de grafite. Os cálculos feitos por Brandon Miller indicaram um crescimento altamente orientado do material no substrato.
Esta experiência ajuda a corroborar as previsões teóricas que fundamentam este comportamento físico: estes materiais ferroelétricos semicondutores passam por transições de fase induzidas pela temperatura, nas quais o dipolo elétrico intrínseco é desligado. Além disso, também abrigam efeitos óticos não lineares que podem ser úteis para aplicações optoeletrónicas ultracompactas.

https://zap.aeiou.pt/novo-material-bidimensional-343734

Já se sabe o que acontece quando um buraco negro devora uma estrela !

Chegar muito perto de um buraco negro supermassivo pode ser fatal para as estrelas. Uma equipa de investigadores descobriu o que acontece quando um buraco negro devora uma estrela.
Quando uma estrela se aproxima demasiado de um buraco negro, experimenta um evento de perturbação de marés e são laceradas antes de entrarem em espiral no buraco negro. A eficiência com que esse material se organiza em torno do buraco negro tem sido motivo de controvérsia nos últimos anos.
Se o material de um evento de perturbação de marés formar um disco de acreção ao redor de um buraco negro, espera-se que poderosas emissões de raios X o acompanhem. No entanto, os cientistas não observaram essas emissões nos últimos anos, levando-os a supor que, afinal, não houve formação de disco.
Agora, uma equipa de investigadores encontrou evidências indiretas do disco que sugerem que algo está a impedir os raios X de chegar até nós.
“Na teoria clássica, o evento de perturbação de marés é alimentado por um disco de acreção, produzindo raios X da região interna onde o gás quente espirala no buraco negro”, disse Tiara Hung, investigadora da UC Santa Cruz, em comunicado. “Mas para a maioria dos eventos de perturbação de marés, não vemos raios-X – brilham principalmente nos comprimentos de onda ultravioleta e ótico – por isso foi sugerido que, em vez de um disco, estamos a ver emissões da colisão de fluxos de detritos estelares.”
O referencial teórico foi desenvolvido nos últimos anos. Simulações sugerem que, dependendo de como o disco está inclinado em relação à nossa linha de visão, isso permitirá que certos tipos de emissões ocorram. Em certas orientações, os raios X serão detetáveis. Noutras, as observações verão uma emissão de pico duplo.
Esta descoberta fornece suporte para a teoria de pico duplo.
As novas observações cruciais vêm do evento de perturbação de marés AT 2018hyz. O evento foi detetado pela primeira vez em novembro de 2018 mas, em 1 de janeiro de 2019, a equipa obteve o espectro de luz para o evento usando o Telescópio Shane no Observatório Lick.
“O meu queixo caiu e soube imediatamente que isto seria interessante”, disse o co-autor do estudo Ryan Foley. “O que se destacou foi a linha de hidrogénio – a emissão do gás hidrogénio – que tinha um perfil de pico duplo diferente de qualquer outro evento de perturbação de marés que tínhamos visto.”
“Acho que tivémos sorte com este”, acrescentou Enrico Ramirez-Ruiz. “As nossas simulações mostram que o que observámos é muito sensível à inclinação. Há uma orientação preferencial para ver esses recursos de pico duplo e uma orientação diferente para ver as emissões de raios-X”.
O perfil de pico duplo é uma marca registada do gás hidrogénio em rotação. As emissões peculiares devem-se ao efeito doppler. Assim como a sirene de uma ambulância, os comprimentos de onda da luz são deslocados de uma forma ou de outra se o corpo emissor estiver a vir na nossa direção ou a afastar-se de nós.
Num disco giratório, alguns gases afastam-se e outros aproximam-se em direção à Terra. As emissões de hidrogénio são então transformadas num recurso de pico duplo.
Este estudo foi publicado em março na revista científica The Astrophysical Journal.

https://zap.aeiou.pt/acontece-buraco-negro-devora-estrela-343687

Henrietta Lacks salvou a medicina com as suas células imortais !

Descendente de escravos, Loretta Pleasant nasceu em 1 de agosto de 1920 em uma fazenda de tabaco em Roanoke, interior do estado da Virgínia, nos Estados Unidos. Não se sabe o motivo de ela ter mudado o nome para Henrietta Lacks, tampouco quando isso aconteceu. Em meados de 1924, ela perdeu a mãe durante o parto de seu décimo irmão e se mudou com o pai para Clover, na Carolina do Sul, onde foi criada pelo avô com o primo David Lacks.
A convivência fez com que eles se casassem em 10 de abril de 1941. Incentivados por um primo mais novo, eles se mudaram para o norte do país, para a cidade de Maryland, para que David pudesse trabalhar na siderúrgica Sparrows Point, que estava crescendo bastante devido às demandas por metais que a Segunda Guerra Mundial exigia. Não demorou muito para que a família fosse morar na comunidade Turner Station, em Baltimore, onde havia a maior concentração de metalúrgicos afro-americanos da região.
Em 19 de setembro de 1950, Henrietta deu à luz ao quinto filho no Johns Hopkins Hospital, o único que atendia a pessoas negras na época. Durante o parto, ela sentiu uma pressão interna horrível mesmo depois de a criança ter nascido, porém os médicos investigaram e não encontraram nada; nem mesmo exames feitos 6 semanas depois detectaram algo.

A salvadora desconhecida

(Fonte: Lincoln School Providence/Reprodução)

(Fonte: Lincoln School Providence/Reprodução)
 
 Em fevereiro de 1951, Henrietta deu entrada no mesmo hospital com um quadro de hemorragia grave no útero e a sensação de que havia um "nó" dentro dela. Após análise, os médicos detectaram um caroço do tamanho de uma azeitona no colo do útero da mulher. Mais tarde, uma biópsia apontou que ela tinha um tumor cervical.
Ela foi submetida à braquiterapia, que consiste em uma radioterapia interna através de fontes de radiação colocadas diretamente no local afetado pelo tumor, muito diferente do procedimento de External Beam Radiotherapy (EBRT) e da quimioterapia. Depois disso, o oncologista George Otto Gey retirou duas amostras do colo do útero de Henrietta para análise sem o consentimento dela, em uma prática de exploração comum para época, principalmente entre pobres e negros.
Em 8 de agosto de 1951, Henrietta foi internada durante uma das sessões de braquiterapia devido a dores abdominais intensas sem nem imaginar que jamais sairia do hospital. Em setembro, o quadro piorou tanto que ela acabou morrendo em 4 de outubro de 1951. No entanto, as células cancerígenas continuaram a se multiplicar fora do corpo da mulher em uma taxa extraordinária.

A usurpação de Henrietta

George Otto Gey. (Fonte: Anfrix/Reprodução)

George Otto Gey. (Fonte: Anfrix/Reprodução)
Em anos de estudos, Gey nunca tinha visto células humanas viverem por um longo período fora do corpo. Até então, as partículas cultivadas em laboratório sobreviviam por apenas alguns dias, o que inviabilizava diversos estudos, mas o material de Henrietta Lacks podia ser dividido várias vezes sem que morresse, por isso ficou conhecido como "células imortais" e foi nomeado de HeLa, um acrônimo com as iniciais do nome da mulher. O oncologista conseguiu criar uma linhagem celular a partir das amostras isolando uma célula e dividindo-a repetidamente, conseguindo usá-la para vários experimentos sem que ela morresse.
A linhagem celular HeLa serviu para o desenvolvimento de medicamentos e vacinas contra a poliomielite e para tratar doença de Parkinson e leucemia; atualmente, é usada para analisar o comportamento da covid-19. Sete décadas depois, as células HeLa vivem mais do que o dobro do tempo fora do corpo de Henrietta do que dentro.
(Fonte: History/Reprodução)

(Fonte: History/Reprodução)
Mesmo depois da morte, amostras foram coletadas do cadáver de Henrietta por Mary Kubicek, assistente laboratorial de Gey. A vítima nunca voltou para casa, e a família demorou tempo demais para saber o que havia acontecido com ela. Para os filhos, a mãe simplesmente desapareceu, mas na verdade ela estava sendo enterrada em uma sepultura não identificada em Lackstown, no Condado de Halifax, na Virgínia.
No livro A Vida Imortal de Henrietta Lacks, publicado em 2010, a escritora Rebecca Skloot descreve os danos que a violação da privacidade genética causou à família. Abandonada pelo pai, Deborah foi estuprada por um parente até a vida adulta; Joe acabou na prisão por não conseguir controlar a raiva de não saber onde a mãe foi parar; aos 15 anos, outra filha de Henrietta morreu de epilepsia após ser institucionalizada em uma área psiquiátrica na qual nunca pôde receber visitas.

Abusos e novo curso

(Fonte: British Society for Immunology/Reprodução)

(Fonte: British Society for Immunology/Reprodução)
 
As células revolucionárias de Henrietta se tornaram a base de uma indústria multibilionária com mais de 17 mil patentes envolvendo células HeLa, gerando lucros de bilhares de dólares. Muitos foram beneficiados, menos a família da paciente. Henrietta sequer teve o nome contemplado, pois os pesquisadores da época acreditavam que ter o registro de uma pessoa afro-americana vinculado com um avanço descomunal na medicina moderna poderia empobrecer a sua grandiosidade.
Os Lacks só souberam o destino de Henrietta em 1973, quando cientistas do Johns Hopkins Hospital os procuraram para colher amostras de sangue e estudar os descendentes das células HeLa. Mais uma vez sem o consentimento dos envolvidos, em 1985 a imprensa divulgou registros médicos da família para o mundo.
Contudo, a quebra de privacidade genética não parou por aí. Em 2013, o Laboratório Europeu de Biologia Molecular de Heidelberg, na Alemanha, publicou o genoma HeLa sem a liberação dos parentes, expondo informações genéticas privadas sobre a linhagem de seus descendentes.
Com mais esse escândalo no histórico, no mesmo ano, o Instituto Nacional de Saúde dos EUA concedeu a dois membros da família Lacks o controle de como os dados do genoma das células seriam usados dali em diante, criando o grupo HeLa Genome Data Access, que revisa pesquisas que pedem acesso a informações da sequência HeLa.
Além de todos os avanços científicos, o caso de Henrietta Lacks foi crucial para desenvolver o debate e implementar leis acerca do consentimento informado de pacientes para a extração e o uso de células em pesquisas científicas.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/115897-henrietta-lacks-salvou-a-medicina-com-suas-celulas-imortais.htm

Mais da metade das placas de gelo da Antártida pode desaparecer !

As plataformas de gelo da Antártida podem desaparecer de um momento para outro. Essa é a conclusão de um novo estudo publicado na última quarta-feira (26) na revista Nature. Segundo os pesquisadores, cerca de 50% a 70% das gigantescas plataformas que mantêm as geleiras da Antártida em seu lugar podem rachar e derreter em ondas de degelo.
De acordo com a pesquisa, o aquecimento da amosfera do planeta ameaça acelerar o recuo da camada de gelo do inóspito continente, aumentando o derretimento da superfície e facilitando o surgimento das chamadas "hidrofraturas", onde a água derretida flui para dentro, causando mais rupturas que irão acelerar o colapso total da plataforma.
Esse fenômeno pode determinar o desaparecimento das plataformas de gelo da Antártida em um tempo surpreendentemente rápido, às vezes em questão de horas ou até em minutos, dependendo da forma pela qual a água derretida irrompe através das rachaduras em sua superfície. 

Avaliação dos cientistas


Formação de fraturas nas plataformas de gelo (Fonte: Shutterstock)
Formação de fraturas nas plataformas de gelo (Fonte: Shutterstock)
A avaliação dos cientistas é de que pelo menos metade dessas massas de gelo flutuantes da Antártida são vulneráveis a esse processo e podem estar com seus dias contados. Com o seu colapso, as geleiras correm o risco de fluir rapidamente para a água, encolhendo o continente e acelerando a elevação do nível do mar.
O autor principal da pesquisa, Ching-Yao Lai, pesquisador de pós-doutorado no Departamento de Geologia Marinha e Geofísica do Observatório Terrestre Lamont-Doherty da Universidade de Columbia em Nova Iorque, destaca que "onde o derretimento acontece também é importante".
Ele explica que algumas plataformas de gelo, por flutuar em águas abertas, não diminuem a velocidade do deslizamento das geleiras em direção ao mar simplesmente porque não há uma massa de terra para elas se apoiarem.
Mas aquelas confinadas em baías e golfos constituem barreiras físicas contra a qual as geleiras se movem lentamente. É sobre essas estruturas, chamadas de "plataformas de de reforço" que Lai e seus colegas concentraram sua pesquisa, buscando fixar quais delas têm maior probabilidade de desmoronar. 
Infelizmente, os algoritmos criados para reconhecer fraturas apontaram grandes riscos naquelas plataformas de reforço.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/115855-mais-da-metade-das-placas-de-gelo-da-antartida-pode-desaparecer.htm

Asteroide do tamanho de um avião passou 'perto' da Terra ontem !

Nesta terça-feira (1º), pouco depois das 13h, um asteroide do tamanho de um Boeing 747 — avião utilizado para transporte de passageiros e de carga chamado com frequência de Jumbo — atingiu o ponto de sua trajetória mais próximo da Terra, a uma distância de aproximadamente um terço daqui para a Lua, não representando ameaça alguma para nós.
Batizado de 2011 ES4, a órbita do corpo celeste não é exatamente conhecida pela NASA, a qual "chutou" que ele poderia passar a apenas 73 mil quilômetros do planeta água. Entretanto, para alívio dos mais ansiosos, não chegou mais perto do que 121 mil quilômetros. 
A agência foi enfática em uma postagem no Twitter publicada na última sexta-feira (28/08): "O asteroide vai atingir a Terra? Não! Sua distância é considerada próxima em escala astronômica, mas não oferece perigo."

Só passou para dar um "Oi!"

Medindo de 22 a 49 metros, o objeto viaja a uma velocidade de 29.376 quilômetros por hora e foi descoberto por astrônomos por meio do observatório Mount Lemmon Survey, na Universidade do Arizona, em 2 de março de 2011 — menos de 2 semanas antes da primeira visita dele aos nossos arredores registrada.
Naquele ano, foi possível observá-lo por apenas 4 dias antes que sua visualização se tornasse fraca demais, o que o manteve "escondido" de nossos radares até hoje e explica a falta de certeza quanto à sua trajetória.
De qualquer forma, esse não é o primeiro nem será o último a demonstrar sua habilidade de se esgueirar sem ser detectado, pois recentemente já tivemos alguns exemplares, como o 2020 QG — cuja presença só foi percebida depois de sua "saída à francesa".
 
https://www.megacurioso.com.br/ciencia/115881-asteroide-do-tamanho-de-um-aviao-passou-perto-da-terra-hoje-1.htm

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Astrónomos encontraram três pares de buracos negros supermassivos prestes a colidir !

Uma colaboração internacional de astrónomos descobriu três pares de de buracos negros supermassivos em fusão no universo “local”. Os três sistemas estão a libertar tanta energia que foram classificados como quasares, ofuscando facilmente as suas galáxias hospedeiras.
Buracos negros supermassivos localizam-se no centro de quase todas as galáxias, o que significa que, quando as galáxias se fundem, acabam por criar buracos negros supermassivos em rota de colisão entre si. A forma como essa interação se desenvolve ainda não é clara.
Encontrar exemplos de buracos negros duplos é difícil – e encontrá-los como quasares é raro. Graças a esses três pares de buracos negros supermassivos em fusão, agora, os investigadores podem estimar o quão raro é.
A fração de quasares duplos é cerca de 0,3% de todos os quasares e isso não parece mudar muito com o tempo.
A equipa de cientistas começou com uma amostra de 34.476 quasares conhecidos e terminou com três, um dos quais já era conhecido pelos astrónomos.
“Honestamente, não começámos a procurar quasares duplos. Estávamos a examinar imagens desses quasares luminosos para determinar em que tipo de galáxias preferiam residir, quando começámos a ver casos com duas fontes óticas nos seus centros onde esperávamos apenas uma ”, disse John Silverman, do Instituto Kavli para o Física e Matemática do Universo e investigador principal, em comunicado.
Dada a estimativa, a equipa ainda vai observar muito quasares duplos. Estudá-los ajudará aos cientistas a descobrir muito mais sobre a evolução das galáxias. “Apesar da sua raridade, representam um estágio importante na evolução das galáxias, onde o gigante central é despertado, ganhando massa e potencialmente impactando o crescimento da sua galáxia hospedeira”, disse Shenli Tang, estudante na Universidade de Tóquio.
As fusões de galáxias são um fenómeno comum na longa história do Universo. A nossa própria galáxia dividiu-se e absorveu várias galáxias mais pequenas, mas é um processo lento e longo. As galáxias aproximam-se lentamente umas das outras, perturbam as formas umas das outras e, eventualmente, unem-se num único novo objeto.

https://zap.aeiou.pt/tres-pares-buracos-negros-supermassivos-343648

Estudo de 24 mil sonhos sugere que são mesmo continuações da realidade !

Um estudo, em larga escala, de 24 mil sonhos mostra que estes momentos durante o sono são uma continuação do que acontece na nossa vida quotidiana. 
Um dos sistemas mais conhecidos para interpretar sonhos é o Hall e Van de Castle, que codifica os sonhos em termos das personagens que aparecem neles, as suas interações e os efeitos que essas mesmas interações têm posteriormente nas personagens, entre muitos outros conceitos.
No entanto, um problema deste sistema é que pode ser bastante lento e demorado, razão pela qual os cientistas da área continuam à procura de soluções que envolvam algoritmos para poder automatizar o processo.
De acordo com o site Science Alert, uma equipa de investigadores descobriu uma nova forma de o fazer, e ainda para mais em grande escala, tendo analisado um conjunto de 24 mil sonhos de um banco de dados público chamado DreamBank.
“Desenvolvemos uma ferramenta que automaticamente pontua relatórios de sonhos, operacionalizando a escala de análise de sonhos amplamente usada pelo Hall e Van de Castle”, explica a equipa no estudo publicado, a 26 de agosto, na revista científica Royal Society Open Science.
“Validámos a eficácia da ferramenta em relatórios de sonhos anotados à mão e testámos o que os cientistas do sono chamam de ‘hipótese de continuidade’ nesta escala sem precedentes”, continuam.
Segundo o mesmo site, esta ferramenta simplifica o sistema Hall e Van de Castle, analisando o texto dos relatos dos sonhos e focando-se nas personagens, nas interações sociais e nas palavras emocionais.
Estas três dimensões são consideradas as mais importantes para ajudar na interpretação dos sonhos (…), pois definem a espinha dorsal do enredo de um sonho: quem estava presente, quais as ações realizadas e quais as emoções expressadas.”
Quando a equipa comparou a sua ferramenta de processamento de linguagem com as notas feitas à mão, os resultados corresponderam cerca de três quartos das vezes. Este não é o resultado perfeito, mas já é um sinal promissor que sugere que desenvolvimentos tecnológicos como este podem levar a novos tipos de avanços na pesquisa dos sonhos.
Os cientistas também encontraram nos seus dados evidências para apoiar a ‘hipótese da continuidade’ – a noção de que os sonhos são uma continuação do que acontece na nossa vida quotidiana.
É possível explorar algumas das suas análises, baseadas nos sonhos de pessoas reais, neste site oficial, que replica os dados do projeto.

https://zap.aeiou.pt/sonhos-continuacoes-da-realidade-342775

Paciente com VIH pode ter ficado curada através de uma “cura funcional”

Um estudo analisou 63 pessoas que controlaram a infeção VIH sem o recurso a drogas. As conclusões ditam que pode haver possibilidade do tratamento da doença, ser feito sem recurso a tratamentos agressivos para o corpo humano. A descoberta sugere que estes doentes podem ter alcançado uma “cura funcional”.
A pesquisa, apresentada num artigo publicado no dia 26 de agosto na revista Nature, descreve um novo mecanismo pelo qual o corpo pode eliminar o VIH. O estudo trás a esperança de que um pequeno número de pessoas infetadas, que fizeram terapia anti-retroviral por muitos anos possam suprimir o vírus, e parar de tomar os medicamentos.
Steve Deeks, especialista em VIH da Universidade da Califórnia, e um dos autores do estudo, garante que esta descoberta “sugere que o próprio tratamento pode curar as pessoas”.
Loreen Willenberg, de 66 anos, já é famosa entre os investigadores. O seu corpo conseguiu livrar-se do vírus, após viver décadas com a infeção. Apenas outras duas pessoas – Timothy Brown e Adam Castillejo – foram declaradas curadas do VIH. Contudo, os dois homens foram submetidos a rigorosos transplantes de medula óssea, que os deixaram com os sistemas imunológicos resistentes ao vírus.
Apesar disso, e segundo o The New York Times, os transplantes podem não ser uma boa opção pois são muito arriscados para a maioria das pessoas infetadas com VIH. Daí a importância de ser descoberto um novo método que não obrigue os doentes a passarem por este processo.
Sharon Lewin, diretor do Instituto Peter Doherty para Infeção e Imunidade em Melbourne, considera esta descoberta incrível, mas o verdadeiro desafio “é conseguir analisar se este novo método é eficaz nos vários doentes que vivem com SIDA”.
A investigadora Rowena Johnston (que não fez parte do estudo) com Loreen Willenberg (dir.)

“Controladores de Elite”

Os participantes da pesquisa foram chamados “controladores de elite”, pois apenas 1% das pessoas com VIH pode manter o vírus sob controle sem medicamentos anti-retrovirais.
Em alguns pacientes, o sistema imunológico, ao longo do tempo, absorve as células nas quais o vírus ocupou o genoma. Mas a análise a estes participantes mostrou que os genes virais podem ser isolados em certas regiões “bloqueadas” do genoma, onde a reprodução não pode ocorrer – explicou Xu Yu, autora principal do estudo.
Os investigadores acreditam que é possível que algumas pessoas que fazem a terapia antirretroviral durante muitos anos, também possam chegar ao mesmo resultado, especialmente se receberem tratamentos que podem estimular o sistema imunológico.
Willenberg já participava deste tipo de estudos há mais de 15 anos. Agora, a Xu Yu e os seus colegas analisaram 1,5 mil milhões de células sanguíneas da ex-portadora do vírus, e não encontraram nenhum vestígio de VIH.
Lewin acredita que o caso desta paciente “pode ser considerado uma cura, mas por um caminho muito diferente”.

“Controladores excecionais”

Outros 11 infetados incluídos no estudo, foram batizados pelos investigadores de “controladores excecionais”.
Estes pacientes têm o vírus apenas numa parte do genoma, que é contudo tão densa e remota que a maquinaria da célula humana não consegue replicá-lo.
A equipa de cientistas descobriu que algumas pessoas que conseguem eliminar o vírus não têm anticorpos detetáveis ​​ou células imunológicas que respondem rapidamente ao VIH. Porém o seu sistema imunológico carrega uma memória do vírus.
As poderosas Células T – constituintes importantes do sistema imunológico – eliminam células em que os genes virais se instalaram. As que permaneceram infetadas, correspondem a células que se situavam em regiões remotas do genoma, onde o vírus VIH não conseguia reproduzir-se.
Depois de os investigadores terem concluído o estudo, foram analisadas mais 40 amostras de “controladores de elite”, e encontrados mais alguns casos que poderiam ser qualificados como curas. Yu garante que “acreditamos que hajam muitos casos destes por aí”.
Agora, a equipa está a reunir doentes que tomaram medicamentos antirretrovirais durante 20 anos ou mais, e que podem ter conseguido eliminar o vírus para partes remotas dos seus genomas.
Os medicamentos anti-retrovirais poderem ter efeitos colaterais severos, incluindo doenças cardíacas e danos a órgãos, sobretudo quando são tomados por muitos anos. Uma cura funcional, a ser confirmada por pesquisas futuras, transformaria a vida dos pacientes com VIH.
Yu sonha com esta cura para os doentes, pois desta forma “podem interromper o tratamento antirretroviral e ficar curados, assim teriam uma vida muito mais saudável”.

https://zap.aeiou.pt/paciente-sida-pode-ter-ficado-curada-atraves-cura-funcional-343257

Olhares estranhos provam que o nosso cérebro consegue “ler mentes” !

A tendência universal de desviarmos o olhar quando somos apanhados em flagrante a observar outra pessoa pode dar pistas sobre a forma como o nosso cérebro obtém significado ao olhar nos olhos de alguém.
Uma equipa de cientistas descobriu que as pessoas tendem a seguir instintivamente o olhar de outra, mas há uma exceção na situação socialmente embaraçosa na qual um indivíduo é apanhado a olhar fixamente para os olhos de uma pessoa: um observador externo não segue reflexivamente o olhar.
De acordo com o Futurity, os investigadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, concluíram que o cérebro diz automaticamente ao observador que não há nenhum significado no local para onde a parte embaraçada dedicou a sua atenção.
No fundo, “o cérebro é muito mais inteligente do que pensávamos“, sintetizou Brian Scholl, professor de psicologia da Universidade de Yale e autor do artigo científico, publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences. “O cérebro não lê apenas o que as pessoas estão a observar. Ele lê a mente.”
A equipa realizou várias experiências e demonstrou que o cérebro nem sempre vira os olhos para o foco do olhar de outra pessoa – só o faz quando avalia que o olhar é “socialmente significativo“.
Os movimentos dos olhos e da cabeça depois de uma pessoa “ser apanhada durante a deflexão do olhar não orientam automaticamente a atenção dos outros – presumivelmente porque o cérebro pode assumir que esses olhares não são direcionados para nada em particular”, explicou Scholl.
“Isso prova que o cérebro é especializado em não entender os olhos dos outros, mas sim em perceber a mente por trás dos olhos.”

https://zap.aeiou.pt/olhares-estranhos-provam-que-o-nosso-cerebro-consegue-ler-mentes-342839

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