quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Microfóssil com 635 milhões de anos pode ter ajudado a descongelar a “Terra bola de neve”

Uma equipa internacional de cientistas descobriu acidentalmente, no sul da China, o fóssil terrestre mais antigo já alguma vez encontrado, sendo cerca de três vezes mais velho do que o mais antigo fóssil de dinossauro.


De acordo com o site Science Alert, a investigação ainda se encontra em curso e as suas observações terão ainda de ser verificadas, mas os investigadores argumentam que os “dedos” longos e finos deste organismo se parecem muito com fungos.

Seja o que for, este eucariota parece ter-se fossilizado há cerca de 635 milhões de anos, exatamente quando o nosso planeta estava a recuperar de uma era glacial global. Nesta época, a Terra parecia uma grande bola de neve e, então, numa espécie de “flash” geológico, o mundo começou a descongelar de forma inexplicável, permitindo que a vida prosperasse na terra pela primeira vez.

Os fungos podem ter sido uma das primeiras formas de vida a colonizar este espaço. E a data deste novo microfóssil apoia a ideia emergente de que alguns organismos semelhantes trocaram os oceanos por uma vida na terra mesmo antes das plantas. Na verdade, essa transição pode até ter sido o que ajudou o nosso planeta a recuperar-se desta idade do gelo catastrófica.

s formas de vida semelhantes a fungos podem até mesmo ter-se aliado a outros micro-organismos terrestres, que também eram comuns naquela época, como cianobactérias ou algas verdes.

Em terra, podem até ter ajudado a desenterrar minerais de argila para sequestro de carbono no solo do nosso planeta, tornando o ambiente fértil para plantas e animais e possivelmente mudando a própria atmosfera.

“Assim, estes micro-organismos semelhantes a fungos de Doushantuo, por mais enigmáticos que fossem, podem ter desempenhado um papel na catalisação da oxigenação atmosférica e da evolução biosférica no rescaldo da glaciação global do Criogeniano”, concluem os autores.

https://zap.aeiou.pt/microfossil-635-milhoes-anos-377323

 

Substância encontrada no gelo da Antártida pode resolver um mistério marciano

Cientistas encontraram um mineral, muito comum em Marte, nas profundezas de um núcleo de gelo na Antártida. É composto por potássio, sulfato e ferro.


O mineral, chamado jarosita, tem uma cor amarela-acastanhada e requer água e ácido para se formar. Essas condições são muito difíceis de encontrar no Planeta Vermelho, mas o mineral é muito abundante na superfície marciana. Para os cientistas, a sua formação – e em quantidades tão grandes – ainda é um mistério.

Na Terra, a jarosita pode ser encontrada em resíduos de mineração que foram expostos ao ar e à chuva, mas não é comum. Encontrá-la nas profundezas de um núcleo de gelo na Antártida foi uma grande surpresa para a equipa, diz Giovanni Baccolo, geólogo da Universidade de Milano-Bicocca, em Itália.

À Science, o investigador contou que os vestígios de jarosita foram encontrados quando os cientistas extraíram do solo um núcleo de gelo de 1,6 mil metros de comprimento. Os vestígios, mais pequenos do que grãos de areia, estavam enterrados nas camadas mais profundas do gelo.

A equipa analisou as partículas com um microscópio eletrónico e concluiu que a jarosita se formou em sacos lamacentos dentro do gelo.

A descoberta sugere que o mineral se formou da mesma forma em Marte, embora no Planeta Vermelho a jarosita apareça em depósitos de um metro de espessura, e não em grãos espalhados.

Os investigadores adiantaram ainda que as placas grossas de jarosita podem ter-se formado em Marte porque o planeta tem muito mais poeira do que a Antártida. “Este é apenas o primeiro passo para ligar o gelo profundo da Antártida ao ambiente marciano”, acrescentou Baccolo.

No futuro, o investigador quer usar núcleos antárticos para investigar se os antigos depósitos de gelo marciano eram “caldeirões” para a formação de outros minerais.

https://zap.aeiou.pt/substancia-antartida-misterio-marciano-377338

Cientistas usam nova tinta para imprimir “osso” em 3D com células vivas !

Recentemente, uma equipa da University of New South Wales (UNSW) em Sydney, na Austrália, desenvolveu uma tinta cerâmica que pode ser impressa em 3D com células vivas e sem produtos químicos perigosos, frequentemente associados a este processo.

A impressão 3D e a medicina andam de mãos dadas já há alguns anos. Agora, esta parceria acaba de dar mais um importante passo.

Segundo o Interesting Engineering, a equipa da universidade australiana desenvolveu uma tinta cerâmica que pode ser impressa em 3D com células vivas e sem produtos químicos perigosos. Esta inovação poderia permitir que os ossos fossem impressos em 3D diretamente no corpo humano.

Iman Roohani, bioengenheiro da Escola de Química da UNSW, explicou, em comunicado, que, ao contrário dos materiais até agora desenvolvidos, esta técnica “oferece uma maneira de imprimir construções in situ que imitam a estrutura e a química do osso”.

O método mais comum usado para reparar ossos é o chamado enxerto ósseo autólogo, uma técnica com altas taxas de infeção associadas e que não funciona se a quantidade de material ósseo necessária for grande.

Esta nova tinta é uma boa alternativa, já que poderia ser impressa em 3D num ambiente aquoso que imita o corpo humano. A substância assume a forma de uma pasta à temperatura ambiente, mas, assim que é colocada num “banho de gelatina”, endurece numa matriz de nanocristal muito semelhante à estrutura do tecido ósseo real.

Apesar de a ideia de imprimir estruturas que imitam ossos em 3D não ser propriamente nova, esta é a primeira vez que o material pode ser criado à temperatura ambiente, com células vivas e sem produtos químicos agressivos ou radiação.

O próximo passo será testar com modelos animais para descobrir se as células vivas nas réplicas ósseas continuam a crescer depois de serem enxertadas nos tecidos ósseos.

https://zap.aeiou.pt/nova-tinta-imprimir-osso-3d-377269

Há uma galáxia a assinar a sua própria sentença de morte !

Impressão de artista da galáxia distante ID2299

Uma equipa de astrónomos analisou vários dados para encontrar provas de que as fusões de galáxias no Universo primitivo poderiam interromper a formação de estrelas e afetar o crescimento da galáxia.

Quando uma galáxia pára de produzir estrelas, torna-se velha e perde o brilho. Apesar de estarem conscientes deste fenómeno, os cientistas não sabem exatamente o que interrompe a formação estelar – nem sequer se todas as galáxias envelhecem da mesma maneira.

Recentemente, uma equipa de astrónomos identificou uma possível causa do envelhecimento galáctico: as colisões cósmicas. O artigo científico com a descoberta foi publicado no dia 11 de janeiro na Nature Astronomy.

Os investigadores observaram duas galáxias em processo de fusão no início do Universo e concluíram que esse fenómeno destruiu o combustível da formação estelar da galáxia maior. O resultado da fusão – ID2299 – ejeta gás a uma taxa de 10 mil massas solares por ano.

No fundo, explica o Astronomy, isto significa que ID2299 está a lançar quase 50% do seu combustível de formação estelar disponível para o Espaço. Os cientistas consideram que o estranho evento de ejeção pode ser resultado de uma recente fusão que interrompeu gravitacionalmente e “esticou” o gás das galáxias numa longa cauda de maré.

Com base nestas descobertas, os cientistas preveem que, dentro de algumas centenas de milhões de anos, ID2299 pare de formar novas estrelas.

“A nossa pesquisa fornece evidências convincentes de que o gás lançado de ID2299 pode ter sido ejetado pelas marés devido à fusão entre duas galáxias espirais ricas em gás”, disse Annagrazia Puglisi, do Centro de Astronomia Extragaláctica da Universidade de Durham, no Reino Unido.

Segundo a investigação, a interação gravitacional entre duas galáxias pode proporcionar um momento angular para expulsar parte do gás para os arredores da galáxia. Isto “sugere que as fusões também são capazes de alterar a evolução futura de uma galáxia, limitando a sua capacidade de formar estrelas ao longo de milhões de anos.”

A nova descoberta sugere, então, que a fusão de galáxias pode explodir gás e poeira, acabando rapidamente com a capacidade de uma galáxia de formar novas estrelas. ID2299 assinou a sua própria sentença de morte.

https://zap.aeiou.pt/galaxia-assinar-sentenca-de-morte-377569

 

NASA - Helicóptero de Marte fará testes para voar em outros mundos !

Neste momento, um helicóptero está voando em direção ao planeta Marte. Naturalmente, não voa de forma autônoma, mas de carona, na “barriga” do rover Perseverance da NASA: o esbelto Ingenuity está apenas a algumas semanas de se tornar a primeira aeronave a voar em um mundo diferente da Terra.

via GIPHY

Após ultrapassar os 70 milhões de quilômetros que nos separam do Planeta Vermelho, o Ingenuity passará por diversos testes que serão o ponto de partida para a construção de aeronaves maiores e melhores, com capacidade para transporte de cargas úteis, e que poderão voar em outros planetas.

O engenheiro-chefe do Ingenuity, Bob Balaram, compara a missão do Ingenuity em Marte ao voo pioneiro dos irmãos Wright, referindo-se à decolagem do primeiro avião, que concedeu à dupla a primazia da criação do primeiro aparelho voador controlado da história. 

Fonte: NASA/Divulgação
Fonte: NASA/Divulgação

O projeto do Ingenuity

Balaram e sua equipe do Jet Propulsion Laboratory tiveram que enfrentar muitos desafios para projetar o Ingenuity. Quando o dispositivo chegar a Marte em fevereiro próximo, pode enfrentar quedas de temperatura de até -90º C na cratera de Jezero. Faz tanto frio no planeta vermelho que só um terço da potência será usado para voar; o restante da energia aquecerá os sistemas do aparelho à noite.

Além das baixas temperaturas, o Ingenuity terá que encarar a atmosfera de Marte, 99% mais fina que a da Terra e com apenas um terço da sua atração gravitacional. Para obter sustentação, o helicóptero irá utilizar duas hélices de fibra de carbono de 1,2 metro cada a uma rotação de 2,4 mil rpm em motores de rotação contrária.

O objetivo do Ingenuity na missão é testar algumas operações básicas: com menos de 2 kg de peso, o helicóptero irá apenas decolar, pairar algumas dezenas de metros acima do solo marciano, manobrar no ar rarefeito do planeta e pousar em um terreno plano. Durante 30 dias marcianos, os engenheiros avaliarão, de casa, os voos de teste.

A cada tentativa, o helicóptero voará mais alto e mais longe. Cada decolagem, cada noite sem congelar e cada descida serão desafios a serem vencidos. Infelizmente, ao final dos testes, o Ingenuity ficará para trás, como um símbolo ou como prova de que aeronaves terrestres podem operar em outros planetas.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/117502-nasa-helicoptero-de-marte-fara-testes-para-voar-em-outros-mundos.htm

 

 

Cientistas descobrem os segredos da Zona Escura da Gronelândia

A Gronelândia, ex-colônia dinamarquesa que é rica em minérios e tem grande parte do território coberto por uma camada de gelo, passa por problemas. Uma boa fatia dessa superfície está derretendo a níveis ainda mais alarmantes do que o normal — e, por vários anos, cientistas não encontravam uma explicação para o fenômeno.

A região mais crítica desse derretimento ficou conhecida como Zona Escura, pois lá o gelo adquire uma coloração diferente do branco tradicional. Ela se concentra em toda a costa oeste da Groenlândia e, caso continue expandindo, pode contribuir ainda mais para o aumento do nível do mar.

O avanço da Zona Escura, que derrete o gelo mais rápido, é preocupante.
O avanço da Zona Escura, que derrete o gelo mais rápido, é preocupante.

O problema? A região não para de crescer e, ao menos até agora, pesquisadores simplesmente não sabiam determinar a causa do surgimento dessa área tão peculiar e como a cor está relacionada com as mudanças climáticas.

Mais simples do que parecia

Cientistas da Universidade de Leeds, na Inglaterra, descobriram o porquê de o gelo adquirir tons de cinza. Segundo os pesquisadores, o problema está em algas que vivem na região e envolve dois fatores que atuam juntos.

A área com coloração escura finalmente tem uma explicação.
A área com coloração escura finalmente tem uma explicação.

As algas Ancylonema nordenskioeldii vivem em ambientes congelados e normalmente ficam em estado dormente. Porém, quando a superfície começa a derreter em períodos mais quentes do ano, elas começam a surgir acima do nível do gelo. 

A exposição dessas algas à luz solar durante todo o dia acaba ativando uma proteção natural, que torna a sua coloração acinzentada e capaz de absorver mais calor. 

A Zona Escura é um mecanismo de defesa contra a luz solar.
A Zona Escura é um mecanismo de defesa contra a luz solar.

O fósforo, bastante necessário para o organismo dessas algas, seria outro responsável por não refletir tanta luz. Ele é obtido pelas algas a partir de rochas que também são reveladas pelo derretimento da superfície de gelo, criando um ciclo: mudanças climáticas fazem as algas aparecerem, gerando também o surgimento das rochas com fósforo, que aumenta ainda mais a população das algas. 

E agora?

A perspectiva dos pesquisadores é pessimista: como as alterações climáticas contribuem para a desaceleração do derretimento, esse processo está em expansão, com as algas aparecendo em uma área cada vez maior da costa oeste do local.

Para chegar à conclusão, eles analisaram amostras de uma área de 1,7 milhões de km² durante dois anos. A pesquisa agora vai para uma etapa de previsão para determinar o avanço do derretimento do gelo da Groenlândia, o que pode ajudar na criação de planos de contenção e monitoramento.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/117498-cientistas-descobrem-os-segredos-da-zona-escura-da-groenlandia.htm

 

Observatório de Sharjah captura série de impactos raros na superfície lunar

Observatório de Sharjah captura série de impactos raros na superfície lunar 

Crédito da imagem: Telescópio do Observatório de Impactos Lunar de Sharjah (SLIO)

O telescópio do Observatório de Impactos Lunares de Sharjah (de sigla em inglês, SLIO), nos Emirados Árabes Unidos, detectou uma série de impactos na Lua. O que chama a atenção é que essa série de impactos, ocorreram em um minuto e foram de brilho maior que o normal.

Além disso, seus períodos de brilho foram relativamente longos, pois períodos de até um quarto de segundo foram registrados em cada impacto e isso é considerado um longo tempo para tais eventos.

É notável que esses impactos se espalharam no meio do lado escuro oriental da Lua no momento da observação, e se espalharam por uma distância de 1.000 km em sua superfície.

De acordo com o Prof. Hamid M.K. Al Naimiy, Chanceler da Universidade de Sharjah, Diretor Geral da SAASST e Presidente da União Árabe para Astronomia e Ciências Espaciais, a equipe analisou o tempo dos impactos e suas posições relativas e, com base nisso, concluíram que a série de impactos são causados ​​por impactos de meteoritos, relata o khaleejtimes.

O que você acha que atingiu a Lua, meteoros ou qualquer outra coisa caiu na superfície lunar?

https://www.ovnihoje.com/2021/02/04/observatorio-de-sharjah-captura-serie-de-impactos-raros-na-superficie-lunar/

Cientistas descobrem que um misterioso acelerador de partículas "ATACA" a Terra com perigosos Raios Cósmicos !

Você pode pensar que os maiores e mais enigmáticos mistérios do universo existem além do nosso planeta, na borda de um buraco negro ou dentro de uma estrela em explosão. Mas a verdade é que os grandes mistérios do universo nos cercam o tempo todo. Eles até nos permeiam navegando diretamente através de nossos corpos.

Um desses mistérios são os raios cósmicos feitos de minúsculos fragmentos de átomos. Esses raios que estão passando por nós neste exato momento não deveriam inicialmente ser prejudiciais para nós ou para qualquer outra vida na superfície da Terra porém há cientistas que afirmam que eles afetam o clima da Terra.
 
Alguns carregam tanta energia que os físicos ficam intrigados com sua origem. Muitos são poderosos demais para terem se originado do nosso Sol ou de uma estrela em explosão. Como os raios cósmicos geralmente não viajam em linha reta nem sabemos de onde vêm. Mas agora uma nova pesquisa revela um possível candidato.

'Ataque' do espaço

Os cientistas há muito estudam os raios cósmicos partículas (que podem ser elétrons, prótons ou íons de elementos pesados) que viajam pelo universo quase à velocidade da luz. Eles são criados por vários processos que envolvem grandes quantidades de energia como a explosão de uma supernova a fusão de duas estrelas ou por um buraco negro que engole grandes quantidades de gás. Mas agora, novos cálculos do observatório High-Altitude Water Cherenkov Experiment (HAWC) revelam um novo candidato altamente provável: Uma Nuvem Molecular Gigante .

Como explica Paul M. Sutter, astrofísico do Flatiron Institute o nível de energia dos raios cósmicos é medido em uma unidade conhecida como elétron volt (eV). Existem raios cósmicos de intensidades diferentes, mas os cientistas notaram algo estranho: uma "quebra" na curva na faixa de 10 ^ 15 eV, da qual há muito menos raios cósmicos do que o esperado.
Para se ter uma ideia do nível de energia envolvido o acelerador de partículas mais poderoso já construído, o Large Hadron Collider (LHC), pode atingir 13 X 10 ^ 12 eV, ou 13 Tera elétron-volts (TeV). Mas esses raios cósmicos de alta energia são mais de 1.000 vezes mais intensos. Portanto os pesquisadores acreditam que os raios com menor intensidade são produzidos por processos dentro de nossa galáxia mas aqueles acima desse limite vêm de fora dela. O que não sabíamos até agora é onde.

E apesar do nome, os "raios" cósmicos não viajam em linha reta como um raio de luz. Por serem partículas eletricamente carregadas são influenciadas e desviadas pelos campos magnéticos de nossa galáxia. Portanto encontrar a resposta não é uma simples questão de seguir o caminho de volta à fonte. Para encontrar um "candidato" os cientistas do HAWC localizado no topo do vulcão Sierra Negra no México procuraram "parceiros" : eles sabem que quando os raios cósmicos atingem uma nuvem de gás interestelar eles produzem raios gama. E estes viajam em linha reta o que nos permite determinar sua origem.

Sutter explica ao portal de notícias sobre astronomia e espaço Space.com que os cientistas decidiram procurar fontes de raios gama e escanear a região circundante em busca de uma possível fonte de raios cósmicos. E eles logo encontraram HAWC J1825-134 uma fonte de raios gama com energia superior a 200 TeV , localizada perto do centro de nossa galáxia. Parece um "borrão brilhante" para nós iluminado pelo que é talvez a fonte de raios cósmicos mais poderosa da galáxia.

Embora os cientistas tivessem uma lista de possíveis fontes de raios cósmicos de alta energia na região, nenhum deles explicou o sinal encontrado. O centro da galáxia era uma possibilidade mas está muito longe do HAWC J1825-134. Portanto ainda existem algumas supernovas mas elas explodiram por muito tempo para gerar raios cósmicos agora. Pulsares o núcleo de uma estrela que explodiu e agora gira em alta velocidade produzindo o que nos parecem "pulsos" de energia, também são fontes de raios cósmicos mas estão muito longe da fonte dos raios gama.

Surpreendentemente, a origem parece ser uma nuvem molecular um gigantesco aglomerado de gás e poeira que ocasionalmente se contrai e forma uma estrela. Dentro da nuvem os cientistas encontraram um aglomerado de estrelas recém-nascidas. Mas nenhum deles deve ter energia suficiente para gerar raios cósmicos como esses. Os cientistas admitem que não sabem como a nuvem emite raios. Mas de alguma forma sem que ninguém percebesse ela gerou algumas das partículas mais poderosas da galáxia e muito perigosas para o nosso planeta.

Efeitos perigosos

Nesse ponto você pode se perguntar o quão perigosos os raios cósmicos são para a vida na Terra. Especialistas na área nos dizem que as partículas que atingem a Terra interagem com a nossa atmosfera, que age como um "escudo de radiação". Os raios cósmicos de alta energia nos bombardeiam o tempo todo mas eles interagem rapidamente produzindo partículas de energia muito mais baixa que impactam a Terra sem causar danos às formas de vida. No entanto os efeitos perigosos seriam sentidos pelo clima.
Por duas décadas, o físico dinamarquês Henrik Svensmark do Instituto Nacional do Espaço Dinamarquês (DTU Space) da Universidade Técnica da Dinamarca propôs uma teoria de "cosmoclimatologia" que afirma que os raios cósmicos junto com as manchas solares são os verdadeiros motores da mudança de clima. Sua última pesquisa publicada na revista científica Nature , Svensmark explica que é "a última peça do quebra-cabeça" que explica como as partículas do espaço afetam o clima na Terra. Também sugere que os resultados indicam que o impacto da atividade solar no clima é até sete vezes maior do que os modelos climáticos sugerem.

A teoria de Svensmark em poucas palavras é a seguinte: os raios cósmicos são fragmentos atômicos principalmente núcleos lançados no espaço geralmente de estrelas em explosão que bombardeiam constantemente a Terra. Quando entram na atmosfera sua carga elétrica ajuda a formar grupos de moléculas aerossóis que por sua vez agem como sementes ou núcleos para que as gotículas de água se condensem criando nuvens. Mais raios cósmicos significam mais 'núcleos de condensação de nuvens' (CCN), mais nuvens e um clima mais frio. Menos raios significa um clima mais quente.

É aí que entra o Sol. Em momentos de alta atividade solar indicada por um maior número de manchas solares o campo magnético de nossa própria estrela ajuda a proteger o planeta dos raios cósmicos o que significa menos formação de nuvens e portanto temperaturas mais altas. Quando o Sol está "quieto" há mais ionização na atmosfera o que significa mais nuvens e clima mais frio. O estudo argumenta que o resultado deve ser incorporado em modelos globais de aerossóis, para testar plenamente as implicações atmosféricas. Portanto, todos esses dados nos mostram que os raios cósmicos têm uma influência negativa em nosso planeta e embora alguns cientistas minimizem isso eles podem nos afetar tanto física quanto psicologicamente.

http://ufosonline.blogspot.com/

 

Obesidade pode agravar os efeitos da doença de Alzheimer

O excesso de peso é um “fardo adicional” para a saúde do cérebro e pode agravar os efeitos da doença de Alzheimer, que afeta cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo e para a qual não há ainda cura. 


A conclusão é de uma nova investigação levada a cabo pela Universidade de Sheffield, no Reino Unido, e os seus resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada The Journal of Alzheimer’s Disease Reports.

De acordo com a investigação, a obesidade pode contribuir para a vulnerabilidade do tecido neuronal e, em sentido oposto, manter um peso saudável durante um quadro clínico de Alzheimer ou demência pode ajudar a preservar a estrutura do cérebro.

“É importante enfatizar que este estudo não mostra que a obesidade causa a doença de Alzheimer, mostrando antes que o excesso de peso é um fardo adicional para a saúde do cérebro e pode agravar a doença”, explicou a autora principal do estudo, Annalena Venner, citada em comunicado difundido pelo portal Eureka Alert, frisando que a prevenção tem um papel muito importante na luta contra esta doença neurodegenerativa.

“As doenças que causam a demência, como o Alzheimer e a demência vascular, permanecem em segundo plano durante muitos anos. Por isso, esperar até aos 60 anos para perder peso é tarde de mais. Precisamos de começar a pensar na saúde do cérebro e na prevenção destas doenças muito mais cedo”, sustentou, destacando ainda o papel da educação: “Educar crianças e adolescentes sobre o papel que o excesso de peso desempenha nas multimorbilidades, incluindo doenças neurodegenerativas, é vital“.

Recorrendo a técnicas pioneiras de neuro-imagem, a equipa de cientistas analisou imagens de ressonância magnética do cérebro de 172 voluntários: 47 pacientes com diagnóstico clínico de demência leve da doença de Alzheimer, 68 pacientes com comprometimento cognitivo leve e 57 indivíduos cognitivamente saudáveis.

A equipa comparou as imagens e procurou diferenças na anatomia do cérebro, fluxo sanguíneo, bem como nas fibras do cérebro, avaliando o volume da massa cinzenta – que se degenera no início da doença de Alzheimer – e a integridade da substância branca, associada ao fluxo sanguíneo cerebral e à obesidade.

O estudo também evidenciou que manter um peso saudável num quadro de demência leve causada pela doença de Alzheimer pode ajudar a preservar a estrutura do cérebro.

“A perda de peso é, por norma, um dos primeiros sintomas nos estágios iniciais da doença de Alzheimer, quando as pessoas se esquecem de comer ou começam a fazer pequenos lanches com biscoitos ou batatas fritas, em vez de refeições mais nutritivas”, explicou ainda o co-autor do estudo Matteo De Marco.

E rematou: “Descobrimos que manter um peso saudável pode ajudar a preservar a estrutura do cérebro em pessoas que já sofrem de demência leve da doença de Alzheimer”.

https://zap.aeiou.pt/obesidade-agravar-efeitos-alzheimer-376907

 

Cientistas descobrem potencial tratamento antiviral a partir de planta tóxica !

Uma nova propriedade antiviral de um medicamento, a tapsigargina, que é “altamente eficaz” contra o novo coronavírus, foi descoberta por uma equipa internacional de investigadores, anunciou esta quarta-feira a Universidade de Nottingham, no Reino Unido.


O estudo que levou à descoberta, publicado no boletim científico Viruses, mostra que a tapsigargina é um promissor antiviral de amplo espetro e considerado “altamente eficaz” contra o coronavírus SARS-CoV-2, que provoca a doença covid-19, mas também contra o vírus da gripe comum, o vírus sincicial respiratório (VSR) e o vírus influenza A.

Os investigadores defendem que a descoberta pode ter enormes implicações na forma como vão ser geridas as futuras epidemias e pandemias, incluindo a pandemia de covid-19.

“Uma vez que as infeções respiratórias agudas causadas por vírus diferentes são clinicamente indistinguíveis na apresentação, um amplo espetro de eficácia (dos medicamentos), que possa atingir diferentes tipos de vírus ao mesmo tempo, pode melhorar significativamente a gestão clínica”, referem os investigadores, citados num comunicado da Universidade de Nottingham, sublinhando que um antiviral deste tipo pode ser disponibilizado para uso comunitário de forma a controlar uma infeção ativa e a sua disseminação.

O projeto de investigação foi liderado por Kin-Chow Chang, que contou com outros especialistas da Universidade de Nottingham (Escolas de Medicina Veterinária e Ciências, Biociências, Farmácia, Medicina e Química), e com a colaboração de peritos da Agência de Saúde Vegetal e Animal (APHA) do Reino Unido, da Universidade Agrícola da China e do instituto britânico Pirbright, especializado em virologia.

A equipa multidisciplinar de cientistas descobriu que o antiviral derivado de uma planta tóxica, a Thapsia garganica (comum em zonas de mato no interior centro e no sul de Portugal), desencadeia uma resposta imune inata antiviral de amplo espetro centrada no hospedeiro. O composto revelou-se eficaz contra três tipos principais de vírus respiratórios nos humanos, incluindo o novo coronavírus.

De acordo com o comunicado da universidade de Nottingham, experiências realizadas em células e em animais demonstram que a tapsigargina é um antiviral promissor, sendo eficaz contra a infeção quando usada antes ou durante uma infeção ativa.

Também é capaz de impedir que o vírus reproduza cópias de si mesmo nas células durante pelo menos 48 horas após uma única exposição de 30 minutos.

Como a substância é estável em ph ácido, como o que se encontra no estômago, pode ser tomada por via oral, evitando as injeções ou o internamento hospitalar.

Outra característica descrita pelos autores é que a tapsigargina não é sensível à resistência do vírus, sendo, “pelo menos, centenas de vezes mais eficaz do que as atuais opções antivirais”.

Também foi concluído que é tão eficaz no bloqueio de uma infeção combinada de coronavírus e vírus influenza A, quanto de uma infeção por vírus único, e que é “segura” como antiviral, tendo os investigadores realçado que um derivado da tapsigargina já foi testado em tratamentos contra o cancro da próstata.

“Embora ainda estejamos nos estágios iniciais da pesquisa sobre este antiviral e a sua ação sobre os vírus como o que provoca a covid-19, estas descobertas são extremamente significativas”, destacou Kin-Chow Chang.

O académico acrescentou que “a atual pandemia destaca a necessidade de antivirais eficazes para tratar infeções ativas, bem como vacinas, para prevenir a infeção”, vincando que “as futuras pandemias serão, provavelmente, de origem animal”.

“Uma nova geração de antivirais, como a tapsigargina, poderia desempenhar um papel fundamental no controlo e tratamento de infeções virais importantes em humanos e animais”, assinalou Kin-Chow Chang.

O vírus da gripe, o coronavírus SARS-CoV-2 e o RSV são patógenos globais de humanos e também de animais, e os cientistas consideram que a tapsigargina representa um composto líder no desenvolvimento de uma nova geração de poderosos antivirais centrados no hospedeiro (em oposição aos medicamentos antivirais convencionais que visam diretamente os vírus), podendo mesmo ser adotada numa abordagem holística de ‘saúde única’ para controlar vírus nos humanos e nos animais.

“Embora mais testes sejam claramente necessários, as descobertas atuais indicam fortemente que a tapsigargina e os seus derivados são tratamentos antivirais promissores contra a covid-19 e o vírus da gripe comum, e têm o potencial de nos defender contra uma próxima pandemia”, concluiu o professor Chang.

https://zap.aeiou.pt/potencial-tratamento-antiviral-covid-377841

 

O ciclo da Lua parece estar a roubar-nos horas de sono

O ciclo da Lua gera alterações nos padrões de sono do Homem, sugere uma nova investigação internacional, que contou com a participação de cientistas da Universidade de Washington e Yale, nos Estados Unidos, e da Universidade Nacional de Quilmes, na Argentina. 


De acordo com o novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na Science Advances, os ciclos de sono oscilam durante o ciclo da Lua: nos dias que antecedem a Lua cheia, as pessoas deitam-se mais tarde e dormem durante períodos de tempo mais curtos.

“A luz da Lua é tão brilhante para o olho humano que é completamente razoável imaginar que, na ausência de outras fontes de luz, esta fonte de luz noturna possa ter tido um papel na modulação da atividade noturna humana e do sono“, escreveram os cientistas no novo estudo, que foi liderado por Horacio de la Iglesia, neurobiologista da Universidade de Washington e autor sénior da investigação.

Ainda assim, observaram no artigo, esta é uma questão “ainda controversa”.

Para tentar resolver esta questão, a equipa internacional de cientistas contou com a participação de 500 voluntários distribuídos em áreas diferentes, que viram os seus padrões de sono rastreados através de monitores de atividade de pulso.

Num primeiro momento, os especialistas conduziram o procedimento com 98 pessoas do povo Toba-Qom, uma comunidade indígena que vive na província de Formosa, na Argentina. Destes 98 voluntários, alguns não tinham acesso a eletricidades nas suas casas, outros tinham um acesso limitado e apenas uma franja dos participantes vivia num ambiente urbano com acesso total à rede elétrica.

Num outro procedimento, a equipa analisou os padrões de sono de 464 estudantes universitários que viviam na área da cidade norte-americana de Seattle, uma grande área altamente modernizada e com acesso geral à eletricidade.

Um mesmo padrão, duas localizações

Depois de analisar a atividade de sono dos diferentes grupos durante o ciclo do mês lunar, a equipa concluiu que existe um mesmo padrão durante o sono e a vigília de todos os participantes, independentemente da região em que vivem ou do acesso à rede elétrica.

“Observamos uma modulação lunar clara do sono, com o sono a diminuir e a ter um início mais tardio nos dias que precedem a Lua cheia”, explicou Iglesia. “Embora o efeito seja mais robusto em comunidades sem acesso à eletricidade, está presente em comunidades com eletricidade, incluindo alunos da Universidade de Washington”, acrescentou.

Em comunicado, a equipa sintetiza: de forma geral, e apesar de algumas variações identificadas, os dados mostraram que o sono tende a começar mais tarde e dura menos tempo nas noites que antecedem a Lua cheia, quando o luar oriundo da Lua crescente é mais brilhante nas horas após o crepúsculo.

“Combinados, estes resultados sugerem fortemente que o sono humano está sincronizado com as fase da Lua, independentemente da origem étnica e/ou sociocultural e do nível de urbanização”, pode ler-se ainda no estudo.

https://zap.aeiou.pt/lua-cheia-altera-padroes-sono-376415

 

Astrónomo do SETI propõe uma nova forma para encontrar extraterrestres - A Teoria dos Jogos !

Uma nova investigação da Universidade de Manchester sugere usar uma estratégia ligada ao jogo cooperativo conhecido como “Teoria do Jogos”, a fim de maximizar o potencial de encontrar vida alienígena inteligente. 


Se civilizações alienígenas avançadas existem na nossa galáxia e estão a tentar comunicar connosco, qual é a melhor forma de as encontrar? Este é o grande desafio para os astrónomos do Instituto SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence)

Eamonn Kerins, astrofísico do Jodrell Bank, propôs uma nova estratégia baseada na Teoria dos Jogos que pode aumentar as hipóteses de encontrar vida alienígena inteligente.

Os programas do SETI tendem a usar uma de duas abordagens. A primeira é um levantamento que analisa grandes áreas do céu, na esperança de ver um sinal. Essa abordagem pode gerar rapidamente grandes volumes de dados que podem, por sua vez, ser muito difíceis de investigar de forma abrangente. A segunda passa por concentrar a busca mais intensamente em sistemas estelares específicos onde a vida pode existir.

“Na Teoria dos Jogos, há uma classe de jogos conhecida como ‘jogos de coordenação’ que envolve dois jogadores que precisam de cooperar para vencer, mas sem comunicar. Quando estamos envolvidos no SETI, nós e qualquer civilização que esteja a tentar encontrar-nos estamos a jogar exatamente esse tipo de jogo. Portanto, se quisermos fazer contacto, podemos recorrer à Teoria dos Jogos para desenvolver a melhor estratégia”, explicou Kerins, em comunicado.

Kerins chama a sua ideia de “Detetabilidade Mútua” e afirma que os melhores lugares para procurar sinais são planetas a partir dos quais seríamos capazes de determinar se a própria Terra pode ser habitada.

“Se tivermos evidências de um planeta potencialmente habitado e as civilizações lá tiverem evidências semelhantes sobre o nosso planeta, ambos devem ser fortemente incentivados a envolverem-se no SETI, porque ambos estarão cientes de que as evidências são mútuas”, continuou.

A nova teoria sugere examinar planetas em trânsito em órbitas que passam diretamente à frente da sua estrela hospedeira, fazendo-a parecer mais escura durante um breve período. Este efeito de escurecimento foi usado anteriormente para descobrir planetas. Com este método, os astrónomos podem determinar se são planetas rochosos como a Terra ou se têm atmosferas que mostram evidências de vapor de água.

“E se estes planetas estiverem localizados em linha com o plano da órbita da Terra? Poderão ver a Terra transitar pelo Sol e aceder ao mesmo tipo de informação sobre nós. Os nossos planetas serão mutuamente detetáveis“, concluiu Kerins.

A zona de onde a Terra é vista em trânsito pelo Sol é conhecida como Zona de Trânsito da Terra. Estima-se que haja milhares de planetas potencialmente habitáveis ​​localizados nesta zona.

Alguns cientistas, como Stephen Hawking, alertaram sobre os potenciais perigos no envio de sinais para civilizações que poderiam ter vasta superioridade tecnológica sobre nós. Outros notaram que, se todas as civilizações tiverem o mesmo medo, não haverá sinal para ninguém detetar, o chamado Paradoxo SETI.

“Acontece que as civilizações num planeta localizado na Zona de Trânsito da Terra podem saber se a evidência básica do seu planeta em trânsito é mais clara para nós ou se o nosso sinal é mais claro para eles. Saberemos disso também. Faz sentido que a civilização que tem a visão mais clara do planeta do outro ficará mais tentada a enviar um sinal. A outra parte saberá disso e, portanto, deve observar e ouvir o sinal”, disse Kerins.

O astrofísico mostra que a grande maioria dos planetas habitáveis ​​na Zona de Trânsito da Terra devem estar em órbitas ao redor de estrelas de baixa massa que são mais fracas do que o Sol. Assim, essas civilizações teriam uma visão mais clara sobre nós.

O uso da teoria da Detetabilidade Mútua sugere que os programas SETI devem concentrar-se na procura de sinais de planetas potencialmente habitáveis ​​em torno de estrelas obscuras.

“Em breve teremos o primeiro catálogo de planetas que podem ser habitados por civilizações que já sabem algo sobre o nosso mundo. Podem saber apenas o suficiente para serem tentados a enviar uma mensagem. Estes são os mundos nos quais realmente nos precisamos de concentrar. Eles conhecem a Teoria dos Jogos e esperam que estejamos a ouvir”.

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Variante britânica sofreu mais uma mutação - Cientistas mostram-se preocupados !

A variante britânica do novo coronavírus está a espalhar-se no Reino Unido e não só. Em Portugal, poderá ser responsável por 50% das infeções na zona de Lisboa e Vale do Tejo e, segundo cientistas, aparenta estar a sofrer uma nova mutação.


Vários testes em algumas amostras mostram a mutação – a que foi dado o nome de E484K – já detetada na estirpe da África do Sul e do Brasil. Para já, os especialistas britânicos encontraram apenas alguns casos, cerca de uma dezena.

Os investigadores, que se mostram preocupados com as novas mutações, sugerem que estas alterações podem afetar a eficácia da vacina. Contudo, acreditam que as vacinas que estão a ser usadas atualmente devem funcionar.

No Reino Unido as medidas de controlo já foram apertadas para evitar a transmissão da nova variante e de outras, como a sul-africana, que levou a uma campanha massiva de testagem em alguns bairros de Londres e outras zonas de Inglaterra. Foram ainda introduzidas restrições à entrada no país, medidas que afetam também as ligações entre Portugal e o Reino Unido.

Em 214.159 amostras analisadas, os especialistas da Public Health England (instituto de saúde inglês) encontraram 11 casos da variante britânica com a mutação E484K.

Embora estejam preocupados, os cientistas não ficam surpreendidos com estes resultados, uma vez que todos os vírus sofrem mutações.

É “um desenvolvimento preocupante, embora não totalmente inesperado”, refere Julian Tang, especialista em vírus da Universidade de Leicester, em declarações à BBC.

A epidemiologista defende que é necessário que continuem a ser observadas as medidas sanitárias para travar a disseminação do vírus, de modo a reduzir as mutações.

Tang instou a população a respeitar as restrições vigentes para travar a pandemia, uma vez que “os vírus não apenas se propagam, como também evoluem” para se adaptarem ao meio envolvente.

“Caso contrário, o vírus não só pode continuar a espalhar-se, como também pode evoluir”, alerta Tang.

Segundo a BBC, alguns estudos sugerem que a mutação E484K pode ajudar o vírus a escapar da ação dos anticorpos. A Moderna é uma das farmacêuticas que indicou, no entanto, que os resultados mostram que o seu fármaco ainda é eficaz contra as variantes com esta mutação.

De acordo com a agência de notícias espanhola (Efe), o académico junta-se a outros especialistas que alertam que a propagação desta mutação dentro da variante detetada no Reino Unido pode ter um efeito negativo sobre a eficácia das vacinas, como acontece com as variantes detetadas no Brasil e na África do Sul, ainda que as atuais vacinas consigam oferecer um certo nível de proteção.

Caso seja necessário, as farmacêuticas podem reajustar o processo de desenvolvimento das vacinas, tendo em conta esta nova realidade.

Várias localidades inglesas começam a fazer análises ao domicílio para detetar e isolar casos positivos da variante com origem na África do Sul, face aos indícios de que se estará a espalhar entre a população do Reino Unido.

O governo conservador britânico confirmou na segunda-feira esta iniciativa, depois de se terem detetado, em diferentes pontos do país, os primeiros casos dessa variante que não estão relacionados diretamente com viagens à África do Sul ou a outros casos positivos conhecidos.

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Sputnik V, vacina produzida na Rússia, revela 91,6% de eficácia !

A vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Rússia – a Sputnik V – revelou uma eficácia de 91,6% contra a doença, segundo resultados publicados esta terça-feira na revista médica The Lancet e validados por especialistas independentes.


“O desenvolvimento da Sputnik V tem sido criticado pela sua precipitação, por ter saltado etapas e pela falta de transparência, mas os resultados são claros e o princípio científico dessa vacinação está demonstrado”, estimaram dois especialistas britânicos, Ian Jones e Polly Roy, num comentário anexado ao estudo.

Os investigadores indicam que isto “significa que uma vacina extra pode ser acrescentada à luta contra a covid-19“. Nenhum dos dois cientistas participaram no estudo em questão.

Os primeiros resultados de eficácia verificados corroboram as afirmações iniciais da Rússia, recebidas no outono com desconfiança pela comunidade científica internacional.

O estudo agora divulgado coloca a Sputnik V entre as vacinas com melhor desempenho, como a da Pfizer/BioNTech, que anuncia uma eficácia de cerca de 95%, utilizando, no entanto, uma tecnologia diferente (RNA mensageiro).

Nas últimas semanas começaram a surgir pressões para que a Agência Europeia do Medicamento avaliasse rapidamente o desempenho da Sputnik V, já utilizada na Rússia e em países como a Argentina e a Argélia.

Os resultados publicados na The Lancet dizem respeito à última fase de ensaios clínicos da vacina, a fase três, que envolve cerca de 20 mil voluntários.

Estes resultados têm origem na equipa que desenvolveu a vacina e conduziu os ensaios, sendo posteriormente submetidos à verificação de outros cientistas independentes antes da sua publicação.

As conclusões sugerem que a Sputnik V reduz em 91,6% o risco de contrair uma forma sintomática da covid-19.

Os participantes no ensaio, realizado entre setembro e novembro, receberam todos duas doses da vacina ou um placebo com três semanas de intervalo.

Em cada uma das doses, fizeram também um teste de PCR e, nos dias seguintes à administração da segunda dose, o teste foi realizado apenas às pessoas que desenvolveram sintomas.

Um total de 16 voluntários dos 14.900 que receberam ambas as doses da vacina teve teste positivo (0,1%) em comparação com 62 de 4.900 voluntários que receberam o placebo (1,3%).

Contudo, os autores apontam uma limitação: uma vez que os testes PCR só foram realizados “quando os participantes declararam ter sintomas de covid-19, a análise da eficácia diz respeito apenas aos casos sintomáticos”.

De acordo com a revista científica “são ainda necessárias mais pesquisas para determinar a eficácia da vacina em casos assintomáticos e na transmissão” da doença.

A Sputnik V da Rússia é uma vacina de vetor viral, ou seja, utiliza outros vírus tornados inofensivos para o organismo humano e adaptados para combater a covid-19.

Esta é a mesma técnica utilizada pela vacina da AstraZeneca (Oxford), que apresenta uma eficácia de 60%, segundo a EMA. Enquanto a vacina da AstraZeneca se baseia num único adenovírus de chimpanzé, a Sputnik V utiliza dois adenovírus humanos diferentes para cada uma das injeções.

Segundo os seus criadores, a utilização de um adenovírus diferente em reforço da primeira injeção deverá causar uma melhor resposta imunológica.

Ainda antes deste estudo ser publicado, o Presidente da República Checa, Milos Zeman, defendeu o recurso à vacina russa Sputnik V contra a covid-19 para compensar atrasos nas entregas das farmacêuticas norte-americanas Pfizer-BioNTech e Moderna.

https://zap.aeiou.pt/sputnik-v-revela-961-eficacia-377652

 

“Caso muito raro” - Cientistas identificam dois gémeos de pais diferentes !

O caso extremamente raro, chamado de superfecundação heteropaternal, aconteceu na Colômbia. Depois de um teste de paternidade, a família ficou a saber que os dois gémeos eram filhos de pais diferentes. 

Segundo o canal russo RT, depois de ter comparado o ADN dos dois gémeos com o do suposto pai, o Grupo de Genética de Populações e Identificação da Universidade Nacional da Colômbia (UNAL) notou que ambos são, na verdade, filhos de pais diferentes.

A análise começou em 2018, quando o alegado progenitor quis fazer um teste de paternidade por ter dúvidas relativamente aos bebés. Para isso, os especialistas basearam-se no painel do cromossoma Y, já que as duas crianças eram do sexo masculino.

“O cromossoma Y segrega-se apenas pela linha paterna, e fá-lo em bloco de uma geração para outra, nunca muda”, explica em comunicado Lilián Andrea Casas Vargas, investigadora do departamento de Biologia da universidade colombiana.

Por não mudarem, é esperado que os marcadores desse cromossoma sejam completamente idênticos ao do pai. Neste caso, só um dos gémeos teve um perfil genético coincidente, enquanto que no outro foram identificadas 14 de 17 não coincidências, o que corroborou a exclusão.

Confrontados com esta estranha situação, os cientistas decidiram repetir os testes. “As pessoas foram novamente chamadas, foram recolhidas outras amostras, fizeram-se os mesmos procedimentos e o caso foi confirmado”.

A universidade definiu este caso, que na ciência se chama de superfecundação heteropaternal, como um “fenómeno extremamente raro”, tendo sido até publicado, em dezembro passado, um relatório na Revista Biomédica del Instituto Nacional de Salud.

A equipa explicou que isto acontece quando “um segundo óvulo, libertado durante o mesmo período menstrual, é fertilizado por um espermatozoide de um homem diferente em relações sexuais separadas”.

https://zap.aeiou.pt/gemeos-pais-diferentes-colombia-376491

 

A “fosfina” detetada em Vénus pode, afinal, ser o comum dióxido de enxofre

Em setembro, uma equipa liderada por astrónomos do Reino Unido anunciou que havia detetado a substância química fosfina nas espessas nuvens de Vénus. A deteção relatada pela equipa, baseada em observações de dois radiotelescópios terrestres, surpreendeu muitos especialistas em Vénus.

A atmosfera da Terra contém pequenas quantidades de fosfina, que pode ser produzida por vida. A fosfina em Vénus gerou burburinho de que o planeta, muitas vezes apresentado como uma “paisagem infernal”, podia de alguma forma abrigar vida dentro das suas nuvens ácidas.

Desde aquela afirmação inicial, outras equipas científicas lançaram dúvidas sobre a confiabilidade da deteção de fosfina. Agora, uma equipa liderada por investigadores da Universidade de Washington usou um modelo robusto das condições dentro da atmosfera de Vénus para revisitar e reinterpretar de forma compreensiva as observações telescópicas subjacentes à alegação inicial de fosfina. Como relatado num artigo aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal e disponibilizado online no site de pré-impressão arXiv, o grupo do Reino Unido provavelmente não estava a detetar fosfina.

“Em vez de fosfina nas nuvens de Vénus, os dados são consistentes com uma hipótese alternativa: estavam a detetar dióxido de enxofre,” disse a coautora Victoria Meadows, professora de astronomia na Universidade de Washington. “O dióxido de enxofre é o terceiro composto químico mais comum na atmosfera de Vénus e não é considerado um sinal de vida.”

A equipa por trás do novo estudo inclui cientistas do JPL da NASA em Caltech, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, do Instituto de Tecnologia da Georgia, do Centro de Pesquisa Ames da NASA e da Universidade da Califórnia em Riverside.

A equipa liderada pela Universidade de Washington mostra que o dióxido de enxofre, em níveis plausíveis para Vénus, pode não apenas explicar as observações, mas também é mais consistente com o que os astrónomos sabem sobre a atmosfera do planeta e sobre o seu ambiente químico agressivo, que inclui nuvens de ácido sulfúrico.

Além disso, os investigadores mostram que o sinal inicial não teve origem na camada de nuvens do planeta, mas muito acima dela, numa camada superior da atmosfera de Vénus onde as moléculas de fosfina seriam destruídas em segundos. Isto dá mais apoio à hipótese de que o dióxido de enxofre produziu o sinal.

Tanto o suposto sinal de fosfina quanto esta nova interpretação dos dados centram na radioastronomia. Cada substância química absorve comprimentos de onda únicos do espectro eletromagnético, que inclui ondas de rádio, raios-X e luz visível. Os astrónomos usam ondas de rádio, luz e outras emissões dos planetas para aprender mais sobre a sua composição química, entre outras propriedades.

Em 2017, usando o Telescópio James Clerk Maxwell, a equipa do Reino Unido descobriu uma característica nas emissões de rádio de Vénus a 266,94 gigahertz. Tanto a fosfina como o dióxido de enxofre absorvem as ondas de rádio perto dessa frequência.

Para diferenciar entre os dois, em 2019 a mesma equipa obteve observações de acompanhamento de Vénus usando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array). A sua análise das observações em frequências onde apenas o dióxido de enxofre é absorvido levou a equipa a concluir que os níveis de dióxido de enxofre em Vénus eram demasiado baixos para contabilizar o sinal a 266,94 gigahertz, e que devia vir da fosfina.

Neste novo estudo pelo grupo liderado pela Universidade de Washington, os investigadores começaram por modelar as condições dentro da atmosfera de Vénus, usando isso como base para interpretar de forma abrangente as características que foram vistas – e não vistas – nos conjuntos de dados do Telescópio James Clerk Maxwell e do ALMA.

“Isto é conhecido como modelo de transferência radiativa e incorpora dados de várias décadas de observações de Vénus por múltiplas fontes, incluindo observatórios aqui na Terra e missões espaciais como a Venus Express,” disse o autor principal Andrew Lincowski, investigador no Departamento de Astronomia da Universidade de Washington.

A equipa usou esse modelo para simular sinais da fosfina e do dióxido de enxofre para diferentes níveis da atmosfera de Vénus, e como esses sinais seriam captados pelo Telescópio James Clerk Maxwell e pelo ALMA nas suas configurações de 2017 e 2019. Com base na forma do sinal de 266,94 gigahertz captado pelo Telescópio James Clerk Maxwell, a absorção não vinha da camada de nuvens de Vénus, relata a equipa. Ao invés, a maior parte do sinal observado tinha origem a cerca de 80 km ou mais acima da superfície, na mesosfera de Vénus. A essa altitude, os elementos químicos agressivos e a radiação ultravioleta destruiriam as moléculas de fosfina em segundos.

A fosfina na mesosfera é ainda mais frágil do que a fosfina nas nuvens de Vénus,” disse Meadown. “Se o sinal do Telescópio James Clerk Maxwell fosse da fosfina na mesosfera, então para levar em conta a força do sinal e a vida sub-segundo da substância a essa altitude, a fosfina teria que ser entregue à mesosfera a cerca de 100 vezes a taxa do oxigénio bombeado para a atmosfera da Terra pela fotossíntese.”

Os investigadores também descobriram que os dados do ALMA provavelmente subestimaram significativamente a quantidade de dióxido de enxofre na atmosfera de Vénus, uma observação que a equipa do Reino Unido usou para afirmar que a maior parte do sinal de 266,94 gigahertz era proveniente da fosfina.

“A configuração das antenas do ALMA durante as observações de 2019 tem um efeito colateral indesejável: os sinais dos gases que podem ser encontrados em quase todos os lugares da atmosfera de Vénus – como o dióxido de enxofre – emitem sinais mais fracos do que os gases distribuídos a uma escala menor,” disse o coautor Alex Akins, investigador no JPL.

Este fenómeno, conhecido como diluição da linha espectral, não teria afetado as observações do Telescópio James Clerk Maxwell, levando a uma subestimação de quanto dióxido de enxofre estava a ser visto pelo telescópio.

“Eles inferiram uma baixa deteção de dióxido de enxofre por causa do sinal artificialmente fraco do ALMA,” disse Lincowski. “Mas os nossos modelos sugerem que os dados da linha diluída do ALMA ainda seriam consistentes com quantidades típicas ou até mesmo grandes quantidades de dióxido de enxofre, o que podia explicar totalmente o sinal observado pelo Telescópio James Clerk Maxwell.”

“Quando esta nova descoberta foi anunciada, a baixa abundância relatada do dióxido de enxofre estava em desacordo com o que já sabíamos sobre Vénus e sobre as suas nuvens,” disse Meadows. “O nosso novo trabalho fornece uma estrutura completa que mostra como as quantidades típicas de dióxido de enxofre na mesosfera de Vénus podem explicar tanto as deteções do sinal como as não-deteções nos dados do Telescópio James Clerk Maxwell e do ALMA, sem a necessidade da fosfina.”

Com equipas científicas de todo o mundo a prosseguir com novas observações deste vizinho planetário envolto em nuvens, este novo estudo fornece uma explicação alternativa para a alegação de que algo geológico, químico ou biológico devia estar a gerar fosfina nas nuvens. Mas embora este sinal pareça ter uma explicação mais simples – com uma atmosfera tóxica, uma pressão avassaladora e as temperaturas mais quentes do nosso Sistema Solar à exceção do Sol – Vénus permanece um mundo de mistérios, com muito ainda por explorar.

https://zap.aeiou.pt/fosfina-detetada-venus-pode-afinal-dioxido-enxofre-376708

 

Pinglé e Wright têm 16 e 18 anos - Acabam de descobrir quatro exoplanetas !

 

Recorrendo a dados do telescópio espacial TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), dois alunos do Ensino Secundário, residentes nos Estados Unidos, descobriram quatro exoplanetas a 200 anos-luz de distância da Terra.

Kartik Pinglé, de 16 anos, e Jasmine Wright, de 18 anos, vasculharam os dados do TESS e descobriram quatro novos mundos ao abrigo de um programa escolar desenvolvido pelo Centro de Astrofísica Harvard & Smithsonia.

Em causa está o Student Research Mentoring Program (SRMP), uma iniciativa conduzida pela astroquímica Clara Sousa-Silva, que visa criar uma ponte entre alunos locais do Ensino Secundário e o mundo da investigação científica.

Durante o programa, que prioriza alunos oriundos de minorias sub-representadas e tem a duração de um ano, os alunos trabalham sob o acompanhamento de mentores.

É uma grande curva de aprendizagem (…) No final do programa, os alunos podem dizer que levaram a cabo pesquisas ativas e de ponta no campo da Astrofísica”, explicou Clara Sousa-Silva, citada em comunicado.

Apesar de este ser um programa com já há alguns anos, Kartik Pinglé e Jasmine Wright protagonizaram uma experiência única, uma vez que publicaram, como co-autores, as descobertas dos quatro exoplanetas na conceituada revista The Astronomical Journal.

“Apesar de este ser um dos objetivos do SRMP, é extremamente incomum que alunos do Ensino Secundário sejam co-autores de artigos periódicos“, continuou a cientista, recordando que estes estudos passam pela revisão de pares.

De olhos postos na TOI 1233

Os dois jovens norte-americanos, orientados por Tansu Daylan, pós-doutorado do Instituto de Astrofísica e Pesquisa Espacial MIT Kavli, debruçaram-se sobre o TESS Object of Interest (TOI) 1233, uma estrela brilhante próxima do Sol.

Para perceber se um planeta estava a girar em torno da estrela, Pinglé e Wright focaram-se na luz oriunda de TOI-1233. “Estávamos à procura de mudanças na luz ao longo do tempo. A ideia é: se um determinado planeta transitar pela estrela, ou passar à sua frente, este encobrirá [periodicamente] a estrela e fará diminuir o seu brilho“, explicou Pinglé.

Analisando os dados, a equipa descobriu não um, mas quatro planetas a orbitar a estrela.

“Fiquei muito animado e chocado”, confessou Wright, acrescentando: “Sabíamos que este era o objetivo da pesquisa do Daylan, mas foi realmente incrível encontrar um sistema multiplanetário e fazer parte da equipa de descoberta”.

Três dos planetas em causa são “sub-Neptunos”, isto é, mundos gasosos semelhantes a Neptuno, mas como dimensões menores. Estes planetas demoram entre seis a 19,5 dias terrestres para completar uma rotação em torno de TOI-1233.

O quarto planeta é uma “super-Terra”, um mundo rochoso maior da que a Terra e orbita a sua estrela em pouco menos de quatro dia terrestres.

Situação de win-win

Na mesma nota, Daylan considera que a inclusão de Pinglé e Wright na sua investigação foi benéfico quer para os alunos, quer para si próprio – uma situação de win-win.

“Como investigador, gosto muito de interagir com cérebros jovens, que estão abertos à experimentação e à aprendizagem e têm preconceito mínimo (…) Também acho que é muito benéfico para os alunos do Ensino Secundário, pois têm contacto com investigações de ponta e isso prepara-os rapidamente para uma carreira na investigação”, considerou.

Graças a uma parceria com a cidade de Cambridge, os alunos recebem quatro horas semanais pelas investigações que concluem. “São cientistas assalariados”, diz Sousa-Silva.

“Queremos incentivá-los a pensar que seguir uma carreira académica é agradável e gratificante – não importa o que acabem por escolher fazer na vida”, rematou.

Pinglé, que está no segundo ano do Ensino Secundário, poderá estudar Matemática aplicada ou Astrofísica, enquanto Wright acaba de ser aceite para um programa de Mestrado de cinco anos em Astrofísica na Universidade de Edimburgo, na Escócia.

https://zap.aeiou.pt/alunos-descobrem-quatro-exoplanetas-376496

Há uma explicação alternativa para a formação do Sistema Solar

Planetas terrestres vs. gigantes de gás e gelo: uma nova teoria que explica porque é que o Sistema Solar interior é tão diferente das regiões exteriores vai contra a sabedoria predominante. A teoria foi proposta por um grupo internacional de investigadores.

Mercúrio, Vénus, Terra e Marte no Sistema Solar interior são planetas relativamente pequenos e secos, ao contrário de Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno nas regiões exteriores, planetas que contêm quantidades muito maiores de elementos voláteis.

“Nos últimos anos, também descobrimos outra grande diferença entre as duas partes do Sistema Solar,” diz Maria Schönbächler, professora no Instituto de Geoquímica e Petrologia da Universidade de Zurique, continuando: “Os meteoritos têm uma ‘impressão digital’ diferente dependendo se tiveram origem no Sistema Solar interior ou exterior.”

A sua origem determina o conteúdo isotópico dos meteoritos. Os isótopos são átomos distintos de um determinado elemento, que partilham o mesmo número de protões nos seus núcleos, mas variam no número de neutrões.

A explicação atual para as diferenças na composição química dos planetas e meteoritos é a seguinte: há 4,5 mil milhões de anos, à medida que o Sistema Solar se formava a partir de um disco de gás e poeira, Júpiter foi o primeiro a desenvolver-se. Este dividiu o disco numa região interna e noutra externa e bloqueou a troca de materiais entre as duas.

“Como um grupo de investigadores, colaborando numa série de disciplinas, desenvolvemos um novo modelo de formação planetária. Fornece uma explicação alternativa para as diferenças nos isótopos, e Júpiter não desempenha um papel,” explica Schönbächler.

A ideia da nova teoria surgiu por meio da colaboração entre cientistas do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique e da Universidade de Zurique no NCCR (National Centre of Competence in Research) PlanetS, da qual Schönbächler faz parte. Agora, a equipa internacional publicou o seu trabalho na revista Science.

Duas ondas de formação em diferentes pontos no tempo

“Usámos simulações de computador para calcular o que podia ter acontecido no início do Sistema Solar,” diz Tim Lichtenberg da Universidade de Oxford, autor principal do estudo e ex-membro do NCCR PlanetS, que fez o seu doutoramento no Instituto Federal de Tecnologia de Zurique.

De acordo com estas simulações, o Sistema Solar interior e o Sistema Solar exterior foram formados em duas ondas separadas e em dois momentos diferentes. Muito cedo, quando o disco original de poeira e gás, bem como o Sol, ainda se estavam a formar, surgiram os primeiros blocos de construção dos planetas interiores – os especialistas referem-se a estas peças, que medem cerca de 100 km, como planetesimais.

Aqui a chamada linha da neve desempenha um papel fundamental, que se formou a uma certa distância do Sol ainda muito jovem. Dentro desta linha da neve, a água existia como vapor, enquanto a água para lá transformava-se em cristais de gelo. Logo do lado de fora da linha da neve, parte do vapor de água condensou-se em grãos de poeira, que se agregaram para formar os primeiros planetesimais.

“Estes eram extremamente ricos em água,” explica Lichtenberg, acrescentando: “Isto é uma grande surpresa, porque significa que a Terra deveria ter retido muito mais água e, portanto, hoje deveria parecer-se mais com um cometa.”

Aqui, também, a nova teoria fornece uma explicação: o disco de poeira continha o isótopo radioativo alumínio-26, que os blocos de construção planetária herdaram. Tem uma meia-vida de 700 mil anos e liberta uma grande quantidade de energia à medida que se decompõe – o suficiente para aquecer planetesimais por dentro e derretê-los. Isto levou à formação de núcleos de ferro e à evaporação da água e de outros elementos voláteis.

Linha da neve moveu-se para fora

“No nosso modelo, depois da formação dos primeiros planetesimais no Sistema Solar interior, nada aconteceu durante cerca de meio milhão de anos,” explica Lichtenberg.

Surgiu então uma segunda onda de formação planetesimal, só que desta vez no Sistema Solar exterior. Com o aquecimento do disco de gás e poeira, a linha da neve moveu-se para fora, e as partículas de poeira que se moviam em direção ao Sol ficaram retidas na nova fronteira. Os investigadores descrevem-na como um “engarrafamento”, que deu origem a novos planetesimais.

“A formação dos planetas no Sistema Solar exterior começou mais tarde, mas também terminou mais depressa; os planetas interiores precisaram de muito mais tempo,” acrescentou Lichtenberg.

Dado que o segundo processo começou mais tarde, uma grande parte do alumínio-26 radioativo já havia decaído, o que significa que uma quantidade mais pequena de elementos voláteis evaporou. Como resultado, a região externa viu a formação de gigantes de gás e gelo como Júpiter, Saturno ou Úrano.

Nova combinação de dados atuais

“O nosso modelo também lança uma nova luz sobre o crescimento dos planetesimais originais no Sistema Solar interior, que continuaram até formar os planetas terrestres como a nossa Terra,” diz Schönbächler.

De acordo com o modelo, a fase inicial foi dominada por colisões entre os planetesimais. Mais tarde, a gravidade destes corpos fez com que atraíssem e acumulassem partículas de poeira num processo que os especialistas chamam de “acreção de seixos”.

Seguiu-se outra fase de colisões até ao fim do processo de formação da Terra, quando colidiu com um último grande pedaço. Este impacto fez com que o jovem planeta ejetasse material que acabou por formar a Lua. As simulações também ilustram como os planetas migraram para mais perto do Sol à medida que se formavam, antes de se estabelecerem nas órbitas que vemos hoje.

“No nosso estudo, propomos um cenário geral que reproduz a composição e a história da formação do Sistema Solar,” diz Lichtenberg.

E, de facto, os cálculos de computador correspondem aos dados de análises de meteoritos e observações astronómicas.

“Esta combinação de dados atuais de meteoritos e modelos de desenvolvimento é nova,” diz Schönbächler, “e estou encantada com a forma como tudo se alinha.”

https://zap.aeiou.pt/explicacao-formacao-sistema-solar-376726

 

Civilização prosperou no deserto do Atacama graças às fezes de uma ave marinha

Deserto do Atacama, no Chile.

Uma civilização pré-Inca prosperou no deserto do Atacama, aquele que é um dos lugares mais secos do planeta. Isto foi possível graças a um fertilizante feito com fezes de uma ave marinha.

O deserto do Atacama, no norte do Chile, é um dos lugares mais secos do planeta – durante muitos anos não choveu absolutamente nada. Para as comunidades agrícolas sobreviverem e prosperarem, precisariam de água e nutrientes do solo, ambos escassos.

No entanto, havia pessoas a viver no Atacama muito antes da tecnologia moderna. A escassez de água foi resolvida com água de oásis e sistemas complexos de irrigação. Para os nutrientes do solo, a solução que encontraram – séculos antes da chegada dos incas, por volta de 1450 – foi trazer um superfertilizante da costa na forma de excrementos de uma ave marinha, conhecidos como “guano”.

Esta foi a principal descoberta de um novo estudo publicado na revista Nature Plants, no qual os investigadores analisaram os restos de 246 colheitas e plantas silvestres encontradas em 14 sítios arqueológicos no Atacama. Essas plantas cobrem um período de quase 3 mil anos, abrangendo várias civilizações antigas, seguidas pela Inca e, finalmente, o período da colonização europeia até 1800.

Uma forma de saber se o guano foi usado para fertilizar essas plantas antigas é procurar as proporções dos isótopos de azoto (15N / 14N) nos seus restos. Esses dois isótopos diferem apenas na massa atómica, mas, como resultado, comportam-se de maneira um pouco diferente nos sistemas naturais e, portanto, podem atuar como marcadores de processos bioquímicos naturais.

Os cientistas sabem que mesmo pequenas quantidades de fertilizante de guano têm um grande impacto nas proporções de isótopos de azoto no milho moderno, elevando-as muito acima do que é possível naturalmente ou usando qualquer outro fertilizante.

Quando os investigadores olharam para restos de colheitas arqueológicas, incluindo milho, abóbora e pimenta-malagueta, encontraram proporções de isótopos semelhantes em plantas que datam de cerca de 1000 d.C em diante.

Os rácios de isótopos de azoto encontrados em esqueletos humanos da região, bem preservados nas condições áridas, também mudaram dramaticamente em paralelo com as plantações. Anteriormente, os cientistas pensavam que isto mostrava que as pessoas comiam peixe, que são conhecidos por terem altas taxas de isótopos de azoto, especialmente aqueles na costa do Chile, graças às águas muito frias e ricas em nutrientes da Corrente de Humboldt.

Os autores deste novo estudo descobriram que as pessoas nas antigas comunidades do Atacama obtiveram estes altos valores de isótopos de azoto dos peixes – exceto que foi indiretamente, através de aves marinhas que comeram os peixes e cujas fezes eram depois usadas como fertilizante para as plantações.

Desigualdade de guano

Os investigadores também descobriram que nem todos parecem ter tido acesso a este superfertilizante. Embora houvesse sinais de que as altas taxas de isótopos de azoto aumentaram significativamente nos grãos de milho de 1000 d.C. em diante, indicando um aumento considerável na produtividade das colheitas e permitindo assentamentos maiores, alguns grãos careciam desta evidência. Em vez disso, mostraram sinais de outros fertilizantes, como esterco de lamas.

Esqueletos dos mesmos cemitérios e datando do mesmo período também mostraram diferenças dramáticas nas proporções de isótopos de azoto, sugerindo que não havia uma distribuição uniforme pela comunidade.

Pode ser que algumas famílias ou clãs tivessem ligações privilegiadas com a costa (a cerca de 90 km de distância) e pudessem obter guano de aves marinhas e usá-lo principalmente para o seu próprio benefício como fonte de poder e prestígio. O deserto floresceu – mas para alguns mais do que para outros.

https://zap.aeiou.pt/civilizacao-prosperou-atacama-fezes-376442

 

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