quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

A sonda Tianwen-1 revelou novas selfies do Planeta Vermelho !

A sonda chinesa Tianwen-1 enviou à Terra um presente de Ano Novo: novas imagens de Marte, captadas por uma pequena câmara que fotografou livremente o Planeta Vermelho.

Tiradas por uma pequena câmara libertada pelo orbitador da sonda, as novas imagens dão uma visão sem precedentes de uma nave espacial em órbita em torno de outro planeta.

A Tianwen-1 surge acima do pólo norte de Marte, com as suas antenas e matrizes solares em exposição. As fotografias dão-nos também um vislumbre da calota de gelo norte do Planeta Vermelho.

Segundo o Live Science, as quatro fotografias foram divulgadas pela Administração Espacial Nacional da China (CNSA) e receberam muita atenção dos meios de comunicação social e de engenheiros de outras agências espaciais.

Além de serem espantosas e nos darem mais detalhes sobre Marte, as imagens têm também alguma utilidade prática, revelando o estado de Tianwen-1 após mais de um ano no Espaço profundo.

“O orbitador está, atualmente, em muito bom estado. Podemos vê-lo a orbitar Marte, assim como as asas do painel solar, a antena direcional e algumas das instalações da antena”, detalhou Sun Zezhou, designer do sistema.

A sonda Tianwen-1 tem orbitado o Planeta Vermelho desde fevereiro de 2021. Com o pouso do rover Zhurong na superfície marciana, em maio, a China tornou-se segundo país a realizar o feito com sucesso, depois dos Estados Unidos.

O rover passou, até agora, mais de 220 dias a trabalhar no planeta e fez mais de 1,4 quilómetros. Para os especialistas, o veículo “excedeu em muito” a esperança de vida, estimada em cerca de três meses.


O grande sucesso desta missão inspirou a China a preparar novas aventuras no Espaço. A Tianwen-2, voltada para a exploração e recolha de amostras de asteroides próximos da Terra, “está pronta para ir para a próxima etapa do desenvolvimento do protótipo”, revelou Zhang Rongqiao, responsável da primeira missão interplanetária.

Já a Tianwen-3, uma missão que também se encontra em desenvolvimento, foi pensada para a recolha de amostras de Marte.

https://zap.aeiou.pt/sonda-tianwen-1-selfies-marte-455061


Oceano Pacífico em perigo - Contaminação radioativa; Japão planeja despejar água da usina de Fukushima no Oceano Pacífico !

Um milhão de toneladas de água contaminada será liberada em dois anos

Por Mong Palatino e Nevin Thompson

Pessoas em comunidades costeiras do Japão, acompanhadas por vozes de todo o mundo, denunciaram um novo plano governamental para despejar água contaminada do local do desastre nuclear de Fukushima no Oceano Pacífico. Comunidades locais e outras nações no Oceano Pacífico temem que o despejo envenene o meio ambiente e prejudique as indústrias locais de pesca e turismo que lutaram para se recuperar do acidente nuclear de março de 2011 na costa nordeste do Japão por mais de uma década.

De acordo com um plano do governo divulgado em 28 de dezembro de 2021, a Tokyo Electric Power Company (TEPCO) começará a liberar 1 milhão de toneladas métricas de água radioativa da usina de Fukushima no Oceano Pacífico em 2023. O plano, que ainda está sendo desenvolvido ao longo do próximos meses, afirma que um túnel submarino será construído para bombear a água para o mar. Os fundos também foram reservados para compensar as indústrias locais de pesca e turismo por possíveis “danos à reputação”.

Em março de 2011, um terremoto e tsunami causaram o derretimento de três reatores nucleares operados pela TEPCO em Fukushima. Com o passar dos anos, a água subterrânea que fluía pelas usinas foi contaminada com conteúdo radioativo. Para evitar que essa água chegue ao oceano, ela foi bombeada dos prédios do reator para grandes tanques que agora dominam a instalação do reator.

Uma captura de tela do vídeo do YouTube do Projeto Manhattan por um Mundo Livre de Nucleares apresentando mães japonesas dos distritos de Okuma e Futaba protestando contra o plano de despejar água radioativa no Oceano Pacífico. Em dezembro de 2021, pelo menos 1 milhão de toneladas de água contaminada estavam armazenadas nos tanques dentro da Central Nuclear de Fukushima Daiichi. Enquanto os contaminantes altamente radioativos são removidos, a água armazenada que o governo japonês planeja bombear para o mar ainda contém quantidades significativas de trítio, um elemento radioativo que alguns especialistas dizem ser inofensivo quando diluído na água do mar. O plano do governo japonês para bombear a água contaminada está em andamento desde 2020. O Greenpeace disse em abril de 2021 que coletou 183.000 assinaturas se opondo ao plano de despejar água da usina de Fukushima. Também em abril de 2021, grupos da sociedade civil sul-coreana emitiram uma declaração condenando o plano da TEPCO, observando, “mesmo se diluído, a quantidade total de material radioativo jogado no mar permanece inalterado. Se as águas residuais radioativas forem descarregadas, será um desastre irrevogável não apenas para o ecossistema marinho, mas também para o ser humano. ” A questão foi abordada durante a Reunião de Ministros das Relações Exteriores do Fórum das Ilhas do Pacífico em julho de 2021, e o órgão fez a seguinte declaração: Os Ministros das Relações Exteriores do Fórum observaram as preocupações em torno da seriedade desta questão em relação à ameaça potencial de contaminação nuclear adicional de nosso Pacífico Azul e os impactos adversos e transfronteiriços potenciais para a saúde e segurança do Continente do Pacífico Azul, e seus povos tanto no curto e longo prazo. Em novembro de 2021, a TEPCO disse que sua avaliação de impacto radiológico mostrou impacto mínimo sobre o meio ambiente: A avaliação concluiu que os efeitos da descarga de água tratada ALPS (Advanced Liquid Process System) no mar no público e no meio ambiente são mínimos, já que as doses calculadas foram significativamente menores do que os limites de dose, metas de dose e os valores especificados por organizações internacionais para cada espécie. A TEPCO garantiu ao público que está continuamente atualizando seus estudos científicos sobre o plano de lançamento de água processada no Pacífico. Mas as dúvidas permanecem sobre seus relatórios, principalmente porque ainda existem poucos planos concretos sobre como e onde a água contaminada será despejada, tornando difícil para observadores externos avaliar o risco. O Pacific Collective on Nuclear Issues, que representa as organizações da sociedade civil com sede na Oceania, refuta a veracidade desses estudos. Também traz uma mensagem para a TEPCO e o governo japonês: O Pacífico não é e não deve se tornar um depósito de lixo nuclear. O Coletivo considera que a TEPCO, e as agências governamentais japonesas relevantes, priorizaram erroneamente a conveniência e os custos em relação ao custo ambiental e humano de curto e longo prazo de suas ações planejadas. Os residentes japoneses também expressaram preocupação com o plano da TEPCO. O Greenpeace entrevistou o pescador Ono Haruo do município de Shinchi em Fukushima, que ecoou os sentimentos da população local: Os peixes estão finalmente começando a voltar depois de dez anos, mas se agora derramarem trítio na água, não importa o quanto o diluam, quem vai comprar esses peixes? Quem quer comer peixe envenenado? O oceano é o nosso local de trabalho. Você pode imaginar como é ser poluído intencionalmente? Levará 30 ou 40 anos antes de vermos os efeitos. A relação causal terá se tornado obscura e será impossível provar qualquer coisa. O que vai acontecer com o futuro de nossos filhos, nossos netos? Não está nem claro quem vai assumir a responsabilidade. Um grupo de mães na cidade de Iwaki, Fukushima, participou de um protesto em novembro de 2021 se opondo ao plano de despejar água contaminada no oceano. Os municípios de Okuma e Futaba, que hospedam o complexo Fukushima Daiichi, experimentaram um despovoamento quase completo na última década.

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Nova variante da covid identificada em França com mais de 40 mutações genéticas !


A França identificou uma nova variante de covid-19, que tem mais de 40 mutações genéticas, com uma delas associada a um potencial aumento da transmissão do vírus.

A agência EFE noticiou, esta terça-feira, que, segundo os investigadores do Instituto Hospitalar Universitário (IHU) de Marselha que fizeram a descoberta, a nova estirpe do SARS-CoV-2 tem 46 mutações, com uma associada a um possível aumento de contágios.

A variante, da qual pouco ainda se sabe, foi batizada pelos cientistas com as iniciais do instituto, IHU, e deriva de uma outra, a B.1.640, detetada em finais de setembro de 2021 na República do Congo e atualmente sob vigilância da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em França, os primeiros casos da nova variante, que tem a designação técnica B.1.640.2, foram detetados na localidade de Forcalquier, na região de Provença-Alpes-Costa Azul.

Na mesma região, mas em Marselha, uma dezena de casos surgiram associados a viagens aos Camarões, país que faz fronteira com a República do Congo.

O IHU de Marselha, especialista em doenças infecciosas, é dirigido pelo polémico médico Didier Raoult, que recebeu uma advertência da Ordem dos Médicos francesa por ter violado o código de ética, ao promover o uso do antimalárico hidroxicloroquina como tratamento para a covid-19 sem provas da sua eficácia.

A covid-19 é uma doença respiratória causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado há dois anos em Wuhan, cidade do centro da China, e que se disseminou rapidamente pelo mundo.

A variante Ómicron, identificada em novembro, é a mais contagiosa de todas as variantes do coronavírus consideradas de preocupação, apresentando mais de 30 mutações genéticas na proteína da spike, a “chave” que permite ao vírus entrar nas células humanas.

Vários países, incluindo Portugal e França, têm atingindo recordes diários de infeções devido à circulação desta variante.

https://zap.aeiou.pt/nova-variante-da-covid-identificada-455195

 

Coronavírus: “Produzimos a vacina e não queremos dinheiro - É uma oferta” !


De um hospital pediátrico no Texas chega uma nova vacina, sem patente, e que já está chegou à Índia.

Chama-se Corbevax e é uma vacina contra o coronavírus. Mas esta vacina proveniente dos Estados Unidos da América não é “mais uma” vacina que vai ser comercializada em dezenas de países. Foi anunciada apenas na semana passada e tem algo diferente.

Investigadores do hospital pediátrico do Texas e da escola de medicina de Baylor (também no Texas) produziram uma vacina que tem a particularidade de a patente…não existir.

“O nosso centro pediátrico do Texas não planeia ganhar dinheiro com isto, é uma oferta para o mundo“, explicou Peter Hotez, um dos líderes deste projecto.

Como não há patentes nem outras burocracias extra envolvidas, esta vacina, sublinha o professor, deverá ser a vacina mais barata de todas, entre as que já foram produzidas para tentar travar a COVID-19.
 
Esta é uma parceria entre os norte-americanos e uma empresa indiana de produtos biológicos, a Biological E. Limited. O investigador indicou que já há 150 milhões de doses disponíveis e, a partir de Fevereiro, vão ser produzidas 100 milhões de doses por mês – mais do que os números previstos pelo próprio governo dos EUA.

A nível técnico, Peter Hotez explicou que, para produzir esta vacina, foi utilizada uma antiga tecnologia de fermentação de levedura de proteína recombinante, semelhante à usada para a vacina contra a hepatite B (que existe há 40 anos).

Os resultados dos ensaios clínicos foram comparados com os números de uma vacina já aprovada, a Covishield (versão indiana da Astrazeneca), e confirmaram a sua eficácia. A vacina pode ser produzida em cada país; o hospital do Texas já transferiu a tecnologia para produtores de Índia, Indonésia, Bangladesh e Botswana.

A equipa de investigadores reuniu mais de 20 cientistas e foi liderada por Peter Hotez e por Maria Elena Bottazzi, também professora e uma das directoras no hospital pediátrico do Texas.

A investigação conjunta entre instituições de EUA e Índia começou no final de 2020 e houve ensaios clínicos ao longo de 2021, com milhares de participantes. Depois disso, a Corbevax mostrou ser segura e eficaz.

https://zap.aeiou.pt/coronavirus-vacina-oferta-455351

 

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Nova vacina contra a covid-19 tem imunidade vitalícia e já mostrou resultados promissores em animais !


O Japão está a trabalhar numa vacina contra a covid-19 que oferece imunidade ao longo da vida inteira, e não apenas temporariamente.

Investigadores do Instituto Metropolitano de Ciências Médicas de Tóquio estão a trabalhar numa vacina que não só proporciona imunidade vitalícia contra o vírus SARS-CoV-2, como também poderia ser transportada à temperatura ambiente para cantos longínquos do mundo, informou o The Japan Times.

À medida que as infeções causadas pela variante Ómicron aumentam no mundo, os países podem, em breve, ter de enfrentar a difícil decisão de impor restrições mais rigorosas ou deixar a variante fluir através da população.

Segundo a Interesting Engineering, as vacinas estão a reduzir a gravidade da doença, mas são ineficazes para travar a propagação da infeção altamente transmissível.

Enquanto as empresas de vacinas desenvolvem doses de reforço, específicas para cada variante, surge agora a notícia de uma única vacina, com duração vitalícia.

Michinori Kohara e a equipa de investigadores que estão a liderar o desenvolvimento da vacina de uso único também criaram uma das vacinas mais bem sucedidas da história, uma contra a varíola.

A equipa utiliza uma estirpe do vírus que não causa doença, mas substituiu alguns dos seus componentes proteicos pelos da proteína SRA-CoV-2.

Embora combinar a proteína com um mecanismo de entrega diferente seja uma estratégia normalmente utilizada na conceção da vacina nos dias de hoje, Kohara está confiante de que a sua vacina pode não só fornecer anticorpos neutralizantes potentes com uma única dose, mas também induzir uma forte imunidade celular que oferece proteção a longo prazo.

As experiências realizadas em ratos mostraram que os vacinados mantinham níveis elevados de anticorpos, durante os seus anos médios de vida.

Quando foram administradas duas doses, com três semanas de intervalo, os anticorpos neutralizantes aumentaram dez vezes, segundo o estudo.

Experiências semelhantes realizadas em macacos mostraram que a vacina os protegia da infeção, uma vez que os níveis do vírus nos animais vacinados permaneciam inferiores aos limites de deteção, sete dias após terem sido infetados com o coronavírus.

Kohara também realçou ao The Japan Times que a vacina oferece a vantagem adicional de produzir menos efeitos secundários, em comparação a outras vacinas, às quais foram concedidas autorizações de utilização de emergência.

A estirpe não patogénica utilizada na conceção da vacina é incapaz de se replicar em mamíferos, e produz menos efeitos secundários, alegou o investigador.

Os investigadores testaram a vacina contra as quatro variantes de coronavírus, anteriormente relatadas como preocupantes, e consideraram-na eficaz.

Kohara sublinha também que a vacina não só funciona contra a Ómicron, como também pode ser armazenada à temperatura ambiente, sendo fáceis de transportar e administrar em países com climas tropicais.

O Instituto Metropolitano de Ciências Médicas de Tóquio não tem experiência anterior em comercialização de vacinas e contratou a Nobelpharma Co, fabricante de medicamentos domésticos, para a levar a cabo através de ensaios clínicos.

A primeira e segunda fases de ensaios clínicos em humanos só devem ter início em 2023, seguidas de uma fase de ensaio mais vasta, se não surgirem preocupações de eficácia e segurança. Se tudo correr bem, a vacina poderá estar disponível no mercado a partir de 2024.

https://zap.aeiou.pt/nova-vacina-contra-a-covid-19-tem-imunidade-vitalicia-e-ja-mostrou-resultados-promissores-em-animais-454724


Cura para a doença de Parkinson pode estar mais perto do que imaginamos !


Cientistas da Universidade de Bath otimizaram o peptídeo 4554W, conhecido por evitar o erro proteico que dá origem à doença de Parkinson, tornando-o um forte candidato ao desenvolvimento futuro de uma cura.

Segundo a SciTechDaily, uma molécula que pode prevenir a doença de Parkinson foi aperfeiçoada por cientistas da Universidade de Bath, e tem p potencial de se tornar um medicamento eficaz no tratamento desta doença neurodegenerativa incurável.

De acordo com Jody Mason, professor que liderou a investigação do Departamento de Biologia e Bioquímica, “ainda há muito trabalho a fazer, mas esta molécula tem o potencial de ser precursora de um fármaco”.

“Hoje só existem medicamentos para tratar os sintomas de Parkinson. Esperamos desenvolver um medicamento que possa devolver a saúde às pessoas, mesmo antes de os sintomas se desenvolverem”, acrescentou o docente.

A doença de Parkinson é caracterizada pela proteína alfa-sinucleína (αS) em células humanas “desorganizadas”, abundante em todos os cérebros humanos.  

Depois de se “desdobrar”, acumula-se em grandes massas, conhecidas como corpos de Lewy. Estas massas consistem em αS agregados que são tóxicos para as células cerebrais produtoras de dopamina, provocando a sua morte.

É esta queda na dopamina que desencadeia os sintomas de Parkinson, à medida que os sinais transmitidos do cérebro para o corpo se tornam ruidosos, levando aos tremores característicos vistos nos doentes.

Os cientistas já analisaram um vasto conjunto de peptídeos, cadeias curtas de aminoácidos que são os blocos de construção das proteínas, para encontrar o melhor candidato que previna o agregado de αS.

Dos 209.952 peptídeos analisados em estudos anteriores, o peptídeo 4554W mostrou ser o mais promissor, inibindo o αS de se agregar em experiências de laboratório, tanto em soluções como em células vivas.

No mais recente estudo, publicado a 3 de dezembro na Science Direct, o mesmo grupo de cientistas aperfeiçoou o peptídeo 4554W para otimizar a sua função.

A nova versão da molécula, 4654W(N6A), contém duas modificações na sequência amino-ácida parental, e provou ser significativamente mais eficaz do que a sua predecessora na redução da agregação e toxicidade de αS.

No entanto, ainda que a molécula modificada continue a ter sucesso em experiências de laboratório, a cura para a doença ainda está a muitos anos de distância.

Richard Meade, o autor principal do estudo, explicou que “as tentativas anteriores de inibir a agregação de alfa-sinucleína com pequenas moléculas têm sido infrutíferas, uma vez que são demasiado pequenas para inibir interações proteicas tão grandes”.

“É por isso que os peptídeos são uma boa opção — são suficientemente grandes para impedir a agregação da proteína, mas suficientemente pequenos para serem utilizados como droga”, realça.

“A eficácia do peptídeo 4654W(N6A) na agregação de alfa-sinucleína e sobrevivência celular em culturas é muito empolgante, pois mostra que agora sabemos onde visar a proteína alfa-sinucleína para suprimir a sua toxicidade“, nota o autor.

“Esta investigação não só conduzirá ao desenvolvimento de novos tratamentos para prevenir a doença, mas também está a revelar mecanismos fundamentais da própria doença, promovendo a nossa compreensão da razão pela qual a proteína se desdobra em primeiro lugar”, sublinha.

O docente acrescentou ainda que o próximo passo seria “levar este peptídeo para a clínica. Precisamos de encontrar formas de o modificar ainda mais, para que se assemelhe mais a um medicamento e possa atravessar membranas biológicas e entrar nas células do cérebro. Isto pode significar o afastamento dos aminoácidos naturais para as moléculas que são feitas no laboratório”.

Esta investigação pode também permitir avanços na a doença de Alzheimer, diabetes tipo 2 e outras doenças graves, nas quais os sintomas são desencadeados por uma “má administração” de proteínas.

Rosa Sancho, chefe de investigação na Alzheimer’s Research UK, acrescentou que “encontrar formas de impedir que a alfa-sinucleína se torne tóxica e danifique as células cerebrais pode dar um novo caminho aos futuros medicamentos para doenças como Parkinson e a demência com corpos de Lewy“.

“Estamos satisfeitos por termos apoiado este importante trabalho para desenvolver uma molécula que possa impedir que a alfa-sinucleína deixe de se desdobrar. A molécula foi testada em células de laboratório e necessitará de mais desenvolvimento e testes antes de poder ser transformada num tratamento. Este processo levará vários anos, mas é uma descoberta promissora que poderá abrir o caminho para um novo medicamento no futuro”, realça a docente.

“Atualmente não existem tratamentos para a doença de Parkinson, ou para a demência com corpos de Lewy, razão pela qual o investimento nesta investigação é crucial para todos aqueles que vivem com estas doenças“, conclui.

https://zap.aeiou.pt/cura-para-a-doenca-de-parkinson-pode-estar-mais-perto-do-que-imaginamos-454486

Mistério de 40 anos resolvido. Já sabemos como é que as células “comem” !


Um novo estudo pôs um ponto final num mistério que dura há 40 anos e descobriu como é que as células “comem” as substâncias que as rodeiam.

Da mesma forma que os nossos hábitos alimentares moldam o nosso corpo, a forma como as células “comem” tem um impacto significativo na saúde das mesmas.

A investigação, cujo artigo científico foi publicado na Developmental Cell, desmistificou a forma como a célula se adapta numa estrutura altamente curva que acaba por se transformar numa espécie de gaiola.

Segundo o professor de Física da Universidade Estatal do Ohio, Comert Kural, a curvatura da membrana controla a formação dos compartimentos que transportam substâncias para dentro e para fora da célula.

As bolsas capturam substâncias à volta da célula e formam-se em torno das substâncias extracelulares, antes de se transformarem em vesículas – pequenas bolsas com um milionésimo do tamanho de um glóbulo vermelho, detalha o Tech Explorist.  

As vesículas transportam elementos essenciais para a saúde de uma célula, mas podem também ser desviadas por agentes patogénicos capazes de as infetar.

O mistério da formação destas bolsas a partir de membranas que anteriormente se acreditava serem planas permaneceu sem resolução durante quase 40 anos.

“Foi uma controvérsia nos estudos celulares. Fomos capazes de usar imagens fluorescentes de super-resolução para ver estas bolsas a formarem-se dentro de células vivas e conseguimos, assim, responder a esta questão de como são criadas”, resumiu Kural.

“As nossas experiências revelaram que os andaimes proteicos começam a deformar a membrana subjacente assim que são recrutados para os locais de formação de vesículas”, acrescentou o cientista.

Isto contrasta com hipóteses anteriores de que os andaimes proteicos de uma célula tinham de passar por uma reorganização de energia intensiva para que a membrana se curvasse.

https://zap.aeiou.pt/como-e-que-as-celulas-comem-454435


Erupção de estrela de neutrões libertou energia equivalente à criada pelo Sol em 100 mil anos !


Foram medidas, pela primeira vez, as oscilações da luminosidade de um magnetar durante os seus momentos mais violentos. Em apenas um décimo de segundo, libertou energia equivalente à produzida pelo Sol em 100 mil anos.

Um magnetar é uma estrela de neutrões que se distingue por um campo magnético extremamente poderoso, cerca de mil vezes mais forte do que o de uma estrela de neutrões normal.

Estas estrelas são famosas na Astronomia por sofrerem erupções violentas, mas os investigadores conhecem muito poucos detalhes devido à sua natureza inesperada e ao seu curto tempo de duração de apenas dez décimos de segundo.

Recentemente, uma equipa internacional de cientistas observou o brilho de um magnetar durante um dos seus momentos mais violentos, graças a um sistema de Inteligência Artificial (IA) construído no Laboratório de Processamento de Imagem (IPL) da Universidade de Valência (UV), em Espanha.

“A explosão do magnetar, que durou aproximadamente um décimo de segundo, foi descoberta a 15 de abril de 2020“, revelou Víctor Reglero, professor de Astronomia e Astrofísica na Universidade de Valência, citado pelo Interesting Engineering.

A erupção do GRB2001415 foi detetada pelo instrumento Atmosphere Space Interactions Monitor, que se encontra atualmente na Estação Espacial Internacional (EEI). As oscilações registadas são consistentes com a emissão produzida pela interação das ondas de Alfvén, cuja energia é rapidamente absorvida pela crosta.

O processo de reconexão magnética e os impulsos identificados em GRB2001415 terminaram em poucos milissegundos, desvanecendo 3,5 milissegundos após o rebentamento principal.

Através desta análise, cujas conclusões surgem num artigo científico recentemente publicado na Nature, os astrónomos conseguiram estimar que o volume da erupção foi semelhante ou até maior que o da própria estrela de neutrões.

“Mesmo em estado inativo, os magnetares podem ser 100 mil vezes mais luminosos do que o nosso Sol. No caso do GRB2001415, a energia libertada é equivalente àquela que o nosso Sol irradia em 100 mil anos“, concluiu o investigador Alberto Castro-Tirado.

https://zap.aeiou.pt/estrela-de-neutroes-energia-sol-100-mil-454296

 

Erupção do Thera causou um tsunami há 3.600 anos - Agora, foi encontrada a primeira vítima !

Esqueleto da vítima do tsunami criado pela erupção do vulcão Thera-a
Uma equipa de arqueólogos da Universidade de Ancara, na Turquia, encontrou os restos mortais de um jovem e de um cão, vítimas do tsunami resultante da catastrófica erupção do vulcão Thera.

O jovem e o cão morreram há, aproximadamente, 3.600 anos, vítimas de um tsunami criado pela erupção do vulcão Thera, localizado na atual ilha de Santorini.

De acordo com o portal Phys, o evento foi tão poderoso que lhe foi atribuído a culpa pelo declínio da civilização Minóica na ilha de Creta.

Como os tsunamis têm a tendência de puxar os detritos e os corpos para o mar, não costumam deixar provas cobertas em terra. É por essa razão que nunca tinham sido encontrados restos mortais das vítimas do tsunami de Thera. Pelo menos, até agora.

Os esqueletos, humano e canino, foram descobertos no sítio arqueológico Çeşme-Bağlararası, perto de Çeşme Bay, na costa ocidental da Turquia. A datação por radiocarbono dos depósitos do tsunami, incluindo os restos mortais, sugere que o vulcão entrou em erupção por volta de 1612 a.C..

O artigo científico, publicado recentemente na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), revela que o evento, que aconteceu no final da Idade do Bronze, foi uma das “maiores catástrofes naturais testemunhadas na História da Humanidade”.

As provas no local – desde paredes danificadas, escombros, sedimentos e cinzas – mostram que a área foi atingida por vários tsunamis relacionados com a erupção.

Os investigadores acreditam que os restos mortais da vítima foram arrastados pelo fluxo de detritos e esmagados contra uma parede danificada.

Pela forma como o esqueleto foi encontrado, a equipa especula tratar-se de um homem que morreu jovem e que, muito provavelmente, fazia parte de uma equipa comunitária que procurava as vítimas do desastre nos escombros.

https://zap.aeiou.pt/erupcao-do-thera-tsunami-primeira-vitima-454371

 

O contacto com a natureza reduz significativamente a solidão !

De acordo com uma equipa de cientistas britânicos, o contacto com a natureza nas cidades reduz significativamente os sentimentos de solidão.

A solidão é uma grande preocupação para a saúde pública, e pode aumentar em 45% o risco de morte de uma pessoa — mais do que a poluição do ar, obesidade ou alcoolismo.

Um novo estudo, publicado em dezembro na Scientific Reports, foi o primeiro a avaliar de que forma o ambiente pode afetar a solidão, utilizando dados em tempo real, recolhidos através de uma aplicação de telemóvel, em vez de confiar na memória das pessoas sobre a forma como se sentiam.

Segundo o The Guardian, o estudo permitiu concluir que a solidão aumenta em média 39%, quando as pessoas estão inseridas em ambientes muito povoados.  

Mas quando são capazes de ter contacto com a natureza — como ver árvores, ver o céu ou ouvir passarinhos — os sentimentos de solidão diminuem em 28%.

A inclusão social também reduz a solidão em 21%, e quando ao mesmo tempo existe contacto com a natureza, os efeitos benéficos foram potenciados em ainda mais 18%.

Segundo os investigadores, devem ser feitas intervenções para reduzir a solidão. “Devem ser implementadas medidas específicas que aumente, a inclusão social e o contacto com a natureza, em especial nas cidades densamente povoadas”, consideram os autores do estudo, citados pelo jornal britânico.

Sabe-se que o tempo passado na natureza aumenta o bem-estar. No Reino Unido, estima-se, por exemplo, que os passeios florestais poupem ao país pelos menos 185 milhões de libras, em custos para a saúde mental, por ano.

“Pode haver aspetos, tais como elementos da natureza e inclusão social que podem de facto diminuir a solidão”, diz o professor Andrea Mechelli, um dos elementos da equipa de investigação e especialista em intervenção precoce em saúde mental no King’s College London, no Reino Unido, desafiando assim, a tradicional visão de que as cidades são lugares menos favoráveis para a saúde mental e para a solidão.

O especialista em arquitetura civil e paisagística Michael Smythe, que fez parte da equipa do estudo, diz que a saúde ambiental e a saúde pública são uma só e que para pessoas que trabalham com espaço público “validar o conhecimento que obtemos no terreno com dados é incrivelmente valioso para comunicar o valor destes espaços”.

Os investigadores recolheram dados de cidadãos urbanos de todos o mundo, utilizaram a aplicação de investigação Urban Mind. As pessoas foram solicitadas a responder a perguntas simples, três vezes ao dia, durante 15 dias e durante o acordar, sobre solidão, superpovoamento, inclusão social e contacto com a natureza.

“Sente-se confortável entre as pessoas à sua volta”, “consegue ver árvores neste momento?” foram duas das perguntas respondidas por mais de 750 pessoas obtendo 16.600 avaliações.

Os participantes voluntariaram-se para o estudo e por isso a amostra não era representativa das populações mais vastas. Mas quando os investigadores tiveram em consideração a idade, etnia, educação e ocupação, os benefícios do contacto com a natureza e os sentimentos de inclusão social sobre solidão permaneceram significativos.

Cristopher Gidlow, professor de investigação aplicada na área da saúde, na Universidade de Staffordshire no Reino Unido, que não estave envolvido na investigação, afirmou que o estudo acrescenta peso às provas já existentes da ligação com os ambientes naturais e aos potenciais benefícios para o bem-estar social.

“Há muito que se reconhece que o acesso a ambientes naturais pode fomentar interações sociais”, acrescentou o investigador. “A familiaridade com os ambientes não foi medida, mas é provável que esteja em jogo, uma vez que as pessoas tendem a visitar os mesmos ambientes naturais, criando ligações que possam gerar possíveis benefícios para a saúde mental”.

“As cidades são provavelmente o único habitat que está a aumentar a um ritmo elevado. Portanto deveríamos estar a criar espaços urbanos onde as pessoas possam viver. A natureza é uma parte crucial“, disse por seu turno a arquiteta paisagista Johanna Gibbons, elemento da equipa de investigação.

https://zap.aeiou.pt/o-contacto-com-a-natureza-reduz-a-solidao-453306


“Guerra dos sexos” - A prevalência de genes masculinos ou femininos pode ser determinante para o sucesso dos fetos !


De acordo com os investigadores, os “genes impressos paternalmente são gananciosos e egoístas, pelo que foi preciso extrair o máximo de recursos possível das dos equivalentes maternos”.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Cambridge identificou sinais importantes que de os fetos utilizam para controlar o fornecimento de nutrientes da placenta e evidenciar uma guerra de genes herdados do pai e da mãe. O estudo, realizado em ratos, pode ajudar a explicar o porquê de alguns bebés terem dificuldade em crescer no útero.

À medida que o indivíduo cresce, precisa de informar a mãe desse processo, mas também da sua cada vez maior necessidade de receber comida – com o processo de troca de nutrientes a ocorrer através dos vasos. No processo, a placenta é também um órgão extremamente importante – e especial – que contém células tanto do bebé como da mãe.

De acordo com os investigadores, entre 10 a 15% dos bebés têm um pobre crescimento no útero e das vasos sanguíneos na placenta, o que pode revelar-se prejudicial não só durante os períodos de gravidez, mas nos anos que se seguem. No entanto, num estudo publicado recentemente é possível perceber que, através dos ratos geneticamente modificados podem ser utilizados para gerar sinais que promovem o crescimento de vasos sanguíneos na placenta – mas também outras alterações na placenta, permitindo que mais nutrientes da mãe cheguem ao seu feto.

“Identificamos um método usado pelo feto para comunicar com a placenta para promover a dilatação correta destes vasos sanguíneos. Caso esta comunicação seja mal sucedida, os vasos sanguíneos não desenvolvem devidamente e o bebé acaba a comer toda a comida”, descreve Ionel Sandovici, o principal autor da investigação.

A equipa também descobriu que o feto envia um sinal normalmente conhecido como IGF2 que chega à placenta através do cordão umbilical. Nos humanos, os níveis de IGF1 no cordão umbilical aumentam de forma gradual desde as 29 semanas de gestação até ao fim do período de gravidez. No entanto, os bebés demasiado grandes ou demasiado pequenos têm mais probabilidade de sofrer ou morrer no parto, assim como sofrer de um risco acrescido de diabetes ou problemas cardíacos enquanto adultos.

“Há muito que sabemos que o IGF2 promove o crescimento dos órgãos nos quais é produzido. Este estudo mostra que o IGF2 também se comporta como uma hormona clássica produzida por um feto tanto no sangue fetal, no cordão umbilical e na placenta.”

Outro motivo de particular interesse no estudo prende-se com as descobertas relacionadas com a disputa do que está no útero. Nos ratos usados na experiência, a resposta ao IGF2 nos vasos sanguíneos da placenta é mediada por outra proteína chamada IGF2R. Ambos os genes que produzem IGF2 e IGF2R são “impressos”. Este é o processo pelo qual um interruptor molecular de um gene pode identificar a origem do seu pai e ligar ou desligar.

Outro dos autores do estudo, Miguel Constantia explicou que uma das teorias existentes sobre a impressão de genes diz respeito aos “genes impressos paternalmente que são gananciosos e egoístas – pelo que queremos extrair o máximo de recursos possível das nossas mães”.

“No nosso estudo, o gene paterno promove maiores exigências fetais, vasos sanguíneos e mais nutrientes, ao passos que os genes da mãe placentária procuram controlar a quantidade de nutrientes que ela fornece. Está a decorrer uma guerra entre homens e mulheres a nível genético.

https://zap.aeiou.pt/guerra-dos-sexos-a-prevalencia-de-genes-masculinos-ou-femininos-pode-ser-determinante-para-o-sucesso-dos-fetos-453221

 

A célula mais simples que existe veio do Espaço interestelar - É uma etanolamina !


Investigadores do Centro Espanhol de Astrobiologia, em Madrid, descobriram um componente da célula mais simples que existe, no espaço interestelar.

O astrónomo Víctor Rivilla e investigadores do Centro Espanhol de Astrobiologia em Madrid descobriram um componente vital do fosfolípido mais simples do espaço.

Os fosfolípidos são um dos principais componentes da membrana plasmática da célula e compõem as membranas de todas as células da Terra.

A equipa publicou um estudo inicial a 25 de maio, que ainda carece da revisão de pares, no qual explica a descoberta do componente fosfolípido, conhecido como etanolamina, e nota também que a investigação indica que todos os precedentes da vida podem ter tido origem no espaço.

De acordo com a Interesting Engineering, a ciência ainda não conseguiu revelar totalmente a origem da vida, mas sabe-se que começou na Terra, há cerca de 4,5 mil milhões de anos, e envolveu inúmeros componentes moleculares.  

Uma teoria explica que estes componentes estavam disponíveis na Terra, porque o espaço deu ao planeta o gás e pó que contêm as moléculas orgânicas necessárias à vida, quase como “materiais de construção”.

Os astrónomos identificaram estes “blocos de construção” como sendo aminoácidos, os precursores de proteínas, e moléculas que podem armazenar informação sob a forma de ADN.

Mas, existe outro componente essencial para a vida, as moléculas que podem formar membranas, capazes de conter e proteger as moléculas da vida em compartimentos chamados protocélulas. Os fosfolípidos nunca tinham sido observados no espaço, até à descoberta de Rivilla e da sua equipa.

A equipa de investigação analisou a luz de uma nuvem interestelar de gás e poeira chamada Sagitário B2, que se encontra a 390 anos luz do centro da Via Láctea.

A etanolamina tem a fórmula química NH2CH2CH2OH e a equipa simulou o espectro que a molécula produz com as baixas temperaturas que se pensava existirem na nuvem.

Encontraram provas claras deste espectro na luz, que passou através da nuvem. “Isto tem implicações importantes não só para as teorias sobre a origem da vida na Terra, mas também para outros planetas e satélites habitáveis em qualquer parte do Universo”, realçou a equipa.

Os astrónomos já tinham encontrado etanolamina antes em meteoritos, sem saber como lá chegou. Alguns investigadores argumentam que foi se formou através de um conjunto desconhecido de reações de um asteroide. Mas de acordo com a última descoberta, a etanolamina é muito mais disseminada.

Na Terra, a etanolamina faz parte da fomração a cabeça hidrofílica das moléculas de fosfolípidos, que se auto-montam em membranas celulares.

Os investigadores referiram, em entrevista com a Astronomy Magazine, que a sua descoberta em nuvens interestelares sugere que “a etanolamina pode ter sido transferida da nebulosa proto-Solar para planetesimais e corpos mais pequenos do Sistema Solar e, posteriormente, para o nosso planeta”.

De seguida, pode ter causado a formação de células na “sopa” prebiótica, da qual emergiram os nossos antepassados.

Outra teoria da equipa é que a etanolamina permite a formação de protocélulas no próprio meio interestelar.

O meio interestelar é rico em outros componentes prebióticos, tais como água e aminoácidos. O resultado seriam vasos de fusão de goop prebiótico, prontos para semear a Terra, ou qualquer outro corpo que passasse.

Embora nenhuma destas teorias responda à questão de como a vida começou na Terra, o estudo é uma indicação de que já não existe qualquer mistério sobre como surgiram “os materiais” que a “construiram”.

“Estes resultados indicam que a etanolamina se forma eficientemente no espaço e, se chegou cedo à Terra, pode ter contribuído para a evolução precoce das membranas primitivas”, notou Rivilla e a equipa.

https://zap.aeiou.pt/a-celula-mais-simples-que-existe-veio-do-espaco-interestelar-e-uma-etanolamina-453064


Terra e Marte foram formados pelo mesmo tipo de elementos oriundos do Sistema Solar interno !


Uma equipa de cientistas investigou a composição isotópica dos planetas rochosos e chegou à conclusão de que o nosso planeta e Marte foram formados pelos mesmos elementos oriundos do Sistema Solar interno.

Há uma teoria que indica que os planetas rochosos – Mercúrio, Vénus, Terra e Marte – foram formados a partir da acumulação de milimétricos seixos de poeira do Sistema Solar, até terem atingido os astronómicos tamanhos que apresentam hoje.

Enquanto que esta tese afirma que estes planetas foram formados graças à junção das partículas de poeira do Sistema Solar interno, o novo estudo aponta que, na verdade, estes pedregulhos de poeira são oriundos do Sistema Solar externo.

Segundo Christoph Burkhardt, primeiro autor do estudo publicado a 22 de dezembro na Science Advances, os isótopos dos metais raros titânio, zircónio e molibdénio encontrados em vestígios das camadas externas de ambos os planetas dão preciosas pistas para esta investigação.

Os investigadores assumem que, no Sistema Solar primitivo, estes e outros isótopos metálicos não eram distribuídos de forma uniforme. Pelo contrário: a sua abundância dependia da distância ao Sol.

Isto significa que os isótopos contêm informações valiosas sobre a origem dos blocos de construção de um determinado corpo no Sistema Solar primitivo.

Ao analisar rochas terrestres e marcianas, a equipa chegou à conclusão de que as camadas rochosas externas da Terra e de Marte têm pouco em comum com os condritos carbonáceos do Sistema Solar exterior (que tiveram origem para além da órbita de Júpiter).

De acordo com o Tech Explorist, representam apenas cerca de 4% dos blocos de construção originais dos planetas.

“Se a Terra primitiva e Marte tivessem acumulado grãos de poeira do Sistema Solar externo, este valor deveria ser quase dez vezes superior“, resumiu Thorsten Kleine, professor da Universidade de Münster. Na prática, isto significa que “não podemos confirmar a teoria da formação dos planetas interiores”.

Porém, “a composição da Terra e de Marte também não corresponde exatamente ao material dos condritos não carboníferos” (oriundos do Sistema Solar interno). “As simulações de computador sugerem que deve ter estado em jogo outro tipo de material de construção.”

Este “material de construção perdido” deve ter tido origem “na região mais interna do Sistema Solar”, tendo sido completamente absorvido pelos planetas.

https://zap.aeiou.pt/terra-e-marte-formados-elementos-452734


Paciente com ALS tornou-se a primeira pessoa a enviar um pensamento diretamente para o Twitter !


Um australiano com Esclerose Lateral Amiotrófica tornou-se a primeira pessoa a enviar uma mensagem diretamente do pensamento para o Twitter, graças a um implante cerebral do tamanho de um clip.

Um pequeno implante cerebral, desenvolvido pela Synchron, empresa norte-americana especializada em interfaces cérebro-computador, permitiu a um paciente com Esclerose Lateral Amiotrófica (ALS, ou ELA, em português) transformar os seus pensamentos diretamente em texto com um dispositivo implantado no seu cérebro.

Philip O’Keefe, de 62 anos, que se encontra paralisado devido à ALS, tornou-se assim a primeira pessoa a enviar os seus pensamentos diretamente para o Twitter.

Também conhecida como a doença de Lou Gehrig, a enfermidade neurodegenerativa ainda não tem cura ou tratamento. Ganhou especial notoriedade por nos ter roubado o astrofísico Stephen Hawking — talvez o mais famoso doente de ALS, e retirou a O’Keefe todas as suas funções motoras.

Esta é a primeira vez que alguém escreve uma mensagem nas redes sociais diretamente através de um implante cerebral — um momento simbólico mas muito significativo para a tecnologia, que poderia abrir portas a que pessoas com paralisia se mantenham em contacto com o mundo. 

“Sem teclar ou falar. Criei este tweet simplesmente pensando nele. #helloworldbci“, escreveu o australiano, usando o perfil do CEO da Synchron, Thomas Oxley.

Em abril de 2020, Philip O’Keefe recebeu um implante cerebral endovascular Stentrode BCI desenvolvido pela Synchro, explica o Techxplore.

Através de inteligência artificial, o sistema converte os sinais elétricos do cérebro em texto, à medida que o utilizador imagina os movimentos do desenho das letras, como se estivesse a escrever uma carta. O texto é composto em tempo real através de um computador.

O implante é instalado cirurgicamente no cérebro e permite “escrever” 90 caracteres por minuto, com uma precisão superior a 90%, após a autocorreção, a uma velocidade que compete com a dos nossos polegares a escrever num smartphone.



Em Julho, a Synchron recebeu aprovação regulamentar da FDA para começar a testar o procedimento em voluntários.

Philip O’Keefe conta que quando ouviu falar desta tecnologia pela primeira vez, soube quanta independência a mesma lhe poderia devolver. “O sistema é espantoso, é como aprender a andar de bicicleta, é preciso prética, mas quando se aprende, torna-se natural”, diz o australiano, citado pelo Daily Mail.

Numa mensagem de seguimento após o seu primeiro post, O’Keefe diz que espera estar a abrir caminho para que mais pessoas possam escrever através dos pensamentos.

Agora, O’Keefe já só pensa no que pode fazer no computador — enviar emails, aceder ao banco ou a uma loja, e enviar mensagens ao mundo através do Twitter.

https://zap.aeiou.pt/primeira-pessoa-a-enviar-um-pensamento-para-o-twitter-452701


“Cavalo Marinho Cósmico” - Astrónomos encontram análoga da Via Láctea no universo jovem !


Uma equipa internacional, que inclui investigadores do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC), utilizou dados combinados de diferentes radiotelescópios localizados na Espanha para estudar o modo de formação estelar numa galáxia quando o Universo tinha menos de 30% da sua idade atual.

Os dados obtidos revelaram que as propriedades do reservatório molecular de gás são semelhantes às do nosso próprio reservatório na Via Láctea, algo nunca visto até agora no Universo distante. O artigo científico foi publicado a 21 de dezembro na revista The Astrophysical Journal Letters.

Uma questão importante no estudo das galáxias é o modo de formação estelar, quão eficiente é a conversão do gás frio em estrelas. Até agora, as galáxias no início do Universo pareciam formar estrelas de uma forma diferente da observada na nossa própria Galáxia, o que é intrigante.

Para lançar luz sobre esta questão, o gás molecular frio, o combustível para a formação das estrelas, é observado com radiotelescópios.

Devido às propriedades físicas do gás hidrogénio molecular (H2), não pode ser observado diretamente no rádio, mas pode ser rastreado através da molécula de monóxido de carbono (CO).

E foi isso que a equipa liderada por Nikolaus Sulzenauer, estudante de doutoramento no Instituto Max Planck para Radioastronomia, fez.

Primeiro, os investigadores selecionaram uma galáxia cujo brilho é potenciado por lentes gravitacionais graças a um enxame interveniente de galáxias. Em seguida, procuraram dados de arquivo de missões espaciais infravermelhas em combinação com imagens pelo Telescópio Espacial Hubble.

“A galáxia descoberta sofre fortes efeitos de lentes gravitacionais por um factor de cerca de 10 e assim a sua morfologia assemelha-se a um cavalo marinho. Daí a sua alcunha de ‘Cavalo Marinho Cósmico‘, explica Sulzenauer. 

Universidade de Viena

Detalhe do “Cavalo Marinho Cósmico”, uma galáxia cuja luz foi modificada por lentes gravitacionais

O investigador realizou este estudo como tese de mestrado na Universidade de Viena sob a supervisão do investigador Helmut Dannerbauer, do IAC, que também é coautor do artigo publicado na revista.

O investigador revelou a distância a que a galáxia se encontra graças a observações das linhas de monóxido de carbono com o radiotelescópio de 30 metros do IRAM (Instituto de Radioastronomía Milimétrica), localizado na Sierra Nevada, nos Estados Unidos: a luz viajou durante 9,6 mil milhões de anos.

Juntamente com observações do radiotelescópio Yebes de 40 metros localizado em Yebes, 50 km para nordeste de Madrid e operado pelo IGN (Instituto Geográfico Nacional), as propriedades físicas do combustível da formação estelar através das observações de várias linhas moleculares de gás também puderam ser derivadas.

“É a galáxia mais distante detetada até agora com o radiotelescópio Yebes de 40 metros,” observa Dannerbauer, que também destaca a vantagem que o método utilizado na investigação trouxe a estes radiotelescópios.

“As lentes gravitacionais transformam praticamente os radiotelescópios IRAM e Yebes em radiotelescópios com tamanhos de 300 e 400 metros, respetivamente, impossíveis de construir“, explica o astrónomo.

Através da análise do gás molecular frio, os cientistas descobriram a presença de um mecanismo de formação estelar previamente invisível no “meio-dia cósmico”, a época do pico de formação estelar e de atividade de buracos negros no Universo.

“A investigação mostrou que esta é uma chamada galáxia de sequência principal, com formação estelar em evolução lenta na época da máxima formação estelar no Universo,” acrescenta Bodo Ziegler, investigador da Universidade de Viena e coautor do artigo científico.

“Este parece ser o elo que falta entre sistemas com alto e baixo ritmo de formação estelar, como o ‘Cavalo Marinho Cósmico’,” explica Anastasio Díaz Sánchez, da Universidade Politécnica de Cartagena, que também participou no estudo.

Da mesma forma, Susana Iglesias Groth, investigadora do IAC e coautora do artigo, sublinha a relevância desta descoberta, considerando a dificuldade em estudar este tipo de galáxia.

“Sem a lente gravitacional teria sido impossível detetar esta galáxia, que tem uma atividade de formação estelar calma, com estes grandes radiotelescópios”, explica a investigadora.

https://zap.aeiou.pt/astronomos-encontram-analoga-da-via-lactea-no-universo-jovem-454387

Contas feitas de casca de ovo revelam uma “rede social” com 50 mil anos !


Cientistas descobriram que, milhares de anos antes do aparecimento de redes sociais como o Facebook, o Instagram, o Twitter ou o TikTok, contas minúsculas já ajudavam os humanos a fazer conexões sociais.

De acordo com a cadeia televisiva CNN, o estudo realizado durante dez anos analisou mais de 1500 contas feitas de casca de ovo de avestruz e provenientes de 31 lugares diferentes do leste e do sul de África.

Comparando as suas diferentes características, como o diâmetro e a espessura, a equipa descobriu que, entre há 33 mil e 50 mil anos, as pessoas nestes locais do continente africano, espalhados por uma distância de mais de três mil quilómetros, usavam contas quase idênticas.

“As pessoas faziam-no para comunicar mensagens simbólicas – tal como nós hoje usamos uma aliança de casamento –, para indicar algo sobre o seu status social, riqueza ou posição na sociedade”, explicou Jennifer Miller, investigadora de pós-doutoramento do departamento de Arqueologia do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana, na Alemanha.

“Sabíamos que geneticamente estes grupos tinham tido algum tipo de contacto, mas até agora não havia nenhuma evidência cultural disso”, disse também Miller, primeira autora estudo publicado, a 20 de dezembro, na revista científica Nature.

“É impressionante que estas pessoas, que viveram há 40 mil e 50 mil anos, tivessem algum tipo de rede social que se espalhava por uma distância tão longa“, acrescentou.

As investigadoras concluíram que as contas mais antigas vieram da África Oriental e provavelmente espalharam-se pelo sul do continente a partir daí, considerando que esta é a rede social mais antiga já identificada e a “conexão estilística” mais avançada da Idade da Pedra já documentada.

Segundo a cadeia televisiva, embora seja possível que as contas pudessem ter sido trocadas de alguma forma, Miller acha mais provável que terá sido o conhecimento de como as fazer que foi trocado.

“Possivelmente, as pessoas terão visto esta coisa nova que outras usavam ou faziam e então decidiram imitar”, disse.

No entanto, esta rede social parece ter-se quebrado há 33 mil anos. Depois desta altura, o uso de contas terá desaparecido no sul de África, embora continuasse na África Oriental. Há cerca de 19 mil anos, as contas ressurgiram no sul e em números muito maiores e num estilo diferente.

As duas populações, antes aparentemente interligadas, permaneceram isoladas até que o pastoreio ter sido introduzido no sul do continente, há aproximadamente dois milhares de anos, pode ler-se no mesmo estudo.

As autoras da pesquisa acreditam que foi o clima a provocar esta separação. Isto porque há cerca de 33 mil anos, um fenómeno meteorológico conhecido como Zona de Convergência Intertropical moveu-se para sul, o que causou inundações na bacia do rio Zambeze. Esta área conecta o leste e o sul de África, pelo que as cheias podem ter atuado como uma barreira para a interação humana.

https://zap.aeiou.pt/rede-social-com-50-mil-anos-africa-453107


domingo, 2 de janeiro de 2022

Psicólogos descobriram o que motiva os nossos impulsos mais sombrios !


Os psicólogos chamam-lhe a tríade negra: uma interseção de três das tendências mais escuras da natureza humana. A psicopatia, o narcisismo e a maquiavelice.

Segundo o Science Alert, a verdade é mais profunda e mais negra. Há também egoísmo, sadismo, rancor, e muito mais.

De acordo com um estudo publicado em 2018 na Psychological Review, por trás das piores tendências superficiais, encontra-se um núcleo central e comum das trevas humanas.

Um grupo de psicólogos da Alemanha e da Dinamarca identificaram esta força, na origem dos nossos impulsos mais sombrios e deram-lhe um nome. “D” de “Dark Factor”, ou Fator Negro da personalidade.

O enquadramento teórico do Fator D foi concebido em torno do Fator g, um conceito criado psicólogo inglês Charles Spearman há mais de um século,
 
O investigador observou que os indivíduos que apresentavam um bom desempenho num teste cognitivo, tinham mais probabilidade de também obter bons resultados noutros tipos de testes de inteligência.

Por outras palavras, era possível medir-se um “fator de inteligência geral“, que não é percetível a todos os investigadores.

“Da mesma forma, os aspetos sombrios da personalidade humana também têm um denominador comum, o que significa que, à semelhança da inteligência, se pode dizer que todos eles são uma expressão da mesma tendência”, explica Ingo Zettler da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca.

Numa série de quatro estudos distintos, que envolveram mais de 2.500 participantes, foram realizadas perguntas aos participantes, concebidas para medir o nível dos nove traços de personalidade negra distintos.

As características são egoísmo, maquiavelice, desinteresse moral, narcisismo, complexo de superioridade, psicopatia, sadismo, interesse próprio, e rancor.

Pediu-se aos participantes que discordassem de uma série de declarações “sombrias”, como por exemplo “sei que sou especial porque todos me dizem isso”, “digo qualquer coisa para conseguir o que quero”, “é difícil chegar ter sucesso sem prejudicar outros”, e “magoar as pessoas deixa-me feliz”.

Com todas as respostas, os investigadores fizeram uma análise estatística. Os resultados sugeriram que, embora estes traços sejam todos distintos, todos eles se sobrepõem em certa medida, devido ao fator D, que se revela de formas diferentes, em pessoas diferentes.

“Dependendo da pessoa, o fator D pode manifestar-se sobretudo como narcisismo, psicopatia, outra característica obscura, ou uma combinação de várias”, disse Zettler.

“Mas ao identificar o denominador comum dos vários traços de personalidade negra, pode-se simplesmente verificar que a pessoa tem um fator D elevado. Isto porque o fator D indica a probabilidade de uma pessoa desenvolver um comportamento associado a um ou mais destes traços obscuros”, acrescenta ainda.

Qualquer pessoa pode agora fazer o teste D. Para esse efeito, a equipa criou um site onde podemos medir a nossa pontuação D, através de um questionário.

Os investigadores afirmaram que o estudo pode um dia levar a novas descobertas e psicologia e terapia, melhorando a compreensão das ações sombrias das pessoas.

“Vemo-lo, por exemplo, em casos de violência extrema, ou quebra de regras, mentira e engano nos setores empresarial ou público”, nota Zettler.

“Aqui, o conhecimento sobre o fator D de uma pessoa pode ser uma ferramenta útil, por exemplo, para avaliar a probabilidade de a pessoa voltar a ofender ou se envolver em comportamentos mais prejudiciais”.

https://zap.aeiou.pt/psicologos-descobriram-o-que-motiva-os-nossos-impulsos-mais-sombrios-452698


É possível desenvolver (acidentalmente) alergia a carnes vermelhas !


Um agricultor de 56 anos do Kansas, nos Estados Unidos, começou a reparar numa erupção cutânea na cintura e nos braços, horas depois de comer um hambúrguer de carne vermelha.

Segundo o Science Alert, o que passa de uma picada de inseto a alergia à carne vermelha não é óbvio, no caso das pessoas que têm síndrome de alpha-gal (AGS).

As urticárias e as erupções cutâneas nem sempre aparecem logo após uma refeição que contém carne. Até podem aparecer várias vezes numa semana e, em casos mais raros, dar origem a falta de ar.

De acordo com o estudo publicado a 14 de novembro no BMJ Journals, o historial do agricultor de 56 anos foi ainda mais complexo, devido a alergias sazonais e a tratamentos que fazia para o HIV, que contraiu quando tinha 21 anos.

O trabalhador relatou os seus sintomas aos médicos durante anos, sem qualquer vislumbre de um prognóstico que os explicasse.  

Nem a mudança de detergente, nem o uso de roupa nova ajudou o americano. As alergias alimentares foram descartadas logo no início, uma vez que os sintomas ocorrem passado alguns minutos da ingestão e não horas depois.

O caso não é isolado, tendo em conta que pelo menos 3% da população dos Estados Unidos tem estes sintomas, associados à AGS, embora pouco se saiba ainda sobre esta condição.

Para uma doença que se entende ao longo da história, parece impensável que os investigadores só a tenham começado a estudar em pormenor nos últimos 20 anos.

Em 2002, Thomas Platts-Mills, investigador britânico, chamou a atenção para as respostas alérgicas em doentes com cancro, que estavam a ser tratados com o medicamento cetuximab.

Embora se tivesse deparado com indivíduos que afirmavam ter tido uma reação alérgica a certas carnes, a ligação entre os dois não lhe passou pela cabeça.

Os anos passaram, e as reações alérgicas ao cetuximab continuaram a ser registadas em doentes com cancro, nos Estados Unidos.

Em 2008, Thomas Platts-Mills finalmente identificou a causa do problema. Uma resposta de anticorpos IgE a um carboidrato chamado galactose-alpha-1,3-galactose, ou alpha-gal, para abreviar.

Alpha-gal é um açúcar encontrado numa grande variedade de animais, inclusive nos humanos. De alguma forma, o açúcar estava a ser transferido de ratos transgénicos, que eram utilizados para fazer a quimioterapia.

As alergias são geralmente causadas quando o corpo responde a uma proteína que não reconhece. Mas um hidrato de carbono que desencadeia uma resposta alérgica é bastante invulgar.

Com o mistério resolvido, faltava ainda saber o que desenvolvia esta sensibilidade nos pacientes, em primeiro lugar.

Uma das pistas era a febre das Montanhas Rochosas, que se sobrepunha em vários pacientes, e que consiste numa doença provocada por picadas de uma carraça, cujo nome científico é Amblyomma americanum.

Um dos exemplos é o de um caçador que apresentou reações alérgicas, depois de comer carne de vaca. Platts-Mills, ao conversar com o doente, verificou que este já tinha sido picado várias vezes pela carraça em questão.

O que acabou por convencer o investigador, porém, foi a sua própria experiência pessoal com a doença.

Thomas Platts-Mills quis testar as suas suspeitas, e fez uma caminhada nas montanhas perto de sua casa, para tentar apanhar algumas carraças. Mais tarde, nesse ano, uma refeição de costeletas de borrego resultou numa reação alérgica.

Os investigadores estão agora confiantes de que é o alpha-gal das proteínas da saliva da carraça que sensibilizam as pessoas para os hidratos de carbono, encontrados em carnes como o borrego e a vaca.

Uma vez que a cozedura não as separa, o nosso corpo reage de forma exagerada, à medida que o nossos sistema vai absorvendo as proteínas.

No caso do agricultor americano, encontrou finalmente médicos que lhe deram o prognóstico correto. Sete anos após o aparecimento dos sintomas, um amigo contou-lhe sobre a AGS e, sendo as carraças um risco comum do seu trabalho, o paciente fez a ligação muito rapidamente.

Com uma EpiPen no bolso, e carnes vermelhas fora do menu, o paciente tem estado relativamente livre de reações, há cerca de oito anos.

Ainda assim, a AGS é uma doença pouco estudada, o que significa que ainda falta compreender melhor as ligações que pode ter com outras doenças e tratamentos, bem como reações a medicamentos.

https://zap.aeiou.pt/e-possivel-desenvolver-alergia-a-carnes-vermelhas-452532


Há uma galáxia espiral solitária à solta no Universo !

Galáxia espiral UGC 9391

Os astrónomos que utilizam o Telescópio Espacial Hubble, da NASA/ESA, produziram uma imagem detalhada da galáxia espiral solitária UGC 9391.

A UGC 9391 – também conhecida como DDO 193, LEDA 52091 e SDSS J143437.01+592016.1 – localiza-se a, aproximadamente, 120 milhões de anos-luz de distância, na constelação de Draco.

A galáxia solitária não é membro de nenhum grupo de galáxias e está a afastar-se da Via Láctea a 1.939 km/s .

“Os braços em espiral estrelados da UGC 9391 estão em esplêndido isolamento contra um pano de fundo de galáxias distantes, que só são visíveis como redemoinhos ou manchas indistintas graças às suas vastas distâncias da Terra”, escreveram os astrónomos, citados pelo Sci-News.

As estrelas mais brilhantes e, portanto, mais próximas “são aneladas com espigões de difração, causados pela interação da luz com o funcionamento interior da ótica complicada do Hubble”.
 
A imagem faz parte de um conjunto de observações do Hubble que os astrónomos usaram para construir a Escada de Distância Cósmica, um conjunto de medidas que permitem determinar as distâncias até aos objetos astronómicos mais distantes.

Distâncias astronómicas só são mensuráveis ​​diretamente para objetos relativamente próximos (até 3 mil anos-luz de distância). Para distâncias superiores, os investigadores contam com um conjunto de correlações de medidas calibradas em relação a objetos próximos.

“A UGC 9391 ajudou-nos a melhorar as nossas estimativas de distância, fornecendo um laboratório natural no qual podemos comparar duas técnicas de medição – explosões de supernovas e variáveis ​​Cefeidas”, detalha a equipa.

Melhorar a precisão das medições de distância ajuda os astrónomos a quantificar a rapidez com que o Universo se expande, um dos principais objetivos científicos do Telescópio Hubble. 

https://zap.aeiou.pt/galaxia-espiral-solitaria-453071


Mais do que mera vaidade - Afinal, o botox pode ajudar a reduzir a ansiedade !


Cientistas estudaram relação partindo de um princípio de coincidência, pelo que mais estudos serão precisos para se perceber qual o melhor sítio para se aplicar o medicamento caso o objetivo seja mesmo a redução da ansiedade.

O botox, cientificamente conhecido por botulinum toxin, é um medicamento derivado de uma toxina bacteriana, usado com frequência para melhorar o aspeto das rugas, mas também atenuar as queixas de enxaquecas, espasmos musculares, transpirações excessivas ou até incontinência.

Agora, um grupo de investigadores Universidade da Califórnia, em San Diego, em colaboração com dois médicos alemães, descobriram mais uma utilidade para a substância, em grande parte graças à lista de efeitos secundários do medicamento, disponibilizada pela autoridade norte-americana competente e que tem uma base de dados dedicada para o efeito.

Num estudo publicado há uma semana, a equipa descreve que os indivíduos que recebem injeções de botox em quatro áreas distintas – não apenas a testa – reportaram níveis de ansiedade mais baixos do que outras pessoas que estavam a se submetidas a tratamentos alternativos mas para os mesmos problemas de saúde.

“Um grande número de efeitos secundários adversos estão a ser reportados à FDA e o principal objetivo, regra geral, é encontrar efeitos negativos que não tinham sido descobertos durante os ensaios clínicos”, descreveu Ruben Abagyan, professor de farmácia, citado pelo EurekAlert.


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“No entanto, a nossa perspetiva era diferente. Por que não fazemos o oposto? Por que não exploramos os efeitos positivos?”, explicou o investigador.

O investigador e a sua equipa exploraram a base de dados no sentido de encontrar relatos de ausência ou redução da frequência de problemas relacionados com a ansiedade – enquanto problema de saúde – durante o tratamento de botox, comparando-os com o de um grupo de controlo.

Posteriormente, a equipa aplicou um algoritmo matemático para tentar encontrar diferenças estatísticas diferentes entre os indivíduos com botox e os que recebiam outro tipo de tratamentos.

Uma das descobertas remete para uma redução da ansiedade de 22% a 72% entre os indivíduos tratados com botox para quatro dos oito problemas e zonas corporais monitorizados: músculos faciais para fins estéticos; músculos faciais e da cabeça para enxaquecas; membros superiores e inferiores para espasmos e espasticidade; e músculos do pescoço para torcicolos.

Tal como realça o Sci-Tech Daily, os problemas relacionados com a ansiedade constituem a classe de patologias psicológicas mais comuns, isto acordo com um inquérito levado a cabo entre 2001 e 2003 nos Estados Unidos e que tinha como objetivo perceber a prevalência e a correlação dos distúrbios mentais no país.

De acordo com os seus resultados, 32% da população americana é afetada negativamente pela ansiedade em algum momento da sua vida – sendo os tratamentos pouco eficientes para quase um terço desde grupo. Assim se explica que muitos clínicos procurem formas de terapia alternativas.

Ainda assim, é importante notar que os dados recolhidos durante esta pesquisa não tinham como objetivo primário explorar a associação entre o uso de botox e a ansiedade, de forma exclusiva.

Simultaneamente, a base de dados usada faz apenas referência aos efeitos negativos demonstrados pelos pacientes. Apesar de a equipa ter excluído os casos de pacientes que admitiram estar a tomar antidepressivos ou ansiolíticos, o uso de outros medicamentos pode ter sido ocultada nos relatos.

Para a relação entre o botox e o decréscimo dos níveis de ansiedade, Abagyan e os seus colaboradores estipularam algumas hipóteses. Por exemplo, as toxinas botulínicas podem ser transportadas para as regiões do sistema nervoso central relacionadas o humor e nas emoções.

As áreas neuromusculares afetadas pelo Botox também podem comunicar diretamente com o cérebro. Finalmente, uma vez que o botox é normalmente utilizado para tratar condições crónicas que podem contribuir para a ansiedade, o seu sucesso em aliviar o problema subjacente pode também aliviar indiretamente a ansiedade.

É ainda necessária mais investigação para determinar o mecanismo através do qual o botox reduz a ansiedade, admite Abagyan, pelo que serão necessários ensaios clínicos para determinar o melhor local e dose para administrar o medicamento especificamente para a ansiedade.

https://zap.aeiou.pt/mais-do-que-mera-vaidade-afinal-o-botox-pode-ajudar-a-reduzir-a-ansiedade-453220

Há um novo isótopo de magnésio o mais leve até à data !

 
Com a ajuda de um acelerador de partículas, uma equipa internacional de cientistas decidiu criar mais um isótopo de magnésio, o mais leve até à data.

A Terra está cheia de magnésio estável, o que significa, muito resumidamente, que o seu núcleo não se desfaz. O novo isótopo distingue-se por ser demasiado instável para ser encontrado na natureza.

Ao criar este tipo de isótopos com a ajuda de aceleradores de partículas, os cientistas conseguem ultrapassar os limites dos modelos que ajudam a explicar como todos os núcleos são construídos e se mantêm unidos.

Isto, por sua vez, ajuda a prever o que acontece em ambientes cósmicos extremos que a comunidade científica pode nunca ser capaz de imitar ou medir a partir do nosso planeta.

“Testando estes modelos e tornando-os cada vez melhores, podemos extrapolar para a forma como as coisas funcionam onde não os podemos medir”, explicou o investigador Kyle Brown, da Facility for Rare Isotope Beams (FRIB), citado pelo EurekAlert.

Magnésio-18

Todos os átomos de magnésio têm 12 protões no interior dos núcleos. Até agora, a versão mais leve de magnésio tinha sete neutrões, o que lhe concedia um total de 19 protões e neutrões (daí a sua designação “magnésio-19”).

Para fazer magnésio-18, que é mais leve por um neutrão, a equipa começou com uma versão estável do elemento metálico: o magnésio-24.

O ciclotrão do National Superconducting Cyclotron Laboratory acelerou um feixe de núcleos de magnésio-24 a cerca de metade da velocidade da luz e enviou esse feixe em direção a uma folha de metal feita a partir do elemento berílio.

“Essa colisão deu-lhe vários isótopos diferentes mais leves do que o magnésio-24 e, a partir dessa sopa, podemos selecionar o isótopo que queriamos”. Neste caso, os físicos reduziram-na a magnésio-20.

Como este isótopo é muito instável e deteriora-se rapidamente, a equipa teve muito pouco tempo para fazer o magnésio-20 colidir com outro alvo de berílio a cerca de 30 metros de distância. O resultado foi magnésio-18, que tem uma vida útil de, sensivelmente, um sextilião de segundo.

O tempo é tão pouco que o magnésio-18 nunca chega a abandonar o alvo do berílio, o que significa que o novo isótopo se decompõe no seu interior.

Os físicos não conseguiram analisar diretamente o isótopo, mas foram capazes de acompanhar e caracterizar cada passo da sua decadência: o magnésio-18 ejetou dois protões do núcleo para se tornar néon-16, que depois ejetou mais dois protões para se tornar oxigénio-14.

Analisando a saída dos protões e do oxigénio do alvo, a equipa pôde tirar algumas conclusões sobre as propriedades do isótopo metálico de curta duração.

https://zap.aeiou.pt/novo-isotopo-de-magnesio-453061


Alucinação “Lilliput” faz-nos ver pessoas minúsculas. Mas não se sabe porquê !


A complexidade do cérebro humano permite todo o tipo de experiências bizarras. Para alguns, provoca alucinações de pessoas minúsculas.

A alucinação de seres humanos em ponto pequeno pode ser divertida ou assustadora, dependendo a quem se pergunta, e os relatos destas visões “micro óticas” ou “liliputianas” são bastante escassos na literatura científica.

Segundo a Science Alert, poucos investigadores tentaram descobrir o que está por trás destas experiências caricatas.

No início do século XIX, Raoul Leroy, psiquiatra francês, interessou-se por estas visões de figuras humanas comparáveis aos minúsculos habitantes de Lilliput, no famoso romance de Jonathan Swift, de 1726, “Gulliver’s Travels”.

“Essas alucinações existem fora de qualquer micropsia, enquanto o paciente tem uma conceção normal do tamanho dos objetos que o rodeiam, a micropsia tem apenas em conta a alucinação”, escreveu Leroy na introdução de um caso em específico.
 
“Por vezes ocorrem sozinhas, por vezes vêm acompanhadas de outras perturbações sensoriais”, acrescentou o psiquiatra.

Os casos investigados por Raoul Leroy eram bastante diversificados mas, no geral, o psiquiatra notou que as visões eram coloridas, se moviam e, na sua maioria, os humanos minúsculos pareciam afáveis.

Ocasionalmente as visões eram de figuras individuais, embora a maioria dos pacientes as observasse em grupos, a interagir com o mundo material, como se estivessem verdadeiramente presentes, a subir a cadeiras e a passar pelas portas.

Mas todas as experiências foram tão inofensivas. Leroy deparou-se, no estudo, com uma mulher de 50 anos que sofria de alcoolismo, e afirmava ter visto dois homens “tão altos como um dedo“, vestidos de azul e a fumar um cachimbo.

Enquanto tinha a alucinação, a paciente alegou ter ouvido uma voz que a ameaçava de morte, até que a visão desapareceu, e a paciente fugiu.

“Na minha comunicação anterior à Sociedade Médico-Psíquica, disse que estas alucinações tinham um carácter bastante agradável, e que o paciente olhava para elas com tanta surpresa como prazer”, realçou Leroy.

“Já no caso da MM. Bourneville e no caso de Bricon , a aparição causou um sentimento de pavor“, acrescenta.

O que poderiam ser meras ilusões, foram interpretadas por Leroy como possíveis sintomas de doenças mentais, com necessidade de serem identificados, para que os médicos encontrassem melhores formas de diagnosticar e tratar a doença.

Influenciados pelo trabalho de Leroy, alguns psicólogos tentaram explicar o fenómeno. Os relatos limitavam-se, na sua maioria, a hipóteses não testadas, que envolviam o funcionamento misterioso do cérebro, ou algum tipo de regressão freudiana.

Apesar deste interesse inicial, as alucinações “liliputianas” não são tidas em conta como critério para quaisquer doenças, na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas de Saúde.

A síndrome de Charles Bonnet, uma doença rara, é uma exceção. Provoca alucinações, como resultado da perda de visão.

Embora estas alucinações nem sempre assumam a forma de pessoas minúsculas — podendo ser flashes de luz, formas geométricas, ou mesmo apenas linhas — podem aparecer na forma “liliputiana”.

Um estudo publicado em fevereiro de 2021 analisou voluntários com síndrome de Charles Bonnet e descobriu que as alucinações aumentaram durante a pandemia de covid-19, talvez devido à solidão das quarentenas.

Em alguns casos, as dimensões das alucinações “liliputianas” cresceram para proporções maiores, e mais humanas.

Apesar do trabalho de Raoul Leroy e dos avanços na compreensão de várias condições mentais, pouco se sabe sobre o porquê de alguns cérebros criarem visões de pessoas minúsculas.

Recentemente, Jan Dirk Blom, historiador médico e investigador de perturbações psicóticas da Universidade de Leiden, procurou mudar isso, realizando uma pesquisa rigorosa de relatos de casos de alucinações “liliputianas”.

Blom conseguiu investigar apenas 26 casos de alucinações, que poderiam ser considerados relevantes, e penas 24 tinham descrições originais das visões.

“Durante as décadas de 1980 e 1990, raramente eram publicados novos casos, e a questão da fonte subjacente das alucinações liliputianas caiu no esquecimento“, realçou Blom no seu estudo, publicado em junho de 2021, no Neuroscience & Biobehavioral Reviews.

“Apesar de ter surgido algum interesse no fenómeno durante as duas últimas décadas, essa situação permaneceu basicamente inalterada“, diz Blom.

O investigador incluiu mais referências históricas do que clínicas na sua pesquisa, incluindo capítulos de livros e teses médicas, acabando por elaborar um conjunto de 226 casos únicos, para comparar e contrastar.

As suas experiências e antecedentes foram variados e divididos entre relatórios masculinos e femininos. O mais velho tinha 90 anos de idade e o mais jovem apenas quatro. Mas os sintomas eram os mesmos.

A maioria das pessoas relatou alucinações de pequenos humanos, vestidos com roupas marcantes e coloridas.

Não eram sombras que se esquivavam no canto do olho, mas sim um conjunto vibrante de palhaços ou mesmo soldados a saltitar pela mobília. Apenas uma pequena porção dos casos relatou visões em tons de cinzento, ou acastanhados.

Alguns doentes relataram rostos familiares, e até casos de autoscopia — vendo-se a si próprios em formato pequeno.

Em um quinto de todos os casos, as visões eram acompanhadas de alucinações auditivas, muitas vezes abafadas ou com um timbre de alta intensidade.

Os seres humanos também não foram as únicas entidades observadas. Em quase um terço dos relatórios, os pacientes afirmavam ver animais, tais como pequenos ursos, ou pequenos cavalos.

97% dos casos reportam visões em três dimensões, que se envolvem com a física do mundo real. Os restantes foram relatados como projeções 2D numa superfície, ou em andamento através do movimento da cabeça do doente.

Quase metade dos casos afetaram negativamente as pessoas, deixando-as com medo ou com ansiedade. Contrariamente à investigação de Leroy, apenas um terço dos doentes se “entreteve” com a experiência.

Relativamente aos relatórios de diagnósticos clínicos, Blom criou 10 grupos distintos, sendo mais proeminentes o distúrbio psiquiátrico, intoxicação por álcool ou medicação, e lesões do sistema nervoso central.

Blom sugere que a perda da sensação periférica pode significar que as partes do cérebro normalmente envolvidas no processamento da informação estão a desviar-se da tarefa, reunindo o pouco estímulo que encontram para projetar uma uma visão de multidões e cor.

O envolvimento do sistema visual do cérebro já foi estudado anteriormente, em ressonâncias magnéticas feitas a doentes com síndrome de Charles Bonnet, que corroboram a possibilidade. Mas ainda são necessárias investigações mais detalhadas a nível neurológico.

O facto de ser uma experiência comum para os que sofrem da síndrome Charles Bonnet, e para quem apresenta condições como Parkinson, por vezes relatando as alucinações ao anoitecer, parece acrescentar peso a esta hipótese.

Há outras teorias que explicam as visões, como uma “invasão de sonho“, onde as imagens normalmente suprimidas aparecem no quotidiano e se misturam com a realidade, ou simplesmente ocorre uma mistura de fenómenos neurológicos, inspirados em memórias.

Existem pequenas figuras humanas no folclore de todo o mundo, sob a forma de duendes brincalhões, demónios aterradores, ou velhos anões sábios. As visões “liliputianas” talvez transportem estes mitos históricos para a realidade.

https://zap.aeiou.pt/alucinacao-lilliput-faz-nos-ver-pessoas-minusculas-453348



Estudar até mais tarde pode prevenir a perda de capacidades cognitivas a longo prazo !


Investigadores da Universidade de Zurique descobriram que a aprendizagem académica pode ter efeitos positivos na degeneração cerebral relacionada com a idade, retardando-a.

Regra geral, uma boa educação está associada a expectativas de um carreira profissional e até a uma personalidade mais positiva. No entanto, as vantagens podem não ficar por aqui, de acordo com um estudo recente, que antecipa benefícios a longo prazo, sobretudo ao nível da atividade cerebral.

De facto, os resultados da pesquisa de longa duração (sete anos) indicam a redução de específicos processos degenerativos nos cérebros de vários académicos. De acordo com o site Tech Explorist, os órgãos em questão são mesmo capazes de compensar as limitações cognitivas relacionadas com a idade, mas também com a atividade neurológica.

A equipa de investigação, liderada por Lutz Jancke, professor da Universidade de Zurique, usou dados médicos longitudinais de indivíduos saudáveis e mais velhos para monitorizar as alterações nas várias componentes do cérebro durante os sete anos, mas também observar as alterações na velocidade de processamento dos pensamentos. Mais de 200 participantes foram seguidos, com nenhum deles a apresentar sinais de demência, mas sim inteligência acima da média e uma vida social também ativa.

Todos foram examinados neuro-anatomicamente e neuro-psicologicamente, através de ressonâncias magnéticas com intervalos regulares. Partindo de análises estatísticas complexas, os investigadores foram capazes de mostrar que a educação académica pode ter efeitos positivos na degeneração cerebral relacionada com a idade.

Na sua tese de doutoramento, Isabel Hotz, uma das investigadoras que integrava a equipa, descreveu o uso de modelos automáticos – entre outros – para o estudo das frequentemente chamadas lacunas e das hiperintensidades das zonas brancas. Estes processos degenerativos mostravam “buracos negros” e “manchas brancas” nas imagens digitais. Para já, ainda não há justificação para estas questões, pelo que, especulam os cientistas, estas podem limitar o desempenho cognitivo de uma pessoa, sobretudo quando a degeneração afeta regiões críticas do cérebro.

De acordo com o estudo, os cidadãos mais velhos com um percurso de participação académica mostraram uma diminuição destes sinais tipicamente vistos como uma evidência. “Simultaneamente, os indivíduos com experiência académica também pareciam processar informação mais rápido e de forma mais correta“.

Apesar de nenhuma relação causal ter sido encontrada entre os estudos prolongados e a diminuição da redução da degeneração cerebral natural, há cada vez mais estudos que apontam que tal pode mesmo existir.

https://zap.aeiou.pt/estudar-mais-tarde-prevenir-perda-capacidades-cognitivas-452744


Medicamento para a diabetes tipo 2 retirado do mercado por conter substância associada ao cancro !


Alguns lotes de metmorfina, o medicamento em causa, contém NDMA, um componente químico que se suspeita de ser cancerígeno nos humanos.

A metmorfina é o medicamento mais recente a ser removido das prateleiras por estar contaminado com um agente que pode causar cancro. Neste exemplo, o agente químico em questão chama-se NDMA — N-nitrosodimethylamine.

A farmacêutica Viona está a recolher 33 lotes dos seus comprimidos Metformin Hydrochloride Extended-Release Tablets de 750 mg, escreve a Forbes. A Viona distribuiu os lotes, que foram produzidos pela pela Cadila Healthcare Limited, uma empresa baseada na Índia.

A metmorfina é um medicamento usado frequentemente para controlar os níveis altos de açúcar no sangue nos pacientes com diabetes tipo 2. Actua ao impedir que o fígado produza açúcar e o liberte na corrente sanguínea e ao reduzir a quantidade que é absorvida através do trato intestinal e ajuda a melhorar a resposta celular à insulina.

Níveis demasiado altos de glicemia põem em causa o funcionamento dos rins, dos vasos sanguíneos e dos nervos, o que pode causar inúmeros problemas de saúde, incluindo cegueira, impotência ou falência dos órgãos.  

Por isto mesmo, quem está a tomar metmorfina não deve parar repentinamente de tomar o medicamento, já que isso pode alterar os níveis de açúcar no sangue e o risco associado depende da quantidade e de há quanto tempo se toma os comprimidos.

A recolha ordenada pela Administração de Comida e Medicamentos dos EUA também não se aplica a todos os tipos e marcas de metformina, pelo que o ideal é falar-se com um médico antes de se decidir parar de tomar a medicação.

O NDMA foi considerado um “cancerígeno humano provável” depois de cientistas terem dado uma quantidade significativa deste químico a roedores, que depois desenvolveram cancro. Também foi encontrado em medicamentos para a azia em 2019 noutros para a pressão arterial em 2018.

Com as empresas a tentarem encontrar os melhores métodos para diminuírem os custos de produção, começam a surgir preocupações com a segurança e a qualidade dos medicamentos, especialmente depois do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, ter defendido publicamente um relaxamento nas regulações.

https://zap.aeiou.pt/medicamento-diabetes-mercado-cancro-454204


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