terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Videojogo “The Sims 3” usado para estudar como é que psicopatas atacam as suas vítimas !

Um novo estudo baseou-se no videojogo “The Sims 3” para estudar a forma como os psicopatas escolhem e atacam as suas vítimas.


“The Sims” é uma série de videojogos de simulação de vida real, cuja primeira versão foi lançado em 2000 e que já vai na sua quarta edição. Uma equipa de investigadores recorreu ao videojogo para estudar como quem tem traços de personalidade psicopáticos interage com as restantes pessoas.

Os resultados do estudo, publicados na revista Evolutionary Psychological Science, sugerem os psicopatas veem a ausência de agressão como um indicador de fraqueza.

“Os meus colegas e eu estávamos interessados em seguir alguns trabalhos anteriores sobre a hipótese de psicopatia Cheater-Hawk”, disse a autora do estudo, Beth Visser, professora da Lakehead University.

Os defensores desta teoria argumentam que a psicopatia está relacionada com duas estratégias interpessoais potencialmente adaptativas: batota e agressão.

“Teorizamos que as pessoas com traços psicopáticos geralmente evitariam outros indivíduos agressivos, mas veriam pessoas ansiosas e gentis como sendo mais facilmente exploradas. Usando um videojogo Sims, poderíamos colocar as nossas hipóteses à prova sem magoar ninguém”, explicou Visser, citada pelo PsyPost.

Para o estudo, os 205 jovens participantes jogaram com quatro personagens previamente criadas: um ‘batoteiro’ (enganador, sorrateiro, charmoso), um ‘falcão’ (agressivo, rude, mesquinho), uma ‘pomba’ (submisso, nervoso, tímido) e um ‘cooperador’ (simpático, confiante, cooperativo).

Durante o seu tempo de jogo, os participantes puderam interagir com todas estas personagens. Além disso, completaram uma avaliação de traços psicopáticos.

Os investigadores descobriram que os participantes com pontuação mais alta na medida de traços psicopáticos tendiam a envolver-se em comportamentos mais negativos do tipo ‘falcão’, como insultar outras personagens e dar início a brigas. Paralelamente, tendiam a ter comportamentos mais negativos em relação às personagens ‘batoteiros’ e ‘pombas’.

No entanto, os participantes com altos traços psicopáticos não mostraram os comportamentos charmosos e enganosos previstos pela hipótese Cheater-Hawk.

“Uma limitação deste estudo, e uma possível explicação para a falta de comportamentos de batoteiro, foi a falta de qualquer incentivo para o fazer”, disseram os autores. “Novos estudos podem incorporar um jogo ou prémio que pode gerar táticas de batota”.

Visser realça ainda que os comportamentos demonstrados no videojogo não se transpõem obrigatoriamente para a vida real.

“Gosto de dizer às pessoas que, se você for alvo de uma pessoa exploradora, manipuladora e insensível, a culpa não é sua. Não tente mudar as suas boas qualidades, mas, em vez disso, tenha cuidado com aqueles que parecem esforçar-se demasiado para o encantar, manipular, enganar ou assustar”, disse Visser.

https://zap.aeiou.pt/the-sims-psicopatas-atacam-vitimas-375541

 

Milhões de estrelas-do-mar morreram transformadas em gosma e cientistas já sabem porquê !

Cientistas descobriram finalmente o culpado por trás da morte de milhões de estrelas do mar, que apareceram em várias regiões do mundo transformadas numa espécie de gosma.


Em 2013, milhões de estrelas-do-mar morreram de forma estranha, ao longo de toda a costa oeste da América do Norte, com os seus membros separados do resto do corpo e desfeitos numa espécie de gosma.

Mais de 20 espécies foram afetadas, conta o site Science Alert. Em algumas áreas, populações da estrela-do-mar do girassol (Pycnopodia helianthoides) caíram, em média, cerca de 90% em poucas semanas, uma perda que fez com que esta espécie, outrora comum e abundante, desaparecesse da maioria da região em apenas alguns anos.

Os cientistas começaram a suspeitar que o culpado desta situação fosse algum vírus ou bactéria, no entanto, os estudos realizados afastaram esse cenário. Mas agora, conta o mesmo site, uma equipa de biólogos marinhos desvendou finalmente o mistério.

Ao comparar os tipos de bactérias em estrelas-do-mar saudáveis e nas que sofrem desta doença debilitante, os investigadores descobriram que as que prosperam em ambientes com pouco oxigénio eram abundantes nos animais doentes, como os copiotróficos (organismos encontrados em ambientes ricos em nutrientes).

Experiências feitas em laboratório confirmaram que a água com escassez de oxigénio causou estas lesões em 75% das estrelas-do-mar. Adicionar muitos nutrientes ou fitoplâncton à água também fez com que a saúde destes animais diminuísse.

Ao reanalisar amostras de tecido de 2013, os cientistas detetaram excesso de azoto, um sinal de que estas estrelas-do-mar morreram sufocadas.

“As estrelas-do-mar difundem oxigénio sobre a sua superfície externa através de pequenas estruturas chamadas pápulas. Se não houver oxigénio suficiente à volta das pápulas, a estrela-do-mar não consegue respirar“, explicou, em comunicado, Ian Hewson, microbiologista marinho da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo publicado, a 6 de janeiro, na revista científica Frontiers in Microbiology.

A equipa observou ainda que a maioria destes eventos foi relatada no final do outono ou do verão, quando o fitoplâncton que aumenta os níveis de nutrientes na água através da fotossíntese é mais abundante. Temperaturas mais altas são causas conhecidas do florescimento de fitoplâncton.

https://zap.aeiou.pt/estrelas-do-mar-morreram-gosma-374886

 

Comer menos carne leva a uma vida mais longa - O culpado é um gás tóxico fedorento !

Reduzir o consumo de carne força os tecidos a produzir sulfeto de hidrogénio, um gás que promove a saúde do nosso corpo e nos permite viver uma vida mais longa.


As dietas ricas em proteínas estão em alta. No entanto, há evidências de que restringir as proteínas que ingerimos – particularmente cortar na carne – pode ser importante para um envelhecimento saudável.

O motivo é surpreendente: força os tecidos a produzirem sulfeto de hidrogénio (H2S), um gás que é venenoso se inalado e tem um cheiro fedorento, mas que promove a saúde do nosso corpo.

Este é um gás que ninguém quer. Além de cheirar mal, é um componente da flatulência e a sua toxicidade foi associada a pelo menos uma extinção em massa.

Ainda assim, o corpo produz naturalmente pequenas quantidades como uma molécula de sinalização para agir como um mensageiro químico. Agora, cientistas começam a entender a associação entre dieta e produção de H2S.

Menos pode ser mais quando se trata de comida. Quando os cientistas colocam os organismos em dietas cuidadosamente equilibradas, mas restritas, esses organismos aumentam substancialmente o tempo de vida saudável.

Isto verifica-se em leveduras, moscas da fruta, vermes e macacos. Em ratos, essas dietas reduzem o risco de cancro, fortalecem o sistema imunitário e melhoram a função cognitiva.

Mas como o envelhecimento e a longevidade são processos complexos, é difícil para os investigadores identificar os mecanismos em funcionamento. Estudos recentes sugerem que é evidente que o H2S desempenha um papel crucial.

Estudos realizados desde a década de 1990 mostraram que a redução da ingestão de certos aminoácidos contendo enxofre, os blocos de construção das proteínas, pode aumentar a longevidade de ratos em cerca de 30%.

Mais recentemente, uma equipa de investigadores liderada por cientistas de Harvard realizou uma série de estudos em animais, nos quais restringiram a ingestão de dois aminoácidos sulfurados – cisteína e metionina – para estudar quais os efeitos.

Isto fez com que os animais aumentassem a produção de H2S nos seus tecidos, o que desencadeou uma cascata de efeitos benéficos, como o aumento da geração de novos vasos sanguíneos, que promove a saúde cardiovascular, e uma maior resistência ao stress oxidativo no fígado, que está relacionado com a doença hepática.

No entanto, ainda não se sabe se efeitos semelhantes ocorreriam em humanos. No início deste ano, um estudo norte-americano, com dados de 11.576 adultos, apresentou evidências de que sim.

Os cientistas descobriram que a redução da ingestão desses aminoácidos sulfurados está associada a fatores de risco cardiometabólico mais baixos, incluindo níveis mais baixos de colesterol e glicose no sangue. Os fatores de risco cardiometabólico são aqueles ligados a doenças cardíacas, AVC e diabetes.

Comer menos carne = vida mais longa?

O resultado deste estudo é que há boas evidências de que limitar a ingestão de alimentos contendo altos níveis de aminoácidos de enxofre pode reduzir o risco de doenças crónicas, como diabetes e doenças cardíacas, e promover o envelhecimento saudável.

Como estes aminoácidos sulfurados são abundantes em carnes, laticínios e ovos, que ocupam um lugar de destaque nos nossos carrinhos de compras, comemos em média 2,5 vezes mais do que precisamos diariamente.

A carne vermelha é particularmente rica em aminoácidos de enxofre, mas carne branca e peixe também contêm muito. Mudar para proteínas vegetais ajudaria a reduzir esse consumo.

Feijões, lentilhas e leguminosas são boas fontes de proteína, que também são pobres em aminoácidos de enxofre. Mas cuidado: a proteína de soja, que é a base de alimentos como o tofu, é surpreendentemente rica em aminoácidos de enxofre. Enquanto isso, vegetais como os brócolos contêm muito enxofre, mas não na forma de aminoácidos.

Um aviso importante é que os aminoácidos sulfurados desempenham papéis vitais no crescimento, por isso, as crianças não devem adotar dietas com baixo teor de enxofre.

https://zap.aeiou.pt/menos-carne-vida-longa-gas-toxico-374593

 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

A inclinação de Saturno é provocada pelas suas luas e vai aumentar

Impressão de artista da migração de Titã e da inclinação de Saturno.

Uma equipa de cientistas concluiu que a influência dos satélites de Saturno pode explicar a inclinação do eixo de rotação do planeta.

Dois cientistas do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique) e da Universidade Sorbonne, que trabalham no Instituto de Mecânica Celeste e de Cálculo de Efemérides (Observatório de Paris/CNRS), acabam de mostrar que a influência dos satélites de Saturno pode explicar a inclinação do eixo de rotação do gigante gasoso.

O trabalho, publicado dia 18 de janeiro de 2021 na Nature Astronomy, também prevê que a inclinação vai aumentar ainda mais nos próximos milhares de milhões de anos.

Mais ou menos como Davi contra Golias, parece que a inclinação de Saturno pode na verdade ser provocada pelas suas luas.

Esta é a conclusão de um trabalho recente realizado por cientistas do CNRS, da Universidade Sorbonne e da Universidade de Pisa, que mostra que a atual inclinação do eixo de rotação de Saturno é provocada pela migração dos seus satélites e, principalmente, da sua maior lua, Titã.

Observações recentes mostraram que Titã e as outras luas estão a afastar-se gradualmente de Saturno, muito mais depressa do que os astrónomos haviam estimado anteriormente.

Ao incorporar este ritmo mais elevado de migração nos seus cálculos, os investigadores concluíram que este processo afeta a inclinação do eixo de rotação de Saturno: à medida que os seus satélites se afastam, o planeta inclina-se cada vez mais.

Pensa-se que o evento decisivo que inclinou Saturno ocorreu há relativamente pouco tempo. Durante mais de 3 mil milhões de anos após a sua formação, o eixo de rotação de Saturno permaneceu apenas ligeiramente inclinado.

Foi apenas há cerca de mil milhões de anos que o movimento gradual dos seus satélites desencadeou um fenómeno de ressonância que continua: o eixo de Saturno interagiu com o percurso do planeta Neptuno e inclinou-se gradualmente até atingir a inclinação de 27º observada hoje.

Estas descobertas questionam cenários anteriores. Os astrónomos já estavam de acordo sobre a existência desta ressonância. No entanto, pensavam que tinha ocorrido muito cedo, há mais de 4 mil milhões de anos, devido a uma mudança na órbita de Neptuno.

Pensava-se que o eixo de Saturno estava estável desde aquela época. Mas, afinal, ainda se está a inclinar e o que vemos hoje é apenas um estágio de transição nesta mudança. Ao longo dos próximos milhares de milhões de anos, a inclinação do eixo de Saturno pode mais que duplicar.

A equipa de investigação já havia chegado a conclusões semelhantes sobre o planeta Júpiter, que deverá sofrer inclinações comparáveis devido à migração das suas quatro principais luas e à ressonância com a órbita de Urano: nos próximos cinco mil milhões de anos, a inclinação do eixo de Júpiter poderá aumentar de 3º para mais de 30º.

https://zap.aeiou.pt/inclinacao-saturno-provocada-luas-374855

 

Os misteriosos relâmpagos azuis podem ser mais comuns do que pensávamos

Além de ser um dos fenómenos mais espetaculares, o relâmpago é também um dos mais misteriosos. Apesar de as tempestades não serem assim tão raras, os cientistas ainda não entendem completamente estas descargas elétricas geradas no céu.

As conhecidas “emissões azuis” são ainda mais difíceis de compreender. Estes raios de luz brilhante, que duram apenas algumas centenas de milissegundos, ocorrem em direção à estratosfera. Apesar de não conseguirmos ver o fenómeno devido à cortina de nuvens que impede a nossa observação, não significa que os cientistas não consigam observá-lo.

Um estudo recente, liderado pelo físico Torsten Neubert, da Universidade Técnica da Dinamarca, apresentou dados obtidos destes fenómenos intrigantes com observações feitas na Estação Espacial Internacional (EEI).

De acordo com o Science Alert, estes raios foram registados, pela primeira vez, na década de 1990. As emissões azuis acontecem quando a parte superior de uma nuvem carregada com cargas positivas encontra uma camada de energia negativa no limite entre a nuvem e a camada de ar acima dela.

A descarga elétrica causada pelo encontro é chamada de “líder” e forma um canal condutor de ar ionizado pelo qual o raio se desloca.

O problema é que a compreensão dos investigadores acerca deste fenómeno é ainda muito limitada. O dados analisados por Neubert e pela sua equipa estão, agora, a preencher algumas lacunas, depois de, em 2019, o observatório Atmosphere-Space Interactions Monitor (ASIM), na EEI, ter registado cinco emissões azuis no topo de uma nuvem de tempestade.

Uma das emissões chegou a cerca de 50 quilómetros de altitude e alcançou a estratopausa, a interface entre a estratosfera e a ionosfera

O observatório registou também a ocorrência de ELVES, fenómenos atmosféricos em forma de anéis em expansão de emissão ótica e ultravioleta na ionosfera que aparecem acima das nuvens de tempestade. Possivelmente, são gerados por pulsos eletromagnéticos na ionosfera causados por descargas de raios.

A emissão vermelha do líder, no entanto, foi fraca e muito limitada, o que sugere que o próprio líder é muito baixo e localizado, em comparação com os líderes de relâmpagos totalmente desenvolvidos entre o solo e as nuvens.

A equipa acredita que tal pode significar que o brilho e o jato de luz azul são tipos de fluxosde descarga elétrica. “Propomos que os pulsos ultravioleta são ELVES gerados por correntes de luz e não pelas correntes dos raios”, escreveram, no artigo científico publicado a 20 de janeiro na Nature.

Os flashes azuis no topo das nuvens são, muito provavelmente, a versão ótica de eventos bipolares estreitos, isto é, descargas de alta energia que acontecem nas nuvens durante as tempestades, conhecidas por desencadear raios dentro da nuvem.

Uma vez que eventos bipolares estreitos são bastante comuns, isto pode significar que as emissões azuis podem também ser mais comuns do que se pensava, defendem os cientistas.

https://zap.aeiou.pt/relampagos-azuis-comuns-374837

 

Declínio cognitivo relacionado com a idade pode ser reversível !

Cientistas conseguiram reverter em ratos o declínio cognitivo causado pelo envelhecimento. O objetivo dos investigadores é que as farmacêuticas baseiem-se neste estudo para criar um composto que possa ser administrado em humanos.


As células específicas do nosso sistema imunológico tornam-se progressivamente irritáveis à medida que envelhecemos. Reduzir esta inflamação pode abrandar o processo de envelhecimento e as condições de que deste derivam, como doenças cardiovasculares e Alzheimer.

Um estudo inovador de uma equipa de neurologistas da Universidade de Stanford garante ter descoberto que células imunitárias unilaterais tornam-se disfuncionais à medida que envelhecemos, levando ao declínio cognitivo, escreve o Tech Explorist.

Os cientistas culpam um conjunto de células imunitárias chamadas células mieloides, geralmente encontradas no cérebro, no sistema circulatório e nos tecidos periféricos do corpo. As suas funções começam a deteriorar-se à medida que envelhecemos, infligindo danos colaterais a tecidos inocentes no processo.

Para evitar isto, em ratos, bastou impedir a conexão de uma determina hormona e de um recetor abundante em células mieloides. Este bloqueio também reverteu o declínio mental relacionado com a idade em ratos mais velhos, restaurando as suas capacidades de memória e navegação aos níveis de ratos de mais jovens.

“Se você ajustar o sistema imunitário, pode rejuvenescer o cérebro. As nossas experiências em células humanas sugerem que um rejuvenescimento semelhante pode ser possível nas pessoas”, disse Katrin Andreasson, autor principal do estudo publicado esta semana na revista científica Nature.

No entanto, de momento, os compostos testados pelos cientistas para bloquear a conexão referida anteriormente apenas podem ser usados em ratos.

“Nenhum dos compostos é aprovado para uso humano e podem ter efeitos colaterais tóxicos, embora nenhum tenha sido observado em ratos. Eles fornecem um mapa para os fabricantes de medicamentos desenvolverem um composto que possa ser dado às pessoas”, acrescentou Andreasson.

https://zap.aeiou.pt/declinio-cognitivo-idade-reversivel-374550

 

Relógios inteligentes podem detetar indícios de covid-19 antes de haver qualquer sintoma !

Os smartwatches, ou relógios inteligentes, e as pulseiras de fitness podem ser capazes de detetar uma infeção pelo vírus SARS-COV-2, antes de a doença começar a manifestar-se.

Uma equipa de investigadores do Monte Sinai descobriu, recentemente, que o Apple Watch é capaz de detetar pequenas alterações no batimento cardíaco que podem indicar que o utilizador está infetado com o novo coronavírus, mesmo antes de começar a sentir os primeiros sintomas.

Para o estudo em questão, disponível no medRxiv, os cientistas analisaram um grupo de 297 profissionais de saúde entre o dia 29 de abril e 29 de setembro de 2020. Os participantes usavam um Apple Watch com aplicações específicas para monitorizar as suas variações cardíacas.

O autor do artigo científico, o médico Robert P. Hirten, adiantou à CBS News que o relógio inteligente “mostrou mudanças significativas na HRV (Heart Rate Variability) até sete dias antes de os indivíduos testarem positivo para uma infeção por SARS-COV-2″.

Um estudo semelhante, levado a cabo por investigadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, concluiu que 81% dos participantes que utilizavam dispositivos de monitorização de atividade física e de saúde – como a Garmin, a Fitbit ou o Apple Watch – e que testaram positivo ao novo coronavírus sofreram alterações no ritmo cardíaco em repouso antes de terem sintomas.

A maior vantagem do uso destas soluções tecnológicas é ajudar a prevenir contágios provocados por pessoas que estejam assintomáticas.

“Esta tecnologia permite não só monitorizar e prever resultados de saúde, mas também intervir de uma forma atempada e remota, o que é essencial numa pandemia que exige que as pessoas se mantenham distantes”, explicou Hirten.

Atualmente, há já uma empresa a desenvolver um wearable específico para deteção da covid-19.

https://zap.aeiou.pt/relogios-inteligentes-covid-19-374540

 

Há uma nova explicação para o facto de bebés amamentados terem sistemas imunitários mais saudáveis

Um novo estudo realizado por investigadores da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, descobriu que o leite materno promove o crescimento de importantes células imunitárias que ajudam a controlar eventuais inflamações.

De acordo com o site Science Alert, o estudo analisou as funções imunitárias de 38 recém-nascidos, todos nascidos por cesariana. Os bebés foram distinguidos pelo facto de terem sido amamentados, alimentados com fórmula infantil ou uma mistura de ambos. As amostras de sangue e das fezes também foram recolhidas em dois momentos: no nascimento e três semanas depois.

A diferença entre as células T dos dois grupos – um tipo de glóbulo branco que ajuda a manter o controlo das respostas imunitárias – foi profunda. Os bebés que foram exclusivamente amamentados viram o número de células duplicar em três semanas, em comparação com os que foram alimentados só com fórmula infantil.

As próprias células T também mostraram uma maior expressão de um marcador ligado ao aumento da atividade supressora. E a sua atividade também parecia especialmente virada para atuar especificamente contra o corpo da mãe.

O leite materno dá aos bebés uma variedade de antimicrobianos e nutrientes que fornecem ao sistema imunitário do recém-nascido tudo o que precisa para combater eventuais infeções. Mas o próprio processo de amamentação está longe de ser estéril, transferindo não apenas a microflora da pele da progenitoras, mas muitas das suas próprias células.

Aumentar as células T reguladoras para proteger o bebé contra as células perdidas da sua mãe pode ser uma forma de garantir que este se mantém saudável.

Ainda não se sabe exatamente porque é que o leite tem este efeito. Mas uma observação feita pelos cientistas neste último estudo, publicado a 12 de janeiro na revista científica Allergy, pode dar uma pista.

A equipa notou que bactérias intestinais específicas, conhecidas por apoiar a função reguladora das células T, eram mais abundantes no sistema digestivo dos recém-nascidos que eram amamentados.

“Esperamos que esta descoberta inestimável leve a um aumento nas taxas de amamentação e faça com que mais bebés se beneficiem das vantagens de receber leite materno”, afirmou Gergely Told, neonatologista da Universidade de Birmingham e um dos autores do estudo.

“Mas, ao mesmo tempo, esperamos que estes resultados contribuam para otimizar a composição do leite em pó para explorar esses mecanismos imunitários”, acrescentou.

https://zap.aeiou.pt/bebes-amamentados-nova-explicacao-374305

 

Cientistas criam nova forma de produzir carne em laboratório e prometem manter o sabor e a textura !

Uma equipa da McMaster desenvolveu uma nova forma de carne cultivada, através do uso de um método que promete manter o sabor e a textura mais naturais do que as outras alternativas à carne tradicional.


Os investigadores desenvolveram uma forma de fazer carne, empilhando folhas finas de músculo e células de gordura cultivadas juntas num ambiente de laboratório. A técnica é adaptada de um método usado para cultivar tecidos para transplantes humanos.

As folhas de células vivas, cada uma com a espessura de uma folha de papel, são cultivadas e só depois concentradas em placas de crescimento, antes de serem retiradas e empilhadas juntas.

Segundo, Ravi Selvaganapathy, um dos autores do estudo, as camadas podem ser empilhadas num pedaço sólido de qualquer espessura e “ajustadas” para replicar o conteúdo de gordura de qualquer corte de carne – uma vantagem sobre outras alternativas elaboradas em laboratório.

“Estamos a criar placas de carne”, disse o especialista. “Os consumidores vão poder comprar carne com a percentagem de gordura que desejarem – assim como fazem com o leite.”

O conceito foi feito a partir de linhas disponíveis de células de ratos, sendo que mais tarde os investigadores criaram, cozinharam e provaram uma amostra de carne a partir de células de coelho. O resultado foi muito positivo: “Parecia e tinha gosto de carne”, realça Selvaganapathy.

“Não há razão para pensar que a mesma tecnologia não irá funcionar no cultivo de carne bovina, suína ou de frango, o modelo irá adaptar-se bem à produção em grande escala, revela Selvaganapathy.

A ideia da equipa surgiu numa altura em que a procura mundial por carne está a crescer, enquanto o consumo atual está a levar os recursos da terra e da água a níveis preocupantes.

“A produção de carne não é sustentável. Tem que haver uma forma alternativa de a criar”, alerta Selvaganapathy

De acordo com o Phys, produzir carne viável sem criar e colher animais seria muito mais sustentável, mais higiénico e criaria menos desperdício alimentar.

Embora outras formas de carne cultivada tenham sido desenvolvidas anteriormente, os investigadores da McMaster acreditam que a carne agora desenvolvida tem melhor potencial para a criação de produtos que terão uma maior aceitação por parte dos consumidores.

Os dois cientistas já criaram uma start-up para começar a comercializar o conceito. O estudo desenvolvido pela equipa foi publicado na revista Cells Tissues Organs.

O ano passado, as autoridades de Singapura aprovaram um regulamento que permitiu a introdução de venda de carne criada em laboratório no mercado, tornando-se no primeiro país do mundo a autorizar a comercialização.

https://zap.aeiou.pt/nova-forma-produzir-carne-laboratorio-374574

Contentores com quintas verticais produzem vegetais para restaurantes e supermercados !

A agricultura tradicional envolve o uso de muitos recursos, quer durante o processo de cultivo, quer depois, durante o processo de distribuição. O conceito das quintas verticais tem vindo a difundir-se pelo mundo, e agora está cada vez mais próximo dos consumidores.

As quintas verticais têm muito mais vantagens do que a agricultura tradicional, sublinha o New Atlas. Estas baseiam-se num modelo em que as plantas crescem num ambiente cheio de nutrientes, sendo que uma das suas principais vantagens é que podem ser colocadas em qualquer lugar, o que é crucial numa época em que as terras cultiváveis estão em declínio.

“A Vertical Field oferece uma forma revolucionária de comer as verduras e os frutos mais frescos, ao produzir quintas verticais internas à base de solo cultivadas no local onde os alimentos são consumidos”, disse o CEO da empresa, Guy Elitzur.

Os contentores reciclados ​​que hospedam estas quintas podem ser instalados ao alcance dos consumidores, como no estacionamento de um restaurante ou no armazém.

“Os nossos produtos não facilitam apenas uma vida sustentável, têm também um impacto positivo no meio ambiente. As quintas urbanas dão um novo significado ao termo ‘da terra à mesa’, porque podem ser instaladas em supermercados, restaurantes ou outros locais onde se realizam compras”.

De acordo com a Vertical Field, “o contentor é lacrado, automatizado e limitado à entrada humana, uma vez que só têm acesso ao local, pessoas com trabalhos essenciais no seu funcionamento”, explicou Noa Winston, trabalhadora da empresa.

Ao contrário de algumas soluções agrícolas de alta tecnologia, a equipa não precisou de ter formação especial para trabalhar com a quinta vertical, pois o processo de cultivo automatizado monitoriza, irriga e fertiliza as colheitas ao mesmo tempo que estas crescem, graças aos conjuntos de sensores que continuamente alimentam dados sobre o clima, solo ou iluminação LED.

Cada unidade agrícola vertical tem a sua própria tecnologia de comunicação Wi-Fi instalada, para permitir que os operadores tenham acesso ao sistema através de uma aplicação móvel.

A Vertical Field existe desde 2006 e já construiu várias “paredes verdes vivas” em todo o mundo. A iniciativa da agricultura vertical baseada no solo foi iniciada em 2019.

Expansão pelo mundo

A primeira quinta em contentores da Vertical Field foi criada nos Estados Unidos, e localiza-se no restaurante Farmers & Chefs em Poughkeepsie, em Nova Iorque – que começou a ter as suas próprias colheitas em meados de abril de 2020.

No mês passado, após um projeto bem-sucedido, também a maior rede de supermercados de Israel – a Rami Levy – assinou um acordo com a empresa para instalar quintas verticais em dezenas de lojas ao longo dos próximos cinco anos.

“A rede Rami Levy prioriza a responsabilidade social que tem para com os clientes no que diz respeito à segurança alimentar e ao fornecimento de produtos da mais alta qualidade, mantendo os preços baixos”, garantiu Yafit Attias Levy, diretor da cadeia.

No início deste mês, a empresa Moderntrendo SRO – uma das maiores distribuidoras agrícolas da Ucrânia – inscreveu-se para um projeto que irá começar com a rede de supermercados Varus e, potencialmente, se irá expandir para outras redes.

“Estamos extremamente entusiasmados com nossa parceria com a Moderntrendo SRO, que nos levou ao projeto com a Varus e nos irá levar a mais projetos num futuro próximo”, disse Elitzur.

A empresa sublinha que “uma das conclusões que surgiram durante a pandemia de covid-19 foi a necessidade de desenvolver soluções que permitam aos residentes urbanos ter acesso a alimentos saudáveis, sem depender de transporte e envio de locais remotos”.

Além de supermercados e restaurantes, a empresa pretende que as suas quintas verticais sejam instaladas em hotéis, universidades, hospitais e outro tipo de estabelecimentos.

https://zap.aeiou.pt/quintas-verticais-restaurantes-374545

 

Bactérias podem estar a provocar um aumento do degelo na Gronelândia

As bactérias podem estar a ter grande impacto no processo de derretimento de gelo na Gronelândia e, possivelmente, estão a contribuir para o aumento do nível do mar, revelam os investigadores.

Segundo os especialistas, esta situação ocorre porque os micróbios fazem com que os sedimentos que absorvem a luz do sol se acumulem nos fluxos de água derretida. Os cientistas afirmam que estas descobertas podem ser incorporadas a novos modelos climáticos, o que pode levar a previsões mais precisas sobre o derretimento.

“Esses lagos podem ser vistos em toda a Gronelândia e têm uma cor azul brilhante, o que leva a um derretimento ainda maior, pois absorvem mais luz do sol do que o gelo circundante”, explica Sasha Leidman, principal autora do estudo.

Leidman afirma que a situação piora “à medida que os sedimentos escuros se acumulam nesses locais, absorvendo ainda mais a luz solar, causando mais derretimento que pode, consequentemente, aumentar o nível do mar”.

Com as mudanças climáticas, o aumento do nível do mar e as tempestades ameaçam ilhas, países e cidades costeiras em todo o mundo, recorda o Futurity.

A maioria dos cientistas ignora os sedimentos em lagos glaciais que se formam no topo da camada de gelo da Gronelândia, mas, neste estudo, os investigadores tinham como objetivo descobrir por que razão esses sedimentos se acumularam.

Em 2017, os cientistas colocaram um drone num lago de aproximadamente 130 metros de profundidade no sudoeste da Gronelândia, onde fizeram medições e recolheram amostras de sedimentos.

A equipa descobriu que os sedimentos cobrem até um quarto do fundo do lago, muito mais do que os 1,2% estimados, que existiriam se a matéria orgânica e as bactérias não fizessem os com que os sedimentos se agruparem. Os investigadores perceberam também que os lagos têm mais sedimentos do que o previsto por modelos hidrológicos.

“Descobrimos que a única maneira de os sedimentos se acumularam nesses lagos era devido ao facto de haverem bactérias a crescer no sedimento”, disse Leidman.

A especialista revela que “se as bactérias não crescessem no sedimento, todo este seria limpo e esses fluxos iriam absorver menos luz solar. Este processo de agregação de sedimentos está a acontecer há mais tempo do que a história humana”.

O estudo indica que os fluxos de energia solar absorvidos provavelmente dependem da longevidade das bactérias, e o aquecimento na Gronelândia pode levar a maiores depósitos de sedimentos nos rios glaciares.

“A diminuição da cobertura de nuvens e o aumento da temperatura na Gronelândia podem estar a fazer com que essas bactérias cresçam mais intensivamente, causando mais derretimento por sedimentos”, alerta Leidman.

https://zap.aeiou.pt/bacterias-degelo-gronelandia-374280

sábado, 23 de janeiro de 2021

O vento solar é estranhamente atraído para o Pólo Norte e não se sabe porquê !

Durante anos, os cientistas pensaram que o vento solar era igualmente atraído para os Polos Norte e Sul da Terra. No entanto, estudos recentes mostram que estas partículas parecem preferir o Norte – e não se sabe porquê.

Uma das consequências mais famosas da interação entre o vento solar e o campo magnético da Terra são as auroras boreais, no hemisfério Norte, e as auroras austrais, no hemisfério Sul. Quando partículas carregadas do vento solar entram no campo magnético da Terra podem, ocasionalmente, provocar exibições de luz espetaculares.

Durante vários anos, os cientistas pensavam que as partículas carregadas pelo vento solar que causam essas exibições de luz chegavam em números iguais aos polos norte e sul.

No entanto, de acordo com o Universe Today, investigações recentes de uma equipa liderada por cientistas da Universidade de Alberta mostraram que, na verdade, existem mais partículas carregadas a dirigir-se para o Norte do que para o Sul.

Os dados utilizados pelos cientistas foram colhidos pela constelação de satélites Swarm – um conjunto de 3 satélites que observam o campo magnético da Terra desde 2013.

Naquela época, a constelação de satélites mostrou que o polo sul magnético da Terra está “mais longe do eixo de rotação da Terra do que o polo norte magnético”, explicou Ivan Pakhotin, principal autor do artigo.

Isto leva a diferenças na reflexão de um tipo de ondas eletromagnéticas conhecidas como ondas de Alfvén, que eventualmente causam diferenças na forma como os polos Norte e Sul interagem com o vento solar.

Essa assimetria pode significar várias coisas. Por um lado, a química que ocorre na alta atmosfera pode variar dramaticamente entre os Polos Norte e Sul, o que pode ter impactos climáticos significativos no solo. Por outro, também pode significar uma discrepância entre os dois tipos de auroras.

Até agora, os impactos da assimetria não são claros. O Swarm vai continuar a sua missão de colher dados que, um dia, serão relevantes para resolver este mistério.

https://zap.aeiou.pt/vento-solar-atraido-polo-norte-374277

 

Um megassatélite em órbita de Ceres daria “um ótimo lar” para seres humanos !

Ceres é um planeta anão localizado no cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter.

Enquanto Elon Musk, CEO da SpaceX, olha para Marte, o físico e astrobiólogo Pekka Janhunen, do Instituto Meteorológico da Finlândia, está de olho no planeta anão Ceres.

Seres humanos a viver noutros planetas do Sistema Solar deixou de ser um tema de ficção científica. O Planeta Vermelho é o mais forte dos candidatos quando pensamos em novos lares para a Humanidade, mas o físico e astrobiólogo Pekka Janhunen tem outra proposta: a construção de um habitat flutuante na órbita de Ceres.

Segundo o Science Alert, a ideia do cientista é construir um “megasatélite“, feito de milhares de naves cilíndricas de 10 quilómetros de extensão e raio de um quilómetro, que ficariam todas juntas, através de poderosos ímanes, numa estrutura em forma de disco que orbitaria o planeta anão.

Janhunen explica ainda que cada cilindro poderia acomodar até 50 mil pessoas, e teria gravidade e atmosfera artificiais.

Ceres é a escolha do astrobiólogo por preencher vários requisitos: além de uma distância média comparável àquela entre a Terra e Marte, o que tornaria a viagem mais fácil, também tem uma forte presença do nitrogénio. Como compõe cerca de 79% da atmosfera da Terra, este gás seria um elemento crucial para a construção da atmosfera artificial.

O raio do planeta anão equivale a aproximadamente 1/13 do da Terra, o que, segundo o cientista, permitiria a existência de elevadores espaciais para transferir materiais do planeta para os habitats e vice-versa.

Marte, por outro lado, tem uma grande desvantagem: os efeitos da baixa gravidade, que poderiam prejudicar o desenvolvimento de músculos e ossos de crianças nascidas no Planeta Vermelho.

O Science Alert adianta ainda que cada habitat cilíndrico iria completar uma rotação a cada 66 segundos, gerando a força centrífuga necessária para criar gravidade artificial. Os cilindros seriam anexados uns ou aos outros através de ímanes e estes pontos de interconexão permitiriam adicionar mais habitats e expandir a colónia.

Como Ceres está muito longe do Sol, seriam usados grandes espelhos para direcionar a luz solar para o habitat e permitir, por exemplo, o cultivo de plantações.

O autor defende ainda que “o nível de dificuldade de execução deste projeto é provavelmente semelhante à colonização de Marte”. O artigo científico foi publicado no repositório online arXiv e ainda carece de revisão por pares.

https://zap.aeiou.pt/megassatelite-ceres-lar-humanos-374575

 

Investigadores “voltam atrás no tempo” para calcular idade e local de explosão de supernova

Os astrónomos estão a “voltar atrás no tempo” num remanescente de supernova. Usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA, refizeram o percurso dos estilhaços velozes da explosão a fim de calcular uma estimativa mais precisa da localização e do momento da detonação estelar.

A vítima é uma estrela que explodiu há muito tempo na Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da nossa Via Láctea. A estrela condenada deixou para trás um cadáver gasoso em expansão, um remanescente de supernova chamado 1E 0102.2-7219, que o Observatório Einstein da NASA descobriu pela primeira vez em raios-X.

Como detetives, os investigadores vasculharam imagens de arquivo obtidas pelo Hubble, analisando observações obtidas no visível com 10 anos de intervalo.

A equipa de investigação, liderada por John Banovetz e Danny Milisavljevic da Universidade Purdue em West Lafayette, no estado norte-americano do Indiana, mediu as velocidades de 45 aglomerados de material em forma de girino, ricos em oxigénio, ejetados pela explosão de supernova. O oxigénio ionizado é um excelente rastreador porque brilha mais forte no visível.

Para calcular a idade precisa da explosão, os astrónomos escolheram os 22 aglomerados, ou nós, de ejeção mais rápidos e determinaram que estes alvos eram os menos prováveis de verem a sua velocidade diminuída pela passagem pelo material interestelar. Então traçaram o movimento dos nós para trás no tempo até que o material ejetado se aglutinasse num ponto, identificando o local da explosão.

Uma vez conhecido, puderam calcular o tempo necessário para os nós velozes viajarem do centro da explosão até à sua posição atual.

De acordo com a sua estimativa, a luz da explosão chegou à Terra há 1.700 anos, durante o declínio do Império Romano. No entanto, a supernova só seria visível para os habitantes do Hemisfério Sul. Infelizmente, não existem registos conhecidos deste evento titânico.

Estes resultados diferem das observações anteriores sobre o local da explosão de supernova e da sua idade. Estudos anteriores chegaram, por exemplo, a idades da explosão de 2000 e 1000 anos. No entanto, Banovetz e Milisavljevic dizem que a sua análise é mais robusta.

“Um estudo anterior comparou imagens obtidas com anos de intervalo e com duas câmaras do Hubble, a WFPC2 (Wide Field Planetary Camera 2) e a ACS (Advanced Camera for Surveys),” disse Milisavljevic.

“Mas o nosso estudo compara dados obtidos com a mesma câmara, a ACS, tornando a comparação muito mais robusta; os nós foram muito mais fáceis de rastrear usando o mesmo instrumento. É um testamento da longevidade do Hubble termos conseguido fazer uma comparação tão limpa de imagens tiradas com 10 anos de diferença.”

Os astrónomos também aproveitaram as imagens nítidas do instrumento ACS para selecionar quais os aglomerados de material ejetado para análise. Em estudos anteriores, os investigadores calcularam a média da velocidade de todos os detritos gasosos para calcular a idade da explosão.

No entanto, os dados do ACS revelaram regiões onde o material ejetado desacelerou porque estava a chocar com o material mais denso, “derramado” pela estrela antes de explodir como supernova.

Os cientistas não incluíram estes nós na amostra. Precisavam do material ejetado que melhor refletisse as suas velocidades originais da explosão, usando-os para determinar uma estimativa precisa da idade da explosão de supernova.

O Hubble também cronometrou a velocidade de uma estrela de neutrões suspeita – o núcleo esmagado da estrela condenada – que foi expelida pela explosão. Com base nas suas estimativas, a estrela de neutrões deve estar a mover-se a mais de 3,2 milhões de quilómetros por hora do centro da explosão para chegar à sua posição atual.

A estrela de neutrões suspeita foi identificada em observações com o VLT (Very Large Telescope) do ESO no Chile, em combinação com dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA.

“É um valor bastante elevado e no extremo de quão rápido pensamos que uma estrela de neutrões pode mover-se, mesmo tendo recebido um ‘pontapé’ da explosão de supernova,” disse Banovetz.

“Investigações mais recentes questionam se o objeto é realmente a estrela de neutrões sobrevivente da explosão de supernova. É potencialmente apenas um amontoado compacto do material ejetado pela supernova que foi iluminado, e os nossos resultados geralmente apoiam esta conclusão.”

Portanto, a caça à estrela de neutrões ainda está em andamento.

“O nosso estudo não resolve o mistério, mas dá uma estimativa da velocidade da estrela de neutrões candidata,” disse Banovetz.

https://zap.aeiou.pt/investigadores-voltam-atras-no-tempo-calcular-idade-local-explosao-supernova-374849

Nova terapia genética tratou mieloma múltiplo em ratos

Uma equipa de cientistas desenvolveu uma nova terapia genética que conseguiu tratar o mieloma múltiplo em ratos. Após duas semanas, os ratos já mostravam melhorias.


O mieloma múltiplo é um cancro com origem nos plasmócitos da medula óssea. Ao contrário dos plasmócitos normais, as células de mieloma produzem novas células que não são necessárias, não morrem quando velhas ou danificadas e fazem sucessivamente mais cópias de si mesmas.

Muitos pacientes com mieloma acabam por desenvolver resistência aos tratamentos. Se a terapia não conseguir destruir completamente essas células malignas, o cancro provavelmente volta.

Uma equipa de cientistas da Universidade da Califórnia está a desenvolver uma terapia genética que silencia o IRF4, um gene que permite que as células estaminais do mieloma e as células tumorais proliferem e sobrevivam. Os resultados do estudo foram publicados esta semana na revista científica Cell Stem Cell.

Os investigadores conseguiram silenciar este gene com um oligonucleotídeo, um pedaço de ADN projetado especificamente para se ligar ao material genético do IRF4, causando a sua degradação, explica o portal Medical Xpress.

Os dados do estudo pré-clínico mostram que o oligonucleotídeo diminuiu a carga da doença, reduziu a abundância de células estaminais do mieloma e aumentou a taxa de sobrevivência dos ratos com este cancro.

“Tenho trabalhado com um grupo de apoio local para pacientes com mieloma múltiplo. Eles inspiram-me. Fazem as perguntas mais perspicazes e isso torna as coisas pessoais. Espero que este trabalho lhes dê, eventualmente, novos tratamentos potenciais para prevenir recaídas, e lhes permita melhorar”, disse o coautor Leslie Crews.

Esta nova terapia, garantem os investigadores, apresentou resultados favoráveis após duas a seis semanas. Em contrapartida, nenhum dos ratos que não foi submetido ao tratamento apresentou melhorias.

Um dos desafios da investigação deste cancro é que as suas células não crescem bem em placas de Petri. Como tal, a melhor alternativa é transplantar células de mieloma de humanos para ratos.

“Os resultados destes estudos pré-clínicos foram tão impressionantes que metade das imagens microscópicas que tiramos para comparar as amostras de medula óssea entre ratos tratados e não tratados continuavam a sair em branco – nos ratos tratados, não foi possível encontrar células de mieloma restantes para estudarmos”, disse Crews. “Isso torna a ciência mais difícil, mas dá-me esperança para os pacientes”.

https://zap.aeiou.pt/terapia-genetica-mieloma-multiplo-374333

 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Astrofísico defende criação de colônia espacial artificial em 15 anos !

Se o sonho de empresários como Elon Musk envolve colonizar Marte e estabelecer uma base fixa no Planeta Vermelho, a ideia de outros entusiastas da área é um pouco diferente — e, mesmo que mais embasada na ciência, tão difícil quanto de ser colocada em prática.

O astrofísico Pekka Janhunen, do Instituto Meteorológico de Helsinque, na Finlândia, enviou para publicação um artigo com uma proposta de uma colônia artificial no formato “mega satélite”, construída ao redor de Ceres.

O corpo celeste Ceres é considerado um planeta-anão e fica no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. Ele foi escolhido por diversos motivos, desde a distância próxima da viagem em relação ao Planeta Vermelho até a presença em abundância de nitrogênio, elemento essencial para a manutenção de uma atmosfera própria para a vida humana.

Ceres.
Ceres.

O asteroide seria utilizado como uma espécie de fonte de recursos, com minerais e outros elementos sendo extraídos em massa e enviados por uma espécie de elevador espacial até a colônia. 

A estrutura de satélites em si é composta de várias unidades com capacidade para 50 mil pessoas cada, conectados magneticamente ao “vizinho”. Alguns dos locais seriam utilizados apenas como espaços de entretenimento e agricultura, com viagens fáceis de um local para o outro.

Uma representação dos satélites.
Uma representação dos satélites.

Esse tipo de ideia, com habitats cilíndricos, foi proposto inicialmente na década de 1970 e é conhecido como “cilindro de O’Neill” — e são ideias como essa que ilustram esta matéria, já que Janhunen publicou apenas uma ilustração mais visual do que ele imagina ser a composição de satélites.

Um conjunto de espelhos seria o responsável por refletir a luz solar, garantindo a iluminação e a energia do local. Já a questão da gravidade seria resolvida facilmente ao girar o satélite na velocidade correta para simular a mesma intensidade encontrada na Terra.

O interior de um cilindro de O'Neill.
O interior de um cilindro de O’Neill.

O mais curioso da proposta é o prazo. Embora sejam vários os desafios e o próprio Musk teme que não esteja vivo para pisar em solo marciano, o pesquisador acredita que os primeiros humanos podem se mudar para os arredores de Ceres já nos próximos 15 anos.

Os problemas

Apesar do otimismo e de trazer soluções para algumas dúvidas sobre a colonização espacial, como a questão da gravidade e da mineração de recursos, Janhunen ainda não abordou algumas questões relevantes. Segundo um especialista consultado pela LiveScience, não há menções no artigo sobre como obter fósforo, elemento importante para o desenvolvimento celular, ou o quão distantes estamos da obtenção da tecnologia necessária para construir uma estrutura como essa — desde os satélites-colônia até os mecanismos de mineração.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/117413-astrofisico-defende-criacao-de-colonia-espacial-artificial-em-15-anos.htm

 

Arecibo, o radiotelescópio morto, encontrou uma “estrela-aranha” bizarra

Imagem ilustrativa

Apesar de as estrelas não matarem nem comerem os seus companheiros, estes objetos cósmicos têm o mesmo comportamento violento que as suas contrapartes de oito pernas.

Uma equipa internacional de cientistas usou dados do radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico, para descobrir um tipo estranho de “estrela-aranha” na nossa galáxia.

O Observatório morreu três semanas depois de um dos principais cabos de sustentação da sua cúpula ter desabado, mas os seus dados continuam a ser um grande contributo para a Ciência.

As “estrelas-aranha” (spider stars) são um tipo de estrelas de neutrões, ou pulsares, que agem como relógios no céu, completando uma rotação a cada 30 milissegundos e emitindo um “pulso” de energia a cada rotação. Segundo o Live Science, são o núcleo comprimido de estrelas que, no passado, explodiram numa supernova.

Ao contrário das estrelas de neutrões comuns, as estrelas-aranha são versões raras que orbitam tão perto dos seus companheiros binários que explodem as suas superfícies e inalam grandes quantidades de material, como uma aranha que desmembra e devora o seu companheiro.

No artigo científico, disponível no arXiv, os cientistas identificaram dois tipos de “estrelas-aranha”: as que têm uma companheira com massa de menos de um décimo do nosso Sol (de 0.02 a 0.03 massas solares) são chamadas de “black widow” (viúva negra), enquanto que as que têm companheiras maiores, com mais de um décimo da massa do Sol, são as “redbacks“.

Além do tamanho, as estrelas são diferentes a nível de comportamento: normalmente, as companheiras das redback passam entre a estrela-aranha e a Terra, criando eclipses temporários, um comportamento não verificado nas companheiras das black widow.

A estrela encontrada pelos astrónomos é difícil de categorizar. A sua companheira causa eclipses, como uma redback, mas a sua massa estimada é de 0.055 vezes a massa do Sol. Se, por um lado, é demasiado pesada para ser uma black widow, é, por outro, leve demais para uma redback.

O portal realça que esta pesquisa foi conduzida com dados recolhidos pelo Arecibo entre 2013 e 2018. Depois do seu colapso, no início de dezembro, futuras observações ficarão comprometidas.

https://zap.aeiou.pt/arecibo-encontrou-estrela-aranha-373688

 

A estranha estrela rodeada de “megaestrutura alienígena” não está sozinha

Uma nova pista que acaba de ser encontrada pode ajudar a resolver o mistério da estranha estrela Tabby. KIC 8462852 parece ter um companheiro binário que pode estar a contribuir para as suas quedas irregulares de brilho.

Os astrónomos observaram a estrela Tabby, também conhecida como KIC 8462852, pela primeira vez na década de 1890. Mas em 2015, Tabetha Boyajian, astrofísica da Louisiana State University, descobriu algo incomum – o brilho da estrela diminuía irregularmente durante um período de dias ou semanas.

As observações de Boyajian mostraram que, às vezes, o brilho da estrela reduzia apenas um pouco, mas noutros momentos, caía até 22%.

Investigações subsequentes de outra equipa de cientistas mostraram que o brilho geral da estrela – que está localizada a mais de mil anos-luz da Terra na constelação de Cygnus – também estava a diminuir com o tempo.

Agora, de acordo com o ScienceAlert, foi descoberta a presença de uma estrela companheira numa órbita ampla que poderia ajudar a explicar a presença de todo este material, fornecendo perturbações gravitacionais para quebrar corpos em órbita.

Uma equipa de astrónomos liderada por Logan Pearce, da Universidade do Arizona, tem tentado confirmar a presença de uma estrela próxima à KIC 8462852 desde 2016.

Pearce e a sua equipa usaram cinco anos de observações para fazer medições astrométricas precisas da estrela ténue que parecia estar perto de KIC 8462852.

Além das observações do Observatório Keck, a divulgação, em 2020, de dados astrométricos do satélite Gaia – o mapa tridimensional mais completo e preciso da Via Láctea até hoje – também incluiu a estrela ténue, com medições de acordo com as descobertas da equipa.

As duas estrelas estão separadas por uma distância de 880 unidades astronómicas. A estrela Tabby – KIC 8462852 A – é a estrela maior, com cerca de 1,36 vezes a massa e 1,5 vezes o tamanho do Sol. A companheira, KIC 8462852 B, é uma estrela anã vermelha com cerca de 0,44 vezes a massa e 0,45 vezes o tamanho do Sol.

Numa órbita tão ampla, KIC 8462852 B dificilmente teria qualquer efeito direto no brilho do KIC 8462852 A. Porém, poderia desempenhar um papel nas flutuações misteriosas da estrela maior. “O companheiro binário pode influenciar a evolução de longo prazo do sistema”, escreveram os investigadores.

Os cientistas descobriram anteriormente que binários estelares amplamente espaçados podem ser empurrados por forças gravitacionais maiores, para se moverem muito perto do seu centro de massa mútuo várias vezes ao longo de cerca de 10 mil milhões de anos.

Por sua vez, isso poderia resultar na rutura de planetas e outros pequenos corpos em órbita, onde são esticados e dilacerados por interações gravitacionais, resultando em nuvens de detritos.

O cenário ainda não foi confirmado. Numa separação tão ampla, as duas estrelas teriam uma órbita extremamente longa e as observações feitas não foram suficientes para caracterizar esta órbita.

KIC 8462852 B pode ser uma estrela que foi ejetada do sistema ou as duas estrelas podem ser membros de um grupo co-movente.

Os cientistas acreditam que um sistema binário é a explicação mais provável para as medições das duas estrelas, mas serão necessárias futuras medições para entender melhor a sua relação. Isso pode ajudar a confirmar ou descartar o papel do KIC 8462852 B no brilho errático da estrela.

O escurecimento irregular da estrela – que só foi visto em poucas outras estrelas – foi objeto de intenso debate entre os cientistas, que propuseram várias explicações, mas nenhuma das quais explica definitivamente o comportamento incomum.

Uma das hipóteses apresentadas afirma que as reduções de luz estão a ser causadas por uma nuvem de cometas em desintegração que orbitam a estrela. Outros cientistas até sugeriram que a existência de “megaestrutura alienígena” em redor da estrela poderia ser a responsável.

Em 1960, o físico americano Freeman Dyson propôs a ideia de que uma civilização alienígena extremamente avançada e sedenta de poder poderia, em teoria, aproveitar a maioria da energia da sua estrela hospedeira, construindo uma vasta estrutura em torno dela para absorver a sua radiação.

Alguns sugeriram que uma esfera de Dyson em redor da estrela de Tabby poderia estar a bloquear a sua luz de uma maneira incomum.

Em 2019, cientistas sugeriram que uma exolua órfã gradualmente a ser dilacerada poderia explicar o estranho comportamento obscuro da estrela Tabby.

Este estudo foi aceite para publicação na revista científica The Astrophysical Journal e está disponível na plataforma de pré-publicação arXiv.

https://zap.aeiou.pt/estrela-megastrestrutura-alienigena-374254

 

Há lugares que parecem desafiar as leis da gravidade - Um deles é em Portugal

À volta do mundo, existem vários lugares misteriosos que parecem desafiar as leis da gravidade – sítios inclinados, em que os carros (e ciclistas) têm dificuldade para descer, mas conseguem subir com facilidade (e até em ponto morto). O Bom Jesus do Monte, em Braga, faz parte da lista.

Também conhecidas como “colinas de gravidade”, esses fenómenos naturais – mas bizarros – existem um pouco por todo o mundo: temos o Confusion Hill, na Califórnia, e o Magnetic Hill, no Canadá, por exemplo.

Em Portugal, chama-se Bom Jesus do Monte e é nada mais nada menos do que uma pequena rampa que liga o Parque do Bom Jesus à estrada nacional de volta à cidade ou em direção ao Sameiro.

Embora estes locais tenham inspirado rumores de bruxaria ou de que um íman gigante estaria enterrado no solo, a explicação científica vai fazer com que questione todos os locais inclinados que vir daqui para a frente.

Existem dezenas de “colinas de gravidade” em todo mundo e todos elas têm uma coisa em comum: se parar o carro na inclinação, a descer, e o puser em ponto morto, o veículo irá “subir” para a retaguarda, até ao topo da colina, em vez de descair no sentido da marcha até à base da mesma (como seria de esperar).

Mas, afinal, porque é que isso acontece? Este fenómeno natural é apensas uma ilusão de ótica e tem uma explicação física, bastante lógica e até simplista.

Há uma perceção de inclinação negativa – a ideia de estarmos a descer para uma zona mais baixa – que nos é dada pelo facto de a rampa desembocar numa estrada cuja inclinação é bastante acentuada.

Mas, na verdade, a rampa está inclinada positivamente. Como estas estradas estão em paralelo e a inclinação de uma é bem maior que a da outra, criamos a ilusão de que estamos a descer até ao cruzamento, quando estamos, afinal, a subir na sua direção.

Estes locais têm uma inclinação “que dá a impressão de que está a subir”, disse Brock Weiss, físico da Universidade do Estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, ao Discoveries and Breakthroughs in Science, em 2006.

“Na verdade, está a descer a colina, embora o seu cérebro lhe dê a impressão de que está a subir”, explicou.

O psicólogo britânico Rob Macintosh, da Universidade de Edimburgo, explicou ao Science Channel que “o terreno se inclina” para um lado, para o qual a estrada também se inclina. Mas “num valor menor, então a inclinação relativa parece ir na direção oposta“.

Mas, se uma colina está fisicamente inclinada, como é que os nossos olhos nos enganam?

De acordo com psicólogos, está tudo relacionado com o horizonte. Em muitos destes bizarros locais, este encontra-se escondido, fazendo com que não tenhamos um ponto de referência adequado.

Um estudo de 2003, publicado na Psychological Science, investigou como é que a ausência de um horizonte pode distorcer a nossa perspetiva, ao recriar uma série de locais “antigravitacionais” da vida real no laboratório.

Os investigadores da Universidade de Padova e Pavia, em Itália, construíram modelos de várias “colinas de gravidade” e pediram a voluntários para as observarem, de uma forma que lhes dava a sensação de estarem no local.

De seguida, alteraram o horizonte do modelo para ver como é que isso afetava a perspetiva sobre a direção da inclinação e descobriram que, sem um horizonte verdadeiro à vista, as árvores e os sinais de trânsito pregavam partidas ao cérebro dos voluntários.

“Descobrimos que a inclinação percecionada depende da altura do horizonte visível. A inclinação da superfície tende a ser subestimada em relação ao plano horizontal e, quando precedida, seguida ou acompanhada por um declive com inclinação acentuada, uma descida pouco acentuada é percecionada como uma subida“, relata a equipa.

“Os efeitos visuais (e psicológicos) obtidos nas nossas experiências foram, em todos os aspetos, análogos aos experimentados no local. Após a conclusão da tarefa por parte de cada voluntário, colocamos um pequeno rolo na encosta e a fita parecia mover-se contra a lei da gravidade – produzindo surpresa e, às vezes, medo referencial”, dizem os investigadores, citados pelo Science Alert.

https://zap.aeiou.pt/desafiar-leis-gravidade-perspetiva-braga-372592

 

Dinossauro encontrado na Patagónia pode ter sido a maior criatura terrestre de sempre !

Uma reconstrução de dois patagotitanos ao amanhecer.

Ossos de um dinossauro encontrados na Patagónia podem pertencer ao maior animal que alguma vez existiu. Os ossos pertencem a um Titanossauro, uma espécie extinta de dinossauro herbívoro 

Fósseis de um dinossauro gigantesco estão a emergir do solo argentino, na Patagónia, após 98 milhões de anos. Os investigadores acreditam que esta criatura pode ter sido o maior animal terrestre alguma vez encontrado.

Os ossos pertencem a um Titanossauro, uma espécie extinta de dinossauro herbívoro que viveu no fim do período Cretáceo, entre 83 e 65 milhões de anos atrás.

Os paleontólogos não encontraram o esqueleto completo do animal, mas pelas vértebras e ossos pélvicos escavados do local é possível perceber a enorme dimensão desta criatura, escreve o jornal britânico The Independent.

Os autores do estudo publicado este mês na revista científica Cretaceous Research acreditam que o animal pode vir de uma população até agora desconhecida de Saurópodes da Patagónia. O parente mais próximo terá sido o Andessauro, que podia atingir os 18 metros de comprimento.

A verdade é que os fósseis encontrados sugerem que este Titanossauro pode ter sido bem maior do que o seu parente mais próximo. Os autores alegam que o novo espécime é “considerado um dos maiores Saurópodes já encontrados, provavelmente ultrapassando o tamanho do patagotitano”.

Paleontólogos acreditam que o patagotitano era até então o maior animal terrestre de sempre. Esta criatura terá pesado quase 60 toneladas e medido 31 metros de comprimento.

“O registo de saurópodes titanossauros sobredimensionados tem sido tradicional e extremamente fragmentário, embora descobertas recentes tenham revelado informações anatómicas significativas anteriormente indisponíveis devido a vieses de preservação”, disseram os investigadores.

“O espécime aqui relatado sugere fortemente a coexistência dos maiores e médios titanossauros com rebbachisaurídeos de pequeno porte (uma família de dinossauros saurópodes) no início do Cretáceo Superior na Província de Neuquén”, acrescentaram.

https://zap.aeiou.pt/dinossauro-maior-criatura-terrestre-373635

 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Centenas de estrelas nasceram ao mesmo tempo e organizaram-se numa rara fila à volta da Via Láctea

A Via Láctea abriga 8.292 fluxos estelares descobertos recentemente. Porém, Theia 456 é especial: um fluxo estelar é um padrão linear raro – em vez de um aglomerado – de estrelas.

Depois de combinar vários conjuntos de dados capturados pelo telescópio espacial Gaia, uma equipa de astrofísicos descobriu que todas as 468 estrelas do Theia 456 nasceram ao mesmo tempo e estão a viajar na mesma direção no céu.

“A maioria dos aglomerados estelares forma-se em conjunto”, disse Jeff Andrews, astrofísico da Northwestern University, em comunicado. “O que é empolgante sobre o Theia 456 é que não é um pequeno aglomerado de estrelas juntas. É longo e esticado. Existem relativamente poucos fluxos próximos, jovens e tão amplamente dispersos”.

Enquanto que os investigadores já sabem há muito tempo que as estrelas se formam em grupos, a maioria dos aglomerados conhecidos tem uma forma esférica. Porém, recentemente, os astrofísicos começaram a encontrar novos padrões no céu e acreditam que longas cadeias de estrelas já foram aglomerados compactos, gradualmente separados e esticados pelas forças das marés.

“À medida que começamos a tornarmo-nos mais avançados na nossa instrumentação, tecnologia e capacidade de minerar dados, descobrimos que as estrelas existem em mais estruturas do que aglomerados”, disse Andrews. “Costumam formar estes fluxos no céu. Embora já saibamos sobre eles há décadas, estamos a começar a encontrar os que estão escondidos”.

Estendendo-se por mais de 500 anos-luz, Theia 456 é um desses fluxos ocultos. Por residir no plano galáctico da Via Láctea, é facilmente perdido no cenário de 400 mil milhões de estrelas da galáxia. A maioria dos fluxos estelares são encontrados noutras partes do universo por telescópios apontados para longe da Via Láctea.

“Temos a tendência de focar os nossos telescópios noutras direções porque é mais fácil encontrar as coisas”, disse Andrews. “Agora estamos a começar a encontrar estes fluxos na nossa própria galáxia. É como encontrar uma agulha num palheiro”.

Identificar e examinar essas estruturas é um desafio da ciência de dados. Algoritmos de inteligência artificial vasculharam enormes conjuntos de dados estelares para encontrar essas estruturas. Em seguida, Andrews desenvolveu algoritmos para cruzar esses dados com catálogos pré-existentes de abundância de ferro de estrelas documentadas.

Andrews e a sua equipa descobriram que as 468 estrelas em Theia 456 tinham abundância de ferro semelhante, o que significa que as estrelas provavelmente se formaram juntas há 100 mil milhões de anos.

Adicionando mais evidências a esta descoberta, os cientistas examinaram um conjunto de dados de curvas de luz, que captura como o brilho das estrelas muda ao longo do tempo. “Isso pode ser usado para medir a velocidade com que as estrelas estão a girar”, disse o astrofísico Marcel Agüeros. “Estrelas com a mesma idade devem mostrar um padrão distinto nas suas taxas de rotação.”

Com a ajuda de dados do Transiting Exoplanet Survey Satellite da NASA e do Zwicky Transient Facility – que produziram curvas de luz para estrelas em Theia 456 – Andrews e os colegas determinaram que as estrelas no fluxo partilham uma idade comum.

A equipa também descobriu que as estrelas estão a mover-se juntas na mesma direção.

“Se se sabe como as estrelas se movem, podemos voltar atrás para descobrir de onde as estrelas vieram”, disse Andrews. “À medida que avançávamos no relógio, as estrelas ficavam cada vez mais próximas. Então, pensámos que todas as estrelas nasceram juntas e têm uma origem comum”.

Para Andrews, combinar conjuntos de dados e mineração de dados é essencial para compreender o Universo que nos cerca.

Esta descoberta foi apresentada numa conferência de imprensa virtual no 237º encontro da American Astronomical Society.

https://zap.aeiou.pt/centenas-de-estrelas-na-via-lactea-nasceram-ao-mesmo-tempo-e-organizaram-se-373676

 

Encontrado planeta “algodão doce” único - Desafia o que sabemos sobre a formação planetária !

Um dos exoplanetas mais leves já encontrados na Via Láctea está a desafiar a nossa compreensão sobre a forma como os planetas gigantes se formam.

Há uma rara categoria de planetas, denominada “planetas algodão doce”, que intriga os astrónomos: são mundos gigantes, cobertos por um imenso envelope de gases que lhes confere um tamanho incrível, mas com muito baixa densidade, uma vez que têm núcleos sólidos mais pequenos do que os de Júpiter e Saturno, os nossos gigantes gasosos.

É o caso do exoplaneta gigante WASP-107b, descoberto em 2017. No entanto, os cientistas acabam de descobrir que o WASP-107b tem uma peculiaridade que o torna único dentro do seu já estranho tipo: a sua massa é muito menor do que se achava ser necessário para criar a imensa camada de gás que o rodeia.

WASP-107b foi detetado pela primeira vez em torno de WASP-107, uma estrela a cerca de 212 anos-luz da Terra, na constelação de Virgem. O planeta está muito perto da sua estrela, mais de 16 vezes mais perto do que a Terra se encontra do Sol. Tão grande como Júpiter, mas 10 vezes mais leve, WASP-107b é um dos exoplanetas menos densos conhecidos.

Caroline Piaulet, do Instituto de Investigação de Exoplanetas, e a sua equipa usaram observações do WASP-107b do Observatório Keck, no Havai, para avaliar a sua massa com maior precisão.

Usaram o método da velocidade radial, que permite que a massa de um planeta seja determinada pela observação do movimento oscilante da sua estrela hospedeira através da atração gravitacional do planeta. Foi assim que concluíram que a densidade deste planeta “algodão doce” é cerca de um décimo da de Júpiter.

A equipa fez uma análise para determinar a sua estrutura interna mais provável e chegou à conclusão de que, com uma densidade tão baixa, o planeta deve possuir um núcleo sólido não mais do que quatro vezes a massa da Terra. Isso significa que mais de 85% da sua massa vem da espessa camada de gás que envolve o núcleo.

“Tínhamos muitas dúvidas sobre o WASP-107b”, disse Piaulet, em comunicado. “Como poderia formar-se um planeta de tão baixa densidade? E como evitou que a sua enorme camada de gás escapasse, especialmente dada a proximidade entre o planeta e a sua estrela?”.

Os planetas formam-se no disco de poeira e gás que envolve uma jovem estrela, chamado de disco protoplanetário. Os modelos clássicos de formação de planetas gigantes gasosos são baseados no que sabemos de Júpiter e Saturno. Essas teorias afirmam que é necessário um núcleo sólido pelo menos 10 vezes mais massivo do que a Terra para acumular uma grande quantidade de gás antes de o disco se dissipar.

Eve Lee, professora da McGill University, especialista mundialmente conhecida em planetas como WASP-107b, tem uma hipótese: “Para WASP-107b, o cenário mais plausível é que o planeta se formou longe da estrela, onde o gás do disco está suficientemente frio para que a acumulação de gás possa acontecer muito rapidamente ”. Posteriormente, o planeta migrou para a sua posição atual.

As observações também levaram a uma descoberta adicional: a existência de um segundo planeta, WASP-107c, com uma massa de aproximadamente um terço da de Júpiter, consideravelmente maior que a de WASP-107b.

Este novo planeta está muito mais longe da estrela central: demora três anos para completar uma órbita em torno dela, enquanto WASP-107b demora 5,7 dias. Além disso, os astrónomos descobriram que tem uma órbita muito excêntrica, o que significa que o caminho ao redor da sua estrela é mais oval do que circular.

“WASP-107c preservou em alguns aspetos a memória do que aconteceu no seu sistema”, disse Piaulet. “A sua grande excentricidade aponta para um passado bastante caótico, com interações entre os planetas que poderiam ter levado a grandes deslocações, como o suspeito de WASP-107b.”

Existem muitos mistérios em torno do WASP-107b. Estudos da atmosfera do planeta com o Telescópio Espacial Hubble revelaram uma surpresa: contém muito pouco metano. “É estranho, porque para esse tipo de planeta o metano deve ser abundante”, disse Piaulet.

Os cientistas calculam que WASP-107b perde 0,1 a 0,4% da sua massa a cada mil milhões de anos e que a maior parte dessa massa perdida é projetada no seu lado noturno, formando uma enorme cauda que é entre três e cinco vezes maior do que o próprio planeta, o que levou ao seu apelido de “supercometa”.

https://zap.aeiou.pt/planeta-algodao-doce-desafia-sabemos-373977

 

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