sábado, 25 de dezembro de 2021

Vacina antienvelhecimento tem sucesso em ratos de meia idade - E em humanos ?


Uma nova vacina tem mostrado resultados promissores contra o envelhecimento em ratos de laboratório, e os investigadores consideram que estão um passo mais perto de fazer o mesmo em humanos.

De acordo com o Live Science, a vacina experimental eliminou células envelhecidas com sucesso e ajudou os ratos a prolongarem as suas vidas e a inverterem alguns sinais de doenças, relacionadas com a idade.

“Eu acredito que os dados são bastante positivos”, refere Paul Robbbins, professor de bioquímica, biologia molecular e biofísica da Universidade do Minnesota.

Em teoria, a mesma abordagem funcionaria com humanos. Mas a principal questão é se seria seguro fazer o mesmo no corpo humano, segundo Robbins.

O investigadores explicam no estudo, publicado a 10 de dezembro na Nature Aging, que é preciso testar a vacina em mais animais, incluindo primatas, para depois passarem a humanos.  

A nova vacina tem como alvo as células senescentes, que são aquelas que pararam de se multiplicar, devido a estragos ou stresse, mas que não estão mortas.

Estas células acumulam-se à medida que vamos envelhecendo, sendo que o sistema imunitário se vai tornando cada vez menos eficiente no que diz respeito a eliminar esse tipo de células do corpo.

As células senescentes libertam componentes que causam inflamações nas células saudáveis, e contribuem para doenças relacionadas com a idade, incluindo cancro, Alzheimer e aterosclerose — afeta o coração e os vasos sanguíneos.

Durante as últimas décadas, investigadores têm trabalhado com terapias que eliminam as células envelhecidas do corpo. Algumas delas conseguiram reduzir a inflamação, atrasando as doenças e prolongando a vida dos ratos. Paul Robbbins refere que parte vacinas chegaram a ser testadas em humanos

Os principais benefícios de usar a vacina, em vez de medicamentos, para atacar as células senescentes, é o facto de as pessoas, as 50 anos, por exemplo, evitarem acumular sequer este tipo de células, explica Robbins.

O sistema imunitário de uma pessoa que levasse a vacina iria estar programado para localizar e eliminar as células envelhecidas. No caso dos medicamentos com o mesmo objetivo, a pessoa teria de os tomar regularmente, porque as células iriam continuar a aparecer, após cada tratamento.

Para a criação de uma vacina que seja segura para humanos, os investigadores selecionaram as células envelhecidas como alvo, para ser atacado pelo sistema imunitário. Mas como todas elas se podem tornar senescentes, têm um aspeto diferente umas das outras.

Ao longo do estudo, os investigadores focaram-se apenas num tipo de célula, que se encontra no meio das artérias e das veias.

Analisaram também quais as proteínas que apareciam, em grande quantidade, na superfície dessas células, para saber quais atacar com a nova vacina.

Das proteínas identificadas, foi escolhida a GPNMB, que parece acumular, com a idade, em alguns tecidos, e contribuir para algumas doenças, sendo que aparece em abundância em determinadas células de cancro, incluindo melanomas.

Os investigadores examinaram tecidos de pacientes humanos com aterosclerose e descobriram que as células “contaminadas” tinham bem mais GPNMB que as células sem a doença.

A equipa pretendeu então avaliar a se a expulsão desta proteína do corpo, poderia ajudar a reduzir a densidade das plaquetas doentes.

Para testar esta ideia, utilizaram um rato com aterosclerose e eliminaram as células com GPNMB, através de modificações genéticas. Descobriram que a quantidade de plaquetas contaminadas diminuía drasticamente.

A vacina dada aos ratos fez com que o sistema imunitário criasse anticorpos para combater a proteína. Fixaram-se às GPNMB’s, e marcaram as células adjacentes para serem eliminadas.

Para ter a certeza que a experiência era bem sucedida, foram usados ratos de meia idade na tentativa de prolongamento da qualidade de vida.

Um facto “surpreendente” de acordo com Paul Robbbins, é a não existência de efeitos secundários da vacina. os ratos não mostraram qualquer tipo de reação adversa.

O professor acredita que “nunca vai haver uma antigénio que seja completamente específico para células senescentes”. Por isso, existe sempre a preocupação que a vacina ataque células saudáveis.

O objetivo da equipa de investigação, de acordo com Robbins, é que, e longo termo, seja desenvolvida uma vacina que consiga conter vários aspetos do envelhecimento, com uma só dose.

https://zap.aeiou.pt/vacina-antienvelhecimento-tem-sucesso-em-ratos-de-meia-idade-e-em-humanos-451054


Físicos de Stanford ajudaram a criar cristais do tempo no interior de um processador quântico !


Uma equipa de investigadores conseguiu criar um cristal do tempo usando o hardware de computação quântica Sycamore, da Google.

A estrutura de um cristal do tempo repete-se – como o próprio nome indica – no tempo, infinitamente e sem qualquer entrada adicional de energia.

Recentemente, uma equipa de físicos da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, conseguiu criar um cristal do tempo usando o hardware de computação quântica Sycamore, da Google.

Este feito confirmou que um cristal do tempo é mesmo uma fase da matéria – um novo tipo de fase quântica fora do equilíbrio.

“Em vez de o usarmos na computação, usamos o computador como uma nova plataforma experimental para perceber e detetar novas fases da matéria”, explicou Matteo Ippoliti, citado no comunicado da universidade norte-americana.  

Para a equipa, o entusiasmante deste novo projeto não é apenas a criação de uma nova fase da matéria, mas também a criação de oportunidades para explorar novos regimes no campo da Física da matéria condensada, que estuda os novos fenómenos e propriedades trazidos pelas interações de muitos objetos de um só sistema.

O ponto de partida dos cientistas foi o Modelo de Ising, uma ferramenta útil para a compreensão de vários fenómenos físicos, incluindo as transições de fases da matéria ou o magnetismo.

Esta “máquina” concetual consiste numa rede onde cada local é ocupado por uma partícula que pode estar em dois estados, representada como um spin para cima ou para baixo.

Num primeiro momento, a equipa estudou sistemas localizados de muitos corpos em desequilíbrio, isto é, sistemas onde as partículas ficam “presas” no estado em que começaram e nunca podem relaxar até um estado de equilíbrio. Os cientistas estavam interessados em explorar fases que podem desenvolver-se nesses sistemas quando são periodicamente “chutados” por um laser.

Com os seus qubits, um processador quântico mostrou ser o laboratório ideal para testar esse tipo de sistemas, sobretudo pela facilidade de lidar com cada partícula (qubit) individualmente e observar o comportamento do sistema como um todo ao longo do tempo.


PUBLICIDADE


Os resultados mostraram várias fases estáveis fora do equilíbrio. Surpreendentemente, foi também revelada uma fase em que os spins das partículas alternavam entre padrões que se repetiam no tempo infinitamente, num período duas vezes maior do que o de acionamento do laser.

Foi assim criado o cristal de tempo.

O impulso periódico do laser estabelece um ritmo específico para a dinâmica do sistema. A “dança” dos spins deveria sincronizar com este ritmo, mas num cristal do tempo tal não acontece: em vez disso, os spins alternam entre dois estados, completando um ciclo apenas depois de serem energizados duas vezes pelo laser.

Isto significa que a “simetria de translação no tempo” do sistema foi interrompida.

Ainda que não seja incomum que as simetrias sejam interrompidas, a da translação no tempo destaca-se porque, ao contrário de outras, não pode ser interrompida em sistemas em equilíbrio.

É por isso que o impulso periódico do laser é uma lacuna – os físicos batizaram este tipo de evento de loophole – que torna possível os cristais de tempo.

O que torna um cristal de tempo único é o facto de ser um sistema de milhões de coisas que apresentam este tipo de comportamento combinado, sem qualquer entrada ou saída de energia.

“É uma fase da matéria completamente robusta, onde onde não se afinam parâmetros ou estados, mas o sistema ainda é quântico”, disse Shivaji Sondhi, professor de física em Oxford. “Não há alimentação de energia nem drenagem, mas continua para sempre e envolve muitas partículas que interagem fortemente.”

A investigação, cujo artigo científico foi publicado na Nature no mês passado, contou com o contributo de especialistas da Universidade de Stanford, do Google Quantum AI, do Instituto Max Planck e da Universidade de Oxford.

https://zap.aeiou.pt/cristais-do-tempo-processador-quantico-451781


quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Mistério com 90 anos resolvido - As cabeças dos cometas podem ser verdes, mas as caudas nunca !


Quando atravessam o céu, os cometas passam por uma metamorfose colorida. As “cabeças” destes corpos celestes tornam-se esverdeadas e cada vez mais brilhantes à medida que se aproximam do Sol, mas, estranhamente, a tonalidade desaparece antes de atingir a cauda.

O mistério tem intrigado os cientistas há quase um século.

Na década de 1930, o físico Gerhard Herzberg encontrou uma explicação para o fenómeno: segundo o especialista, deve-se à luz solar que “destrói” o carbono diatómico (também conhecido como dicarbono ou C2), criado a partir da interação entre a luz solar e a matéria orgânica na “cabeça” do cometa.

A teoria tem sido muito difícil de comprovar, uma vez que o químico não é estável. Agora, um novo estudo, cujo artigo científico foi publicado este mês na Proceedings of the National Academy of Sciences, conseguiu finalmente essa proeza e concluiu que a teoria está correta.

“Provámos o mecanismo pelo qual o dicarbono é destruído pela luz solar”, afirmou Timothy Schmidt, professor de Química na Universidade de New South Wales, citado pelo SciTechDaily. “Isto explica porque é que a coma verde – a camada de gás e poeira que envolve o núcleo – encolhe à medida que um cometa se aproxima do Sol e também porque é que a cauda do cometa não é verde.” 

Fotodissociação na Terra

O cabono diatómico – como o próprio nome indica – é composto por dois átomos de carbono e encontrado em ambientes extremamente energéticos ou de baixo oxigénio, como estrelas, cometas e o meio interestelar.

Não existe nos cometas até que se aproximem da nossa estrela.

Quando o Sol começa a aquecer o cometa, a matéria orgânica do núcleo congelado evapora e vai para a coma. A luz solar é a responsável por “destruir” essas moléculas orgânicas maiores, criando assim o carbono diatómico.

Com a ajuda de uma câmara de vácuo, lasers e uma poderosa reação cósmica, os cientistas mostraram que, à medida que o cometa se aproxima ainda mais do Sol, a radiação ultravioleta extrema “destrói” as moléculas de carbono diatómico que criou recentemente.

O processo, denominado fotodissociação, destrói o dicarbono antes de se afastar do núcleo, fazendo com que a coma verde se torne mais brilhante e reduza de tamanho antes mesmo de o tom esverdeado alcançar a cauda.

A equipa demorou cerca de 9 meses até conseguir realizar a primeira observação. Para isso foi preciso recriar o mesmo processo químico galáctico, na primeira vez que esta interação foi estudada aqui na Terra.

O esforço científico valeu a pena, pondo um ponto final num mistério com 90 anos. A teoria de Herzberg foi confirmada e, agora sim, podemos afirmar com toda a certeza que, mesmo que o dicarbono faça a cabeça do cometa brilhar em tons de verde, o mesmo não acontecerá com a sua cauda.

https://zap.aeiou.pt/cabecas-cometas-verdes-caudas-nao-451994

Os dias parecem mais curtos ? Não é só da nossa cabeça — A Terra está a girar mais rápido agora do que há 50 anos !


As mudanças de apenas um segundo podem ter um grande impacto na indústria das telecomunicações e na bolsa de valores.

A Terra está agora a girar mais rápido do que há 50 anos e, apesar da diferença ser minúscula, isso está a dar dores de cabeça aos físicos, aos programadores informáticos e até aos corretores das bolsas, escreve a Discover.

Estas ligeiras mudanças não são de agora. há centenas de milhões de anos, a Terra demorava 420 rotações — ou seja, dias — para completar uma órbita ao Sol. Os dias foram crescendo ao longo do tempo, em parte devido à influência da Lua nos nossos oceanos e desde que a Humanidade existe, que as 24 horas diárias se mantiveram consistentes, equivalendo às 365 rotações por cada volta ao Sol.

Mas com os avanços nos instrumentos de observação da rotação da Terra e da medição do tempo, os cientistas perceberam que existem pequenas alterações no tempo que demoramos a completar uma rotação.

Na década de 50, os cientistas desenvolveram relógios atómicos que medem o tempo com base na queda de alta energia dos eletrões de átomos de césio até ao seu estado normal.

Visto que o movimento dos relógios atómicos é gerado por este comportamento atómico que não se altera, não são afectados por mudanças externas, como as mudanças na temperatura, da mesma forma que os relógios normais são. Ao longo dos anos, os infalíveis relógios atómicos estavam a afastar-se ligeiramente do tempo marcado pelos relógios comuns.

“Com o avanço do tempo, há uma divergência gradual entre o tempo dos relógios atómicos e o tempo medido pela astronomia, isto é, pela posição da Terra ou da Lua e das estrelas”, revela o físico do tempo Judah Levine.

Ou seja, um ano registado pelos relógios atómicos era um pouco mais rápido do que o mesmo ano calculado com base no movimento da Terra e, para se evitar que essa divergência crescesse em demasia com as irregularidades da rotação do planeta, em 1972 passou-se a adicionar segundos de salto periodicamente aos relógios atómicos, algo que agora se repetiu algumas vezes.

“A rotação da Terra é um assunto complicado. Tem a ver com a troca de impulso angular entre a Terra e a atmosfera e os efeitos do oceano e o efeito da Lua. Não conseguimos prever o que vai acontecer num futuro longínquo“, explica Levine, que sublinha que a previsão inicial era até de que a Terra se tornaria mais lenta.

A continuação desta tendência pode trazer muitos problemas e exigir que os cientistas tenham de criar um segundo de salto negativo, ou seja, em vez de se dar mais um segundo no relógio para que a Terra consiga acompanhar, pode ser preciso remover um segundo da escala do relógio para que volte a haver congruência.

Mas esta alteração pode causar muitos desafios nas telecomunicações ou nos sistemas de navegação, já que os computadores não estão preparados para lidarem com estes saltos e porque a “espinha dorsal da internet é de que o tempo é contínuo”. Na bolsa também há problemas, visto que cada transação tem de ter uma hora específica e não pode haver a repetição do segundo na hora 23:59:59.

No geral, estas mudanças podem dar mais trabalho do que valem a pena e podemos demorar um século até haver uma diferença entre de um minuto entre o tempo verdadeiro e aquele que é registado pelos relógios atómicos.

https://zap.aeiou.pt/dias-curtos-terra-girar-rapido-451782


Esperar 60 segundos antes de cortar o cordão umbilical pode salvar vidas !

Um recém-nascido, ainda na maternidade, a ser pesado pela enfermeira
Um novo estudo mostra que esperar apenas 60 segundos antes de cortar o cordão umbilical dá aos bebés prematuros melhores taxas de sobrevivência.

De acordo com o site Science Alert, o estudo, conduzido em 25 hospitais espalhados por sete países, analisou o estado de mais de 1500 bebés prematuros dois anos depois de terem nascido.

Os recém-nascidos que tiveram os seus cordões umbilicais cortados um minuto depois – em vez de imediatamente a seguir a terem saído das barrigas das mães – tiveram melhores taxas de sobrevivência.

Quando os cientistas combinaram estes dados com os resultados de um outro ensaio clínico, ficando com um total de 1637 bebés, descobriram que esperar mais de 30 segundos reduziu o risco relativo de morte e invalidez aos dois anos em quase um quinto dos bebés.

Segundo o mesmo site, ao atrasar o corte do cordão, mais sangue flui da placenta para os bebés, com glóbulos vermelhos, células do sistema imunitário e células estaminais que ajudam os recém-nascidos a atingir níveis saudáveis de oxigénio e a controlar infeções.

Até há pouco tempo, os cordões umbilicais de bebés muito prematuros eram cortados quase imediatamente após o nascimento para que pudessem receber cuidados médicos urgentes.

“Aplicado de forma consistente em todo o mundo, esperar um minuto antes de cortar o cordão umbilical em bebés muito prematuros que não requerem reanimação imediata pode garantir que mais 50 mil sobrevivem sem grandes incapacidades na década seguinte”, disse Kristy Robledo, investigadora da Universidade de Sydney que liderou a análise.

O estudo foi publicado, a 8 de dezembro, na revista científica The Lancet Child and Adolescent Health.

https://zap.aeiou.pt/esperar-60-segundos-antes-de-cortar-o-cordao-umbilical-pode-salvar-vidas-451540

Glaciares dos Himalaias fundem “dez vezes mais rápido que nos últimos séculos” !


Os glaciares dos Himalaias estão a derreter cada vez mais rápido e põem em causa o abastecimento de água de milhões de pessoas na Ásia.

De acordo com um estudo da Universidade de Leeds, em Inglaterra, os glaciares dos Himalaias estão a derreter dez vezes mais rápido nas últimas décadas, do que há 400-700 anos atrás, na época conhecida por Pequena Idade do Gelo.

De acordo com o Phys Org, os glaciares da zona estão a diminuir muito mais rápido que os de qualquer outro lugar do mundo.

O estudo, publicado a 20 de dezembro na Scientific Reports, compara o tamanho e a superfície de 14.798 glaciares dos Himalaias durante o Pequena Idade do Gelo com os de agora, e calcula que perderam cerca de 40% de área, passando de 28.000km2 para 19.600 km2.

Durante o intervalo de tempo estudado, os investigadores também concluíram que desapareceram entre 390 km3 e 586 km3 de gelo, o equivalente ao que os Alpes da Europa centra, o Cáucaso e a Escandinávia têm, em conjunto.  

A água resultante do degelo subiu os níveis dos oceanos à volta do mundo, entre 0,92 e 1,38 milímetros, segundo os cálculos da equipa de investigação.

Jonathan Carrivick, autor do estudo e chefe do departamento de Geografia na Universidade de Leeds, explica que “as descobertas mostram que o gelo dos glaciares dos Himalaias está a derreter pelo menos dez vezes mais rápido que a taxa média dos séculos passados”.

“Esta aceleração na perda de gelo só surgiu nas últimas décadas, e coincide com as alterações climáticas induzidas pelo Homem“, acrescenta.

A cordilheira dos Himalaias detém a terceira maior quantidade de glaciares do mundo, depois da Antártida e do Ártico, e é frequentemente chamada de “terceiro polo”.

A aceleração do processo de derretimento dos glaciares tem grandes implicações no abastecimento de água de milhões de pessoas que dependem dos principais sistemas fluviais da Ásia, para terem alimentos e energia. As principais instalações situam-se nos rios de Brahmaputra, Ganges e Indus.

Os investigadores utilizaram imagens de satélite e modelos de elevação digitais, para recriar os limites dos glaciares há 400-700 anos.

As imagens revelaram as marcações dos limites dos antigos glaciares e, através da geometria destes contornos permitiu delinear as superfícies de gelo.

Em comparação com as superfícies atuais, conseguiu determinar-se o volume dos glaciares e as perdas de massa entre a Pequena Idade do Gelo e a atualidade.

As massas espessas de gelo estão a perder volume mais rápido na regiões orientais, sendo que o estudo sugere que esta variação se deve a diferenças geográficas dos dois lados da cordilheira, que possuem padrões meteorológicos diferentes.

Os glaciares dos Himalaias também estão a desaparecer mais rapidamente nas zonas que terminam em lagos, onde há efeitos diferentes de aquecimento, que aquelas que terminam em terra.

A quantidade e a dimensão destes lagos está a aumentar cada vez mais, o que pode resultar na aceleração contínua do degelo. 
Também os glaciares que têm possuem quantidades significativas de resíduos naturais na sua superfície, estão a perder massa mais rapidamente.

Contribuíram com cerca de 46,5% da perda de volume total, apesar de representarem apenas cerca de 7,5% do número total de glaciares.

Jonathan Carrivick realça que, “embora tenhamos que agir rapidamente para reduzir o impacto das alterações climáticas nos glaciares, também se devem ter em conta fatores como a influência dos lagos e detritos naturais”.

Simon Cook, co-autor do estudo, nota que “as pessoas da região já estão a assistir a mudanças, para além de tudo aquilo que foi testemunhado durante séculos”.

“Esta investigação é apenas a mais recente confirmação de que essas mudanças estão a acelerar e terão um impacto significativo em nações e regiões inteiras“, conclui o investigador.

https://zap.aeiou.pt/glaciares-himalaias-derretem-dez-vezes-mais-451992



Com o tempo, a poluição química do ar transforma-se em algo ainda mais tóxico !


Uma vez na atmosfera, os resíduos de produtos químicos industriais podem transformar-se em novas substâncias mais tóxicas e persistentes do que a poluição original.

Um grupo de investigadores decidiu recolher amostras de todo mundo para avaliar o perigo de diversos poluentes. De acordo com a análise, foram descobertos produtos químicos anteriormente não identificados em 18 grandes centros urbanos, incluindo Lagos, Nova Iorque, Tóquio e Varsóvia.

A Convenção de Estocolmo, um tratado internacional que regula a emissão de substâncias tóxicas, avalia o grau de perigo de diferentes poluentes com base no tempo que permanecem no meio ambiente, o nível de toxicidade e o grau de contaminação dos seres vivos.

No entanto, o estudo defende que esta abordagem tem sido limitada a uma lista de substâncias conhecidas e não tem em conta a forma como estas podem mudar à medida que se decompõem.

A investigação propõe então uma nova avaliação baseada em testes laboratoriais e simulações para prever que substâncias químicas irão surgir à medida que os produtos químicos interagem com o a.  

Liderados por John Liggio, da Environment Canada, os cientistas testaram a nova abordagem com nove produtos químicos retardadores de combustão, os mais comuns na atmosfera.

Em laboratório, observaram de que forma estas substâncias mudaram ao longo do tempo – quando em contacto com oxidantes do ar – e descobriram que deram origem a 186 substâncias distintas.

Depois de compararem estas novas substâncias com amostras de campo, os investigadores encontraram 19 derivados dos cinco retardadores que nunca tinham sido identificados na atmosfera até então.

De acordo com a AFP, a equipa analisou a persistência, a toxicidade e a bioacumulação das substâncias derivadas e os resultados demonstraram que os produtos podem durar mais tempo no meio ambiente e ser ainda mais tóxicos do que os resíduos originais. Às vezes, até 10 vezes mais.

No artigo científico, publicado na Nature a 15 de dezembro, os cientistas escreveram que esta nova abordagem deveria incluir produtos de transformação em programas de monitorização de ar, “para dar prioridade aos produtos de transformação de elevada preocupação para um escrutínio mais aprofundado”.

https://zap.aeiou.pt/poluicao-quimica-ar-mais-toxico-451525


Depois dos rios, chegam os lagos atmosféricos - Cientistas descobrem novo tipo de tempestade !


De acordo com a dupla de investigadores que estudou e descobriu o fenómeno, os lagos atmosféricos podem durar semanas e impactar profundamente as regiões onde se encontram.

Um novo tipo de tempestade acabou de ser descoberta nos céus do oceano Índico, ao qual foi dado o nome de lago atmosférico – em linha com os já descobertos rios atmosféricos. De acordo com os cientistas, o fenómeno consiste em piscinas de vapor de água concentrado que se deslocam lentamente, podendo o fenómeno durar dias.

Brian Mapes e Wei-Ming Tsai são os atmosféricos responsáveis pela descoberta, que aconteceu quando a dupla estudava os padrões do tempo sobre o Oceano Índico, uma região que, defendem, não recebe a atenção devida por parte dos meteorologistas. Mapes e Tsau dedicaram-se sobretudo a analisar os padrões da chuva e do vapor numa escala diária.

Os lagos atmosféricos estão naturalmente ligados aos rios atmosférico, um fenómeno amplamente estudado e comum que envolven longas e finas plumas de humidade concentrada que se podem estender ao longo de milhares de quilómetros. Estes rios – que também se movem a rápida velocidade – podem transportar uma grande quantidade de água, despejando-a sob a forma de chuva.

A definição de rios atmosféricos é importante porque é precisamente isto que os lagos, também atmosféricos, são na sua fase de formação – até que, num certo ponto, comprimem, formando uma massa isolada e concentrada de vapor de água. De seguida, os lagos deslizam lentamente através do céu, em áreas onde a velocidade do vento é quase inexistente.  

A equipa estudou cinco anos de dados recolhidos através de satélite do Oceano Índico, tendo identificado 17 lagos atmosféricos que duraram mais de seis dias. Estes ocorrem em todas as estações e ocorrem mais recorrentemente num intervalo de 10 graus até à linha do Equador. Ainda assim, a dupla de investigadores aponta que estes podem ocorrer em territórios mais distantes – não estando excluída a hipótese de estes fenómenos se converterem em ciclones tropicais.

Ainda de acordo com as informações divulgadas pelos cientistas, os lagos atmosféricos tendem a formar-se fora das correntes de vapor de água que fluem da região Indo-Pacífico e depois para oeste, até chegarem a atingir a costa oriental da África – trazendo chuva a estes territórios.

“É um lugar que, em média, é seco, pelo que quando estes lagos atmosféricos são muito consequentes”, explicou Brian Mapes. “Estou ansioso por aprender mais sobre o impacto locais destes lagos, sobretudo por se tratarem de áreas com histórias náuticas vulneráveis e fascinantes.”

Agora, a equipa planeia estudar mais profundamente estes lagos atmosféricos, de forma a perceber se podem ocorrer noutras partes do mundo como são influenciados pelas alterações climáticas.

https://zap.aeiou.pt/lagos-atmosfericos-cientistas-novo-tipo-tempestade-451586


EUA aprovam comprimido da Pfizer contra a covid-19 que reduz o risco de internamento e morte em 90% !


O medicamento da Pfizer promete ser ainda mais eficaz que o da Merck e reduz bastante o risco dos casos ligeiros e moderados passarem a graves e precisarem de apoio hospitalar.

A Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês) aprovou esta quarta-feira o uso do medicamento desenvolvido pela Pfizer contra a covid, depois da Agência Europeia do Medicamento (EMA) ter feito o mesmo na semana passada.

O órgão regulador norte-americano autorizou o uso de emergência do Paxloid, o medicamento em causa, para pacientes covid com mais de 12 anos com doença leve ou moderada e que tenham um grande risco de progressão para um caso mais grave ou comorbilidades associadas, como a idade avançada ou doenças crónicas.

O tratamento oral pode ser tomado em casa e é uma forma mais barata e rápida de tratar a covid-19, apesar de já se anteciparem falhas no fornecimento na fase inicial.

As vacinas têm sido a principal arma de combate contra a covid-19, mas são caras, difíceis de produzir e exigem uma injecção dada por um profissional de saúde, pelo que os medicamentos são opções atrativas para se aliarem à inoculação na luta contra a nova variante Ómicron.  

Também se espera que um medicamento anti-viral da Merck seja autorizado nos EUA em breve, mas o Paxloid apresenta menos efeitos secundários e é mais eficaz, garantindo uma redução em 90% das hospitalizações e mortes entre os pacientes de maior risco.

A sua eficácia só está comprovada num período de cinco dias depois do surgimento dos sintomas. O medicamento deve ser tomado a cada 12 horas durante cinco dias e é uma combinação de outros dois: o nirmatrelvir, uma nova droga experimental, e ritonavir, um antiviral já existente e usado contra o HIV.

O nirmatrelvir actua ao bloquear a acção de uma enzima que o coronavírus usa para se replicar. Já o ritonavir retarda a degradação do nirmatrelvir no organismo, aumentando a sua eficácia.

Tanto o medicamento da Pfizer como o Merck devem ser eficazes contra a Ómicron porque não atacam o pico de proteína onde surgem as mutações mais preocupantes da variante.

“A eficácia é alta, os efeitos secundários são poucos e é oral, cumpre todos os requerimentos. Estamos a ver uma redução em 90% no risco de hospitalização e morte num grupo de alto risco – isso é incrível”, revela Gregory Poland, da Mayo Clinic, ao Huffington Post.

A FDA baseou a decisão nos resultados de um teste feito a 2250 pacientes que mostrou que o medicamento cortou as hospitalizações e mortes em 89% quando dado a pessoas com covid-19 ligeira ou moderada num período de três dias após os primeiros sintomas. Menos de 1% foram hospitalizados e ninguém morreu.

Os EUA vão pagar cerca de 500 dólares por cada tratamento feito com o medicamento da Pfizer.

https://zap.aeiou.pt/eua-aprovam-comprimido-pfizer-covid-19-452128

 

A nova Seul poderá percorrer-se em dez minutos e será uma cidade hight-tech !



Ideia foi proposta por um gabinete de arquitetura dos Países Baixos e tem por base um conceito cunhado em 2016 por Carlos Moreno.

A pandemia veio alterar significativamente a forma como os cidadãos interagem com os espaços que os rodeiam, sejam esses espaços as suas próprias casas ou até as cidades onde vivem. Com estes conceitos em mente, um grupo de arquitetos produziu a ideia de uma cidade de 15 minutos, na qual os residentes podem chegar a todos os locais de trabalho e infraestruturas de lazer em não mais de 10 minutos.

Intitulada “Project H1”, a iniciativa pretende transformar uma antiga zona industrial numa cidade inteligente interconectada. Combinando oito edifícios residenciais com escritórios de trabalho e espaços de estudo, o território de mais de 50 hectares também terá espaços de fruição e entretenimento, centros de atividade física, piscinas ou quintas urbanas.

Planeada pela empresa de arquitetura neerlandesa UNStudio e apoiada pela Empresa de Desenvolvimento Hyunday – uma imobiliária detida pelo mesmo conglomerado por trás da fabricante de automóveis – a cidade também será livre de automóveis na totalidade da sua área. De acordo com um comunicado de imprensa, todas as “conveniências da cidade”, ainda assim, estarão à distância de uma caminhada de dez minutos.

Num outro comunicado, citado pela CNN, Ben van Berkel, um dos vice-diretores da UNStudio, garantiu que a “experiência de vida diária” dos residentes é a “principal prioridade” do projeto. “Nós fazemos isto através da inclusão de uma grande variedade de edifícios curados no local que proporcionam uma vasta gama de opções aos cidadãos sobre como podem passar o seu tempo de vida, seja trabalho ou lazer, poupando-lhes também tempo para viajar para outros locais da cidade – já que com o tempo que se poupa, cria-se também mais tempo”, pode ler-se.  

Um porta-voz do INStudo confirmou que o projeto já recebeu luz verde, mas não avançou datas para a sua concretização. Para já, os interessados em viver no território e curiosos sobre esta temática terão que se contentar com as imagens divulgadas, nas quais se destacam as zonas verdes e os passeios para os peões.

Ainda segundo os arquitetos, a cidade será alimentada por energia limpa gerada no local, ao passo que os sistemas de captação e armazenamento de chuva estão a ser concebidos para reduzir o isso de água. O conceito de cidade de 15 minutos foi inicialmente proposto pelo académico franco-colombiano Carlos Moreno, em 2016.

No entanto, os críticos afirmam que o conceito poderia causar gentrificação ao concentrar ainda mais a riqueza nas zonas mais acessíveis e convenientes. Porquê? Por que a conveniência das infraestruturas pode, por sua vez, resultar em preços incomportáveis para as comunidades de baixos rendimentos e marginalizadas. A pandemia, ainda assim, veio restaurar o interesse crescente pelo tema, face à necessidade de evitar aglomerações provocadas pelos transportes públicos e pelo teletrabalho, que requer mais condições para os trabalhadores nas suas próprias casas.

Carlos Moreno, num artigo publicado no jornal académico Smart Cities, no início do ano, escreveu que “o surgimento desta pandemia expôs a vulnerabilidade das cidades … e a necessidade de as repensar radicalmente, onde as medidas inovadoras precisam de ser adaptadas para assegurar que os residentes urbanos sejam capazes de lidar e continuar com as suas atividades básicas, incluindo as culturais, de forma a assegurar que as cidades permaneçam resilientes e habitáveis a curto e longo prazo”.

https://zap.aeiou.pt/nova-seul-percorrer-dez-minutos-hight-tech-451980

 

Ómicron tem sintomas diferentes de outras variantes e isso pode ser bom sinal !


A Ómicron é a variante de covid-19 com mais mutações no seu genoma e essas alterações parecem estar a reflectir-se nos sintomas de quem apanha a infecção que são novos e diferentes – e que parecem ser menos graves.

Os dados preliminares sobre a Ómicron indicam que esta nova variante provoca “resfriados, menos febre e mais cansaço”, conforme especialistas ouvidos pelo jornal espanhol El País. E estes são indícios de que pode causar “uma doença menos grave”, de acordo com as mesmas fontes.

“A perda de olfacto é cada vez menos comum”, destaca na publicação o professor catedrático de Medicina Preventiva na Universidade de León, Vicente Martín Sánchez, referindo-se a um sintoma que era muito habitual entre os infectados pela primeira vaga de covid-19.

A maioria dos infectados com Ómicron apresenta um quadro de sintomas semelhante a um “resfriado ou alergia”, sustenta Sánchez.

A Chefe de Doenças Infecciosas do Hospital Universitário Marqués de Valdecilla, em Santander, Carmen Fariñas, refere ao El País que nesta unidade têm sido atendidos casos “com espirros, rinorreia [o nariz a escorrer], dor de garganta mais moderada e menos febre do que com outras variantes”.

“É muito parecido com um resfriado normal, mas talvez com um pouco mais de cansaço e mal-estar”, aponta ainda Fariñas. “Já não vemos a perda de olfacto e paladar que havia, sobretudo, na variante Alfa”, ou britânica, que dominava em Dezembro de 2020, acrescenta esta médica.

Fariñas nota que têm existido “menos hospitalizações”, até porque “a maior parte da população está vacinada” e há muitas pessoas com “memória de uma infecção prévia” no seu organismo.

“Probabilidade de doença grave é inferior”

“É quase certo que a probabilidade de doença grave pela Ómicron é inferior à de outras variantes”, destaca no El País o responsável pelas Doenças Infecciosas do Hospital Vall d’Hebron de Barcelona, Benito Almirante.

Porém, Almirante repara que a maioria dos casos de infecção tem sido detectada em pessoas mais jovens. O cenário “preocupante” pode surgir com a infecção de pessoas “mais vulneráveis”, nomeadamente dos idosos com mais de 60 anos, vinca.

Já o Chefe de Infecciosas do Hospital Gregorio Marañón, em Madrid, Emilio Bouza, sublinha ao El País que, para já, ainda não há dados de análise suficientes para concluir que esta variante provoca, de facto, doença menos grave na maioria dos casos.

De resto, Carmen Fariñas alerta que quando os casos graves ocorrem em infectados com Ómicron, “o perigo de complicações muito sérias ou de morte é exactamente igual” ao de outras variantes.

Benito Almirante acrescenta também que os dados do Reino Unido, onde a Ómicron já está mais presente, indicam que “as hospitalizações com esta variante são 5 a 10 vezes menores que nas piores ondas”.

Por isso, este responsável acredita que não assistiremos de novo a situações de quase ruptura dos hospitais, mesmo com o crescimento do número de infectados.

Porém, será preciso esperar para ver qual será o impacto das festas natalícias no evolução da pandemia.

https://zap.aeiou.pt/omicron-sintomas-diferentes-452010

 

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Terramoto de 6,2 na escala de Richter na Califórnia !


A região costeira da Califórnia do Norte registou um terramoto de magnitude 6,2 na escala de Richter, mas não há para já relatos de feridos.

Segundo a CNN, há 28 anos que um terramoto de magnitude tão elevada não atingia a região, mas tendo em conta que o epicentro foi distante das cidades mais habitadas, não há relatos de vítimas, nem de um rasto de destruição.

O terramoto danificou alguns edifícios na região do estado norte-americano, nomeadamente vidros partidos. O USA Today também relata “tremores significativos”, mas “prováveis danos mínimos“, apesar de se terem registado “danos estruturais em edifícios” e lojas.

O terramoto ocorreu ao longo do Cabo Medocino, perto de Humboldt, e chegou a ser sentido em São Francisco e Chico.

William Honsal, xerife de Humboldt, explica que o tremor de terra “foi lento a desenvolver-se, mas depois sentiu-se realmente”. “Não sentíamos a terra a tremer tanto desde 2010”, acrescenta, em entrevista à CNN.  

O epicentro do terramoto verificou-se a cerca de 338 quilómetros a noroeste de São Francisco, perto da pequena cidade de Petrolia, que tem menos de mil habitantes.

A cidade mais próxima com maior densidade populacional é Eureka, que fica a cerca de 72 quilómetros a norte do epicentro, e terá perto de 26 mil habitantes.

Embora as autoridades não tenham sido obrigadas a evacuar quaisquer edifícios, algumas estradas tiveram de ser cortadas, devido a deslizamentos de rochas provocados pelos terramotos.

O conjunto de mais de 40 terramotos em 24 horas provocou também garrafas de vinho partidas, pão, cereais e outros produtos caídos ao longo dos corredores de uma mercearia em Ferndale.

O dono da loja relatou que se vê “muita confusão” e que estima os danos da mercearia em cerca de 15.000 dólares.

A maioria dos artigos secos podem ser recuperados, mas muitas das garrafas partidas eram vinhos caros e champanhes em stock para a época festiva.

O sistema de alerta de terramotos da Califórnia funcionou e foram enviados alertas para os telemóveis dos habitantes, cerca de 10-15 segundos antes de se sentir o tremor de terra.

O gabinete de Serviços de Emergência do estado está a “monitorizar ativamente” e a “coordenar a região com parceiros locais, para proteger a comunidade de quaisquer efeitos secundários“.

A última vez que um terramoto de magnitude tão elevada atingiu a região da Califórnia foi há 28 anos, em 1993. Nessa altura, morreu apenas uma pessoa.

https://zap.aeiou.pt/terramoto-de-62-california-451615

 

Queda acentuada de casos no Japão deixou especialistas boquiabertos e há explicações !


Pouco depois de os Jogos Olímpicos terem terminado, o Japão estava a braços com uma situação pandémica sombria. A quinta vaga ameaçava os hospitais, com o sistema médico do país a ser levado ao limite. No final de setembro, porém, os casos começaram a diminuir e o país mergulhou numa acalmia.

Hideaki Oka, especialista em doenças infecciosas no Saitama Medical University, explicou ao NPR que, durante dois meses seguidos, aquela unidade de saúde teve “zero pacientes covid”, pelo que a equipa do hospital conseguiu concentrar-se “na medicina geral, tal como nos tempos pré-pandemia”.

Esta reviravolta no Japão deixou os especialistas boquiabertos. Os casos de infeção por covid-19 caíram mais de 99% em relação ao seu pico e o país tem registado menos de uma morte por dia nas últimas semanas, o seu nível mais baixo desde julho do ano passado.

“Registamos, em média, menos de 50 novos casos [diários] durante oito semanas”, disse Norio Ohmagari, do Centro Nacional de Saúde e Medicina Global do Japão, numa conferência de imprensa no dia 9 de dezembro, sobre a situação em Tóquio.

“Pensamos que se deve às medidas adotadas por muitos cidadãos e instituições e à vacinação acelerada, graças aos esforços do pessoal médico e à compreensão dos cidadãos”, destacou o responsável.

Os Jogos Olímpicos serviram para impulsionar o esforço da vacinação. Atualmente, 80% da população de 125 milhões está totalmente vacinada, tendo a inoculação de reforço arrancado este mês.

No entanto, são poucos os que acreditam que foi um esforço governamental a decretar o sucesso do Japão na resposta à pandemia, até porque, apesar de ter acelerado o processo de vacinação, o ex-primeiro-ministro Yoshihide Suga manteve-se sempre muito preocupado com o impacto económico do distanciamento social.

Segundo o NPR, os meios de comunicação social e as revistas científicas continuam a publicar hipóteses sobre a existência de um “fatorX“, alguma característica da população japonesa ou do seu ambiente que ajudou a afastar danos mais graves decorrentes da doença.

“Uma hipótese em cima da mesa é a existência de algo intrinsecamente diferente nas células imunitárias que o povo japonês pode transportar e que é capaz de combater a infeção”, explicou Akiko Iwasaki, imunologista da Universidade de Yale.

Há também quem considere a possibilidade de uma variante mais suave do coronavírus já circular no Japão, dando a algumas pessoas imunidade ao SARS-CoV-2.

Uma outra teoria sustenta que, no Japão, a variante Delta pode ter sofrido uma mutação e perdido a capacidade de replicação.

Todas as teorias carecem, contudo, de comprovação. E, mesmo que estejam certas, o Japão não vai conseguir fechar-se aos “estranhos” eternamente. “Isto não vai durar para sempre. A realidade é que uma outra onda virá definitivamente”, rematou Oka.

https://zap.aeiou.pt/queda-acentuada-casos-covid-japao-451612

 

OMS pede contenção nas festas - “Um evento cancelado é melhor do que viver menos” !


O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou às famílias e às pessoas que tencionam estar juntas durante as festas de fim do ano para pensarem duas vezes.

“Um evento cancelado é melhor do que viver menos“, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus durante uma conferência de imprensa na ONU, em Genebra (Suíça).

“Estamos todos fartos desta pandemia. Todos queremos estar com as nossas famílias, mas para melhor as proteger e nos protegermos, em alguns casos, isso significa anular um evento“, declarou.

Por outro lado, no próximo ano, “a OMS compromete-se a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para acabar com a pandemia”, disse.

Num momento em que a quinta vaga da pandemia atinge em força muitos países e o surgimento da variante Ómicron volta a colocar o planeta em emergência, o líder da OMS declarou: “2022 deve ser o ano em que pomos fim à pandemia”.  

Mais uma vez, Ghebreyesus apelou para um melhor acesso às vacinas em países desfavorecidos.

“Se queremos acabar com a pandemia no próximo ano, devemos por fim à desigualdade, garantindo que 70% da população de cada país é vacinada até meio do ano”, afirmou.

O responsável reiterou que a OMS não se opõe às doses de reforço, mas sublinhou que devem ser reservadas às pessoas de risco ou aos maiores de 65 anos.

O diretor da OMS considerou que os países que administram doses de reforço a adultos ou crianças de perfeita saúde fariam melhor em partilhar essas vacinas ou convencer as pessoas não vacinadas a aderirem.

“Estamos confrontados com uma realidade bem dura, mas devemos ser solidários”, insistiu.

A covid-19 já provocou mais de 5,35 milhões de mortes em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

https://zap.aeiou.pt/evento-cancelado-melhor-viver-menos-451696

 

Chileno torna-se o primeiro humano a entrar e sair de um vulcão ativo em voo !

Piloto da força aérea chilena desafiou os limites e, depois de saltar de um helicóptero a mais de 3500 metros de altitude, ativou o seu fato com asas para entrar pela cratera de 200 metros do vulcão Villarrica, também conhecido como “A Casa do Diabo”.

Regra geral, o comportamento dos humanos perante uma ameaça tão significativa como a erupção de um vulcão é fugir para conservar a sua integridade física. Mas Sebastián Álvarez não é um humano qualquer. No passado mês de novembro, o antigo membro da força aérea chilena tornou-se a primeira pessoa a entrar e a sair de um vulcão em atividade. Fê-lo voando, não com recurso a um avião ou a um helicóptero, mas através de com um fato com asas — o que lhe permitiu cumprir um sonho antigo.

“Tudo começou porque eu tinha o sonho de voar. Desde criança que só queria voar e, sabe-se lá como, consegui fazê-lo”, descreveu à CNN.

Apesar deste sonho, Álvarez não é estranho à adrenalina, devido à sua carreira como piloto mas também pela sua paixão pelo skydive, uma atividade que se tornou uma paixão que alimentou sempre que tinha tempo disponível e, por isso, o fez tornar-se um dos melhores skydivers do mundo. Quando o skydive se tornou um hábito, a procura por novas fontes de adrenalina começou, o que levou Álvarez a iniciar-se no base jumping e, eventualmente, nos voos de fatos com asas.

Foi precisamente através desta última modalidade — ou tecnologia — que se atreveu a explorar uma das maiores e vistosas maravilhas naturais do seu país, o vulcão Villarrica, considerado um dos mais ativos e perigosos do Chile — normalmente chamado de “Casa do Diabo”.

Durante a experiência, saltou de um helicóptero a mais de 3500 metros de altitude, ativou a o fato com asas — capaz de atingir mais de 280 quilómetros por hora — e entrou pela cratera de 200 metros , tendo saído logo de seguida. Posteriormente, não teve dúvidas em caracterizar a experiência como “a mais extrema que já teve”.

“Isso de certeza. Por todos os fatores: era um vulcão ativo, uma altitude elevada, estava frio e vento, pelo que existiam muitos fatores que eu devia ter em consideração. Mentalmente, foi muito difícil porque a minha mente não quer estar ali, mas é preciso esse tipo de força para fazer acontecer. Adoro fazer estes projetos porque gosto de elevar a fasquia do desporto um bocadinho mais”, explica.

Mesmo sendo um expert — com qualidades reconhecidas mundialmente —, a preparação para a mais recente aventura do chileno começou há mais de um ano, seja no que respeita a práticas (fez mais de 500 saltos de treino) ou a cálculos, onde tentava prever elementos como a velocidade, a distância ou a pressão do ar, de forma a perceber se a tarefa a que se propunha era realmente viável ou não.

Na realidade, Sebástian Álvarez considera que a preparação para o salto começou muito antes. “O treino para isto foi toda a minha vida, basicamente. É preciso ser skydiver, um base jumper, e se fores piloto, melhor. Todos os caminhos que segui ao longo da minha vida juntaram-se e permitiram que isto acontecesse. Mesmo que se treine dois anos para isto e não se tenha feito skydiving antes, por exemplo, não seria possível. Por isso, foi mesmo uma preparação de uma vida”, apontou.

Do seu lado, para conseguir fazer história, estiveram também as condições meteorológicas, que no sul do Chile podem ser extremas. De facto, houve mesmo tentativas canceladas devido a fortes ventos, chuva ou neve, mas também fortes tempestades que assolaram a região.

“Eu estava com medo que não conseguíssemos uma boa e bonita janela de tempo para fazer isto. Mas acho que eu e o vulcão nos entendemos. Ou pelo menos ele deixou-me fazer isto. Por isso tivemos bom tempo e o vulcão não esteve muito ativo durante essa semana, acho que o nosso acordo resultou“, disse, em jeito de brincadeira à televisão norte americana, deixando claro que estabelece uma comunicação com aquele organismo vivo.

Apesar do seu perfil destemido, o homem-pássaro, como já lhe chamam, está ciente dos perigos que correu. “É um vulcão e está ativo. Se eu caísse, sabem qual seria o resultado. Se o vulcão não me quisesse lá dentro, ele podia fazer o que quisesse. Pelo que pedi autorização e, mais tarde, acabei por regressar lá novamente para agradecer.

https://zap.aeiou.pt/chileno-primeiro-humano-entrar-sair-vulcao-ativo-voo-451489
 

“Tesla baby” - Mulher dá à luz no carro enquanto o piloto-automático conduzia até ao hospital !


Funcionalidade foi determinante para que o pai conseguisse ajudar no trabalho de parto.

A Elon Musk é atribuída a invenção de inúmeras tecnologias, ainda assim, não consta que desse leque faça parte – ou até das suas intenções – a criação de uma maternidade móvel. Mas a verdade é que foi precisamente isso que um dos veículos da Tesla foi para uma mulher de Filadélfia, nos Estados Unidos, enquanto o veículo continuava em andamento através da funcionalidade do piloto automático.

A peripécia aconteceu quando Yiran Sherry, de 33 anos, juntamente com o seu marido, Keating Sherry, de 34 anos, levavam o seu filho mais velho ao jardim de infância, até serem interrompidos pelo rebentamento das águas da mulher.

O processo desenrolou-se tão rapidamente – as contrações eram cada vez mais fortes e mais frequentes – que o casal percebeu ser incapaz de chegar ao hospital a tempo.

Como tal, Keating Sherry ativou o modo piloto automático do carro, focando a sua atenção em ajudar no trabalho de parto da sua mulher – que acabaria por revelar aos meios de comunicação norte-americanos que a decisão de não aguentar o nascimento até chegarem ao hospital foi “aterrorizante”.  

O facto de o tempo previsto de viagem se manter inalterável no ecrã do carro terá ajudado.

O parto acabou por se concretizar já nas imediações do hospital – nasceu uma menina a quem foi dado o nome de Maeve Lily –, com os enfermeiros a cortarem o cordão umbilical com a mãe ainda dentro do carro. Já o pai, garante que só respirou de alívio quando o médico pediatra o informou que a bebé estava saudável e o congratulou pelo momento.

Yiran revelou que durante a sua permanência no hospital, revelou, os enfermeiros apelidaram a sua bebé de “Tesla baby” – os pais não fugiram à tendência, tendo chegado a considerar o nome de Tess para a filha, de forma a homenagear a empresa de Musk.

A recém-mãe também aproveitou a sua visibilidade na empresa para agradecer aos engenheiros da Tesla pelo “design brilhante do piloto-automático”.

A notícia do nascimento surge numa semana em que a Tesla se deparou com acontecimentos menos simpáticos para o bom nome da empresa. Em Paris, uma empresa de serviço de táxi descontinuou o uso do Model 3 após um acidente fatal. Dos Estados Unidos chegam também notícias de que nas instalações da empresa são recorrentes as situações de assédio sexual — as quais, alegam as queixosas, são do conhecimento dos quadros superiores, que insistem em nada fazer.

https://zap.aeiou.pt/tesla-baby-mulher-da-a-luz-no-carro-enquanto-o-piloto-automatico-conduzia-ate-ao-hospital-451414

 

Moderna - Terceira dose da vacina contra a covid-19 pode proteger da variante Omicron !

Enfermeira, a usar máscara e viseira, a dar uma vacina a um senhor
A Moderna defendeu esta segunda-feira que uma dose de reforço da sua vacina contra a covid-19 parece ser protetora contra a variante Omicron.

Depois de realizar testes laboratoriais, a farmacêutica garantiu que a sua versão atual da vacina continuará a ser a “primeira linha de defesa da Moderna contra a Omicron”, escreve a Reuters.

De acordo com a Moderna, a decisão de a farmacêutica se concentrar na vacina atual – mRNA-1273 – foi motivada, em parte, pela rapidez com que a variante recentemente descoberta se está a espalhar.

A empresa continua, no entanto, a planear uma vacina que proteja as pessoas especificamente contra a variante Omicron e espera avançar para ensaios clínicos no início do próximo ano.

“O que temos disponível neste momento é a 1273”, disse Paul Burton, diretor clínico da Moderna, referindo-se à atual vacina contra a covid-19.

“É altamente eficaz e extremamente segura. Penso que irá proteger as pessoas durante o período festivo e durante os meses de Inverno, quando se irá assistir à pressão mais severa da Omicron”, continuou.

A empresa disse ainda que a administração de duas doses – ambas de 100 microgramas – da sua vacina cria anticorpos pouco neutralizantes contra a variante Omicron, mas que uma dose de reforço de 50 microgramas aumenta os anticorpos neutralizantes e uma dose de reforço de 100 microgramas leva a níveis de anticorpos ainda mais elevados (mais de 80 vezes os níveis de pré-reforço).

Estes dados surgem na sequência da análise de amostras de sangue de pessoas que receberam uma vacina contra um pseudovírus concebido para se assemelhar à variante Omicron.

Burton disse que é da responsabilidade dos governos e reguladores avaliar se querem o nível de proteção melhorado que uma dose de 100 microgramas pode conferir.

Além disso, a farmacêutica garantiu que a dose de 100 microgramas é geralmente segura e bem tolerada, embora haja uma tendência para reações adversas ligeiramente mais frequentes.

Os reguladores norte-americanos já autorizaram o reforço de 50 microgramas da vacina de Moderna em outubro.

A Omicron, uma variante altamente contagiosa detetada pela primeira vez no mês passado na África Austral e Hong Kong, espalhou-se por todo o mundo e foi notificada em 89 países, informou a Organização Mundial de Saúde, no sábado.

Apesar de o número de casos de Omicron estar a duplicar em áreas com transmissão comunitária, muito permanece desconhecido sobre a variante, incluindo a gravidade da doença que causa.

https://zap.aeiou.pt/terceira-dose-da-vacina-contra-a-covid-19-da-moderna-parece-proteger-da-variante-omicron-451370

 

Há 41 mil anos, uma perturbação no campo magnético levou as auroras boreais para um lugar inesperado !


Hoje em dia, não há melhor sítio para ver auroras boreais do que os países perto do Polo Norte. Mas o mesmo não acontecia há 41 mil anos.

Há 41 mil anos, uma perturbação no campo magnético da Terra, conhecida como evento Laschamp, fez com que as auroras aparecessem perto do equador, onde normalmente nunca são vistas, relatou uma equipa de cientistas na conferência anual da União Geofísica dos Estados Unidos, que aconteceu na passada quinta-feira.

Foram precisos cerca de 1300 anos para o campo magnético voltar à sua força e inclinação originais, explicaram ainda os investigadores.

De acordo com o site Live Science, a equipa utilizou uma série de modelos diferentes para chegar a esta conclusão. Em primeiro lugar, usaram dados sobre o magnetismo do planeta a partir de sedimentos de rochas antigas, bem como dados vulcânicos, numa simulação do campo magnético durante o evento Laschamp.

Depois, combinaram esses dados com simulações das interações da magnetosfera com o vento solar e, de seguida, usaram esses resultados num outro modelo que calculou a localização, forma e força da aurora, analisando os parâmetros das partículas solares que criam as auroras, como a sua pressão iónica, densidade e temperatura.  

Esta foi a primeira vez que os cientistas usaram esta técnica “para simular o sistema geoespacial e prever as configurações magnetosféricas, juntamente com a localização da aurora”, disse Agnit Mukhopadhyay, investigador da Universidade do Michigan que apresentou o estudo.

A equipa descobriu que, embora a magnetosfera tenha encolhido cerca de 3,8 vezes o raio da Terra durante o evento Laschamp, nunca desapareceu completamente. Durante esse período, os polos que antes estavam posicionados a norte e a sul moveram-se em direção às latitudes equatoriais, o que fez as auroras segui-los.

“A inclinação geomagnética foi significativamente distorcida dos polos geográficos. Isso levou a precipitação auroral a seguir os polos magnéticos e a deslocar-se das regiões polares geográficas da Terra para as latitudes do equador”, disse ainda o investigador.

Segundo Mukhopadhyay, também é “altamente provável” que este período tenha provocado mudanças na atmosfera da Terra que afetaram as condições de vida em algumas partes do planeta.

https://zap.aeiou.pt/41-mil-anos-perturbacao-campo-magnetico-451502


“Águia de Sangue”, o ritual de tortura e execução dos vikings, era anatomicamente possível !

Conhecido como “Águia de sangue”, este ritual de tortura e execução dos vikings era anatomicamente possível, revela um novo estudo.

Famosos pelos seus longos barcos e incursões sangrentas, os vikings há muito são associados à violência brutal e exagerada. Entre os séculos VIII e XI, esses grupos deixaram as suas terras nórdicas para fazer fortuna a negociar e invadir a Europa.

Particularmente infame é a chamada “águia de sangue”, um ritual sangrento que esses guerreiros teriam realizado nos seus inimigos mais odiados. O ritual supostamente envolvia esculpir as costas da vítima e tirar as suas costelas da coluna, antes de os pulmões serem arrancados pelas feridas resultantes.

O movimento final dos pulmões espalhados nas costelas estendidas supostamente assemelha-se ao movimento das asas de um pássaro — daí a águia no nome.  

Representações do ritual apareceram recentemente na série de TV Vikings e no videojogo Assassins Creed: Valhalla, bem como no filme de terror sueco de 2019 Midsommar.

Durante décadas, os investigadores rejeitaram a “águia de sangue”, sugerindo que era uma lenda. Nenhuma evidência arqueológica do ritual foi encontrada, e os próprios vikings não mantiveram nenhum registo, listando as suas realizações apenas em poesia falada e sagas que foram escritas séculos depois.

Portanto, o rito sangrento foi rejeitado como improvável, resultante de repetidos mal-entendidos de poesia complexa e um desejo dos escritores cristãos de pintar os seus atacantes nórdicos como bárbaros pagãos.

No entanto, um novo estudo tem uma abordagem totalmente nova sobre o assunto.

Uma equipa de investigadores, composta por cientistas médicos e um historiador, contornou a velha questão de “a águia de sangue aconteceu realmente?”, Perguntando em vez disso: “Este ritual poderia ter sido feito?” A resposta é um sim definitivo.

Estudos anteriores sobre a águia de sangue sempre se focaram nos detalhes de relatos medievais da tortura, com debates prolongados concentrando-se nos termos exatos usados para descrever o “corte” ou “entalhe” da águia nas costas da vítima.

Uma posição amplamente defendida é que todo o fenómeno é um mal-entendido de alguma poesia complicada, não algo que poderia realmente ter sido tentado.

Usando o conhecimento moderno de anatomia e fisiologia, juntamente com uma reavaliação meticulosa dos nove relatos medievais do ritual, os autores investigaram o efeito que uma águia de sangue teria no corpo humano. O que descobriram foi que o procedimento em si seria difícil, mas longe de impossível de ser realizado, mesmo com a tecnologia da época.

Os autores suspeitam que um tipo específico de ponta de uma lança Viking poderia ter sido usado como uma ferramenta improvisada para “abrir o fecho” da caixa torácica rapidamente na parte de trás. Essa arma pode até ser retratada num monumento de pedra encontrado na ilha sueca de Gotland, onde uma cena esculpida retrata algo que poderia ter sido uma águia de sangue ou outra execução.

No entanto, os investigadores também perceberam que mesmo que o ritual fosse executado com cuidado, a vítima teria morrido muito rapidamente. Portanto, qualquer tentativa de remodelar as costelas em “asas” ou remover os pulmões teria sido realizada num cadáver.

Embora isso possa tornar o som da águia de sangue ainda menos provável para os ouvidos modernos, também ficou demonstrado que, embora mutilar cadáveres e realizar rituais em cadáveres fosse incomum, não estava totalmente fora do personagem da elite guerreira da Era Viking.

Baseando-se em dados arqueológicos e históricos, o novo estudo mostrou que o ritual da águia de sangue encaixa-se com o que sabemos sobre como é que a elite guerreira da Era Viking se comportava.

Eles não hesitavam em exibir cadáveres de humanos e animais em rituais especiais, inclusive durante execuções.

O estudo examinou especificamente os chamados “sepultamentos desviantes”, como o esqueleto de uma nobre que foi decapitada na Birka do século X e posteriormente enterrada com os restos da sua cabeça entre o braço e o torso, com a sua mandíbula (possivelmente destruída durante a decapitação) substituída por uma mandíbula de porco.

Os guerreiros desta camada da sociedade também eram obcecados pela sua reputação e estavam dispostos a ir ao extremo para proteger a sua imagem.

A águia de sangue parece ter sido um caso mais extremo desse tipo de comportamento conduzido apenas em circunstâncias excecionais: num prisioneiro de guerra capturado que tinha anteriormente submetido o pai do praticante do ritual (ou outro parente masculino) a uma morte vergonhosa.

Nas sagas medievais, algumas dessas mortes incluem vítima a serem atiradas a uma cova de cobras, queimadas até à morte e até mesmo tendo as suas tripas arrancadas e pregadas a um poste. Nas sagas, a águia de sangue é retratada como uma forma de os familiares da vítima reivindicarem a sua honra perdida.

Os autores argumentam, portanto, que a águia de sangue poderia muito bem ter ocorrido na Era Viking. Era fisicamente possível, em consonância com os hábitos sociais mais amplos de execução e tratamento de cadáveres, e refletia uma obsessão cultural em demonstrar a sua honra e prestígio.

Além de mais, a sua brutalidade teria garantido que todos que ouvissem sobre o ritual ficassem ansiosos para contar a história em todos os seus detalhes sangrentos — assim como ainda está a ser contada hoje.

https://zap.aeiou.pt/aguia-de-sangue-possivel-451500


Tardígrado é o primeiro organismo multicelular a ser entrelaçado quanticamente !


Tardígrado é o primeiro organismo multicelular a ser entrelaçado quanticamente e a sobreviver. Os cientistas esperam agora fazer o mesmo com outras formas de vida.

Os tardígrados, popularmente conhecidos como ursos de água, são talvez uma das criaturas mais misteriosas do Universo. Aos poucos, vamos conhecendo mais sobre estes seres extremófilos, capazes de sobreviver em situações extremas, no vácuo do espaço e em temperaturas abaixo de zero. É mesmo considerado o animal mais resistente do mundo.

Agora, estas criaturas somam mais um feito ao seu palmarés, tornando-se o primeiro organismo multicelular a ser entrelaçado quanticamente. Um tardígrado foi entrelaçado quanticamente com um qubit supercondutor — e viveu para contar a história.

O entrelaçamento quântico é um fenómeno da mecânica quântica que permite que dois ou mais objetos estejam de alguma forma tão ligados que um objeto não possa ser corretamente descrito sem que a sua contraparte seja mencionada — mesmo que os objetos possam estar espacialmente separados por milhões de anos-luz.

Caracterizado por Albert Einstein como “ação fantasmagórica à distância”, o entrelaçamento quântico não respeita algumas das leis fundamentais da física.  

A New Scientist explica que uma equipa de investigadores colocou um tardígrado em hibernação num qubit supercondutor. Depois, baixou a pressão e a temperatura para um vácuo quase perfeito e perto de zero absoluto, reduzindo qualquer influência externa.

Quando mediram a frequência natural na qual a combinação tardígrado-qubit vibrava, o resultado só fazia sentido se os dois objetos estivessem num estado de entrelaçamento quântico, o que significa que suas propriedades quânticas estavam ligadas.

Por fim, os investigadores conseguiram despressurizar e aquecer o tardígrado de volta ao seu estado natural.

“Esta experiência mostra — porque está muito frio e durante muito tempo — que [o tardígrado] é realmente ametabólico. Não há química a acontecer”, disse o coautor Tomasz Paterek.

Embora o tardígrado certamente estivesse vivo antes e depois da experiência, um ponto de discórdia é se estaria vivo durante o entrelaçamento quântico e exatamente como é que ele foi emaranhado.

Esta não é a primeira vez que um tardígrado é sujeito a entrelaçamento quântico, mas é a primeira vez que um sobrevive. Agora, os cientistas esperam tentar isto com outras formas de vida.

https://zap.aeiou.pt/tardigrado-entrelacado-quanticamente-451527


O “Cometa do Natal” pode ter desencadeado uma chuva de meteoros em Vénus !


Apesar de improvável, é possível que o cometa Leonard, batizado por alguns astrónomos como “Cometa de Natal”, tenha desencadeado uma chuva de meteoros em Vénus este fim de semana.

O C/2021 A1, também conhecido como cometa Leonard ou “Cometa de Natal”, passou muito perto do planeta Vénus este fim de semana.

Além de ter desempenhado o papel de marcador no céu noturno, ajudando os astrónomos a identificar o cometa mais facilmente, a sua proximidade ao planeta pode ter produzido uma chuva de meteoros.

Segundo o Live Science, tendo em conta a espessa cobertura de nuvens em Vénus, observar este evento exigiria estar entre 55 e 60 quilómetros acima da superfície, um local onde a temperatura e a pressão são algo semelhantes à Terra.

Num artigo científico disponível no arXiv, Qicheng Zhang, estudante de Ciências Planetárias na Caltech, sugeria que o melhor cenário para uma chuva de meteoros acontece quando Vénus “atravessa” o rasto do cometa.  

Este cenário é, no entanto, bastante raro, uma vez que exigiria uma atividade muito elevada do cometa. Mas não impossível.

“Se tivéssemos uma deteção positiva de meteoros em Vénus a partir deste evento, essa observação dir-nos-ia que este cometa estava bastante ativo a grandes distâncias do Sol”, explicou Zhang em declarações ao Space.

https://zap.aeiou.pt/cometa-natal-chuva-meteoros-venus-451494


Amostras com mais de 35 anos associam o HIV ao microbioma intestinal !


Investigadores descobriram uma associação entre a coleção de bactérias no intestino de uma pessoa e a sua probabilidade de contrair HIV.

Os cientistas chegaram a esta conclusão ao analisar amostras de sangue e fezes recolhidas há mais de 35 anos.

Nessa altura, nos anos 80, a SIDA ainda era algo virtualmente desconhecido. A comunidade científica pouco sabia sobre a doença, verificando apenas que afetava principalmente homens que tinham relações sexuais contra outros homens.

Para procurar perceber mais sobre a doença, em 1983, os Estados Unidos financiaram um estudo. Conhecido como Multicenter AIDS Cohort Study, envolveu a participação de 5 mil homens gays e bissexuais.

A cada seis meses, os participantes recolhiam amostras de sangue, urina e fezes. Embora nenhum dos homens tivesse SIDA no início do estudo, alguns deles contraíram a doença entretanto.  

As amostras dos pacientes que contraíram SIDA foram congeladas criogenicamente e armazenadas para investigação futura, escreve o portal FreeThink.

“Deixe-me dizer uma coisa, houve alguma pressão para deitar fora estas coisas”, disse Charles Rinaldo, professor de doenças infecciosas da Universidade de Pittsburgh, em declarações à Axios. “Custa muito dinheiro mantê-las por 35 anos. Eu fui uma das pessoas que disse ‘de jeito nenhum'”.

Estudos recentes têm mostrado que o microbioma intestinal pode afetar tudo, desde a estrutura do cérebro ao sucesso dos tratamentos contra o cancro. Por isso, Rinaldo e Shyamal Peddada decidiram perceber se havia uma eventual ligação com o HIV.

Os cientistas analisaram amostras de sangue e fezes de 265 participantes do Multicenter AIDS Cohort Study, sendo que 109 deles vieram a contrair a doença.

A equipa liderada por Rinaldo e Peddada descobriu que os homens que contraíram HIV tinham níveis mais altos de uma bactéria associada à inflamação no microbioma intestinal e níveis mais baixos de quatro bactérias associadas à resposta imunitária.

Além disso, também tinham níveis mais altos de inflamação no sangue antes de contrair o HIV.

Aqueles com esses microbiomas desfavoráveis também viram a sua doença progredir para SIDA mais rapidamente do que os homens HIV-positivos com intestinos mais “normais”, explica o FreeThink.

Estes resultados sugerem que há uma eventual associação entre as bactérias no microbioma intestinal e a probabilidade de contrair HIV. Esta ligação pode ajudar na luta contra a SIDA e outras doenças.

“Se o microbioma intestinal influencia a suscetibilidade de uma pessoa ao HIV desta forma, pode estar a fazer o mesmo com outros patógenos, como a covid-19”, sublinhou Rinaldo.

https://zap.aeiou.pt/amostras-hiv-microbioma-intestinal-450856


O “glaciar do juízo final” da Antártida está a dar as últimas badaladas !

Uma das frentes do Thwaites, o "glaciar do juizo final".
O Thwaites, conhecido como o “glaciar do juízo final” deverá desaparecer dentro de três anos, avisam os cientistas.

A Antártica está a correr sérios perigos de desaparecer. Os cientistas já apelidaram o Thwaites – um glaciar que tinha o tamanho da Grã-Bretanha localizado no oeste do continente – de “glaciar do juízo final”, devido à rapidez com que está a derreter.

“Thwaites é o maior glaciar do mundo”, disse Ted Scambos, investigador do Instituto Cooperativo de Pesquisa em Ciências Ambientais (CIRES). “A sua velocidade de escoamento duplicou nos últimos 30 anos, e o glaciar na sua totalidade retém água suficiente para elevar o nível do mar em mais de meio metro. E pode levar a um aumento ainda maior do nível do mar, de até 3 metros, se atrair os glaciares à sua volta”.

Na reunião anual da American Geophysical Union (AGU), investigadores avisaram que o “glaciar do juízo final” pode vir a desaparecer dentro de três anos. O seu colapso pode desencadear uma cascata de colapso glacial na Antártida.

À medida que o glaciar derrete e enfraquece, torna-se mais propenso a fraturas superficiais que podem espalhar-se até que toda a plataforma de gelo estilhace “como a janela de um carro”.  

Thwaites já perdeu cerca de 900 mil milhões de toneladas de gelo desde 2000. A sua perda anual de gelo duplicou nos últimos 30 anos, escreve o Live Science.

Mais de 100 cientistas dos Estados Unidos e do Reino Unido estão a colaborar em oito projetos de investigação para observar o glaciar de cima a baixo. Os resultados foram apresentados este mês na reunião da AGU.

No final, os resultados deverão oferecer estratégias para rastrear os impactos do degelo glacial no aumento do nível do mar nas próximas décadas e como é que isso afetará as comunidades costeiras em todo o mundo.

Até agora, os investigadores mediram a temperatura e a salinidade no oceano, confirmando que as águas profundas debaixo do gelo eram quentes o suficiente para causar derretimento significativo.

Também se descobriu que a atividade das marés poderia estar a bombear ativamente água quente para o interior do glaciar através de canais que já abertos pelo derretimento, acelerando, assim, ainda mais a deterioração do Thwaites.

As rachas do glaciar estão a espalhar-se rapidamente, prevendo-se que provavelmente o Thwaites se estilhaçará “em centenas de icebergs” em apenas alguns anos.

https://zap.aeiou.pt/glaciar-juizo-final-ultimas-badaladas-450886


Cientistas pensaram ter visto uma nuvem de gás - Afinal, eram estrelas bebés !

Centro da Via Láctea.
O que foi anteriormente identificado como uma nuvem de gás e poeira no centro da nossa Galáxia na verdade são três estrelas muito jovens.

Este é o resultado de um novo estudo liderado por cientistas do Instituto de Astrofísica da Universidade de Colónia. O VLT (Very Large Telescope) do ESO – um telescópio com 8,2 metros no cume de Cerro Paranal, no Chile – forneceu os dados para o estudo, que foi publicado na revista The Astrophysical Journal.

As estrelas começaram a formar-se há menos de 1 milhão de anos, o que é muito pouco tempo em termos astrofísicos. Em comparação, o nosso Sol tem pouco menos de 5 mil milhões de anos.

Em 2011, foi encontrado um objeto por meio de dados infravermelhos medidos pelo VLT, que prometia revelar um processo sem precedentes no centro da nossa Galáxia. Com base numa análise em vários comprimentos de onda, os cientistas determinaram que devia ser uma nuvem de gás e poeira chamada de G2.

A interação com o buraco negro no centro da nossa Galáxia, Sgr A*, deveria ter dilacerado G2 e provocado um espetáculo de “fogos-de-artifício”. Os investigadores presumiram que quando G2 colidisse com Sgr A*, vários processos fariam com que o gás e a poeira criassem um surto energético. Mas isso não aconteceu.  

Além disso, outros fatores causaram dores de cabeça aos astrónomos de todo o mundo e geraram discussões polémicas. Estudos mostraram que a temperatura de G2 era quase duas vezes mais alta do que a das fontes de poeira em redor. Uma possível explicação para a temperatura de G2 é o número extremo de estrelas no centro da nossa Galáxia.

Portanto, estas estrelas podiam ter aquecido G2. A questão que faltava era saber porque é que todas as outras fontes de poeira conhecidas no centro da Galáxia mostravam uma temperatura muito mais baixa. O buraco negro, Sgr A*, também foi descartado como fonte de calor.

A temperatura de G2 deveria ter aumentado quanto mais perto a suposta nuvem de poeira estivesse do buraco negro – como sentiríamos se nos aproximássemos de um radiador.

No entanto, a temperatura permaneceu constante durante muito tempo, embora a distância ao buraco negro variasse. Quanto mais G2 era observada detalhadamente pelo globo, mais se tornava aparente que este objeto cósmico tinha que ser mais do que apenas uma nuvem de gás e poeira.

Os novos resultados mostram que G2 na verdade consiste de três estrelas individuais. “Tivemos a oportunidade de observar o centro da nossa Galáxia várias vezes com o VLT. Juntamente com os dados de arquivo do ESO, pudemos cobrir um período de 2005 a 2019,” disse o autor principal Florian Peißker do Instituto de Astrofísica da Universidade de Colónia.

A estrutura invulgar dos dados também foi útil para localizar G2. Cada pixel da imagem capturada possui um espectro associado que cobre uma gama de comprimentos de onda muito específicos e detalhados. Para os cientistas, isto fornece um nível de detalhe enorme.

“Que G2 na verdade são três jovens estrelas em evolução é sensacional. Nunca tinham sido observadas estrelas tão jovens em torno de Sgr A*,” acrescentou Peißker.

Os resultados abrem a porta para muitas questões mais fascinantes – por exemplo, de onde vêm estas jovens estrelas. O ambiente de radiação extrema de um buraco negro supermassivo não é necessariamente o melhor lugar para produzir estrelas jovens.

Peißker conclui: “Os novos resultados fornecem informações únicas sobre como os buracos negros funcionam. Podemos usar o ambiente de Sgr A* como um diagrama para aprender mais sobre a evolução e sobre os processos de outras galáxias em cantos completamente diferentes do nosso Universo.”

https://zap.aeiou.pt/nuvem-gas-estrelas-bebes-450927


Há um exoplaneta superdenso com dimensões astronómicas onde não podia haver nenhum !

 
O novo exoplaneta gigante b Centauri b é extraordinário — em diversos aspetos — e pode obrigar os cientistas a redefinir tudo o que se sabia sobre a formação dos planetas.

Uma equipa internacional de astrónomos descobriu um gigantesco exoplaneta, onze vezes mais denso do que Júpiter, em órbita de b Centauri, um jovem sistema solar binário localizado na constelação de Centauro, a 325 anos-luz da Terra.

Denominado de “b centauri b”, o novo planeta extrassolar é um dos mais densos alguma vez descobertos.

As suas duas estrelas, combinadas, são 6 a 10 vezes mais densas do que o nosso Sol, tornando-as o sistema solar com planetas mais massivo (e mais quente) até agora identificado.  

A descoberta foi apresentada num artigo científico publicado a 8 de dezembro na edição digital na revista científica Nature.

“Encontrar um planeta em órbita de b Centauri é excitante, porque muda completamente o que se sabia acerca da possibilidade de estrelas massivas terem planetas na sua órbita”, explica Markus Janson, astrónomo da Universidade de Estocolmo e autor principal do estudo.

As duas estrelas b Centauri têm cerca de 15 milhões de anos — são estrelas bebés, se as compararmos com o nosso Sol, que arde há mais de 4.5 mil milhões de anos.

Com uma temperatura de 18.000°C, b Centauri A, a estrela principal da constelação, é três vezes mais quente do que o sol. Esta deveria ser uma condição desfavorável à formação de planetas, porque quanto mais quente é uma estrela, mais radiação emite, fazendo com que o gás circulante se evapore mais rapidamente.

“Estas estrelas criam à sua volta um ambiente destrutivo e perigoso, deveria ser extremamente difícil vir a formar-se algum planeta na sua orbita”, explica Janson, citado pelo Space.com.

O sistema binário b Centauri, o mais massivo com planetas até agora encontrado, com o seu planeta gigante b Centauri b (em baixo, à direita)

Com 11 vezes a massa de Júpiter, o maior planeta do sistema solar, b Centauri b chega a orbitar as suas estrelas a uma distancia 100 vezes superior à que separa Júpiter do Sol, o que pode explicar porque conseguiu sobreviver à densidade e temperatura extremas das suas estrelas.

O planeta poderá ter-se formado a partir de “acreções de núcleo”, teoria que explica a formação de planetas como Júpiter através de partículas de poeira que se unem, até atingirem tamanho suficiente para terem atração gravitacional.

Em alternativa, dizem também os astrónomos, o planeta pode ter nascido devido à “instabilidade gravitacional”, na qual uma nébula colapsa devido à sua própria gravidade massiva, transformando-se no mesmo tipo de partículas de poeira necessárias para a formação de planetas, na teoria de “acreções de núcleo”

O novo exoplaneta b centauri b foi identificado pelo telescópio VLT (Very Large Telescope), operado no Chile pelo Observatório Europeu do Sul, organização astronómica intergovernamental de que Portugal faz parte.

Há mais de 20 anos, um outro telescópio do OES já o tinha captado, mas sem que na altura tivesse sido possível aos astrónomos identificarem-no como um planeta.

A equipa internacional de astrónomos espera agora obter mais dados sobre a formação e as características do exoplaneta com a ajuda do novo telescópio ELT (Extremely Large Telescope) do OES.

O ELT, que será o maior telescópio ótico do mundo, está ainda em em construção no Chile, com a participação de empresas e cientistas portugueses.

https://zap.aeiou.pt/foi-descoberto-um-novo-planeta-e-tem-dimensoes-astronomicas-449998


A importante missão do “gugu gaga” - Falar com as crianças com voz de bebé ajuda-as a aprender mais palavras !


Usar uma voz de bebé quando falamos com bebés ajuda a dar-lhes pistas sobre como criar o seu próprio discurso.

A forma como falamos com os bebés — com a voz mais alta, a pronúncia exagerada e com as palavras parecidas com as usadas pelas crianças — não só lhes interessa mais, mas também as ajuda a entender o que estamos a dizer.

Segundo um estudo da Universidade da Flórida, a “conversa de bebé” facilita a criação do discurso próprio nas crianças. Ao imitarmos o som de um trato vocal mais pequeno, estamos a dar pistas aos bebés como as palavras devem soar quando saem das suas próprias bocas.

“Parece que estimula o motor da produção do discurso, não só a percepção do discurso”, revela Matthew Masapollo, professor assistente no Departamento de Ciências de Discurso, Língua, e Audição na Universidade da Flórida e autor do estudo. “Não é só gu-gu ga-ga“, cita o Science Daily.

No estudo, os investigadores mudaram a frequência dos sons para imitarem o trato vocal de uma criança ou de um adulto, e testaram como as crianças reagiram. Os bebés entre seis e oito meses de idade “mostraram uma preferência robusta e distinta pelo discurso com ressonâncias que especificam um trato vocal que é semelhante em tamanho e duração com o seu próprio”.  

Já os bebés entre quarto e seis meses não mostraram a mesma preferência, o que sugere que a maior habilidade dos bebés mais velhos de controlarem as suas vozes e balbuciarem pode tornar os sons mais infantilizados mais apelativos.

A co-autora Linda Polka, da Universidade de McGill, refere que, na sua simplicidade, a voz de bebé tem um papel importante. “Estamos a tentar chamar a atenção do bebé para lhes mostrar algo sobre a produção do discurso. Estamos a prepará-los para processarem as suas próprias vozes“, defende.

Esta investigação vem assim mostrar que a voz de bebé não é só fofinha, mas tem também uma missão importante no desenvolvimento cognitivo das crianças.

https://zap.aeiou.pt/gugu-gaga-criancas-voz-bebe-aprender-451121


Uma bactéria mutante criou acidentalmente uma das pinturas mais icónicas de Van Gogh !


Por vezes a linha entre a arte e a ciência é muito ténue. Investigadores estudam uma bactéria social, que se assemelha com uma obra-prima muito conhecida.

Quando um dado gene é exposto a uma bactéria como a Myxococcus xanthus, os organismos individuais auto organizam-se em pequenos “enxames”, deslocando-se de forma rápida e coordenada em superfícies sólidas e circulares.

Recentemente, uma equipa de investigadores norte-americanos coloriu artificialmente os percursos circulares destas bactérias, e o resultado foi surpreendente.

A imagem obtida tem notáveis semelhanças com a “A noite estrelada”, uma das mais icónicas obras de Van Gogh.  

Com um aumento de x10, a imagem mostra uma mistura de duas cepas de mixobactérias, a amarelo e a azul.

As bactérias têm a reputação de serem egoístas, mas a Myxococcus xanthus é considerada uma bactéria social, porque precisa de encontrar e reconhecer parentes para sobreviver.

“O nosso trabalho mostra como uma bactéria social, conhecida como fonte de produtos naturais terapêuticos e como agente de biocontrolo de cultivo, serve como um modelo poderoso para estudar comportamentos emergentes que também exibem beleza artística“, disse Daniel Wall. microbiologista da Universidade de Wyoming.

Esta bactéria, em forma de um pequeno bastão, cria grandes aglomerados familiares, (os referidos enxames) para atacar melhor as presas de que se alimenta, explica o Science Alert. Cada célula produz enzimas digestivas, o que facilita a alimentação predatória.

Os investigadores estão fascinados com este comportamento social há anos, mas ainda não têm um modelo abrangente concreto para os seus movimentos complexos.

Em 2017, Wall e os seus colegas anunciaram a descoberta de uma única “chave” genética responsável por ativar e desativar este comportamento.

A “chave” controla especificamente uma sequencia de proteínas, conhecida como TraA, que fornece um recetor de superfície para a bactéria reconhecer o seu grupo e ligar-se ao recetor parceiro, TraB.

Depois de se juntar a um membro da família, por via destes dois recetores (TraAB), a bactéria pode então, trocar nutrientes e proteínas com o resto do grupo.

Pesquisas em laboratório mostraram que, quando o enxame encontra comida, os organismos podem realmente reunir as suas enzimas e metabólitos por via dessas ligações — para aplicar às suas presas um golpe fatal.

O comportamento dos enxames mudou quando a equipa induziu bactérias mutantes a sobreporem as conexões TraAB. Esta conexão é a que permite às células unirem-se, mas quando há demasiada desta “cola”, o enxame não consegue separar-se tão facilmente para mudar a sua forma ou direção.


PUBLICIDADE


“As células normais do tipo selvagem, vão e voltam, vão e vêm como um autocarro”, explica o bioengenheiro Oleg Igoshin, da Rice University. “A cabeça torna-se a cauda, e a cauda a cabeça. E isto acontece a cada 8 minutos, ou mais.”

Uma superexpressão de TraAB, ou seja, uma produção excessiva dos seus genes, parece no entanto impedir o enxame de trocar a sua cabeça pela cauda.

Em última análise, a equipa suspeitou que a característica pegajosa do TraB estava a impedir indiretamente o enxame de células de mudar de direção. “Na nossa ideia, talvez houvesse algum tipo de sinal dependente do contacto entre as células que suprime as reversões”, explica Oleg Igoshin.

“As células estão em grupos densos e em contacto com outras o tempo todo, mas estes contactos são transitórios. Se a superexpressão do TraAB realmente o tornar pegajoso, o seu vizinho continuará a ser seu vizinho por mais tempo, e isso pode disparar o sinal que suprime a reversão.”

Percorrendo este cenário em modelos computacionais, os autores puderam verificar os seus palpites. Introduzindo apenas mudanças na conexão TraAB, os enxames normais da cabeça à cauda de repente tornam-se redemoinhos giratórios de células, tão grandes como um milímetro ou mais.

Noutras experiências em laboratório, também se confirmou este comportamento, em bactérias na vida real. Especificamente, os redemoinhos podem ocorrer quando uma cepa contém “cola”, mas também quando é geneticamente modificada para ser diretamente irreversível”.

O resultado do estudo, publicado em dezembro, na mSystems não é apenas uma compreensão melhor de como milhões de células coordenam os seus movimentos, mas também uma imagem hipnotizante do mundo microbiano.

https://zap.aeiou.pt/uma-bacteria-mutante-pintura-iconica-van-gogh-450768


LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...