quarta-feira, 4 de maio de 2022

Viajar no tempo pode ser possível — E só há uma forma !

Só a existência de universos paralelos elimina todos os paradoxos que impossibilitariam as viagens no tempo.

Alguma vez cometeu um erro que desejava poder desfazer? Corrigir erros passados é uma das razões que tornam o conceito das viagens no tempo tão fascinante.

Tal como é mostrado na ficção científica, com uma máquina do tempo, nada é permanente — podemos sempre voltar atrás e mudar. Mas será que viajar no tempo é mesmo possível no nosso universo, ou é só ficção científica?

Na realidade, viajar no tempo pode ser possível, mas apenas com múltiplos universos, ou seja, linhas de tempo paralelas — explica Barak Shoshany, físico teórico da Brock University, no Canadá, num artigo no The Conversation.

O nosso entendimento moderno sobre o tempo e a causalidade vem da relatividade geral. A teoria do físico Albert Einstein combina o espaço e o tempo numa única entidade — espaço-tempo — e dá uma explicação notavelmente complexa sobre como eles funcionam, com um nível incomparável ao de outra qualquer teoria.
 
Há décadas que os físicos estão a tentar usar a relatividade geral para perceberem se as viagens no tempo são possíveis.

Acontece que podemos escrever equações que descrevem as viagens no tempo e são completamente compatíveis e consistentes com a relatividade. Mas a física não é matemática e as equações são inúteis se não corresponderem a nada na realidade.
Argumentos contra as viagens no tempo

Há dois problemas principais que nos fazem pensar que estas equações são irrealistas.

O primeiro é prático: a construção de uma máquina do tempo aparenta precisar de matéria exótica, que é matéria com uma energia negativa. Toda a matéria que vemos nas nossas vidas diárias tem energia positiva, a matéria com energia negativa não é algo que se encontra por aí.

Da mecânica quântica, sabemos que este tipo de matéria pode teoricamente ser criada, mas em quantidades demasiado pequenas e por períodos pequenos.

No entanto, não há provas de que é impossível criar matéria exótica em quantidades suficientes. Mais, outras equações podem ser descobertas que permitam as viagens no tempo sem matéria exótica.

Por isto, este problema pode ser só uma limitação na nossa tecnologia atual ou na compreensão da mecânica quântica.

O outro grande problema é menos prático, mas mais significativo: a observação de que as viagens no tempo parecem contradizer a lógica, sob a forma de paradoxos de viagens do tempo. Há vários tipos destes paradoxos, mas os mais problemáticos são os paradoxos de consistência.

Uma história comum na ficção científica, os paradoxos da consistência acontecem quando há um certo evento que leva a uma mudança no passado, mas a mudança em si previne que este evento aconteça em primeiro lugar.

Por exemplo, considere um cenário onde alguém entra na máquina do tempo, usa-a para voltar atrás no tempo cinco minutos e imediatamente a destrói. Agora que a máquina do tempo foi destruída, seria impossível usá-la cinco minutos depois.

Mas se não se pode usar a máquina do tempo, então não de pode voltar atrás no tempo para a destruir. Assim, este cenário é inconsistente e paradoxal.

Eliminando os paradoxos

Há um engano comum na ficção científica de que os paradoxos podem ser “criados”. Os viajantes no tempo são geralmente avisados para não fazerem mudanças significativas no passado e para evitarem conhecer as suas versões passadas por esta exata razão.

Exemplos disto podem ser encontrados em muitos filmes, como na trilogia do Regresso ao Futuro.

Mas na física, um paradoxo não é um evento que pode realmente acontecer — é um conceito teórico que aponta para um inconsistência na teoria em si. Por outras palavras, os paradoxos da consistência não se limitam a insinuar que viajar no tempo é perigoso, mas sim que simplesmente não é possível.

Esta foi uma das motivações para que o físico Stephen Hawking formulasse a uma conjetura de proteção da cronologia, que define que viajar no tempo deve ser impossível.

No entanto, esta conjetura continua sem ser provada. Além disto, o universo seria um lugar muito mais interessante se em vez de eliminarmos as viagens no tempo devido aos paradoxos, eliminássemos apenas os paradoxos em si.

Uma tentativa para a resolução de paradoxos é a conjetura da auto-consistência do físico Igor Dmitriyevich Novikov, que define que podemos voltar atrás no tempo, mas não o podemos mudar.

De acordo com Novikov, se alguém tentasse destruir a máquina do tempo cinco minutos antes da viagem, seria impossível fazê-lo e as leis da física iriam preservar a consistência.
Introduzir histórias múltiplas

Mas qual é o objetivo de voltar atrás se não podemos mudar o passado? Um estudo recente mostra que há paradoxos nas viagens no tempo que a conjetura de Novikov não consegue resolver. Isto leva-nos de volta à estaca zero, já que mesmo que só um paradoxo não possa ser eliminado, viajar no tempo continua logicamente impossível.

Então, é este o prego final no caixão das viagens no tempo? Nem por isso. A pesquisa mostra que permitir histórias múltiplas ou linhas temporais paralelas pode resolver os paradoxos que a conjetura de Novikov não resolve. De facto, pode resolver qualquer paradoxo que surja.

A ideia é muito simples. Quando se sai da máquina do tempo, sai-se numa linha temporal diferente. Nessa linha temporal, pode-se fazer o que se quiser sem se mudar nada na linha temporal original de onde se veio.

A mecânica quântica sugere que é possível existirem histórias múltiplas no nosso universo, pelo menos se se subscrever à interpretação de muitos muitos de Everett, onde uma história se pode “partir” em histórias múltiplas, uma para cada desfecho possível — por exemplo, com o gato de Schrödinger a estar vivo ou morto.

As viagens no tempo e as linhas temporais paralelas andam quase sempre de mãos dadas na ficção científica, mas agora temos provas de que também andam de mãos dadas na ciência verdadeira.

https://zap.aeiou.pt/viagens-tempo-universos-paralelos-475535


Como se formaram as deslumbrantes paisagens de Titã !


O processo é semelhante ao que acontece aos sedimentos de oólitos na Terra. Titã é uma lua de Saturno e um dos melhores candidatos ao futuro acolhimento de humanos dentro do Sistema Solar.

Para além da Terra e de Marte, a lua de Saturno Titã é o único corpo planetário no Sistema Solar que tem provas de ter ambientes sedimentares diversos, como rios, lagos, dunas ou deltas e é um vista como um dos melhores potenciais habitats.

A distribuição latitudinal destes ambientes na Titã, com as dunas no equador, planícies nas latitudes médias e lagos perto dos polos, sugere que há processos rigorosos que controlam o clima na lua de Saturno.

Em Titã, os sedimentos são provavelmente compostas por grãos moles de hidrocarbonatos, que se desfazem-se rapidamente em pó. No entanto, a lua tem dunas ativas há centenas de milhares de anos.

Um novo estudo publicado na Geophysical Research Letters propõe uma teoria sobre como esta geografia peculiar de Titã se pode ter formado e identifica um processo que permite que os sedimentos formem grãos de areia dependendo da frequência sazonal dos ventos e das correntes de água.

“Se entendermos como as diferentes peças do puzzle se encaixam e a sua mecânica, então podemos começar pelos relevos deixados para trás pelos processos sedimentares para dizermos algo sobre o clima ou a história geológica de Titã — e como podem afetar as prospeções da vida“, revela o geólogo Mathieu Lapôtre.

Na Terra, os minerais das rochas sofrem com a erosão causada pelo vento e pelas correntes e transformam-se em sedimentos soltos. Em Titã, um processo semelhante pode ter formado as dunas, mas com um detalhe diferente — nesta lua, os sedimentos consistem em compostos orgânicos sólidos.

Os cientistas não sabiam como é que estes compostos se transformaram em grãos de sedimentos que possam ser transportados pelas paisagens de Titã ao longo dos períodos geológicos.

Até agora. A equipa descobriu a resposta ao observar os sedimentos terrestres conhecidos como oólitos — pequenos grãos esféricos encontrados zonas do mar tropicais com pouca profundidade, como nas Bahamas.

Os oólitos formam-se quando o carbonato de cálcio é retirado da coluna de água e se prende em camadas em torno de um grão, como o quartzo, revela o Tech Explorist.

O que torna os oólitos únicos é a sua formação através da precipitação química, que lhes permite crescer, ao mesmo tempo que o processo de erosão abranda o seu crescimento, com os grãos a serem esmagados uns contra os outros pelas ondas.

Estes dois mecanismos acabam por se equilibrar, permitindo que os grãos tenham um tamanho constante — e a mesma coisa pode estar a acontecer em Titã.

Os autores antecipam ainda que o transporte de sedimentos seja mais calmo nas latitudes médias de cada lado do equador, o que permite que haja mais planícies nestas regiões.

https://zap.aeiou.pt/diferentes-paisagens-tita-476245


Novo método de IA deteta ressurgimento do cancro do pulmão !


De acordo com o estudo científico, o novo método é mais certeiro do que os tradicionais, o que permitirá um acompanhamento mais correto dos doentes.

Uma equipa composta por médicos e cientistas desenvolveram uma ferramenta de inteligência artificial (IA) que pode prever com precisão a probabilidade de os tumores voltarem a crescer nos doentes com cancro após terem sido submetidos a tratamento. A conquista, descrito como “animador” pelos oncologistas clínicos, pode revolucionar o acompanhamento dos pacientes. Embora os avanços do tratamento nos últimos anos tenham aumentado as hipóteses de sobrevivência, continua a existir o risco de que a doença possa voltar.

De facto, a vigilância dos pacientes após o tratamento é vital para assegurar que qualquer ressurgimento do cancro seja tratada com urgência. Atualmente, contudo, os médicos tendem a confiar nos métodos tradicionais, incluindo os centrados na dimensão original do tumor e na propagação do cancro, para prever a forma como o doente se poderá comportar no futuro.

O mais recente estudo mundial contou com profissionais do Royal Marsden NHS Foundation Trust, do Institute of Cancer Research de Londres e do Imperial College London e conseguiu identificar um modelo que utiliza a machine learning — um tipo de IA — que pode prever o risco de reincidência do cancro — melhor até do que os métodos existentes.

“Este é um passo importante para se poder usar a IA para compreender quais os pacientes com maior risco de recidiva do cancro e detetar esta mesma recidiva mais cedo para que o novo tratamento possa ser mais eficaz“, descreveu Richard Lee, médico consultor em medicina respiratória e diagnóstico precoce no Royal Marsden NHS Foundation Trust.

Lee, o investigador chefe do estudo, explicou ao The Guardian que esta descoberta pode revelar-se vital não só para melhorar os resultados dos doentes com cancro, mas também para aliviar os seus receios, sendo a recaída “uma fonte chave de ansiedade” para muitos. “Esperamos alargar as fronteiras para melhorar os cuidados aos doentes com cancro, para os ajudar a viver mais tempo e reduzir o impacto da doença nas suas vidas”.

A ferramenta da IA pode levar a que a recorrência seja detetada mais cedo em doentes considerados de alto risco, garantindo que estes recebem tratamento com maior urgência, mas também pode resultar em menos exames de acompanhamento desnecessários e visitas hospitalares para aqueles considerados de baixo risco.

No estudo retrospectivo, médicos, cientistas e investigadores desenvolveram um modelo de machine learning para determinar se este poderia identificar com precisão doentes não pequenos com cancro do pulmão (NSCLC) em risco de recidiva após a radioterapia.

A ferramenta foi considerada mais precisa na previsão de resultados do que os métodos tradicionais. Os resultados do estudo foram publicados na revista The Lancet eBioMedicine.

“Neste momento, não existe um quadro definido para a vigilância de doentes com cancro do pulmão após tratamento radioterápico no Reino Unido”, apontou Sumeet Hindocha, especialista em oncologia clínica do Royal Marsden e do Imperial College London. “Isto significa que há variação no tipo e frequência do seguimento que os doentes recebem … A utilização de IA com dados de saúde pode ser a resposta.

“Como este tipo de dados pode ser facilmente acedido, esta metodologia pode ser replicada através de diferentes sistemas de saúde”. O estudo é “um primeiro passo animador” no sentido de lançar uma ferramenta a nível nacional e internacional para orientar a vigilância pós-tratamento dos doentes com cancro, acrescentou Hindocha.

https://zap.aeiou.pt/cientistas-desenvolvem-metodo-de-inteligencia-artificial-capaz-de-detetar-ressurgimento-do-cancro-do-pulmao-475511


segunda-feira, 2 de maio de 2022

Cientistas encontram exoplaneta que pode ser habitável mas só durante parte do ano !


Cientistas encontraram um exoplaneta à volta da anã vermelha Gliese 514 numa órbita incomum: fica na zona habitável da estrela, mas apenas durante parte da trajetória. No resto do tempo, está fora da região que permite a presença de água líquida.

Quando os astrónomos procuram planetas pela promessa de vida, atentam na zona habitável, uma região nem demasiado quente nem demasiado fria para a existência de água líquida à superfície.

Contudo, a órbita de um planeta em torno de uma estrela raramente é um círculo perfeito, mas uma elipse ligeiramente alongada. Quanto maior for este alongamento – ou excentricidade –, mais um planeta se move para dentro e para fora da zona habitável da sua estrela.

Agora, uma equipa de cientistas suspeita ter descoberto um planeta excêntrico que entra e sai regularmente da zona habitável da sua estrela. A descoberta coloca um desafio aos cientistas planetários quanto ao que se pode ou não considerar habitável.

A Gliese 514 está localizada a 25 anos-luz da Terra, podendo ser considerada uma vizinha muito próxima do nosso planeta.

Com a ajuda dos dados do Observatório Keck no Havai, do Observatório La Silla no Chile, do Observatório Calar Alto em Espanha e dos satélites Hipparcos, Gaia e TESS, a equipa observou pequenas oscilações da posição da estrela ao longo de quase 25 anos, que indicavam “puxões” gravitacionais causados por planetas em órbita.

Segundo o Inverse, os dados também mostram evidências de que o planeta – Gliese 514 b – pode ser uma super-Terra, um mundo rochoso com pelo menos cinco vezes a massa do nosso planeta.

A órbita excêntrica leva-o para fora da zona habitável durante dois terços da sua trajetória de 140 dias ao redor da sua estrela. Este tipo de órbitas podem ser explicadas pela influência gravitacional de outros mundos à volta da mesma estrela, mas, de acordo com os cientistas, parece que este não é o caso.

Curiosamente, “não encontramos provas de outros planetas no sistema, especialmente os massivos que poderiam ser o gatilho da excentricidade da órbita”, referiu Mario Damasso, astrofísico do Observatório de Turim, em Itália.

A origem da excentricidade da órbita de Gliese 514 b permanece desconhecida.

(dr) NASA

Diagrama com a zona habitável (verde) para estrelas de diferentes temperaturas

A descoberta apanhou os cientistas de surpresa, uma vez que é muito difícil afirmar que a vida poderia ter surgido num planeta que fica na zona habitável apenas durante algum tempo.

Ainda assim, a vida poderia encontrar meios para sobreviver durante a época do ano em que Gliese 514 b está mais distante da região favorável. Aqui na Terra, por exemplo, há alguns seres vivos que sobrevivem através da adoção de um estilo de vida no inverno e outro no verão.

Outra possibilidade apontada pelos cientistas é uma eventual evolução dos seres vivos para uma vida subterrânea, onde as condições podem ser mais estáveis. “Podemos imaginar uma ampla gama de vida fotossintética sintonizada com diferentes níveis de luz e temperatura”, disse Caleb Scharf, diretor de astrobiologia da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, que não participou nesta investigação.

Em última análise, Gliese 514b pode ser um mundo totalmente inóspito e hostil para a vida. A única forma de descobrir é com novas pesquisas.

O artigo científico foi aceite para publicação na Astronomy & Astrophysics e encontra-se disponível no arXiv.

https://zap.aeiou.pt/exoplaneta-que-pode-ser-habitavel-475978


Novo método de IA deteta ressurgimento do cancro do pulmão !


De acordo com o estudo científico, o novo método é mais certeiro do que os tradicionais, o que permitirá um acompanhamento mais correto dos doentes.

Uma equipa composta por médicos e cientistas desenvolveram uma ferramenta de inteligência artificial (IA) que pode prever com precisão a probabilidade de os tumores voltarem a crescer nos doentes com cancro após terem sido submetidos a tratamento. A conquista, descrito como “animador” pelos oncologistas clínicos, pode revolucionar o acompanhamento dos pacientes. Embora os avanços do tratamento nos últimos anos tenham aumentado as hipóteses de sobrevivência, continua a existir o risco de que a doença possa voltar.

De facto, a vigilância dos pacientes após o tratamento é vital para assegurar que qualquer ressurgimento do cancro seja tratada com urgência. Atualmente, contudo, os médicos tendem a confiar nos métodos tradicionais, incluindo os centrados na dimensão original do tumor e na propagação do cancro, para prever a forma como o doente se poderá comportar no futuro.

O mais recente estudo mundial contou com profissionais do Royal Marsden NHS Foundation Trust, do Institute of Cancer Research de Londres e do Imperial College London e conseguiu identificar um modelo que utiliza a machine learning — um tipo de IA — que pode prever o risco de reincidência do cancro — melhor até do que os métodos existentes.

“Este é um passo importante para se poder usar a IA para compreender quais os pacientes com maior risco de recidiva do cancro e detetar esta mesma recidiva mais cedo para que o novo tratamento possa ser mais eficaz“, descreveu Richard Lee, médico consultor em medicina respiratória e diagnóstico precoce no Royal Marsden NHS Foundation Trust.  

Lee, o investigador chefe do estudo, explicou ao The Guardian que esta descoberta pode revelar-se vital não só para melhorar os resultados dos doentes com cancro, mas também para aliviar os seus receios, sendo a recaída “uma fonte chave de ansiedade” para muitos. “Esperamos alargar as fronteiras para melhorar os cuidados aos doentes com cancro, para os ajudar a viver mais tempo e reduzir o impacto da doença nas suas vidas”.

A ferramenta da IA pode levar a que a recorrência seja detetada mais cedo em doentes considerados de alto risco, garantindo que estes recebem tratamento com maior urgência, mas também pode resultar em menos exames de acompanhamento desnecessários e visitas hospitalares para aqueles considerados de baixo risco.

No estudo retrospectivo, médicos, cientistas e investigadores desenvolveram um modelo de machine learning para determinar se este poderia identificar com precisão doentes não pequenos com cancro do pulmão (NSCLC) em risco de recidiva após a radioterapia.

A ferramenta foi considerada mais precisa na previsão de resultados do que os métodos tradicionais. Os resultados do estudo foram publicados na revista The Lancet eBioMedicine.

“Neste momento, não existe um quadro definido para a vigilância de doentes com cancro do pulmão após tratamento radioterápico no Reino Unido”, apontou Sumeet Hindocha, especialista em oncologia clínica do Royal Marsden e do Imperial College London. “Isto significa que há variação no tipo e frequência do seguimento que os doentes recebem … A utilização de IA com dados de saúde pode ser a resposta.

“Como este tipo de dados pode ser facilmente acedido, esta metodologia pode ser replicada através de diferentes sistemas de saúde”. O estudo é “um primeiro passo animador” no sentido de lançar uma ferramenta a nível nacional e internacional para orientar a vigilância pós-tratamento dos doentes com cancro, acrescentou Hindocha.

https://zap.aeiou.pt/cientistas-desenvolvem-metodo-de-inteligencia-artificial-capaz-de-detetar-ressurgimento-do-cancro-do-pulmao-475511


Dupla erupção solar desencadeou apagões de rádio na Ásia e na Austrália !


A mancha solar AR2993 irrompeu duas erupções M.1 na segunda-feira, dia 25 de abril, um fenómeno que provocou apagões de rádio na Ásia e na Austrália.

As erupções são explosões de radiação eletromagnética que, quando lançadas em direção à Terra, podem interromper comunicações de rádio e aumentar o nível de radiação ao qual os astronautas estão sujeitos no Espaço.

A mancha solar AR2993 tem produzido algumas tempestades nas últimas semanas, sendo que desta vez libertou duas erupções de classe M.1, uma imediatamente após a outra, enviando partículas altamente energéticas em direção ao planeta.

Segundo Dean Pesnell, físico solar no Goddard Space Flight Center, da NASA, a AR2993 é uma mancha de tamanho médio, mas com centenas de milhões de quilómetros quadrados.

Ainda assim, “não representa o melhor que o atual ciclo solar pode produzir”, disse, citado pelo Science Alert.

As manchas são regiões ativas do Sol onde o campo magnético é temporariamente mais intenso. O fenómeno bloqueia o fluxo de gás quente, deixando as manchas mais frias do que a área circundante.

As explosões ocorrem precisamente quando as linhas magnéticas próximas se reorganizam. Por vezes, as explosões podem desencadear ejeções de massa coronal (CMEs) — o plasma do Sol.

A cada 11 anos, a nossa estrela passa por um novo ciclo, marcado pelo aumento das suas manchas e das tempestades solares. Nos últimos dias, foram observadas várias tempestades, à medida que o Sol ruma para o pico do Ciclo Solar 25.

https://zap.aeiou.pt/dupla-erupcao-solar-apagoes-de-radio-475701


Para crescerem, buracos negros têm percurso violento: Engolem milhares de estrelas !


Um novo levantamento de mais de 100 galáxias pelo Observatório de raios-X Chandra da NASA revelou sinais de que buracos negros estão a demolir milhares de estrelas numa tentativa de ganhar massa.

As quatro galáxias vistas na imagem estão entre as 29 galáxias da amostra que mostraram evidências do crescimento de buracos negros perto dos seus centros. Os raios-X do Chandra (a azul) foram sobrepostos em imagens óticas, pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA, das galáxias NGC 1385, NGC 1566, NGC 3344 e NGC 6503. As caixas destacam a localização dos buracos negros em crescimento.

Estes novos resultados sugerem um percurso algo violento para que pelo menos alguns destes buracos negros atinjam o seu tamanho atual – destruição estelar numa escala que raramente ou nunca foi vista antes.

Os astrónomos fizeram estudos detalhados de duas classes distintas de buracos negros. A variedade mais pequena são os buracos negros de “massa estelar”, que tipicamente têm massas de 5 a 30 vezes a massa do Sol.

No outro lado do espectro estão os buracos negros supermassivos que vivem no meio da maioria das grandes galáxias, que têm milhões ou mesmo milhares de milhões de massas solares.

Nos últimos anos, também têm encontrado evidências de que existe uma classe chamada “buracos negros de massa intermédia”.

O novo estudo do Chandra poderia explicar como tais buracos negros de massa intermédia são produzidos através do crescimento violento de buracos negros de massa estelar.

A chave para fazer buracos negros de massa intermédia pode ser o seu ambiente. Esta última investigação analisou enxames estelares muito densos nos centros de galáxias. Com estrelas tão próximas umas das outras, muitas passarão dentro da atração gravitacional de buracos negros nos centros dos enxames.

O trabalho teórico da equipa implica que se a densidade de estrelas num enxame – o número comprimido num determinado volume – estiver acima de um valor limiar, um buraco negro de massa estelar no centro do enxame sofrerá um crescimento rápido à medida que puxa, desfaz e ingere as abundantes estrelas vizinhas em íntima proximidade.

Dos enxames do novo estudo do Chandra, os que tinham densidade acima deste limiar tinham cerca do dobro de buracos negros em crescimento do que os que estavam abaixo deste limiar de densidade. O limiar de densidade depende também da rapidez com que as estrelas nos enxames se estão a mover.

O processo sugerido pelo estudo Chandra mais recente pode ocorrer em qualquer altura da história do Universo, implicando que os buracos negros de massa intermédia podem formar-se milhares de milhões de anos após o Big Bang, até nos dias de hoje.

O artigo que descreve estes resultados foi aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal. Também está disponível online no arXiv.

https://zap.aeiou.pt/buracos-negros-engolem-estrelas-475111

 

Arquiteto quer suspender edifícios em pleno ar ! Não é tão impossível como parece !


Acima do nível da rua flutua um recurso inexplorado. Este espaço aéreo — o vazio acima da estrada e entre edifícios — está, por várias razões práticas, por utilizar.

Surpreendentemente, uma proposta de design apoiada pela ciência sugere que este vazio não tem de ficar simplesmente… vazio. Em vez disso, o ar na parte de cima da rua pode ser transformado num local de construção.

O novo projeto, chamado Oversky, propõe uma série de estruturas que seriam capazes de preencher este espaço aéreo não utilizado.

Com base na mesma tecnologia que permite a um zepelim flutuar, estas estruturas combinar-se-iam num conjunto de salas no céu, ligadas a edifícios adjacentes ou outras estruturas fixas, para permitir o acesso, segundo a Fast Company.

Desenvolvido por Andreas Tjeldflaat, arquiteto da Framlab, o projeto é uma tentativa de mostrar como o vazio urbano, dezenas de metros acima da rua, pode ser utilizado.

“A ‘paisagem de nuvens’ formada serve como um novo tipo de espaço público”, esclarece Tjeldflaat.

O arquiteto descreve-o como um sistema de infraestrutura especulativo, baseado em tecnologias comprovadas, incluindo a utilização de células fechadas de fibra de carbono de hélio mais leve que o ar e inerte, permitindo que as construções mantenham uma estrutura rígida e pairem como pequenas aeronaves inflamáveis.

Encaixados como se fossem um jogo de Tetris, estes módulos flutuantes podem atuar como salas individuais, escritórios, ou armazéns no céu.

“Um passadiço suspenso permite a ligação dos aglomerados às fachadas de edifícios adjacentes”, sublinha Tjeldflaat.

Ilustração do projeto Oversky

Mas este conceito não é apenas arte arquitetónica no céu. Pode também ser um novo instrumento na luta urbana contra as alterações climáticas.

Uma questão omnipresente que as cidades de todo o mundo enfrentam é o chamado efeito de ilha de calor urbana. Edifícios densos e ruas pavimentadas absorvem e retêm mais calor do que terrenos não desenvolvidos ou naturais, tornando as cidades mais quentes, e levando ao aumento da utilização de aparelhos de ar condicionado e das emissões que estes produzem.

Os módulos propostos por Oversky criariam microclimas com sombra, que refletiriam a luz solar e a radiação, devolvendo ao céu o que de outra forma seria absorvido pela superfície densa do ambiente construído.

Através do que Tjeldflaat chama engenharia nanofotónica, os módulos apresentariam “uma estrutura de material semelhante a espuma com bolsas de ar em nanoescala”, capazes de irradiar calor de volta para a atmosfera, ao mesmo tempo que arrefeciam o espaço que apanharia a sombra em baixo.

As árvores, claro, proporcionam este tipo de sombra de forma bastante eficaz, mas o Oversky pretende ser ainda maior e mais eficiente.

Os primeiros projetos do conceito de Tjeldflaat mostram a construção a cobrir apenas uma parte do espaço entre edifícios, de modo a não tapar completamente o sol aos peões e habitantes urbanos abaixo.

Recentemente exposto numa exposição sobre arquitetura e alterações climáticas no museu de arte Bildmuseet da Suécia, o projeto sugere uma alternativa às nossas atuais formas — altamente poluentes — de ar condicionado.

Um ar condicionado convencional descarrega uma quantidade significativa de calor, bem como compostos hidrofluorocarbonos poluentes, “agravando a própria questão que procura mitigar”, alerta Tjeldflaat.

O arquiteto chama a atenção para o facto de grande parte do ar condicionado utilizado nas cidades depender da energia dos combustíveis fósseis — um problema que, provavelmente, se venha a agravar.

“Estima-se que a procura global de arrefecimento requer um triplo aumento da utilização de energia até 2050”, insiste Tjeldflaat.

Oversky é uma solução altamente teórica. Mas Tjeldflaat argumenta que mesmo que estes módulos flutuantes não estejam a chegar rapidamente a um vazio aéreo urbano, os materiais e conceitos por detrás da ideia poderiam ser implementados hoje em dia em mais projetos “down-to-earth” (tradução livre: mais realistas).

“Os painéis dos módulos podem certamente ser utilizados por si próprios como parte de projetos de construção e infraestruturas mais convencionais“, conclui.

https://zap.aeiou.pt/arquiteto-quer-suspender-edificios-em-pleno-ar-nao-e-tao-impossivel-como-parece-474326


domingo, 1 de maio de 2022

Dois corpos celestes distantes colidiram, e nasceu uma nuvem gigante de detritos !

Nuvem de detritos causada pela colisão de dois corpos celestes, à volta da jovem estrela HD 166191 (conceito artístico)

A maioria dos planetas rochosos e satélites do nosso Sistema Solar, incluindo a Terra e a Lua, foram formados ou moldados por colisões massivas no início da história do Sistema Solar.

Ao chocarem uns com os outros, os corpos rochosos podem acumular mais material, aumentando de tamanho, ou podem desfazer-se em múltiplos corpos mais pequenos.

Os astrónomos, usando o agora aposentado Telescópio Espacial Spitzer da NASA, encontraram no passado evidências destes tipos de colisões em torno de estrelas jovens, onde planetas rochosos estão a ser formados.

Mas essas observações não forneceram muitos detalhes sobre as colisões, tais como o tamanho dos objetos envolvidos.

Num novo estudo publicado na revista The Astrophysical Journal, um grupo de astrónomos liderado pela astrónoma Kate Su, da Universidade do Arizona relatou as primeiras observações de uma nuvem de detritos de uma destas colisões ao passar em frente da sua estrela e ao bloquear brevemente a luz.

Os astrónomos chamam a este evento “trânsito”. Juntamente com o conhecimento sobre o tamanho e brilho da estrela, as observações permitiram aos investigadores determinar diretamente o tamanho da nuvem pouco depois do impacto, estimar o tamanho dos objetos que colidiram e observar a velocidade com que a nuvem se dispersou.

“Não há substituto para testemunha ocular de um evento,” disse George Rieke, também da Universidade do Arizona e coautor do novo estudo. “Todos os casos relatados anteriormente do Spitzer não foram resolvidos, com apenas hipóteses teóricas sobre como poderia ter sido o evento real e a nuvem de detritos.”

A partir de 2015, uma equipa liderada por Su começou a fazer observações de rotina de uma estrela com 10 milhões de anos chamada HD 166191.

Por volta desta fase inicial da vida de uma estrela, a poeira que sobra da sua formação junta-se para formar corpos rochosos chamados planetesimais – as “sementes” de planetas futuros.

Assim que o gás que anteriormente preenchia o espaço entre esses objetos se dispersa, colisões catastróficas entre eles tornam-se comuns.

Antevendo que poderiam ver evidências de uma destas colisões em torno de HD 166191, a equipa utilizou o Spitzer para realizar mais de 100 observações do sistema entre 2015 e 2019.

Embora os planetesimais sejam demasiado pequenos e distantes para serem resolvidos por telescópio, as suas colisões produzem grandes quantidades de poeira.

O Spitzer detetou luz infravermelha – ou comprimentos de onda ligeiramente superiores ao que os olhos humanos podem ver. O infravermelho é ideal para detetar poeira, incluindo os detritos criados por colisões entre protoplanetas.

Em meados de 2018, o telescópio espacial viu o sistema HD 166191 tornar-se significativamente mais brilhante, sugerindo um aumento na produção de detritos.

Durante esse tempo, o Spitzer também detetou uma nuvem de detritos a bloquear a estrela. Combinando a observação do trânsito pelo Spitzer com as observações por telescópios no solo, a equipa pôde deduzir o tamanho e a forma da nuvem de detritos.

O seu trabalho sugere que a nuvem era altamente alongada, com uma área mínima estimada três vezes maior do que a estrela.

No entanto, a quantidade de aumento de brilho infravermelho que o Spitzer viu sugere que apenas uma pequena parte da nuvem passou em frente da estrela e que os detritos deste evento cobriram uma área centenas de vezes maior do que a da estrela.

Para produzir uma nuvem tão grande, os objetos na colisão principal devem ter sido do tamanho de planetas anões, como Vesta no nosso Sistema Solar – um objeto com 530 km de diâmetro localizado na cintura principal de asteroides entre Marte e Júpiter.

O choque inicial gerou energia e calor suficientes para vaporizar parte do material. Também desencadeou uma reação em cadeia de impactos entre fragmentos da primeira colisão e outros pequenos corpos no sistema, o que provavelmente criou uma quantidade significativa de poeira que o Spitzer observou.

Nos meses seguintes, a grande nuvem de poeira cresceu em tamanho e tornou-se mais translúcida, indicando que a poeira e outros detritos estavam rapidamente a dispersar-se pelo jovem sistema estelar.

Em 2019, a nuvem que passava em frente da estrela já não era visível, mas o sistema continha o dobro da poeira que tinha antes do Spitzer ter avistado a nuvem. Esta informação, de acordo com os autores do artigo, pode ajudar os cientistas a testar teorias sobre como os planetas terrestres se formam e crescem.

“Olhando para discos poeirentos de detritos em torno de estrelas jovens, podemos essencialmente olhar para trás no tempo e ver os processos que podem ter moldado o nosso próprio Sistema Solar,” disse Su.

“Aprendendo sobre o resultado das colisões nestes sistemas, podemos também ter uma melhor ideia da frequência com que os planetas rochosos se formam em torno de outras estrelas”, concluiu a astrónoma.

https://zap.aeiou.pt/nuvem-gigante-de-detritos-473512


Dois estudos descobrem mutações genéticas associadas à esquizofrenia !


Dois novos estudos identificaram mutações genéticas e dezenas de genes que podem aumentar o risco de desenvolver a esquizofrenia.

Duas equipas de investigadores internacionais afirmam ter descoberto mutações genéticas que influenciam bastante a probabilidade de uma pessoa ter esquizofrenia.

Os estudos foram publicados [estudo 1, estudo 2] na Nature, e revelam dezenas de genes que podem desempenhar um papel fulcral no desenvolvimento da doença.

O primeiro estudo, considerado o maior estudo genético sobre esquizofrenia de sempre, foi conduzido pelo Consórcio de Genómica Psiquiátrica (PGC, na sigla em inglês), liderado por cientistas da Universidade de Cardiff, no Reino Unido.

Os investigadores adotaram uma abordagem muito ampla, analisando todo o genoma, ou seja, todo o material genético do organismo, para procurar variações genéticas específicas que aumentem o risco de uma pessoa desenvolver esquizofrenia.
 
Analisando o ADN de cerca de 77 mil pessoas com esquizofrenia e cerca de 244 mil sem a doença, descobriram quase 300 partes do genoma que podem ser ligadas ao risco de ter o distúrbio. Dentro dessas regiões, os cientistas encontraram 120 genes que podem influenciar o desenvolvimento da esquizofrenia.

O segundo estudo foi conduzido pelo consórcio internacional Schema (Schizophrenia Exome Meta-Analysis), liderado por investigadores do Instituto Broad, do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) e da Universidade de Harvard (EUA).

Os cientistas descobriram dez genes com mutações raras que parecem aumentar o risco de desenvolver esquizofrenia, e outros 22 genes que podem desempenhar um papel importante nesse processo, de acordo com o Deutsche Welle.

“Todos nós temos 1% de probabilidade de desenvolver esquizofrenia“, salientou Benjamin Neale, co-autor do Schema e membro do PGC, em comunicado. “Mas, se tiver uma dessas mutações, a chance passa a ser de 10%, 20%, até 50%.”

As mutações genéticas ajudam a traçar um mapa das origens da esquizofrenia no cérebro, para ajudar futuros pacientes.

Desenvolvimento de novos medicamentos

A esquizofrenia é uma condição mental caracterizada por alucinações, períodos de psicose e um distanciamento da realidade.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a doença afete uma em cada 300 pessoas em todo o mundo. Só que até agora não se sabe realmente o que acontece no cérebro para a desencadear.

Os investigadores afirmam que as novas descobertas não devem ter impacto imediato na vida de pacientes com esquizofrenia, mas podem ajudar a melhorar o tratamento com novos medicamentos num futuro próximo.

Já existem medicamentos para a esquizofrenia, mas não atacam a raiz do distúrbio e apenas atenuam os efeitos ou sintomas, sem tratar ou curar a doença em si.

A medicação mais comum para esquizofrenia é a clorpromazina, originalmente desenvolvida como anestesia. No entanto, os médicos descobriram que ajuda a prevenir alucinações em pacientes psiquiátricos.

“Foi uma descoberta acidental. Não surgiu da pesquisa psiquiátrica”, sublinha Stephan Ripke, investigador do hospital universitário Charité, de Berlim, e co-autor de um dos estudos.

Ripke acredita que, além de ajudar a determinar o risco de uma pessoa ter esquizofrenia, as novas investigações podem contribuir para o desenvolvimento de medicamentos que ataquem especificamente a raiz da doença.

Dificuldade em estudar a esquizofrenia

A esquizofrenia, normalmente, começa a manifestar-se em pacientes no final da adolescência, por volta dos 20 anos e os investigadores já conseguiram estudar o aspeto ambiental da doença.

O ambiente onde uma pessoa cresce, o uso de marijuana na adolescência e a alimentação da mãe durante a gravidez podem aumentar a probabilidade de desenvolver o distúrbio, por exemplo.

Embora cientistas saibam que a esquizofrenia é 60% a 80% hereditária, não havia grande conhecimento relativamente à genética da doença até agora.

A falta de investigação deve-se, em parte, ao facto de a esquizofrenia não poder ser diagnosticada por meio de um exame de sangue ou cerebral.

Ripke explica que o que o diagnóstico é feito através de uma conversa com os pacientes. “Basicamente, precisamos saber se as pessoas têm alucinações, ou se elas ouvem vozes”, realça.

Assim, a pesquisa sobre esquizofrenia tem que ser efetuada em humanos. Preocupações éticas impedem cientistas de simplesmente recolher as amostras de que precisam para facilitar as análises genéticas, mas isso é possível quando os pacientes se voluntariam, refere Ripke.

“O nosso estudo nunca teria funcionado sem a confiança de milhares e milhares de pacientes que nos deram suas informações genéticas”, conclui o especialista. “Estamos muito gratos a todas as pessoas que nos confiaram com os seus dados.”

https://zap.aeiou.pt/dois-estudos-descobrem-mutacoes-geneticas-associadas-a-esquizofrenia-472777

 

O que acontece quando quase morremos ? Afinal não são só alucinações !


O primeiro estudo alguma vez realizado sobre o tema mostra como a luz ofuscante ou os cânticos angelicais não são apenas alucinações.

Estes clichés que nos fazem sentir como se estivéssemos a passar por uma experiência de “quase-morte”, com um filme da nossa vida a passar diante dos nossos olhos, não são somente alucinações.

Cientificamente, o conceito está bastante mal definido. Qualquer neurocientista, ou médico de cuidados intensivos, por exemplo, não sabe bem definir o que é uma experiência de quase-morte, ou sequer o que significa — é necessária mais investigação.

Segundo reporta a IFL Science, cientistas de várias áreas realizaram agora uma nova pesquisa sobre a morte, que foi apresentada num artigo publicado em fevereiro na National Library of Medicine.

O estudo é a primeira investigação de sempre a ser revista por pares, sobre o lado científico da morte. Foi realizada para “dar uma visão sobre potenciais mecanismos, implicações éticas e considerações metodológicas para uma investigação sistemática” e “identificar questões e controvérsias” nesta área de investigação.

Mas a verdade é que a morte do século XXI é, sem dúvida, um conceito diferente da morte do antigamente.

“Estar ‘irreversivelmente morto’ é estar dependente da tecnologia“, escreveu Anders Sandberg, investigador do Instituto do Futuro da Humanidade da Universidade de Oxford, em 2016.

“Durante muito tempo, a falta de respiração e pulsação foram consideradas como as marcas da morte, até que os métodos de ressuscitação melhoraram. Hoje, as vítimas de afogamento que sofrem de hipotermia extrema, falta de oxigénio e falta de pulso e respiração durante várias horas podem ser reanimadas (com sorte e algumas intervenções médicas pesadas)”, escreveu Sandberg.

“Mesmo não ter um coração não é morte, se se estiver na mesa do cirurgião de transplante”, salientou o investigador.

Sandberg não esteve envolvido no estudo, mas focou-se na questão certa: a medicina moderna mudou fundamentalmente a forma como vemos a morte. Temos vindo a aprender o pouco que sabemos sobre a única certeza da vida.

“A paragem cardíaca não é um ataque cardíaco”, explicou Sam Parnia, diretor da Critical Care and Resuscitation Research na NYU Grossman School of Medicine, e autor principal do novo estudo, em declarações.

“[Em vez disso,] representa a fase final de uma doença ou um evento que provoca a morte de uma pessoa”, continuou o especialista.

“A Suporte Básico de Vida a pessoas em paragem cardiorrespiratória (PCR) mostrou-nos que a morte não é um estado absoluto, mas sim um processo que pode ser potencialmente invertido em algumas pessoas, mesmo depois de ter começado”, sublinhou Parnia.

Os investigadores salientam ainda que as evidências sugerem que nem os processos fisiológicos ou cognitivos terminam no “ponto da morte” — e embora os estudos científicos não tenham até agora conseguido provar a realidade das experiências de quase-morte, não são capazes de a refutar.

O que é notável é que estas experiências — das quais existem centenas de milhões de registos de diferentes culturas em todo o mundo — relatam consistentemente os mesmos temas e sensações.

Em geral, a experiência de quase-morte envolve primeiro sentir-se separado do próprio corpo e ter um elevado sentido de consciência e reconhecimento da morte.

Depois, uma sensação de viagem para algum destino, seguido de uma análise das ações, intenções e pensamentos para com os outros ao longo da vida.

Por fim, a sensação de estar num lugar acolhedor, antes de finalmente regressar ao mundo real (e, provavelmente, a paramédicos bastante aliviados).

Também se sabe que as experiências de quase-morte não têm muito em comum com alucinações, ilusões, ou experiências induzidas por drogas psicadélicas.

No entanto, muitas vezes resultam no mesmo tipo de transformação psicológica positiva a longo prazo, que estudos recentes têm associado ao uso de substâncias como a psilocibina.

“O que permitiu o estudo científico sobre a morte é o facto de as células cerebrais não ficarem irreversivelmente danificadas em minutos de privação de oxigénio, quando o coração pára”, explicou Parnia.

“Em vez disso, ‘morrem’ ao longo de algumas horas. Isto permite aos cientistas estudar objetivamente os eventos fisiológicos e mentais que ocorrem”, notou ainda.

A ciência moderna já nos deu uma visão sobre alguma desta experiência: estudos eletroencefalográficos mostraram, por exemplo, o surgimento de atividade gama e picos elétricos em relação à morte — um fenómeno normalmente associado a uma maior consciência.

Será isso responsável pelos “estados elevados de consciência e de reconhecimento da morte”, sentidos por aqueles que se aproximam do fim? Com futuras pesquisas, Parnia e os seus colegas esperam descobrir a resposta.

“Poucos estudos têm explorado o que acontece quando morremos de uma forma objetiva e científica”, comentou Parnia.

“[O nosso estudo] oferece perspetivas intrigantes sobre como a consciência existe nos seres humanos e pode abrir caminho a mais investigação”, conclui.

https://zap.aeiou.pt/o-que-acontece-quando-quase-morremos-afinal-nao-sao-so-alucinacoes-473381

 

Baterias para veiculos electrcos que carregam em 15 minutos ? NASA e Nissan dizem que sim !

A Nissan quer lançar baterias de estado sólido para veículos elétricos até 2028. Esta nova tecnologia inclui planos para uma instalação de produção dedicada a possíveis tempos de carregamento de 15 minutos.

Segundo o New Atlas, a empresa vê as baterias de estado sólido mais baratas como um pilar fundamental nesta estratégia, e tem colaborado com a NASA para ajudar a torná-las realidade.

As baterias de estado sólido são uma alternativa promissora ao lítio-ião devido à sua densidade energética superior, custos mais baixos e tempos de carregamento potencialmente mais curtos.

A Nissan imagina usá-las em tudo, de ligeiros familiares a carrinhas comerciais, e não é a única a tentar desbloquear o seu potencial.

A VW está a trabalhar com a startup norte-americana QuantumScape na sua própria versão, enquanto a Toyota se associou à Panasonic para atingir objetivos semelhantes em 2020.

No ano passado, a Ford abriu um centro de investigação, num investimento de 185 milhões de dólares, para desenvolver e fabricar baterias de estado sólido para utilizar na sua linha de veículos.

As instalações de produção de protótipos das baterias de estado sólido da Nissan serão alojadas no seu centro de investigação em Kanagawa, a sul de Tóquio, onde a empresa pretende lançar uma linha de produção até 2024. O objetivo é ter no mercado, em 2028, um VE com uma bateria de estado sólido.

Neste momento, a Nissan acredita que as suas baterias de estado sólido custarão menos de 70€ por kWh, mas depois de 2028 isto deverá descer para menos de 60€/kWh.

De acordo com a Nissan, esta diferença deverá fazer com que os VE fiquem ao mesmo preço que os veículos movidos a combustível.

“Os conhecimentos adquiridos com a nossa experiência apoiam o desenvolvimento de baterias de estado totalmente sólido e acumulámos tecnologias elementares importantes”, disse Kunio Nakaguro, vice-presidente executivo responsável pela I&D na Nissan.

“No futuro, as nossas divisões de I&D e fabrico continuarão a trabalhar em conjunto para utilizar este protótipo de instalações de produção e acelerar a aplicação prática de baterias de estado totalmente sólido”.

Paralelamente a esta instalação dedicada, a Nissan está também a unir esforços com a NASA na arquitetura de baterias de estado sólido.

De acordo com um relatório da Associated Press, a dupla irá colaborar com investigadores da Universidade da Califórnia, San Diego, para desenvolver uma bateria com cerca de metade do tamanho de uma bateria EV atual, com a capacidade de carregar totalmente em apenas 15 minutos.

“Tanto a NASA como a Nissan precisam do mesmo tipo de bateria“, disse o vice-presidente corporativo da Nissan, Kazuhiro Doi.

https://zap.aeiou.pt/proxima-geracao-de-baterias-de-ve-em-15-minutos-de-carregamento-472704



Astrónomos detetam um poderoso “laser espacial” perdido no Espaço !


Astrónomos detetaram um laser bastante potente a emanar do Espaço, cuja luz tem viajado para nos atingir aqui, na Terra.

É um tipo de objeto cósmico sem massa chamado megamaser, e a sua luz tem viajado para nos atingir aqui na Terra, a 5 mil milhões de anos-luz.

Os astrónomos que o descobriram através do radiotelescópio MeerKAT na África do Sul chamaram-lhe Nkalakatha — uma palavra isiZulu que significa “grande chefe“.

A artigo que apresenta a descoberta foi aceite para publicação no The Astrophysical Journal Letters e foi pré-publicado na plataforma arXiv.

“É impressionante que, com apenas uma noite de observações, já tenhamos encontrado um megamaser recorde”, sublinhou Marcin Glowacki, astrónomo da Universidade de Curtin, do Centro Internacional de Investigação Radioastronómica (ICRAR) na Austrália. “Mostra o quão bom é o telescópio“.  

Um maser é o equivalente em micro-ondas de um laser — amplificação de luz por emissão estimulada de radiação, explica a Science Alert.

Em vez de emitir luz visível, um maser emite micro-ondas e comprimentos de onda de rádio que são estimulados e amplificados.

Para um maser astrofísico, os processos que amplificam a luz são cósmicos: planetas, cometas, nuvens e estrelas podem todos produzir masers.

Um megamaser é um maser extraordinariamente energético. Normalmente, estas emissões são produzidas por um objeto que se encontra preso de alguma forma. Os buracos negros, por exemplo, podem produzir megamasers.

Glowacki e a equipa de investigação encontraram um tipo muito específico de megamaser, brilhante em comprimentos de onda amplificados por moléculas de hidroxil estimuladas, consistindo num átomo de hidrogénio e num átomo de oxigénio.

Os megamasers de Hydroxyl têm um mecanismo de produção conhecido. São emitidos por galáxias que estão em processo de, ou sofreram recentemente, uma colisão com outra galáxia, e formam estrelas como resultado.

As interações gravitacionais de um encontro tão maciço comprimem o gás formador de estrelas, fazendo com que o seu colapso se traduza em estrelas recém nascidas a uma velocidade enorme.

A fonte do megamaser detetado por Glowacki é precisamente isso, uma galáxia chamada WISEA J033046.26-275518.3 — agora conhecida como Nkalakatha.

“Quando duas galáxias como a Via Láctea e a Galáxia Andrómeda colidem, feixes de luz saem da colisão e podem ser vistos a distâncias cosmológicas”, explicou o astrofísico Jeremy Darling, da Universidade do Colorado.

“Os megamasers de hidroxil atuam como luzes brilhantes que dizem: aqui está uma colisão de galáxias que está a causar a criação novas estrelas e a alimentar enormes buracos negros”, acrescenta.

O inquérito MeerKAT não foi concebido para procurar megamasers. Chama-se “Looking at the Distant Universe with the Meerkat Array” (LADUMA), e procura um comprimento de onda de 21 centímetros — dilatado pela expansão do Universo — emitido pelo hidrogénio neutro do início do Universo.

Os comprimentos de onda de um megamaser hidroxil são, no entanto, de 18 centímetros. Quando dilatados, são ainda mais longos, e o sinal do laser espacial estava dentro do alcance detetável pela matriz telescópica.

Uma vez que a região do céu tem sido observada em outros comprimentos de onda, o rastreio do sinal até uma galáxia hospedeira foi bastante simples.

O Nkalakatha é brilhante em comprimentos de onda infravermelhos, e tem uma longa cauda de um lado que brilha no rádio, provavelmente como resultado de ser “puxado” pela interação gravitacional entre as duas galáxias, agora fundidas.

A equipa já planeou observações de seguimento do objeto fascinante, e espera encontrar muitos mais megamasers, à medida que continua.

“O MeerKAT irá provavelmente duplicar o número conhecido destes fenómenos raros”, disse Darling. “No passado, pensava-se que as galáxias se fundiriam mais frequentemente, e os megamasers de hidroxil recentemente descobertos permitir-nos-ão testar esta hipótese”.

https://zap.aeiou.pt/astronomos-detetam-um-poderoso-laser-espacial-perdido-no-espaco-472805

 

 

sábado, 30 de abril de 2022

O segredo para salvar os koalas da extinção pode passar por congelar o seu esperma !


Para salvar os koalas de extinção, investigadores australianos propõe criar bancos de esperma para estes animais. A solução ajudaria também a cortar custos.

Investigadores australianos querem criar bancos de esperma de koalas numa tentativa de salvar as espécies da extinção. Especialistas temem que os koalas fiquem extintos até 2050 em algumas partes da Austrália, em grande parte devido à seca extrema, desflorestação e incêndios florestais.

A Australian Koala Foundation estima que pode haver apenas 43.000 koalas na natureza.

Agora, a solução de congelar espermatozoides, como fazemos com os humanos, pode ser uma tábua de salvação para estes animais.

Ryan Witt, da Universidade de Newcastle, sugere que koalas fêmeas podem ser engravidadas com sucesso através de esperma congelado. O estudo foi publicado esta quinta-feira na revista científica Animals.

Esta estratégia, segundo a VICE, também reduziria os custos de reprodução em 5 a 12 vezes, já que seriam necessários menos koalas em cativeiro. Os atuais programas de reprodução em cativeiro podem custar mais de 17.650 dólares por animal anualmente.

A consanguinidade também pode ser reduzida, um problema que pode afetar negativamente a saúde dos koalas.

“Estes problemas também podem comprometer a sobrevivência, a resistência a doenças e a capacidade da espécie de se adaptar às mudanças nas condições ambientais das alterações climáticas”, escreveu Witt no estudo.

No entanto, usar bancos de esperma para salvar animais ameaçados de extinção não é um processo propriamente fácil. Todavia, também não é impossível.

Em julho do ano passado, cientistas japoneses reproduziram com sucesso ratos usando esperma preservado no Espaço por quase seis anos.

https://zap.aeiou.pt/segredo-salvar-koalas-congelar-esperma-473697

 

Ultra-sons tratam com sucesso diabetes num estudo pré-clínico !

O novo tratamento foge aos medicamentos. Usa uma técnica de ultra-sons focalizados durante apenas três minutos por dia. Os testes foram realizados em ratos, ratazanas e porcos e tiveram resultados promissores.

As novas pesquisas publicadas na Nature Biomedical Engineering, no mês de Março deste ano, são promissoras. Levantaram a possibilidade de tratar a diabetes tipo 2 sem medicamentos.

De acordo com o New Atlas, através de três modelos (animais) diferentes, os investigadores demonstraram como as breves explosões de ultra-sons direcionadas a grupos específicos de nervos no fígado podem efetivamente baixar os níveis de insulina e glicose.

A General Electric Resarch (GE) liderou a pesquisa, com investigadores da Escola de Medicina de Yale, UCLA, e dos Institutos Feinstein para Investigação Médica. A pesquisa demonstrou um método único de ultra-sons não invasivo concebido para estimular nervos sensoriais específicos no fígado.

A tecnologia é chamada de estimulação ultra-sónica periférica focalizada (pFUS) e permite que impulsos ultra-sónicos altamente direcionados sejam conduzidos para tecidos específicos contendo terminações nervosas.

“Utilizámos esta técnica para explorar a estimulação de uma área do fígado chamada porta hepática”, explicaram os investigadores.

“Esta região contém o plexo nervoso hipertensão portal, que comunica informação sobre a glicose e o estado dos nutrientes ao cérebro, mas tem sido difícil de estudar uma vez que as suas estruturas nervosas são demasiado pequenas para estimular separadamente com elétrodos implantados“.

O estudo indica pequenas explosões de pFUS nesta área do fígado que invertem com sucesso o início da hiperglicemia. O tratamento foi considerado eficaz em três animais distintos com diabetes: ratos, ratazanas e porcos.

“Infelizmente, existem muito poucos medicamentos que baixem os níveis de insulina”, explicou Raimund Herzog, um endocrinologista da Escola de Medicina de Yale que trabalha no projeto.

“Se os nossos ensaios clínicos em curso confirmarem a promessa dos estudos pré-clínicos relatados neste artigo, e se o ultra-som puder ser utilizado para baixar tanto os níveis de insulina como os de glicose, a neuro modulação por ultra-som representaria uma adição excitante e inteiramente nova às opções de tratamento atuais para os nossos pacientes”.

Os investigadores descobriram que apenas três minutos de ultra-sons focalizados por dia eram suficientes para manter os níveis normais de glicose no sangue dos animais diabéticos.

Estão atualmente em curso estudos em humanos para determinar se este método se traduz a partir de estudos em animais. Mas existem outros obstáculos que se deparam à aplicação clínica da técnica, para além da simples prova do seu funcionamento.

As ferramentas atuais de ultra-sons utilizadas para realizar este tipo de técnica pFUS requerem técnicos treinados.

Os investigadores sugerem que a tecnologia existe para simplificar e automatizar estes sistemas de uma forma que poderia ser utilizada pelos pacientes em casa, mas terá de ser desenvolvida antes que este tratamento possa ser amplamente implantado.

“As sondas de ultra-sons viáveis minimizaram a necessidade de manipulação manual da sonda durante a sua utilização, e está agora disponível um software de deteção anatómica automática de alvos para permitir o rastreio do alvo em tempo real, utilizando modelos de redes neurais de convolução”, acrescentaram os investigadores.

“Estes avanços podem permitir o desenvolvimento de novos sistemas de ultra-sons viáveis que podem ser aplicados por utilizadores não qualificados, e permitir ainda mais a utilização através de aplicações e cenários clínicos”.

O estudo foi financiado pela GE Research. Assim, se alguém tem recursos para desenvolver algum tipo de pequeno dispositivo de ultra-sons direcionado para utilização em casa como tratamento de diabéticos, é esta empresa.

O autor correspondente do novo estudo e engenheiro biomédico sénior da GE Research,Christopher Puleo diz que este tipo de novos métodos não-farmacêuticos poderia substituir uma série de tratamentos medicamentosos no futuro.

“Estamos agora no meio de ensaios de viabilidade humana com um grupo de sujeitos diabéticos de tipo 2, que inicia o nosso trabalho de tradução clínica“, disse Puleo.

“A utilização de ultra-sons poderia ser uma mudança de jogo na forma como os medicamentos bio eletrónicos são utilizados e aplicados às doenças, como a diabetes tipo 2, no futuro”.

Outros investigadores são um pouco mais cautelosos na sua interpretação destas novas descobertas, admitem que esta inovação poderia, em última análise, levar a um novo tipo de tratamento de diabetes “mas é necessário muito trabalho antes de lá chegarmos”.

“Que os pulsos de ultra-sons focalizados aplicados ao plexo neural hipertensão portal podem restaurar a homeostasia da glucose, como os autores mostram em vários modelos animais, sublinham a relevância terapêutica das vias nervosas cérebro-fígado, e podem eventualmente constituir uma alternativa de tratamento não invasivo para a diabetes tipo 2 e outras condições metabólicas”.

“A abordagem justifica mais testes em animais maiores”.

Um investigador de diabetes da Universidade do Colorado Anschutz Medical Campus, Richard Benninger chamou ao novo trabalho uma demonstração extremamente completa de como o ultra-som poderia ser utilizado para melhorar a diabetes.

“Os autores fornecem uma caracterização detalhada de como a reversão da hiperglicemia ocorre em múltiplos tecidos periféricos e centrais, através de múltiplos modelos animais”, disse Benninger, que não trabalhou na nova investigação.

“Esta abordagem representa um novo paradigma para o tratamento da diabetes e a possibilidade de utilização de ultra-sons significa que é facilmente traduzível”.

É claro que um estudo precoce positivo com animais ainda pode significar que estamos a anos de distância da aplicação clínica no mundo real. A equipa da GE Research disse que foram realizados mais estudos pré-clínicos explorando diferentes doses e durações de ultra-sons.

Os estudos iniciais em humanos também já começaram, esperando-se resultados preliminares no final deste ano.

https://zap.aeiou.pt/ultra-sons-tratam-com-sucesso-diabetes-num-estudo-pre-clinico-472113


Afinal, o manto de Marte está vivo e recomenda-se e a causar mais sismos do que se pensava !


Marte é abalado com muitos mais sismos do que se pensava, o que descarta a possibilidade de ser a falta de actividade a causa para o fraco campo magnético do planeta vermelho.

Pelos vistos, há mais agitação em Marte do que pensávamos. Um estudo publicado na Nature Communications recorreu a novas técnicas para descobrir sismos que anteriormente não eram detetados sob superfície de Marte e os cientistas acreditam que esta é a melhor explicação até agora para a atividade vulcânica do planeta.

“Saber que o manto marciano ainda está activo é um aspecto crucial da nossa compreensão de que como Marte evoluiu enquanto planeta. Pode ajudar-nos a responder a questões fundamentais sobre o Sistema Solar e sobre a evolução do campo magnético de Marte, actualmente em falta”, revela o geofísico Hrvoje Tkalčić.

Durante muito tempo, a crença generalizada entre os cientistas era de que nada se passava dentro de Marte, devido à falta de um campo magnético forte, o que sugere uma falta de actividade, indica o Science Alert.

Os campos magnéticos dos planetas costumam ser gerados dentro do planeta pelo dínamo — um fluido condutor de eletricidade em rotação e convecção que pode manter um campo magnético durante escalas temporais astronómicas.

A importância de um campo magnético não pode ser subestimada, já que no caso da Terra, é este que nos protege da radiação cósmica que pode destruir a vida planetária. Apesar de Marte estar mais longe do Sol, os níveis de radiação são muito maiores do que na Terra precisamente por esta razão.

A descoberta de centenas de “Martemotos” foi feita através do módulo InSight da NASA, que chegou ao planeta vermelho em Novembro de 2018. Os cientistas recorreram a duas técnicas pouco convencionais, que só recentemente começaram a ser usadas no estudo da geofísica.

Com base em nove modelos de sismos conhecidos em Marte, os autores detectaram 47 novos eventos sísmicos na região marciana de Cerberus Fossae e procuraram descobrir a causa. A análise concluiu que não há um padrão aparente no timing dos sismos, o que descarta uma possível influência da lua Phobos.

A actividade detectada sugere que Marte está mais vivo do que se pensava, o que pode mudar a forma como entendemos o passado e o futuro do planeta.

Caso haja convecção a acontecer em Marte, como o estudo aparenta provar, falta descobrir qual é afinal a causa da falta de um campo magnético forte no planeta, o que pode ser decisivo na eventualidade de se criar uma colónia humana.

https://zap.aeiou.pt/o-manto-de-marte-esta-vivo-e-recomenda-se-e-a-causar-mais-sismos-do-que-se-pensava-472126


Cientistas descobrem novo “sistema de mensagens” nas células que torna a gordura no sangue ainda mais perigosa !


Cientistas descobriram que as células conseguem enviar sinais entre si, provocando um maior nível de stress nestes organismos e eventualmente agonizar as sintomatologias de algumas doenças.

As consequências negativas da presença de gordura no sangue, muitas vezes provocada pela obesidade, está há muito documentada. No entanto, os cientistas não deixam de avançar com novos estudos que aprofundem o impacto deste diagnóstico na generalidade da saúde humana. Segundo o Science Alert, a gordura causa stress adicional às células musculares, danifica a sua estrutura e o seu funcionamento. A novidade que o novo estudo vem introduzir é a capacidade destas células em transmitir sinais a outras células e causar mais danos.

Estes sinais podem assumir a forma de moléculas chamadas ‘ceramidas‘. Regra geral, o seu trabalho é reduzir o stress nas células, mas em doenças metabólicas a longo prazo, como a diabetes tipo 2, elas podem mesmo matar as células e fazer com que os sintomas associados a essa doença se tornem mais severos.

“Apesar de a pesquisa ainda estar numa fase inicial, a nossa descoberta pode ser a base para novas terapias ou abordagens terapêuticas tendo em vista a prevenção de doenças cardiovasculares ou metabólicas — como a diabetes — em pessoas com elevados níveis de gordura no sangue”, descreve Lea Roberts, fisiologista molecular da Universidade de Leeds, no Reino Unido.

Os investigadores partiram de células musculares do esqueleto humano concebidas para imitar as células de pessoas com doenças metabólicas, o que lhes permitiu ativar a sinalização das ceramidas com a adição de um ácido conhecido como palmitato.

Quando estas células foram misturadas com células que ainda não haviam sido expostas a gordura, elas comunicavam entre si, transferindo ceramides em grupos chamados ‘vesículas extracelulares‘, os quais são naturalmente lançados a partir de todas as células. O mesmo processo foi observado em testes efetuados em ratos e em células musculares retiradas de voluntários.

Apesar de ainda ser necessária mais pesquisa para se perceber o que pode significar esta nova vaga de ceramida, os cientistas já dão garantias que as moléculas podem ser prejudicais para o corpo: uma quantidade de gordura mais elevada parece fazer as células partilharem mais stress com as suas “vizinhas”.

Os investigadores reconhecem que podem existir mais fatores desconhecidos em jogo, mas suspeitam que o presente sistema de mensagens pode mesmo ser potenciador para que as pessoas com obesidade continuem a desenvolver mais ou outras complicações como a diabetes, precisamente a partir da partilha de stress celular. A vantagem em ter desvendado o sistema prende-se com a capacidade de evitar o desenvolvimento de complicações, através do bloqueamento de algumas das ceramidas. No entanto, esta possibilidade parece estar ainda muito longe.

“Com a epidemia da obesidade cada vez maior, o fardo das doenças crónicas associadas exige novos tratamentos”, descreve Lea Roberts. “Esperamos que os resultados da nossa abram aqui um novo caminho para a investigação, a fim de ajudar a responder a esta preocupação crescente”.

https://zap.aeiou.pt/cientistas-descobrem-novo-sistema-de-mensagens-nas-celulas-que-torna-a-gordura-no-sangue-ainda-mais-perigosa-472137

 

Os peixes também sabem fazer contas !


Um novo estudo conseguiu treinar peixes para fazerem pequenos cálculos simples de adição e subtração.

Quando estamos perante coisas em números pequenos, o nosso cérebro adiciona ou subtrai automaticamente, sem sequer precisarmos de contar. Surpreendentemente, não somos os únicos com esta capacidade.

Um novo estudo publicado na Scientific Reports descobriu que os ciclídeos e as raias também conseguem saber imediatamente com um único relance quantos peixes têm à sua frente. Já há algum tempo que se sabia que estes peixes podiam ser treinados para distinguir quantidades de três e quatro, mas a nova pesquisa que as espécies podem mesmo fazer cálculos.

“Treinamos os animais para fazerem adições e subtrações simples. Ao fazerem isso, tinham de aumentar ou diminuir o valor inicial em um”, explica Vera Schluessel, investigadora que liderou o estudo.

Para este treino, os cientistas usaram um método que já tinha tido sucesso no passado, mostrando uma coleção de formas geométricas aos peixes, cujas cores indicam que a operação tinham de fazer. Caso fossem azuis, os peixes tinham de adicionar um e se fossem amarelos, subtraíam um, explica o Science Daily.

Depois de verem o estímulo original — com quatro quadrados —, os animais foram mostrados duas novas imagens, uma com cinco e outra com três quadrados. Se nadassem em direção à imagem correta, os peixes eram premiados com comida. Caso nadassem para a imagem errada, não recebiam nada. Ao longo do tempo, os animais aprenderam a associar o azul com a adição e o amarelo com a subtração.

Para garantirem que os peixes tinham internalizado a regra matemática por detrás das cores, os investigadores omitiram propositadamente alguns cálculos durante os treinos, que lhes foram mostrados já depois da fase de aprendizagem. Mesmo nestes casos, os peixes escolheram frequentemente a resposta correta.

Os resultados surpreenderam os investigadores, especialmente dada a dificuldade das tarefas, já que os peixes não eram sempre expostos às mesmas formas, mas sim a uma combinação de formas diferentes.

“Por isso, os animais tinham de reconhecer o número de objetos mostrados ao mesmo tempo que inferiam a regra do cálculo através da cor. No geral, é um feito que exige capacidades de pensamento complexas“, remata Schluessel.

https://zap.aeiou.pt/os-peixes-tambem-sabem-fazer-contas-471675

 

quinta-feira, 28 de abril de 2022

“Tijolos de bactérias” podem ser usados como blocos de construção em Marte !


Cientistas da Organização de Investigação Espacial Indiana (ISRO) propuseram um método para construir habitats em Marte com “tijolos bacterianos”.

Num novo estudo publicado a 14 de abril na PLoS One, os investigadores explicam o seu plano para combinar o solo marciano com um material semelhante a um gel e uma estirpe bacteriana chamada Sporosarcina pasteurii.

De acordo com a IFL Science, o objetivo seria combinar ambos os materiais, de forma a criar blocos de construção, para habitats do planeta vermelho.

A proposta junta-se a uma lista de hipóteses caricatas de material de construção para Marte, que refletem a escassez de materiais para futuras missões ao planeta vermelho, na tentativa de aproveitar ao máximo todo e qualquer recurso disponível.

No ano passado, por exemplo, a Universidade de Manchester propôs a construção de habitats em Marte com sangue e urina de astronauta.
 
Os cientistas do ISRO utilizaram o simulador de solo marciano e demonstraram que as bactérias transformaram a ureia em cristais de carbonato de cálcio e também segregaram uma substância biopolímero pegajosa.

O cloreto de níquel ajudava as bactérias a crescer, apesar do elevado teor de ferro do solo, que é tipicamente tóxico para as bactérias.

O tipo específico de bactérias também ajudou a ultrapassar a questão da porosidade, um dos principais obstáculos à construção de habitats em Marte.

“As bactérias infiltram-se nos espaços porosos, utilizando as suas próprias proteínas para unir as partículas, diminuindo a porosidade e criando tijolos mais fortes”, explicou Aloke Kumar, um dos autores do estudo.

Combinado, este material pode ser utilizado como agente de ligação para manter o solo de Marte unido e construir habitats para futuras missões ao planeta vermelho.

Atualmente, a NASA estima que enviará humanos para Marte até 2030, e o SpaceX está a trabalhar arduamente no seu veículo de lançamento da nave espacial totalmente reutilizável, que pretende enviar para a Lua e eventualmente para Marte.

Em seguida, a equipa ISRO pretende enviar alguns dos seus “tijolos bacterianos” para o espaço, numa futura missão.

Ao fazê-lo, serão capazes de estudar as propriedades do seu material em microgravidade, para ver se está apto para fazer a longa viagem ao lado dos futuros astronautas, à medida que se dirigem para o planeta vermelho.

https://zap.aeiou.pt/tijolos-de-bacterias-podem-ser-usados-como-blocos-de-construcao-em-marte-475083


Cogumelos podem falar entre si… E usar mais de 50 palavras !


Os cogumelos são criaturas solitárias que não se mexem nem se aproveitam dos outros. Mas é possível que falem entre eles.

Num novo estudo, publicado a 6 de abril na Royal Society Open Science, um investigador britânico colocou elétrodos em quatro tipos diferentes de fungos e descobriu que eles parecem comunicar internamente, através de impulsos elétricos.

Uma análise matemática dos sinais elétricos que os fungos enviam uns aos outros revelou que os padrões nestas “mensagens” são surpreendentemente semelhantes ao discurso humano, segundo a Interesting Engineering.

De facto, o investigador descobriu que os conjuntos de sinais são tão sofisticados que se assemelham realmente a palavras — tendo sido possível distinguir um vocabulário com cerca de 50 palavras.

Os fungos comunicam uns com os outros através de hifas, que são uma espécie de tendões longos e ramificados que os organismos utilizam para se expandirem e explorarem os seus arredores.
 
Estudos anteriores mostraram que quando os cogumelos encontram novas fontes de alimentos, a quantidade de impulsos elétricos que passam por hifas aumenta, sugerindo que os fungos podem utilizar esta “linguagem” para se notificarem mutuamente sobre o novo alimento, de acordo com The Guardian.

No novo estudo, Adam Adamatzky, cientista informático do Laboratório de Computação Não Convencional da Universidade do Oeste de Inglaterra, decidiu investigar se estes sinais são análogos à linguagem humana, concentrando-se em quatro tipos de cogumelos.

Para descobrir, inseriu elétrodos em substratos colonizados pelas hifas do cogumelo e mediu a sua atividade elétrica.

“Não sabemos se existe uma relação direta entre os padrões de pico em fungos e a fala humana. Possivelmente não”, explicou Adamatzky.

“Por outro lado, existem muitas semelhanças no processamento de informação em substratos vivos de diferentes classes, famílias e espécies. Estava apenas curioso para comparar”, admite o especialista.

O estudo descobriu que o vocabulário dos cogumelos tinha até 50 palavras, embora nenhum deles utilizasse mais de 15 a 20 frequentemente.

A distribuição destas “palavras fúngicas” é semelhante à da língua humana, com a espécie Schizophyllum commune a criar as “frases” mais complicadas de todas.

“Há também outra opção — eles não dizem nada“, realçou Adamatzky. “As pontas de micélio propagadoras são carregadas eletricamente e, portanto, quando as pontas carregadas passam num par de elétrodos diferentes, é registado um pico”.

Embora as conclusões sejam intrigantes, é melhor permanecer cético antes de considerar se devemos ter dicionários dedicados à língua “Fungus”.

Afinal de contas, tal como uma viagem de cogumelos mágicos, é possível que tudo esteja na nossa imaginação…

Alguns especialistas não estão convencidos de que os picos gravados representem um tipo de comunicação fúngica, uma vez que o comportamento pulsante foi anteriormente registado durante a movimentação de nutrientes por fungos. Isto poderia explicar os picos observados no último estudo.

“Embora interessante, a interpretação como linguagem parece um pouco exagerada, e exigiria muito mais investigação e testes de hipóteses críticas antes de vermos ‘Fungos’ no Google Tradutor“, conclui Dan Bebber, professor de Ecologia no Departamento de Biociências da Universidade de Exeter.

https://zap.aeiou.pt/cogumelos-podem-falar-entre-si-e-usar-mais-de-50-palavras-472761


Um tsunami gigante no Atacama levou os humanos a fugir da costa durante 1000 anos !


O trauma de um sismo com magnitude de 9.5 na escala de Richter e o seu consequente tsunami foi tanto que as comunidades humanas que viviam perto da costa do Chile mudaram-se para o interior durante 1000 anos.

Hoje em dia, há uma tendência generalizada para a população se concentrar em zonas urbanas no litoral, mas esta nem sempre foi a realidade.

Há 3800 anos, um enorme sismo com uma magnitude de 9.5 na escala de Richter causou um tsunami gigantesco que inundou o norte do Chile — e os humanos ficaram tão assustados que evitaram viver na costa na região durante 1000 anos.

A revelação partiu de um novo estudo publicado na Science Advances, que analisou depósitos de sedimentos e amostras de rochas marinhas, conchas e vida marinha que foram arrastadas pelas ondas para as partes mais altas do deserto de Atacama.

“Encontramos provas de sedimentos marinhos de muitas espécies que estariam a viver calmamente no mar antes de serem atiradas para a terra. E descobri-mo-las em sítios tão altos e afastados da costa que não poderiam ter sido levadas para lá por uma tempestade”, revela James Goff, geólogo e especialista em tsunamis.

A região do deserto de Atacama é particularmente propícia a sismos enormes devido à sua proximidade com a convergência entre as placas tectónicas de Nasca e da Sul-Americana, revela o Science Alert.

Os investigadores usaram a datação por radiocarbono para estimarem a idade dos depósitos no litoral, que se estendem ao longo de 600 quilómetros na costa chilena.

Os dados sobre vários depósitos apontam para a existência de um “evento tectónico que pode ter levantado depósitos no litoral ao longo da região de estudo” que terá “criado uma disrupção social a nível regional“, escrevem os autores.

Na altura deste enorme sismo, a população da zona vivia em comunidades de caçador-colector e as provas arqueológicas mostram que o tsunami destruiu duas vezes as suas estruturas de pedra.

O trauma não se limitou aos poucos que tiveram a sorte de sobreviver, já que as provas mostram que a zona costeira ficou desabitada durante 1000 anos, apesar do peixe continuar a ser a principal fonte de alimentação da população.

As comunidades preferiam deslocar-se regularmente à costa para pescar e voltar para o interior do que viver perto do mar. Com o passar do tempo, a população começou a esquecer o impacto do tsunami e a regressar ao litoral. Antes deste tsunami, os humanos viveram na zona costeira durante 10 000 anos.

“A população local ficou sem nada. O nosso trabalho arqueológico descobriu que houve uma enorme convulsão social com as comunidades s mudarem-se para o interior e além do alcance dos tsunamis”, revela Goff.

Para além de preencher algumas das lacunas no nosso conhecimento histórico deste evento — que foi equivalente ao sismo mais poderoso que a Humanidade já sentiu — esta pesquisa serve ainda como um aviso sobre os riscos que um possível sismo semelhante no futuro pode trazer.

“Apesar de isto ter tido um grande impacto no Chile, as ilhas no sul do pacífico também ficaram desabitadas quando sofreram com o tsunami há 3800 anos. Mas estão populadas agora e muitas são destinos turísticos popular, por isso se um evento destes ocorrer, as consequências seriam catastróficas a não ser que possamos aprender destas conclusões”, alerta Goff.

https://zap.aeiou.pt/tsunami-atacama-humanos-costa-1000-473038


Uma deficiência de vitamina pode ter mudado o curso da história da Antártida !

Da esquerda para a direita: Frank Wild, Ernest Shackleton, Eric Marshall e Jameson Adams
Ernest Shackleton terá sofrido de beribéri, uma doença causada pela deficiência de vitamina B1, que poderá ter mudado o curso da história da Antártida.

Como parte da Expedição Discovery, em novembro de 1902, às regiões antárticas, Ernest Shackleton, Robert Falcon Scott e Edward Wilson exploraram a plataforma de gelo Ross.

Em janeiro de 1903, o trio movia-se para norte em direção ao mar aberto, onde esperava lá um navio por eles. Falcon Scott e Wilson puxavam o trenó e, ao seu lado Shackleton tentava acompanhar o ritmo nos seus esquis.

Wilson, o médico da expedição, notou no seu diário que Shackleton sofria de falta de ar e, devido à fraqueza que sentia, não conseguia puxar o trenó.

Segundo um novo estudo, Shackleton sofria de beribéri, uma deficiência nutricional causada pela falta de vitamina B1, resultando em fraqueza muscular, problemas gastrointestinais e dificuldades respiratórias.

“Ele era, obviamente, um personagem tremendo, em muitos aspetos, fisicamente muito poderoso”, disse o anestesista Ian Calder, citado pelo Atlas Obscura. “O que me intrigou foi que ele parecia sempre estar a desmaiar”.

Apesar dos seus incríveis feitos no continente, as notas da expedição salientavam que Shackleton sentia uma ocasional incapacidade de pôr-se a pé sozinho.

A sua morte prematura foi atribuída a problemas cardíacos devido a ser um fumador ávido há várias décadas. Um estudo publicado na revista Journal of the Royal Society of Medicine, em 2016, apresentou evidências de que Shackleton tinha arritmias recorrentes.

Mas agora, num novo estudo publicado no Journal of Medical Biography, o autor principal, Paul Firth, sugere que beribéri terá sido a doença misteriosa que levou à morte do explorador e que poderá ter mudado o curso da história do continente.

Depois do incidente na plataforma de gelo Ross, Shackleton foi considerado inapto para continuar a participar com a Expedição Discovery.

Foi então Shackleton voltou para Londres e angariou dinheiro para fazer a sua própria expedição.

“Na sua segunda expedição, no Nimrod, ele partiu para o Polo Sul e por pouco não conseguiu chegar lá, mas foi aí que ele ficou famoso”, explicou Firth. “Foi a deficiência de vitamina B1 que o iniciou no seu caminho como explorador independente. Se ele não tivesse beribéri não teria feito o seu próprio caminho, como líder”.

Ao examinar os registos médicos da exploração polar, Firth encontrou casos diagnosticados de beribéri em expedições posteriores. Wilson escreveu “beribéri” nas suas anotações, mas nunca fez esse diagnóstico oficial.

“O beribéri estava predominantemente no Extremo Oriente e no Sudeste Asiático. Então, quando apareceu na Antártida, o que eles reconheceram foi escorbuto, porque eram europeus. Eles não reconheceram que era beribéri porque estavam a pensar como europeus”, sublinha Firth.

Nem todos concordam, no entanto.

“O difícil de explicar é porque é que Shackleton foi mais afetado do que Scott ou Wilson, que estavam com ele. Eles estavam basicamente a comer a mesma dieta”, disse o geógrafo histórico Ed Armston-Sheret.

Apesar das conclusões deste novo estudo, é provável que o mistério da saúde de Shackleton perdure.

Em 1914, o explorador anglo-irlandês embarcou no navio Endurance para a sua terceira viagem à Antártida e planeava atravessar a região via Polo Sul.

Contudo, em 1915, o barco encalhou e afundou-se ao fim de dez meses, ao ser esmagado pelo gelo.

A expedição tornou-se lendária por causa das condições de sobrevivência da tripulação — ao todo eram 28 elementos e todos sobreviveram —, que acampou por meses no gelo antes deste derreter. Ernest Shackleton e seus companheiros partiram em pequenas embarcações para a ilha Elefante, ao largo da Península Antártida.

Da ilha, o explorador e a sua equipa fizeram uma viagem traiçoeira de 1.300 quilómetros até à ilha de Geórgia do Sul, com o barco “James Caird”, tendo chegado ao seu destino 16 dias depois, corria o ano de 1916.

https://zap.aeiou.pt/deficiencia-vitamina-historia-antartida-473417


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