quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Arqueologia estelar revela restos de antigo enxame globular

Uma equipa de astrónomos, incluindo Ting Li e Alexander Ji do Instituto Carnegie, descobriu uma corrente estelar composta pelos restos de um antigo enxame globular que foi dilacerado pela gravidade da Via Láctea, há 2 mil milhões de anos, quando as formas de vida mais complexas da Terra eram os organismos unicelulares.
Esta descoberta surpreendente, publicada na revista Nature, vira de cabeça para baixo a sabedoria convencional de como estes objetos celestes se formam.
Imagine uma esfera composta por um milhão de estrelas ligadas pela gravidade e orbitando um núcleo galáctico. É um enxame globular. A Via Láctea abriga cerca de 150, que formam um halo ténue que envolve a nossa Galáxia.
Mas o enxame globular que gerou este fluxo estelar recém-descoberto teve um ciclo de vida muito diferente dos enxames globulares que vemos hoje. “Isto é arqueologia estelar, descobrindo os restos de algo antigo, varrido por um fenómeno mais recente,” explicou Ji.
Usando o AAT (Anglo-Australian Telescope), a corrente de estrelas foi revelada pela colaboração S5 (Southern Stellar Stream Spectroscopic Survey). Liderada por Li, a iniciativa visa mapear o movimento e a química de fluxos estelares no Hemisfério Sul.
Neste estudo, a colaboração focou-se num fluxo de estrelas na direção da constelação da Fénix. “Os restos do enxame globular que compõem o fluxo na constelação da Fénix foram perturbados há muitos anos, mas felizmente mantêm a memória da sua formação durante o Universo primitivo, que podemos ler a partir da composição química das suas estrelas,” disse Li. A equipa mediu a abundância de elementos mais pesados – o que os astrónomos chamam de metalicidade de uma estrela.
A composição de uma estrela espelha a da nuvem galáctica de gás da qual nasceu. Quanto mais gerações anteriores de estrelas semearem este material com elementos pesados que produziram durante as suas vidas, mais enriquecidas, ou metálicas, são as estrelas. Portanto, uma estrela primitiva muito antiga não terá quase elementos pesados.
“Ficámos muito surpreendidos ao descobrir que o Fluxo da Fénix é distintamente diferente de todos os outros enxames globulares da Via Láctea,” explicou Zhen Wan da Universidade de Sydney. “Embora o enxame tenha sido destruído há milhares de milhões de anos atrás, ainda podemos saber que se formou no início do Universo.”
Dado que outros enxames globulares conhecidos são enriquecidos pela presença de elementos pesados forjados por gerações estelares anteriores, teorizou-se que havia uma abundância mínima de elementos mais pesados necessária para a formação de um enxame globular. Mas o progenitor do Fluxo da Fénix está bem abaixo desta metalicidade mínima prevista, colocando um problema significativo para ideias anteriores sobre como nascem os enxames globulares.
“Uma explicação possível é que a Corrente Estelar da Fénix é o último exemplo do seu género, o remanescente de uma população de enxames globulares que nasceram em ambientes radicalmente diferentes daqueles que vemos hoje,” explicou Li.
Os investigadores propuseram que estes enxames globulares defuntos foram continuamente dilacerados pelas forças gravitacionais da Via Láctea. Os restos de outros enxames globulares antigos também podem viver como fluxos fracos que ainda podem ser descobertos antes que se dissipem com o tempo.
“Ainda há muito trabalho teórico a ser feito, e agora existem muitas questões novas para explorar sobre como as galáxias e os enxames globulares se formam,” disse o coautor Geraint Lewis, também da Universidade de Sydney.

https://zap.aeiou.pt/arqueologia-estelar-revela-restos-antigo-enxame-globular-ultimo-do-genero-338974

Exame ao sangue pode revelar Alzheimer antes de aparecerem sintomas

Fazer análises ao sangue pode revelar a doença de Alzheimer antes de começarem a aparecer sintomas. Em causa está uma proteína específica no sangue.
Cerca de duas décadas antes de aparecem sintomas da doença de Alzheimer, uma proteína chamada amilóide começa a formar-se no cérebro dos pacientes. Um exame ao sangue pode detetar a proteína e ajudar a diagnosticar a doença antes que os sintomas apareçam.
À medida que as placas amilóides se vão formando no cérebro, os níveis de uma proteína específica no sangue vão aumentando, revela um novo estudo publicado, na semana passada, na revista científica Journal of Experimental Medicine.
“A descoberta de uma espécie única de tau que está intimamente associada a alterações causadas por placas amilóides ajudará a identificar e prever pessoas que têm ou provavelmente desenvolverão a doença de Alzheimer”, disse o autor do estudo, Randall J. Bateman, professor de neurologia da Universidade de Washington.
“Isto acelerará bastante os estudos de investigação, incluindo a descoberta de novos tratamentos, além de melhorar o diagnóstico clínico com um simples exame ao sangue”, acrescentou.
O objetivo dos cientistas nos últimos anos tem sido tentar identificar pacientes que comecem a desenvolver esta proteína no cérebro o mais rapidamente e economicamente possível. Desta forma, assim que um medicamento eficaz fosse desenvolvido, as pessoas poderiam ser tratadas ainda antes de desenvolver qualquer tipo de sintoma.
A Tomografia por Emissão de Positrões (PET) é uma técnica de imagem médica recente que utiliza moléculas que incluem um componente radioativo. Quando administradas no corpo humano, estas moléculas permitem detetar e localizar reações bioquímicas associadas a determinadas doenças, sobretudo nas áreas da Oncologia, Cardiologia e Neurologia.
Esta técnica pode ser usada para detetar placas amilóides, mas é demasiado demorada e cara para ser amplamente utilizada para triagem ou diagnóstico, realça o Futurity. Como tal, os investigadores estão a trabalhar numa exame ao sangue que consiga detetar os níveis de amilóide no cérebro.
Os autores do estudo descobriram anteriormente que as pessoas com placas amilóides tendem a ter certas formas de tau no líquido cefalorraquidiano. No entanto, para conseguir uma amostra é necessário fazer uma punção espinhal, algo que muitos pacientes se mostram relutantes em fazer. Todavia, as proteínas no líquido cefalorraquidiano podem passar para o sangue, que é mais fácil de retirar uma amostra.
Se ao analisa o sangue forem encontradas estas formas específicas de tau, conhecidas como tau fosforilada 217, pode significar que o paciente tenha placas amilóides no cérebro.
“Este é apenas um estudo exploratório, mas achamos que a tau fosforilada 217 é um alvo promissor para um teste de diagnóstico precoce“, disse o coautor Nicolas Barthélemy.
“Havia uma grande diferença entre os grupos amilóide-positivo e amilóide-negativo, mesmo entre pessoas que eram cognitivamente normais. Tivemos que usar um grande volume de sangue neste estudo, mas estamos a trabalhar para reduzir o volume. Quando melhorarmos a maneira como estamos a preparar e a concentrar a amostra, estaremos um passo mais perto do desenvolvimento de um exame ao sangue baseado em tau que pode identificar pessoas em risco de desenvolver demência de Alzheimer antes que os sintomas surjam”, acrescentou.

https://zap.aeiou.pt/exame-sangue-revelar-alzheimer-338754

Curados de covid-19 mais expostos a depressão, insónia e ansiedade !

As pessoas que recuperaram da covid-19 estão a revelar crescentes desordens psiquiátricas, como ansiedade, depressão, sintomas compulsivos e stress pós-traumático, segundo um novo estudo italiano.
Segundo o estudo, realizado no hospital San Raffaele, em Milão, mais de metade dos 402 pacientes monitorizados depois do tratamento à covid-19 evidenciaram pelo menos uma dessas desordens, avançou na segunda-feira o Guardian. Os participantes – 265 homens e 137 mulheres – foram observados durante mês depois de terem alta.
“Ficou imediatamente claro que a inflamação causada pela doença podia também ter repercussões a nível psiquiátrico”, disse Francesco Benedetti, responsável de investigação da unidade de psiquiatria e psicobiologia clínica do hospital de San Raffaele, um dos autores do estudo, publicado no Brain, Behaviour and Immunity.
A equipa identificou stress traumático em 28% dos pacientes, depressão em 42%, insónia em 40% e sintomas obsessivo-compulsivos em 20%. As mulheres ficaram mais expostas a ansiedade e depressão. “A hipótese que colocamos é que isto se pode dever às diferentes formas de funcionamento do sistema imunitário”, referiu Francesco Benedetti.
Pacientes com sintomas ligeiros de infeção podem ter desordens cerebrais graves e, segundo os investigadores, com repercussões psíquicas mais sérias do que os doentes que foram hospitalizados.
Esses efeitos podem ser originados pela resposta do sistema imunitário ao vírus, pelo stress psicológico associado ao estigma, pelo isolamento social e pela preocupação em infetar outras pessoas, revelou ainda o estudo.

https://zap.aeiou.pt/curados-covid-19-depressao-insonia-ansiedade-338982

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Airbus construirá primeiro cargueiro espacial interplanetário !

De acordo com a BBC, a Airbus construirá o primeiro “navio de carga interplanetário” para trazer à Terra amostras do solo e das rochas de Marte. O audacioso programa será um esforço coletivo da Agência Espacial Europeia (ESA) com a NASA, que na quinta-feira (30) lançou o rover Perseverance ao planeta vermelho. O projeto custará bilhões de dólares e levará pouco mais de uma década para ser implementado.
“As pessoas falam sobre o retorno de amostras de Marte há anos. Lembro-me de trabalhar nisso já em 2002. Mas agora estamos na emocionante situação na qual esse sonho está prestes a se tornar realidade”, disse David Parker, diretor da ESA. Contudo, segundo o site, a agência estaria em processo final para fechar o contrato com a Airbus, com detalhes a serem resolvidos em breve e assinatura prevista até setembro deste ano.

Ilustração do funcionamento do programa para enviar à Terra amostras de Marte
Ilustração do funcionamento do programa para enviar à Terra amostras de Marte.

Chamada de Earth Return Orbiter (ERO), a nave pesará 6,5 toneladas no período de lançamento, em 2026, e exigirá enorme quantidade de energia para ir ao espaço. Dentre os mecanismos para geração de propulsão, haverá matrizes solares, químicas e elétricas.
Inicialmente, o rover Perseverance explorará a cratera Jezero, local onde cientistas acreditam ter abrigado um lago há bilhões de anos. Dessa forma, é possível que as rochas formadas ao seu redor contenham traços químicos da biologia passada, caso tenha existido. Esse material será perfurado pelo veículo espacial e separará amostras para posteriormente serem lançadas ao espaço e transportadas pelo novo satélite europeu.

Expectativas

“A Airbus está animada para enfrentar esse desafio como parte dessa missão internacional conjunta”, afirmou Dirk Hoke, presidente da agência europeia. Na ocasião, ele ainda destacou que o veículo aproveitará toda a experiência adquirida pela empresa ao longo das décadas.
“Como um dos principais selecionados para a órbita de retorno à terra das amostras de Marte, estamos trazendo toda a força da nossa experiência adquirida em Rosetta, Mars Express, Venus Express, Gaia, Veículo de Transferência Automatizado, BepiColombo e Jupiter Icy Moons Explorer para garantir que essa missão seja bem-sucedida. Isso será um feito extraordinário, ao levar a ciência interplanetária a um novo nível”, ele completou.
Já na Terra, especialistas estudarão as rochas e o solo usando técnicas avançadas, com inovações a ainda serem feitas, para garantir a confiabilidade dos resultados. Os responsáveis pela empreitada caracterizam que será a melhor maneira de confirmar se houve vida no planeta vermelho.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/115423-airbus-construira-primeiro-cargueiro-espacial-interplanetario.htm

Anomalia do Atlântico Sul existe há pelo menos 11 milhões de anos

Você já ouviu falar de uma anomalia estranha que existe no campo magnético terrestre sobre o Atlântico Sul? Trata-se de uma região desse escudo que protege a Terra da ação dos ventos solares e raios cósmicos cujo comportamento é um tanto quanto diferente e o campo magnético é mais fraco. A perturbação é uma velha conhecida dos cientistas e coincide com o local onde o anel mais interno do Cinturão de Van Allen fica mais próximo do nosso planeta e propicia um maior fluxo de partículas. Contudo, não se sabe desde quando ela existe.

Datação energética

Para ajudar a solucionar o mistério de quando a anomalia surgiu, pesquisadores da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, conduziram análises em rochas vulcânicas coletadas na Ilha de Santa Helena – que, assim como parte da América do Sul, incluindo o sul do nosso país, fica posicionada sob o “furo” no escudo terrestre.
De acordo com Samantha Mathewson, do site Space.com, os cientistas escolheram essas rochas porque as variações no campo magnético ficam preservadas nelas e permitem que sua história seja reconstruída. Segundo Samantha, o que ocorre é que, quando o magma chega à superfície, ele se resfria, formando as rochas vulcânicas – e grãozinhos de óxido de ferro presentes nesse material são magnetizados mantendo, dessa maneira, a direção e a força do campo magnético terrestre de quando as rochas são produzidas.

Pelo menos 11 milhões de anos!
Pelo menos 11 milhões de anos!

Assim, os estudos foram realizados em amostras de 34 erupções diferentes ocorridas na ilha entre 8 e 11 milhões de anos atrás e revelaram que, além de a anomalia do Atlântico Sul não ser única, ocorreram outras tantas ao longo dos milênios. Isso porque, no caso das rochas de Santa Helena, os cientistas descobriram que, dependendo da erupção, o campo magnético apontava em diferentes direções, indicando instabilidades magnéticas no local.
Os pesquisadores também encontraram evidências de que a anomalia do Atlântico Sul está relacionada com determinadas características sísmicas detectadas no interior do planeta, na parte onde o núcleo e o manto se encontram. Além disso, o estudo apontou que é pouco provável que as flutuações registradas na anomalia possam desencadear a inversão do campo magnético terrestre, uma vez que as variações vêm ocorrendo há milhões de anos. Ainda assim, essa curiosa região é conhecida por provocar interferências em satélites artificiais e outros equipamentos em órbita e, portanto, é importante entender a sua dinâmica e comportamento.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/115425-anomalia-do-atlantico-sul-existe-ha-pelo-menos-11-milhoes-de-anos.htm

Buracos negros podem conter 'filmes' da história do universo

Segundo a revista New Scientist, os anéis de luz presos na órbita do buraco negro Powehi, o primeiro a ter sua imagem capturada, podem servir como uma espécie de registro histórico. Dessa forma, o possível estudo nesse campo seria capaz de mostrar uma espécie de “filme” da história do universo, através de diferentes quadros armazenados no fenômeno.
Em recentes trabalhos acadêmicos de cientistas que abordam a temática, há a sugestão de que a sequência de anéis de fótons, partículas de luz, pode fornecer informações sobre a origem dos buracos negros. Além disso, ela ajudaria a compreender melhor suas propriedades e até mesmo servir como prova para a Teoria da Relatividade, de Albert Einstein.

Primeira imagem capturada de um Buraco Negro chamado Powehi pode revelar detalhes sobre o passado do universo
Primeira imagem capturada de um Buraco Negro chamado Powehi pode revelar detalhes sobre o passado do universo

Um desses casos é o trabalho “Universal Interferometric Signatures of a Black Hole's Photon Ring”, liderado por Michael Johnson, astrônomo da Universidade Harvard. O autor diz que os anéis deixam a assinatura de um determinado momento do universo e oferecem medições precisas da massa e rotação do buraco negro.
“O conjunto de subpartes desse elemento é semelhante aos quadros de um filme, e captura a história do universo testemunhada pelo buraco negro”, diz o estudo. Embora a análise dos anéis possa revelar segredos sobre os fenômenos, os pesquisadores dizem que há limites para a especulação.
Cada anel é apenas seis dias mais antigo do que o anterior, além de ser rapidamente engolido pela imensa força gravitacional do buraco negro, o que dificulta a observação de antigos registros. Isso significa que “Nós não vamos ver dinossauros”, conforme ressaltou Johnson à revista acadêmica.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/115442-buracos-negros-podem-conter-filmes-da-historia-do-universo.htm

Cientistas tornam a luz invisível visível pela primeira vez !


Luz manipulada em forma de elefante

Uma equipa de cientistas da Vrije Universiteit Brussel e de Harvard conseguiu, pela primeira vez, tornar visível a luz de campo próximo.
Existem vários tipos de luz, alguns visíveis e outros invisíveis ao olho humano. Os nossos olhos e cérebro não têm as ferramentas necessárias para processar a luz ultravioleta ou infravermelha, tornando-as invisíveis.
No entanto, existe um outro tipo de luz que é invisível simplesmente porque nunca chega aos nossos olhos: quando atinge certas superfícies, parte dessa luz adere e permanece na superfície, em vez de ser refletida ou dispersa. Este tipo de luz é conhecido como “luz de campo próximo”, explica o Science Daily.
Atualmente, a luz de campo próximo é usada em microscopia de alta resolução, mas também tem potencial inexplorado no campo da manipulação de partículas ou na comunicação ótica. Contudo, como este tipo de luz não alcança o olho humano, os cientistas nunca desenvolveram um mecanismo para tirar proveito dela.
Vincent Ginis e cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, desenvolveram recentemente um sistema para controlar a luz de campo próximo, alcançado um controlo tridimensional sem precedentes deste tipo especial de luz: um controlo que permite seu aproveitamento prático.
Para manipular a luz de campo próximo, Ginis desenvolveu um dispositivo no qual a luz confinada num guia de ondas oscila entre dois espelhos. Cada reflexão faz com que a luz mude de modo, isto é, a luz passa a propagar-se com um padrão espacial diferente.
Depois de várias reflexões, os padrões multiplicaram-se e criaram um perfil complexo de intensidade de luz ao longo do guia de ondas.
A luz de campo próximo perto da superfície do guia de ondas também muda: quando os diferentes padrões da luz são sobrepostos, nasce uma forma específica de onda, que pode ser programada adaptando a amplitude dos modos da luz refletida.
É mais ou menos como a música“, explicou Ginis. “A música que ouvimos é a superposição de muitas notas, ou modos, reunidos em padrões concebidos pelo compositor. Uma nota sozinha não é nada, mas, tomadas em conjunto, podem criar um tipo de música. Enquanto a música opera no tempo, o nosso gerador de campo próximo opera no espaço tridimensional, e o aspecto mais intrigante do nosso dispositivo é que uma nota gera a outra.”
Os cientistas sublinharam, ainda, que este processo de moldagem da luz acontece remotamente, o que significa que nenhuma parte do dispositivo interage diretamente com a luz de campo próximo.
Este processo reduz a interferência, uma característica muito importante para aplicações como a manipulação de partículas.
Ginis moldou a luz do campo próximo na forma de um elefante para demonstrar este feito – mais especificamente, um elefante dentro de uma jibóia, uma homenagem ao clássico de Antoine de Saint-Exupery, O Principezinho. O artigo científico foi recentemente publicado na Science.

https://zap.aeiou.pt/cientistas-tornam-luz-invisivel-visivel-337983

Estrela morta emite cocktail de radiação nunca antes visto !


Conceção artística da emissão de ondas de rádio do magnetar SGR1935+2154

Um grupo internacional de cientistas explorou o potencial do telescópio espacial de raios gama da Agência Espacial Europeia (ESA) – e outros telescópios e instrumentos – para detetar um cocktail de radiação inédita de uma estrela morta.
Uma colaboração global de telescópios, que inclui o Observatório Espacial Integral da ESA, detetou uma mistura nunca antes vista de radiação que explode de uma estrela morta na Via Láctea. A descoberta, que pode resolver um mistério antigo, envolve dois tipos de fenómenos cósmicos: magnetares e rajadas rápidas de rádio.
Os magnetares são remanescentes estelares e possuem alguns dos campos magnéticos mais intensos do Universo. Quando se tornam “ativos”, podem produzir pequenas rajadas de radiação de alta energia que, normalmente, não duram nem um segundo. Mesmo assim, são milhares de milhões de vezes mais luminosas do que o Sol.
Conforme escreve o Europa Press, as rajadas rápidas de rádio (FRBs) são um dos principais mistérios não resolvidos da Astronomia.
Descobertos pela primeira vez em 2007, estes fenómenos pulsam intensamente em ondas de rádio durante meros milissegundos antes de desaparecer e raramente são observados outra vez. A sua natureza permanece desconhecida e nunca houve uma explosão deste tipo na Via Láctea. Até agora.
No final do mês de abril, o SGR 1935+2154, um magnetar descoberto há seis anos na constelação Raposa, tornou-se ativo outra vez. Logo depois, uma equipa de astrónomos viu um fenómeno surpreendente: o magnetar não apenas irradiou os seus raios-X habituais, como também ondas de rádio.
“Detetamos a explosão de raios-X de alta energia do magnetar no dia 28 de abril”, avançou Sandro Mereghetti, do Instituto Nacional de Astrofísica (INAF-IASF) em Milão, na Itália, e principal autor do novo estudo publicado na The Astrophysical Journal Letters.
“O ‘Sistema de Alerta de Explosão’ alertou os observatórios para a descoberta em apenas alguns segundos. O fenómeno aconteceu horas antes de qualquer outro alerta ter sido emitido, o que permitiu à comunidade científica agir rapidamente e explorar essa fonte.” “Nunca vimos uma explosão de ondas de rádio, semelhante a uma rajada rápida de rádio, de um magnetar”, sublinhou Mereghetti.
O gerador de imagens IBIS, do Integral, permitiu aos astrónomos identificar com precisão a origem da explosão, “marcando a sua associação com o magnetar“, explicou o co-autor do artigo científico Volodymyr Savchenko, do Centro de Dados de Ciência Integral da Universidade de Genebra, na Suíça.
“A maioria dos outros satélites envolvidos no estudo não conseguiu medir a sua posição no céu. Isso foi crucial para identificar que a emissão veio mesmo do SGR1935+2154.”
De acordo com a equipa, esta é a primeira conexão observacional entre magnetares e rajadas rápidas de rádio e apoia fortemente a teoria de que as rajadas emanam dos magnetares. Além disso, demonstra ainda que as explosões destes objetos altamente magnetizados também podem ser detetadas nos comprimentos de onda de rádio.

https://zap.aeiou.pt/estrela-morta-cocktail-radiacao-337750

Janelas com vista para o Espaço - Virgin Galactic revela interior de nave espacial para turistas !

A Virgin Galactic acaba de revelar o luxuoso design do interior da cabine do primeiro veículo SpaceshipTwo – o VSS Unity – que permitirá a astronautas e entusiastas explorar o Espaço com conforto.
A Virgin Galactic, de Richard Branson, revelou recentemente de que forma os passageiros vão viajar na sua SpaceShipTwo em baixa órbita, levantando o véu do interior do VSS Unity, focando-se na cabine dos passageiros.
Segundo o New Atlas, o elegante interior é equipado com 12 janelas de cabine posicionadas na parte superior e nas secções do telhado da nave espacial, através das quais os clientes poderão observar a superfície da Terra enquanto ela desliza por baixo.
No lançamento e durante o pouso, os passageiros serão afivelados em assentos especialmente projetados e adaptados individualmente ao cliente. Todos estes “tronos espaciais” foram construídos com alumínio de alta qualidade e fibra de carbono.
A Virgin Galactic informou que, durante as secções de alta força G do voo, as posições das cadeiras serão controladas, em parte, pelo piloto para aliviar o stress físico dos passageiros. Na ausência de peso, o assento vazio reclina para dar à tripulação o máximo de espaço possível.
Cada fase do voo disponibiliza uma iluminação ambiental automática, e cada passageiro terá acesso a ecrãs com dados ao vivo sobre o voo. Há ainda 16 câmaras para gravar vídeo e capturar fotografias em alta definição, para que os passageiros possam partilhar a sua experiência nas redes sociais.
De acordo com o comunicado de imprensa, existe um espelho muito grande, numa cabine da nave, que reflete em tempo real a experiência dos astronautas.
O interior do SpaceshipTwo foi desenhado em colaboração com a agência londrina de design Seymourpowell, e contou com importantes contribuições de médicos, treinadores de astronautas, pilotos, engenheiros e futuros clientes.
Este modelo de cabine será usado para uma viagem virtual com a equipa de design, mas o seu interior foi desenhado com o objetivo principal de oferecer aos passageiros uma visão perfeita da Terra a partir do Espaço.
“Foi desenhado especificamente para concretizar o sonho de milhares de pessoas em viajar pelo Espaço de forma segura”, disse Richard Branson. Qualquer pessoa pode explorar o design da cabine recém-inaugurada em casa, com a ajuda de uma app de realidade aumentada.
A empresa viu recentemente a sua SpaceShipTwo a planar com sucesso em mais um voo de teste. Agora, prepara-se para fazer testes com a nave espacial com o motor ligado. Enquanto trabalha para concluir o processo de testes, põe a nu detalhes do seu interior.
Apesar de ainda não haver previsão de quando serão realizados os primeiros voos, a empresa avança que 600 pessoas já reservaram bilhetes, com um custo de cerca 213 mil euros.

https://zap.aeiou.pt/virgin-galactic-interior-nave-espacial-338249

É possível inativar o novo coronavírus no leite materno - Basta pasteurizá-lo

Uma equipa de cientistas da Universidade de Toronto e da Sinai Health, no Canadá, realizou uma pesquisa que comprovou que pasteurizar o leite materno inativa o vírus Sars-CoV-2.
Uma nova investigação, cujo artigo científico foi recentemente publicado no Canadian Medical Association Journal, mostra que é possível inativar o novo coronavírus (Sars-CoV-2) presente no leite materno através da pasteurização.
O processo de pasteurização consiste na esterilização de alimentos, expondo-os a altas temperaturas e, depois, arrefecendo-os o mais rapidamente possível para eliminar os microrganismos nocivos e patogénicos presentes na amostra. Este método foi criado por Louis Pasteur, em 1862.
“No caso de uma mulher infetada com covid-19 doar leite humano que contém SARS-CoV-2, seja por transmissão através da glândula mamária ou por contaminação por gotículas respiratórias, pele, bombas ou recipientes, a pasteurização torna o leite seguro para consumo”, escreveram os autores, citados pelo Interesting Engineering.
Este é o primeiro estudo a destacar o impacto da pasteurização do leite humano com o novo coronavírus. Atualmente, apesar de terem testado positivo para a covid-19, as mulheres são aconselhadas a continuar a amamentação.
Nestes casos, o método de pasteurização utilizado é o Holder, no qual o leite é aquecido a 62,5°C durante 30 minutos. A técnica é capaz de inativar vários vírus, como o HIV e o da hepatite, além de outros que podem ser transmitidos através da amamentação.
Para comprovar a eficácia do método, os cientistas adicionaram cargas virais de Sars-CoV-2 em amostras de leite humano e compararam o que acontecia com as que permaneciam à temperatura ambiente durante meia hora e as que passavam pelo processo de pasteurização Holder.
A equipa concluiu que o vírus no leite pasteurizado foi inativado após o aquecimento. O fenómeno pode indicar que algumas propriedades do leite materno podem neutralizar o vírus naturalmente sem ajuda adicional da pasteurização.

https://zap.aeiou.pt/inativar-novo-coronavirus-leite-materno-338741

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Astrónomos encontraram os restos de uma coleção única de estrelas

Uma equipa internacional de investigadores descobriu uma estrutura em torno da Via Láctea apelidada de Phoenix Stream. Esta é uma faixa de estrelas que se acredita ser o que resta de um antigo aglomerado globular destruído pela Via Láctea há cerca de dois mil milhões de anos.
Aglomerados globulares são coleções esféricas de estrelas que orbitam galáxias. Mais de 150 deles foram descobertos apenas na Via Láctea. Estudos abrangentes dessas e de muitas outras que orbitam galáxias distantes sugerem que se formaram desde a geração mais antiga de estrelas.
O que é verdadeiramente único no Phoenix Stream é a a sua composição de estrelas. Os invetsigadores descobriram o que resta do aglomerado globular mais antigo conhecido, uma relíquia de uma época passada.
“Depois de saber que estrelas pertenciam ao fluxo, medimos a sua abundância de elementos mais pesados ​​do que o hidrogénio e o hélio, algo que os astrónomos chamam de metalicidade. Ficamos realmente surpreendidos ao descobrir que o Phoenix Stream tem uma metalicidade muito baixa, tornando-o distintamente diferente de todos os outros aglomerados globulares da galáxia ”, disse Zhen Wan, investigador da Universidade de Sydney, em comunicado. “Embora o aglomerado tenha sido destruído há milhares de milhões de anos, ainda podemos dizer que se formou no início do Universo a partir da composição das suas estrelas.”
Acredita-se que os aglomerados globulares tenham um “piso de metalicidade”, abaixo do qual não se podem formar da forma que se espera. Esse valor mínimo vem do enriquecimento esperado das estrelas mais antigas, feitas exclusivamente de hidrogénio e hélio, e do seu desaparecimento explosivo que espalha elementos mais pesados pelo cosmos.
Se o Phoenix Stream era de facto um aglomerado globular, talvez o universo tenha mais do que uma forma de formar essas coleções compactas de estrelas. “Esse fluxo vem de um aglomerado que, pelo nosso entendimento, não deveria existir“, explicou o co-autor do estudo Daniel Zucker, da Macquarie University.
“Uma explicação possível é que o Phoenix Stream representa o último de seu tipo, o remanescente de uma população de aglomerados globulares que nasceram em ambientes radicalmente diferentes daqueles que vemos hoje”, afirmou Ting Li, do Carnegie Observatories e líder da colaboração internacional S5, que estuda fluxos estelares.
A equipa continua com dúvidas sobre como o Phoenix Stream se formou e se é único, mas planea estudar mais fluxos estelares para descobrir.

Este estudo foi publicado na semana passada na revista científica Nature.

https://zap.aeiou.pt/astronomos-restos-colecao-unica-estrelas-338006

Um gel com memória - Cientistas criaram material que memoriza e esquece !

Uma equipa de investigadores da Universidade de Hokkaido, no Japão, descobriu um material macio e húmido capaz de memorizar, recuperar e esquecer informações, tal como o cérebro humano. 
O cérebro humano retém muita informação, mas tende a esquecê-la quando não é importante. Recriar este processo de memória em materiais sintéticos tem sido um grande desafio, mas foi superado agora por uma equipa de investigadores da Universidade japonesa de Hokkaido.
Chengtao Yu e a sua equipa descobriram que um hidrogel, que contém materiais polianfólitos – ou géis de PA -, é capaz de imitar a função dinâmica de memória do cérebro, codificando informações que desaparecem com o tempo, dependendo da intensidade da memória.
“Os hidrogéis são excelentes candidatos para imitar funções biológicas porque são moles e húmidos como os tecidos humanos. Estamos animados por demonstrar de que forma estes materiais podem imitar algumas das funções de memória do tecido cerebral”, disse o professor Jian Gong, citado pelo EurekAlert.
Em laboratório, a equipa colocou uma camada fina do hidrogel entre duas placas de plástico: a placa superior tinha estampada uma forma geométrica ou letras, deixando exposta apenas aquela área do hidrogel. Os padrões incluíam um avião e a palavra “GEL”.
Num primeiro momento, os cientistas colocaram o gel em água fria para estabelecer o equilíbrio e, de seguida, colocaram o material em água quente. O gel absorveu a água na sua estrutura e inchou, mas apenas na área exposta. Este processo imprimiu no gel o padrão existente no plástico – ou seja, uma informação.
Quanto mais tempo o gel passou em água quente, mais escura e intensa foi a impressão, tendo demorado mais tempo a desaparecer (ou a “esquecer”) na água fria. O processo repete-se nos seres humanos: “quanto mais tempo gastamos a aprender algo ou quanto mais fortes são os estímulos emocionais, mais tempo demoramos a esquecer a informação”.
“O sistema de memória do hidrogel pode ser explorado para algumas aplicações, como o desaparecimento de mensagens de segurança”, rematou a equipa. Os resultados da investigação foram recentemente publicados na Proceedings of the National Academy of Sciences.

https://zap.aeiou.pt/gel-memoria-criaram-hidrogel-337994

Remédio medieval mata bactérias resistentes a antibióticos

Um novo estudo mostra que um remédio medieval com cerca de mil anos pode ter resultados positivos onde muitos antibióticos modernos estão a começar a falhar.
De acordo com o site Science Alert, o “ancientbiotic” (junção das palavras inglesas “ancient” – antigo – e “antibiotic” – antibiótico), como os cientistas lhe estão a chamar, foi encontrado num dos primeiros livros médicos conhecidos da Inglaterra medieval: o “Bald’s Leechbook”, também chamado “Medicinale Anglicum”.
Com base em pesquisas anteriores, os cientistas mostraram que esta mistura de ingredientes naturais, como alho, cebola ou alho-porro, bílis de vaca e vinho, pode ter propriedades anti-sépticas poderosas. Aliás, parece funcionar contra uma série de bactérias perigosas que se tornaram resistentes a vários fármacos modernos.
No passado, já se tinha demonstrado que este remédio mata a Staphylococcus aureus. Agora, o novo estudo, liderado pela investigadora Jessica Furner-Pardoe, da Universidade de Warwick, no Reino Unido, apoia esses resultados: Mesmo quando as bactérias formaram estruturas particularmente robustas, conhecidas como biofilmes, esta ‘mezinha’ foi eficaz.
Melhor ainda, o remédio medieval parece funcionar com outras bactérias igualmente resistentes, como é o caso da Acinetobacter baumanii, Stenotrophomonas maltophilia, Staphylococcus epidermidis e Streptococcus pyogenes.
Mas há um problema. Os ingredientes do remédio funcionam melhor como agente antimicrobiano apenas na sua forma final. Quando os investigadores tentaram separar ou purificar cada elemento, estes não foram tão eficazes a matar estirpes bacterianas.
Os autores pensam que pode ser por isso que os remédios à base de plantas não resistiram ao escrutínio científico até agora. No desenvolvimento e na pesquisa de medicamentos, é comum isolar compostos isolados.
Neste novo estudo, por exemplo, o vinho mostrou pouca atividade antimicrobiana por si só, tanto para as bactérias como para os biofilmes. Mas isso não significa que não tenha importância. Quando os autores o removeram da receita, houve uma grande queda na atividade contra os biofilmes da S. aureus, o que sugere que este possui algumas propriedades antimicrobianas importantes. E isto também aconteceu com a cebola e a bílis.
Segundo o mesmo site, ainda são necessárias investigações mais aprofundadas, mas a mistura não mostrou danos para as células humanas ou para as cobaias usadas em laboratório.
“A maioria dos antibióticos que usamos atualmente são derivados de compostos naturais, mas o nosso trabalho destaca a necessidade de explorar não apenas os compostos isolados, mas misturas de produtos naturais para o tratamento de infeções por biofilmes”, afirma a microbióloga Freya Harrison, outra das autoras do estudo publicado, no dia 28 de julho, na revista científica Scientific Reports.

https://zap.aeiou.pt/remedio-medieval-mata-bacterias-338146

Reino Unido terá novos testes à covid-19 que permitem saber resultados em 90 minutos

Os lares e hospitais do Reino Unido vão passar a disponibilizar, a partir da próxima semana, dois novos testes que permitem distinguir o novo coronavírus e apresentar resultados em 90 minutos.
Segundo noticiou esta segunda-feira a BBC, citando o governo britânico, um dos testes é realizado com recurso a zaragatoa e o outro a ADN encontrado na saliva, permitindo diferenciar a covid-19 de outras doenças sazonais. Quase meio milhão destes novos testes de zaragatoa estarão disponíveis na próxima semana, sendo lançados mais no final do ano.
Milhares de máquinas de teste de DNA, já utilizadas em oito hospitais de Londres, vão ser distribuídas pelos hospitais do Serviços Nacional de Saúde britânico em setembro.
Embora ainda não existam dados sobre a precisão dos novos testes, o professor de Medicina da Universidade de Oxford, John Bell, disse que estes têm a mesma “sensibilidade” dos atuais.
Neste momento, três quartos dos resultados dos testes são obtidos em 24 horas e um quarto pode levar até dois dias.

https://zap.aeiou.pt/reino-unido-testes-resultados-90-minutos-338698

A “estação espacial” submarina Proteus vai desvendar os mistérios do Atlântico

O Proteus quer ser o maior laboratório submarino do mundo, uma espécie de “estação espacial” dos oceanos. Os custos do investimento rondam os 135 milhões de dólares e deverá estar concluído daqui a três anos.
Os oceanos cobrem grande parte do nosso planeta, mas os especialistas estimam que apenas 5% tenham sido explorados. Um novo projeto, liderado pelo neto do famoso oceanógrafo Jacques Cousteau, Fabien Cousteau, e pelo designer Yves Béhar, tem como objetivo a criação do maior laboratório submarino do mundo.
Segundo o New Atlas, esta “estação espacial” dos oceanos vai ajudar os cientistas a estudar os mistérios do oceano Atlântico.
O Proteus vai instalar um habitat a mais de 18 metros de profundidade no Mar das Caraíbas. Com 370 metros quadrados, a instalação é encarada pelos  criadores como uma versão aquática da Estação Espacial Internacional (EEI), e será habitada por cientistas e investigadores de todo o mundo.
A estrutura de dois andares alberga várias cápsulas que contarão com laboratórios, aposentos para 12 habitantes, um estúdio concebido para a produção de vídeo e uma estufa hidropónica submarina. O Proteus é alimentado por energia eólica e solar, e pela conversão de energia térmica do oceano.
A criação do Proteus foi inspirada pela Mission-31. Em 2014, Fabien Cousteau viveu 31 dias a bordo do habitat submarino Aquarius, acompanhado por uma equipa de 5 aquanautas.
Segundo avança a CNN, o Proteus deverá estar pronto em três anos e os custos do investimento rondam os 135 milhões de dólares. Além do Proteus, Fabien Cousteau ambiciona construir mais um habitat, designado Triton, a mais de 182 metros de profundidade.

https://zap.aeiou.pt/estacao-espacial-submarina-proteus-338225

Criança com distrofia muscular volta a andar graças a uma terapia genética experimental

Um menino, diagnosticado com distrofia muscular de Duchenne aos quatro anos, voltou a andar depois de ter sido tratado com uma terapia genética experimental.
A Ciência está a fazer grandes progressos no campo das doenças degenerativas que afetam os músculos e novas terapias genéticas podem retardar a progressão da doença. É o caso de Conner Curran, que se submeteu a uma terapia genética experimental que lhe devolveu a liberdade de voltar a andar.
Ainda não está claro se o tratamento é uma solução permanente, mas dois anos após o tratamento, os resultados parecem ser muito promissores. “Em apenas três semanas, começou a subir escadas”, contou a mãe, Jessica Curran, ao NPR.
O tratamento baseou-se numa injeção de duas horas de milhares de milhões de vírus inofensivos que entregou cópias do gene da distrofina nas células de Conner – o cerne do problema, que causa a distrofia muscular da criança.
“O conceito é muito simples”, contou Jude Samulski, farmacêutico da Faculdade de Medicina da Universidade de North Caroline, nos Estados Unidos. “Se um gene está em falta, nós colocamo-lo lá”, disse, acrescentando que o vírus é uma espécie de “camião molecular da FedEx”: “carrega uma carga genética e entrega-a no seu destino final”.
Para já, os investigadores não sabem se este tratamento é permanente ou se os novos genes acabarão por desaparecer.
Só nove crianças com distrofia muscular receberam esta terapia genética experimental. Agora, o plano dos cientistas é lançar um ensaio clínico em larga escala para ver se a terapia genética pode ajudar outros pacientes com síndrome de Duchenne.

https://zap.aeiou.pt/crianca-distrofia-muscular-volta-andar-338017

Cientistas identificaram a enzima que causa o chamado “odor corporal”

Cientistas da Universidade de York e da Unilever identificaram a enzima que causa o nem sempre agradável “odor corporal”.
O corpo humano está coberto de bactérias, mas apenas algumas têm sido associadas a cheiros. Agora, conta o site IFLScience, investigadores da Universidade de York, no Reino Unido, em colaboração com cientistas da Unilever, descobriram uma “enzima BO” (BO é a sigla para “body odor”, “odor corporal” em Português) encontrada apenas nas bactérias ligadas às axilas.
A enzima, chamada C-T liase, facilita a produção de tioalcoóis, um culpado comum do odor corporal, a partir de algumas estirpes de bactérias pertencentes à família Staphylococcus.
“Resolver a estrutura desta ‘enzima BO’ permitiu-nos identificar o passo molecular dentro de certas bactérias que produzem as moléculas de odor”, disse Michelle Rudden, investigadora do Departamento de Biologia da universidade e uma das autoras do estudo publicado, esta segunda-feira, na revista científica Scientific Reports.
“Este é um avanço importante para entender como é que o odor corporal funciona e permitirá desenvolver inibidores direcionados que interrompam a produção do odor corporal na fonte, mas sem interromper o microbioma da axila”.
Geralmente, associamos bactérias a doenças, mas estas bactérias produtoras deste odor corporal fazem parte do nosso microbioma da pele. A ‘transgressora’ mais comum foi a Staphylococcus hominis, uma residente comum e inofensiva que se encontra na pele de animais, incluindo humanos.
A pesquisa também revelou que esta “enzima BO” estava presente na S. hominis muito antes do aparecimento dos humanos, o que significa que os nossos ancestrais provavelmente já sentiam este odor corporal.
“Esta investigação foi realmente uma grande surpresa. Foi fascinante descobrir que uma enzima essencial para a formação de odores existe em apenas algumas bactérias da axila, e que esta evoluiu há dezenas de milhões de anos”, afirmou Gordon James, investigador da Unilever e outro dos autores do estudo.

https://zap.aeiou.pt/enzima-causa-odor-corporal-337743

domingo, 2 de agosto de 2020

Grande número de exoplanetas pode ter vida alienígena !

Astrônomos: "Grande número de exoplanetas pode ter vida alienígena"
Comparação de imagens da Terra e Kepler-1649c, um exoplaneta apenas 1,06 vezes o raio da Terra. Crédito de imagem: NASA / Ames Research Center / Daniel Rutter.
Quando olhamos para o espaço sideral, vemos um vasto cosmos. O universo em que vivemos é enorme e seus limites estão longe do alcance da civilização humana. Estamos na infância quando se trata de explorar as estrelas. A Terra, nosso lar, é o único planeta que conhecemos, até agora, capaz de hospedar a vida.
Portanto, vemos a Terra como um lugar especial no universo. No entanto, um novo estudo mostrou que a Terra pode não ser tão única, afinal; outras estrelas do universo poderiam ter muitos lugares quase idênticos à Terra, capazes de hospedar vida.
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De acordo com um estudo liderado pelo astrobiólogo da UC Riverside, Stephen Kane, e publicado na semana passada no Astronomical Journal, um número surpreendente de exoplanetas no universo pode hospedar a vida como a conhecemos.
A busca pela vida no espaço sideral geralmente se concentra no que os cientistas chamam de “zona habitável”, que é a área ao redor de uma estrela na qual um planeta em órbita está à distância certa para que a água em estado líquido exista em sua superfície. A regra geral seguida pelos astrônomos ao observarem planetas potencialmente habitáveis ​​é que, se um planeta tem água líquida em sua superfície, é provável que ele possa hospedar a vida.
Kane estudava um sistema solar próximo chamado Trappist-1, que possui três planetas semelhantes à Terra em sua zona habitável.
Ele disse:
Isso me fez pensar sobre o número máximo de planetas habitáveis ​​que uma estrela pode ter e porque nossa estrela só tem um. Não parecia justo!
Por isso, Kane e seus colegas criaram um sistema modelo no qual simulavam planetas de vários tamanhos orbitando suas estrelas.
Um algoritmo levou em consideração as forças gravitacionais e ajudou a testar como os planetas interagiam entre si por milhões de anos.
Eles descobriram que é possível que algumas estrelas suportem até sete planetas habitáveis ​​e que uma estrela como o nosso Sol possa suportar seis planetas com água líquida, e muitos desses exoplanetas podem hospedar vida alienígena.
Kane disse em comunicado:
Se forem mais de sete, os planetas se aproximam demais e desestabilizam as órbitas um do outro.
Por que, então, nosso sistema solar possui apenas um planeta habitável se é capaz de suportar seis?
Ajuda se o movimento dos planetas for circular, em vez de oval ou irregular, minimizando qualquer contato próximo e mantendo órbitas estáveis.
Kane também suspeita que Júpiter, que tem uma massa duas vezes e meia a de todos os outros planetas do sistema solar combinados, limitou a habitabilidade do nosso sistema.
Como revelado por Kane e seus colegas, um gigante gasoso como Júpiter tem um efeito mais significativo na habitabilidade do nosso sistema solar, principalmente por ser supermassivo, e isso faz com que ele perturbe as órbitas de outros corpos dentro do sistema solar.
Sabe-se que apenas um punhado de estrelas possui vários planetas em suas zonas habitáveis. No futuro, Kane planeja procurar estrelas adicionais cercadas por planetas menores.
Essas estrelas serão os principais alvos para imagens diretas com telescópios da NASA, como o Observatório de Exoplanetas Habitáveis do Laboratório de Propulsão a Jato.
O estudo de Kane identificou uma dessas estrelas, Beta Canum Venaticorum (Beta CVn), que é um sistema estelar relativamente próximo, localizado a cerca de 27 anos-luz de distância.
Por não ter um planeta semelhante a Júpiter, ela será incluída como uma das estrelas que serão verificadas para planetas de zonas multi-habitáveis.
Kane revelou:
Embora saibamos que a Terra tem sido habitável durante a maior parte de sua história, ainda restam muitas perguntas sobre como essas condições favoráveis ​​evoluíram com o tempo e os fatores específicos por trás dessas mudanças.
Medindo as propriedades dos exoplanetas cujas vias evolutivas podem ser semelhantes às nossas, obtemos uma prévia do passado e do futuro deste planeta – e o que devemos fazer para manter sua habitabilidade.
https://www.ovnihoje.com/2020/08/02/astronomos-grande-numero-de-exoplanetas-pode-ter-vida-alienigena/

sábado, 1 de agosto de 2020

Astrónomos já sabem qual é o melhor lugar do mundo para ver as estrelas !

Um novo estudo científico sugere que o melhor local para estudar o céu noturno poderá ser a Antártida. O problema continuam a ser as baixas temperaturas.
Quando falamos em bons lugares para ver o céu noturno, geralmente pensamos no campo, longe da poluição luminosa das cidades. No entanto, para grandes observações astronómicas, há outro fator importante a ter em conta: a atmosfera.
É por esta razão que muitos observatórios são construídos em locais de grandes ou médias altitudes e com baixa humidade, como o Chile. Porém, os cientistas estão agora a questionar se estas são, realmente, as melhores regiões para estudar o céu noturno.
De acordo com o site IFLScience, um novo estudo sugere que a Antártida pode ser, afinal, o local vencedor. Publicado na revista Nature, a 29 de julho, o artigo científico mediu o “seeing” acima da Cúpula A, a mais alta cúpula de gelo no Planalto Antártico.
“Seeing” é o termo usado na Astronomia para definir o parâmetro que expressa a qualidade das observações, conforme determinado pela turbulência atmosférica.
A 8 metros acima do cume da Cúpula A, os investigadores relatam ter conseguido um “seeing” cinco vezes melhor do que os observatórios estabelecidos em locais de latitude média.
Segundo o mesmo site, a razão para isto acontecer é a camada limite, a parte da atmosfera onde ocorre a maior parte da turbulência. Acima dessa camada, a atmosfera afeta menos as observações. Na Cúpula A, a camada limite tem, em média, menos de 14 metros de espessura.
Infelizmente, construir lá um observatório ainda não é tarefa fácil. Os cientistas relataram que os seus instrumentos foram afetados pelas baixas temperaturas (neste local, é frequente estarem abaixo dos -80°C).
No futuro, se a evolução da tecnologia conseguir ultrapassar este percalço, a equipa refere que o “seeing” pode melhorar em mais 10% a 12%.

https://zap.aeiou.pt/melhor-lugar-mundo-ver-estrelas-338211

Neutrinos raros mostram como o Sol produz energia !

É intelectualmente belo confirmar uma das previsões fundamentais da teoria da estrutura estelar", disse o astrofísico Marc Pinsonneault, da Ohio State University em Columbus. Esse é o sentimento geral dos pesquisadores que conseguiram captar neutrinos emanados do núcleo do Sol – a primeira detecção direta dessas partículas e a prova para previsões de décadas sobre como a fusão nuclear acontece em estrelas.

"Com esse resultado, desvendamos os dois processos que alimentam o Sol", disse o físico da Università di Milano Gioacchino Ranucci, um dos autores do estudo, durante a conferência virtual Neutrino 2020.

No núcleo do Sol, a reação CN funde quatro prótons para formar um núcleo de hélio, liberando algumas partículas subatômicas – entre elas, dois neutrinos, as partículas elementares mais leves conhecidas da matéria – e quantidades abundantes de energia. Essa fusão é responsável por menos de 1% da energia do Sol, mas é o processo que sustenta estrelas maiores.

Pesquisa subterrânea

O experimento foi levado a cabo pelo Borexino, um detector de neutrinos instalado no Laboratori Nazionali del Gran Sasso (nomeado por conta do maciço de montanhas Gran Sasso, que se ergue 1,4 km acima do laboratório, no interior da Itália), o maior centro de pesquisa subterrânea do mundoPoucos meses antes de ser desativado, depois de uma década de funcionamento, o Borexino conseguiu confirmar que parte da energia do Sol é produzida por uma cadeia de reações envolvendo núcleos de carbono e nitrogênio (CN).O processo para capturar os neutrinos é, em tese, simples: dentro do Borexino, há um balão gigante de nylon, que é inflado com 278 toneladas de água com hidrocarbonetos. Os neutrinos produzidos pelo Sol seguem em linha reta atravessando a Terra, mas uma pequena parte, em seu trajeto pelo Borexino, ricocheteia ao encontrar os elétrons dos hidrocarbonetos, produzindo flashes de luz que são, por sua vez, captados por sensores de fótons que revestem o tanque com água.

Parece fácil e rápido, mas não é: esses neutrinos são relativamente raros e facilmente confundidos com as partículas produzidas pelo decaimento radioativo do bismuto-210, um isótopo que vaza do nylon do balão para a mistura de hidrocarbonetos.

Mesmo que essa contaminação seja mínima (algumas dúzias de núcleos de bismuto por dia), separar neutrinos por sua origem ocupou os pesquisadores desde 2014. O trabalho consistiu então em ignorar o que ocorria nas bordas do balão, área onde a ocorrência do bismuto-210 era quase certa.

Para que não houvesse mistura, o tanque foi envolto em um cobertor isolante, mantendo a sopa de hidrocarbonetos sempre com a mesma temperatura para evitar correntes de convecção. "O líquido deve estar extraordinariamente parado, movendo-se no máximo alguns décimos de centímetros por mês", explicou o astrofísico Aldo Serenelli, do Instituto de Ciencias Espaciales (CSIC-IEEC).


Na imagem, pode-se ver o Borexino, com o balão inflado, sendo enchido de água, em 2006.
Na imagem, pode-se ver o Borexino, com o balão inflado, sendo enchido de água em 2006.

Antes de os planetas surgirem

Os resultados só apareceram em 2019, quando finalmente o bismuto foi retirado da equação e os neutrinos do Sol se destacaram. Em janeiro deste ano, já havia registro suficiente de partículas para que os pesquisadores afirmassem que tinham sido detectados neutrinos da cadeia de fusão nuclear CN.
"É a primeira evidência realmente direta de que a queima de hidrogênio através da reação CN opera em estrelas", comemorou Serenelli.
Para o físico Mainz Michael Wurm, da Johannes Gutenberg-Universität, "esses resultados confirmam nosso entendimento dos processos de fusão dentro do Sol e aprofundam nosso conhecimento sobre os estágios iniciais da vida da estrela, antes do surgimento dos planetas".

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/115412-neutrinos-raros-mostram-como-o-sol-produz-energia.htm

Cientistas revivem micróbios de mais de 100 milhões de anos !

Segundo um estudo da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha e da Terra, cientistas conseguiram reviver micróbios que estavam em estado de dormência no fundo do oceano há pelo menos 101,5 milhões de anos.
O trabalho, liderado por Yuki Morono, foi publicado na revista Nature Communications e revelou que os minúsculos organismos se mantiveram no fundo do Pacífico Sul em sedimentos pobres em nutrientes, mas com oxigênio suficiente para permitir a vida.
“Quando os encontrei, primeiramente fiquei cético em relação aos resultados, se seriam algum erro ou falha no experimento”, disse o autor à agência de notícias AFP. “Sabemos agora que não há limite de idade para organismos na biosfera dessa camada do mar”, ele completou.
As amostras foram obtidas em 2010, quando uma expedição do Programa Integrado de Perfuração Oceânica (IODP) recuperou sequências sedimentares da planície abissal do Giro do Pacífico Sul. O objetivo era o de examinar a vida e a habitabilidade do subsolo na região de menor índice de vida marinha.

Micróbios revividos a partir de núcleos de sedimentos no Oceano Pacífico
Micróbios revividos a partir de núcleos de sedimentos no Oceano Pacífico

A maioria das 6.986 células individuais analisadas por meio da técnica de espectrometria de massa de íons secundários em nanoescala, incorporou ativamente substratos de carbono e nitrogênio marcados com isótopos. Após 68 dias da incubação pelos cientistas, elas começaram a se alimentar e se multiplicar.
Assim, a pesquisa aponta que uma célula deve metabolizar uma certa quantidade de carbono em relação à própria biomassa antes que possa dobrar de tamanho, dividir ou mesmo manter um estado ativo. As comunidades amostradas provavelmente ficaram presas no sedimento desde sua deposição e ,até então, seus status fisiológico e potencial de crescimento eram desconhecidos.
Os resultados também sugerem que comunidades microbianas, amplamente distribuídas em sedimentos abissais orgânicos pobres, consistem principalmente aeróbios que retêm seu potencial metabólico sob condições de energia extremamente baixa. Além disso, a formação de esporos foi sugerida como um dos possíveis mecanismos para a sobrevivência em longo prazo.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/115407-cientistas-revivem-microbios-de-mais-de-100-milhoes-de-anos.htm

Há um segredo “explosivo” escondido debaixo de vulcões aparentemente tranquilos

Uma equipa internacional de vulcanólogos que trabalham em ilhas remotas no arquipélago de Galápagos descobriu que vulcões que produzem de forma confiável pequenas erupções de lava basáltica escondem magmas quimicamente diversos nos seus sistemas de canalização subterrâneos. Alguns podem gerar atividade explosiva.
Muitos vulcões produzem tipos semelhantes de erupção ao longo de milhões de anos. Por exemplo, vulcões na Islândia, no Havai e nas Ilhas Galápagos entram em erupção de forma consistente com fluxos de lava – compostos por rochas basálticas derretidas – que formam longos rios de fogo pelos flancos.
Embora esses fluxos de lava sejam potencialmente prejudiciais para as casas próximas do vulcão, geralmente não representam o mesmo risco que erupções explosivas maiores, como as do Vesúvio ou do Monte de Santa Helena. Essa consistência de longo prazo no comportamento eruptivo de um vulcão ajuda no planeamento de riscos das autoridades locais.
A equipe de investgação, liderada por Michael Stock, do Trinity College Dublin, e composta por cientistas dos Estados Unidos, Reino Unido e Equador, estudou dois vulcões dos Galápagos, que só explodiram fluxos de lava basáltica composicionalmente uniformes na superfície da Terra durante toda a vida.
Ao decifrar as composições de cristais microscópicos nas lavas, a equipa conseguiu reconstruir as características químicas e físicas dos magmas armazenados no subsolo sob os vulcões.
A análise mostrou que, em contraste com as lavas basálticas monótonas que explodiram na superfície da Terra, os magmas debaixo dos vulcões são extremamente diversos e incluem composições semelhantes às erupções do Monte de Santa Helena.
Os investigadores acreditam que a uniformidade observada nas erupções ocorre quando a quantidade de magma que flui no subsolo é suficientemente grande para “sobrepor” qualquer diversidade química. Isto pode acontecer quando os vulcões estão perto de um “ponto quente”, ou seja, uma coluna muito quente de magma que sobe à superfície do interior da Terra.
No entanto, os magmas quimicamente diversos que a equipa descobriu podem tornar-se móveis e subir em direção à superfície sob certas circunstâncias.
Nesse caso, vulcões que produziram erupções de lava basáltica durante milénios de forma confiável podem sofrer alterações e ter atividades mais explosivas no futuro.
“Embora não haja sinal de que estes vulcões de Galápagos sofrerão uma transição no estilo de erupção em breve, os nossos resultados mostram porque é que outros vulcões podem ter mudado o seu comportamento eruptivo no passado. O estudo também ajudará a entender melhor os riscos apresentados pelos vulcões noutras partes do mundo – só porque sempre surgiram de uma maneira específica no passado não significa que se pode confiar que continuem a fazer a mesma coisa indefinidamente no futuro”, disse Stock, em comunicado divulgado pelo EurekAlert.
Este estudo foi publicado esta semana na revista científica Nature Communications.

https://zap.aeiou.pt/segredo-explosivo-escondido-vulcoes-tranquilos-337722

O Sistema Solar pode girar em torno de um objeto invisível que não o Sol !

O Sol é o centro do Sistema Solar. No entanto, uma nova animação sugere que, na realidade, os planetas orbitam um centro de massa, chamado de baricentro.
Em vez de orbitarem o Sol, “tudo orbita o centro de massa do Sistema Solar”, explicou James O’Donoghue, cientista planetário da agência espacial japonesa JAXA. “Até o Sol.”
O centro de massa, chamado baricentro, é o ponto de um objeto no qual se pode equilibrar perfeitamente, com toda a sua massa distribuída uniformemente por todos os lados. No Sistema Solar, este ponto raramente se alinha com o centro do Sol.
Para demonstrar esta teoria, O’Donoghue criou uma animação que ilustra de que forma o Sol, Saturno e Júpiter giram em torno do baricentro. “Enquanto o Sol tem 99,8% da massa do Sistema Solar, Júpiter tem mais do que o resto (Saturno é o segundo). Isto significa que o Sol pode, na verdade, orbitar Júpiter“, explicou o cientista, citado pelo Science Alert.
O que acontece é que o Sol, graças à força de Júpiter, não consegue ficar no baricentro. A força gravitacional entre as massas dos dois objetos planetários é proporcional ao produto das mesmas massas e é por isso que outros planetas e objetos, mais leves do que o Sol e Júpiter, não conseguem afetar o baricentro da mesma forma.
Na animação, o movimento do Sol é exagerado de forma a torná-lo mais visível, mas a verdade é que a nossa estrela circula milhões de quilómetros ao redor do baricentro – uma vez passando por cima, outras afastando-se dele. Grande parte deste movimento é resultado da gravidade de Júpiter.
O’Donoghue explicou ainda que, no Sistema Solar, os planetas e as suas luas têm o seu próprio baricentro. No nosso caso, a Terra e a Lua fazem uma “dança” mais simples, com o baricentro a permanecer no nosso planeta. A animação também mostra, em 3D, como é que a Terra e a Lua se moverão nos próximos três anos.
“É claro que os planetas orbitam o Sol”, disse O’Donoghue. “Estamos apenas a ser minuciosos em relação a esta situação.”

https://zap.aeiou.pt/sistema-solar-girar-objeto-invisivel-337741

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