domingo, 29 de agosto de 2021

Descoberto método que nos torna “invisíveis” aos olhos dos mosquitos !

Cientistas modificaram geneticamente os olhos destes insetos para que não consigam detetar visualmente as suas vítimas, mas sem perder o sentido da visão.


Além de serem um grande incómodo na altura do verão, os mosquitos são capazes de transmitir flavivírus que causam doenças perigosas como febre amarela, malária, dengue ou zika. É por isso que a comunidade científica se esforça por perceber o que está por detrás do seu “desejo” por uma ou outra vítima.

Agora, conta o jornal espanhol ABC, uma equipa de investigadores conseguiu modificar geneticamente vários destes insetos para tornar as presas “invisíveis” aos seus olhos, mas sem os deixar cegos.

Os cientistas focaram-se na espécie Aedes aegypti. Para encontrar os seus alvos, este mosquito combina vários sentidos em diferentes etapas: gosta muito do dióxido de carbono (CO2) que libertamos ao respirar, mas também nos consegue ver, cheirar e até sentir a nossa temperatura.

“Geralmente, depois da exposição ao dióxido de carbono, a atenção dos mosquitos às suas possíveis vítimas aumenta dramaticamente”, explicou ao ABC Yinpeng Zhan, investigador de pós-doutoramento da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, e principal autor do estudo publicado, a 30 de julho, na revista científica Current Biology.

“Assim que os mosquitos chegam a alguns centímetros dos seus alvos, utilizando sinais visuais e olfativos, outros sinais, como estímulos olfativos térmicos e cutâneos, permitem às fêmeas avaliar e determinar se é um potencial hospedeiro”, acrescentou.

Ou seja, quando a fêmea deteta o CO2, ativa-se para procurar o seu hospedeiro, geralmente evitando ter o ar de frente e procurando alvos escuros.

Foi assim que a equipa pensou que, graças à tecnologia CRISPR/Cas-9, poderia “desativar” os recetores visuais Opsin1 (Op1) e Opsin2 (Op2) dos mosquitos, interrompendo a sua capacidade de reconhecer alvos escuros, uma habilidade chave no momento de atacar.

Segundo o mesmo diário, os investigadores descobriram que quando se introduzem mutações que eliminam duas das cinco opsinas – moléculas que permitem a visão nos animais – no olho do mosquito, é possível fazer “desaparecer” o alvo que, a priori, o havia chamado à atenção após a libertação de CO2, mas sem causar cegueira.

Tal como destaca o ABC, este sistema poderia ser usado com outros insetos, como percevejos, moscas tsé-tsé ou carrapatos, que também são grandes vetores de doenças humanas.

https://zap.aeiou.pt/metodo-torna-invisiveis-olhos-mosquitos-426541

 

Há dois tipos de diamantes raros que se formam a partir dos restos mortais de criaturas !

Uma equipa de cientistas descobriu que dois tipos de diamantes raros partilham uma história de origem comum: a reciclagem de organismos que viviam a mais de 400 quilómetros abaixo da superfície.


Existem três tipos de diamantes naturais: os mais comuns são os diamantes litosféricos, que se formam na camada litosférica a cerca de 150 a 250 quilómetros abaixo da superfície da Terra; os diamantes oceânicos, encontrados em rochas oceânicas; e os diamantes superprofundos continentais, formados entre 300 e 1.000 quilómetros abaixo da superfície.

A variação na assinatura do isótopo de carbono δ13C pode ser usada para determinar se o carbono tem uma origem orgânica ou inorgânica, pelo que alguns cientistas já sugeriram que os diamantes oceânicos se formaram a partir do carbono orgânico já existente nos seres vivos.

Por outro lado, como os diamantes continentais superprofundos têm uma quantidade extremamente variável de δ13C, é difícil dizer se são feitos de carbono orgânico ou não.

Recentemente, escreve o Science Alert, a equipa do geólogo Luc Doucet, da Curtin University, descobriu que os núcleos de diamantes continentais superprofundos têm uma composição de δ13C semelhante, o que significa que, tal como os diamantes oceânicos, estas pedras preciosas também contêm restos de criaturas que já viveram.

“Esta investigação descobriu que, na verdade, o motor da Terra transforma carbono orgânico em diamantes muitas centenas de quilómetros abaixo da superfície”, disse Doucet. “Balões de rochas do manto mais profundo da Terra, chamadas plumas do manto, carregam os diamantes de volta à superfície através de erupções vulcânicas para os humanos desfrutarem como pedras preciosas.”

Quando regressam à litosfera, alguns destes diamantes profundos tornam-se núcleos envoltos em crostas de diamantes inorgânicos, cujos isótopos correspondem aos diamantes da litosfera. Isto explica por que motivo a composição de δ13C é tão variável.

Fica por desvendar por que estes dois tipos de diamantes profundos usam carbono orgânico reciclado.

https://zap.aeiou.pt/diamantes-formam-se-restos-de-criaturas-426546

 

sábado, 28 de agosto de 2021

O melhor lugar para procurar vida marciana pode ser nas suas luas !

A missão da Agência Espacial Japonesa (JAXA) na Lua Phobos pode ser uma boa oportunidade para procurar sinais de vida.


Ryuki Hyodo e Tomohiro Usui, astrónomos da Agência Espacial Japonesa (JAXA), sugerem que as luas marcianas devem conter a poeira lançada por Marte aquando dos impactos de asteroides. Ora, se o Planeta Vermelho hospeda – ou já hospedou – vida, os remanescentes devem estar nas luas.

“Ao longo da história de Marte, inúmeros impactos de asteroides produziram material ejetado marciano, e uma parte desse material foi entregue às suas luas”, escreveram os investigadores, num artigo publicado na Science a 13 de agosto.

Tendo em conta o pequeno tamanho e a baixa gravidade de Phobos, uma sonda conseguiria “saltar” facilmente entre os diferentes locais da lua para recolher várias amostras, ao contrário do que acontece com Marte.

Esta é, pelo menos, a expectativa que os cientistas têm quanto à missão Martian Moon eXploration (MMX) da JAXA, que irá trazer de volta à Terra uma amostra do material da lua marciana até 2029, detalha o IFL Science.

Em 1996, os cientistas analisaram algumas amostras de Marte e encontraram possíveis sinais de vida. No entanto, como as amostras dos meteoritos estavam na Terra há milhares de anos, o risco de contaminação era muito elevado.

Desta vez, não haverá esse problema, já que a Phobos não tem nem atmosfera, nem água própria. Além disso, também não há o perigo de trazer microorganismos marcianos ainda vivos capazes de criar novas pragas, uma vez que a exposição à radiação na superfície da lua terá matado qualquer organismo.

https://zap.aeiou.pt/lugar-procurar-vida-marciana-luas-426795

 

Humanos são os únicos animais que choram de emoção !

Os únicos seres vivos que vertem lágrimas emocionais são os humanos. Os animais simplesmente não choram.


De acordo com a Discover Magazine, ao contrário dos seres humanos — que choram a ver filmes, em discussões e até em casamentos —, os animais não choram.

“Parecemos ser o único animal que derrama lágrimas por razões emocionais”, diz Randolph Cornelius, especialista em emoções humanas e professor de ciências psicológicas no Vassar College, em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

Há muitas teorias sobre a evolução e o propósito das lágrimas emocionais, mas os cientistas ainda não descobriram a razão pela qual choramos como sinal de aflição, em vez de termos qualquer outra reação.

De uma perspetiva biológica, existem três tipos de lágrimas: as lágrimas basais, que provêm das nossas glândulas lacrimais acessórias, localizadas sob as pálpebras, e servem para lubrificar e limpar os nossos olhos; as lágrimas reflexas, que surgem, por exemplo, quando se corta uma cebola ou algo entra para os olhos; e, por fim, as lágrimas emocionais, que são as únicas que podemos controlar, até certo ponto. Estes dois últimos tipos provêm de glândulas lacrimais na parte superior do exterior das nossas órbitas oculares.

“Um argumento é que [o choro emocional] é quase como um reflexo emocional em oposição a apenas um reflexo físico”, diz Marc Baker, docente da Universidade de Portsmouth, em Inglaterra, que investiga o choro emocional de adultos.

Alguns cientistas pensam que o objetivo do choro é, em si mesmo, apenas mais uma função biológica. O bioquímico William Frey, por exemplo, teorizou nos anos 80 que o choro equilibra os níveis de hormonas no nosso corpo para aliviar o stress. Já Charles Darwin acreditava que as crianças choravam para sentir o alívio físico das emoções negativas.

Nestas teorias, o choro é visto como uma forma de nos acalmarmos em tempos de angústia. Mas esse alívio pode vir de lugares inesperados.

Talvez a explicação mais convincente para o choro lacrimoso seja o facto de ser motivado pelas nossas necessidades sociais — é um sinal visual distinto de que algo está errado e comunica que alguém pode precisar de ajuda.

Os inquéritos de Cornelius apoiam esta teoria das lágrimas como um sinal social rápido e eficaz. Em vários estudos, os investigadores mostraram fotografias de rostos aos participantes (sob um diferente pretexto) e pediram-lhes que interpretassem a emoção.

Algumas das fotografias mostravam pessoas a chorar; outras mostravam pessoas cujas lágrimas tinham sido removidas digitalmente.

Quando as fotografias foram mostradas com lágrimas, quase todos os participantes rotularam a emoção como tristeza. Os rostos chorosos sem lágrimas, por outro lado, eram confusos.

“Sem as lágrimas, a emoção quase desaparece”, diz Cornelius. “Os seus julgamentos da emoção não tendem a agrupar-se em torno da família ‘triste’ das emoções — estão por todo o lado. E, de facto, algumas pessoas dizem que não há emoção nenhuma lá”, explica.

Isto significa que o choro é um sinal forte para os outros do nosso estado emocional imediato. É difícil fingir as lágrimas reais. E como os investigadores do choro podem atestar, é difícil induzir o choro emocional genuíno num ambiente de laboratório — uma das razões pelas quais é um desafio estudar.

https://zap.aeiou.pt/humanos-unicos-animais-choram-426524

 

Cientistas identificam o coral mais amplo da Grande Barreira de Coral !

Cientistas descobriram que o coral mais amplo da Grande Barreira de Coral, na Austrália, fica na zona de Palm Islands e tem uns impressionantes 10,4 metros de diâmetro. 


De acordo com o site Science Alert, este coral, apelidado de Muga dhambi (“Grande Coral”) pelo povo aborígene Manbarra, é composto maioritariamente por carbonato de cálcio e serve de habitat a uma colónia de pólipos que o construíram ao longo de muitas gerações.

“O grande coral Porites, na Ilha Goolboodi (Orpheus), é invulgarmente raro e resistente. Sobreviveu ao branqueamento de corais, espécies invasivas, ciclones, marés severamente baixas e atividades humanas durante quase 500 anos“, escreveram os autores de um novo estudo publicado, a 19 de agosto, na revista científica Scientific Reports.

Embora os flancos do coral ainda sejam o lar dos seus criadores, juntamente com zooxantelas, parte do seu topo já não pode contar com a sua presença. Em vez disso, a Cliona viridis (chamada de esponja verde chata), algas e até outros tipos de corais (como as espécies Acropora e Montipora) fixaram a sua residência aqui.

Essas esponjas costumam ser encontradas no lado mais turbulento dos corais, onde são expostas a maiores correntes para facilitar a filtragem da água para as bactérias e outros micróbios comerem.

“Os avanços da esponja provavelmente irão continuar a comprometer o tamanho e a saúde da colónia”, alertaram os investigadores no mesmo estudo.

Segundo explica a mesma equipa, várias secções de tecido coral podem morrer devido à exposição ao sol durante as marés baixas, ou por causa das águas mais quentes, mas sem matar a colónia inteira.

De acordo com o mesmo site, o Muga dhambi foi descoberto em março e, além de ser o mais amplo, com 10,4 metros de diâmetro, é também o sexto mais alto já medido na Grande Barreira do Coral, com 5,3 metros de altura. Com base na sua altura, a equipa estima que tenha entre 421 e 438 anos.

A boa notícia é que estes cientistas não encontraram nenhum sinal de doença ou de branqueamento de coral. Por enquanto, o Muga dhambi ainda está cheio de vida, tendo 70% de si habitado por corais vivos.

https://zap.aeiou.pt/coral-mais-amplo-grande-barreira-coral-426444

 

Lava antiga revela que o campo magnético da Terra enfraquece a cada 200 milhões de anos !

Uma equipa de cientistas da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, publicou recentemente uma investigação que corrobora a teoria de que o campo magnético da Terra é cíclico e enfraquece a cada 200 milhões de anos.


Durante o trabalho, os investigadores da universidade britânica realizaram análises paleomagnéticas térmicas e de microondas em amostras de rochas de antigos fluxos de lava, recolhidas no leste da Escócia, nos últimos 80 anos. As amostras tinham entre 200 e 500 milhões de anos.

Segundo o Tech Explorist, os cientistas descobriram que, entre 332 e 416 milhões de anos atrás, a força do campo geomagnético preservado nas rochas era menos de um quarto da atual.

Além disso, era semelhante a um período previamente identificado de baixa intensidade do campo magnético, que começou há cerca de 120 milhões de anos.

“Esta análise magnética abrangente dos fluxos de lava de Strathmore e Kinghorn foi a chave para preencher o período que antecedeu o Kiman Superchron, um período em que os polos geomagnéticos são estáveis ​​e não viram durante cerca de 50 milhões de anos”, explicou Louise Hawkins, autora principal do estudo.

As descobertas, conjugadas com os dados já existentes, “apoiam a existência de um ciclo de, aproximadamente, 200 milhões de anos na intensidade do campo magnético da Terra relacionado com os processos profundos do planeta”.

Além disso, segunda investigação, um campo magnético fraco está associado a reversões de polos. Já durante um Superchron, o campo é normalmente forte.

O artigo científico foi publicado recentemente na Proceedings of the National Academy of Sciences.

https://zap.aeiou.pt/campo-magnetico-terra-enfraquece-426515

 

Até as pequenas tempestades de poeira secam o Planeta Vermelho !

À medida que a poeira se espalha pela atmosfera de Marte, empurra o vapor de água para o céu avermelhado. A grandes altitudes, as moléculas de água ficam vulneráveis à radiação ultravioleta, que as divide em elementos ainda mais leves.


As grandes tempestades de poeira podem envolver todo o planeta Marte numa autêntica escuridão e, ainda que os cientistas saibam que as tempestades foram as responsáveis por dissipar a água do Planeta Vermelho, estas não chegam para explicar a magnitude total da perda de água de Marte.

Agora, uma nova investigação garante que as tempestades de poeira locais – e, portanto, mais pequenas – também estão a “secar” o Planeta Vermelho.

De acordo com o Space, estas tempestades “brincam” com o vapor de água na atmosfera, aquecendo-o e retardando a sua transição para água. Além disso, mantêm o vapor a níveis mais altos na atmosfera, onde a radiação ultravioleta pode retirar mais facilmente os átomos de hidrogénio das moléculas de água.

Michael Chaffin, cientista do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial da Universidade de Colorado, nos Estados Unidos, explica que, uma vez que o hidrogénio escapa para o Espaço, já não há como formar a água.

Entre janeiro e fevereiro de 2019, três satélites observaram uma mesma tempestade de poeira regional em Marte, permitindo aos cientistas recolher informações sem precedentes.

A sonda Mars Reconnaissance Orbiter, da NASA, mediu a concentração de poeira e gelo da superfície até 100 km acima dela; na mesma faixa de altitude, a Trace Gas Orbiter, da Agência Espacial Europeia (ESA), analisou a quantidade de vapor de água e gelo; enquanto a sonda MAVEN, também da NASA, registou a quantidade de hidrogénio que se teria separado das moléculas de H2O na alta atmosfera, a mais de 1.000 km da superfície.

O artigo científico com as descobertas foi publicado no dia 16 de agosto na Nature Astronomy.

Este ano, dados da sonda europeia Mars Express revelaram que a fuga de água de Marte para o Espaço foi acelerada por tempestades de poeira e pela proximidade do planeta com o Sol, mas sugeriram também que uma parte da água “pode ter recuado para o subsolo”.

https://zap.aeiou.pt/tempestades-de-poeira-marte-426521

 

 

A memória humana funciona mesmo melhor de manhã !

Apesar de o conceito de memória prospetiva ser desconhecido para muitas pessoas, esta é frequentemente posta em prática, já que consiste em delinear tarefas ou compromissos mentalmente para momentos futuros.


Se alguma vez deu por si na viagem para o trabalho a fazer anotações mentais sobre tarefas que tem de fazer quando chegar a casa ou planos para o próximo fim-de-semana, fique a saber que nestes momentos está a por em prática a sua memória prospetiva. Pode nunca ter ouvido falar dela, mas esta assenta em dois componentes, um retroativo e um prospetivo.

O primeiro tem como função lembrar-se da tarefa o que fazer — que estabelecemos mentalmente quando o tempo que designamos para a cumprir chega finalmente e o segundo consiste na capacidade do indivíduo se lembrar de realizar a tarefa no tempo que foi estipulado para ela.

Agora, um novo estudo realizado por investigadores da Universidade Heinrich-Heine, em Dusseldorf, na Alemanha, vem confirmar que estes dois componentes, assim como o seu desempenho, estão diretamente relacionados com o sono — e, mais precisamente, com as horas que cada indivíduo dorme.

Aos voluntários que participaram na pesquisa, publicada em junho, foi pedido que realizassem uma tarefa que tinha sido estabelecida através da memória prospetiva, carregando num botão quando fosse mostrada uma palavra que lhes fora ensinada horas antes. Metade dos participantes aprenderam a palavra de manhã e foram submetidos a testes à tarde, ao passo que a outra metade foi ensinada à noite e testada na manhã seguinte.

Os investigadores estavam confiantes que aqueles que foram testados ao início do dia se lembrariam mais facilmente de pressionar o botão com a palavra correta, descreve o site Massive Science.

Efetivamente, foi o que aconteceu — apesar de os investigadores não atribuírem o resultado exclusivamente à noite de sono que os indivíduos do segundo grupo dormiram. Na verdade, os dois grupos teriam tido sempre um desempenho melhor com os testes a serem feitos de manhã, já que os especialistas entendem que a atenção dos seres humanos é maior neste período, não por o sono nos ajudar a armazenar memórias, mas porque tendencialmente estão mais “frescos” depois de um período de descanso.

Transferindo os resultados da pesquisa para um conselho prático, talvez seja melhor agendar as tarefas de manhã para as concretizar no final do dia, já que as memórias prospetivas são mais fortes nas primeiras horas do dia.

https://zap.aeiou.pt/memoria-humana-melhor-de-manha-425673

 

Muitos mamíferos estão a ficar maiores e a culpa pode ser nossa !

Um novo estudo mostra que a urbanização está a fazer com que muitas espécies de mamíferos fiquem maiores, possivelmente por causa da disponibilidade de alimentos em locais com muita gente.


Em comunicado, o Museu de História Natural da Florida explica que esta descoberta vai contra a teoria de muitos cientistas, que defendem que as cidades iriam provocar a diminuição de tamanho dos mamíferos ao longo do tempo.

Isto porque os edifícios e as estradas prendem e reemitem um maior grau de calor, fazendo com que as metrópoles tenham temperaturas mais altas do que os seus arredores (um fenómeno conhecido como “ilha de calor”). Além disso, segundo a regra de Bergmann, animais em climas mais quentes tendem a ser mais pequenos do que os da mesma espécie que vivem em ambientes mais frios.

Mas uma equipa de cientistas deste museu descobriu um padrão inesperado ao analisar cerca de 140.500 medidas do comprimento e da massa corporal de mais de uma centena de espécies de mamíferos da América do Norte recolhidas ao longo de 80 anos: os mamíferos que vivem na cidade são mais longos e robustos do que os que vivem no meio rural.

“Em teoria, os animais das cidades deveriam estar a ficar mais pequenos por causa dos efeitos da ilha de calor, mas não encontrámos evidências de que isso esteja a acontecer em mamíferos”, disse Maggie Hantak, investigadora do museu e autora principal do estudo publicado, a 16 de agosto, na revista científica Communications Biology.

“Este estudo é um bom argumento para explicar porque é que não podemos assumir que a Regra de Bergmann ou o clima, por si só, são importantes para determinar o tamanho dos animais”, acrescentou.

A equipa criou um modelo que examinou como o clima e a densidade populacional de uma determinada área influenciam o tamanho dos mamíferos. À medida que as temperaturas baixavam, tanto o comprimento como a massa aumentavam na maioria das espécies de mamíferos estudadas – dando razão à Regra de Bergmann –, mas a tendência foi mais acentuada em zonas com mais pessoas.

Os mamíferos das cidades geralmente cresceram independentemente da temperatura, sugerindo que a urbanização rivaliza ou excede o fator clima quando estamos a falar do tamanho dos mamíferos, disse Robert Guralnick, curador de informática para a biodiversidade do museu e outro dos autores do estudo.

“Não era isso que esperávamos encontrar. Mas a urbanização representa esta nova perturbação na paisagem natural que não existia há milhares de anos. É importante reconhecer que está a ter um grande impacto“, afirmou.

Os investigadores esperam que estas novas conclusões levem mais cientistas a considerar a urbanização nas suas análises sobre as mudanças de tamanho dos animais.

https://zap.aeiou.pt/mamiferos-estao-a-ficar-maiores-425844

 

Sódio pode explicar porque é que o asteróide Faetonte brilha como um cometa !

Modelos e testes de laboratório sugerem que o asteróide Faetonte pode estar a libertar vapor de sódio enquanto orbita perto do Sol, o que pode explicar o aumento do seu brilho.


À medida que um cometa avança pelo Sistema Solar interno, o Sol aquece-o, o que faz com que os gelos debaixo da superfície se vaporizem no Espaço. A libertação de vapor desaloja poeira e rocha, e o gás cria uma cauda brilhante que pode estender-se a milhões de quilómetros do núcleo, como um véu etéreo.

Enquanto os cometas contêm muitos gelos diferentes, os asteroides são principalmente rochas e não são conhecidos por produzir tais exibições majestosas. Mas, agora, um novo estudo mostra como é que o asteroide Faetonte, que fica próximo da Terra, pode exibir uma atividade semelhante à de um cometa, apesar da falta de quantidades significativas de gelo.

Conhecido por ser a fonte da chuva de meteoros Gemínidas, este asteróide, com 5,8 quilómetros de largura, fica mais brilhante à medida que se aproxima do Sol. Mas, afinal, o que é que está a causar o seu brilho? O culpado pode ser o sódio.

Tal como explicam os autores do estudo, no comunicado do Jet Propulsion Laboratory (JPL), da NASA, a órbita alongada do Faetonte (524 dias) leva o objeto bem dentro da órbita de Mercúrio, durante s qual o Sol aquece a superfície do asteróide até cerca de 750 graus Celsius.

Com uma órbita tão quente, qualquer água, dióxido de carbono ou monóxido de carbono gelados perto da superfície do asteróide teria sido queimado há muito tempo. Mas, a essa temperatura, o sódio pode estar a crepitar da rocha do asteróide para o Espaço.

A equipa, cujo estudo foi publicado a 16 de agosto na revista científica The Planetary Science Journal, inspirou-se nas observações das Gemínidas. Quando meteoroides (pequenos pedaços de detritos rochosos) atravessam a atmosfera da Terra como meteoros, desintegram-se.

Mas antes disso, a fricção com a atmosfera faz com que o ar à sua volta atinja milhares de graus, gerando luz. A cor dessa luz representa os elementos que contêm. O sódio, por exemplo, cria uma coloração laranja. As Gemínidas são conhecidas por serem baixas em sódio.

Até agora, pensava-se que esses pequenos pedaços de rocha perdiam de alguma forma o seu sódio depois de deixar o asteróide. Este novo estudo sugere que o sódio pode desempenhar um papel importante na expulsão dos meteoroides Gemínidas da superfície do Faetonte.

Os investigadores pensam que, à medida que o asteróide se aproxima do Sol, o seu sódio aquece e evapora-se. Este processo já teria esgotado o sódio da superfície há muito tempo, mas o sódio dentro do asteróide ainda aquece, vaporiza-se e espalha-se no Espaço através das fissuras na crosta mais externa do Faetonte. Estes jatos forneceriam potência suficiente para expulsar os detritos rochosos da sua superfície.

Portanto, o sódio efervescente poderia explicar não só o brilho do asteróide semelhante ao de um cometa, mas também como os meteoroides Gemínidas seriam expulsos do asteróide e porque é que contêm pouco sódio.

“Asteroides como o Faetonte têm uma gravidade muito fraca, por isso não é precisa muita força para chutar os detritos da superfície ou desalojar a rocha de uma fratura”, disse Björn Davidsson, cientista do JPL e um dos autores do estudo.

“Os nossos modelos sugerem que quantidades muito pequenas de sódio são tudo o que é preciso para fazê-lo – nada explosivo, como o vapor em erupção da superfície de um cometa gelado; é mais uma efervescência constante”, acrescentou.

https://zap.aeiou.pt/sodio-explicar-faetonte-brilha-cometa-425893

 

Há novas definições do que é a vida - Incluem formas de cultura, economia e até blockchain !

Dois cientistas propõem que se alargue a definição de vida para além da vida biológica e que se criem três níveis hierárquicos nessa nova definição. Um outro estudo aponta que até a blockchain pode ser incluída na definição de vida.

Há 3.5 mil milhões de anos atrás – coisa pouca – começou a vida molecular na Terra, que depois evoluiu durante o tempo até à variedade de espécies que temos hoje, pelo menos é isso que os cientistas defendem. Mas esta linha de pensamento pode ter os dias contados.

A verdade é que a definição de vida ainda não é clara. Podemos considerar que certos aspectos de um ecossistema estão verdadeiramente vivos se dependem de outros para sobreviver? Será que um vírus está vivo? Para estes investigadores, sim.

O biólogo Chris Kempes e o investigador de sistemas complexos David Krakauer, ambos do Instituto de Santa Fé, nos Estados Unidos, vêem as coisas de outra forma e propõem que a obsessão dos cientistas com a evolução os tem “cegado aos princípios gerais da vida”.

Segundo o estudo publicado no Journal of Molecular Evolution, a definição da vida deve ser alargada à união de dois processos energéticos e informáticos que possam codificar e passar informações adaptativas para a frente durante o tempo. Trocada por miúdos, esta definição passa a considerar vida conceitos como culturas, florestas e a economia.

“A cultura humana vive no material das mentes, muito como os organismos multicelulares vivem no material dos organismos de uma única célula”, explica Chris Kempes. Os investigadores argumentam que a vida já apareceu várias vezes na Terra e actualmente, várias formas de vida existem no planeta.

A visão que Kempes e Krakauer propõem tem três níveis hierárquicos de critérios que determinam o que é a vida. No primeiro, a vida restringe-se pelos materiais possíveis de que pode ser formada, como moléculas. No segundo nível, a vida limita-se pelas regras do universo em geral, como a gravidade, e no terceiro, a vida é optimizada por processos adaptativos, como a selecção natural.

“Esperamos que mais conceitos biológicos ricos serão definidos por um emaranhado estranho dos três níveis, porque os três vão inevitavelmente co-evoluir”, escrevem os autores. Esta teoria passa a colocar o conceito de vida num espectro, em vez de ser um fenómeno específico.

Mesmo sendo uma ideia muito teórica e um pouco difícil de entender quando estamos habituados apenas ao conceito de vida biológica, o par de cientistas espera que esta visão mais alargada possa levar a novas hipóteses sobre o que queremos dizer quando falamos da vida e que ajude na criação de dispositivos que a descubram.

“A nossa reivindicação é que seremos capazes de dizer que temos uma nova teoria da vida quando for capaz de nos revelar as suas várias origens e tipos“, concluem.

Será que a blockchain está “viva”?

Um outro estudo publicado no Origins of Life and Evolution of Biospheres aponta também que há semelhanças na forma como o ADN e a genética guiam a evolução e como os nós de blockchain guiam o progresso tecnológico.

Este estudo não argumenta que a blockchain está viva da mesma forma que uma célula biológica, mas sugere que um “organismo baseado” nesta se enquadra “em algumas definições de vida” e podem superar a vida biológica em termos de adaptabilidade evolucionária e desenvolvimento.

“Apresentamos um modelo de um organismo de blockchain simples, descentralizado, auto-sustentável, auto-organizável e auto-regulador como um sistema operacionalmente fechado e descrevemos tecnologias em desenvolvimento que podem possibilitá-lo no futuro próximo”, lê-se no estudo.

Estes sistemas teriam algumas vantagens sobre a vida biológica, “incluindo aumentar significativamente a velocidade, precisão, redundância e tamanho ilimitado da blockchain em contraste com o ADN”, que poderiam permitir à inteligência artificial que opera nessa blockchain evoluir com uma direcção mais definida do que a selecção natural.

https://zap.aeiou.pt/ha-uma-nova-definicao-do-que-e-a-vida-425885

 

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Bebés prematuros arriscam problemas no desenvolvimento do cérebro, mas pode haver uma solução !

A suplementação das soluções nutricionais com creatina para os bebés prematuros pode ajudar a proteger o cérebro em desenvolvimento.


O nascimento prematuro extremo está associado ao comprometimento do desenvolvimento do cérebro: funções motoras defeituosas e problemas psiquiátricos são mais comuns entre os prematuros. Este risco é maior em idades gestacionais mais baixas.

A atual incidência global de nascimentos prematuros é de 11%. Com os avanços nos cuidados antes e depois do nascimento, um número crescente de bebés prematuros extremos (abaixo de 28 semanas de idade gestacional) sobrevive.

No entanto, esse aumento não acarreta uma redução no comprometimento do desenvolvimento do cérebro associado ao nascimento prematuro.

Otimizar a nutrição é um caminho promissor: um novo estudo sugere que a creatina, um nutriente que fornece energia, pode ajudar a mitigar o desenvolvimento cerebral adverso desses bebés prematuros.

Bebés prematuros normalmente têm sistemas digestivos imaturos que não estão prontos para absorver os nutrientes adequados. Como resultado, eles tendem a depender de nutrientes fornecidos por via intravenosa, ignorando o sistema digestivo.

A creatina é um composto natural produzido principalmente nos rins e no fígado a partir de três aminoácidos, os blocos de construção fundamentais das proteínas: arginina, glicina e metionina.

Bebés que nascem ao fim do normal período de gestação recebem 9% das suas necessidades de creatina do leite materno. Esses bebés saudáveis produzem a necessidade restante de creatina nos seus corpos.

Ao contrário do leite humano, as soluções de nutrição do recém-nascido não contêm creatina, o que deixa os bebés prematuros dependentes da sua própria produção para atender às suas necessidades de creatina.

Como os bebés prematuros não conseguem produzir arginina suficiente, eles não conseguem produzir a creatina necessária.

A creatina fornece energia rápida e de curto prazo aos músculos e ao coração. Os músculos armazenam a maior parte da creatina do corpo (95%), mas o cérebro armazena a segunda maior quantidade.

O cérebro precisa de um fornecimento contínuo de energia e certas regiões dependem da creatina para obter energia. No cérebro adulto, a interrupção deste fornecimento de energia prejudica a função cerebral e leva à progressão de doenças neurodegenerativas, como Parkinson, Alzheimer ou Huntington.

A creatina também é um modulador importante dos sistemas de neurónios do cérebro, o que a torna crucial para o desenvolvimento do cérebro dos bebés. Bebés que nascem com doenças hereditárias de deficiência de creatina não são capazes de produzi-la. Esses bebés têm problemas significativos na cognição, desenvolvimento da linguagem, movimento dos membros superiores ou inferiores e de comportamento

Os resultados sugerem claramente a importância da creatina para o funcionamento e desenvolvimento normal do cérebro.

O novo estudo mostra que leitões recém-nascidos a receberem nutrição parenteral por via intravenosa durante duas semanas — o que representa nove meses para um bebé humano — não conseguiram a acumulação ideal de creatina.

Quando a creatina foi adicionada à solução de alimentação parenteral dos leitões, a acumulação de creatina dos leitões melhorou.

Para lidar com a produção inadequada de arginina associada à alimentação intravenosa completa, alguns bebés humanos prematuros são alimentados com pequenas quantidades de solução de nutrição parenteral nos seus estômagos através de um tubo.

O restante da solução de nutrição parenteral é administrado por via intravenosa. No entanto, como os níveis de creatina nos órgãos não podem ser testados em bebés humanos sem prejudicar os órgãos ou colocar a saúde em risco, os estudos em humanos são de valor limitado para avaliar essa abordagem.

Os investigadores alimentaram a solução de nutrição parenteral no estômago dos leitões. Os leitões neonatais não foram capazes de atingir os níveis normais de acréscimo de creatina sem creatina pré-preparada nas suas soluções de nutrição parenteral, mesmo quando essa solução foi aplicada nos seus estômagos.

Os leitões alimentados com solução parenteral nos seus estômagos sem creatina pré-fabricada tinham níveis muito baixos de creatina no sangue. No entanto, os leitões alimentados com solução parenteral no estômago com creatina pré-fabricada ou blocos de construção extra (arginina e metionina) melhoraram os seus níveis de creatina. Esses níveis eram semelhantes aos níveis de creatina de leitões alimentados com leite materno.

Estas descobertas foram corroboradas por uma revisão científica recente em bebés humanos que concluiu que bebés prematuros em hospitais precisam de ajustes nos componentes nutricionais para atingir o desenvolvimento normal do cérebro.

https://zap.aeiou.pt/bebes-prematuros-cerebro-solucao-425645

 

Empresa cria produto que sabe a leite de vaca, parece leite de vaca, cheira a leite de vaca… mas não é leite de vaca !

A startup americana Perfect Day conseguiu criar uma alternativa molecularmente idêntica ao leite de vaca a partir de fungos e já usa este leite para criar gelados e queijos.


Já todos conhecemos o leite de soja, de amêndoa ou de aveia como alternativas veganas para o leite de vaca, mas uma empresa americana decidiu levar as opções de “leite alternativo” um passo mais à frente e criar leite de vaca… sem vacas?

Tal como já existe carne de vaca feita em laboratório, a Perfect Day, baseada no estado americano da Califórnia, usa fungos para criar uma proteína láctea que é “molecularmente idêntica” ao leite de vaca, segundo avança o co-fundador Ryan Pandya à CNN. Este leite pode também ser usado na produção de queijos, gelados, manteigas e iogurtes.

“Estávamos interessados no que existe no leite que lhe dá a sua versatilidade e nutrição incríveis e que falta nos leites feitos a partir de plantas. Criámos um produto para pessoas que gostam de lacticínios, mas querem sentir-se melhor a nível do impacto no planeta e nos animais”, explica Pandya.

A empresa agregou um gene que codifica a proteína de soro no leite de vaca e introduziu-o num fungo, que cresceu depois em tanques de fermentação. Esta nova proteína de soro é depois filtrada e seca até se tornar um pó que é depois usado nos produtos lacticínios que a Perfect Day também já produz, como queijos e gelados.

No ano passado, a empresa lançou o gelado Brave Robot, que já é vendido em cerca de 5000 lojas nos Estados Unidos e chegou também a Hong Kong. Ao contrário de outros gelados baseados em plantas, o Brave Robot não tem um sabor a coco ou banana e é mais parecido com o gelado “normal”. Este ano deve ainda ser lançado um queijo em creme.

Apesar da proximidade molecular ao leite de vaca, a criação da startup não inclui lactose, hormonas ou colesterol. Mesmo assim, os alérgicos aos lacticínios não devem consumir os produtos da Perfect Day. Já os veganos, segundo Pandya, podem deliciar-se com este leite alternativo, visto que o processo de criação não envolve animais.

Dado o impacto que a produção de bovinos tem, a oferta desta empresa é também mais amiga do ambiente e a sua produção emite até menos 97% gases de estufa do que a criação do leite verdadeiro.

A Perfect Day não é a única empresa a apostar na criação de lacticínios mais sustentáveis. A New Culture, outra startup californiana, está a criar queijos que não usam vacas no processo de fermentação e a TurtleTree Labs está a criar leite – incluindo humano – a partir da cultura de células.

As maiores preocupações com o ambiente e o crescimento em popularidade de dietas veganas tem levado ao aparecimento de cada vez mais inovações tecnológicas na comida.

Segundo a organização sem fins-lucrativos Good Food Institute, que procura incentivar a criação de proteínas alternativas às animais, 590 milhões de dólares foram investidos no ramo das proteínas alternativas fermentadas em 2020 – 300 milhões só na Perfect Day.

Pandya acrescenta que a empresa está a tentar obter licenças no Canadá, Índia e Europa e a procurar mais parceiros na indústria. “Estamos a desenvolver uma forma mais gentil e verde de criar as nossas comidas favoritas, começando pelos lacticínios, e não podemos fazer isso sozinhos”, conclui.

https://zap.aeiou.pt/empresa-leite-sem-usar-vacas-425649

Parkour de esquilos pode inspirar robôs revolucionários !

A inteligência e tomada de decisão na hora de os esquilos fazerem os seus saltos pode inspirar robôs mais ágeis, que possam, por exemplo, auxiliar nos esforços de busca e resgate.


O laboratório de Lucia Jacobs, na Universidade da Califórnia, estuda cognição em esquilos-raposas que andam em liberdade pelo campus universitário. Há especialmente duas espécies que abundam lá: o esquilo-cinzento (Sciurus carolinensis) e o esquilo-raposa (Sciurus niger).

Num novo estudo, a equipa de investigadores mostra que os esquilos saltam e pousam sem cair, fazendo cálculos entre a distância que têm de cobrir e a elasticidade do seu poleiro de salto.

As observações forneceram uma nova visão sobre as funções da tomada de decisão, aprendizagem e comportamento em ambientes desafiantes. Os autores estão a partilhar as descobertas com investigadores sobre movimento humano e engenheiros.

Este estudo, segundo o portal Big Think, sugere os tipos de habilidades de que os robôs precisam para conseguir saltar como os esquilos.

Os investigadores procuraram perceber se a tomada de decisão cognitiva dos esquilos gera mudanças dinâmicas na sua locomoção. Para estudar esta questão em esquilos selvagens, os autores criaram uma parede de escalada magnética. Foram usadas câmaras de alta-velocidade e amendoins para persuadir os esquilos a esperar pacientemente pela sua vez na parede.

No vídeo podemos ver os esquilos em ação. Antes do salto, os esquilos devem decidir onde o fazer com base num equilíbrio entre a flexibilidade do galho e o tamanho do salto.

Os investigadores descobriram que os esquilos corriam mais ao longo de um galho rígido, para terem um salto mais curto e fácil. Em contraste, eles saltaram com apenas alguns passos de galhos flexíveis, arriscando um salto mais longo.

O modelo dos investigadores mostrou que os esquilos importavam-se seis vezes mais com uma posição estável de descolagem do que com a distância que teriam de saltar — surpreendendo os autores.

Depois, os esquilos foram postos a saltar de uma base muito rígida. Sem que eles percebessem, a plataforma foi trocada por uma de aparência muito idêntica, mas três vezes mais flexível. Os esquilos aprenderam rapidamente a saltar do galho muito flexível que esperavam ser rígido e conseguiam pousar apenas ao fim de cinco tentativas. 

Não satisfeitos, os investigadores subiram a parada e aumentaram a altura e a distância da plataforma de aterragem. Mais uma vez, os esquilos deixaram os autores de boca aberta.

Ao estilo de parkour, os esquilos usaram a parede de escalada para ressaltar e ajustar a velocidade, fazendo uma aterragem perfeita.

Os autores deste novo estudo juntaram-se a uma equipa de robóticos, neurocientistas, cientistas de materiais e matemáticos para extrair princípios de design de saltos e aterragens de esquilo.

O próximo passo é criar novos materiais para o robô mais ágil e inteligente já construído: um que possa auxiliar nos esforços de busca e resgate e detetar rapidamente perigos ambientais catastróficos, como libertação de produtos químicos tóxicos, realça o Big Think.

https://zap.aeiou.pt/parkour-esquilos-inspirar-robos-425399

 

 

 

Esferas de Dyson à volta de buracos negros podem comprovar que existe vida além da Terra !

Um novo estudo expande a teoria de Freeman Dyson e propõe a criação de esferas de Dyson à volta de buracos negros.


É a eterna questão que atormenta a Humanidade: será que estamos sozinhos do universo? Se não estamos, como será a tecnologia dos extraterrestres e como a podemos detectar?

Um estudo que vai ser publicado em Setembro na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society encontrou as respostas a estas inquietações – pelo menos se a tecnologia em questão for um enorme gerador de energia, como uma esfera de Dyson – uma estrutura gigante que envolve um buraco negro e aproveita a sua energia.

O conceito das esferas de Dyson foi popularizado pelo físico Freeman Dyson nos anos 60 e é uma solução para um hipotético consumo energético que exceda as capacidades do planeta onde viva uma civilização. A esfera seria construída à volta da estrela desse sistema planetário e acumularia a sua energia.

Dyson propôs que as emissões de energia térmica de infravermelhos poderiam escapar quando a estrutura capturasse e convertesse energia estelar, o que poderia revelar a possível existência de outras criaturas. Esta assinatura de infravermelhos, caso detectada, iria dar-nos a oportunidade de encontrar civilizações extraterrestres.

A equipa do astrónomo Tiger Yu-Yang Hsiao, da Universidade Nacional Tsing Hua em Taiwan, decidiu levar este conceito um passo mais à frente – e se a esfera de Dyson fosse colocada à volta de um buraco negro em vez de uma estrela?

“Neste estudo, consideramos qual é a fonte de energia de uma civilização bem desenvolvida, do tipo II ou III. Eles precisariam de uma fonte mais forte do que da sua própria versão do Sol”, escrevem os investigadores, referindo-se à escala de Kardashev, que mede o nível de desenvolvimento tecnológico das civilizações tendo em conta a quantidade de energia que são capazes de usar.

Um disco de acreção – estrutura formada por materiais difusos em movimento orbital ao redor de um corpo central – ou jactos relativistas poderiam ser fontes para uma civilização tipo II.

“Os nossos resultados sugerem que para um buraco negro estelar, mesmo com um limite de Eddington baixo, o disco de acreção forneceria centenas de vezes mais luminosidade do que uma estrela de sequência principal”, refere o estudo.

Os buracos negros são conhecidos pelos seus campos de gravidade poderosos que sugam tudo na sua proximidade, por isso impõe-se a questão sobre se seria possível instalar uma esfera de Dyson à sua volta.

Os investigadores propõem soluções para este problema: um disco de acreção de material à volta do buraco negro, aquecido pela fricção até aos milhões de graus; ou a radiação Hawking, a radiação térmica que se acredita ser emitida por buracos negros devido a efeitos quânticos.

“A luminosidade mais alta pode ser recolhida de um disco de acreção, até 100 mil vezes a luminosidade do Sol, suficiente para manter uma civilização tipo II. Além disso, se uma esfera de Dyson recolhe não só a radiação electromagnética mas também outros tipos de energia, o total de energia recolhido será aproximadamente cinco vezes maior“, lê-se no estudo.

Estas estructuras seriam detectáveis através de vários comprimentos de onda, com as esferas mais quentes a serem visíveis na variedade ultravioleta, enquanto as mais frias seriam visíveis em infravermelhos.

No entanto, visto que os buracos negros já emitem muita radiação em ambos estes comprimentos de onda, detectar uma esfera de Dyson é ainda uma hipótese muito desafiante.

https://zap.aeiou.pt/esferas-de-dyson-buracos-negros-425608

 

Famosa equação de Einstein usada, pela primeira vez, para criar matéria a partir da luz !

Com base numa das equações mais famosas de Albert Einstein, uma equipa de físicos afirma ter criado, pela primeira vez, matéria a partir da luz pura.


Tal como recorda o site Live Science, a famosa equação “E=mc2”, de Albert Einstein, diz que, se se esmagar dois fotões suficientemente energéticos, ou partículas de luz, um no outro, seremos capazes de criar matéria na forma de um eletrão e o seu oposto de antimatéria, isto é, um positrão.

Mas este processo, descrito pela primeira vez em 1934 pelos físicos norte-americanos Gregory Breit e John Wheeler, tem sido um dos mais difíceis de observar na Física, principalmente porque os fotões em colisão teriam de ser raios gama altamente energéticos, e os cientistas ainda não foram capazes de fazer lasers de raios gama.

Agora, investigadores do Laboratório Nacional de Brookhaven, nos Estados Unidos, acreditam ter encontrado uma solução alternativa. Usando o seu Colisor Relativístico de Iões Pesados (RHIC), foram capazes de produzir medições que se aproximam das previsões para o estranho ato de transformação.

“No seu artigo científico, Breit e Wheeler perceberam que isto é quase impossível de fazer. Os lasers ainda nem existiam! Mas propuseram uma alternativa: acelerar iões pesados. E essa alternativa é exatamente o que estamos a fazer no RHIC”, disse, em comunicado, o físico Zhangbu Xu, do laboratório norte-americano.

De acordo com o mesmo site, em vez de acelerarem os fotões diretamente, os cientistas aceleraram dois iões – núcleos atómicos desprovidos dos seus eletrões e, portanto, carregados positivamente – num grande loop, antes de os fazerem passar um pelo outro numa quase colisão.

Como os iões são partículas carregadas que se movem muito perto da velocidade da luz, também carregam um campo eletromagnético, dentro do qual há um monte de fotões “virtuais” não muito reais “a viajar [com o ião] como uma nuvem” explicou Xu, um dos autores do estudo publicado, a 27 de julho, na revista científica Physical Review Letters.

Partículas virtuais são partículas que só surgem de forma breve como perturbações nos campos que existem entre as partículas reais. Não têm as mesmas massas que as suas homólogas reais (ao contrário das reais, que não têm massa, os fotões virtuais têm massa).

Nesta pesquisa, quando os iões passaram rapidamente um pelo outro quase colidindo, as suas duas nuvens de fotões virtuais estavam a mover-se tão depressa que agiam como se fossem reais. As partículas virtuais de ação real colidiram – produzindo um par muito real eletrão-positrão detetado pelos cientistas.

Para ser uma observação verdadeira do processo Breit-Wheeler, ou o mais verdadeiro possível utilizando partículas virtuais, os físicos tinham de se certificar que os seus fotões virtuais estavam a comportar-se como os reais. Para fazer isso, detetaram e analisaram os ângulos entre mais de seis mil pares de eletrões-positrões produzidos na experiência.

Quando duas partículas reais colidem, os produtos secundários devem ser produzidos em ângulos diferentes do que se fossem feitos por duas partículas virtuais. Mas, neste caso, os produtos secundários das partículas virtuais ricochetearam nos mesmos ângulos que os produtos secundários das partículas reais.

Desta forma, os investigadores puderam verificar se as partículas que estavam a ver se comportavam como se fossem feitas por uma interação real. E assim demonstraram com sucesso o processo Breit-Wheeler

A equipa também mediu a energia e a distribuição de massa dos sistemas. “São consistentes com os cálculos da teoria sobre o que aconteceria com os fotões reais”, disse ainda Daniel Brandenburg, físico de Brookhaven.

https://zap.aeiou.pt/equacao-einstein-usada-criar-materia-luz-425409

 

Algumas capacidades mentais podem melhorar à medida que envelhecemos !

O envelhecimento representa um declínio das bases cerebrais, mas algumas das funções podem até ser reforçadas “com base na experiência, na prática, no uso diário”.


Há capacidades mentais que podem melhorar com o envelhecimento e proteger o declínio do cérebro, de acordo com um estudo hoje divulgado e publicado na Nature Human Behaviour, que sugere essa possibilidade.

Segundo a investigação, em que participaram investigadores da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) e da Universidade de Georgetown, nos EUA, a capacidade de dar atenção a novas informações e de nos focarmos no que é importante em cada situação pode melhorar em indivíduos mais velhos e funcionar como escudo protetor contra o declínio do cérebro.

Em declarações à Lusa, João Veríssimo, psicólogo e investigador no Centro de Linguística, sublinhou que “alguns desses indícios já existiam em literatura anterior” e foram agora detetados “num estudo maior e mais cuidadoso, relativamente grande, comparado aos anteriores”, em que participaram 702 pessoas, entre os 58 e os 98 anos, em Taiwan.

Em duas das três funções examinadas, através de tarefas comportamentais, com o objetivo de medir a eficiência dos participantes nessas funções cerebrais, “as pessoas mais velhas tiveram melhores resultados”, frisou João Veríssimo.

Enquanto os dados recolhidos indicaram que a capacidade de alerta diminuiu, a função de orientação, que nos permite dirigir o foco para determinada área, e a função de inibição executiva, que permite gerir a informação, receber informação contraditória e perceber o que é mais importante, para tomar decisões, melhoraram em pessoas mais velhas.

João Veríssimo pormenorizou que enquanto na rede de orientação não se verificou uma quebra nas melhorias detetadas em função da idade e os participantes no estudo executaram as tarefas pedidas “de forma mais eficiente e um bocadinho mais rápida”, no caso da rede de inibição executiva foram observadas melhorias no desempenho até cerca dos 76 aos 78 anos, “a partir daí as melhorias começam a achatar e possivelmente até começamos a encontrar declínios”, referiu o investigador.

Num comunicado divulgado pela FLUL, é sublinhado que os autores aventam a hipótese de o declínio da capacidade de alerta se justificar “por corresponder a um estado básico de vigilância que não pode ser treinado”.

Embora se trate de “uma ilação” com base na observação feita, e que importa densificar com estudos complementares, os autores adiantam a possibilidade de que “a orientação e a inibição executiva são capacidades que podem melhorar à medida que são exercitadas, compensando-se os declínios neurológicos subjacentes”.

“Em geral, pensava-se que este tipo de funções se perdem com o envelhecimento, degradam-se, e o que os nossos resultados parecem sugerir é que temos de olhar para isto de uma forma um bocadinho mais fina”, alertou João Veríssimo, que afirmou existir “uma tendência muito forte para se olhar para a perda e menos para os ganhos e para as coisas que se vão tornando melhores com a idade, à medida que são praticadas”.

Ainda que não seja perentório ao afirmar se essas melhorias registadas resultam de um estado natural dos participantes no estudo ou se essas competências só melhoram se forem exercitadas, o investigador da FLUL atribui-as “à experiência, à vida que uma pessoa mais velha tem, à sua acumulação de conhecimento, de prática e ao exercício contínuo dessas competências”.

“A explicação que nós oferecemos é que, possivelmente, estará relacionada com experiência”, acentuou à agência Lusa João Veríssimo.

“[Os resultados] foram observados em competências envolvidas em praticamente tudo o que fazemos” no quotidiano e de que a nossa mente está continuamente a fazer uso, seja na linguagem, para tomar decisões, gerir informação, em questões de raciocínio, habilidades de cálculo, de leitura ou de navegação, explicou.

Ainda que o envelhecimento represente um declínio das bases cerebrais, algumas das funções podem até ser reforçadas “com base na experiência, na prática, no uso diário”, sustentou João Veríssimo, que prefere não apontar formas de exercitar essas capacidades, por o estudo não se ter focado “nesse aspeto prático”.

O psicólogo e investigador principal do estudo “Evidências de que o envelhecimento produz melhorias, bem como declínios nas funções de atenção e executivas”, de que Michael Ullman, professor no Departamento de Neurociências da Universidade de Georgetown é também autor, enfatizou que os resultados oferecem uma perspetiva “mais positiva” sobre o envelhecimento, habitualmente associado à redução das capacidades mentais.

“A contribuição principal do estudo, de certa forma, é mais teórica, no sentido em que nos mostra um exemplo de que à medida que vamos ficando mais velhos podemos, de facto, em algumas coisas, possivelmente ficar melhor. Essa é a grande mensagem, que vai contra essa visão mais pessimista de que tudo se perde”, acentuou João Veríssimo.

O investigador principal acrescentou: “se calhar, não faz muito sentido pensarmos que quando envelhecemos tudo, de uma forma generalizada, se perde”.

O professor da FLUL salientou que algumas funções “poderão até melhorar pelo exercício, pela prática e pela acumulação de conhecimento durante a vida”.

João Veríssimo considera que os resultados “abrem portas” a outras investigações que podem levar a conclusões sobre o que poderá ser feito em termos de intervenção para treinar competências para contrariar o declínio do envelhecimento, nomeadamente com ações quer para o envelhecimento saudável, quer direcionadas para perturbações relacionadas com a idade, “eventualmente até demências”, como a doença de Alzheimer.

“Isto ainda está numa fase muito especulativa. Nós imaginamos que poderá ser possível, e imaginamos que seria ótimo, numa investigação futura, tentarmos conseguir contrariar o envelhecimento com essa prática”, destacou o principal autor do estudo.

https://zap.aeiou.pt/capacidades-mentais-envelhecemos-425952

 

Há medicamentos para a diabetes que podem atrasar a progressão do Alzheimer !

Um novo estudo encontrou uma associação entre uma classe particular de medicamentos usados para tratar diabetes tipo 2 e redução de biomarcadores da doença de Alzheimer.


A razão pela qual este medicamento está a surtir este efeito neuroprotetor é desconhecida, mas cientistas pedem agora ensaios clínicos em grande escala para explorar esses tratamentos potenciais em grupos não diabéticos, escreve o New Atlas.

Investigadores observaram taxas mais altas de demência em pacientes com diabetes tipo 2. Um estudo realizado no início do ano sugeriu que tensão alta pode explicar a relação entre diabetes e demência, mas ainda não é claro o que liga as duas condições.

Por outro lado, tem havido cada vez mais observações de taxas anormalmente baixas de doenças neurodegenerativas em grupos de pacientes diabéticos que tomam alguns medicamentos antidiabéticos.

Um outro estudo mostrou que pacientes idosos que tomavam metformina registaram um declínio cognitivo mais lento em comparação com pessoas sem diabetes que não tomavam esta medicação.

Agora, este novo estudo científico analisou uma classe particular de medicamentos para diabetes chamados inibidores da dipeptidil peptidase 4 (DPP-4i), também conhecidos como gliptinas.

Os investigadores compararam dados de TACs ao cérebro e resultados de testes cognitivos de 70 pacientes diabéticos que tomavam DPP-4i, 71 pacientes diabéticos que não tomavam DPP-4i e 141 pacientes não-diabéticos.

Todos os participantes mostraram os primeiros sinais da doença de Alzheimer e tinham uma idade média de 76 anos.

Acompanhados ao longo de cerca de seis anos, os pacientes diabéticos que se medicavam com DPP-4i apresentaram taxas significativamente mais lentas de declínio cognitivo em comparação com os outros grupos.

Olhando para aquele que é o biomarcador primário da doença de Alzheimer, a acumulação de proteína amiloide no cérebro, o estudo descobriu que os pacientes que tomavam DPP-4i tinham níveis médios mais baixos do que outros pacientes diabéticos e não diabéticos.

“Pessoas com diabetes demonstraram ter um risco maior de doença de Alzheimer, possivelmente devido aos altos níveis de açúcar no sangue, que foram associados à acumulação de beta amiloide no cérebro”, disse o coautor Phil Hyu Lee, citado pela Academia Americana de Neurologia.

https://zap.aeiou.pt/medicamentos-diabetes-atrasar-alzheimer-425141

 

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Um novo continente ? Amostras da Zelândia mostram que o território é muito mais antigo do que se pensava !

Desde 2017 que alguns geólogos afirmam que a Zelândia é o oitavo continente. A proposta não é consensual, mas uma nova descoberta vem apoiar esta tese sobre o território submerso.


A cerca de um quilómetro de profundidade no Pacífico do sul, existe um território, a Zelândia – termo criado pelo geofísico Bruce Luyendyk em 1995 – com quase metade do tamanho da Austrália.

Ainda não há consenso científico sobre se a Zelândia pode ser considerada um continente – um grupo de geólogos achou que sim em 2017, mas a ideia não é consensual.

“Não é como uma montanha, um país ou um planeta. Não há nenhum órgão formal que designe o que é um continente”, afirma Nick Mortimer, o geólogo que liderou a equipa de 2017, ao Business Insider.

Os critérios usados pela equipa de Mortimer foram de que um continente deve ter fronteiras claras, ocupar uma área maior do que um um milhão de quilómetros quadrados, ser elevado acima da crosta do oceano e ter uma crosta continental mais espessa do que a  crosta oceânica, segundo o Science Alert.

“Se secássemos todos os oceanos, a Zealândia destacar-se-ia enquanto um platô de pé e bem definido acima do solo do oceano”, afirma Mortimer, que considera que a Zelândia seria o continente “mais fino, mais submerso e mais pequeno”.

Até recentemente, a amostra de rocha mais antiga da Zelândia tinha apenas 500 milhões de anos, enquanto todos os outros continentes tinham amostras com pelo menos mil milhões de anos.

Mas isso mudou. Um estudo de Maio, publicado na revista científica Geo Science World, concluiu que parte do território tem o dobro da idade que os geólogos apontaram anteriormente – o que vem ajudar Mortimer a tornar mais consensual a ideia de que a Zelândia é um continente.

“Este novo estudo completa a lista continental. Já não há nenhuma dúvida de que vivemos em cima de um continente”, afirma Rose Turnboll, uma geóloga neozelandesa que é uma das autoras do estudo.

Os geólogos estudaram 169 amostras de granito da Zelândia e extraíram cristais microscópicos da rocha, que ajudaram a equipa a determinar a idade dos cristais em si e da crosta onde se formaram – que fez parte de outro supercontinente chamado Rodínia, que se formou entre há 1.3 mil milhões e 900 milhões de anos.

O território da Zelândia é composto pela Nova Zelândia e por outros pedaços de crosta que ficaram submersos depois de se terem separado de um supercontinente chamado Gondwana, há cerca de 85 milhões de anos. Cerca de 94% do território está submerso, o que dificulta o estudo.

A missão de Rose Turnboll não ficou por aqui – a geóloga está a trabalhar num mapa 4D da costa oeste da Zelândia que permita visualizar a três dimensões como a fronteira é e como foi mudando ao longo to tempo.

Este mapa integra a iniciativa global para se pesquisar sobre todo o solo oceânico do planeta até 2030 e revelou detalhes nunca antes vistos sobre o tamanho e a costa da Zelândia.

Segundo Mortimer, estes mapas e a descoberta da idade da Zelândia são mais argumentos a favor da consideração deste território como o oitavo continente da Terra.

“Esperamos que a Zelândia eventualmente apareça em mapas do mundo gerais, seja ensinada nas escolas e se torne um nome tão familiar como a Antártida”, remata.

https://zap.aeiou.pt/amostras-zelandia-mais-antiga-do-que-se-pensava-425119

 

Tamanho dos buracos negros pode ser revelado pelos seus padrões de alimentação !

Investigadores relatam que os padrões de alimentação dos buracos negros fornecem informações sobre o seu tamanho. Um novo estudo revelou que a oscilação no brilho, observada em buracos negros supermassivos que se alimentam ativamente, está relacionada com a sua massa.


Os buracos negros supermassivos são milhões a milhares de milhões de vezes mais massivos do que o Sol e geralmente residem no centro de galáxias massivas. Quando estão dormentes, isto é, quando não estão a alimentar-se de gás e estrelas em seu redor, essa região emite muito pouca luz; a única maneira de os astrónomos poderem detetá-los é através das suas influências gravitacionais nas estrelas e no gás na sua vizinhança.

No entanto, no início do Universo, quando os buracos negros supermassivos cresciam rapidamente, alimentavam-se ativamente – ou acretavam – materiais a ritmos intensos e a emitiam uma enorme quantidade de radiação – às vezes ofuscando toda a galáxia onde residiam.

O novo estudo, liderado pelo estudante Colin Burke e pelo professor Yue Shen, ambos da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, descobriu uma relação definitiva entre a massa dos buracos negros supermassivos que se alimentam ativamente e a escala de tempo característica no padrão oscilante de luz. As conclusões foram publicadas, a 13 de agosto, na revista científica Science.

A luz observada de um buraco negro supermassivo em acreção não é constante. Devido a processos físicos que ainda não são compreendidos, exibe uma oscilação ubíqua a escalas de tempo que variam de horas a décadas. “Muitos estudos exploraram possíveis relações entre a cintilação observada e a massa dos buracos negros supermassivos, mas os resultados foram inconclusivos e às vezes controversos,” disse Burke.

A equipa compilou um grande conjunto de dados de buracos negros supermassivos em alimentação ativa para estudar o padrão de variabilidade de cintilação. Eles identificaram uma escala de tempo característica, ao longo do qual o padrão muda, que está correlacionado intimamente com a massa do buraco negro supermassivo.

Os cientistas então compararam os resultados com anãs brancas em acreção, os remanescentes de estrelas como o nosso Sol, e descobriram que a mesma relação escala de tempo-massa se mantém, embora as anãs brancas sejam milhões a milhares de milhões de vezes menos massivas do que os buracos negros supermassivos.

As oscilações de luz são flutuações aleatórias no processo de alimentação de um buraco negro, disseram os investigadores. Os astrónomos podem quantificar este padrão de oscilação medindo o poder da variabilidade em função das escalas de tempo. Para buracos negros supermassivos em acreção, o padrão de variabilidade muda de escalas de tempo curtas para escalas de tempo longas. Esta transição do padrão de variabilidade acontece numa escala de tempo característica que é mais longa para buracos negros mais massivos.

A equipa comparou a alimentação de um buraco negro com a nossa, equiparando esta transição a um arroto humano. Os bebés arrotam frequentemente enquanto bebem leite, e os adultos podem “segurar” o arroto por mais tempo. Os buracos negros fazem a mesma coisa enquanto se alimentam, disseram.

“Estes resultados sugerem que os processos que conduzem a cintilação durante a acreção são universais, seja o objeto central um buraco negro supermassivo ou uma anã branca muito mais leve,” disse Shen.

“O estabelecimento firme de uma ligação entre a oscilação na luz observada e as propriedades fundamentais do acretor vão certamente ajudar-nos a melhor entender os processos de acreção,” disse Yan-Fei Jiang, investigador no Instituto Flatiron e coautor do estudo.

Os buracos negros têm uma ampla gama de tamanhos e massas. Entre a população de buracos negros de massa estelar, com menos de várias dezenas de vezes a massa do Sol, e os buracos negros supermassivos, existe uma população de buracos negros de massa intermédia com cerca de 100 e 100.000 vezes a massa do Sol.

Pensa-se que os buracos negros de massa intermédia se formem em grande número e ao longo da história do Universo, e que possam fornecer as sementes necessárias para se transformarem mais tarde em buracos negros supermassivos. No entanto, observacionalmente, esta população de buracos negros de massa intermédia é surpreendentemente elusiva. Existe apenas um buraco negro de massa intermédia indiscutivelmente confirmado, com mais ou menos 150 vezes a massa do Sol. Mas esse buraco negro de massa intermédia foi descoberto por acaso graças à deteção de ondas gravitacionais da fusão de dois buracos negros menos massivos.

“Agora que há uma correlação entre o padrão de oscilação e a massa do objeto central em acreção, podemos usá-la para prever como pode ser o sinal de oscilação de um buraco negro de massa intermédia,” disse Burke.

Os astrónomos de todo o mundo estão à espera do início oficial de uma nova era de levantamentos gigantescos com o objetivo de monitorizar o céu dinâmico e variável. O LSST (Legacy Survey of Space and Time) no Observatório Vera C. Rubbin, no Chile, fará um levantamento de todo o céu ao longo de uma década e irá recolher dados da oscilação da luz para milhares de milhões de objetos, começando no final de 2023.

“A mineração do conjunto de dados LSST para procurar padrões de cintilação que sejam consistentes com a acreção de buracos negros de massa intermédia tem o potencial de descobrir e compreender totalmente esta misteriosa população, há muito procurada, de buracos negros,” disse o coautor Xin Liu, professor de astronomia na Universidade de Illinois.

https://zap.aeiou.pt/tamanho-buracos-negros-revelado-padroes-alimentacao-425363

 

 

Cientistas batem recorde no cálculo do Pi: 62,8 biliões de casas decimais !

Cientistas suecos anunciaram, esta segunda-feira, ter batido o recorde no cálculo do número Pi, tendo alcançado 62,8 biliões de casas decimais.


Em comunicado, a Universidade de Ciências Aplicadas (HES) de Grisões, no leste da Suíça, explicou ter alcançado este resultado graças a um computador de alto desempenho que trabalhou durante 108 dias e nove horas.

Os seus esforços foram “quase duas vezes mais rápidos do que o recorde estabelecido pelo Google em 2019 e cerca de 3,5 vezes mais rápidos do que o último recorde mundial, batido em 2020”, lê-se na mesma nota, citada pela agência France-Presse.

Agora, os investigadores estão à espera que o Guinness World Records certifique a sua conquista, tendo revelado apenas que os últimos dez dígitos do número completo são: 7817924264.

De acordo com o comunicado, o computador ultrapassou nos seus cálculos o último recorde mundial, de 50 biliões de casas decimais, ao somar 12,8 biliões de novos números até então desconhecidos.

Pi, representado pela letra grega π, é o número pelo qual o diâmetro de um círculo deve ser multiplicado para obter a sua circunferência, sendo impossível saber o seu valor exato, pois o número de dígitos após a vírgula é infinito. Para o público em geral, o Pi é geralmente equivalente a 3,1415927.

Na mesma nota, a equipa sueca disse que esta experiência a calcular o Pi pode ser aplicada noutras áreas como, por exemplo, “análise de RNA, simulações de dinâmica de fluidos e análise textual”.

https://zap.aeiou.pt/cientistas-batem-recorde-calculo-pi-425367

 

Japão tem uma nova ilha que nasceu de uma erupção vulcânica debaixo de água !

Ainda não se sabe se esta nova ilha se vai tornar permanente, visto que isso depende se os materiais de que é composta são resistentes à erosão marítima. A descoberta foi feita pela guarda costeira japonesa.


O Japão tem uma nova ilha, que se vai juntar às mais de 6000 que já compõe o arquipélago. Os cientistas explicaram que uma erupção vulcânica debaixo de água, a cerca de 1200 quilómetros a sul de Tóquio, criou um novo território.

A ilha formou-se no Oceano Pacífico a cerca de 50 quilómetros do sul de Minami Ioto, a ilha mais a sul do grupo Ogasawara. A guarda costeira do Japão afirma que a nova ilha tem um formato de um crescente e um quilómetro de diâmetro, segundo o The Guardian.

A descoberta da nova ilha foi feita pela guarda costeira japonesa no Domingo. Depois de terem visto a erupção a acontecer, a equipa também encontrou várias pedras-pomes a flutuar numa grande área marítima.

No entanto, ainda não se sabe se esta ilha vai ser permanente, visto que a sua duração depende do que é composta. Cinzas e outros fragmentos têm fraca resistência à erosão causada pelas ondas, mas a actividade vulcânica pode causar mais fluxos de lava, que podem eventualmente tornar a ilha mais resistente.

A erupção começou na semana passada e a agência de meteorologia japonesa acredita que vai continuar, tendo já emitido avisos devido ao fumo e às cinzas nas águas próximas da nova ilha.

Esta não é a primeira vez que se formam ilhas desta forma no Japão. Em 1904, 1914 e 1986, formaram-se outros territórios de forma semelhante que acabaram por desaparecer devido à erosão.

Em 2013, surgiu uma outra ilha depois de semanas de actividade vulcânica que se fundiu com uma já existente – Nishinoshima – e criou um território que deu que falar pela sua parecença com o Snoopy, o cão da série de desenhos animados.

O surgimento de novas ilhas no Japão pode potencialmente ter implicações geopolíticas, caso a sua localização permita ao governo estender o seu território e, consequentemente as suas águas territoriais ou zona económica exclusiva. No entanto, a localização desta nova ilha ainda não confirma essas previsões.

https://zap.aeiou.pt/o-japao-tem-uma-nova-ilha-que-nasceu-de-uma-erupcao-vulcanica-debaixo-de-agua-425436

 

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