Para resolver essa questão, os cientistas de Stanford se juntaram a equipes do Centro Nacional de Ciências Biológicas da Índia, de parques zoológicos e ONG’s, para sequenciar 65 genomas de quatro das subespécies de tigres sobreviventes. A análise confirmou fortes diferenças entre as espécies que surgiram há pouco tempo, quando a Terra passou por mudanças climáticas e a espécie humana se tornou dominante.
Uma das autoras do estudo, a professora de biologia ambiental Elizabeth Hadly, afirma que essa crescente supremacia humana “significa que nossa compreensão de quais atributos de espécies e populações se adaptaram melhor ao Antropoceno torna-se cada vez mais importante”. Não por acaso, a era geológica citada foi aquela com maior impacto humano sobre o meio ambiente.
Como fazer o resgate genético das populações de tigres?
Surgidas há apenas cerca de 20 mil anos, as contrações das populações de tigres produziram assinaturas genômicas únicas. Por exemplo, as adaptações genéticas para temperaturas frias foram encontradas unicamente entre a população Amur, os tigres siberianos.
Por outro lado, os tigres-da-sumatra, da Indonésia, revelaram maiores adaptações à regulação do tamanho corporal, o que pode explicar sua menor envergadura. No entanto, essas populações têm uma baixa diversidade genética, sugerindo que, se elas se reduzirem ainda mais, talvez o resgate genético possa ser sua única opção de sobrevivência.
Esse resgate pode ser realizado através do acasalamento de diferentes subespécies de tigres, como forma de aumentar a sua diversidade genética e proteger a espécie contra os efeitos destrutivos da endogamia. A endogamia ocorre quando as populações são tão reduzidas e isoladas, que indivíduos de uma mesma família se reproduzem entre si.
Este estudo com tigres deixou clara a importância da genômica da
conservação no estabelecimento de manejo e conserevação das espécies,
seus níveis de diversidade e seu potencial adaptativo, diz Hadley.
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