Os astrônomos sabem há anos que as bordas da Via Láctea entortam,
ondulam e balançam como uma tigela de gelatina – mas ninguém sabia o
porquê.
Mas, de acordo com um novo estudo que usa dados coletados pelo satélite Gaia, da Agência Espacial Europeia, o disco da Via Láctea, composto por centenas de bilhões de estrelas, está sendo distorcido, enquanto colide lentamente com uma galáxia vizinha menor.
Para chegar a essa conclusão, uma equipe de físicos do Instituto
Nacional Italiano de Astrofísicos, em Turim, analisou a maneira como 12
milhões de estrelas gigantes se movem em nossa Via Láctea, conforme
observado pelo telescópio espacial Gaia da ESA.
Sua pesquisa, conforme detalhado em um artigo publicado na revista Nature Astronomy,
sugere que a maneira única como as bordas de nossa galáxia estão sendo
deformadas está sendo causada por “um encontro recente ou em andamento
com uma galáxia satélite”.
A autora Eloisa Poggio, do Observatório Astrofísico de Turim, informou em comunicado:
Medimos a velocidade do
empenamento comparando os dados com nossos modelos. Com base na
velocidade obtida, o empenamento completaria uma rotação em torno do
centro da Via Láctea em 600 a 700 milhões de anos.
Isso é substancialmente mais lento do que o tempo que as estrelas,
inclusive o Sol, levam para percorrer todo o centro da Via Láctea.
Teorias anteriores tentaram explicar a distorção sugerindo que o disco
interno da galáxia está girando como um pião inclinado, deixando
ondulações. Essa lenta velocidade rotacional, no entanto, os refutaria,
segundo os pesquisadores.
Então, qual galáxia está se espremendo lentamente na nossa?
Os astrônomos sugerem que poderia ser Sagitário, uma galáxia anã que
orbita a Via Láctea, pois há muitas evidências de que ela está
lentamente sendo absorvida pela Via Láctea.
Uma equipa de cientistas chineses identificou a estrutura
completa da proteína ACE2, que o coronavírus usa para entrar nas células
humanas, o que pode facilitar o desenvolvimento de possíveis terapias
antivirais.
O estudo, publicado esta quarta-feira na revista científica Science,
é assinado por investigadores de três instituições da China, país onde o
coronavírus, que provoca a doença Covid-19, foi detetado pela primeira
vez, no final do ano passado.
A equipa, liderada por Renhong Yan, do Instituto Westlake de Estudos
Avançados, analisou e descreveu a estrutura da proteína ACE2, que não se
conhecia totalmente até agora. É a proteína ACE2 que o novo coronavírus
“sequestra” para entrar nas células humanas.
Os cientistas mapearam, em nível atómico, a estrutura
completa da enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2), o ponto de
entrada nas células humanas para o coronavírus, na presença de um
transportador de aminoácidos neutro chamado B0AT1.
De acordo com o Shine, o ACE2 funciona como companheiro do B0AT1
que medeia a captação de aminoácidos neutros nas células intestinais de
maneira dependente de sódio. Os cientistas argumentaram que a estrutura
do ACE2 completo pode ser revelada na presença de B0AT1.
Os cientistas misturaram a proteína do novo coronavírus com o
complexo ACE2-B0AT1 e reconstruiram a imagem 3D do complexo ternário. A
proteína de pico de coronavírus liga o domínio peptidase da ACE2 para
causar uma infeção.
Esta ligação abre a porta da célula humana para que o vírus introduza
o seu material genético. A máquina que produz as células humanas confunde esse material
– ácido ribonucleico (ARN) viral – com o seu próprio ARN e começa a
seguir instruções para fazer proteínas virais. Em questão de horas, há
milhões de cópias de ARN viral das quais são reunidas cópias do vírus
que irrompem na célula para infetar outras.
Yan et al / Science
O SARS-CoV-2 (dourado) interage com a proteína ACE2 (azul). Imagem do microscópio crioelectrónico (cryo-EM)
Os resultados mostram que o domínio de ligação ao recetor do novo coronavírus é semelhante ao do SARS, mas várias variações de sequência e desvios conformacionais podem alterar a afinidade do ACE2 pelo vírus.
“A nossa descoberta não só ajuda a compreender a mecânica da infeção viral” como também “facilita o desenvolvimento de técnicas de deteção do vírus e possíveis terapias antivirais”, disseram os autores do estudo, citados na revista.
Há duas estirpes do vírus (e uma é mais agressiva)
Além deste novo avanço, há ainda um outro. De acordo com a agênciaReuters, cientistas na China a estudar a origem da epidemia viral do novo coronavírus dizem ter descoberto duas estirpes principais do vírus que podem estar a causar infeções.
O estudo preliminar descobriu que uma estirpe mais agressiva
do novo coronavírus, associada ao surto na cidade de Wuhan, corresponde
a 70% das amostras analisadas, enquanto 30% estava ligada a uma estirpe
menos agressiva. A prevalência do vírus mais agressivo decresceu em
meados de janeiro.
“Estes resultados apoiam fortemente a necessidade urgente de estudos
mais abrangentes, que combinem dados genómicos, dados epidemiológicos e
registos clínicos dos sintomas de pacientes com a Covid-19”, escreveu a
equipa num artigo publicado na terça-feira na revista National Science Review.
Os investigadores, da Faculdade de Ciências da Vida da Universidade
de Pequim e do Instituto Pasteur de Xangai, sob alçada da Academia
Chinesa de Ciências, advertem que o estudo examinou uma quantidade ainda
limitada de dados e que é necessário analisar mais dados para
compreender melhor a evolução do vírus.
O surto de Covid-19, detetado em dezembro, na China, e que pode
causar infeções respiratórias como pneumonia, provocou cerca de 3.200
mortos e infetou mais de 94 mil pessoas em 80 países, incluindo oito em
Portugal. Das pessoas infetadas, cerca de 50 mil recuperaram.
Há ainda registo de vítimas mortais no Irão, Itália, Coreia do Sul,
Japão, França, Hong Kong, Taiwan, Austrália, Tailândia, Estados Unidos
da América, Filipinas e Iraque.
A Organização Mundial de Saúde declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para “muito elevado”.
O Coronavirus é o tema do momento. Esta epidemia está a chegar a
novos países e a ter cada vez mais infetados. As mortes também não param
de crescer e é por isso urgente encontrar uma solução para combater
este vírus.
A urgência deste caso leva a que sejam usados todos os mecanismos
disponíveis para estudar e analisar toda a informação disponível. Assim,
é natural o passo que agora foi dado. O projeto Folding@Home juntou-se a
esta investigação e precisa agora de toda a ajuda possível. Esta chega
com o emprestar de uma parte do seu PC.
Um projeto para conhecer o Coronavirus
O projeto Folding@Home tem, já vários anos e provas dadas do que é
capaz de conseguir. A distribuição de processamento que garante pode ser
extremamente útil neste caso, pois permite analisar um volume grande de
dados em tempo recorde.
Para tal, precisa dos seus voluntários, que oferecem o processamento
das suas máquinas quando estas não estão a ser usadas. Pequenas partes
do processo de avaliação e análise são entregues aos computadores, que
assim tratam destes processos. Agora, é a vez de trabalharem para analisar o Corinavirus.
O Folding@Home quer ajudar nesta epidemia
Quem quiser participar neste processo só precisa de descarregar
o cliente disponível para Windows, macOS e Linux. Depois de instalado,
deve ser configurado para que seja definido como e quando o
processamento é feito.
Os utilizadores podem decidir se querem que o processamento é feito
apenas quando os computadores não estão a ser usados ou se querem doar
processamento a qualquer momento. Estes valores podem ser todos
ajustados. A sua interface é muito rudimentar, mas este é um ponto a
ignorar.
Processamento distribuído para analisar o vírus
A ideia agora é perceber a estrutura física do Coronavirus e assim
entender como o podem combater. A partir da informação gerada, poderá
ser criada a esperada cura para o Coronavirus e assim combater esta
epidemia.
Para além de todas as medidas de proteção que a DGS recomenda,
participar no Folding@Home poderá ser a forma mais simples de ajudar a
resolver um problema de saúde que já tomou uma escala global.
Após duas décadas de processamento de dados, o SETI@Home está fechando suas portas. Crédito de imagem: CC BY 3.0 CSIRO
A iniciativa de longa data do SETI de usar computadores domésticos ociosos para processar dados na busca por alienígenas foi interrompida.
Lançado em 17 de maio de 1999, o SETI@Home
trabalhava pedindo aos participantes que executassem um software
especial em seus computadores para que, quando a máquina estivesse
ociosa, o poder de processamento adicional pudesse ser usado para
processar dados astronômicos referentes à busca por vida alienígena.
O projeto utilizou o sistema Berkeley Open Infrastructure for Network Computing (BOINC) e foi hospedado pelo Laboratório de Ciências Espaciais da Universidade da Califórnia, em Berkeley.
Este foi um empreendimento bastante popular, com milhares de caçadores de alienígenas se inscrevendo para participar.
Agora, porém, 21 anos após seu lançamento, o SETI@home foi colocado
em um estado de ‘hibernação’, porque dados suficientes foram coletados
no momento e os pesquisadores agora estão procurando reorientar seus
esforços na análise das descobertas e na redação de um novo artigo sobre
o projeto.
O SETI escreveu:
Cientificamente, estamos no ponto
de retornos decrescentes; basicamente, analisamos todos os dados que
precisamos por enquanto. É muito trabalho gerenciarmos o processamento
distribuído de dados.
Precisamos nos concentrar em concluir a análise de back-end dos resultados que já temos e escrever isso em um artigo de periódico científico.
Somos
extremamente gratos a todos os nossos voluntários por nos apoiarem de
várias maneiras nos últimos 20 anos. Sem vocês, não haveria SETI@home.
Estamos empolgados em concluir nosso projeto científico original e esperamos ansiosamente o que vem a seguir.
Certamente será interessante ver o que a análise final dos dados do projeto revelará.
Oficialmente chamada 52768 (1998 OR2), a rocha espacial gigante está
lançando-se em direção à Terra a uma velocidade de 31.320 km/h – ou 8,7
km por segundo. Se o asteroide acompanhar esse ritmo, espera-se que
chegue ao nosso planeta por volta de 29 de abril.
Mas antes de começar a correr como uma galinha sem cabeça por puro
pânico, leia o seguinte: os cientistas dizem que ele só fará uma
“aproximação” e não entrará na órbita da Terra.
Medindo aproximadamente 4,1 quilômetros de diâmetro, o tamanho da
rocha a coloca na categoria de “muito perigosa” pela Sociedade
Planetária, que inclui todos os objetos espaciais com diâmetro igual ou
superior a 1 km de diâmetro, e os coloca em uma escala que ameaça a
destruição global.
Bruce Betts, da organização, disse:
Asteróides pequenos – com poucos metros – atingem com frequência e queimam na atmosfera e causam poucos danos.
Asteroides do tamanho de Chelyabinsk – cerca de 20 m que entrou na atmosfera em 2013 – criam ondas de choque que quebram janelas e causam Lesões.
Aqueles com o tamanho de Tunguska – cerca de 40 m que atingiu a Sibéria em 1908 – poderia destruir completamente uma cidade ou criar um tsunami.
Asteroides maiores que atingem, em média, com menos frequência podem causar destruição regional.
Asteroides ainda maiores que atingem com menos frequência podem causar uma catástrofe global.
O Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia dos EUA também alertou em
seu relatório de estratégia de preparação em 2018 que objetos desse
tamanho “podem provocar terremotos, tsunamis e outros efeitos
secundários que se estendem muito além da área de impacto imediato”.
A NASA viu pela primeira vez o 1998 OR2 voando ao redor do Sol em
1987, mais tarde confirmando sua órbita e classificando-a como um objeto
próximo da Terra (de sigla em inglês NEO, para Near Earth Object) “potencialmente perigoso”.
Para que um asteroide ou cometa seja considerado um NEO, ele
deve passar a 50 milhões de quilômetros da órbita da Terra. No entanto,
de acordo com os astrônomos, há uma chance em 50.000 de que os
asteroides atinjam a Terra a cada 100 anos, então não há necessidade de
perder o sono se preocupando com as rochas espaciais.
Uma equipe de físicos tem um plano para construir um buraco de
minhoca funcional que possa funcionar como uma ponte através de dois
pontos no espaço. E tudo o que precisamos são dois buracos negros
emaranhados de forma quântica.
A sabedoria convencional nos diz que nada escapa da imensa força gravitacional de um buraco negro.
Mas, de acordo com a pesquisa teórica de alguns anos atrás, dois
buracos negros totalmente entrelaçados devem ser capazes de transmitir
informações quânticas entre eles – em vez de destruí-las – depois que
passam pelo horizonte de eventos, informa a Quanta Magazine.
Nesse sentido, os buracos negros recriariam um fenômeno chamado
teletransporte quântico, que os engenheiros exploram quando constroem computadores quânticos.
A física do teletransporte quântico fica impossivelmente densa, mas
basicamente envolve a transmissão de informações criptografadas de uma
máquina para outra.
Versão em escala de laboratório
Criar e vincular buracos negros reais em um laboratório é uma ação
além das capacidades científicas modernas, mas agora os pesquisadores da
Universidade de Maryland (EUA), Christopher Monroe e Brian Swingle,
disseram à Quanta que pensam que podem construir circuitos quânticos que se comportariam como buracos negros emaranhados.
O mais desconcertante é que, de acordo com modelos anteriores, o
circuito se comportaria exatamente como um buraco negro minúsculo,
segundo Quanta. Ou seja, o sistema resultante não está apenas
tentando recriar a atividade de um buraco negro – seria indistinguível
da coisa real.
Se funcionar, eles seriam capazes de inserir informações quânticas em
um circuito de ‘buraco negro’, que iria embaralhar e consumi-las.
Depois de um tempo, essa informação sairia do segundo circuito, já
decifrada e decodificada. Isso o diferencia das técnicas de
teletransporte quântico existentes, enquanto as informações transmitidas
ainda são totalmente embaralhadas e precisam ser descriptografadas,
tornando o processo mais demorado e menos preciso, pois um computador
quântico propenso a erros tenta recriar a mensagem original.
Dispositivo de teletransporte
Embora a ideia de buracos negros e buracos de minhoca evoque as
noções de ficção científica de intrépidos exploradores que se viajando
por todo o cosmos, não é bem isso que está acontecendo aqui. Pelo
contrário, essa é uma maneira sugestiva de melhorar a tecnologia de
computação quântica.
Recriando e emaranhando as propriedades bizarras dos buracos negros, disse à Quanta o pesquisador da Berkely, Norman Yao, da Universidade da Califórnia, “permitiria o teletransporte no menor tempo possível”.
Um grupo de cientistas sugere que o ADN de um micróbio que
vive em depósitos de sal-gema pode ser usado como cápsula do tempo
perfeita para enviar informações a civilizações de um futuro distante.
Os investigadores codificaram a informação no ADN do Halobacterium salinarum, um micróbio resistente ao sal e difícil de matar que possui, em média, 25 cópias de cada um dos seus cromossomas.
Para preservar um código, os especialistas criaram duas peças de arte
3D, que foram reduzidas a uma cadeia de coordenadas e traduzidas em
códigos de base antes de serem inseridas num local no genoma de um H. salinarum.
De acordo com o estudo publicado no servidor de pré-impressão para biologia BioRxiv, os cientistas observaram que, mesmo depois de as células alteradas serem copiadas várias vezes, a mensagem permaneceu estável.
“Se se deseja manter os dados por muito, muito tempo, a melhor forma de consegui-lo é mantê-los dentro das células
e usar a maquinaria celular para reparação automático de ADN. Eles
podem ser reproduzidos de forma conveniente e económica com pouca ou
nenhuma intervenção”, disse Joe Davis, principal autor do estudo, em declarações à revista Science.
“Se toda a vida for destruída na Terra e esta é a única coisa que
resta, talvez a informação possa propagar-se por si mesma”, disse o
engenheiro biológico Jeff Nivala, da Universidade de Washington..
Estudos anteriores exploraram o potencial de armazenamento do ADN,
que contém o equivalente a aproximadamente 300 megabytes de dados no
núcleo de uma célula humana.
Porém, este novo estudo combina essa capacidade com a extraordinária resistência do H. salinarum. Os cientistas descobriram que o micróbio consegue suportar secas, temperaturas extremas, vácuo prolongado e radiação intensa. O H. salinarum até sobreviveu após ser exposto ao óxido de etileno, um gás venenoso usado para esterilizar equipamentos de laboratório.
Por outro lado, o micróbio tem um calcanhar de Aquiles: água doce
explode nas suas células. No entanto, quando o microorganismo é submerso
em sacos dentro de cristais de sal, torna-se “imortal“. Além disso, o micróbio consegue preservar ADN durante muito mais tempo do que as técnicas in vitro,
encapsulamento de ADN sintético em vidro ou aço inoxidável, explicou
Davis, que ressuscitou células micróbicas que estavam a hibernar em
depósitos de sal de centenas de milhões de anos.
O co-autor do estudo, George Church, considerou
“totalmente plausível” que as células encontradas profundamente nos
cristais estáveis tenham sobrevivido todo este tempo em um estado
latente. Segundo ele, as células páram de crescer e o seu ADN permanece
inalterado, exceto pela degradação gradual, mas quando precisam podem
“replicar-se rapidamente”, reparando os danos e gerando várias cópias.
No futuro, os cientistas planeiam armazenar estes micróbios em sal
durante vários anos e verificar se o código permanece estável.
A Terra primitiva, lar das primeiras formas de vida do
planeta, pode ter estado completamente coberta de água, de acordo com um
novo estudo.
O estudo, publicado este mês na revista científica Nature Geoscience,
aproveita uma peculiaridade da química hidrotermal para sugerir que a
superfície da Terra estaria completamente coberta por um oceano há 3.200
milhões de anos.
“A história da vida na Terra acompanha os nichos disponíveis” disse Boswell Wing,
do Departamento de Ciências Geológicas da Universidade do Colorado, em
comunicado. “Se temos um mundo coberto por oceano, nichos secos
simplesmente não estarão disponíveis”.
O estudo centrou-se num local geológico chamado Panorama,
localizado no interior do noroeste da Austrália. “Atualmente, existem
colinas cobertas de ervas daninhas e colinas cortadas por leitos secos
de rios”, contou Benjamin Johnson, principal autor do
estudo. É também o local de descanso de um pedaço de crosta oceânica de
3,2 mil milhões de anos que virou de lado.
Ao longo de um dia em Panorama, é possível percorrer o que costumava
ser a dura camada externa do planeta, desde a base dessa crosta até aos
lugares onde a água borbulhava no fundo do mar através das aberturas de
ventilação hidrotermal.
Os investigadores viram como uma oportunidade única de obter pistas
sobre a química da água do oceano há milhares de milhões de anos. “Não
há realmente amostras de água oceânica por aí, mas temos rochas que interagiram com a água do mar e lembram-se dessa interação”, explica Johnson.
Os cientistas analisaram dados de mais de 100 amostras de rochas de
todos os terrenos secos. Procuraram, em particular, dois isótopos de
oxigénio aprisionado na pedra: um átomo um pouco mais pesado chamado Oxigénio-18 e um átomo mais leve chamado Oxigénio-16.
Os autores descobriram que a proporção desses dois isótopos de
oxigénio pode ter estado um pouco fora da água do mar há 3.200 milhões
de anos, com apenas uma pitada de oxigénio-18 átomos a mais do que se
veria hoje.
Segundo Wing, as massas de terra atuais estão cobertas por solos ricos em argila que absorvem desproporcionalmente os isótopos de oxigénio mais pesados da água.
A equipa teorizou que a explicação mais provável para este excesso de oxigénio-18 nos oceanos antigos era que simplesmente não havia continentes ricos em terra
para absorver isótopos. No entanto, isso não significa que não houvesse
áreas de terra seca por perto. “Não acreditamos que tenha havido uma
formação de solos continentais em escala global como a que temos hoje”,
disse Wing.
Esta hipótese deixa pendente a grande questão de quando as placas
tectónicas empurraram os pedaços de rocha que eventualmente se tornariam
os continentes. Wing e Johnson não têm certeza, mas planeiam explorar
outras formações rochosas mais jovens em locais desde o Arizona à África
do Sul para ver se conseguem detetar quando as massas de terra rugiram
pela primeira vez.
Uma equipa de cientistas da Universidade de Yale, nos Estados
Unidos, descobriu, pela primeira vez, que a atividade cerebral muda de
forma acentuada quando um ato egoísta ou altruísta está a ser levado a
cabo.
Já há vários anos que neuro-cientistas procuram entender as bases
biológicas da generosidade e do altruísmo. Acontece algo concreto no
cérebro quando são tomadas determinadas decisões? Ou existirá alguma
predisposição genética associada?
Agora, uma equipa liderada por Steve Chang demonstrou que estes traços – o egoísmo e o altruísmo – podem “ver-se” diretamente no cérebro.
Para chegar a esta conclusão, os cientistas levaram a cabo
procedimentos experimentais em macacos que enfrentavam o dilema de
partilhar ou não um sumo de frutas.
“Os nossos resultados mostram que duas regiões cerebrais – a amígdala e o córtex pré-frontal – usam canais de frequência especializados para interagir“, explicou Steve Chang, autor principal do estudo, ao jornal espanhol ABC.
Os cientistas descobriram ainda que o “grau de interação entre os
dois [tipos de canais] está associado com o facto de se tomarem decisões
pró-sociais ou antissociais”, rematou.
Outros estudos anteriores tinham já encontrado indícios de que a
amígdala e o córtex pré-frontal tinham efeitos sobre a cognição social.
Neste novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada NatureNeuroscience, os cientistas quiseram saber o que ocorre, na prática, nos neurónios.
A ideia de que uma espaçonave possa ‘distorcer’ as vastas
distâncias do espaço – um motor de dobra espacial – pode ter um
potencial genuíno.
No momento, a ideia de viajar para planetas orbitando estrelas
distantes é algo com o qual só podemos sonhar – mesmo uma espaçonave que
se mova à velocidade da luz levaria quatro anos para alcançar a estrela
mais próxima ,e mais de dois milhões de anos para alcançar a Galáxia
mais próxima.
O problema é que as leis da física parecem proibir a possibilidade de
qualquer coisa viajar mais rápido que a velocidade da luz, tornando
impraticáveis as viagens espaciais de longa distância.
Nos últimos anos, no entanto, os cientistas têm analisado longamente
um sistema de propulsão de ficção científica exótico que, como se vê,
não se limita apenas à franquia Star Trek (Jornada nas Estrelas).
Um dos principais defensores dessa tecnologia é o engenheiro de
graduação Joseph Agnew, que tem concentrado seus esforços em uma
implementação teórica conhecida como Alcubierre Warp Drive.
Segundo a teoria, esse mecanismo de dobra espacial no mundo real
funcionaria esticando o tecido do espaço-tempo em uma onda, contraindo o
espaço na frente da nave e expandindo o espaço por trás.
Uma espaçonave que monta essa onda poderia efetivamente montar a
‘bolha de dobra’ e atingir velocidades muito superiores à velocidade da
luz. Como a nave não estaria realmente se movendo no espaço-tempo (mas
na verdade estaria movendo o próprio espaço-tempo), não estaria sujeita
aos efeitos negativos de viajar em velocidades relativísticas.
Agnew disse ao Universe Today:
Nos últimos 5 a 10 anos, houve um
excelente progresso ao longo das linhas de previsão dos efeitos
esperados do motor de dobra espacial, determinando como alguém poderia
trazê-lo à existência, reforçando suposições e conceitos fundamentais e,
meu ponto de vista pessoal, formas favoritas de testar a teoria em
laboratório.
A descoberta do LIGO*,
alguns anos atrás, foi, na minha opinião, um enorme avanço na ciência,
uma vez que provou experimentalmente que o espaço-tempo pode ‘deformar’ e
dobrar-se na presença de enormes campos gravitacionais, e isso é
propagado por todo o universo de uma maneira que possamos medir.
Agora
que sabemos que o efeito é real, e a próxima pergunta, na minha
opinião, é: “como o estudamos e podemos gerá-lo no laboratório?”
* Sigla em inglês para Observatório de Ondas Gravitacionais com Interferômetro a Laser
Como as coisas estão, o maior obstáculo a ser superado é gerar
energia suficiente para fazê-lo funcionar. Eventualmente, porém, à
medida que a tecnologia melhora, não está fora do campo de possibilidade
que, no futuro, o Alcubierre Warp Drive possa realmente se tornar uma maneira muito eficaz de viajarmos para as estrelas.
Usando técnicas de ponta, os cientistas afirmam ter
encontrado uma proteína extraterrestre embutida em um meteorito que caiu
na Terra há 30 anos. A nova descoberta pode ser uma pista para o
surgimento da vida em qualquer lugar do Sistema Solar.
Meteorito Acfet 086
Se seus resultados puderem ser replicados, será a primeira vez que uma proteína que não se originou na Terra é identificada.
Nos últimos anos, foi mostrado que os meteoritos do Sistema Solar
abrigam alguns dos elementos básicos da vida como a conhecemos. Cianeto,
que desempenha um papel construtivo nas moléculas necessárias para a
vida; ribose, um tipo de açúcar encontrado no RNA; e aminoácidos,
compostos orgânicos que se combinam para formar proteínas.
Os pesquisadores agora reanalisaram meteoritos contendo aminoácidos.
Liderados pelo físico Malcolm McGeoch e usando espectroscopia de massa
de última geração, eles descobriram o que acreditam ser proteína em um
meteoro chamado Acfer 086, que caiu na Argélia em 1990.
Acfet 086.
Embora não tenham sido descobertas criaturas extraterrestres, a
descoberta dessa proteína constitui outro bloco essencial para a vida no
espaço sideral. E embora existam muitos processos que podem produzir a
proteína, a vida, como a conhecemos, não poderia existir sem ela.
Explicou o astrônomo e químico Chenoa Tremblay, da CSIRO Astronomy
& Space Science na Austrália, que não participou da pesquisa:
Em geral, eles pegaram um
meteorito anteriormente analisado e preservado em um museu. Em seguida,
eles modificaram as técnicas para detectar aminoácidos dentro dele, com
uma taxa de sinal mais alta.
Como nada na Terra
Não apenas a equipe encontrou o aminoácido glicina com um sinal maior
que as análises anteriores, mas também descobriu que estava ela ligada a
outros elementos, como ferro e lítio.
Quando eles realizaram um modelo para ver o que estava acontecendo,
descobriu-se que a glicina não estava isolada, mas fazia parte de uma
molécula de proteína. Esta nova proteína foi nomeada por seus
descobridores como hemolitina. E, embora seja estruturalmente semelhante
às da Terra, sua proporção extremamente alta de deutério-hidrogênio
(D/H) não corresponde a nada que conhecemos neste planeta. É, sim,
consistente com cometas de longo período.
Isso sugere, argumentam os pesquisadores, que a estrutura
identificada como proteína é de origem extraterrestre e possivelmente
formada no disco protosolar há 4,6 bilhões de anos. Os detalhes da
descoberta foram publicados no arXiv para revisão por pares.
Um minúsculo animal marinho, chamado Hydractinia,
foi analisado ao pormenor por uma equipa de investigadores que descobriu
aquela que pode ser considerada uma habilidade muito rara desta
criatura.
Hydractynia consegue produzir ilimitadamente células germinativas,
que são a base da formação de óvulos e espermatozóides, ao longo da sua
vida. Segundo Andy Baxevanis, cientista do Instituto Nacional de
Pesquisa do Genoma Humano (NHGRI) e um dos autores do estudo, este não
era, contudo, o propósito da pesquisa.
Ainda assim, a descoberta pode ser muito útil para entender os processos subjacentes a alguns dos distúrbios mais complexos do sistema reprodutivo, mesmo em seres humanos.
Em termos de anatomia, este animal é muito diferente dos humanos. No entanto, o genoma da Hydractynia
contém um grande número de genes subjacentes a várias doenças que
afetam os seres humanos e essa característica faz com que esta minúscula
criatura seja um modelo muito útil para os cientistas.
Nos seres humanos, a perda ou a interrupção das funções das células
germinativas pode conduzir à esterilidade, ou seja, à incapacidade de se
reproduzir. Ao contrário deste animal, os humanos não são capazes de
reintegrar ou de recriar a base de células germinativas para “restaurar”
o seu normal funcionamento.
Desta forma, a equipa de cientistas decidiu sequenciar e estudar o genoma desta forma de vida e publicaram o artigo científico na Science no dia 14 de fevereiro.
“Ter este tipo de dados de sequenciamento do genoma em mãos
permitiu-nos restringir rapidamente a pesquisa dos genes específicos que
transmitem às células estaminais da Hydractynia a necessidade de estas se transformarem em células germinativas“, explicou Baxevanis, citado pelo Phys.org.
Os investigadores analisaram um gene específico – Tfap2 – que parece ser o responsável pela produção perpétua de células germinativas nas Hydractynias.
Durante as experiências, os cientistas retiraram este gene do corpo dos animais e observaram que a produção de células germinativas foi interrompida, o que demonstrou o papel essencial deste gene na reprodução.
O mesmo gene está na base da regulação da produção das células germinativas em seres humanos.
A ligação à natureza torna as crianças mais felizes e com
comportamentos mais sustentáveis e ecológicos, indica um estudo
divulgado esta quinta-feira na revista “Fronteiras em Psicologia”.
O estudo, liderado por Laura Berrera-Hernández, do Instituto
Tecnológico de Sonora, México, mostrou pela primeira vez que a ligação
com a natureza deixa as crianças mais felizes, pela tendência para comportamentos virados para a ecologia.
Com as alterações climáticas a levarem a um aumento da temperatura
média, destruição de habitats e extinção de espécies, investigadores
estão a trabalhar na promoção de comportamentos sustentáveis e no
desenvolvimento de cuidados ambientais nas crianças, os futuros
“guardiões” do planeta, noticiou a agência Lusa.
Os investigadores dizem que o afastamento da natureza, chamado de
“transtorno de défice de natureza”, pode contribuir para a destruição do
planeta, já que é improvável que a falta de ligação com o mundo natural
resulte no desejo de proteger esse mundo.
Berrera-Hernández explicou que a ligação com a natureza não é apenas
apreciar a beleza mas também entender a inter-relação entre o ser humano e a natureza.
O estudo juntou 296 crianças entre os nove e os 12 anos, de uma
cidade do noroeste do México. Todas as crianças se definiram em relação à
ligação com a natureza e a comportamentos sustentáveis, e responderam a
um questionário.
Os investigadores descobriram que, nas crianças, sentir-se ligado à
natureza tinha associações positivas com práticas sustentáveis, e também
levou as crianças a falar de níveis mais altos de felicidade.
Investigações anteriores com adultos também sugeriram uma relação entre a ligação com a natureza e o desenvolvimento de comportamentos pró-ambientais e a felicidade derivada desses comportamentos.
Apesar das limitações do estudo, que testou crianças da mesma cidade,
os resultados dão informações sobre o poder da psicologia positiva de
sustentabilidade em crianças.
As alterações climáticas “ameaçam o mar profundo do Atlântico
Norte” e os seus ecossistemas e no futuro o habitat disponível para os
peixes e os corais de profundidade ficará “reduzidos
significativamente”, alerta um estudo científico.
“As nossas projeções indicam que no futuro o habitat disponível quer
para os peixes, quer para os corais de profundidade serão reduzidos
significativamente essencialmente na parte sul do Atlântico Norte, onde a
região dos Açores está incluída”, afirmou hoje o investigador Telmo
Morato, em entrevista à agência Lusa.
Telmo Morato é investigador do Instituto do Mar (IMAR) e do centro
OKEANOS da Universidade dos Açores que está vocacionado para o estudo
dos recursos vivos marinhos no arquipélago açoriano. A equipa do Okeanos
“lidera o trabalho científico que projeta os impactos das alterações climáticas no habitat disponível para corais de águas frias e peixes de profundidade com interesse comercial”, segundo explicou.
O trabalho, publicado na revista científica internacional Global Change Biology,
desenvolveu-se no âmbito dos projetos de financiamento europeu ATLAS e
SponGES, cujo objetivo é melhorar o conhecimento dos ecossistemas do mar
profundo do Atlântico Norte e apoiar o desenvolvimento de políticas de
gestão para o uso sustentável dos oceanos.
“Lideramos este trabalho que é composto por 58 investigadores de toda a Europa, incluindo
da América do Norte, dos EUA e do Canadá, onde avaliamos quais estão a
ser e quais serão, os impactos das alterações climáticas no mar
profundo, nomeadamente naquelas espécies que constroem um habitat, como
por exemplo, os corais de profundidade, mas também nas espécies de
peixe, em algumas com interesse comercial”.
Segundo o trabalho científico, “as tendências atuais das mudanças
climáticas poderão colocar em risco mais de 50% do habitat de corais de
águas frias do Atlântico Norte, enquanto o habitat disponível para
peixes de profundidade com interesse comercial poderá mudar até 1000 km
para norte. Estas projeções podem afetar significativamente o setor
pesqueiro e as comunidades que dependem dessas espécies”.
“Diminuição significativa do habitat”
As projeções apontam para “uma diminuição significativa do habitat
disponível para corais de águas frias e uma acentuada deslocação do
habitat de peixes de profundidade para norte”. A região dos Açores está
incluída no estudo “e grande parte das projeções que são feitas para o
Atlântico Norte aplicam-se também ao arquipélago, nomeadamente esta
migração para norte das espécies de peixe e a redução do habitat
disponível para muitas espécies de corais”, referiu ainda o
investigador.
“Não quer com isso dizer que se vá perder todo o peixe de interesse comercial nos Açores. O estudo alerta é que ao haver um aumento da temperatura do oceano
no mar profundo e do ph, as espécies de corais e de peixes terão
tendência de procurar zonas onde o habitat lhes é favorável”, sublinhou o
investigador.
Do ponto de vista dos corais, o estudo projeta “uma redução do
habitat disponível para estas espécies” devido às alterações climáticas.
“A pesca também tem um impacto grande, mas caso não sejam tomadas
medidas para a redução da pegada ecológica, nomeadamente para as
emissões de dióxido de carbono para a atmosfera, os oceanos, em geral, e
o mar profundo, em particular, serão altamente afetados. E, a verdade é
que as alterações climáticas são a maior ameaça para o mar profundo e
para as espécies que lá habitam”, alertou o investigador.
A explosão de Tunguska foi devastadora. Crédito de imagem: PD – Leonid Kulik
Poucos desastres naturais no século XX geraram tanta discussão e
debate quanto a enorme explosão que ocorreu em Tunguska, na Sibéria, há
112 anos – um evento tão destrutivo que conseguiu achatar mais de 80
milhões de árvores em uma área de 2.000 quilômetros quadrados.
Felizmente, o desastre aconteceu em uma região escassamente povoada
e, além de um pastor de cervos que foi supostamente morto pela força da
explosão, não houve outras vítimas relatadas.
No entanto, exatamente o que foi responsável pela explosão permaneceu
por muito tempo um tópico de acalorado debate, com alguns rejeitando a
teoria convencional de que tenha sido um meteoro em favor de outras
explicações, como erupção vulcânica, impacto de cometas ou mesmo
intervenção extraterrestre.
Agora, numa tentativa renovada de solucionar o mistério, os
cientistas russos estão vasculhando o remoto lago Zapovednoye, na
Sibéria, em busca de ‘matéria cósmica’ que ajudaria a provar que um
meteoro estava envolvido.
O biólogo Dr. Arthur Meidus, vice-diretor de uma reserva natural próxima, disse:
O mistério da catástrofe de
Tunguska preocupa tanto os pesquisadores quanto o público. Descobrimos
uma camada distinta de cor clara nos sedimentos do lago Zapovednoye.
O próximo passo será analisar o material quanto a sinais de micropartículas relacionadas à explosão.
Meidus ainda disse:
O meteorito não está aqui como um
corpo físico, mas os traços da explosão extremamente poderosa estão, que
é o que atualmente é estudado pelos pesquisadores. ‘Muitos de nós ainda
esperamos desvendar o cenário do desastre de 1908.
A descoberta foi feita vasculhando os dados coletados pelo telescópio
espacial Kepler da NASA, lançado em 2009 e aposentado em outubro de
2018.
De acordo com os pesquisadores, uma dos quais foi Michelle Kunimoto,
da Universidade de Na Colúmbia Britânica, no Canadá, o satélite Kepler,
durante sua missão original de quatro anos, procurou por planetas,
especialmente aqueles que se encontram na potencialmente habitável “Zona de Cachinhos Dourados” de suas estrelas, onde a água líquida poderia existir na superfície de um planeta rochoso.
As descobertas atuais, publicadas no The Astronomical Journal,
incluem um planeta raro chamado KIC-7340288 b. Os pesquisadores
disseram que este planeta tem apenas uma vez e meia o tamanho da Terra –
pequeno o suficiente para ser considerado rochoso, em vez de gasoso
como os planetas gigantes do Sistema Solar, e ele está na zona habitável
de sua estrela.
Kunimoto disse:
Este planeta está a cerca de mil anos-luz de distância, então não chegaremos lá tão cedo!
Mas
essa é uma descoberta realmente empolgante, pois são apenas 15 planetas
confirmados na zona habitável encontrados nos dados do Kepler até
agora.
O estudo observou que o planeta tem um ano de 142 dias e meio,
orbitando sua estrela em 0,444 Unidades Astronômicas (AU, a distância
entre a Terra e o Sol) – um pouco maior que a órbita de Mercúrio em
nosso Sistema Solar. O planeta recebe cerca de um terço da luz que a
Terra recebe do Sol, observaram os cientistas.
Dos outros 16 novos planetas descobertos, disseram os pesquisadores, o
menor é apenas dois terços do tamanho da Terra – um dos menores
planetas encontrados com o Kepler até agora. Os demais planetas,
disseram, variam em tamanho até oito vezes o tamanho da Terra.
No presente estudo, Kunimoto usou o que é conhecido como ‘método de trânsito’ para procurar os planetas.
Ela explicou:
Toda vez que um planeta passa na
frente de uma estrela, ele bloqueia uma parte da luz da estrela e causa
uma diminuição temporária no brilho da estrela. Ao encontrar esses
mergulhos de luminosidade, conhecidos como trânsitos, você pode começar a
reunir informações sobre o planeta, como seu tamanho e quanto tempo
leva para orbitar.
Além dos novos planetas, os pesquisadores também foram capazes de
observar milhares de planetas Kepler conhecidos usando o método de
trânsito, que, segundo eles, serão usados para reanalisar o censo do
exoplaneta como um todo.
Como muitos físicos Michio Kaku acha que nosso universo terminará com um
"grande congelamento". No entanto, ao contrário de muitos físicos, ele
pensa que podemos evitar esse destino passando para um universo
paralelo. “
Uma das descobertas mais fascinantes do nosso novo século pode ser
iminente se o grande HLC de Genebra puder produzir um nano-buraco negro.
De acordo com os melhores especialistas em física, esses nanotubos não
podiam ser produzidos com os níveis de energia que o LHC pode gerar, mas
só poderiam ser criados se um universo paralelo fornecer informações
gravitacionais extras.
Versões da teoria do Multi-Universo sugerem que há pelo menos um outro
universo muito próximo do nosso, talvez apenas a um milímetro de
distância de nós, mas devemos violá-lo. "O multiverso não é mais um
modelo,é uma consequência de nossos modelos", diz Aurelien Barrau,
físico de partículas do CERN.
"A ideia de múltiplos universos merece ser levada a sério", disse
Aurelien Barrau. Existem várias teorias concorrentes baseadas na ideia
de universos paralelos, mas a ideia mais básica é que se o universo é
infinito tudo o que poderia acontecer aconteceu, está acontecendo ou
acontecerá.
O vídeo que apresento abaixo (no final do artigo) é de 2011, um pouco
mais antigo, mas não menos interessante para isso. O vídeo foi publicado
no canal do YouTube Big Think para o cientista nipo-americano Michio
Kaku, que declara que a única possibilidade de uma humanidade de futuro
distante sobreviver é escapar literalmente em um universo paralelo.
Segundo o cientista, a energia necessária para alcançar um universo
paralelo poderia ser obtida através da chamada "energia de Planck".
Acredita-se de fato que nosso Universo terá um final desagradável: a
tese segundo a qual o Universo se expandirá cada vez mais até chegar a
um ponto em que mesmo as mesmas moléculas serão literalmente
descompactadas é a atualmente dominante (chamado grande congelamento
praticamente substituiu a teoria anterior, que previa a recompactação,
através da própria força da gravidade, de todo o Universo até novamente
atingir um ponto único de densidade infinita, como aconteceu no momento
do Big Bang).
Chegaremos a um universo no qual até os mesmos buracos negros irão
evaporar e no qual como praticamente não existem mais eventos (mesmo as
partículas fundamentais não poderão mais interagir porque estão
desconectadas e espaçadas), até o próprio tempo deixará de existir.
Falamos é claro de um futuro distante, provavelmente trilhões de anos
mas o Dr. Kaku achou bom explicar em alguns minutos como superar nossa
dimensão para alcançar um Universo paralelo, uma solução vista pelo
cientista como a única maneira possível de transmitir o conceito de
humanidade ao infinito ao longo do tempo.
Foto do veículo ‘Yutu-2’ tirada do módulo de aterrissagem da missão ‘Chang’E-4’. GRAS
Um robozinho chinês revela nesta quinta-feira, graças a um radar que lhe permite explorar o subsolo lunar,
do que é feito o interior do lado oculta da Lua. O nível de
detalhamento não tem precedentes, permitindo reconstruir o passado do
nosso satélite e localizar os escombros do impacto de um asteroide
ocorrido há 3,2 bilhões de anos, quando a vida na Terra mal começava a surgir.
Em 3 de janeiro de 2019, a China se tornou o primeiro país a aterrissar com sucesso no lado não visível da Lua,
um território repleto de crateras, até agora inexplorado devido à
impossibilidade de manter uma comunicação direta com a Terra.
A nave Chang’e 4 pousou
na cratera Aitken, que, com 2.500 quilômetros de diâmetro, é uma das
maiores marcas de impacto cósmico no Sistema Solar. Das vísceras do
módulo de aterrissagem saiu o robô Yutu-2,
que percorreu uma pequena parte desta enorme cratera, dentro da qual há
muitas outras – a missão está dentro da Von Kármán, com 180 quilômetros
de diâmetro – e encontrou restos de um antigo oceano de lava que cobria
todo o satélite.
A Lua se formou há 4,5 bilhões de anos, quando um planeta do tamanho de Marte, batizado de Theia, se chocou com a Terra e a desintegrou durante algumas horas.
Um fragmento da Terra se fundiu com os restos de Theia e formou a Lua,
que durante um tempo esteve coberta por esse oceano de rocha fundida, do
qual o Yutu encontrou indícios no ano passado.
Agora saem à luz os dados do radar de alta frequência que o veículo
carrega e que está sendo usado pela primeira vez para desvendar a
composição detalhada do subsolo desta zona.
“É a primeira vez que obtemos uma estrutura detalhada dos diferentes
estratos do terreno na face oculta da Lua”, diz Yan Su, pesquisadora dos
Observatórios Nacionais da China e coautora do estudo, publicado nesta quinta na Science Advances.
A cientista ressalta que estudos desse tipo ajudam a conhecer melhor a
história dos impactos de meteoritos e do vulcanismo na Lua e podem
revelar reservas de minerais com interesse prático, como a ilmenita, “um
recurso importante” do qual é possível extrair ferro, titânio e
oxigênio para abastecer uma eventual exploração humana da Lua.
Um dia na Lua dura 14 dias terrestres. Durante as outras duas
semanas, quando é noite, a temperatura cai a 170 graus abaixo de zero,
por isso o veículo explorador, que funciona com painéis solares, deixa
de operar. Os dados publicados nesta quinta correspondem aos dois
primeiros dias lunares da missão – ela já está no 15º–, durante os quais
suas antenas lançaram contra o solo ondas de rádio que penetraram no
terreno, ricochetearam nos acidentes geográficos e revelaram sua
composição detalhada.
“Um dos resultados mais destacados é a transparência do terreno”,
ressalta Elena Pettinelli, geofísica da Universidade Roma 3, cuja equipe
colaborou na análise dos dados da missão. “Na Terra, com uma frequência
similar [500 megahertz], só poderíamos penetrar dois metros, devido à presença de água, que atenua o sinal”, diz a pesquisadora.
O radar mostra que o subsolo da face oculta da Lua é feito de uma
primeira camada de terreno muito fino que chega até os 12 metros de
profundidade. São velhas rochas, literalmente amassadas pela chuva de
meteoritos e pelo efeito da radiação solar.
Essa composição facilitou que as ondas do radar penetrassem muito mais
fundo do que no lado visível, onde outro robô chinês fez o mesmo
experimento alcançando uma profundidade de apenas 10 metros. Sob essa
primeira capa há um segundo nível que vai até os 24 metros, e onde
aparecem grandes rochas de meio metro e dois metros de comprimento. Mais
abaixo, e até onde puderam chegar as ondas do radar – 40 metros – há um
terreno mais misturado com camadas de terra fina e rochas.
Os pesquisadores acreditam que a segunda camada revela os escombros
levantados há 3,2 bilhões de anos pelo meteorito que formou a cratera
Finsen, de 72 quilômetros de diâmetro e cuja borda se toca com a Von
Kármán, onde está o robô chinês. No terceiro nível se encontram restos
de impactos mais antigos. A própria cratera Von Kármán se formou há 3,6
bilhões de anos.
Os resultados da missão representam um dos maiores feitos já obtidos
pelo programa espacial chinês. Nenhum outro país viajou com sucesso
àquele lado do satélite e conseguiu manter uma missão durante tanto
tempo. Para que a comunicação fosse efetiva, foi necessário lançar um
satélite de retransmissão que orbita a Lua e envia os dados da missão à
Terra. “Esta é uma tecnologia que outras nações querem desenvolver, e
eles foram os primeiros a conseguirem”, destaca Bob Grimm, especialista
em geologia lunar do Instituto de Pesquisas do Sudoeste dos EUA. “Os
resultados obtidos na face visível e agora na oculta demonstram que a
penetração do radar depende em parte da abundância de ferro e titânio no
subsolo”, acrescenta.
“É a primeira vez na história que se estuda o interior da Lua com um
radar de penetração de solo”, explica Jorge Pla-García, astrofísico do
Centro da Astrobiologia de Madri. “Antes só eram feitas medições remotas
por satélites, uma com a Apollo 17 [1972] e outra com a Kaguya [Japão,
2007], ambas com menor resolução. Um dos descobrimentos interessantes é
que se pensava que a Von Kármán estava cheia dos restos do impacto que
formou essa cratera, mas agora vemos que quase tudo se encheu com restos
de outros impactos”, ressalta.
Neste ponto, os cientistas da missão reconhecem um contratempo. Para
penetrar mais e determinar a qual profundidade está o manto lunar nesta
zona, seria preciso usar um radar de baixa frequência, capaz de alcançar
centenas de metros sob o solo. Infelizmente, seu projeto não foi o
ideal, já que o próprio corpo metálico do veículo gera interferências
que, por enquanto, não permitem esclarecer se as imagens que chegam do
subsolo são reais ou simples ruído. Os responsáveis esperam poder limpar
as medições para saber o que se esconde a centenas de metros sob a face
oculta do satélite.
A China já planeja uma quinta missão robótica para extrair rochas e
enviá-las à Terra, e também pretende mandar um robô de exploração a
Marte neste ano, coincidindo com missões similares dos EUA e Europa. Todas levam radares para fazer o mesmo tipo de estudo que o Yutu-2 realizou na Lua.
Uma equipa de investigadores da
Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos,
crê ter encontrado o elemento que identifica e prova se uma amizade é
realmente verdadeira: as gargalhadas.
A
pesquisa, levada a cabo pelo especialista em comunicação Greg Bryant,
publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, e
divulgada pela revista Galileu, ressalta que não interessa o local do
mundo, se alguém ouve duas pessoas a rir juntas, assume que são amigas, e
esta inferência ocorre sobretudo se forem do sexo feminino.
Para efeitos daquela pesquisa, os cientistas da UCLA gravaram 48 áudios de alunos que frequentavam a Universidade da Califórnia em Santa Cruz, nos EUA, a rir. Sendo que alguns desses estudantes universitários eram amigos, enquanto outros não.
Na segunda fase da experiência, os cientistas colocaram os áudios
a tocar para serem escutados por 966 pessoas de diferentes países.
Segundo os dados apurados, em 61% dos casos os voluntários foram capazes
de identificar com sucesso quais os áudios
registavam as gargalhadas de amigos, valor que subiu para uns
impressionantes 80% quando esses risos pertenciam a duas mulheres.
Bryant
e os outros investigadores sugerem que as experiências realizadas
mostram que as gargalhadas entre amigos são regra geral mais espontâneas, de modo que mesmo pessoas de diferentes partes do planeta conseguem identificar essas relações íntimas.
As risadas em questão incluíam irregularidades no som e frequência, o resultado de entusiasmo natural e autêntico.
De
acordo com os cientistas a forma como os seres humanos se expressam
através do riso poderá ter desempenhado um papel essencial no modo como
aprendemos enquanto espécie a cooperar uns com os outros. "Em espécies
altamente cooperativas como as nossas é importante para indivíduos
identificarem alianças sociais corretamente", explicou Bryant. "Se o riso ajuda as pessoas a alcançar esse objetivo, é possível que tenha tido um papel no desenvolvimento da comunicação social, e na sua relação com interações cooperativas”.