sexta-feira, 30 de julho de 2021

Pela primeira vez, foi observada luz por detrás de um buraco negro !

Um estudo divulgado esta quarta-feira revelou a primeira observação direta da luz por detrás de um buraco negro, através da deteção de pequenos sinais luminosos de raios-X, confirmando a Teoria da Relatividade Geral, de Einstein.


Segundo o estudo, publicado na revista científica Nature, a deteção da luz foi possível porque o buraco negro deforma o espaço, dobrando a luz e torcendo os campos magnéticos em seu redor.

Um buraco negro é um corpo do Universo tão denso que a luz que nele entra não pode sair.

Durante a observação de raios-X lançados para o Universo por um buraco negro supermassivo situado no centro de uma galáxia a 800 milhões de anos-luz da Terra, o astrofísico Dan Wilkins, da Universidade de Standford, nos Estados Unidos, identificou um padrão intrigante: sinais luminosos de raios-X que eram mais pequenos e tardios.

De acordo com a teoria, estes ecos luminosos eram consistentes com os raios-X refletidos atrás do buraco negro, apesar de a localização ser estranha para a luz surgir.

“Toda a luz que entra neste buraco negro não sai, pelo que não deveríamos conseguir ver nada do que está por detrás do buraco negro”, afirmou Wilkins, citado pelo site EurekAlert!.

Contudo, a luz surge por detrás do buraco negro porque este está a deformar o espaço, dobrando a luz e torcendo os campos magnéticos à sua volta, explicou o coordenador do estudo.

O buraco negro em causa tem 10 milhões de vezes a massa do Sol e está no centro de uma galáxia espiral chamada I Zwicky 1.

A observação direta da luz por detrás de um buraco negro corresponde às previsões feitas na Teoria da Relatividade Geral, publicada pelo físico Albert Einstein em 1915, de como a gravidade dobra a luz em torno dos buracos negros, refere, em comunicado, a Agência Espacial Europeia (ESA), da qual foi usado o telescópio XMM Newton para o estudo.

“Há 50 anos, quando os astrofísicos começaram a especular sobre como o campo magnético poderia comportar-se perto de um buraco negro, nem faziam ideia de que, um dia, iríamos ter as técnicas necessárias para observar isso diretamente e ver a Teoria da Relatividade Geral de Einstein em ação”, disse ainda Roger Blandford, co-autor do estudo científico, que também é professor de Física em Stanford.

O ponto de partida do trabalho da equipa foi querer saber mais sobre uma misteriosa característica de certos buracos negros, que se chama coroa.

O material que cai num buraco negro supermassivo alimenta as fontes de luz contínuas mais brilhantes do Universo e, ao fazê-lo, forma uma coroa, que começa com o gás que desliza para o buraco negro, onde é sobreaquecido até que os eletrões se separam dos átomos, criando um plasma magnetizado.

Segundo o mesmo site, a missão de caracterizar e compreender as coroas continua e vai exigir mais observações, sendo que parte desse futuro será o observatório de raios-X da ESA, chamado Athena (Advanced Telescope for High-ENergy Astrophysics). Wilkins está a ajudar a desenvolver parte do detetor “Wide Field Imager” do projeto.

“Tem um espelho muito maior do que jamais tivemos num telescópio de raios-X e irá permitir obter imagens de maior resolução em tempos de observação muito mais curtos. A imagem que estamos a começar a obter a partir dos dados neste momento ficará muito mais clara com estes novos observatórios”, disse.

https://zap.aeiou.pt/observada-luz-detras-buraco-negro-421202

 

O asteróide que dizimou os dinossauros veio de um lugar inesperado !

O asteróide que extinguiu os dinossauros provavelmente veio da metade externa do cinturão de asteróides principal, uma região que se pensava produzir poucos asteróides. 


Investigadores do Southwest Research Institute, no Texas, Estados Unidos, mostraram que os processos que enviam grandes asteróides desta região para a Terra ocorrem, pelo menos, dez vezes mais do que se pensava anteriormente.

Além disso, os cientistas explicam que a composição desses corpos corresponde ao que sabemos sobre o asteróide que dizimou os dinossauros.

A equipa de investigadores combinou modelos de computador da evolução de asteróides com observações de asteróides conhecidos para investigar a frequência dos chamados eventos de Chicxulub.

A cratera Chicxulub é uma antiga cratera de impacto situada na Península do Iucatã, no México. A cratera tem mais de 180 quilómetros de diâmetro, tornando-a uma das maiores estruturas de impacto conhecidas no mundo. O meteoro que formou a cratera tinha pelo menos 10 quilómetros de diâmetro.

“Duas questões críticas ainda sem resposta são: ‘Qual foi a fonte do asteróide?’ e ‘Com que frequência esses eventos de impacto ocorreram na Terra no passado?'”, explica o coautor William Bottke em comunicado.

Para sondar o impacto de Chicxulub, os geólogos examinaram previamente amostras de rochas de 66 milhões de anos. Os resultados indicam que o asteróide era semelhante à classe de meteoritos condritos carbonáceos, alguns dos materiais mais primitivos do Sistema Solar.

“Decidimos procurar onde é que os irmãos do asteróide Chicxulub podem estar escondidos”, disse David Nesvorný, autor principal do artigo científico publicado recentemente na revista Icarus.

“Para explicar a sua ausência, vários grupos anteriores simularam grandes ruturas de asteróides e cometas no Sistema Solar interno, observando surtos de impactos na Terra, com o maior deles a produzir a cratera Chicxulub”, disse William Bottke, um dos coautores do artigo, citado pela Europa Press.

“Embora muitos desses modelos tenham propriedades interessantes, nenhum forneceu uma correspondência satisfatória com o que sabemos sobre asteróides e cometas. Parecia que ainda estava a faltar algo importante”.

Para surpresa da equipa de investigadores, descobriram que asteroides de dez quilómetros de largura, localizados na metade externa do cinturão de asteróides, atingem a Terra, pelo menos, dez vezes mais do que o calculado anteriormente.

Assim, asteróides como o que dizimou os dinossauros atingem a Terra, em média, uma vez a cada 250 milhões de anos.

“Este resultado é intrigante não apenas porque a metade externa do cinturão de asteróides abriga um grande número de asteróides de condritos carbonosos, mas também porque as simulações da equipa podem, pela primeira vez, reproduzir as órbitas de grandes asteróides prestes a aproximar-se da Terra”, disse a coautora Simone Marchi.

https://zap.aeiou.pt/asteroide-dinossauros-lugar-inesperado-420792

 

Há três anos, uma tempestade de poeira em Marte desencadeou a primavera no polo sul !

Em 2018, Marte foi palco de uma fortíssima tempestade de areia que destruiu um vórtice de ar frio em torno do polo sul do planeta, desencadeando uma primavera precoce. Já no hemisfério norte, a tempestade só causou pequenas distorções no vórtice polar e não houve qualquer registo de mudança sazonal. 

Durante duas semanas, no início do mês de junho de 2018, poderosas tempestades de poeira formaram uma espécie de manta que cobriu toda a superfície do Planeta Vermelho. A tempestade, que coincidiu com o equinócio de Marte e durou até meados de setembro, acabou por ser fatal para a sonda Opportunity da NASA, movida a energia solar.

Recentemente, uma equipa de cientistas da The Open University, da NASA e da Russian Academy of Sciences analisou os efeitos do evento na atmosfera marciana.

“Foi a oportunidade perfeita para investigar como é que as tempestades de poeira globais impactam a atmosfera nos polos marcianos, rodeados por poderosos jatos de vento no inverno”, explicou Paul Streeter, citado pelo EurekAlert.

A equipa constatou que a tempestade de 2018 teve efeitos muito distintos em cada hemisfério.

No polo sul, onde o vórtice foi quase destruído, as temperaturas aumentaram e a velocidade do vento diminuiu drasticamente. Embora o vórtice possa já ter começado a decair devido ao início da primavera, a tempestade de poeira parece ter tido um efeito decisivo em terminar o inverno mais cedo.

Já o vórtice polar do norte permaneceu estável e o início do outono seguiu o seu padrão habitual. Ainda assim, o vórtice, normalmente elíptico, tornou-se mais simétrico com a tempestade.

As tempestades globais de poeira no equinócio – quando os dois hemisférios recebem a “mesma” quantidade de luz solar – podem migrar com mais facilidade para o sul, devido à redução do vórtice, enquanto os ventos do polo norte se mantêm firmes, como uma barreira.

A equipa apresentou as suas descobertas no dia 23 de julho na National Astronomy Conference (NAM 2021), que decorreu em formato online.

https://zap.aeiou.pt/ha-tres-anos-uma-tempestade-de-poeira-em-marte-desencadeou-a-primavera-no-polo-sul-420159

 

Novo método permite eliminar a bioincrustação marinha eficazmente !

Um projeto inovador demonstrou como os revestimentos de superfície eletricamente carregados podem eliminar a bioincrustação marinha ou o crescimento de organismos marinhos, melhorando a operação e manutenção de embarcações navais.

A bioincrustação marinha é um fenómeno que causa graves problemas e enormes prejuízos às indústrias do setor marítimo em todo o mundo pelo que, desde tempos ancestrais, têm sido utilizadas tintas anti-incrustantes para combater este processo.

No entanto, estas apresentam uma elevada toxicidade para o ambiente marinho pelo que o seu uso, na maioria dos casos, foi expressamente proibido.

Agora, uma pesquisa tem como objetivo desenvolver aplicações práticas que possam acabar com o flagelo da bioincrustação marinha de uma forma mais ecológica.

Mats Andersson, professor do Flinders Institute for Nanoscale Science & Technology, referiu que as últimas inspeções das amostras mostraram que a pesquisa estava a ter um desempenho excecionalmente bom.

De acordo com o investigador, os testes mostram que “a incrustação pode ser reduzida significativamente e, em alguns casos, completamente eliminada nas superfícies que são revestidas com uma tinta condutora e sujeitas a stresse eletroquímico”.

“Estamos surpreendidos por funcionar tão bem. Pelo que sabemos, não há muita pesquisa a ser feita e embora a nossa experiência seja específica para o Rio do Porto, em Adelaide, pode ser aplicada a qualquer superfície que esteja submersa no oceano”, realça.

As mais recentes experiências anti-incrustantes testaram uma variedade de materiais, revestimentos e ciclos elétricos, comparando-os com amostras sem tensão elétrica.

A ASC, que mantém e atualiza a frota de submarinos da Classe Collins da Austrália, está a apoiar a pesquisa inovadora ao fornecer consultoria, laboratório e instalações para submergir as amostras.

O principal engenheiro de desenvolvimento de materiais da ASC, Mikael Johansson, disse que a bioincrustação marinha tem causado obstruções em áreas-chave do casco dos navios que eram demoradas e caras para limpar.

Isto porque os “navios de guerra e os submarinos usam água do mar nos sistemas de resfriamento de propulsão e sistemas de armas – até mesmo no ar-condicionado. Garantir que as válvulas de entrada, que permitem a entrada da água, não fiquem obstruídas com vida marinha, é uma prioridade”, referiu Johansson .

“Esta pesquisa pode levar à proteção de várias partes dos cascos de submarinos da Classe Collins, levando a menos interrupções nas operações navais e menos manutenção”, acrescentou ainda.

Segundo o Phys, estima-se que a eliminação da bioincrustação marinha custe milhões para as companhias de navegação e marinhas em todo o mundo a cada ano.

https://zap.aeiou.pt/novo-metodo-bioincrustacao-marinha-420238

 

Treino de força reduz a ansiedade em jovens adultos

De acordo com um estudo recente, o treino de força pode ajudar o reduzir os níveis de ansiedade subclínica.


A investigação sobre ansiedade e depressão tende a centrar-se em indivíduos com sintomas de nível clínico — o que faz sentido, uma vez que existe indiscutivelmente uma maior urgência em encontrar soluções viáveis para estas populações.

No entanto, indivíduos mentalmente saudáveis também sentem ansiedade de vez em quando ou podem debater-se com níveis persistentes de ansiedade subclínica e leve.

Esses níveis subclínicos, por definição, precedem sempre os níveis clínicos, por isso, mantê-los baixos na população em geral é outra forma de garantir que os indivíduos se mantêm saudáveis, escreve o PsyPost.

Tendo em conta este raciocínio, uma equipa de cientistas decidiu investigar a relação entre o treino de força e os sintomas de ansiedade subclínica entre os jovens adultos. O estudo foi publicado na Scientific Reports.

Embora a musculação tenha demonstrado melhorar os sintomas de ansiedade em indivíduos com um distúrbio de ansiedade diagnosticado, o mesmo ainda não foi amplamente estudado em populações saudáveis.

Além disso, a maioria das investigações emprega metodologias que limitam a sua transferibilidade para estudos não laboratoriais. Os autores escolheram assim um programa de treino de força “ecologicamente válido”, que poderia ser realizado tão bem em casa, num ginásio ou num laboratório.

Cada um dos participantes completou um conjunto de questionários online, incluindo o Questionário de Diagnóstico Psiquiátrico de Rastreio-GAD (perturbação geral de ansiedade) e o Questionário de Preocupação Penn State de 16 perguntas.

Os resultados da prática de exercício mostraram que os sintomas de ansiedade — medidos antes da intervenção, na primeira semana, na quarta semana e após a intervenção — foram significativamente reduzidos.

Comparativamente com o grupo de controlo, no qual houve pouca alteração dos sintomas, as maiores diferenças ocorreram entre a linha de base e a primeira semana e entre a quarta semana e a pós-intervenção, com poucas alterações entre a primeira e a quarta semana.

Será necessária investigação adicional para compreender exatamente porquê e como é que o treino de força melhora os sintomas de ansiedade em populações saudáveis. mas os autores citam os aspetos sociais da prática de exercício, a expectativa de melhoria da saúde mental e os sentimentos de domínio (como a realização de objetivos).

As conclusões são particularmente importantes para o grupo etário alvo de 18 a 40 anos, que os autores selecionaram com base na idade média de início dos sintomas de ansiedade clínica — cerca de 30 anos. A redução dos níveis de ansiedade pré-clínica pode, de facto, impedir a sua evolução para uma desordem clínica, embora seja necessária mais investigação para confirmar esta hipótese.

https://zap.aeiou.pt/treino-forca-reduz-ansiedade-420535

 

Cientistas estão a desvendar os mistérios da origem da fotossíntese !

Um novo estudo planeia desvendar os mistérios da origem da fotossíntese. Embora seja um processo pré-histórico, ainda pouco se sabe sobre as suas origens.


Fotossíntese é um processo pelo qual ocorre a conversão da energia solar em energia química para realização da síntese de compostos orgânicos, como plantas ou algas.

Há dois tipos de fotossíntese: oxigénica e anoxigénica, ou produtora e não produtora de oxigénio. Para entender a origem da fotossíntese, os cientistas devem primeiro fazer a distinção entre esses dois tipos. Ambos os processos são antigos, tendo talvez até dois mil milhões de anos.

Um novo estudo do Imperial College London visa desvendar os mistérios que cercam as origens da fotossíntese.

Segundo o Tech Explorist, os cientistas estão a tentar usar culturas de cianobactérias multigeracionais de longa data para revelar a origem da fotossíntese. Os autores vão cultivar as suas próprias cianobactérias para determinar a velocidade da sua evolução.

“É assim que ganhamos uma compreensão mais conclusiva das origens da fotossíntese, usando dados validados experimentalmente”, sublinhou Tanai Cardona, líder do Laboratório de Evolução Molecular do Imperial College London, em comunicado.

Os cientistas vão deixar as cianobactérias crescer e evoluir ao longo do tempo, usando depois técnicas de sequenciamento de genoma para rastrear as mudanças no genoma em intervalos regulares. Isto vai ajudar a determinar quão rápido os diferentes tipos de cianobactérias evoluem.

Além disso, os cientistas vão medir a taxa de mudança do genoma. Isto permite que eles determinem as diferenças na mudança evolutiva em diferentes estirpes ou espécies de cianobactérias.

“Diferentes grupos de cianobactérias surgiram em diferentes pontos no tempo ao longo de mil milhões de anos, e alguns podem ter mais semelhanças com os seus ancestrais primordiais. Nunca é correto considerar qualquer espécie existente como mais “primitiva” do que outra, já que todas as espécies surgiram do mesmo ancestral”, começou por dizer Cardona.

“No entanto, algumas dessas espécies de cianobactérias retêm características que são consideradas bastante antigas e que podem elucidar sobre como é que essas espécies evoluíram em primeiro lugar”, acrescentou.

https://zap.aeiou.pt/desvendar-misterios-origem-fotossintese-420776

 

Descoberta incomum feita na antiga capital asteca terá de ser novamente enterrada !

Uma equipa de arqueólogos mexicanos anunciou que iria reconstruir um monumento arqueológico incomum encontrado nos arredores da Cidade do México. Porém, este processo terá de ser adiado.

Trata-se de um túnel construído há vários séculos como parte do Albarradón de Ecatepec: um sistema de controlo de cheias e vias navegáveis construído para proteger a cidade histórica de Tenochtitlan da subida das águas.

Tenochtitlan, conhecida como a capital do Império Asteca, apresentava vários sistemas para evitar inundações por chuvas torrenciais, diz o Science Alert.

O pequeno túnel-portão descoberto mede apenas 8,4 metros de comprimento, representando apenas uma pequena parte do colossal monumento Albarradón de Ecatepec, que no total se estendia por 4 quilómetros, e que foi construído por milhares de trabalhadores indígenas.

Embora pequeno, este túnel é uma descoberta importante – e incomum -, já que os arqueólogos encontraram ainda vários glifos pré-hispânicos desenhados na estrutura. No total, 11 símbolos foram descobertos – incluindo representações de um escudo de guerra, a cabeça de uma ave de rapina, gotas de chuva, entre outros.

No início, o objetivo seria expor a descoberta ao público, para que as pessoas pudessem visitar esta fusão centenária e incomum de elementos culturais astecas e espanhóis. No entanto, os planos acabaram por ser alterados.

O Instituto Nacional de Antropologia e História informou, refere a Associated Press, que os arqueólogos vão voltar a cobrir as descobertas com terra, na esperança de que num futuro próximo haja dinheiro suficiente para desenvolver um projeto que possa proteger o túnel histórico.

Devido à falta de fundos para reconstruir adequadamente a exposição e proteger a notável estrutura, a secção do túnel recém-descoberta terá agora que ser coberta, com o túnel a ser enterrado novamente para não ser danificado ou vandalizado.

De acordo com o instituto, a decisão deve-se, em grande parte, aos contínuos impactos económicos da pandemia de covid-19 no México.

https://zap.aeiou.pt/descoberta-incomum-novamente-enterrada-420496

 

Terceira dose da vacina da Pfizer aumenta “fortemente” a proteção contra a variante Delta !

Farmacêutica norte-americana pretende submeter um novo pedido de autorização de emergência para a administração da terceira dose ao regulador, depois de já ter visto um pedido anterior ser recusado por falta de evidências científicas.


Depois de ter requerido ao regulador norte-americano autorização especial para a administração de uma terceira dose da sua vacina contra a Covid-19 — pedido que foi recusado —, a Pfizer voltou a sublinhar a importância que este reforço pode ter na criação de imunidade contra o novo coronavírus e, sobretudo, contra a variante Delta, defendendo que esta aumenta “fortemente” os níveis de proteção.

De acordo com a CNN, que cita um relatório da farmacêutica norte-americana, os cientistas da Pfizer entendem que os níveis de anticorpos contra a variante Delta em pessoas entre os 18 e os 55 anos que recebem uma terceira dose da vacina são cinco vezes superiores aos apresentados após a toma de duas doses. No que respeita aos cidadãos com idades compreendidas entre os 65 e os 85 anos, os níveis de anticorpos podem aumentar até, pelo menos, 11 vezes.

Os investigadores consideram que há potencial para um aumento de proteção contra a variante Delta equivalente a 100 vezes após a terceira dose em comparação com a segunda dose. Os números divulgados indicam também um aumento da proteção contra a variante original e Beta (com origem na África do Sul) — apesar de ainda não terem sido revistos pelos pares e a farmacêutica prometer para breve informações mais “definitivas“.

Em cima da mesa está um novo pedido de autorização de emergência para a terceira dose, que pode acontecer já no início de agosto — o pedido anterior havia sido recusado pelos especialistas que entenderam não existirem evidências científicas suficientes que comprovassem benefícios inerentes à toma de uma terceira da vacina da Pfizer. Agora, com os novos dados, a farmacêutica espera um desfecho diferente.

Em Portugal, o Infarmed também descarta para já a possibilidade de a vacina da Pfizer ser reforçada com uma terceira dose, apesar de assumir que está a acompanhar “os dados técnico-científicos à medida que estes se encontram disponíveis.

Tal como relembra o Observador, o regulador português defende que, para “acautelar uma possível terceira dose”, assim como “o desenvolvimento de vacinas adaptadas a novas variantes”, Portugal tem “dois contratos estipulados, cujo volume de vacinas ultrapassa os 14 milhões, com os laboratórios BioNTech/Pfizer e Moderna”.

Atualmente, a Pfizer está também a desenvolver uma vacina especificamente contra a a variante Delta, com os estudos clínicos a poderem iniciar-se já em agosto, mediante autorização do regulador.

https://zap.aeiou.pt/terceira-dose-da-vacina-da-pfizer-aumenta-fortemente-a-protecao-contra-a-variante-delta-421008

 

Cientistas “encontraram” a válvula de Nikola Tesla nos intestinos de tubarões !


Cientistas descobriram que os intestinos de tubarões funcionam de forma semelhante à famosa válvula unidirecional de Nikola Tesla, criada há mais de 100 anos.

Pela primeira vez, cientistas fizeram exames 3D de intestinos de tubarão para aprender como é que eles digerem o que comem. Embora anteriormente os cientistas tenham feito esboços 2D dos sistemas digestivos de tubarões, há um limite para o que pode ser aprendido desta forma.

“Os intestinos são tão complexos, com tantas camadas sobrepostas, que a dissecação destrói o contexto e a conectividade do tecido”, explica o coautor do estudo Adam Summers, num comunicado divulgado pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos.

Summers e a sua equipa descobriram que os intestinos dos tubarões têm uma estranha estrutura em saca-rolhas. Ela chega mesmo a assemelhar-se à famosa válvula de água inventada por Nikola Tesla há mais de 100 anos.

A válvula de Tesla, patenteada em 1920, é essencialmente um tubo com um design interno intrincado que força o movimento do fluido numa direção para voltar a si mesmo em vários pontos ao longo do seu comprimento.

Recentemente, uma equipa de investigadores descobriu um potencial novo uso para esta válvula. Pode ser adaptada para bombear fluidos ao redor de motores usando energia que, de outra forma, seria desperdiçada.

Neste novo estudo, publicado recentemente na revista Proceedings of the Royal Society B, os cientistas desenvolveram um novo método para analisar digitalmente os tecidos dos intestinos.

Agora, é possível olhar para os tecidos moles com tanto detalhe sem ter que cortá-los, diz a autora principal, Samantha Leigh, citada pelo Big Think.

Para uma melhor compreensão do órgão, os investigadores analisaram os intestinos de quase três dúzias de espécies diferentes de tubarões. “O TAC é uma das únicas maneiras de entender a forma do intestino do tubarão em três dimensões”, sublinha Summers.

Acredita-se que os tubarões estejam dias — ou até semanas — sem comer. As análises revelam que os alimentos passam lentamente pelo intestino, permitindo ao sistema digestivo extrair totalmente o seu valor nutritivo.

Pode ser que essa digestão lenta seja mais suscetível ao refluxo, visto que o impulso do alimento digerido deve ser mínimo. Talvez seja por isso, acreditam os investigadores, que os tubarões desenvolveram algo tão semelhante a uma válvula de Tesla.

Agora, os investigadores planeiam usar a impressão 3D para produzir modelos através dos quais possam observar o comportamento de diferentes substâncias que passam pelo estômago dos tubarões.

https://zap.aeiou.pt/valvula-nikola-tesla-intestinos-tubaroes-420552

 

Capacete magnético mostra-se eficaz na redução de tumor cerebral !

O diagnóstico de um cancro é sempre complicado, mas há partes do corpo onde a presença da doença pode ser mais ameaçadora. É o caso do glioblastoma, um tipo de cancro cerebral, que se não for devidamente tratado pode ser fatal. Agora, um novo método pode ser crucial neste processo.


Normalmente, este tipo de cancro requer tratamentos de radioterapia e quimioterapia bastante agressivos, sendo que muitas das vezes o doente acaba por não resistir.

No entanto, agora, uma equipa cientistas descobriu um novo método menos invasivo e eficaz. Trata-se de um capacete que usa um campo magnético oscilante que “encolhe” o tumor cerebral, escreve o Science Alert.

O dispositivo foi recentemente testado num paciente de 53 anos, cujo tumor mostrou uma notável redução de tamanho de 31% num curto período de tempo, antes de o paciente falecer devido a um traumatismo cranioencefálico não relacionado.

“Graças à coragem deste paciente, pudemos testar e verificar a eficácia potencial da primeira terapia não invasiva para glioblastoma no mundo”, referiu o neurocirurgião David S. Baskin, do Houston Methodist Hospital.

“Um acordo com a família permitiu uma autópsia após a morte prematura do homem, o que foi uma contribuição inestimável para o estudo posterior e desenvolvimento desta terapia potencialmente poderosa”, acrescenta o especialista.

O capacete é montado com três hímens permanentes rotativos que geram um campo magnético oscilante.

Através do uso desta tecnologia, os investigadores foram capazes de reduzir o volume e a massa do glioblastoma em culturas de células e células de glioblastoma humano enxertadas em ratos num ambiente de laboratório.

A equipa percebeu que o campo magnético interrompe o transporte de eletrões na série de reações que as mitocôndrias usam para produzir a energia química que alimenta as nossas células.

Contudo, essa interrupção ocorre apenas na presença de certos compostos que aumentam o metabolismo produzido por células tumorais, o que significa que as células de glioblastoma interrompidas morrem enquanto as células saudáveis permanecem intactas.

“Terapia não invasiva”

Depois de descobrir o glioblastoma, o paciente realizou o tratamento numa clínica, enquanto a sua esposa foi ensinada sobre os cuidados a ter no uso do capacete.

Após a formação, o doente começou a fazer o tratamento em casa, começando com sessões de duas horas por dia, e aumentando para seis horas.

No total, o tratamento prolongou-se ao longo de 36 dias. Nesse período, o glioblastoma encolheu 31%, referem os especialistas. Já, os cuidadores do paciente relataram uma melhora na fala e na função cognitiva.

Contudo, ao fim de 36 dias, o tratamento foi interrompido, pois o paciente acabou por falecer devido a um problema não relacionado com o tumor.

Embora a história tenha um final trágico, e este estudo de caso diga respeito a apenas um único paciente, os resultados preliminares são encorajadores.

A redução do tumor é consistente com observações anteriores em culturas de células e ratos, e mostrou uma rápida redução em zonas onde os tradicionais tratamentos de cancro não conseguiram interromper o crescimento do tumor.

Se a eficácia do capacete for entretanto demonstrada em mais humanos, este pode oferecer uma opção de tratamento muito mais suave eficaz nestes casos de cancro.

“Os nossos resultados abrem um novo mundo de terapia não invasiva e não tóxica para o cancro do cérebro, com muitas possibilidades empolgantes para o futuro”, frisa Baskin.

https://zap.aeiou.pt/capacete-magnetico-tumor-cerebral-420538

 

Engenheiros japoneses fizeram levitar objectos com “armadilha acústica” !

Engenheiros japoneses descobriram uma forma de fazer pequenos objectos levitar usando apenas ondas sonoras, o que pode ser um passo importante para a tecnologia.

A engenharia biomédica, o desenvolvimento de farmacêuticos e a nanotecnologia podem vir a beneficiar com esta nova descoberta. Já era possível fazer objectos levitar com as pinças ópticas, que usam lasers para gerar radiação suficiente para mover e levantar partículas extremamente pequenas.

Mas as pinças acústicas, que foram descobertas nos anos 80, têm potencial para manipular muitos mais materiais e de tamanhos maiores que cheguem até à escala dos milímetros. Com as pinças acústicas, o movimento das partículas é feito usando a pressão gerada com ondas sonoras.

No entanto, as pinças acústicas têm muitas limitações, como a necessidade de se ter uma “armadilha” confiável feita de ondas sonoras. Tem também de se evitar a proximidade de superfícies que reflectem o som, já que isso complica o campo sonoro.

A armadilha sonora pode ser criada com matrizes hemisféricas de transdutores acústicos, mas controlá-las é difícil, visto ser necessário criar o campo sonoro perfeito para levantar um objecto e afastá-lo dos transdutores.

Mas os engenheiros Shota Kondo e Kan Okubo, da Universidade Metropolitana do Japão, conseguiram construir uma matriz hemisférica acústica que consegue levantar uma bola de esferovite de três milímetros de uma superfície reflectora. O estudo foi publicado no Japanese Journal of Applied Physics em Junho.

Shota Kondo, Kan Okubo et al

Os engenheiros dividiram o a matriz do transdutor em blocos, que são assim mais fáceis de gerir do que tentar controlar os transdutores individualmente. Depois, usaram um filtro inverso para reproduzir os sons baseados na forma de onda acústica, o que ajuda a optimizar a fase a amplitude de cada canal transdutor.

“A fase e a amplitude de cada canal são optimizadas usando o método de reprodução de som. Isto cria uma armadilha acústica apenas na posição desejada, e o levantamento pode assim ser realizado no estado rígido. Daquilo que conhecemos, este é o primeiro estudo a demonstrar levantamento sem contacto usando esta abordagem“, lê-se no estudo.

Simulações 3D mostraram como e onde o campo estava a ser gerado. O campo pode ser movido, o que consequentemente leva a que a partícula lá presa também se mexa. Os investigadores conseguiram assim levantar um bola de esferovite a partir de uma superfície espelhada de forma instável, pois a bola dispersava-se da pressão acústica em vez de ficar presa.

Apesar desta instabilidade, o trabalho é um passo em frente nesta área, visto que é a primeira vez que se consegue fazer o levantamento de uma superfície reflectora. Os engenheiros acreditam que em “estudos futuros” a “robustez do método proposto vai ser melhorada para o uso práctico do levantamento sem contacto“.

https://zap.aeiou.pt/levitar-objectos-com-armadilha-acustica-420433

 

Juno fez a maior aproximação a Ganimedes das duas últimas décadas !

A NASA divulgou, recentemente, um vídeo da sonda Juno a passar por Júpiter e Ganimedes, uma das suas luas. As imagens são de cortar a respiração.

Juno visitou Ganimedes em junho. As imagens foram captadas no dia 7, numa aproximação que a sonda fez à lua coberta de gelo.

Segundo a agência espacial norte-americana, trata-se da maior aproximação a esta lua nas últimas duas décadas. As imagens captadas pela JunoCam foram projetadas numa esfera digital e usadas para criar a animação flyby, partilhada posteriormente pela NASA.

“A animação mostra o quão bonita pode ser a exploração do Espaço profundo”, disse Scott Bolton, investigador do Southwest Research Institute, em San Antonio, Estados Unidos.

“A animação é uma forma de as pessoas imaginarem explorar o nosso Sistema Solar em primeira mão, vendo como seria estar em órbita de Júpiter e voando para além de uma das suas luas geladas”, acrescentou.

Os 3.30 minutos de animação começam com a sonda a aproximar-se de Ganimedes, passando a 1.038 quilómetros da superfície a uma velocidade relativa de, aproximadamente, 67.000 km/h.

As imagens mostram várias regiões escuras e claras da lua (acredita-se que as regiões mais escuras resultam da sublimação do gelo no vácuo circundante, deixando para trás resíduos escurecidos), assim como a cratera Tros, que se encontra entre as maiores e mais brilhantes cicatrizes de cratera em Ganimedes.

A missão segue depois para Júpiter, na 34.ª aproximação ao planeta desde que chegou à sua órbita, em 2016. A sonda percorre o planeta de polo a polo em menos de três horas.

Juno demora apenas 14 horas e 50 minutos a percorrer os cerca de 1,18 milhões de quilómetros que separam a lua do planeta.

A sonda chegou ao sistema de Júpiter em 2016 e passou os últimos cinco anos a balançar o seu conjunto de instrumentos científicos pelo sistema, escreve o Phys. A missão foi alargada até setembro de 2025, o que vai permitir explorar o espaço próximo do planeta a uma distância de cerca de 630 milhões de quilómetros da Terra.

No cronograma da missão, está prevista uma nova exploração da lua Europa, outra das luas de Júpiter, em 2022.

https://zap.aeiou.pt/juno-maior-aproximacao-ganimedes-420143

 

Vídeo mostra salmões feridos devido ao sobreaquecimento das águas !

O vídeo foi gravado por um grupo de conservação ambiental depois de uma onda de calor no Noroeste Pacífico que fez as temperaturas da água atingirem os 21 graus Celsius.


De acordo com o jornal The Guardian, os salmões do rio Columbia, na América do Norte, foram recentemente expostos a temperaturas insuportáveis, o que lhes provocou feridas e infeções fúngicas.

No vídeo, divulgado esta terça-feira pela organização sem fins lucrativos Columbia Riverkeeper, pode ver-se um grupo de salmões vermelhos a nadar com ferimentos no corpo, que a associação diz serem resultado do stress e do sobreaquecimento.

Os salmões estavam a nadar rio acima, vindos do oceano, para regressar às suas áreas de desova, quando inesperadamente mudaram a sua rota, explicou Brett VandenHeuvel, diretor executivo da Columbia Riverkeeper. Segundo este responsável, foi a forma encontrada para “escapar de um prédio em chamas”.

A organização gravou o vídeo depois de uma onda de calor no Noroeste Pacífico, num dia em que as temperaturas da água atingiram os 21 graus Celsius, uma temperatura que pode ser letal para estes peixes se forem expostos a ela durante longos períodos.

VandenHeuvel comparou a situação a alguém a tentar correr uma maratona com temperaturas acima dos 38 graus. “A diferença é que isto não é um passatempo para os salmões. Eles não têm escolha. Ou conseguem sobreviver ou morrem”, declarou.

Segundo o jornal britânico, os salmões que aparecem no vídeo não serão capazes de se reproduzir no afluente e morrerão, provavelmente, de doença e stress provocados pelo calor.

“É desolador ver animais a morrer de forma tão pouco natural. E pior, pensar na causa dessa morte. Este é um problema causado pelo ser humano e faz-me realmente pensar no futuro”, lamentou VandenHeuvel.

“Vejo isto como uma visão profundamente triste do nosso futuro. Mas também o vejo como um apelo para agir. Há medidas que podemos tomar para salvar o salmão, para arrefecer os nossos rios. Se este vídeo não inspira uma reflexão séria, não sei o que o fará.”

Este é mais um exemplo da tragédia causada pela recente onda de calor na América do Norte, que matou centenas de pessoas nos Estados Unidos e no Canadá e terá causado também a morte de mais de mil milhões de animais marinhos.

https://zap.aeiou.pt/video-salmoes-feridos-sobreaquecimento-aguas-421216

 

Justiça climática - Vamos todos sofrer com as alterações climáticas, mas não de forma igual !

A recente onda de calor na América do Norte é mais um exemplo de que apesar de ser um problema global, as alterações climáticas não vão afectar todos igualmente e podem exacerbar injustiças sociais e económicas já existentes.


As alterações climáticas já estão a fazer estragos um pouco por todo o mundo, entre as recentes cheias no norte da Europa e na China ou a onda de calor e os incêndios na América do Norte. Já dizia George Orwell que se todos os animais são iguais, há alguns mais iguais que outros, e esse parece ser o caso quando o assunto é quem vai sofrer mais com as alterações climáticas.

No mundo inteiro, mais de 166 mil pessoas morreram em ondas de calor entre 1998 e 2017, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Isto torna o calor uma das maiores causas de morte dentro dos desastres relacionados com o tempo. No entanto, o seu impacto continua a ser muitas vezes subestimado, já que as certidões de óbito geralmente registam a causa de morte sem referir a associação ao calor extremo.

As ondas de calor mais fatais costumam ocorrer em cidades com um clima temperado que são inesperadamente expostas a temperaturas extremas, como aconteceu em Paris em 2003, quando morreram 14 mil pessoas. A recente onda de calor na costa oeste dos EUA casou também 116 mortes só no estado do Oregon.

Para ajudar a reduzir o risco de insolação, os planeadores urbanos, climatólogos e meteorologistas estão a trabalhar para identificar as zonas mais vulneráveis. As pesquisas mostram que as minorias étnicas e comunidades pobres vão ser desproporcionalmente afectadas por ondas de calor, especialmente nos Estados Unidos.

Esta diferença explica-se pelo redlining, uma práctica histórica nos EUA e no Canadá que barrava a compra a negros em comunidades mais desenvolvidas e que segregou as minorias a zonas urbanas mais pobres. O termo foi criado pelo sociólogo John McKnight nos anos 60 visto que o governo desenhava uma linha vermelha no mapa à volta dos bairros onde não iam investir devido aos dados demográficos.

Mas o legado do redlining vai para além da discriminação no acesso à habitação. Os efeitos desta política no crime já eram conhecidos, devido à concentração de comunidades negras em zonas mais pobres e também com a maior probabilidade de envenenamento por chumbo, que está associado a atrasos cognitivos e delinquência.

O jovem Freddie Gray, cuja morte às mãos da polícia em 2015 motivou protestos e motins em Baltimore, é um exemplo mediático de intoxicação por chumbo associada ao redlining. Os efeitos destas políticas racistas ainda se sentem hoje em dia, visto que muitas das grandes cidades norte-americanas continuam extremamente segregadas, e notam-se correlações entre as comunidades mais pobres e com menores esperanças de vida e as zonas onde vivem mais negros.

Apesar das ondas de calor também afectarem as zonas rurais, as cidades geralmente sofrem mais. Isto acontece por causa do efeito de ilha de calor urbano, visto que os materiais de que são feitas as ruas e os edifícios causam um aumento de temperatura maior do que áreas mais frondosas.

Muitas das comunidades onde vivem minorias aquecem mais por estarem em zonas com muito asfalto, enquanto a população branca geralmente beneficia da proximidade de zonas verdes e parques. “É muito chocante. Temos de nos perguntar porque é que estes padrões são tão consistentes e universais“, revela a cientista Angel Hsu, da Universidade da Carolina do Norte, à Nature.

A cientista do clima gere um grupo que analisa dados para soluções climáticas e o racismo que determina quem sofre mais com o calor ficou claro. Num dos maiores estudos até agora que avaliou as diferenças na exposição ao calor nos EUA, a equipa de Angel Hsu combinou as medidas de satélites sobre as temperaturas urbanas com os dados demográficos dos Censos em 175 cidades americanas.

Já se esperavam grandes diferenças, mas Hsu ficou chocada. Em 97% das cidades, as minorias foram expostas a temperaturas um grau mais altas, em média, do que as comunidades brancas. “Temos provas sistémicas e difundidas do racismo ambiental relativo à exposição ao calor urbano. Não achava que fosse basicamente universal”, afirma.

Um outro estudo de 2018 mostrou que as temperaturas nas áreas separadas nos mapas do redlining são em média 2.6 graus mais altas em 108 áreas urbanas nos Estados Unidos, como resultado de decisões como construir auto-estradas e zonas industriais nas comunidades de minorias étnicas.

As comunidades hispânicas nos EUA estão também expostas a mais poluição aérea do que aquela que produzem, ao contrário da população branca, que respira ar de melhor qualidade apesar de ser mais poluidora, de acordo com um estudo de 2019.

Uma investigação de 2017 concluiu também que as comunidades negras que vivem nas zonas na costa do sul dos EUA estão sob um risco desproporcional de sofrer com o aumento do nível das águas do mar.

As desigualdades raciais também se traduzem em menos recursos para lidar com as alterações climáticas. Mais de 30% dos negros de Nova Orleães não tinha carro para poder evacuar quando o Furacão Katrina atingiu a cidade em 2005, de acordo com um estudo de 2008. A população negra da cidade caiu depois do Katrina, pois muitos residentes não tinham condições económicas para regressar à cidade.

De acordo com a socióloga ambiental Dorceta Taylor, o mundo do activismo climático tem sido dominado historicamente por homens brancos, citada pelo Washington Post. Um estudo de 2014 da Iniciativa pela Diversidade Verde mostrou que só 12% dos membros das fundações e organizações não-governamentais ambientais pertenciam a minorias.

Um problema global

Mas dada a escala planetária das alterações climáticas, este não é só um problema nos Estados Unidos. No Qatar, muitos imigrantes que trabalham na indústria da construção morreram por falhas cardiovasculares causadas por golpes de calor. Cerca de 6500 imigrantes que trabalham na preparação do Mundial de 2022 no país já morreram.

Já em Banguecoque, capital da Tailândia, um inquérito a 505 residentes realizado durante a estação quente em 2016 concluiu que as pessoas com rendimentos mais baixos tinham uma maior probabilidade de sofrer stress térmico do que quem vive com rendimentos mais altos.

Em Madagáscar, mais de um milhão de pessoas estão a sofrer com aquela que está a ser considerada a primeira escassez de alimentos na história moderna causada pelas alterações climáticas. Em resposta à fome, um executivo das Nações Unidas afirmou que uma “área do mundo que em nada contribuiu para as alterações climáticas” está agora a “pagar um preço alto”.

Muitos países em desenvolvimento estão a sofrer bastante com as consequências das mudanças no clima, apesar de não serem os principais poluidores. Uma estudo deste ano concluiu que os dez países que mais devem sofrer os impactos são: Singapura, Ruanda, China, Índia, Ilhas Salomão, Butão, Bostwana, Geórgia, Coreia do Sul e Tailândia.

A crise climática também está a exacerbar a desigualdade entre homens e mulheres. De acordo com dados das Nações Unidas citados pela BBC, 80% das pessoas que tiveram de se deslocar devido ao clima eram mulheres.

Há já algumas estratégias de combate às desigualdades sociais que a crise climática está a expor. Muitas cidades nos EUA estão agora a ter em conta a igualdade térmica no planeamento urbano ao pintar os telhados de branco ou plantar mais árvores em zonas que tinham sido historicamente discriminadas. Há também metrópoles a dar apoios financeiros a residentes para ajudar a pagar as contas energéticas no Verão.

Uma abordagem é manter parques abertos mais horas durante ondas de calor, para que as pessoas que vivem em casas mais quentes possam ir a um lugar mais fresco. Na Índia, em Ahmedabad, começaram a enviar alertas públicos quando as previsões da temperatura ultrapassassem os 41 graus depois de uma onda de calor em 2010. Um estudo concluiu que a estratégia salvou em média 1190 vidas por ano.

Já em Paris, há um programa para tornar os recreios das escolas públicas em lugares de refresco, em especial nos subúrbios, onde vivem mais minorias raciais.

Os recentes fenómenos extremos, como as cheias na China e no Norte da Europa e os incêndios em Itália ou nos Estados Unidos, têm posto a nu as desigualdades sociais e económicas das vítimas das alterações climáticas a uma escala global. Resta saber se os líderes mundiais vão conseguir unir-se para reverter esta tendência.

https://zap.aeiou.pt/vamos-todos-sofrer-com-alteracoes-climaticas-mas-nao-forma-igual-417399

 

Três norte-americanos emitem carbono suficiente para matar uma pessoa, revela estudo !

O estilo de vida de três norte-americanos leva a uma emissão de carbono suficiente para matar uma pessoa, revelou um novo artigo, concluindo ainda que as emissões de uma única usina a carvão podem causar mais de 900 mortes. 


A análise, publicada na Nature Communications e citada esta quinta-feira pelo Guardian, baseou-se no “custo social do carbono”, um valor monetário atribuído aos danos causados ​​por cada tonelada de dióxido de carbono, estabelecendo um número estimado de mortes derivadas dessas emissões.

O relatório inclui dados de vários estudos de saúde pública, constatando que, para cada 4.434 toneladas métricas de CO2 projetadas para a atmosfera para além da taxa de emissões de 2020, uma pessoa no mundo morrerá prematuramente devido ao aumento da temperatura. Este CO2 adicional é equivalente às emissões de 3,5 norte-americanos.

A adição de mais 4 milhões de toneladas métricas acima do nível de 2020, produzida em média pelas usinas a carvão média dos Estados Unidos (EUA), custará 904 vidas até o final do século. Numa maior escala, a eliminação das emissões – que causam o aquecimento do planeta – até 2050 salvaria cerca de 74 milhões de vidas em todo o mundo neste século.

O número estimado de mortes devido às emissões não são definitivos, visto que representa apenas mortalidade associada ao calor, deixando de fora as cheias, os ciclones e outros impactos da crise climática, referiu Daniel Bressler, do Instituto da Terra da Universidade de Columbia, nos EUA, autor do artigo.

Esta pesquisa ilustra as disparidades nas emissões geradas pelo consumo em diferentes países. Embora sejam necessários 3,5 norte-americanos para criar emissões suficientes para matar uma pessoa, seriam necessários 25 brasileiros ou 146 nigerianos para fazer o mesmo, concluiu o estudo.

Gernot Wagner, economista do clima da Universidade de Nova Iorque, não envolvido na pesquisa, disse que o custo social do carbono é uma “ferramenta política crucial”, mas é também “muito abstrato”.

Para Bressler, embora o seu artigo analise as emissões causadas por atividades individuais, o foco deveriam ser as políticas que impactam as empresas e os governos, que influenciam a poluição de carbono numa escala social.

“Na minha opinião as pessoas não deveriam levar as suas emissões por pessoa para o lado pessoal. As nossas emissões [derivam] em grande parte da tecnologia e da cultura dos locais onde vivemos”, acrescentou.

https://zap.aeiou.pt/tres-americanos-carbono-matar-pessoa-421109

 

Estudo revela que principais indicadores da crise climática estão a atingir “ponto de inflexão” !

Um novo estudo sobre os sinais vitais do planeta revelou que muitos dos principais indicadores da crise climática estão a piorar e a aproximar-se ou ultrapassar os pontos de inflexão, à medida que as temperaturas aumentam.


No geral, o estudo descobriu que 16 dos 31 sinais vitais planetários estudados, incluindo concentrações de gases de efeito estufa, quantidade de calor do oceano e massa de gelo, atingiram novos recordes preocupantes, noticiou esta quarta-feira o Guardian.

“Há evidências crescentes de que nos estamos a aproximar ou já ultrapassamos os pontos de inflexão associados a partes importantes do sistema terrestre”, disse em comunicado William Ripple, ecologista da Universidade Estadual de Oregon, nos Estados Unidos (EUA), coautor da nova pesquisa.

De acordo com Ripple, “uma grande lição da covid-19 é que mesmo uma redução colossal nos transporte e no consumo não é suficiente e que, em vez disso, são necessárias mudanças no sistema”.

Embora a pandemia tenha paralisado as economias, o uso de combustível fóssil diminuiu apenas ligeiramente em 2020. Contudo, a emissão de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso estabeleceu novos recordes, tanto nesse ano como em 2021, segundo um relatório publicado na BioScience.

Este novo estudo constatou que os animais ruminantes, uma fonte significativa de gases que aquecem o planeta, são agora mais de 4 mil milhões, sendo a sua massa total maior do que a de todos os humanos e animais selvagens juntos. A taxa de perda da Amazónia aumentou em 2019 e 2020, atingindo 1,11 milhões de hectares desmatados em 2020.

A acidificação dos oceanos, combinada com as temperaturas mais altas, ameaça os recifes de coral dos quais mais de milhões de pessoas dependem.

Para mudar o curso da emergência climática, os autores indicaram que são precisas mudanças profundas, sendo necessário estabelecer um preço global para o carbono, que esteja vinculado a um fundo que financie políticas de mitigação e de adaptação ao clima.

Os autores destacaram ainda necessidade de eliminar os combustíveis fósseis e desenvolver de reservas globais para proteger e restaurar sumidouros naturais de carbono e a biodiversidade. A educação climática também deve fazer parte dos currículos escolares em todo o mundo, frisaram.

https://zap.aeiou.pt/indicadores-crise-climatica-inflexao-estudo-420780

 

Bruxelas assegura aquisição de medicamento para tratamento precoce da covid-19 !

A Comissão Europeia anunciou, esta quarta-feira, um contrato de aquisição conjunta com a farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK) para a compra do sotrovimab, um medicamento destinado ao tratamento precoce da covid-19, cuja utilização está a ser analisada pelo regulador europeu.


“A Comissão assinou um contrato-quadro de aquisição conjunta com a empresa farmacêutica GSK para o fornecimento de sotrovimab, uma terapia de anticorpos monoclonais de investigação, desenvolvida em colaboração com a biotecnologia VIR”, indica o Executivo comunitário, em comunicado.

Notando que este medicamento faz parte da “carteira de cinco terapêuticas promissoras” da Comissão Europeia, a instituição assinala que a sua utilização está a ser analisada pela Agência Europeia do Medicamento (EMA).

“Dezasseis Estados-membros da UE estão a participar na aquisição de até 220 mil tratamentos”, realça Bruxelas.

No que toca ao sotrovimab, a explicação dada pela instituição à imprensa refere que o medicamento “pode ser utilizado para o tratamento de doentes coronavírus com sintomas ligeiros que não necessitam de oxigénio suplementar, mas que estão em alto risco de covid-19 grave”.

“Estudos em curso sugerem que o tratamento precoce pode reduzir o número de pacientes que progridem para formas mais graves e requerem hospitalização ou admissão nas unidades de cuidados intensivos”, assinala ainda a Comissão Europeia.

Citada pela nota, a comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides, realça que este é o “segundo contrato quadro que traz tratamentos com anticorpos monoclonais aos doentes”, fazendo parte da ambição europeia de ter menos três novas terapêuticas autorizadas até outubro.

“A par das vacinas, medicamentos seguros e eficazes desempenharão um papel fundamental no regresso da Europa a um novo normal”, adiantou Kyriakides.

Os anticorpos monoclonais são proteínas concebidas em laboratório que imitam a capacidade do sistema imunitário de combater o SARS-CoV-2, bloqueando assim a fixação do vírus.

A Comissão Europeia celebrou quase 200 contratos para diferentes respostas médicas no valor de mais de 12 mil milhões de euros.

Com o contrato agora assinado com a GSK, os países da UE podem comprar o sotrovimab se e quando necessário, desde que aprovado ou pelo Estado-membro em questão ou pela EMA.

Este medicamento teve aval de emergência do regulador norte-americano em maio passado.

https://zap.aeiou.pt/bruxelas-assegura-aquisicao-sotrovimab-420858

 

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Astrónomos mapeiam grãos de poeira interestelar na Via Láctea !

Entre as estrelas da Via Láctea, grandes quantidades de pequenos grãos de poeira flutuam sem rumo. Apesar de formarem os blocos de construção de novas estrelas e planetas, ainda não se sabe quais os elementos que estão disponíveis para formar planetas como a Terra.

Uma equipa de investigação do SRON (Netherlands Institute for Space Research), liderada por Elisa Costantini, combinou agora observações de telescópios de raios-X com dados de sincotrão para criar um mapa de grãos interestelares na Via Láctea.

Se a nossa Galáxia encolhesse a ponto de as estrelas terem o tamanho de berlindes, ainda haveria cerca de mil quilómetros a separá-las. Portanto, é seguro dizer que as galáxias consistem principalmente de espaço vazio.

Ainda assim, este espaço não está tão vazio quanto podemos imaginar. Está preenchido pelo chamado meio interestelar.

Na maior parte, este é composto por gás ténue, mas cerca de 1% está na forma de pequenos grãos de poeira com cerca de 0,1 micrómetros, um milésimo da largura de um cabelo humano.

Estes grãos são formados durante o ciclo de vida das estrelas. Uma estrela, e os planetas em seu redor, são formados por uma nuvem de gás e poeira. Uma estrela evoluída, no final da sua vida, expele uma boa fração da sua massa para o meio circundante, criando novo material para a formação de poeira.

Se a estrela terminar a sua vida com uma explosão de supernova, enriquecerá ainda mais o ambiente com mais gás e poeira. Isto, por sua vez, acabará por constituir novos blocos de construção para estrelas e planetas.

Como Carl Sagan disse, “nós somos feitos de poeira estelar”. Mas ainda não sabemos exatamente quais os elementos que estão disponíveis, no meio interestelar, para formar planetas como a Terra.

O grupo de investigação de poeira interestelar do SRON, liderado por Elisa Costantini, estudou agora os grãos interestelares na nossa Via Láctea usando raios-X. Os cientistas conseguiram, pela primeira vez, explorar as propriedades da poeira nas regiões centrais da Via Láctea e descobriram que esses grãos são feitos consistentemente de um silicato vítreo: olivina, que é composto por magnésio, ferro, silício e oxigénio.

A interação com a radiação estelar e com os raios cósmicos derreteu estes grãos para formar esferas irregulares vítreas. Ao examinar regiões mais difusas longe do Centro Galáctico, a equipa encontrou pistas para a presença de uma variedade maior na composição da poeira. Isto pode dar origem a sistemas planetários diversificados e pode até ser que o nosso sistema planetário seja a exceção, não a norma.

“O nosso Sistema Solar foi formado nas regiões externas da Galáxia e é o resultado de uma sequência complexa de eventos, incluindo explosões de supernova próximas. Ainda é uma questão em aberto qual o ambiente certo para formar sistemas planetários e quais destes eventos são vitais para formar um planeta onde a vida possa florescer”, disse Costantini.

Para chegar aos seus resultados, Costantini e o seu grupo combinaram observações de telescópios de raios-X e instalações de sincotrão. Usaram estes últimos para caracterizar análogos da poeira interestelar como silicatos, óxidos e sulfatos em raios-X.

De seguida, compararam estes dados com os dados astronómicos para encontrar as melhores correspondências. A observação de várias linhas de visão permitiu-lhes explorar diferentes ambientes da Via Láctea.

https://zap.aeiou.pt/astronomos-mapeiam-graos-de-poeira-420136

 

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