quinta-feira, 21 de maio de 2020

Coca-Cola e Carlsberg utilizarão plástico vegetal em garrafas

Avantium, companhia holandesa de produção de materiais bioquímicos para o meio comercial, comprometeu-se a empreender uma iniciativa importante para o planeta, podendo ser responsável por poupar mais de 300 milhões de toneladas de plástico consumido anualmente e sem qualquer retorno em reciclagem.
Substituindo as tradicionais garrafas derivadas de combustíveis fósseis tóxicos e hostis à saúde humana, a empresa iniciou a fabricação de garrafas de açúcares vegetais, como de milho, trigo e beterraba, mais resistentes do que os materiais tradicionais de vidro e plástico e consumidos pela natureza mais rapidamente após o descarte. Levando cerca de 1 ano para se degradarem, evitam a contaminação do meio ambiente e sua consequente poluição, assim como salvam espécies animais que sofrem com as enormes quantidades de lixo jogadas em seus ambientes naturais.

Utilização de plástico vegetal em embalagens e garrafas

Em parceria com grandes nomes do mercado mundial, como Coca-Cola, a cervejaria alemã Carlsberg e Danone, a ideia da Avantium é, em breve, comercializar as garrafas e embalagens que serão constituídas de uma camada de papelão por cima de uma fina folha do material vegetal, responsável por formalizar as propriedades essenciais de sustentabilidade e fortalecer o conceito de reciclagem, produzindo cerca de 5 mil toneladas de açúcares por ano.

(Fonte: Carlsberg/Divulgação)
(Fonte: Carlsberg/Divulgação)
"Estamos satisfeitos com o progresso que fizemos na Garrafa de Fibra verde até agora. Enquanto ainda não estamos completamente lá, os dois protótipos são um passo importante para realizar nossa ambição final de trazer essa inovação ao mercado", disse Myriam Shingleton, vice-presidente da Carlsberg, ao comentar a importância do projeto e a necessidade de apresentar alternativas que sejam reais soluções para o combate à destruição ambiental. 
Estando na lista das empresas que têm os produtos mais poluentes do planeta, Coca-Cola e Danone encaram como uma possibilidade de mudar tal status, fornecendo as condições mais favoráveis possíveis para reduzir o consumo de lixo e evitar a contaminação ainda maior do ecossistema, com a previsão de ter seus materiais substituídos por volta de 2023, quando estarão plenamente lançados no mercado popular.
"A inovação leva tempo, e continuaremos a colaborar com os principais especialistas para superar os desafios técnicos remanescentes, assim como fizemos com o nosso Snap Pack de redução de plástico", concluiu Shingleton.

https://www.megacurioso.com.br/produto/114569-coca-cola-e-carslberg-utilizarao-plastico-vegetal-em-garrafas.htm

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Descoberta a “casa” dos misteriosos neutrinos de alta energia detetados na Antártida

No início do ano, foram detetados neutrinos de alta energia na Antártida. Agora, uma equipa de investigadores pode ter descoberto de onde vieram.
Os neutrinos são partículas misteriosos e evasivas: têm uma massa minúscula, sem carga elétrica e interagem raramente com outra matéria. Além disso, são extremamente comuns. A qualquer momento, cerca de 100 mil milhões de neutrinos estão a fluir por cada centímetro quadrado do seu corpo. Os neutrinos foram produzidos pelo Big Bang e ainda estão a ser produzidos por tudo, desde estrelas a supernovas.
De acordo com o Universe Today, um dos mistérios mais recente começou quando alguns neutrinos foram detetados pela ANtarctic Impulsive Transient Antenna (ANITA). Ao contrário da maioria dos detetores de neutrinos que são grandes e sensíveis, o ANITA é um detector de rádio suspenso por um balão que só consegue detetar neutrinos de alta energia quando atingem o gelo antártico para criar uma explosão de luz de rádio.
No início deste ano, a ANITA detetou sinais estranhos que pareciam ser desencadeados por neutrinos de energia extremamente alta – tão alta que pareciam desafiar o modelo padrão da física de partículas.
Os neutrinos de alta energia também foram detetados pelo detetor de neutrinos IceCube na Antártida, apesar de não serem tão energéticos como detetados pela ANITA.
Recentemente, uma equipa de investigadores analisou uma fonte possível para estes estranhos neutrinos: os buracos negros supermassivos dos quasares.
Buracos negros supermassivos são potências gravitacionais. Quando o gás quente em seu redor é comprimido pela gravidade e pelos campos eletromagnéticos, pode emitir enormes quantidades de energia, incluindo neutrinos de alta energia.
A equipa comparou quatro dezenas de deteções de neutrinos no IceCube com observações de rádio do radiotelescópio russo RATAN-600 e descobriram que os neutrinos eram detetados quando um quasar experimentava um surto de rádio.
A explicação mais provável é que, quando os quasares são particularmente ativos, são produzidos surtos de raios gama dentro da explosão do rádio. Os raios gama colidem com os átomos circundantes, desencadeando uma explosão de neutrinos.
Como os neutrinos viajam quase à velocidade da luz, chegam à Terra ao mesmo tempo da explosão de rádio.
Segundo o ScienceAlert, este é apenas um estudo inicial e resolve parte do mistério dos neutrinos de alta energia.
Apesar de sabermos a forma como os neutrinos podem ser produzidos, a origem dos neutrinos mais energéticos permanece um mistério.

https://zap.aeiou.pt/neutrinos-325145

Um cientista responde sobre a possibilidade de haver vida inteligente noutro planeta

O cientista David Kipping recorreu a uma técnica estatística para aferir a probabilidade de haver vida inteligente noutro planeta que não a Terra.
Há vida e inteligência noutro planeta para além da Terra? Esta é uma pergunta à qual ninguém pode dar uma resposta. Desde a antiguidade que o ser humano se questiona se está sozinho no Universo e, cada vez mais, esta é uma pergunta que nos gera curiosidade.
Os registos geológicos mostram que a vida no nosso planeta começou relativamente rápido, assim que se reuniram condições que a suportassem. Mas, apesar de saber quando é que a vida apareceu pela primeira vez a Terra, os cientistas não entendem como é que ela apareceu. Saber responder a isto permitiria procurar com mais critério nova vida fora do nosso planeta.
Num estudo publicado esta terça-feira na revista científica Proceeding of the National Academy of Sciences, o cientista David Kipping mostra como uma técnica estatística chamada inferência Bayesiana pode revelar como é que a vida extraterrestre complexa pode evoluir noutros planetas.
“O rápido surgimento da vida e a evolução tardia da humanidade, no contexto da linha do tempo da Evolução, são certamente sugestivos”, disse Kipping, citado pelo Phys. “Mas neste estudo, é possível quantificar o que os factos nos dizem“.
Kipping usou a cronologia das primeiras evidências de vida e evolução da humanidade e questionou-se quantas vezes esperaríamos que a vida e inteligência reemergissem se a história da Terra se repetisse.
Para tal, definiu quatro hipóteses possíveis: a vida é comum e frequentemente desenvolve inteligência; a vida é rara, mas frequentemente desenvolve inteligência; a vida é comum e raramente desenvolve inteligência; e a vida é rara e raramente desenvolve inteligência. A partir daqui, pôs a inferência Bayesiana em ação.
“A técnica é semelhante às odds de apostas”, disse Kipping. “Ela incentiva o teste repetido de novas evidências contra a sua posição, em essência num ciclo de feedback positivo para refinar as suas estimativas de probabilidade de um evento”.
A análise baseia-se em evidências de que a vida surgiu num espaço de tempo de 300 milhões de anos após a formação dos oceanos da Terra. Kipping enfatiza que a probabilidade é pelo menos 10.00 ou superior, dependendo do valor real da frequência com que a inteligência se desenvolve.
A conclusão é que, se planetas com condições e linhas de tempo evolutivas semelhantes à Terra são comuns, então a vida deve ter uma probabilidade relativamente alta de surgir espontaneamente noutros planetas. A resposta final não é concreta, mas Kipping estima que a probabilidade de se haver vida inteligente será de 2.50.
A probabilidade é justificada pela relativamente tardia aparição da humanidade na janela habitável da Terra, sugerindo que o seu desenvolvimento não foi um processo fácil nem garantido.
“Se rebobinássemos a história da Terra, o surgimento da inteligência é realmente um tanto improvável”, disse Kipping. “A análise não pode fornecer certezas ou garantias, apenas probabilidades estatísticas baseadas no que aconteceu aqui na Terra”.
“No entanto, de forma encorajadora, o caso de um Universo repleto de vida aparece como a aposta preferida. A procura por vida inteligente em mundos além da Terra não deve ser de modo algum desencorajada”, conclui.

https://zap.aeiou.pt/probabilidade-vida-inteligente-planeta-325355

As alterações climáticas são um inimigo do combate ao cancro

As alterações climáticas ameaçam as perspetivas de progresso na prevenção e controlo do cancro, aumentando a exposição a fatores de risco e afetando o acesso a tratamento.
De acordo com um artigo de uma equipa de cientistas da American Cancer Society e da Harvard T. H. Chan School of Public Health, o progresso na luta contra o cancro foi alcançado através da identificação e controlo de fatores de risco e de acesso a cuidados. Acontece que estes dois fatores são ambos impactados pelas mudanças climáticas.
As alterações climáticas criam condições favoráveis à maior produção e exposição a agentes cancerígenos. A mudança climática tem sido associada a um aumento de eventos climáticos extremos, como furacões e incêndios florestais, que podem afetar o cancro.
O furacão Harvey, por exemplo, inundou fábricas de produtos químicos, refinarias de petróleo e locais que continham grandes quantidades de substâncias cancerígenas que foram lançadas na comunidade de Houston, nos Estados Unidos. Por sua vez, os incêndios libertam imensas quantidades de poluentes do ar que causam esta doença.
Também em 2018, quando o furacão Maria atingiu Porto Rico, foram encerradas várias fábricas que forneciam bolsas de líquido intravenosas para salvar vidas em hospitais norte-americanos.
Quer um furacão, quer um incêndio florestal podem afetar a exposição de pacientes a agentes cancerígenos, além de ameaçarem as infraestruturas clínicas dedicadas ao tratamento do cancro nos Estados Unidos. “Para pacientes com cancro, os efeitos dos furacões no acesso aos cuidados de saúde podem significar a diferença entre vida e a morte”, escreveram os autores.
No artigo, publicado no dia 18 de maio, os cientistas propõem formas de diminuir o impacto das mudanças climáticas no cancro, uma vez que os esforços de mitigação das alterações climáticas trazem benefícios à saúde.
O setor agrícola contribui com, aproximadamente, 30% das emissões antrópicas de gases de efeito estufa. A carne dos ruminantes tem o maior impacto ambiental, enquanto que os alimentos à base de plantas causam menos efeitos ambientais adversos por unidade de peso, por porção, por unidade de energia ou por proteína.
Assim, a substituição de alimentos de origem animal por alimentos de origem vegetal, através de diretrizes fornecidas aos pacientes e alterações nos serviços de alimentação prestados em instalações de tratamento, traria benefícios ambientais e de saúde.
“As mudanças climáticas não são uma ameaça futura. Estão a impactar os resultados do cancro atualmente e há coisas que podemos fazer para responder”, rematou Leticia Nogueira, cientista da American Cancer Society e autora do relatório, citada pelo EurekAlert.
Em todo o mundo, quase 10 milhões de pessoas morrerão de cancro ainda este ano, segundo os especialistas.

https://zap.aeiou.pt/alteracoes-climaticas-cancro-325166

Coronavírus - Expansão viral cai de 3,5 para 1,4, mas ainda é preocupante

Coronavírus: O vírus que mudou a história | ExameNo final de fevereiro, quando o novo coronavírus passou a assolar o Brasil, cada pessoa que contraía a covid-19 infectava, em média, 3,5 indivíduos. Quando passamos a adotar medidas de isolamento social a partir de 23 de março, esse valor diminuiu para 1,9. 
E agora, com mais estados mantendo as medidas preventivas, chegamos na marca de 1,4. O número pode parecer baixo, mas ainda é significativo, porque implica que dois indivíduos infectados podem transmitir a doença para outras três pessoas.
Rubens Lichtenthäler Filho, físico nuclear e professor da Universidade de São Paulo (USP), e seu filho Daniel, médico do Hospital Israelita Albert Einstein, são os pesquisadores responsáveis por esta estimativa que ainda causa preocupações por demonstrar um crescimento exponencial da pandemia em um momento no qual já atingimos mais de 260 mil casos.
Os pesquisadores utilizaram dados oficiais durante este trabalho, e explicaram que momentos importantes da pesquisa coincidiram justamente com épocas em que os estados adotaram medidas mais rigorosas de quarentena. Daniel também explicou que flutuações estatísticas foram eliminadas, como por exemplo, dias conhecidos por possuírem poucos registros médicos. Além disso, eles consideraram também o período de incubação e a duração da doença.
“A gente sabe que o impacto que estamos vendo é o de medidas progressivas de distanciamento social ao longo do tempo”, afirmou o médico.
 
https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114558-coronavirus-expansao-cai-de-3-5-para-1-4-mas-ainda-e-preocupante.htm
 

Cientistas produzem milhões de células-tronco humanas em ratos

Uma equipe liderada por cientistas da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, desenvolveu um método que possibilita a produção de milhões de células-tronco humanas em embriões de ratos de laboratório.
O feito, publicado na revista Science Advances, abre caminho para futuros tratamentos com células-tronco capazes de um dia combater doenças crônicas por meio da possível substituição de células danificadas por células ou tecidos humanos saudáveis.
"O desenvolvimento adicional de nossa tecnologia pode permitir a geração de quantidades ainda maiores de tipos específicos de células humanas maduras, permitindo-nos criar modelos de camundongos mais eficazes para estudar doenças que afetam gravemente os seres humanos, como a malária ou a covid-19", afirma o autor do estudo, Jian Feng, PhD e professor de fisiologia e biofísica, em um comunicado.

Produção de células-tronco

Durante décadas, o potencial de cura das células-tronco humanas foi minado pela incapacidade de produzir quantidades suficientes de células humanas maduras em um organismo vivo.
Tentativas anteriores de produzir células humanas in vivo — ou dentro de um embrião de camundongo — mostraram-se difíceis devido às diferentes propriedades e velocidades de desenvolvimento entre células-tronco embrionárias e humanas.
Além disso, as células-tronco humanas cultivadas em uma placa de Petri não se comportam da mesma maneira que as de um corpo, o que atrapalha o desenvolvimento em sua capacidade potencial de combater doenças.

Conversão de células-tronco


(Fonte: Science Advances/Reprodução)
(Fonte: Science Advances/Reprodução)

Os pesquisadores da Universidade de Buffalo tiveram que manipular células-tronco pluripotentes humanas para colocá-las em um estado anterior e menos desenvolvido no que é conhecido como "estado ingênuo".
Essa conversão permite que as células-tronco humanas se diferenciem em vários tipos de células no corpo, de modo que uma forma seja compatível com a massa celular interna do blastocisto do camundongo. Isso permite desencadear uma série de eventos que “religam a expressão gênica e o metabolismo celular”.
Entre 10 e 12 células-tronco humanas ingênuas foram injetadas em um embrião de camundongo com 3,5 dias de idade. Essa compatibilidade manipulada permitiu que as células-tronco humanas se desenvolvessem com rapidez suficiente para acompanhar o ritmo de desenvolvimento das células do rato.

Milhões de células-tronco

Em apenas 17 dias, milhões de células humanas maduras foram produzidas dentro do embrião de camundongo, representando cerca de 4% do número total de células contadas nos embriões de camundongo.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114556-cientistas-produzem-milhoes-de-celulas-tronco-humanas-em-ratos.htm

terça-feira, 19 de maio de 2020

Diretor da Roscosmos acredita que sinais extraterrestres passem silenciosamente pela Terra !

Sinais de civilizações extraterrestres podem já ter atingido a Terra, mas há uma probabilidade de o Homem não ter conseguido entender estes sinais, acredita o diretor da Roscosmos, Alexander Bloshenko.
No entender do especialista da agência espacial russa (Roscosmos), não é possível afirmar com toda a certeza que o Universo está definitivamente “silencioso”, apesar de não ter sido ainda encontrado nenhum sinal de inteligência artificial.
O problema, continua citado pela agência russa TASS – pode estar no “ouvido” humano, isto é, nas suas formas de deteção. Segundo Alexander Bloshenko, é bastante provável que estes sinais de origem extraterrestre passem pela Terra.
“É bastante provável que alguns sinais baseados em princípios não clássicos incompreensíveis para nós atualmente passem pela Terra”, considerou o diretor russo.
Nas mesma declarações, Alexander Bloshenko recordou que a descoberta de outros sistemas estelares na “zona habitável” aponta para a presença de outros lugares favoráveis ao aparecimento de vida no Universo.
“Atualmente, sabe-se conclusivamente que existem cerca de 4.000 exoplanetas. Ao mesmo tempo, mais de dois biliões de galáxias estão na parte visível do Universo e, em cada uma, podem existir biliões de planetas. E a probabilidade de existir vida semelhante à que conhecemos em qualquer um deles é bastante elevada”, continuou.
Apesar de reconhecer que é bastante possível que o Homem não esteja sozinho no Universo, Alexander Bloshenko frisa que não foram ainda encontradas quaisquer evidências de outras formas de vida alienígena.
A procura continua.

https://zap.aeiou.pt/diretor-da-roscosmos-acredita-sinais-seti-passem-pela-terra-324286

Marte pode ser mais húmido do que se pensava mas continua inóspito

O Planeta Vermelho pode ser mais húmido do que se pensava, mas continua inóspito para a vida tal como a conhecemos, concluiu uma nova investigação conduzida por cientistas do Southwest Research Institute, nos Estados Unidos.
Em comunicado, os especialistas explicam que desenvolveram um modelo da atmosfera marciana para prever onde, quando e durante quanto tempo é que as salmouras (água saturada com sal) são estáveis à superfície e em camadas rasas no subsolo.
Com o modelo, a equipa concluiu que o Planeta Vermelho pode ter água líquida em grande parte da sua superfície, mas por curtos períodos de tempo.
“Descobrimos que a formação de salmoura a partir de alguns sais pode fazer chegar água líquida a mais de 40% da superfície, mas apenas sazonalmente, durante 2% do ano marciano”, explicou Alejandro Soto, co-autor do estudo.
Devido às baixas temperaturas em Marte e às suas condições de seca extrema, uma gota de água líquida congelaria, ferveria ou evaporaria instantaneamente a menos que a gota tivesse dissolvido sais. Estas condições, observou Soto citado na mesma nota, “impediriam a [formação de] vida tal como a conhecemos”.
O modelo mostrou que salmouras estáveis podem formar-se e persistir em certas partes de Marte durante um curto período do ano e até seis horas consecutivas – uma faixa bem mais ampla do que se pensava anteriormente, nota a Russia Today.
Contudo, as baixas temperaturas não seriam suficientes para sustentar vida.
Os resultados do estudo “reduzem para do risco associado à exploração do Planeta Vermelho, contribuindo para futuros trabalho sobre possíveis condições de habitabilidade em Marte”, concluiu o mesmo especialista.  Tal como sintetiza o Space.com, Marte pode ser muito mais húmido do que se pensava, mas não o suficiente para abrigar vida.
Os resultados da investigação foram esta semana publicados na Nature Astronomy.

https://zap.aeiou.pt/marte-pode-humido-do-pensava-continua-inospito-324299

São precisas várias vacinas para superar a pandemia de covid-19

Uma equipa de cientistas, da qual o principal conselheiro médico da Casa Branca, Anthony Fauci, faz parte, sugere que uma vacina não é suficiente para superar a pandemia de covid-19, sendo necessário várias delas para que se possa pôr um ponto final na situação.
“Estamos a enfrentar uma série de eventos sem precedentes com uma doença que se espalhou globalmente e infetou mais pessoas num período mais curto de tempo do que qualquer outra infeção nos tempos modernos”, diz o coautor Larry Corey, professor na Divisão de Vacinas e Doenças Infecciosas no Fred Hutchinson Cancer Research Center.
“Para superar os desafios à nossa frente, cada um de nós precisa de trazer nada menos do que o nosso absoluto melhor. A investigação e o desenvolvimento das vacinas de covid-19 exigirão criatividade, cooperação e compromisso para salvar o maior número de vidas possível, o mais rápido possível”, acrescentou, citado pelo New Atlas.
O artigo científico foi publicado, esta semana, na revista Science e discute várias questões que terão de ser resolvidas antes que uma vacina possa ser efetivamente lançada. A imunidade e a reinfeção são alguns dos assuntos abordados.
Algumas equipas de cientistas estão a procurar voluntários dispostos a contrair intencionalmente o vírus para que seja testada uma vacina experimental. Os autores do artigo mostram a sua preocupação com este tipo de testes em humanos, alertando que a eficácia num jovem adulto pode não ser a mesma num idoso, por exemplo.
Os investigadores sugerem que são precisas várias vacinas para satisfazer as necessidades globais e terminar com a pandemia.
“Provavelmente, nenhuma vacina ou plataforma de vacina sozinhas atenderão à necessidade global e, portanto, uma abordagem estratégica para o esforço multifacetado é absolutamente crítica”, escrevem os autores do artigo.
A derradeira mensagem dos cientistas é um apelo à colaboração global harmoniosa nos processos de desenvolvimento, fabricação e distribuição de vacinas.
“O caminho para o desenvolvimento de uma vacina eficaz para o SARS-CoV-2 exigirá que a indústria, o Governo e os académicos colaborem de uma forma sem precedentes, cada uma adicionando os seus pontos fortes individuais”, lê-se no artigo.

https://zap.aeiou.pt/varias-vacinas-superar-pandemia-covid-324503

Folha artificial pode ser a chave para produção infinita de energia

Pesquisadores da Rice University conseguiram criar um dispositivo tão eficiente e (mais importante) de baixo custo com a mesma função da já existente folha artificial: dividir a água usando luz e produzir combustível (hidrogênio) e eletricidade.
A pesquisa foi liderada pelo engenheiro Jia Liang, integrante do grupo de pesquisa de Lou que, no ano passado, promoveu mudanças nas células solares de perovskita. Esse cristal tem estruturas cúbicas e é reconhecido como ótimo coletor de luz (tem eficiência acima de 25% na conversão de energia solar em eletricidade). Seu problema: se tornar instável em ambientes com umidade e calor – além de ser um material caro.
"O módulo integrado transforma a luz do sol em eletricidade, gerando uma reação eletroquímica para obter combustível. É o mesmo conceito da folha artificial, mas instável ao ar livre”, explicou o engenheiro de materiais e um dos autores do trabalho, Jun Lou.

O pesquisador Jia Liang com as células solares de perovskita.
O pesquisador Jia Liang com as células solares de perovskita.

Estabilidade sob o sol

Em dezembro de 2019, a equipe começou a testar novos materiais. Com isso, conseguiu que as células, que tendiam a falhar rapidamente por conta dessa instabilidade, se tornassem 12% mais eficientes e estáveis: preparadas em condições ambientais, resistiram à alta umidade de Houston, Texas e permaneceram íntegras ao ar livre por mais de dois meses, ao contrário do modelo anterior, que não resistia a poucos dias de funcionamento.
Basicamente, a plataforma desenvolvida integra eletrodos catalíticos e células solares de perovskita. Exposta à luz solar, as células do mineral produzem uma corrente elétrica, que flui para os catalisadores. Estes transformam a água em hidrogênio e oxigênio. 

As células da Rice University estão próximas de serem viáveis comercialmente.
As células da Rice University estão próximas de serem viáveis comercialmente.

A novidade está justamente aí: a equipe de Liang uniu os cristais de perovskita e os eletrodos em um único módulo. Quando imerso em água e exposto ao sol, ele produz hidrogênio sem precisar de energia externa.
"Liang substituiu os componentes mais caros das células solares, como a platina, por alternativas como o carbono. Isso fez cair uma das principais barreiras para a produção comercial em larga escala”, explicou Lou.

Uma seção transversal da célula solar vista por microscópio eletrônico: de cima para baixo, um eletrodo de carbono, perovskita, óxido de titânio, óxido de estanho e vidro (a barra de escala é igual a 500 nanômetros).
Uma seção transversal da célula solar vista por microscópio eletrônico: de cima para baixo, um eletrodo de carbono, perovskita, óxido de titânio, óxido de estanho e vidro (a barra de escala é igual a 500 nanômetros).

O melhor está na embalagem

O polímero que encapsula a célula solar é a estrela do sistema, protegendo o módulo e permitindo sua imersão por longos períodos – ao contrário de outros sistemas catalíticos, em que os somente os eletrodos são imersos em água, se conectando à célula solar por fios. 
“Usamos um filme de ionômero, que permite que a luz do sol alcance o sistema enquanto o protege, servindo ainda como um isolante entre as células e os eletrodos”, explicou Liang.

O desenho mostra a estrutura de um catalisador integrado movido a energia solar.
O desenho mostra a estrutura de um catalisador integrado movido a energia solar.

A perspectiva do grupo é que o sistema se alimente sozinho. “É possível criar um loop autossustentável, mesmo sem luz solar. Basta usar a energia armazenada como combustível químico, colocando o hidrogênio e o oxigênio em tanques separados e incorporando ao sistema um terceiro módulo, que transformaria esses dois elementos novamente em eletricidade.”

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114536-folha-artificial-pode-ser-a-chave-para-producao-infinita-de-energia.htm

Covid-19: - Países querem que a futura vacina seja um bem público

Nesta segunda-feira (18), pela primeira vez, a reunião anual da Organização Mundial da Saúde (OMS) ocorreu de forma virtual. O encontro foi marcado por discussões entre os países participantes que exigiram que a futura vacina, que está sendo desenvolvida em diversos centros de pesquisas, contra o coronavírus, seja considerada um "bem público", a fim de que todos tenham acesso a ela de maneira igualitária.
Além disso, muitos deles também defenderam que a organização tenha algumas mudanças institucionais, que garantam que ela possa ser mais responsiva a pandemias, como é o caso atualmente. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, que abriu a reunião, também criticou a falta de responsabilidade de alguns países em não acatar as recomendações e esforços mundiais com relação à pandemia. Em suas palavras, ele acredita que o mundo pagará "um preço alto" por conta desses países.

Um inimigo em comum

A reunião, que deverá durar até amanhã, ainda contou com lideranças garantindo que as pesquisas com relação a uma vacina eficaz contra o vírus será de todos. É o caso do presidente chinês, Xi Jinping, que prometeu realizar um investimento de cerca de dois bilhões de dólares em até dois anos. Tudo isso para não medir esforços com relação à luta contra a doença da covid-19.

Funcionários limpam Hospital na Ásia com equipamentos de proteção. (Fonte: Unsplash)
Funcionários limpam Hospital na Ásia com equipamentos de proteção. (Fonte: Unsplash)

Emmanuel Macron, presidente da França, por meio de uma mensagem de vídeo gravada, também afirmou que caso uma vacina seja descoberta por seu país, ela será considerada um bem público global, do qual todos no mundo inteiro poderão ter acesso. Essas discussões partem, sobretudo, por conta de uma resolução apresentada pela União Europeia, a qual pede um acesso universal de todas os medicamentos e vacinas criados a fim de combater a pandemia.
Além dessas questões, o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou também que certamente haverá um processo de avaliação com relação às medidas adotadas e instituídas pela organização. De acordo com  Ghebreyesus, essa pesquisa será realizada o mais rápido possível e em um momento mais apropriado. “[...] para revisar as experiências e lições aprendidas e fazer recomendações para melhorar a preparação e resposta nacional e global à pandemia”, declarou.
Apesar das menções favoráveis, ainda há uma tensão entre Washington e Pequim. O primeiro acusa a capital chinesa de ocultar a escala da pandemia e também a OMS de ter se alinhado com a posição do país oriental. Vale lembrar, que por conta desse e de outros fatores, o presidente Donald Trump e seus aliados, suspenderam os investimentos na organização. Ao longo tempo, espera-se que esses conflitos sejam resolvidos para fortalecer a luta contra este inimigo em comum a todos.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114539-covid-19-paises-querem-que-a-futura-vacina-seja-um-bem-publico.htm

Agências espaciais planeiam estudar rastro de cometa desintegrado

Um cometa chamado ATLAS estava sendo monitorado pela NASA e pela Agência Espacial Europeia, que nutriam a esperança de poder estudar sua composição durante sua passagem pelo nosso sistema solar. Entretanto, em abril, o corpo celeste começou a se desintegrar, diminuindo as expectativas das entidades – que não esperavam contar com um golpe de sorte proporcionado pelas leis da Física.
De acordo com o Space, o jogo pode virar. Isso porque o Solar Orbiter, veículo espacial designado para pesquisas relacionadas ao Sol, terá a oportunidade de passar pelo mesmo trajeto da cauda do ATLAS nas próximas semanas. O “encontro” está previsto para começar em 31 de maio ou 1º de junho, segundo o site, sendo que o equipamento estará envolto na poeira cósmica em 6 de junho.
Assim que a nave estiver dentro desse ambiente, os instrumentos dedicados a analisar partículas solares podem dar uma boa “olhada” em como se comportam campos ionizantes gerados por esse corpo – ou o que restou dele. Ao menos é o que afirma um estudo publicado no periódico Research Notes of the AAS.
Os pesquisadores, claro, não negam a grande chance que podem ter: “Caso os instrumentos da Solar Orbiter detectem tais materiais, esta será a primeira passagem acidental pela cauda de um cometa com os dispositivos adequados na História”. É um acerto astronômico completamente inesperado.

Uma chance em um milhão – ou mais

Batizado oficialmente de C/2019 Y4, o cometa ATLAS foi identificado em 28 de dezembro de 2019 por meio do Último Sistema de Alerta Terrestre de Impacto Asteroide, observatório localizado no Havaí. Conforme seu brilho foi aumentando nos meses seguintes, os cientistas esperavam poder observá-lo melhor no momento em que ele ficasse mais próximo do Sol. De repente, tudo começou a desmoronar.
Em abril, o corpo havia se transformado em meia dúzia de pedaços separados, segundo imagens capturadas pelo Hubble. Ainda assim, nem tudo estava perdido, já que, ao considerarem todas as possibilidades, os pesquisadores notaram a convergência das órbitas do ATLAS e do Solar Orbiter. Não perderam tempo e iniciaram o processo de calibragem dos instrumentos.
A coincidência se deu porque o líder da equipe estava trabalhando justamente em uma missão futura da ESA, chamada Comet Interceptor, a ser lançada em 2028 – que consiste em, basicamente, vagar pelo Universo à espera de oportunidades como a que vai ser posta em prática agora. O cientista, então, foi atrás de informações a respeito do veículo já no espaço e não se decepcionou.

Desintegração do cometa ATLAS capturada pelo Hubble.Desintegração do cometa ATLAS capturada pelo Hubble.

Se com anos de cálculos já é complicado realizar tal feito, imagine uma tarefa desse porte completada por mero acaso. Bem, ao que parece, é exatamente o que vai ocorrer.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114546-agencias-espaciais-planejam-estudar-rastro-de-cometa-desintegrado.htm

Nova terapia de anticorpos contra covid-19 inicia testes até setembro

Uma terapia de anticorpos para combater o coronavírus deve começar a passar por testes clínicos em humanos até setembro. Esse novo tratamento deve ficar disponível antes da produção de uma vacina contra a covid-19, que deve demorar pelo menos 18 meses para ser produzida de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).
A pesquisa, liderada por Michel Nussenzweig, cientista brasileiro da Universidade Rockefeller, clonou anticorpos presentes no plasma de 68 indivíduos que estavam com covid-19. Um estudo preliminar, publicado no portal BiorXiv na última sexta (15), afirma que estes clones podem ser úteis tanto para o tratamento de pessoas infectadas como na prevenção da infecção causada pelo Sars-Cov2.

Desenvolvimento da terapia de anticorpos


(Fonte: NIH/Divulgação)
(Fonte: NIH/Divulgação)

Em menos de um mês, os pesquisadores conseguiram isolar os primeiros anticorpos para o estudo. Isto só foi possível porque os estudiosos utilizam uma técnica já empregada nas pesquisas de tratamento contra o HIV.
Além do grupo liderado pelo cientista brasileiro, duas empresas farmacêuticas de biotecnologia também estão desenvolvendo terapias similares. A VIR e a Regeneron também pretendem iniciar os testes de seus primeiros produtos a partir do meio do ano.

Células de defesa do organismo

Apesar de muitas pessoas desenvolverem anticorpos contra o coronavírus, a pesquisa identificou que as células de defesa são produzidas em baixa concentração. Assim, a maioria dos plasmas convalescentes obtidos de indivíduos que se recuperam da covid-19 sem hospitalização não continha níveis altos de atividade neutralizante.
Mas, em todos os indivíduos testados, foram encontrados alguns anticorpos específicos com atividade antiviral potente. Esses anticorpos têm uma estrutura comum, capaz de agarrar as proteínas presentes na superfície do novo coronavírus, o que pode adiantar também a pesquisa sobre uma possível vacina contra a doença.

Disponibilidade do tratamento

O grupo de pesquisadores pretende produzir em série os anticorpos para tornar o tratamento contra covid-19 mais rápido. No entanto, a produção em larga escala ainda depende da entrada de grandes empresas farmacêuticas nos projetos em curso, de acordo com o cientista brasileiro.
Os testes que serão realizados ainda este ano não serão realizados com grandes grupos de pessoas. Esse é um procedimento padrão da pesquisa clínica de novos tratamentos. Além disso, o custo desse tipo de terapia para outras doenças é muito alto, o que deve dificultar o acesso amplo para a população mundial.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114540-nova-terapia-de-anticorpos-contra-covid-19-inicia-testes-ate-setembro.htm

ONG mostra que morcegos mas ajudam o meio ambiente

A organização sem fins lucrativos Bats Qld (Flying Foxes & Microbats) Inc. é responsável por resgatar, reabilitar e liberar raposas-voadoras e micromorcegos por todo o Sudeste de Queensland, na Austrália. Seus membros, todos voluntários, também ajudam a educar jovens e os idosos sobre a importância destes animais em nosso ecossistema, além de dissipar os mitos que costumam girar em torno desses mamíferos incríveis.
Mas eles não param por aí. A organização também compartilha na internet fotos e vídeos de seus pacientes alados para mostrar ao mundo o quanto eles são adoráveis. Então, que tal conferir as imagens abaixo e de quebra aprender um pouco mais sobre estas criaturinhas?


(Fonte: Bats Qld/Reprodução)
(Fonte: Bats Qld/Reprodução)

Mas vale lembrar que morcegos não são só lindinhos, eles também possuem um papel importante em nosso ecossistema. De acordo com um porta-voz da Bats Qld, esses mamíferos ajudam significativamente a controlar a população de insetos e na polinização e dispersão de sementes. “Por exemplo, a floresta de eucalipto em que os coalas dependem é polinizada pelas raposas voadoras”, afirmou o porta-voz.
Infelizmente, os seres humanos parecem esquecer desse papel, e podem acabar se tornando uma grande ameaça a esses bichinhos. Além do crescimento constante do desmatamento, o uso de arames farpados, redes e até atropelamentos sendo os motivos mais comuns para os morcegos precisarem de ajuda.


(Fonte: Bats Qld/Reprodução)
(Fonte: Bats Qld/Reprodução)

E é claro que os mitos negativos não ajudam em nada, como a história de que morcegos são sujos e podem atacar as pessoas. Mas a Bats Qld desmentiu prontamente a primeira afirmação, explicando que estes animais são muito limpos e costumam se limpar o tempo todo. Quanto aos ataques, a organização explica que morcegos não voam como os pássaros, então costumam cair antes de voar novamente, e que isso costuma ser confundido com um ato de ataque.
Outra coisa que muitos já devem ter ouvido é que estes mamíferos carregam muitas doenças, e isso também é mentira. “Os morcegos na Austrália carregam apenas uma doença que representa um risco direto para as pessoas, o lyssavírus australiano de morcego. E ele é encontrado em menos de 0,01% da população de morcegos”, afirmou o porta-voz. E mesmo que alguém seja contaminado, já existe uma vacina pós-exposição que é totalmente eficaz.


(Fonte: Bats Qld/Reprodução)
(Fonte: Bats Qld/Reprodução)

Uma curiosidade interessante é que as raposas-voadoras possuem uma visão semelhante aos humanos, e até mesmo micromorcegos podem enxergar, mesmo que não muito bem.
Agora você sabe o quanto esses bichinhos alados são importantes para o controle do meio ambiente e que merecem todo nosso respeito. E se o seu dia não estiver muito bom, que tal conferir mais fotos para dar uma animada?

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114545-ong-mostra-que-morcegos-nao-so-sao-fofos-mas-tambem-ajudam-o-meio-ambiente.htm

Vacina americana contra coronavírus mostra resultados promissores

Uma boa notícia em meio a tanta incerteza. A empresa de biotecnologia norte-americana Moderna anunciou que testes de uma possível vacina contra o coronavírus, aplicada em humanos, trouxeram resultados promissores. Oito pacientes receberam a dose e mostraram imunidade semelhante à de pessoas infectadas pelo Sars-CoV-2 já recuperadas da covid-19. Espera-se que uma nova etapa de pesquisas seja iniciada o quanto antes, ainda em julho, envolvendo 600 pessoas.
Voluntários saudáveis de 18 a 55 anos, depois de receberem a novidade, desenvolveram anticorpos capazes de eliminar a capacidade de replicação do vírus. Alguns deles, inclusive, apresentaram um nível superior de proteção ao de pessoas contaminadas.
Contudo, é preciso entender que os resultados não provam que esta é, definitivamente, a solução para o problema que aflige o planeta, já que existe a necessidade de saber como o organismo reage à possibilidade de contaminação no “mundo real”. Além disso, a tecnologia responsável pela extração e análise do RNA é relativamente nova e precisa passar por uma série de avaliações.
Ainda assim, considerando o pouco tempo envolvido no processo quando se coloca como referência procedimentos tradicionais, trata-se, realmente, de algo a ser comemorado, já que o coronavírus infectou oficialmente, até a data de hoje (18), mais de 4,8 milhões de pessoas no planeta, contabilizando quase 320 mil mortes.

Testes promissores de vacina contra covid-19 alimentam esperança.
Testes promissores de vacina contra covid-19 alimentam esperança.

O que vem por aí

Já são diversas as iniciativas para encontrar a imunização, e a Moderna se juntou ao Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA para desenvolver esta alternativa. Quanto mais empresas envolvidas melhor, já que bilhões de doses serão necessárias no mundo todo. Um esquema de logística centralizado em uma só companhia pode atrasar a entrega em todas as localidades.
Dada a urgência da situação, algumas questões preocupantes são levantadas, como possíveis efeitos colaterais dessas soluções não estudados a longo prazo. Uma segurança um pouco maior demandaria testes em milhares de pessoas de diferentes regiões e o acompanhamento constante desses voluntários – um tempo que, infelizmente, não temos. Só para se ter ideia, a fase 1 dos testes da vacina norte-americana em questão ainda estão em andamento, mesmo com o passo acelerado para novas etapas.
Nenhum dado oficial a respeito da novidade foi divulgado ao grande público, sendo que resultados do estudo só foram entregues à Food and Drug Administration, agência reguladora dos EUA, que não costuma comentar sobre procedimentos em andamento. A empresa por trás das pesquisas divulgou que informações detalhadas só serão fornecidas após a etapa final, prevista para ocorrer até o fim de setembro.

Dr. Tal Zaks, representante da companhia.
Dr. Tal Zaks, representante da companhia.

De acordo com o Dr. Tal Zaks, representante da companhia, se os procedimentos forem bem-sucedidos, a vacina estará disponível entre o fim de 2020 e o começo de 2021. Há, ainda, um porém: duas doses serão necessárias em um intervalo mínimo de um mês, o que significa que a quantidade produzida representará a metade de pessoas efetivamente imunizadas. “Estamos dando o nosso melhor para fabricar quantas milhões for possível”, afirmou Zaks.

Como reagiram os voluntários?

Três variedades de doses foram testadas, diferenciadas por sua intensidade neutralizadora: a baixa, a média e a alta. Recebendo sua forma mais potente, três pacientes apresentaram febre, dores musculares e dores de cabeça. Essa foi descartada na continuidade dos processos. Os efeitos das outras duas se restringiram a vermelhidão e dor no braço de um voluntário, justamente no local em que foi aplicada. Lembrando que, apesar de parecer pouco, trata-se de uma pessoa em um grupo restrito de oito saudáveis.
O descarte da dose mais alta foi impulsionado, também, pelo fato de que as amostras mais fracas parecem funcionar tão bem quanto a eliminada – com o diferencial de proporcionarem a possibilidade de uma produção mais ampla por exigirem menos material genético.

Stéphane Bancel, chefe executivo da Moderna.
Stéphane Bancel, chefe executivo da Moderna.

“Estamos muito, muito, muito felizes, pois ela foi, no geral, segura”, afirma Stéphane Bancel, chefe executivo da Moderna. “A melhor parte é que a resposta para uma grande pergunta foi encontrada: ‘É possível encontrar anticorpos suficientes para lutar contra o coronavírus?” Bem, ao que parece, sim, é possível.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114547-vacina-americana-contra-coronavirus-mostra-resultados-promissores.htm

Hidrogénio oculto nas cordilheiras oceânicas aponta para biosfera desconhecida

Ao fornecer uma estimativa da quantidade de hidrogénio disponível para alimentar a vida microbiana abaixo da dorsal oceânica, um novo estudo lançou luzes sobre uma das biosferas menos compreendidas da Terra.
A maioria dos micróbios cria matéria orgânica através da fotossíntese alimentada pela luz solar. No entanto, as comunidades microbianas quimiossintéticas, que vivem nas profundezas da rocha vulcânica da crosta oceânica da Terra, carecem desta fonte de energia. Por isso, em vez de luz solar, usam hidrogénio – um gás que é libertado quando a água flui através de rochas ricas em ferro – como combustível para converter dióxido de carbono em alimento.
Assim que descobriram as primeiras fontes hidrotermais do fundo do mar, em 1977, os cientistas sabiam que a vida prosperava nas profundezas. No entanto, só em 2014 é que descobriram comunidades microbianas dentro de rochas vulcânicas abaixo do fundo do mar.
Esta descoberta despertou curiosidade, não apenas pelo tamanho da biosfera recém-descoberta, como pelo facto de as condições extremas de falta de oxigénio serem semelhantes às do início da vida na Terra.
“Este novo estudo fornece uma primeira estimativa sobre o tamanho destas comunidades e dá novas perspetivas sobre a extensão do impacto destes micróbios no clima e no paleoclima da Terra”, explicou Lincoln Pratson, professor de energia e meio ambiente da Universidade de Duke.
Os cientistas construíram um modelo para avaliar a produção total de gás hidrogénio de nove fontes geológicas diferentes num corredor de crosta oceânica com quase 30 milhões de quilómetros quadrados, no centro da dorsal oceânica.
A equipa estimou ainda a quantidade de hidrogénio que se libertava no oceano através de fontes hidrotermais no fundo do mar, com base em mais de 500 medições de amostras de água recolhidas em expedições anteriores ao longo da Faixa do Oceano Médio.
“Subtraindo a quantidade de gás que é exalada, que era aproximadamente 20 milhões de toneladas por ano, da quantidade produzida, que era aproximadamente 30 milhões de toneladas por ano, ficamos com cerca de 10 milhões de toneladas, presumivelmente consumidos por micróbios”, disse a cientista Stacey L. Worman, citada pelo Europa Press.
Estes números mostram que as comunidades microbianas desempenham um papel importante na regulação biogeoquímica global da Terra. Se não consumissem este gás altamente difusivo, o hidrogénio poderia escapar para a atmosfera, explicou a investigadora.
Essa entrada na atmosfera representaria um aumento considerável (cerca de 10%) do atual “orçamento” de hidrogénio atmosférico da Terra. Como o gás consegue acelerar a acumulação de gases de efeito estufa, isso poderia ter um impacto significativo no aquecimento global.
O artigo científico foi recentemente publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences.
https://zap.aeiou.pt/hidrogenio-oculto-biosfera-desconhecida-325150

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Cientistas recriam núcleo de Marte em laboratório

Pesquisadores da Universidade de Tóquio, no Japão, recriaram o núcleo de Marte em laboratório para poder estudar as suas propriedades e composição, uma vez que juntar uma porção de equipamentos e zarpar com destino ao Planeta Vermelho para conduzir levantamentos geofísicos não é uma opção viável!

Microescala

Evidentemente, o núcleo de mentirinha consistiu em uma mini micro minúscula versão do verdadeiro, mas nem por isso o projeto deixa de ser interessante. Os cientistas suspeitam que o centro de Marte consista em uma liga de ferro-enxofre e, para explorar sua composição e estudar a sua possível origem, eles foram investigar como se daria a propagação de ondas sísmicas em um ambiente contendo esses elementos e apresentando as mesmas condições de pressão que existiriam no interior do Planeta Vermelho – mas em uma escala muito menor.

Simulação em laboratório
Simulação em laboratório

Assim, para replicar a situação que encontraríamos em Marte, os pesquisadores usaram uma amostra de liga de ferro-enxofre que foi submetida a pouco mais de 1,5 mil graus Celsius – temperatura a partir da qual o material se torna fluido – e a uma pressão de 13 GPa. Depois, os cientistas empregaram feixes de raios-x de dois síncrotrons diferentes para conseguir obter imagens das amostras, poder calcular com qual velocidade as ondas sísmicas se propagam pela liga e observar o seu comportamento.
Agora, com os resultados em mãos, os cientistas pretendem compará-los com as informações de sondas e exploradores espaciais que estão – ou serão lançados em breve – em órbita irão coletar sobre a atividade geológica em Marte. E, a partir da análise detalhada, determinar a composição do núcleo do planeta e desvendar segredos a respeito de sua origem. Aliás, se o método se provar eficaz, ele inclusive pode ser usado para explorar a formação de outros mundos.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114524-cientistas-recriam-nucleo-de-marte-em-laboratorio.htm

Funcionamento de tratamento que pode evitar a infecção por HIV

No mundo, cerca de 38 milhões de pessoas vivem com o vírus da imunodeficiência humana (HIV), segundo dados do programa das Nações Unidas para o combate à Aids (Unaids). Por ano, aproximadamente dois milhões de pessoas se infectam com o vírus em todo o planeta.
Este número poderia ser menor se pessoas de grupos de risco fizessem um tratamento de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). O tratamento preventivo é capaz de reduzir 99% da infecção causada pelo HIV, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).
No Brasil, a medicação está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) e pode ser encontrada em mais de dois mil serviços de saúde distribuídos pelo país. Atualmente, 16 mil pessoas fazem uso dos remédios, segundo dados do Ministério da Saúde.

Como funciona a Profilaxia Pré-Exposição


(Fonte: Pixabay)
(Fonte: Pixabay)

O principal objetivo da PrEP é reduzir a infecção pelo HIV, se houver exposição ao vírus. O tratamento não cura a Aids, e nem substitui o uso de preservativo para evitar a gravidez e proteger de outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), como sífilis, clamídia e gonorreia.
A profilaxia consiste em tomar, diariamente, uma pílula contendo tenofovir e entricitabina. Essas substâncias diminuem as oportunidades do vírus causadores da Aids de se estabelecerem no organismo. O medicamento bloqueia o processo de reprodução do HIV dentro das células humanas ao anular uma enzima chamada de transcriptase reversa, responsável pela replicação viral.
A PrEP começa a prevenir infecções por HIV em até sete dias, para relações anais, e em 20 dias de uso para relação vaginal. Caso não seja realizada todos os dias, a medicação pode perder o efeito. A profilaxia não deve ser interrompida repentinamente – os remédios devem ser tomados por quatro semanas depois da última relação sexual para evitar a possibilidade de infecção.

Quem deve realizar o tratamento

A PrEP é indicada para as pessoas que tenham um maior risco de serem contaminadas pela Aids, mas ainda não foram infectadas. O Ministério da Saúde considerada como grupos de risco os homens que fazem sexo com homens, pessoas trans e trabalhadores do sexo.
O órgão também indica a profilaxia para quem deixa de usar frequentemente preservativo nas relações sexuais, em especial com alguém soropositivo sem tratamento, além de pessoas que apresentam infecções sexuais com regularidade.

Contraindicações e efeitos colaterais

Como toda a medicação, a PrEP pode causar efeitos colaterais e tem contraindicações. O remédio não deve ser tomado por grávidas e lactantes, e também em caso de alergia às substâncias presentes na composição do medicamento. Por isso, é fundamental o acompanhamento médico durante todo o tratamento.
As substâncias tenofovir e entricitabina podem provocar efeitos colaterais, como dor de estômago ou perda de apetite, que geralmente passam no primeiro mês. Algumas pessoas podem, ainda, apresentar uma leve dor de cabeça ao tomar a medicação.

Onde conseguir tratamento

A PrEP pode ser obtida, de forma gratuita, em serviços de saúde e organizações da sociedade civil que promovem ações de assistência e prevenção da Aids. Uma lista completa das instituições está disponível no site da Ministério da Saúde.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114525-como-funciona-o-tratamento-que-pode-evitar-a-infeccao-por-hiv.htm

Novo teste de covid-19 detecta a doença em apenas um minuto

Pesquisadores da Universidade de Ben-Gurion, em Israel, desenvolveram um equipamento semelhante ao bafômetro capaz de identificar a presença do vírus SARS-CoV-2 no corpo humano em apenas um minuto. 
Para realizar o teste, o paciente deve soprar no dispositivo. Equipado com um chip eletrônico com milhares de sensores, o dispositivo irá entregar o diagnóstico após analisar os dados ópticos e eletromagnéticos recolhidos.

Equipamento desenvolvido por pesquisadores da Universidade Ben-Gurion, em Negev, Israel
Equipamento desenvolvido por pesquisadores da Universidade Ben-Gurion, em Negev, Israel

"Se iluminarmos este chip com um tipo de radiação sem o vírus, teremos um tipo de resposta a uma radiação eletromagnética. Mas se há vírus no chip, obtemos uma diferente resposta", explicou Gabby Sarusi, vice-diretor de pesquisa da Escola de Engenharia Elétrica e Computação da Universidade Ben-Gurion (BGU), em entrevista ao G1.
De acordo com os pesquisadores envolvidos no projeto, o aparelho foi testado em 120 pessoas e teve 90% de eficácia. Pensando em colaborar com as autoridades de saúde, os pesquisadores criaram um banco de dados para receber e armazenar automaticamente os resultados dos testes.

Praticidade e rapidez

Segundo Sarusi, esse novo teste apresenta algumas vantagens em comparação aos demais métodos: a precisão, a rapidez e o baixo custo. Vale destacar que, para realizar esse exame, não é necessário o uso de reagentes ou amostras — fator que contribui para a praticidade. Quanto ao valor, cada testagem pode chegar a US$ 50, estimam os especialistas.
"O passageiro sopra o bafômetro e, enquanto recolhe sua mala no raio-X, tem o resultado e pode viajar tranquilamente, se estiver livre do novo coronavírus", pontua o especialista.
Além disso, esse é um método bem menos invasivo se comparado ao PCR, no qual uma espécie de bastonete é inserida na cavidade nasal do paciente com o objetivo de coletar amostras do fundo da garganta — que são analisadas em alguns dias.
A equipe espera solicitar a aprovação da Food and Drugs Administration (FDA), agência norte-americana de controle de medicamentos, dentro de 45 dias. Sarusi estimou que, caso a proposta seja aprovada, o teste pode chegar à população em outubro ou novembro. 

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114522-novo-teste-de-covid-19-detecta-a-doenca-em-apenas-um-minuto.htm

Porque o número de mortos por Covid 19 pode ser muito maior

Depois de acompanharmos atônitos os efeitos do SARS-CoV-2 na Europa – e, francamente, assistirmos em completa negação de que ela nos atingiria tão violentamente –, eis que o Continente Americano se converteu no novo epicentro da pandemia, com a América Latina se transformando em palco de uma verdadeira tragédia humana que, conforme sugerem os levantamentos e curvas epidemiológicas, nem sequer atingiu seu ápice ainda.
O mais perturbador é que, embora o número oficial de mortos já seja bastante assustador, diversas pesquisas e verificações independentes apontam que a quantidade de vítimas pode ser bastante maior. Tanto que um estudo realizado pelo The New York Times – que envolveu universidades, instituições de pesquisa, agências levantamentos estatísticos e demográficos, departamentos de saúde, órgãos de registros públicos etc. de 22 países – revelou que há mais de 70 mil mortes por covid-19 sem contabilizar no mundo.

Esmiuçando números

Para realizar o levantamento, o pessoal do The New York Times levou em consideração o número de mortes registradas este ano – seja por covid-19 ou outras causas – e comparou com a média histórica para o mesmo período. Para se ter ideia, só no Reino Unido, um dos países com o maior número de óbitos pela pandemia no mundo, foram registradas mais de 130 mil mortes desde meados de março até agora, das quais 53,3 mil ultrapassaram a média – e 16,7 mil que nem sequer foram registradas pelas estatísticas oficiais.

Gráficos reveladores
Gráficos reveladores

Na Itália, outro país duramente afetado pela pandemia, só em março foram registradas 50% mais mortes do que a média dos últimos 5 anos – ou o equivalente a 25 mil óbitos a mais que o normal em um único mês. Em Nova York, nos EUA, o número de falecimentos chegou a ser 5 vezes superior ao esperado para o período, e algo semelhante foi observado em Guayaquil, no Equador, onde a população se viu forçada a deixar corpos em caixões, caixas de papelão e até mesmo embalados em plásticos ou sem qualquer proteção nas ruas devido ao colapso do sistema de saúde e funerário.

Situação dramática no Equador
Situação dramática no Equador

Em Lima, no Peru, a quantidade de mortes nos últimos 2 meses foi cerca de o dobro do que a média, e aqui no Brasil, só em Manaus foram registrados 2,8 mil óbitos em abril – o que representa o triplo da média histórica para esse mês. Outro dado interessante levantado pelo The New York Times foi que, mesmo em locais onde o número de óbitos não teve um aumento muito significativo, se observaram quedas representativas em falecimentos por acidentes de tráfego e homicídios, como vem sendo o caso da África do Sul e mantendo a média. Só que nem todas essas mortes extra estão entrando na conta da covid-19. Por quê?

Disparidades

As disparidades nos números e dificuldades em contabilizar as vítimas não consistem necessariamente em erros ou tentativas de ocultar a realidade por parte dos governos. Estamos em plena pandemia – ou no “olho do furacão” – e levantar as informações de forma rápida e eficaz é um grande desafio, uma vez que nem todos os organismos responsáveis por coletar e transmitir os dados da covid-19 os têm em mãos.

O foco agora está no combate
O foco agora está no combate

Segundo os profissionais que trabalham com informações demográficas, é bastante incomum que dados relacionados com a mortalidade sejam divulgados rapidamente, portanto, apesar de todos os esforços para reunir e liberar os números, os informes são limitados e, portanto, não reúnem todos os óbitos. Para termos um panorama mais realista e completo, teremos que aguardar alguns meses – até que os dados possam ser corretamente colhidos e processados.

Novo epicentro

O fato é que, mesmo que não tenhamos acesso ao cenário completo ainda e soframos com a subnotificação, de acordo com os levantamentos realizados pelo The New York Times, se olharmos a média histórica de mortes em determinados períodos do ano, fica bastante evidente que, neste ano, o número de óbitos está bastante acima do normal – chegando a estar até 5 vezes mais elevados.

Vida que segue?
Vida que segue?

Os dados levantados incluem outras causas de morte além da covid-19, conforme mencionamos antes. Mas é importante considerar que, em alguns casos, a elevação no número de falecimentos por questões aparentemente alheias à pandemia também estão relacionadas a ela, mesmo que indiretamente – visto que, além de muitas pessoas que possuem doenças pré-existentes estarem evitando ir a clínicas e hospitais por medo de contrair o vírus, como o sistema de saúde de muitas localidades entrou em colapso, esses doentes ficam impossibilitados de receber tratamento médico adequado.
Outro fato que precisamos considerar é que o coronavírus ainda não revelou toda a sua força na América Latina, novo epicentro da pandemia – e onde são esperados dias muito sombrios. Se você não acredita, considere a dramática situação do Haiti e da Guatemala, países que, entre eles, possuem cerca de 100 respiradores apenas, ou do México, onde os índices de obesidade, hipertensão e diabetes são elevadíssimos.

Previsão de dias sombrios
Previsão de dias sombrios

No nosso país, como todos sabem, o combate à covid-19 se converteu em uma questão política, a população se encontra dividida sobre quais orientações seguir – obedecer ao distanciamento social ou se arriscar a sair às ruas? – e os números de infectados e mortos estão subindo a um ritmo alarmante. O Brasil não é a única nação latino-americana nessa situação e, embora não tenhamos outra escolha além de aguardar o “grosso” da pandemia passar e esperar que todos os números sejam coletados e processados para conhecer a verdadeira dimensão da tragédia, é certo que a quantidade de mortos é muito maior do que se pensa.

https://www.megacurioso.com.br/ciencia/114527-covid-19-por-que-o-numero-de-mortos-pode-ser-muito-maior.htm

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