quarta-feira, 20 de maio de 2015

Investigadores portugueses conseguem integrar eletrónica transparente em fibras têxteis

Com recurso ao grafeno, investigadores portugueses conseguem pela primeira vez integrar elétrodos transparentes e flexíveis em materiais têxteis o que vai possibilitar que roupa incorpore dispositivos eletrónicos como GPS ou baterias de telemóveis. 

As grandes inovações do futuro que surgem nos filmes de ficção científica estão mais próximas de se tornarem realidade do que se possa imaginar. Uma equipa de investigadores do CICECO - Aveiro Institute of Materials, da Universidade de Aveiro (UA), do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores para os Microsistemas e as Nanotecnologias, da Universidade de Lisboa, do Centro Belga de Investigação Têxtil e da Universidade de Exeter, na Inflaterra,.anuncia agora ter conseguido incorporar elétrodos de grafeno transparentes e flexíveis em materiais têxteis.

Um avanço que foi publicado na edição de 8 de maio da revista cientifica Scientific Reports e que pode abrir a porta a que, em pouco tempo, seja possível que as roupas que vestimos possam incorporar computadores, leitores mp3, telemóveis carregados através do calor do corpo ou GPS.

Helena Alves, investigadora da UA que liderou o estudo, citada em comunicado da UA, explica que «o conceito de tecnologia incorporada na própria roupa está a emergir mas, até agora, tê-la como parte integrante de tecidos têxteis era impossível».

Isto porque, explica a investigadora, «os materiais têxteis são frágeis e não toleram muitos dos processos de nanofabricação utilizados para depositar metais e que envolvem temperaturas muito elevadas ou outros processos agressivos», para além de que, acrescenta, «os tecidos são fibrosos, o que torna difícil a adesão de outros materiais».

Como tal, «os vários processos desenvolvidos para incluir dispositivos eletrónicos nos tecidos necessitavam que uma grande camada de material fosse depositada, de forma a ser condutor, mas à custa da transparência e flexibilidade dos tecidos».

E foi exatamente este obstáculo que os cientistas ultrapassaram ao utilizarem grafeno em monocamada em crescimento controlado (um material constituído por uma monocamada de grafite com potencial na eletrónica), o qual foi depois suspenso numa solução aquosa e transferido para as fibras. Desta forma, os investigadores conseguiram usar uma técnica à temperatura ambiente e com solventes combatíveis com os têxteis.

O crescimento controlado do grafeno permitiu ainda que os elétrodos de grafeno incorporados nos tecidos possuíssem uma elevada condutividade e uma grande mobilidade eletrónica.

Os investigadores adiantam ainda que como o grafeno é transparente e possui uma grande flexibilidade, o toque, a maleabilidade e a cor dos tecidos permanecem inalterados.

Sobre este importante passo tecnológico, Helena Alves afirma que «o desenvolvimento de uma eletrónica transparente incorporada em têxteis permitirá que as nossas roupas incorporem dispositivos como GPS, baterias que carregassem o telemóvel com o calor do nosso corpo, sensores de monitorização médica, dispositivos de segurança camuflados, etc.». 

Fonte: http://www.tvciencia.pt/tvcnot/pagnot/tvcnot03.asp?codpub=38&codnot=18

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